Adendos ao primo postado

1

Chiados ou Chuvisco

Diz-se quando as ondas radiofônicas, principalmente  em Ondas Curtas, chegam com interferências provocadas por situações atmosféricas adversas ou então, como acusavam os militares de plantão, nos tempos da Ditadura, por causa dos ruídos colocados de propósito pelas emissoras estrangeiras ligadas aos comunistas de Moscou, Pequim e Tirana, ou seja, as que chegavam com melhor nitidez sonora justamente na região da Amazônia brasileira.

2
O  Velho

Assim era chamado o presidente Getúlio Vargas quando voltou ao poder, em 1951, pelo voto popularesco, depois de ter sido derrubado, em 1945, após 15 anos de ditadura do Estado Novo.  Os artistas que haviam sofrido censura e até prisão no governo do caudilho gaúcho aproveitaram para satirizar a nova situação, tanto que o sucesso do Carnaval de 51 foi essa marchinha:

  Bota o retrato do velho outra vez,
Bota no mesmo lugar.
Bota o retrato do velho outra vez,
Bota no mesmo lugar.
O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar.
Eu já botei o meu …
E tu, não vais botar?
Já enfeitei o meu ..
E tu, vais enfeitar?
O sorriso do velhinho faz a gente se animar

A letra é de Haroldo Lobo e Marino Pinto, sucesso na voz de Francisco Alves. É costume na  república tupiniquim, toda vez que um cacique cai no Planalto – antes era o Catete – um funcionário é convocado para a troca dos retratos: sai o velho e entra o dito novo.

3

Testamento ao Povo Brasileiro.

Na madrugada de 24 de Agosto de 1954, diante da confusão política em que se viu metido, por conta de auxiliares mais íntimos, o presidente Getúlio Vargas se mata com um tiro, no Palácio do Catete, no Rio. Antes, porém, escreve, do próprio punho, uma carta-testamento dirigida ao pobre povo brasileiro. Começou assim:

             ” Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. ”

Acontece que o redator dos discursos do presidente, o jornalista José Soares Maciel Filho,  foi quem, acontecida a tragédia, fez uma cópia datilografada da despedida e a passou por telefone para ser lida nos microfones da Rádio Nacional para a Nação de repente comovida.
A versão manuscrita levou algum tempo para ser conhecida até porque se mostrou mais concisa do que a versão datilografada pelo senhor redator do caudilho tendo as duas, de comum, a frase : “ a resposta do povo virá mais tarde…”

 4
 País de Tolos

O Símbolo Augusto - photo by mamcasz

Paródia espalhada pelos blogs da Internet em cima do lema do governo pseudo-petístico do ex-metalúrgico Lula: Brasil – um País de Todos, criado pelo marqueteiro baiano Duda Mendonça antes de ser enredado nas teias da CPI do Mensalão e nas rinhas de galinhas cariocas.

5
Família Nacional

Todo quartel tem a Maria Batalhão e o mesmo acontece com os médicos de plantão nos hospitais e por aí em frente. No caso da Rádio Nacional, qualquer uma delas, é a mesma coisa. Tem aqueles ouvintes manjados, que aparecem em todos os programas, e são usados por apresentadores inclusive para campanhas políticas, contatos locais e, porque não, umas ou outras boquinhas livres nas casas dessas pessoas. Se é ético ou não, a conversa é outra, mas o fato acontece, dona Lurdes, de Brasília, que seja chamada para depor. Houve uma época em que esta família chegou a se reunir, em torno de um locutor mais brega que a média, numa festa pública no Parque da Cidade, na capital de todos os nós.

 6

 Rádio- Cinema-TV Nacional

Localizado no começo da W3-Sul, em Brasília, um galpão encardido é o que resta de um terreno que a Radiobrás possuía, envolvendo da citada pista até o Parque da Cidade e que foi sendo dilapidado a cada nova diretoria que passou pela empresa dita pública, só não tendo sido derrubado ainda porque descobriram que é um local tombado pelo patrimônio local.

 A festa de inauguração,  no dia 4 de Junho de 1960, aconteceu no gramado hoje castigado onde foram colocados os primeiros cinco automóveis JK e mais um Simca-Chambord saídos da fábrica, com transmissão direta da TV, mais Orquestra Sinfônica e show de artistas famosos. O presidente JK compareceu junto com autoridades, mulheres artistas, ministros, o populacho de sempre  e o escambau.

7
Radamés Gnatall

Pessoa tremendamente mau-humorada, durante 30 anos foi diretor da Orquestra da Rádio Nacional do Rio onde hoje é nome de um pequeno estúdio, réplica dos tempos de glória. A orquestra foi criada em 1942 para o programa “Um Milhão de Melodias” sob o patrocínio da Coca-Cola, que chegava ao Brasil.
A orquestra era formada por  35 violinos, nove violas, seis violoncelos, nove contrabaixos, sete flautas, quatro oboés, um corne inglês, três clarinetes, dois clarones, dezessete saxofones, onze pistões, nove trombones, cinco bateristas, cinco guitarras, quatro pianos, uma harpa, quatro trompas, uma tuba, um bombardino, um acordeão e onze ritmistas.

 Mas entre os afinados músicos da Orquestra da Rádio Nacional o humor do maestro tinha que suportar alguns “assobiadores de ouvido”, como eram chamados bem na surdina porque, um deles, ganhando 30 mil cruzeiros por mês, era o Gregório Fortunato, chefe da guarda do Velho e matador nas horas vagas, de preferência noturnas e lacerdísticas.

 8

Ermelindo

ERMELINDO CÉSAR DE ALENCAR MATOS Nascimento  tinha as maiores estrelas  à disposição no programa que levava o nome dele, inclusive foi o astro maior na inauguração na Rádio Nacional de Brasília, em 1960, num show especial para o presidente JK, com direito a Dilermando Reis cantando o Peixe Vivo e tudo.

Antes de ter pisado na bola ou mijado na rabichola, como diz um eminente político nordestino, o Zeferino, César Alencar, sempre com calça azul-marinho e blusão branco,  comandava uma equipe de  duzentas pessoas, entre cantores, músicos, locutores, contra-regras, operadores e radiatores.

Apesar das décadas de sucesso, César de Alencar é lembrado pela atitude de dedo-duro que teria tomado no golpe militar de primeiro de abril de 1964, quando foram presos e demitidos 67 funcionários da Rádio Nacional, com outros 81 colocados sob investigação, o que resultava na mesma merda : demissão e prisão.

Enquanto César de Alencar continuava diretor da Rádio, comandando o show, nomes consagrados passavam fome, como foi o caso de Mário Lago, ou de Dias Gomes e tantos outros que acabaram virarando fantasmas  antes de serem beneficiados pela Lei da Anistia, quase 20 anos depois, quando a rádio já era uma paródia.

 9

Gorilas

Era a época da batalha das palavras em que os militares usavam as melhores técnicas de comunicação global que envolviam o uso correto, para eles, de termos como subversivos, terroristas, comunistas, etc e tal, nos editoriais da Voz do Brasil e da “imprensa amiga”, ao que eram atacados pelos pejorativos, que  não se viam impressos, tais como gorilas  e milicos, a não ser mais tarde, nos tempos do nanico O Pasquim.      

Nas horas vagas, a estudantada se fartava com paródias, como esta em cima da música Máscara Negra, do Zé Kéti, sucesso em 1969 :

                       
                           “Quantos tiras, ó quantos gorilas
                            Mais de mil milicos em ação
                            Estudantes apanhando pelas ruas da cidade
                            Gritando por “Liberdade.”

                                     

 10
 Dilermando.

Dilermando Reis era violonista famoso  e até chegou a ser professor do presidente Juscelino Kubitschek que gostava de umas serestas, umas valsinhas e umas mocinhas, não exatamente nesta ordem. Dilermando foi da Nacional até 1969. Aliás, na inauguração da Rádio em Brasília, Dilermando  cantou a música mais usada pelos puxa-sacos da época,  por ser a preferida do JK . Em 1976,  no Campo da Esperança, na capital, com os milicos só vigiando de perto, o povo o enterrou ao som da mesma música:

11 

 Peixe Vivo

         “ Como pode um peixe vivo
    Viver fora da água fria?
   Como poderei viver
   Como poderei viver
   Sem a tua, sem a tua,
     Sem a tua companhia.”

Da letra restante da música  ninguém tinha a menor idéia e nem se atrevia a cantar, até porque não tinha nada ver com o peixe em questão:

                               

Água fria fica quente
   Água quente fica fria
      Mas eu fico sempre só
      Mas eu fico sempre só
       Sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia…”
                                                                                                                                                                                                                                               
                                                          
                                                                           

12
Nome de Flor

             
Era uma produtora de rádio  com a alma tão condenada, em vida, mas tão inzoneira do saco da equipe, tão infeliz que acabou se matando na chácara afastada onde morava e os próprios filhos a encontraram, quinze dias depois, totalmente putrefata e por isso corre a conversa de que ela seja uma das assombrações que percorrem, ainda nas noites de hoje, o prédio encardido da Rádio Nacional de Brasília, na W3-Sul, tendo ficado mais enfezada depois que derrubaram a parte do referido barraco, para os lados do Venâncio 2.000, onde funcionava a sala da Produção da AM. O espaço hoje voltou ao uso público, e é uma avenida, onde já aconteceram alguns acidentes …

               
  13
 Mário

               Trata-se do repórter Mário Eugênio que ficou famoso quando foi assassinado por um grupo de policiais de Brasília, em 1984. “Divino 45” foi quem matou o jornalista com sete tiros em 11 de novembro de 1984, quando o repórter policial saía da Rádio Planalto, depois de gravar o programa Gogó das Sete, onde denunciava o Esquadrão da Morte . O fato se deu perto da meia noite depois dele ter se despedido do técnico de som que trabalhava com ele e que, em seguida, passava para o vizinho prédio da Rádio Nacional, na W3-Sul, por onde, dizem, Mário Eugênio foi visto passar, com o mesmo carrão de sempre, pela nova pista, construída recentemente.

 14

Chiquinho

 Funcionário antigo da Rádio Nacional, dono do maior acervo de fotos de funcionários vivos, mas não é  mesmo Chiquinho, também de rádio, que foi o último a ver Mário Eugênio com vida, antes dos matadores, é claro, é uma pessoa reservada, de pouca fala, a não ser com os peixes que costuma buscar nos rios mais afastados do Centro-Oeste e, por conseguinte, não vai admitir nunca, pelo menos abertamente, que já viu assombração no prédio abandonado, numa lista que começa pelo presidente JK e avança para colegas que já  esquecidos porque trabalhavam no local na época da construção de Brasília.

15

Garcia

Orlando Silva Garcia, o “cantor das multidões” também foi um ser muito atribulado nos sete anos de glória mais do que efêmera. Depois de ter perdido o dedão do pé num acidente de bonde,  voltou cobrador e nesse trabalho cantava tão à vontade que foi apresentado a Francisco Alves que o guindou à inauguração e a um programa na Rádio Nacional do Rio. A carreira de Orlando Silva teve uma queda tão rápida quanto aumentava o uso de morfina que mudou, depois de internado, para a cachaça. Em 1945, quase sem voz, foi dispensado pela Rádio Nacional.

Pery Ribeiro, no livro Minhas Duas Estrelas (Editora Globo-348 páginas) conta que Dalva de Oliveira por duas vezes resgatou Orlando Silva caidaço num banheiro imundo, com a seringa espetada no meio do braço. O filho de Dalva com Herivelto Martins vai mais além dizendo que foi o Sílvio Caldas, chamado de “vagabundo”, quem levou Orlando, mais o amigo dos dois, o Nelson Gonçalves, às cheiradas sociais das carreiras de cocaína. Por isso, Garcia também pode ser incluído na lista dos FANTASMAS DA RÁDIO NACIONAL.

16

Narciso

Sílvio Antônio Narciso de Figueiredo Caldas sempre carregava o violão que ganhara, em 1957, de Juscelino Kubitscheck, até que este passou a ser perseguido pelos militares para o lado de quem o caboclinho seresteiro preferiu passar, botando  a viola no saco. No governo do general-presidente Figueiredo, o dos cavalos, Sílvio Caldas fazia serestas pessoais na Granja do Torto, residência do ex-chefão do SNI. A cada vez que vinha a Brasília, tinha carta branca para dar entrevista e cantar ao vivo na Rádio Nacional, no começo da W3-Sul, hoje um galpão abandonado.Terminou seus dias bebendo oito doses de uísque por dia, com uma dívida de 295 mil reais junto à Caixa, que não era cobrada  graças ao general. Por este motivo, ele também é um Fantasma da Rádio Nacional, de onde terminou seus antigos dias de glória recebendo uma aposentadoria de 900 reais por mês.

17

Beth

No começo do governo Lula, para quem fez campanha, com direito a usar lenço vermelho, que não era do Brizola mas do PT, porque pensava ser escolhida Ministra da Cultura, Beth Carvalho era figurinha fácil na Rádio Nacional de Brasília, em especial na FM, onde exigia participações especiais em programas como o Memória Musical, sem contar a repetição de suas músicas antigas .
              

Numa das últimas vezes em que esteve em Brasília, antes de se cansar, aconteceu o seguinte  no saguão do Hotel Nacional, quando Beth, sendo entrevistada, vira-se para uma mocinha que acompanhava a repórter e ordena:

 “ Minha filha, vai lá e pega uma cerveja e um sanduíche para mim e volta logo viu?”, sem fazer menção a pelo menos separar o dinheiro. 

A menina era filha da repórter, obrigada a gravar  lembranças musicais da artista-petista que ainda exigiu um carro, o que não aconteceu porque era domingo e não havia ninguém para atender a exigência, o que a deixou muito puta da vida porque, afinal de contas, raciocinava a “Madrinha do Samba”, a repórter teria que estar a serviço da cabíssima eleitoral do PT.

18 
               
Lesma lerda

 O falso nanico  Pasquim, nos bons tempos, criou uma série de palavras, para evitar os palavrões e passar pela censura, e que continuam válidos até hoje. A lesma lerda (mesma merda), sifu (se fodeu), duca ( do caralho), paca (pra caralho) mifu (me fodi) e nusfu (nos fodemos) , tudo obra do Fradinho sacana, o irmão do Betinho. Quem se deu bem paca foram Ziraldo e Jaguar, que hoje ganharam milhão da Bolsa Ditadura. Millor recusou dizendo que era do Pasquim mas não para fazer poupança em cima dos milicos.

19

Cala a boca, Juscelino

Heil, JK! photo by mamcasz

Esta frase – cala a boca, Juscelino –  é  referência aos tempos magros que o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, já cassado pelos militares, passou numa chácara em Luziânia, cidade próxima a Brasília, porque nesta ele estava proibido de passear.  De noite, ao lado do motorista, para não chamar a atenção da polícia, o presidente Bossa Nova passeava pelos locais mais bonitos da cidade, qual  fantasma que jamais aceitará ter sua alma penada. Teve uma noite em que ele colocou um chapéu panamá e óculos emprestados e desceu na Catedral, então com a obra completada, e depois voltou pela W3-Sul, que era usada nos desfiles, antes do Eixão-Esplanada-Vila Militar. A participação do presidente Juscelino Kutscheck de Oliveira nesta sessão dos FANTASMAS DA RÁDIO BRAZIL, inaugurada por ele, com festa, no caso de Brasília, na verdade se trata de  uma homenagem.

20

Panteão

Os restos mortais do presidente Juscelino encontram-se no Memorial JK, no Eixo Monumental, num vistoso projeto do próprio Niemeyer que acabou novamente provocando a ira dos milicos que viram uma foice e martelo no lugar da estátua do presidente, colocada numa curva de concreto,  acenando para uma fictícia multidão e que por isso, faltou pouco para não ser dada a ordem de cancelamento da inauguração, no dia 12 de setembro de 1981.

21

Campo da Esperança

 

Primeiro cemitério público de Brasília, nascido e mantido sem cruzes e monumentos, foi o local escolhido pela família para o enterro do presidente Juscelino depois do acidente de carro na Via Dutra que, por muito tempo, pareceu atentado encomendado.
 
Cassado pelo governo militar, a volta de Juscelino a Brasília foi uma imposição nacional, para desagrado dos milicos que presenciaram o Grande Eixo totalmente tomado pelo povo que seguia o caixão e fez com que o cemitério ficasse aberto até  de noite.

A Rádio Nacional de Brasília, a mesma inaugurada com festa, em 1960, foi obrigada a fingir que nada estava acontecendo na cidade, naquela tarde de insolente seca de cerrado em  agosto de 1976.

Diversos funcionários da rádio, em Brasília, descansam hoje neste campo dito da esperança.

22

Israel

Israel Pinheiro foi o primeiro prefeito de Brasília depois de a ter ajudado a construí-la como presidente da NovaCap, a empresa criada para a realização de tamanha obra e a posterior urbanização. Sobre o episódio da invasão de um prédio por funcionários da Rádio Nacional,  de fato aconteceu e foi uma das primeiras do Plano Piloto, numa operação feita nos moldes dos atuais sem teto. Conta-se que o presidente Juscelino soube do fato através de Israel Pinheiro e durante uma solenidade JK se aproximou do cinegrafista da TV Nacional e perguntou como tinha acontecido . Em razão do interesse do presidente Juscelino, Israel Pinheiro foi aconselhado a esquecer o assunto e deixar que os funcionários da Rádio Nacional continuassem a morar no prédio invadido.

A invasão aconteceu nos blocos da SQS 210 que estavam reservados pela Novacap para uso de enfermeiras  e se deu de madrugada a partir dos alojamentos onde estavam os funcionários da rádio. Os coordenadores da invasão foram os funcionários Dedé Santana (dos futuros Trapalhões), Paulo Netto, Sérgio Iglesias, Ceará e os músicos Malta, Condorciê e Miudinho, mais um chaveiro da Cidade Livre. Para a invasão dar certo, uma mulher vestida de enfermeira foi de Lambreta e ficou enrolando o vigia durante o tempo suficiente para que pudessem ser feitas as chaves de entrada dos blocos.  Às três da madrugada, tudo pronto, o pessoal com as bagagens nos caminhões, o músico Bernard toca a corneta e a invasão é completada rapidamente antes da chegada da polícia que não fez nada.

 23
 O bêbado oficial da Rádio Nacional

Casos de jornalistas derrubados por alcoolismo crônico sempre foram comuns em Brasília e o mesmo aconteceu, com destaques, na Rádio Nacional com exemplos deprimentes, mas existentes, de sobreviventes.

Geralmente criativos acima da média, esses jornalistas bêbados de verdade poderiam ser traduzidos, nos dias de hoje, como altamente depressivos em consequência do ambiente repressivo do trabalho.

Houve casos de mentes soberbas e inteligentes serem encontradas dormindo na sarjeta de entrada da rádio, inclusive um casal de funcionários, sem que a empresa tomase qualquer atitude social.

O que mais revolta sempre causou foi a apatia dos demais companheiros e, principalmente, a forma como chefetes prepostos tratavam de acabar de vez com o sopro de dignidade desses jornalistas

Pois são justamente esses jornalistas bêbados, alcoólatras, acabados que, por terem morrido na merda, à sombra da empresa, ocupam lugar de destaque nesta ASSEMBLEIA GERAL DOS FANTASMAS DA RÁDIO NACIONAL.
 

24
 

Otávio, o tenente

Ainda em cima dos jornalistas bêbadoss da Rádio Nacional, foi idéia deles oficializar, com direito a solenidade regada a cachaça,  a entrada do estacionamento com o nome de Guarita Tenente Luís Otávio.

Souberam eles,  no governo José Sarney, que assumiu por ser vice de Tancredo Neves que, por sua vez, não havia tomado posse porque teve que ser levado às pressas para morrer no Hospital de Base …

Como estava falando, os fantasmas mais do que vivos souberam que, no Palácio do Planalto, um dos tenentes que comandava a guarda, naquela noite havia atentado contra a vida do presidente Sarney.

Se foi ou deixou de ser é uma outra conversa porque o fato aqui se resume à solenidade de inauguração da citada guarita com o nome do respeitado oficial do Exército brasileiro que até ganhou poesia (minha, por sinal) :

               
          
                  “Ah! Qualquer coisa …
                  Clarineteava o contínuo possesso Confúcio
                  E Luís Otávio, o Tenente,
                  Lasca o Poeta pelo cansaço
                  Até o abraço
                                        Final…
                 Desventura-se o traço …
                 Destampa a rampa
                 Irrompe a tampa
                 Destrambelha a campa
                 Arranca e
                                     Estanca!

                  Sobra o sopro
                 O suspiro do rio
                 Levados às ondas do mar …

                 Ah! Qualquer coisa,
                Clarineteava o Presidente-Poeta :
                Dou-te o mar –
                Milhas e milhas –
                Ganho-te o coração
                                               Tamanho Brasil
                                                                           Contido…”

                                                                                

                
              

25

Assombrações.

Durante a sessão, serão elucidados inúmeros casos de “aparições”, geralmente de madrugada, de funcionários falecidos, quase sempre no local em que costumavam trabalhar.

No prédio abandonado da W3-Sul, houve uma época em que os técnicos da madrugada se recusaram a serem escalados para o horário porque a intromissão estava sendo demasiada .

Na sede da Asa Norte, fantasmas já aparecerm no primeiro andar, onde era a redação da Voz do Brasil e eles também continuam a se fazer presentes no subsolo da Torre de TV.

No Rodeador dos transmissores da Rádio Nacional, num terreno  isolado no meio do cerrado, com escala de 24 horas de trabalho por 72 de descanso, o fato também provoca arrepios.

 

26

Frei Vanildo
               

Athos Bulcão, Niemeyer e Lúcio Costa, trio da pesada, começaram Brasília construindo a Igrejinha de Fátima, na 307 Sul, a pedido de dona Sarah, mulher oficial do presidente Juscelino.

Pois foi desta igrejinha que sairam os oficiadores da missa dos domingos, transmitidas ao vivo desde o auditório da  Rádio Nacional, na W3-Sul, o mesmo que tinha servido de primeiro cinema de Brasília.

Os frades capuchinhos responsáveis pela igrejinha e pela missa na rádio tinham uma capacidade especial de apresentadores, conseguindo com isso uma grande audiência e  cartas de todo o Brasil.

Um dos frades que ficaram mais tempo nas ondas da Rádio Nacional com a missa dos domingos foi frei Vanildo que dava atenção especial à oração em lembrança dos funcionários falecidos.

27

Cariocas, candangos e amazônicos

O Sistema completo da Rádio Nacional, desde que foi encampado por Getúlio Vargas, no Estado Novo, até ser acrescido de Brasília, no governo JK, e da Amazônia, na ditadura pós-64, com os acompanhamentos das Agência Nacional e Empresa Brasileira de Notícias, e mesmo com a intenção  internística da TV Brasil e da Agência Brasil, alcançou o  ápice de glórias com o  domínio total da atração pública e decaiu vergonhosamente  aos píncaros da demência, fazendo com que, na realidade, os fantasmas sejam as empresas e, através delas, os chefões, chefes e chefetes, e não os servidores que sofreram idêntico processo de transformação para o mesquinho e ordinário que atormenta o cidadão iniciante ou o que optou pelo quadro em extinção, destino mútuo e recíproco.

28

 Nas tardes de sábado

O dia de sábado, ao contrário do vertido na lábia do poetinha Vinicius de Moraes, sempre foi amaldiçoado nas hostes fantasmagóricas dos vis servidores nacionais enredados numa legislação trabalhista que, em tese, os obrigava ao trabalho nesse primeiro dia de final de semana, o que nunca foi cumprido em troca do não-pagamento de horas extras nos plantões noturnos, dominicais e feriadísticos

 Sempre aconteceu, no entanto, casos de prepostos realistas que cismavam em promover encontros inóquos aos sábados em nome da Ética ou de qualquer outra Merda que, um dia acabavam por se mostrar de peito intei, por igual, na forma e no conteúdo, tão logo a cloaca  começasse a escoar as intimidades diante da guarda perfilada para a troca de direção.

A mágoa pelo sábado estar trasnformado em chaga se transformava em pragas intensas que, quando se manifestavam realizadas, eram comemoradas com mordaz felicidade, mesmo que isso envolvesse a morte de uma filha ou parente mais chegado de quem promovia tais reuniões nos horários e locais mais impróprios e distantes da base.

29

360 graus

 

Outra caraterística perpassada ao longo da vida dos fantasmas nacionais foram os cursos de capacitação e aprimoramento do que, num círculo completo, iam da psicóloga amiga do diretor, contratada a peso de ouro vil até o imbecil convidado, por exemplo, para falar durante duas horas sobre a vida das formigas, isto mesmo, sem direito à mínima defesa da ditosa atividade das cigarras.

Do vetusto congraçamento, inclusive no ambiente de trabalho, chegamos aos planos de encontros que se mostram preocupados com a problemática pessoal de como enfrentar a timidez, tanto é certo que a partir de agora tentarei ser o mais descarado possível, o mais debochado, irônico, sem-vergonha, ou seja, problemático, tudo isto numa visão ampliada acima dos terráqueos 360 graus porque, no momento, eu não sou matéria, eu estou espírito.

30

E a luta continua …

Apesar do termo ter ficado gasto e desmoralizado pela cumpanheirada apoleirada no poder, outros dados estão faltando aqui nesta página, à espera de uma atualização decente, que está sendo providenciada. Quer dizer, este recall, ou upgrade, já está feito. É só pular para os mais de 300 posts, num ano de duração desde blog (hoje, agosto 2010) . . .

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4 Respostas to “Ouvido”

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