Daqui a pouco eu falo desta tarde em que me perdi num cemitério aqui em Paris mas agora deixa eu contar do meu desespero deste momento e me desculpe qualquer erro. É que depois de uma discussão muito da boba, parecendo coisa de pós adolescente na primeira viagem ao exterior, minha florzinha, fêmea minha há 29 anos, foi para um lado e eu, polaco birrento, para o outro. Então, se alguém souber do paradeiro dela, pelo amour de Dieu, me mande um email, certo?

Mas, sumiço dado, deixa a polícia francesa fora disso, sei das histórias dela entregando judeus pros alemães na Segunda Guerra ou matando árabes na Argélia só porque eles  queriam ficar independentem,  mas, se alguém souber da minha florzinha, me liga, tá?

Sumiço feito, entrei na igreja em frente do Père Lachaise, da minha protetora Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pedi para ela acompanhar a florzinha por Paris, e peguei o primeiro ônibus que de repente estava na barra pesada da Gare du Nord.

Sozinho, largado em Paris, desci, e logo na calçada vejo cinco meganhas franceses na porta minúscula do bar do nego turco. Parei, olhei e vi o que você passa a ver comigo nesta foto:

preto em paris 1 - photo by Mamcasz Passado o fato, os tiras franceses apenas tiraram fotos, acharam tudo exotique, voltar para seus camburòes tirando sarro um do outro,  fui eu conversar com a negona. Ela se chama Gilberto, nasceu em Goyas, oui, bien sûr, Goyaz, Brésil. Mas pode me chamar Gilbert, mon amour, etes-vous bresilien aussi? eu, hein, fui saindo que nem os tiras, alguém sabe onde anda minha mulher aqui em Paris?

E fui eu ceci-lá em frente. No ônibus lotado, o 38,  na minha frente, a um palmo de distância, uma loirinha francesa falava assim, o rabo de cabelo no meio do quépi, é, parecia militar, inclusive no porte, mas  aquela petite bouche de Brigite Bardot,meu, virada  pro sócio dela, falando assim, ó, cada vez que ele provocava, e eu, calado, na minha mente me concentrei assoprando na orelha dela pra ver se ela sentia alguma chose de louco, meu:

– Oui, monsieur, non, monsieur – e molhava os lábios trazidos na ponta da lingüinha, oui, monsieur, que tal?

Desci. Entrei na Rue des Mules, perto da Praça Bastilhe, Rue de Rivoli, e, por causa do passo de mula só podia dar esta foto abaixo. Aliás, o que a gente ouve de voz brasileira ici em Paris, não só de bacana babaca mas também de gente se fodendo, ilegal, e não falo das ex-bichas brasileiras do Bois de Boulongne, que se mandaram pra Barcelona. Mas deu esta foto aí.

preto em paris 2 - photo by Mamcasz

Daí, você vai me escrever, com certeza, o Mamcasz tá puto assim porque perdeu a Cleide dele celá em Paris. Ele nunca falou mal de nego. É, mané? E por que então, hoje, nas duas vezes em que encontrei  os meganhas da gendarme francesa foi em Beleville, onde estão todos os negos escondidos ici em Paris (africanos, asiáticos, latinos, do leste europeu, indianos…) e a outra vez na Gare du Nord, uns quatro ou cinco camburões amontoados em cima da bichona negona brasileira.

Tudo bem. Então, vou falar mal dos branquelos franceses, europeus, raça pura e tal. Pois veja a foto abaixo. É  de um legítimo cidadão da Comunidade Comum  Européia. Não tô vendo nada de nego nele.  E você, nesta foto abaixo, tirada na Rue General Leclerc, sei lá quem foi este porra.

preto em paris 3 - photo by Mamcasz

Ah… se na foto acima você olhou apenas para a mulher, ula-lá, quer dizer que você também não gosta de nego, certo?

E se alguém souber da minha florzinha ici em Paris, me liga, tá? Pelo amour du Dieu.

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