Brasilia



 

 

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Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes and Valdir Pires tell where they were on March 31, 1964. The day that the Brazilian military staged a coup, overthrew the president, arrested thousands of people, with many of them tortured and even killed. This is a historical evidence of an era that is still alive in Brazil´s memory, albeit sad, 50 years after.

Golpe de 1964 – O Brasil Interrompido

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes e Valdir Pires contam onde estavam no dia 31 de março de 1964. O dia em que os militares brasileiros deram um golpe, derrubaram o presidente, prenderam milhares de pessoas, com várias delas torturadas e até assassinadas. São testemunhos históricos de uma época que continua viva na memória brasileira, ainda que triste, 50 anos depois.

Clique abaixo para escutar na íntegra:

https://soundcloud.com/mamcasz/golpe-de-64-o-brasil

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Foto de Gervásio Batista
(1968-atriz Vaja Orico ajoelhada na frente do comboio militar).

Coup d´Etat – Brésil arrêté

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes et Valdir Pires disent où ils étaient le 31 Mars, 1964. Le jour où l’armée brésilienne a organisé un coup d’Etat, a renversé le président, arrêté des milliers de personnes, beaucoup d’entre eux torturé et même tué. Sont des preuves historiques d’une époque qui est encore vivant au Brésil, quoique triste, 50 ans après la mémoire. La radio-document dans la langue originale, le portugais au Brésil.

Tec/ Vinheta Abertura Trocando em Miúdo

Loc- 1964. É sucesso. Minissaia. Jovem Guarda. Ligas Camponesas. O Fino da Bossa. Reformas de Base. Gordini e Moustang. E Rua Augusta, na voz de Roni Cord (*músico da Jovem Guarda).

Tec/ Trecho música Rua Augusta.

https://www.youtube.com/watch?v=OByqAxGeW84&feature=kp

Loc/ 31 de março. Madrugada. O governador de Minas Gerais (*Magalhães Pinto) começa três operaçoes simultâneas: Silêncio, nas Comunicações. Gaiola, para as autoridades. E Popeye, deslocamento de tropas.

Tec/ Slogan da música Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones.

https://www.youtube.com/watch?v=OByqAxGeW84&feature=kp

Colpo di Stato – Brasile Arrestato

Gilberto Gil, Frei Beto, Charf, Aldo Arantes e Valdir Pires dire dove si trovavano il 31 marzo 1964. Il giorno in cui l’esercito brasiliano ha organizzato un colpo di stato, ha rovesciato il presidente, ha arrestato migliaia di persone, con molti di loro torturati e persino uccisi. Sono prove storiche di un’epoca che è ancora vivo in Brasile, anche se triste, 50 anni dopo memoria. La radio-documento è in lingua originale, portoghese in Brasile.

Loc/ Primeiro de abril. Madrugada. Forças Armadas dominam a situação. Exigem a renúncia do presidente. (*João Goulart).

Tec/ Bg

Loc/ Dois de baril. Madrugada. O Congresso Nacional decide. O Brasil está sem presidente. Começa a ditadura.

Tec/ Trecho música Bob Marley na versão “Não chore mais”, com o Gil: (Amigos presos, amigos sumidos assim… pra nunca mais).

http://letras.mus.br/gilberto-gil/46223/

Loc/ Cidadão Gilberto Gil. Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Gilberto Gil: Tinha uns dois ou três dias, a gente sabia, principalmente nós, estudantes que tinham militância direta nos Centros Acadêmicos e tal. Porque nós nos mantínhamos muito informados. Estava todo mundo ligado nas rádios, nas agências de noticias. As redações dos jornais estavam ligadas direto com as lideranças estudantis e tal. Então, eu me lembro que na noite anterior eu tinha estado na casa da minha noiva Belinha…

Amigos presos, amigos sumidos assim…

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Cidadão Frei Beto. Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Frei Beto: No dia primeiro de abril de 64 eu me encontrava num Congresso Latinoamericano de Estudantes, em Belém do Pará. Quando se soube do golpe, o congresso se desfez. Cada um de nós procurou retornar a seu lugar de origem. Eu não consegui embarcar imediatamente de volta para o Rio de Janeiro, onde eu morava. Fui me esconder na casa do arcebispo de Belém. Depois, na casa de um representante da Ação Católica. Eu pertencia à Ação Católica (*Comunidade Eclesial de Base e Juventude Estudantil Católica). Eu não tive medo. Eu tive preocupação pelas poucas notícias que chegavam a Belém, dando conta que no Rio, São Paulo e Belo Horizonte havia movimentação de tropas, havia prisão, havia torturas, havia mortes…

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/pagina/frei-betto.html

Tec/ Bg música amigos sumidos assim….pra nunca mais…

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 Cidadã Clara Charf (* casada com o guerrilheiro Carlos Marighela, morto em 1969 pelos militares).

Onde a senhora estava no dia 31 de março?

Voz Clara Charf: Como a gente sentia o clima de golpe, o Marighela e eu resolvemos sair do apartamento onde a gente morava. A gente morava no Flamengo (*bairro na cidade do Rio de Janeiro). Pegamos uma mala com algumas peças de roupa e saimos. E você sabe que a gente saiu pela escada e a policia subiu pelo elevador. E aí invadiu o apartamento. Fizeram toda a destruição. Não nos prenderam naquele momento. Um mês e nove dias depois do golpe, eles atiraram no Marighela. O Marighela entrou num cinema, para se proteger, eles entraram no cinema, deram um tiro nele, quase mataram ele ali, na hora. Ele reagiu, foi preso. Eu tive que passar para a clandestinidade completa. Logo depois cassaram meus direitos políticos, como eu te disse antes. Nós passamos a viver absolutamente perseguidos. Este era o clima daquela época, né. Muitas mulheres e muitos homens começaram a se organizar para resistir, porque era humilhante, era vergonhoso, era criminoso o que estava acontecendo no país sem você reagir.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

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 Cidadão Aldo Arantes (*presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE, na foto, o do centro).

Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Aldo Arantes: Eu estava nas galerias do Congresso Nacional e me lembro que gritei veementemente contra o golpe. Gritei das galerias do Congresso Nacional – golpe, golpe! Naquela época me lembro que alguns parlamentares, entre outros, Almino Afonso e Plinio Arruda Sampaio, articularam com a Segurança para que eu não fosse preso. Eu consegui sair, fui para o interior de Goias (* Região Centro-Oeste do Brasil). Fiquei um bom tempo. Aí, por volta de junho ou julho fui, juntamente com o Betinho, para o Uruguai.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Loc/ Madrugada. O Congresso Nacional decide. O Brasil está sem presidente. Começa a ditadura. Cidadão Valdir Pires (* Quando deu este depoimento, era ministro da Defesa, no governo do presidente Lula. Em 1964, era Consultor-Geral da República. Fugiu junto com o Chefe da Casa Civil, Darci Ribeiro). Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Valdir Pires: Nós fomos para o aeroporto as quatro da manhã. Três e meia para quatro horas, conduzidos pelo Rubens Paiva (* Então deputado federal, foi preso e assassinado pelos militares numa sessão de tortura e até hoje os restos mortais dele não foram encontrados).

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Continua Valdir Pires: Ele (Rubens Paiva) tinha inclusive já selecionado uma moita onde nós nos deitaríamos, durante a madrugada, para o dia amanhecer. Quando o dia amanhecesse, o avião obteria licença para fazer uma viagem até Anapolis (* cidade de Goiás perto de Brasília). Era um teco-teco de lona. Uma vez que seria autorizado para ir, como foi, para Anapolis, nós fomos na direção do Mato Grosso, na fronteira com a Bolivia. Lá nós chegamos, descemos no campo e lá ficamos aguardando outro avião, que levaria combustível para a continuação da viagem ate São Borja (* Cidade no interior do Rio Grande do Sul, onde já estava o presidente João Goulart, fugindo para o vizinho Uruguai). Mas este avião não chegou e como ele não chegou, nós nos dispersamos. E nós dormimos ali, na fronteira da Bolivia com o Mato Grosso.

Golpe de 64 – Brasilien gestoppt

Gilberto Gil, Frei Beto, Charf, Aldo Arantes und Valdir Pires sagen, wo sie am 31. März 1964 waren. Der Tag, der die brasilianische Militär putschte, stürzte der Präsident, Tausende von Menschen verhaftet, viele von ihnen gefoltert und sogar getötet. Sind historische Beweise von einer Zeit, die noch am Leben ist in Brasilien, wenn auch traurig, 50 Jahre nach Speicher. Das Radio-Dokument ist in der Originalsprache, Portugiesisch in Brasilien.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Loc/ Golpe de 64. O Brasil interrompido.

Tec/ Bg música tatatá-tá-tá, imitando rajada de metralhadora.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Tec/ Vinheta “É da sua conta!”

Tec/ Bg música tatatá-tá-tá, imitando rajada de metralhadora.

Loc/ Madrugada. O governador de Minas Gerais (*Magalhães Pinto) começa três operações simulâneas: Silêncio, nas Comunicações. Gaiola, para as autoridades. E Popeye, deslocamento de tropas.

Tec/ Vinheta “Trocando em miudo.”

Loc/ Forças Armadas dominam a situação. Exigem a renúncia do presidente. (*João Goulart).

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim… pra nunca mais…”

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I’m not crazy … it’s little

If I shot part ot the whole

Of this heart of mine

Brainless.

I’m not little … it`s crazy

If I pop the kernels

Of this heart of mine

Jumbled.

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I’m not crazy … it’s either

If I try to shoot at the middle

Of this heart of mine

Rested.

I’m not crazy … it’s meager

If I start at the very core

Of this heart of mine

Pregnant.

I’m not this … neither I try

To extract anything from my mind

Of this heart of mine.

(All of this just leave from me. Well well.  Without shot I don’t put cuffs on dominant point. No intimacy with  comma, exclamation or interrogation. Much less in the attached reticents. Point for me is only one. It’s like a shot in my heart. A singleand ready . This is the end, my beautiful frien. Just a point.)

http://mamcasz.com/2010/09/10/sept-11-in-god-we-trust-sera/

http://wp.me/pBsZ2-1Kr


Dia Internacional da Mulher

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 One kiss, Super Woman! 
You show your breasts,
And aliments the Life,
Immense , in your hunger
… of Love.

Um beijo em ti, Mulheraça!

Tu mostras os peitos

E alimentas a vida

Nesta tua imensa fome

… de amor.

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Two kisses, Super Woman!
You perspires on hips,
To reap the fruit, 
Hurt, you’re a boss
… of the Family.

Dois beijos em ti, Mulheraça!

Tu suas as ancas,

Colhes o feijão do dia,

Nesta tua casa onde  és a chefe

… da família

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Three kisses, Super Woman!
You take a punch,
Devolves whisper
In the bed, petal

 … of Flower.

Três beijos em ti, Mulheraça!

Tu levas um murro

Devolves sussurro

Neste teu berço onde eras uma pétala

… de flor.

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Moral

Super Woman!
You support son, husband,
 Dog and the parrot
Resonates in the mirror:
 Are you still the most beautiful woman
…of the World? 

Mulheraça!

Tu sustentas filho, marido,

Cachorro e papagaio.

Mas Tu te lembras da imagem no espelho

Desta você mulher mais bonita

… do mundo?

And so…


In this your  day,
 Super Woman!
 A kiss
 From the size of your accuracy -
 Correct,
 Given past,
 Present and future.

Então…

Neste teu Dia internacional, Mulheraça,

Aquele beijo do tamanho

Da tua precisão.

From Eduardo Mamcasz (Poet and Zen)

Bariloche by G.Dutra

A caminho da Patagônia

Agora, me ouça, Mulheraça:

http://www.radiotube.org.br/audio-3480J58J3SmiQ

Veja tão bem:

Em 2010

As minas de atitude

http://mamcasz.com/2010/03/08/dia-da-mulher-as-minas-de-atitude/

Pra não dizer que não falo de flores

http://mamcasz.com/2010/03/07/dia-da-mulher-pra-nao-dizer-que-nao-falo-de-flores/

Em 2011

Mensagem às mulheres de boa fé

http://mamcasz.com/2011/03/06/mensagem-as-mulheres-de-boa-fe/

Em 2012

Bom Dia, Mulheraça.

http://mamcasz.com/2012/03/07/bom-dia-internacional-mulheraca/ 

Especial para você, Mulher Negra: 

http://radios.ebc.com.br/em-conta/edicao/2014-03/em-conta-homenageia-mulher-negra

 And now, a big kiss for you, my Florzinha

madame no saara 2 by mamcasz

Cleide de Oliveira, minha mulher,
brincando de criança no deserto do Saara.

Bom Dia!


Sobre o meu encontro hoje com o Tom Waits no metrô de Brasília

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 Sabadão aqui na Ilha, Brasília, sol a pino, oito da matina, coloco um galho de arruda na cueca e vou à luta.

Na meta traçada a ida primária, de metrô, ao Na Hora, tirar a primeira carteira de velho.

Explico-me. Na Hora, serviço público que atendia, tempos idos, de acordo com o termo: Na Hora.

Carteira de Velho. 65 anos (estou com 66). Primeira,  porque, em sendo assim, não paga taxa.

É que nem o primeiro sutiã. Aprendi isso com a avó da mina da Firma:

- Para arranjar um amor na vida, coloque um galho de arruda no sutiã.

Continuando:

Primeiro Ato.

A pé vou aqui de casa, Madame já servida à cama,  até a estação do metrô da 12 Sul, linha direção Central. No guichê:

- Bom Dia.

Nada de volta. Boto uma nota de cinco. A funcionária pública ranzinza, enjoada, menstruada, menopausática, devolve-me o ticket (vale por dois dias) e o troco de três reais (uma nota de dois e duas moedas).

Segundo Ato.

Vou do guichê ao primeiro de uma série de obstáculos na forma de roleta. Ai que saudades de Berlim, onde não existe roleta nem cobrador, só o motorista dizendo:

- Bom Dia!

Terceiro Ato.

Metrô limpo, bonito, cheiroso (sábado sem o cheiro do povo) mas demorado (a cada 20 minutos) até porque fica três minutos parado em cada estação, a ver navios, diria eu na Praça Mauá, no Rio, duas da madrugada.

Quarto Ato.

Chego à Central (Rodoviária do Plano Piloto), passo pelo povo cheirante que dorme à sombra da pilastra depois de mais uma noitada regada a crack barato e incestuoso, noto nas barrigas inchadas das meninas envelhecidas rapidinho por demais nesta vida.

Quinto Ato.

Entro no Na Hora (nos tempos idos, mais limpo e muito mais educado). Na primeira das filas, para pegar a senha, passo pela guardinha do SERVI.

- Bom Dia!

  E ela:

- Aquele guichê ali!

Vou. Penso em Vida de Gado com o Tom Zé.

- Bom Dia!

- Ainda é divorciado? Trouxe a certidão? Trouxe a velha? (a carteira de identidade antiga, soube na hora de quase partir pra porrada porque Madame ainda é uma jovem). Espere ser chamado naquele canto ali, naquela Tv ali, para ser atendido na Sala C.

- Sala Seis? – resolvo perturbar a empáfia do funcionário bem remunerado de Brasília.

- Sala C.

- Seis?

- SEIS!!! não me confunda. SALA C !!!

Sexto Ato.

Não é cesto não, seu analfabeto. Na Hora! Espero quinze minutos, isto porque está relativamente vazio e tenho a senha C751 – Preferencial.

- Plim!Plim! Aparece a senha e a sala:  Seis? Não, cara, é C. Ah. Guichê 72.

Vou, né, que nem gado preferencial. Entro.

- Pode sentar. Cuidado para não cair porque a cadeira está um pouco quebrada.

- Bom Dia!

- Trouxe a certidão de divórcio e a velha?

- Não. Eu vim sozinho. E se não responder meu Bom Dia, te mando à MERDA!!!

- O que é isso meu senhor. Isto é falta de respeito à autoridade. Pode ser preso. Leia o cartaz ali. Não admito, blá-blá-blá.

- Vai te foder, funcionariozinho de merda!!!(penso comigo, bem baixinho).

 Sétimo ato.

Vinte minutos depois de endereço, cpf, que nome é este, e o de tua mãe, termina com ypsolon por que? Nasceu em Ponta Grossa, é? Fotografia. Levante o peito. Feche a boca. Ponha os dez dedos aqui. Por que? Digitais, meu. Ih, teu nome está errado aqui no arquivo. Está Mancasz. E a velha (identidade) aqui está me dizendo Mamcasz. Que nome estranho é este? Polaco… Ah… Pronto, acabou.

- Pego a nova aqui mesmo?

- Ainda não. Continue com a velha!

- Mandam pelo correio, que nem nos tempos antigos,  quando Na Hora era Na Hora?

- Tem que vir buscar aqui.

- Senha, espera de novo e tudo, sem Bom Dia no teu não vai nada não?

- É, polaco. Tudo muda. Para pior. Te pira daqui.

- Bom Dia!

- PRÓXIMO!!!

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Oitavo ato.

Refaço o caminho. Nem dá gosto de partir para um caldo de cana com pastel na Rodoviária do Plano, como fazia em dantanho tempo com a namorada da hora,  alta madrugada de Brasília. De volta ao guichê para novo ticket:

- Bom Dia!

- Quantos?

- Um Bom Dia só está bom para mim.

- PRÓXIMO!!!

Espero vinte minutos pelo próximo metrô. Chega o da Samambaia. Ainda bem. Porque a linha Ceilândia  passa no Condomínio Sol Nascente, a maior FAVELA do Brasil. Pelo IBGE, acaba de ganhar esta posição ao ultrapassar a grande ROCINHA, do Rio. Agora, vamos ao motivo da foto:

Entro. Sento-me. No vagão reservado aos homens de verdade. Aguardo uns minutos. O alto fala:

- Olá,  senhor usuário (?). Bom Dia!!!

- BOM DIA É O CARALHO. SÓ AGORA ME RESPONDE? AINDA POR CIMA PELO ALTO-FALANTE? VAI TE FODER. PEGA ESTE BOM DIA E ENFIA NO…

A reação dos que estavam por perto foi a de no imediato se levantarem à procura de novas cadeiras no vagão ao lado. Até entendo a reação. Eles não sabem a causa. Eles são rebanho. Eles são o povo. Zé Ninguém.

 Melhor ainda. Pelo seguinte. Quando a porta do vagão já ia fechando para a viagem de volta, acontece o seguinte: entra um velho, esbaforido, tipo meio louco e mais um pouco. Penso. Vai sobrar para mim. Não dá outra. Senta ao meu lado:

- Good Morning, my dear Polack. How do you in this beatiful sábado de manhã here nesta Ilha de merda?

- Bom dia!!!

E logo após esta automática resposta, olho para o elemento e eis de quem se trata:

- My dear Tom Waits!  What are you doing por aqui, porra, meu. Vem cá. Me dá um beijo na boca.

- Sai para lá, polaco. Kiss outro ess, meu.

Melhor ainda. Tom Waits, em resposta, simplesmente começa a cantar no meu ouvido. Assim, ó:

- Sane, sane, they are all insane. The fireman´s blind. The conductor´s lame.

- Claps hands, polaco. Claps hands.

- Son of bitch!

- O que?

- OK?

- Tá indo para onde, meu caro Tom Waits?

- Going to Ceilândia ( Land of CEI – Centro de Erradicação de Invasões) with a pistol on my jeans.

- De jeito nenhum. Tom Waits. Primeiro vamos descer aqui na 12 Sul. Tomar umas caipirinhas em casa. Tirar Madame da cama. Ela te ama. Escutar todo o teu  RAIN DOGS, ao vivo, de tua boca do Harlem direto para este meu ouvido polaco bahiano. I don’t stay here, meu. I wana to go back to Bahia. 

- Let´s go, polaco.

- Porra, quem diria, cara. Canta outra vez aqui no meu ouvido:

https://www.youtube.com/watch?v=SWJvohfCCdk

Observo ao final:

Este conto pouco louco ou louco pouco conto  ou pouco louco conto, vai para meu grande amigo Flavinho (Flavio Mattos), que (quem) tem a coleção mais completa de Tom Waits do que a minha, com autógrafos e tudo, e também porque estou devendo a entrega a ele de mais um cardápio internacional, este encontrado ao passar numa faixa de pedrestre, na chique Rue de Montaigne, em Paris, neste Natal, e o cartaz lá no asfalto, o tempo suficiente para me abaixar, pegá-lo, que os carros estavam prontos para avançarem para cima dele que, aliviadíssimo da vida me suplica:

- Me leve para o Flavinho!!! (S.V.P.)


Minha homenagem  aos 460 anos da cidade de São Paulo e a todas as pessoas amigas que estão dentro dela.

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Eu chegado, via Congonhas, Brasília no bilhete, quinta feriado, converso na janelica do pré-acertado, tem cartão de crédito, bandeira dois, destino Vila Madalena, 39 reais.

- Por onde o senhor deseja ir ?

No invisível, escuto o samba paulista “somos quase vizinhos , fazemos o mesmo caminho, vem me dê sua mão”, de Fica mais um pouco  amor, do italiano Adoniran Barbosa. Por mim, senhor chofer de vampiresca classe, desde Dom Cristóvão, (1) que cobra acima do ético do menino que, virá a saber no meio do rio, quase se afogando, devido ao peso da tarifa, ser o próprio Deus.

- Vamos por onde, meu senhor polaco, orra,  mas o cara fala, meu!

Traio minha condição sisuda de ser. Pela casa do Carvalho, chegue à Vila Madalena, Heitor Penteado com Pompéia, no Fran’s Café. Aliás, senhor matador da minha noiva Iracema (2), na hora da conta, preste atenção ao lado esquerdo, pouco abaixo do seu adormecido arremedo, onde tem dois livros de Buckowsky (3). Aconselho-os para suas horas de folga, no coçar do físico, de volta ao Morro do Piolho (4), ao rememorar a exploração deste portador de visual da Vila do Progréssio (5).

Belo começo de semana enclausurado no Anhembi numa tal de XI Unctad (6) ( um o que?) dois, cara, quer dizer, muito mais, seis mil burocras, includo presicas e ongueiros . Encontro uma comitiva de dois, do Reino do Lesotho. Converso de quando passei naquela negra montanha, incruada em território branco e africano. Lembro do tropeçar à beira do despenhadeiro por conta dos acenos que me fazem, não as mariposas de Jaçanã (7), mas dezoito inocentes pés de maconha, já do óleo liberados e nem tão secos para serem desprezados.

- Mas onde é que estamos mesmo, meu senhor?

- Sei lá, seu “Mânforo” (8). Eu vivo de passagem, pago na vida sempre adiantado, o tempo está bom, a capital melhor sem o paulistano, lá embaixo na praia, domingo a revoada do milhão e meio no maior orgulho gay do mundo (9). É. São Paulo não consegue parar. Vila Madalena. No buraco tem o beco estreito e as muralhitas de azuleijo que espantam os grafiti . Que pena Adoniran , no lugar do composto, tivesse pichado os vazios das malocas. Ao observar os tatus (10), ele teria no certo, no samba do Arnesto, inserto o “domingo nóis fumu no azur” (11). E obrado na torcida excluída de pardos paulistanos que adentram a estação da Sé (12). Tomo coragem e parlo:

- Meu nome é Rubinato (13).

- Carma, Iracema, o chofé não tem curpa. Paciência! Paciência! (14)

Olha o breque !

Abstenho-me de personagens nesse paulistano passar, até do anfitrião. Relatos factuais ameaçam futura permanência nas retas escadarias por onde escorregam ratos disformes e ladrõezinhos alimentadores da boca a meio caminho do Sumarezinho à grande Madalena. Pena sejam tão céleres. São ratos que dividem com tatus de credos e cores disformes o mesmo quedar ao metrô que, cá para nós, funciona de maneira mais limpa do que a forma com que foi construído.

De volta ao relato de minha passeada paulistana. Paraíso (15) , bate a vontade de desviar de linha para uma visita à amiga minha da Santa Cecília (16). Não a santa rainha dos músicos. A padroeira dos gays. Qual nada. Deságuo no Tietê, o maior terminal … que mania … o bandeirante não viu o dos mexicanos. Tento o guichê para Valinhos, onde mora o amigo Charutinho (17). Penso em subir a Bragança e visitar tia Aline em Atibaia. Ou passar na Casa da Sogra (18). Vence a sina : o suor danado no desarvorado Parque do Anhembi.

Cena terminal no Tietê :

- NÃO dê esmola !

- NÃO seja camelô pós linha branca !

- NÃO coma pizza requentada!

- NÃO pegue táxi fora do ponto !

Em protesto à retidão paulistana, promovo o curvilíneo :

SIM !

Dou um real à caiçara invalidada pelo herói bandeirante.

SIM !

Compro cadarço à porta do elevador que desce para a Cruzeiro do Sul e nele dependuro meu crachá da ONU (19).

SIM !

No Shopping Estação, como pizza fria com café preto.

SIM !

Aceno ao táxi acabado de ser passageiro. Entro correndo. Tem recibo. Um pulo até o Anhembi, pela Olavo Fontoura, hoje menos policiada. Faça a ronda no balão e quebre no farol perto das biroscas.  Pronto, cheguemo, diria mestre Adoniran. No retorno da noite, pelas dez, a carona no ônibus da TV Nacional. Passada a ponte para Bom Retiro, apeio no intento de rever Armênia(20). De gravata e roupa de gringo , ultrapasso a passarela sobreterrânrea. Dobro à direita na rampa. Visualizo personagens do Abrigo dos Vagabundos (21). De costas, não me sentem. Falta-me a iluminação. Acelero pela lateral. Passo. Enxergam-me na quebrada à esquerda.

- Ô doutor !

Respiro em terra firme, pequena praça, o corredor obscuro formado pelas bancas de camelôs completamente arriadas. A distância se agrava. É relativa em momentos tensos. Ao longe reluz a claridade do acesso à estação que me seduz.

- Um real pra gente !

De soslaio, mais dois passos em frente, sem sacolejar:

- Tá mal. Tô sem nenhum !

- Se o doutor não tem um real, então quem vai ter neste País.

Embarafustado pela roleta-catraca do metrô, enfio o bilhete de 10, pisca-me de volta o cinco, subo a escada rolante e aguardo o trem Jabaquara-Paraíso-Madalena. Penso. Vou convidar para o mesmo trajeto as personas reunidas no Anhembi. Imagino o trio real da passarela numa task-force de commodities, comércio justo, dumping, progresso auto-sustentável, fair-trade e até o Gil (22)na defesa da necessidade da retomada do caminho da possibilidade de uma utopia.

- Não recrama, João, a chuva só levou a tua cama (23).

Cuido do retorno a Brasília servido de típicas lembranças paulistanas: famosos potes do alto da Moóca (24), marmita do tradicional arroz com feijão e um torresmo à milaneza (25) e outra cadeira lá na Praça da Bandeira (26). Arrumo tempo e passo na casa do Nicola, no Bixiga, na rua Majó (27). Converso com o Joca na Saudosa Maloca na Rua Aurora (28). Sinto que lindo , Eugênia, é o viaduto de Santa Ifigênia (29) e rebeijo a mariposa na Rua dos Gusmões (30). Sim. Não posso ficar nem mais um minuto com você(31). Na pressa da hora acertada retorno ao começo deste relato no espaço clamado Congonhas. A última rodada no metrô, do Tietê a São Judas, o mais perto do aeroporto. Só alguns quarteirões. Nem sete reais. Pois vou. Estou apeado na rua diante do único táxi do ponto. A felinesca chofer garante que emagreceu 37 quilos. Tem codinome. Pafunça (32). Pede tempo para botar o cadeado no telefone. Abre o porta-bagagem. Não entra mais nada. A cara dela.

- Deixa eu pagar antes o corte do cabelo do meu filho. É no caminho.

Ele tem 16 anos. Dez reais. Onde já se viu. O pai dele é taxista. Ganha bem. A gente é separado. O juiz mandou ele pagar 600 reais

de pensão. Até hoje não pagou. Alô, meu filho. Já estou voltando. A gente divide um comercial. Arranjei advogada conhecida . Vai cobrar 900. Acontece que ainda gosto dele. Encontrei outro.Um amor de pessoa.Quer filhos. Alô, amor, hoje não vai dar. Já operei. Penso até operar de novo. Dá uma pena dele. Mas não vai dar certo. Gostomesmo é do pai do menino. Tô com uma pena de cobrar a pensão na justiça. Não é para mim. É para o filho. Gosto dos dois. Quer dizer. Dos três…

Chegamos. Dezenove reais e trinta centavos. Deve ter cobrado por palavra. Dou vinte. A história valeu. Sincera. De gorjeta canto

para ela o trecho final do samba Maria Rosa, do Adoniran Barbosa. Ouçamos juntos. Alô, meu marido. Não. Que cobrar coisa nenhuma. Injustiça é eu estar longe de você. Eu é que te devo. Um beijo, meu moreno! Taxímetro desligado, revira-se para o meu lado, estou no banco da frente, muito l-e-n-t-a-m-e-n-t-e, e proclama: Canta, meu branco !

O carnaval passou.

Levou minha rosa.

Levou minha esperança.

Levou o amor criança.

Levou minha alegria.

Levou a fantasia.

Só deixou uma lembrança.

Constato, no ato de me livrar dos sobejos da saliva – em troca da pena fica a serena sensação do lábio mordido – que ainda me sobram três horas pro vagar antes do embarque imprevisto. Traço meu pedaço na área do estresosso Congonhas. Confiro que, no perímetro interno do terminal, cerveja em lata sai a quatro reais. Ultrapasso a avenida pela passarela. Lá vem outro causo. Dobro à direita. Disputo a calçada esburacada, estreita e conturbada. Paulistas me insistem que Brasília não presta porque não tem calçada. Prossigamos. Após a passada pelo pardieiro, dormida a 15 reais, três horas, é só subir a escada a la penumbresca, estaco diante uns cocos verdes fincados numa estaca na esquina em frente ao posto de gasolina. Um real e meio, guardanapo, pastéis de bauru na hora, includo a massa. O sonar contínuo dos motores. Suportável seria não fora a gripe e os bilionésimos de miligranas de fuligem a perturbar minhas narinas, pois as tenho ao par. Sento-me ao banquinho de plástico branco e limpo. Faço justiça no acréscimo do informar.

Sorvo vagarosamente, no opósito do ritmo intenso do trânsito tão ao gosto do paulistanesco folclore de pisar nos freios para aumentar os quilômetros do engarrafamento. Aspiro a segunda tragada do líquido ao gosto de beira -mar. Preparo-me para a terceira. Aproxima-se um típico ancião, bonezinho xadrez, cabelos branquíssimos nas laterais, o próprio italianinho que me parece, no ato, chamar-se Arnesto (33).

Muito íntimo :

- Hy mister, can you give to me your beautiful hair?

Vero…

- Fôra eu gringo, meu siciliano, não estaria aqui tomando água de coco pós uma rápida esprimidinha ali na esquina. Está premo na questão de traduzir agora mermo. Esprimidinha é um copo de cachaça barata com meio limão esprimido em cima. Custa setenta centavos. Tomei duas.

- Sou polaco!

- Polish o catzo. O senhor é suiço. Não adianta negar. E eu quero o seu cabelo de presente. Now!

Vero…

Não apresso o passo, pois não debando, e nem exagero o devagar. Longe de mim o escalpo na quarta maior cidade do mundo. Atravesso de volta a passarela. À procura da compostura. Reassumo minha dita personalidade gringa. Subo à francesa a escada encaracolada do saguão central de Congonhas. E me dirijo à Sala Vip do Cartão de Crédito. Opto pelo chá misto Momento de Acordar.

Ingredientes : folha de chá-mate, casca de laranja doce, casca de limão, casca de canela e funcho.

Acesso-me à Internet. Uso os quinze minutos a que tenho direito de fama para fazer este relato do fato. Com permisso, vou ficando por aqui. O tempo expira. Nada me inspira. Por fim, expirro. É a gripe.

- Nunca vi gringo suiço escrever deste jeito.

- Nem eu.

Saio, calmamente, direção portão 3. Finalmente, o quase embarque de volta à minha ilha.

- Polish!

- Ih! lá vem o italiano.

- See you latter, friend!

- Me too, Arnesto.

Ao fundo, no falante paulistano, Adoniran me debocha:

- No ortro dia , encontremo co Arnesto, que pediu descurpa, mas nóis num aceitemo.

Sem pisar nos breques, acrescentei pra Matilde (34) :

- Nóis vai mais vorta!

RODAMÃO (é que nem rodapé)

(1)- São Cristóvão.

Diz a lenda que São Cristóvão fez promessa de carregar pessoas de uma margem à outra de um rio, porque não tinha ponte nem barco. Um dia, uma criança pede que a atravesse. Seu Cristóvão coloca- a nos ombros e entra na correnteza. A certo ponto, estranha o peso fora do comum da criança .”Você parece estar carregando o mundo!” A criança lhe responde: “Erraste de pouco. Carregas aquele que fez o mundo.” Por isso, é invocado padroeiro dos motoristas que transportam pessoas pela cidade.

(2)- Iracema.

Nasce de uma notícia de jornal, em 1956. Mulher atropelada na Avenida São João. De fato, foi na Consolação. Letra e música de

Adoniran Barbosa :

“ Você travessou na contramão a São João / vem um carro e te pega / e te pincha no chão/ Você foi pra assistença….”

(3) – Charles Bukowsky.

Autor da beat generation. Dois livros presentes na Livraria do Frans’s Café da Vila Madalena. 1 -Tales of Ordinary Madness (Erections,Ejaculations, Exibitions and General Tales of Ordinary Madness).

2-Play the Piano Drunk / Like a Percussion Instrument / Until the Fingers / Begin to Bleed a Bit.

(4) – Morro do Piolho.

Bairro da Liberdade, Rua Tamandaré. Tudo fictício. Aparece em Histórias das Malocas,1955. Radiocontos de Oswaldo Molles. Adoniran é o desocupado malandro, morador do Morro do Piolho, pronto para mais uma viagem pelo mundo dos humildes.Certa vez, decide fazer uma eleição . A urna é roubada. Noutra, os moradores procuram emprego. Todos de uma vez. Só encontram um. Para ocupar essa vaga, escolhem Charutinho, o mais preguiçoso e vadio da turma.

(5) – Vila Progréssio.

“Progréssio/ Progréssio/ Eu sempre escuitei falá “ – dizia uma das músicas do Adoniran. Era a vila chique dos brancos, a Vila Progréssio. O edifício arto é o encurvado Copan. O café da manhã é no TIB.

(6) – XI Unctad –

Décima-Primeira Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, de 11 a 18 de Junho de 2004, no Anhembi, São Paulo, junto com o Forum da Sociedade Civil.

(7) – As Mariposas.

Música composta em 1955 por Adoniran Barbosa em que o autor faz um jogo de palavras entre as voltas das mariposas-mulheres da vida em torno das lâmpadas-homens:

“ Eu sou a lâmpida / E as mulher são as mariposa/ Que fica dando vorta em vorta de mim.”

Jaçanã, presente na música Trem das Onze, antiga Guapira, aberta em 1913, para ir ao Asilo dos Inválidos, ramal de Guarulhos, Estrada de Ferro da Cantareira.

(8)- Mânforo.

Jogo de palavras com Cristófaro que, em greco-latino, quer dizer aquele que transporta o Cristo, ou seja, Cristóvão. No caso, aquele que leva o Mam, apelido do autor, ou melhor , aquele que transporta o relato do fato.

(9)- Parada Gay.

São Paulo, Brazil, Jun. 13 (UPI) — More than 1 million people marched in Sao Paulo s gay pride parade Sunday, breaking the world record for such an event. Acording to police estimates 1.1 million people flowed through the city s main thoroughfare — Paulista Avenue — waving rainbow flags and signs celebrating the 8th edition of the parade.

(10)-Tatus.

Os que vivem, trabalham ou usam o metrô.

(11)- Azur.

A linha 1- azul do metrô de São Paulo, a Norte-Sul, ligando Tucuruvi a Jabaquara. Adoniram compôs Uma simples margarida (samba do metrô). E no Samba do Arnesto, ele canta “nós num semo tatu”.

(12)- Sé.

Centro histórico da capital paulista, a praça e a catedral. É o centro nervoso , único ponto de cruzamento das linhas Norte-Sul e Leste- Oeste do metrô. Por ela passam vertentes e tendências do urbano e do suburbano.

(13) – João Rubinato é o nome de batismo de Adoniran Barbosa.

(14)- Iracema.

Parte final da música Iracema, quando a letra é declamada.

(15) – Paraíso.

Estação do metrô conde cruzam a linha 2- verde, Ana Rosa-Vila Madalena, com a 1.

(16) – Santa Cecília.

Outra estação de metro, na linha 3- vermelha que cruza, na estação da Sé, com a linha azul.

(17) – Charutinho.

Valinhos, no interior paulista, porque foi onde nasceu Adoniran. No programa escrito por Osvaldo Moles, História das Malocas. Adoniran faz um personagem . Chama-se Charutinho,nome do presidente do Corintians, na época.Um trecho, de 1955:

“Maloca onde a riqueza é um pedaço de fome/ é um pacote de gemido/ Maloca…/ onde eu cresci de teimoso que sô/ Mais esburacada que tamborim de escola de samba em Quarta-feira de Cinzas/ Onde a gente enfia a mão no armário e encontra o céu/ Onde o chuveiro é o buraco da goteira.”

(18) – Casa da Sogra.

Rádio Record, 1941, Osvaldo Molles fazia o programa Casa da Sogra. Ele foi o parceiro da vida toda do Adoniran Barbosa. Em 1964, desgostoso, preferiu se matar. Foi mulher…

19) – Crachá da ONU.

Para poder entrar no Anhembi, só com o crachá fornecido pela ONU que, por desorganização, estava sem o dependurador, daí a

necessidade do cadarço. No caso, cor abórbora, o par custou um real.

(20)- Armênia.

Estação do Metrô, linha 1 , entre Tiradentes e Tietê. Junto à igreja ortodoxa da comunidade dos armênios.

(21)- Abrigo dos Vagabundos.

Numa das músicas Adoniran oferece sua maloca aos “vagabundos, que não têm onde dormir”. E coloca o título Abrigo de Vagabundos. Foi em 1959, no começo de uma nova maloca (favela, invasão) na Mooca.

(22)- Gil.

Ministro da Cultura, Gilberto Gil. Na reunião da Unctad, foi eleito pelos jornalistas presidente do MSL – Movimento dos sem Lead.

Significa que não se aproveita nada do que ele fala, na hora de escrever a reportagem. Não existe um começo. Meu compadre Turiba é o assessor dele.

(23) – Não recrama…

Outro trecho do personagem no programa de rádio História das Malocas. Foi depois de uma enchente que levou toda a maloca-favela embora. No caso do João, ele havia perdido só a cama. Este João, na verdade, seria ele mesmo, nascido João Rubinato.

(24)- Potes da Mooca.

Na música Abrigo de Vagabundos tem o trecho“Eu arranjei o meu dinheiro/ trabalhando o ano inteiro/ numa cerâmica/ fabricando potes/ no alto da Mooca”. Meu anfitrião foi criado no pedaço e ainda se lembra.

(25)- Torresmo à milaneza.

Nome da música composta por Adoniran, em 1979, em parceria com Carlinhos Vergueiro, onde diz:

“E você, Beleza,/ o que é que você troxe?/ Arroz com feijão / E um torresmo à milanesa / Da minha Tereza”.

(26) -Praça da Bandeira.

Letra do samba de Adoniran, composto em 1974, Vide verso meu endereço, quando diz que “ O dinheiro que você me deu,/ comprei cadeira / lá na Praça da Bandeira.”

(27)- Nicola e Rua Majó.

Aparecem no Samba do Bixiga, composto junto com Nicola Caporrino:

“Domingo nóis fumo  num samba no Bixiga

Na Rua Majó, na casa do Nicola.

Mezza notte o’clock, saiu uma baita duma briga

Era só pizza que avoava, junto com as brajola.”

(28)- Saudosa Maloca.

“Se o sinhô não tá lembrado/dá licença de contá/que aqui onde agora está/esse edirfiço arto /era uma casa véia /um palacete assobradado” A casa fica na Rua Aurora. Cine Áurea, O Joca, na verdade, se chama Mário, mas afinal, Mário não rima com maloca.

(29)- Santa Ifigênia.

O Viaduto, inaugurado em 1913, liga o Mosteiro de São Bento à Basílica de Nossa Senhora da Conceição, a “igreja dos sinos quebrados”, porque nunca toca na hora certa. No samba do Adorinaran:”Venha ver, Eugênia/como ficou bonito/ o viaduto de Santa Ifigênia. Está tão lindo que eu acho, ninguém vai morar embaixo”.

(30)- Rua dos Gusmões.

Um dos sambas mais escondidos de Adoniran:

“Por ela sou capaz, de atravessar, a Rua dos Gusmões, lendo Ali Babá, e os 40 ladrões…”.

(31)- Trem das Onze.

Famoso trem que, na verdade, não existe. O último sai às 20h30m.

(32)- Pafunça.

Uma das desconhecidas musas de Adoniran. Resta na letra :

“O teu coração sem amor se esfriou,/ se desligou,/até parece, Pafunça,/ aqueles elevador,/que está escrito/ “num fununcia /e a gente sobe a pé! /é pra me judiar, Pafunça, / nem meu nome tu pronunça.”

(33)-Arnesto.

Virou nome de samba de Adoniran. “O Arnesto nus convidô / prum samba ele mora no Brás/ nóis fumo não encuntremo ninguém.”

(34)-Matilde.

A mulher de Adoniran. Mathilde de Lutiis. Casou em 1942 e com ela viveu 40 anos. O primeiro casamento foi com Olga Rodrigues, com quem teve a única filha, Maria Helena, criada pelos tios.Matilde aguentava tudo. Mas brigava quando ele chegava de madrugada. Daí surgiu o samba: “Joga a chave, meu bem/ aqui fora tá muito ruim”.

“AGORA NÓIS VAI MERMO E NÓIS NUM VORTA MAIS”.

Eduardo Mamcasz

São Paulo – SP – Brasil – 25/Jan/2014

Original em:

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=10632&cat=Contos&vinda=S


Zero hora deste dia 11 de 1 (1+1+1=3).

Eu me completo 66 (6+6=12=3+3+3+3).

Então somos 5 vezes 3 igual a 15 (1+5=6=3+3).

Já somos sete três (7 vezes 3 = 21 = 2+1 = 3).

Juntos, passamos a oito vezes 3 = 24 (2+4=6=3+3).

Ultrapassamos então dez três de uma vez.

Igual a 33 ( 3+3=6).

Pronto.

Neste dia eu faço 66 anos de ida.

Sexagenário e meio.

O futuro, sei lá.

O passado, foi este – uma bola.

Siga-a:

http://mamcasz.com/mamcasz/

Inté e Axé!

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Nossa Senhora de Brasília.
Que em 2014 reine, na certeza soberana,
Sobremesa farta, na mesa e na cama,
Mas sem nos chafurdar em tanta lama.

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Nossa Senhora do Brasília,

Santa dos sobressaltos,

Vos rogamos um presente bem brasileiro:

Que  ressuscitemos,  de  uma  só  vez,

Sem  ser preciso  ser santo nem  suar de medo

Nesta  incerteza de tantos segredos.

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Adicionemos  a  este  nada,  o tudo

Que, noves fora, sonhamos  conceber.

E multipliquemos o zero da fartança,

Dividido pela dúvida agora do ato,

Que espanta, de fato, a esperança.

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Que reine,  na certeza soberana,

Sobremesa farta,

na mesa e na cama,

 Sem nos chafurdar em tanta lama.

Ouça bem, Nossa Senhora de Brasília,

O brado fervoroso do vosso povo:

Que em 2014

Tenhamos a nossa vez.

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São os votos de Mamcasz, Poeta-Zen,

E de sua consorte, Cleide.

Amém.

Para ouvir a mensagem completa, ao som do Hino Nacional,

Clique

https://soundcloud.com/mamcasz/feliz-ano-novo-povo-by-mamcasz

Leia

 https://clubedeautores.com.br/book/156311–BIOGRAFIA_DE_UMA_GREVE#.UsNRdltDvl8


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 Foi só eu pensar neste Natal (Joyeux Noël) em Paris, por conta da premente necessidade de recuperação das horas paradas na frente do pensamento, eis que recomeço a receber mensagens do além oceano Atlântico:

 -  Bonjour monsieur Mamcasz.

-  Bom dia!

- Je suis Alexandre, votre chauffeur a Paris, qui remplace Jean-Paul. Enchanté de faire votre connaissance.

 Se não fora pelos camembert,  beaujolais e baguetes, tem ainda o jeito carismático do falar. Eu estou encantado de poder vos conhecer. De faire votre connaissance. Eis um dos muitos motivos que me levam a passar  outro Noël de novo em Paris, mon amour. E a forma como se despedem no escrito:

 - A très bientôt. Bien cordialement, viste, meu rei?

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 Pelo citado, referência merecida ao Monsieur Jean-Paul. Nosso chauffeur antigo em Paris. Na primeira vez, levei a ele o Cd Duplo 100 anos de Frevo no Brésil. Noutra vez, um CD do Borguetinho.  E chega a resposta, depois da apresentação do novo motorista porque ele, Jean-Paul agora está aposentando: “Une autre vie commence pour moi et mon épouse… maintenant cést le repos, les voyages, la détente.” E me devolve o amigo parisiense anos já passados:

 - Je ne vous oublie pas, j’ai beaucoup aimé votre gentillesse, votre contact humain, j’écoute souvent les CDs de musique traditionelle brésiliene que vous mávez offert. Je vous remercie pour votre grande amabilité.

 - Qué isso, mon cheri amigo Jean Paul. Se estiver em Paris, vamos tomar aquele vinho juntos. Eu, vous, votre épouse e, bien sûr, notre Madame.

 - Bien cordialement mesmo…

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Onde ficarei, pardon, ficaremos, moi e Madame, neste Natal, em Paris? Uma única exigência. Perto da Rue Daguerre por conta da passage de pedestres, da loja de vinhos, do ponto dos frutos do mar, da bagueterie na porta de casa, do pequeno mercado, do fromage. Ah. Em cima de uma estação de metrô, aliás, uma das 380 que existem a partir de 1.900. A casa de sempre não está mais à disposição alheia. Portanto, a mais próxima aparece pelo Airbnb. Um dia antes da ida:

- Vous arrivez demain, mon petit Manzinho! J’imagine que vous avez deja l’adresse et ma….

E Madame France, a dona, com minha ficha em Praga e Buenos Aires, também replica:

 - Bonjour.

- Bom dia, madame. Na saída, posso ficar até seis da tarde, por causa do avião?

- Monsieur Mamcasz.

- Sou eu.

- Je vous fais confiance et pas de check out. Vous n’ aurez qu’à laisser les clefs dans l’appartement et claquer la porte em partant. Je ne serai em France à partir du 27.

- Pour moi, tudo bem, Madames.

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Pois então. Tem vários lados esta moeda. Primo pela confiança. Mútua. Depois, pela dó que dá em fechar a porta em despedida. Um bilhetinho e uma lembrança, do Brasil, em cima da mesa. A casa mais limpa de quando chegamos. Foi isto que escreveu depois a menina hospedeira em Praga.

E, finalmente, a saudades que dá, a caminho do Charles de Gaule, com o mesmo chauffeur. A lembrança dos códigos que abrem a porta da rua, do jardim e do prédio. O número do telefone. O código de acesso à Internet. Banda larga de verdade. Ah. E o de antes, quer dizer, de agora, porque estou no quase saindo daqui para Paris. 

 - Alguma coisa aqui do Brasil, fique à vontade.

 A resposta de Madame France, um bijous:

 - Je veux bien que vous nous apportiez du soleil et un peu de chaleur!

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 Por sinal, no áudio agora me encanta Monsieur Rufus Wainwright, em Complainte de la Butte, cantando isso:

- Petite mendigotte… Je sens ta menotte… Qui cherche ma main

Só falta o discípulo de Leonard Cohen me dizer:

- Bon voyage, Monsieur Mamcasz et Madame aussi.

http://musica.com.br/artistas/rufus-wainwright/m/complainte-de-la-butte-2/letra.html

https://clubedeautores.com.br/book/156311–BIOGRAFIA_DE_UMA_GREVE#.UrRCx_RDtuo

 

 


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        “Biografia de uma greve” relata, em 30.627 palavras, os quinze dias de uma árdua parada, em novembro de 2013, sustentada debaixo de chuva e de sol intenso, em Brasília, Rio e São Paulo, por 874 “guerreiros” da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, pressionados por 431 chefes.

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         Escrita pelo velho jornalista Eduardo Mamcasz, autor de vários livros, trabalhador da empresa desde 1980, este registro do cotidiano da greve vai dos piquetes nas portas da empresa aos atos na frente do Palácio do Planalto, e às passeatas pelas ruas centrais das três capitais principais.

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(Photo by Christiane Saú DAgostinho)

          Para os interessados no movimento grevista, este livro desnuda o confronto CUT versus PT e o comportamento ditatorial, nas negociações, por parte de companheiros que, há pouco anos, eram tão agressivos quanto no lado hoje adotado por eles na carapuça patronal capitalista.

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(Photo by Fabio Pozzebom)

         Esta biografia, finalmente, mostra os variados momentos psicológicos, que vão do enfrentamento dos colegas fura-greve ao desânimo diante da intransigência dos gestores estranhos aos quadros efetivos da empresa, culminando na vera catarse do voto final e soberano da assembleia.

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Boa greve, desculpe, ótima leitura.

 Obrigado pela companhia solidária.

Para ler 20 páginas de amostra grátis ou para comprar, clique abaixo:

https://clubedeautores.com.br/book/156311–BIOGRAFIA_DE_UMA_GREVE#.Uquc9FtDvlh_

Photo by Mamcasz 006


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A mi-chemin il y a une pierre
A mi-chemin il y a une perte
A mi-chemin il y a une pierre
A mi-chemin il ya une perte
La troisième perte -
Je remplis mon sac
Et je lance la pierre
Contre qui, qui, qui?

D’autre encore:

No meio do caminho encontro uma pedra
No meio do caminho encontro uma perda
No meio do caminho encontro uma pedra
No meio do caminho encontro uma perda
Na terceira perda
Eu encho o saco
Lanço uma pedra
Em quem, quem?

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A mi-chemin j’achoppe sur une rose
A mi-chemin j’achoppe sur la prose
A mi-chemin j’achoppe sur une rose
A mi-chemin j’achoppe sur la prose
La troisième prose -
Je garde la pierre
Conduis une perte
Adresse cette rose
Et puis je me perds dans la prose
Avec qui, qui, qui?

D’autre encore:

No meio do caminho esbarro numa rosa
No meio do caminho esbarro numa prosa
No meio do caminho esbarro numa rosa
No meio do caminho esbarro numa prosa
Na terceira prosa
Recolho as pedras
Espanto as perdas
Estendo uma rosa
Inflo o meu papo
Me perco na prosa
Com quem, quem?

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 No meio do meu caminho sempre tem uma Paris.

Amém!!!

EM

EM (Photo credit: Lukas834)


Brasilia by Mamcasz

 Toda viagem, e são tantas, nestes 30 ou mais anos, From Alaska to Jerusalen, meu livo, três partes:

O antes, o durante e o depois.

Sempre foi assim, mesmo antes do advento deste treco chamado Internet.

Desdos tempos de ligar do orelhão para o agente de viagens de confiança do Amadeus.

Volto agora doutra viage (mais uma,polaco?) e tem umas coisas que dá gosto de sentir.

Por exemplo:

Seguro de Viagem. No caso, Mondial Assistance. Recebo o email.

Bom retorno. Como foi a sua viagem?

Nós estávamos o tempo todo à sua disposição.

De estalo, penso em retrucar:

Graças a Deus não precisei.

Daria margens à malinducação. Não é o caso.

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Outra. Apartamento alugado, de novo, pela Airbnb.

Email com o informe de cancelamento da importância no cartão de crédito como garantia.

E o espaço para colocar a opinião, pública ou privada.

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Junto, a avaliação – minha, positiva, lógico, né, e a do hospedeiro, idem.

Está logo abaixo doutra, meio do ano, em Praga, da Yana.

Agora, é Tomasz, via Ba4u.  

Dois novos amigos alhures. 

Nos dois casos, apenas o deixar as chaves na mesa e fechar a porta.

Única pena o não abraço de despedida.

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Ah. Ainda teve o email da Aerolineas Argentinas, vôo direto BSB-BUE.

Agradecemos ter voado com a gente e te esperamos doutra vez. Quase respondo:

Se for para Buenos Aires, infelizmente, não. Enquanto não se desbolarizar.

Mas posso, quem sabe, ir com ela para a Australia, via polar sul.

Tão logo a empresa se restabeleça da crise econômica argentina de 2001.

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 Um dos dois cartões internacionais de crédito também me perguntou se tô de volta, se foi tudo ok.

É bom sentir que a  concorrência tem sentido, sim senhor, na nossa santa hora do lazer.

Ah. Ainda tem o pessoal do Câmbio Justo, no relacionamento confiável que continua. 

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http://radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2013-10-30/d%C3%B3lar-paralelo-vale-70-mais-do-que-o-oficial-na-argentina#.UnD2K1zs-vM.facebook

Um grande Axé para todos!

Até a próxima viajada.

Amém.

 


 No México, Dia dos Mortos Vivos. Maior festa.

 No Japão,  cerimônia nem um pouco triste do enterro do ente querido do hospedeiro.

 Em Katmandu, Nepal, a fogueira a consumir o corpo  próximo de quem ali estava.

 O cheiro. A calma. O feito. A alma. 

 De tudo,  guardo meu Seminário Seráfico Santa Antônio, Almirante Tamandaré, Paraná.

 Na cabeça da capela do cemitério dos frades idos,  a imagem do simples seguinte:

 Ressurrecturis.

 Aos que hão de ressuscitar. 

Sem choro nem vela. Inferno ou Purgatório.

A caminho do Céu Nosso de Cada Dia. 

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E por que o motivo do título do presente ato relativo ao Dia de Finados deste 2013?

Simples. Buenos Aires, na minha cabeça, um ente lindo e vivo. Há vinte anos para mim era somente isto.

Agora, pós a revisita, o sonho da Paris da América Latina morreu de vez.

Aqui, Justamente neste Dia de Finados,  sepulto mi Buenos Aires querida.

Com estas imagens roubadas do Cemitério de Recoleta, Buenos Aires, América Latina.

Com isso, enterro-a de vez e deixo nas lápides o escrito pelos entes parentes.

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 Aqui jaz o casal Luís e Inês – La Calma e La Fortaleza.

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Inteligente. Leal. Justo. Um verdadeiro Don Juan.

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 “Voltarei e serei milhões”. Vai por mim, Evita Perón, volte não.

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Ó vós, vivos, que chorais por nós, mortos. Não vos deixeis abater.

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Helena querida, a que hay de más hermoso. Te vejo na eternidade. 

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A bença, linda guardiã de minha futura morada. 

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Quem estaria aprisionado. Eu, morto, ou vós, vivos?

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 Hoje Madame me lava, mente e corpo, acalenta meus pensares, e me leva para uma Buenos Aires que só ela conhece e da qual sigo proibido de fornecer as coordenadas.

Adianto que a região, micro, é chamada de Vila Freud, tem palacetes e restaurantes bacanas, adonde, três séculos passados, era  enorme fonte de miel de cana.

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Prima parada, dois jarrito de café solo, un cigarrito, por supuesto, dia agradavelmente frio, o mesmo do final do dia, acrescido de um quadradito de lemon, que bom.

Lojas e silêncio e limpeza e pessoas e visuais todos dos tempos em que Buenos Aires era de fato a Paris da América Latina, até o almoço no Estanciero, numa Báesz.

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Entonces, primos e primas, para quem ofendido se fez com minhas críticas de antes sobre a outra Buenos Aires da parte vista no correndo dos turistas, hoje vai a parte linda.

Pois me siga nas fotos, bairro não nominado, que continue assim, apenas dos portenhos mais ferrenhos, ao som imaginário do Carlos Gardel do escrito por Luis Miguel:

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Acaricia mi sueño
El suave murmullo
De tu suspirar…

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Como rie la vida
Si tus ojos negros
Me quieren mirar…

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Y si es mío el amparo
De tu risa leve
Que es como un cantar…

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Ella aquieta mi herida
Todo todo se olvida…

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El día que me quieras
La rosa que engalana
Se vestirá de fiesta
Con su mejor color…

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Y al viento la campanas
Dirán que ya eres mía…

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Y locas las fontanas
Se contarán su amor…

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La noche que me quieras
Desde el azul del cielo…

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Las estrellas celosas
Nos mirarán pasar

Y un rayo misterioso
Hará nido en tu pelo…

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Luciérnaga curiosa
Que verá que eres
Mi consuelo!!!

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Democracia é o direito da tua voz ser ouvida mesmo que anonimamente!

 


Image Buen Dia. Buenos Aires continua acá na mesma Argentina. Mas adonde, repito-me insane. Para onde levaram a minha ex Buenos Aires querida? Mais de 50 por cento vivem na pobreza. Gente dormindo em ruas outrora nobres. Recicladores de lixo às centenas. Sujeira maior. Includo a dos politicos em campanha eleitoral.

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Tem tudo que é tipo de mentira, que nem nosotros ex-macaquitos brasilenhos. Tem Liberal Libertário, Nueva Esquerda, PQP e Ca4. E hoje tem Sorteio na Loteria Federal para compra de terreno para Mi Casa Tu Casa. Mais de 300 mil inscritos. Poucos serão sortedos. Asi es la vida, mi hermano latrino.

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 Pois a prosa de hoje é em cima da amena discussão, em pleno, Facebook, entre jornalistas de pensares diferenciados mas visões sinonímicas. Tudo começa pela amiga Olga Bardawill me chamando pela educada atenção. Di-me-la:

“Não se pode fazer analise política a partir do comentário de uma velhinha no supermercado. E que, antes de seis meses, não se pode, nem se deve formar opinião, sobre nenhum pais que se esteja visitando. Principalmente se esse pais for a Argentina.”

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Minha réplica, até porque entrou a velhinha do supermercado com quem falei, aliás, não só ela, mas o catador de lixo, a porteira do prédio, o velhinho da banca de jornais, o cuidador de cachorro, enfim, o pueblo. Replico assim:

“Talvez meus olhos estejam velhos por demais e vendo o que acho que estou vendo de noite. Mendigos dormindo na Avenida Santa Fé, mijando e cagando na rua outrora nobre, 50% da população argentina vivendo na pobreza, câmbio paralelo escancarado, transportes escangalhados, bairros antes familiares hoje proibidos de por eles se andar de noite. Que mais? Muito, muito mais. Ah, trombadinhas, Bolsa Família, sem teto de montão.

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Estou guardando muito para comentar com calma na volta. E conversando com muita gente, inclusive velhinhas de supermercados. Talvez este jornalista recomendado seja da trupe oficial, não sei. Talvez a Argentina tenha se mudado para a Patagônia, sei lá. Aqui em Buenos Aires, na verdade, está uma merda só. É só entreabrir os olhos na rua.”

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Pois na boa conversa, a convite de Olga, entra o jornalista argentino Alejandro Modarelli que triplica:

“No es cierto que la situacion economica sea desastrosa. Aunque en una clase media habituada a medir el bienestar escondiendo dolares en la casa, puede que no sea el mejor momento.”

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Ah. Tem ainda o amigo Sergio  Garachagen, só jornalista dantanhos, que corrige a Olga por ter dito que eu havia conversado com a velhinha do supermercado, em Baires, quando, de fato, ele é que havia escutado, em Copacabana, o seguinte:

“Uma senhora que, ontem, no supermercado, falava em altos brados com alguém no celular, descrevendo os horrores da decadência econômica que viu na capital porteña. “

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A conversa portenha, promovida pela Olga Bardawill, estava tão boa que outro jornalista, Juan Esteban Méndez, chileno, mas morando em Baires, cutuca-me com o seguinte:

“Hay mucha gente viviendo en la calle, en Buenos Aires. Pero Argentina es mucho más que una ciudad maladministrada por el inexperto y populista Macri. Hay otras ciudades, cuyos testimonios varían completamente. Y, mientras algunos consideran a Buenos Aires comparable a Rio, otros se vienen corriendo a estudiar sin tener que pagar aranceles impagables en su país, trabajando, comiendo en restaurantes, saliendo de fin de semana, colmando los aeropuertos y llenando taxis para llegar a sus casas en el centro.”

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Está tudo muito bueno, está tudo mui legal, mas tengo que voltar às las calles. Antes, o testemunho doutro amigo jornalista dantanho, convocado pela Olga, na tentativa de diminuir meu arrazoado, não de opinião mas de fatos vistos. Trata-se de Luiz Coutinho, ex-correspondente acá e sempre apaixonado por Buenos Aires, ontem, hoje e amanhã. Di-mo ele:

“Morei em Buenos Aires durante seis meses de 2010. Na sequência, estou lá todos os anos para a temporada de inverno. Em agosto passado, pela primeira vez, senti que a decadência física da cidade avança na direção de territórios antes considerados imunes à pobreza e à presença de sem-teto, por exemplo. Ainda é possível encontrar-se resquícios da cidade que foi considerada a Paris da América do Sul (pois os ricos sempre serão ricos), mas é certo que há bolsões de sujeira e de decadência. O centro está mais feio do que no ano passado. A sensação de insegurança aumentou. Aliás, fui roubado no metrô. Levaram minha câmera fotográfica, guardada num casaco fechado com zíper. No prédio onde moro quando estou em Buenos Aires instalaram um circuito de vídeo. Eu estava lá e vi a instalação. Além disso, o síndico do prédio disse-me que neste ano, dos 32 apartamentos do prédio de 8 andares apenas um estava ocupado por turista – aquele onde eu estava. O síndico concluiu que a inflação afastou os brasileiros. Normalmente, 10 ou 12 apartamentos de temporada estão alugados quando estou lá.”

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Vinte anos passados sem  aconchego na vizinha argentina.

Troco-a por mil paragens  - From Alaska to Jerusalen.

Agora, eis-me pronto para mi Buenos Aires.

Luzes de alerta contra minha vontade.

Medo de Buenos Aires Numa Boa.

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Twenty years  without snuggle my neighboring argentina.

For a thousand other stops – From Alaska to Jerusalen.

Now , here I am ready for my Buenos Aires.

Whith warning lights on the top of my will.

  To enjoy Buenos Aires on very nice.

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Diferente dos tempos em que Buenos Aires se dizia a Paris das Américas.

E do ódio dos portenhos ao mundo  chamar de a capital do Brasil.

Eis algumas luzes de alertas acesas nesta pré-ida:

Evite as noturnas paragens de El Caminito.

Boca e Constituición na barra pesada do sul.

Palermo Soho, melhor que o curta na luz do dia.

Fotografar o fundo da alma da cidade, nem pensar.

Há trombadinhas espertos que te levam tudo no nada sentir.

Mesmo assim, pretendo curtir Buenos Aires Numa Boa.

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- Descobrir os matizes do inexistente Barrio Norte.

- A caminho do Barrio Chino a parada no Jardim do Parreda.

- Lunes, 18h30m, Mis tardes con Gardel. Libre e gratuido.

- Os recitais de graça na Casa de Cultura da Recoleta.

- O vinho tinto do Fin del Mundo patagônico.

- Caminhares nos passos de Sábato, Gombrowicz, Leopoldo e Pizarnik.

- Caminhar ao lado de Borges da casa dele à biblioteca municipal.

- Na Galeria Guemes virar personagem do Cortázar e acordar na Galeria Vivienne em Paris.

- Passar no quarto do Federico Garcia Lorca.

- Conversar com Exupery no quarto a escrever o Voo Noturno.

- Degustar o argentino criollo na forma do mondongo.

- Os assados com gosto de carne dos gauchos.

- Algumas milongas portenhas de bairros com partidas de truco.

E o melhor de tudo:

Curtir Buenos Aires Numa Boa

ao lado de Madame…

A statue of Gardel outside the Abasto Market i...

A statue of Gardel outside the Abasto Market in Buenos Aires, near where he grew up (Photo credit: Wikipedia)

Mi casa é tu casa, polaco, canta-me Gardel http://www.buenosaires.gob.ar/areas/cultura/museos/dg_museos/gardel%20_patio_arrabal.htm

Florales Generica na Buenas Moderna

https://www.facebook.com/pages/Ba4uapartments-Holiday-Apartment-Rentals/71690619509?id=71690619509&sk=photos_stream

O Museu do Larreta a caminho do Bairro Chino prum pisco no bar peruano

http://museos.buenosaires.gob.ar/larreta.htm

Panorama of Buenos Aires.

Panorama of Buenos Aires. (Photo credit: Wikipedia)

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