Ficção



– Florzinha! Tô indo no mercado para comprar umas coisinhas porque quero preparar um final de semana bem gostoso para o meu Polaquinho.

– Deixa que eu vou. Faço este sacrifício. Descanse um pouco, Madame.

Em um minuto eu já estou com a senha do cartão na cabeça, o mesmo no bolso, três sacolas a tiracolo…

– Três por causa do quê? Olha a listinha aqui. Dá para trazer na mão. Leva uma só, meu polaquinho mascarado mais lindo do final da Asa Sul.

Vou. Primeira desobediência. É para ir no mercado classe B, mais perto de casa. Evito o classe A, aceita até cartão corporativo. Não tenho mesmo. Desembarco sorrindo no mercado classe C, operado por gente da classe D, nas 400, quem conhece a História de Brasília entende do que estou falando. É que nem o entorno da banca de jornal quando eu moro em Bonsucesso, no Rio. Sabe a fita dorex para impedir que a gente folheie as páginas além da primeira colocada na parede para fins de discussão, essa sim bem da democrática. Conforme o assunto, é precciso fazer uma vaquinha para comprar o jornal e tirar a dúvida principal, que nunca vem na manchete, cambada de imprensa maliciosa. Só para vender.

De volta ao mercado classe C das 400 de Brasília:

– Bom dia seu Polaco. Quanto tempo. Cadê Madame? Deixa antes medir a quentura do seu corpo.

(Pausa).

– Como estou?

– Você já esteve bem mais quente, seu Polaco.

Explico um adiantamento a respeito deste mercado classe C das 400. Todo mundo se conhece, cliente e empregado. Quando a gente volta de viagem, Madame sempre tem uma lembrancinha para os mais chegados. Nesta época de sumiço, todos se vigiam. Cada reencontro é um alento na esperança mútua. Tudo nos trinques – máscara, medidor de temperatura, faixas no chão, álcool à vontade, daí a primeira reclamação:

– Quando é que vão servir aquela cachacinha, hein?

Lista de Madame à mão, alembro-me da ordem de, além do distanciamento, não ficar batendo papo e voltar mais logo ainda para “meus” braços. Primeiro, o espaço dos legumes:

– Oi seu polaco.

– Oi neguinha.

Outra explicação antes que me envolvam na onda racista. Nada disso. Na primeira vez, peço licença para a linda pessoinha, sorriso largo, sempre disposta, amiga de todos.

– Posso te chamar de neguinha?

– Mas é lógico, seu Polaco. Mas vou logo avisando.

– O que?

– Se me chamar de loirinha, faço o maior auê. Quer ver?

– Não, ne-gui-nha.

– Cadê minha Amiga?

– Está descansando.

A resposta é uma gargalhada de verdade, ela, baixinha, no empurro do carrinho superlotado de frutos para reposição na bancada porque o dia do sacolão foi ontem, hoje não. E ela:

– E por acaso Madame tem o que fazer além de cuidar de você, seu Polaco?

– … (gargalhada mútua).

– Mas deixa minha amiga descansar quanto quiser. Ela merece.

Dos legumes (uma abobrinha só, dois tomates no ponto, três pimentões verdes, um par de limão siciliano, aquele amarelo). No previsto meu íntimo pensar desde as primeiras horas deste dia, acrescento meia dúzia de limão verde, sabe aquele próprio para caipirinha? E vou indo entre outros como vai seu polaco e madame não veio por causa de que como ela te deixa solto etécetera e tal.

Antes de dobrar à direita, na última fileira de prateleiras, em direção ao biscoito e o bolo só serve se for de maracujá ou então o de limão porque a gente sente o gosto quase na hora de engolir está me ouvindo meu polaquinho?

– Bem nítido, Madame.

– Está onde?

– Parado aqui na prateleira das…

– Diga logo.

– Bebidas.

– Sabia. Tua oferta para ir sozinho e ligeiro estava estranha mesmo.

– Qual bebida? Já sei, não precisa nem falar.

– Vodka.

– Nem pensar.

– Mas é da marca boa e está escrito “super-oferta”. Só 22 reais cada litro.

– Está bom. Mas uma só, tá? E volta logo. Estou com saudades.

– De que, Madame mais impetuosa de todo o Plano Piloto? Saudades de que?

– Saudades do bolo de limão é que não é.

Para que. Confesso que fico desestruturado no ato. Pego dois litros de vodka, já com a desculpa na ponta da língua molhada. Uma para mim e a outra para meu irmão agemeado. E vou direto para o caixa sem pegar mais nada.

– Oi seu Polaco. Quanto tempo. E Madame?

– Bom dia, tchau, se cuidem, fui.

– Tá com pressa hoje, hein seu Polaco.

Antes de finalizar, se é que ainda tem gente na cola, no ouvido, duvido, mesmo assim adendo dois fatos dignos deste relato de outra escapadela anciã no meio deste pico doido:

1) – Junto aos caixas, tem os empacotadores. Na mesma laia, ou seja, na mesma intimidade respeitosa mútua com os clientes conhecidos. Noto um deles mais afastado. Pergunto:

– Tudo bem, rapaz?

– Comigo, tudo ótimo.

– E por que está afastado dos outros?

– Eles hoje não querem papo comigo e dizem que tenho que manter distância.

– Mas deve ter um motivo para tanto.

– Tem sim.

– Qual?

– É que eu nasci Flamengo e vou ser Flamengo até morrer. Sou campeão. Como se diz mesmo, seu Polaco, você que é estudado, pela vez 38?

Diante da gargalhada campeã mesmo que no isolamento, reajo à altura:

– Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem pergunta.

– Que é isso, seu Polaco. O senhor é sempre tão educado. Por que isso?

– É que eu nasci Botafogo-Botafogo-Botafogo campeão desde quando mesmo?

Daí foi uma risada só e lá vou eu de volta para os braços de Madame. Ato 2:

– Polaquinho, que saudades.

Ela vai logo abrindo os embrulhos para desinfetar e, o principal, inspecionar.

– Cadê o meu bolo de limão?

Diante do rosto pseudo de choro latente de Madame, eu Polaco no ato confesso que me alembro que com as duas vodkas no saco esqueço-me do restante da lista. Por isso, faço o possível para não transparecer tamanha indignidade.

– Pois então, Florzinha. O bolo estava tão feio, tão seco, tão sem graça…

– Trouxesse assim mesmo. Você sabe que estou com desejos.

– Espera aí. Não comprei no classe B (na verdade, foi no C) porque Madame Florzinha merece o bolo de limão do mercado classe A. Tô indo e já volto. Jazinho mesmo.

The End.

Na verdade, vou até o mercado classe B (e não o A) e compro o bolo de limão. Volto correndo, porque não é indicado ficar na rua, tendo casa, nestes tempos pandemônicos, ainda mais para quem tem reservados os braços de Madame, quer dizer, agora não porque ela está às voltas com o bolo limonoso e um cafezinho depois vem o cigarrinho depois o livro que está lendo. Só me resta, ao canto, que nem cachorro com sede, de que mesmo, finalizar lastimoso:

– Homem sofre, vou te contar.

Inté e Axé.


       Deixe de ser idiota! Coronavirus. Corona. Virus. Terceira Guerra Mundial. Economia. Pare de pensar que todo chinês está contaminando. Só porque ele está usando a ridícula máscara que não protege porra nenhuma.

           Falar nisso… e os brasileiros na China que não podem voltar para o Brasil, hein? Onde está a nossa FABinha? Coronavirus. Cuspida para cima. Caiu de volta, mané. Fui. Beber uma Corona. Até porque a Belzontina…

CORONAVIRUSOK

     別當白痴了 冠狀病毒。 第三次世界大戰已經開始。 不要以為每個中國人都會污染。 只是因為您戴著的是可笑的面具,卻沒有保護您。

     談到哪個……以及在中國的巴西人誰不能回去,是吧? 我們的FABinha在哪裡? 冠狀病毒。 吐 ell回去,bit子。 我進去了。喝電暈。 即使因為貝爾佐蒂納(Belzontina)…

            Stop being an idiot. Coronavirus. World War III has begun. Stop thinking that every Chinese is contaminating. Just because you’re wearing the ridiculous mask that doesn’t fucking protect you.

          Speaking of which … and the Brazilians in China who can’t go back, huh? Where’s our FABinha? Coronavirus. Spit up. Fell back, bitch. I went in. Drinking a Corona. Even because Belzontina …

         Biédāng báichīle guānzhuàng bìngdú. Dì sān cì shìjiè dàzhàn yǐjīng kāishǐ. Bùyào yǐwéi měi gè zhōngguó rén dūhuì wūrǎn. Zhǐshì yīnwèi nín dàizhe de shì kěxiào de miànjù, què méiyǒu bǎohù nín.

       Tán dào nǎge……yǐjí zài zhōngguó de bāxī rén shuí bùnéng huíqù, shì ba? Wǒmen de FABinha zài nǎlǐ? Guānzhuàng bìngdú. Tǔ ell huíqù,bit zi. Wǒ jìnqùle. Hē diàn yūn. Jíshǐ yīnwèi bèi’ěr zuǒ dì nà (Belzontina)…

CORONAVIRUSOK


      In diesem Beitrag geht es um das Durcheinander, das aufgrund der internen, aber wohlverdienten Sabotage des brasilianischen Kulturministers geschehen ist, die am Vortag vom Präsidenten des Yankee-Trumpisten Tupiniquim gelobt wurde. Der Angeklagte verwendete einen Satz des großen Sauerkraut-Vermarkters José Goebbels zum Klang des Dramatikers, Schriftstellers, Komponisten und ewigen Richard Wagner, der von der dekadenten brasilianischen Presse als Nazi verwechselt wurde. Ergebnis: Der besagte brasilianische Kulturminister wurde auf Ersuchen von Juden, Kommunisten, Rechten und dem deutschen Botschafter in Brasilien vom Feld gewiesen. Vamu lá.

goebles 1

         Este post diz respeito do imbroglio acontecido a partir de sabotagem interna, mas merecida, do ministro da Cultura do Brasil, elogiado um dia antes pelo ianque trumpista presidente tupiniquim. O defenestrado usou uma frase do grande marqueteiro chucrute José Goebbels, ao som do dramaturgo-escritor-compositor-eterno Richard Wagner, confundido como nazista pela decadente inprensa brasileira. Resultado: o dito ministro da Cultura do Brasil foi expulso de campo a pedido de judeus, comunistas, direitistas and, ora vejam só, do embaixador alemão em Brasília. Vamu lá.

     This post is about the imbroglio that happened due to the internal but well-deserved sabotage of the Minister of Culture of Brazil, praised the day before by the Yankee Trumpist Tupiniquim president. The defendant used a phrase from the great sauerkraut marketer José Goebbels, to the sound of the playwright-writer-composer-eternal Richard Wagner, mistaken as a Nazi by the decadent Brazilian press. Result: the said Minister of Culture of Brazil was expelled from the field at the request of Jews, communists, right-wingers and, you see, the German ambassador in Brasilia. Vamu there (?).

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         1 – Ich lese hier noch einmal, um zu versuchen, diese Katastrophe zu verstehen, die von der Zeitung Bolha de São Paulo zitierte Biographie, geschrieben vom Gringo Peter Longerich, 801 Seiten, alles über den großen Vermarkter, der hier von portugiesischen oder militaristischen Betrügern imitiert wurde. Damit lasse ich für den Moment die Shakespeare-Biografie, 505 Seiten, geschrieben von Park Honan, rechts auf Seite 26, von dem, was bei einem katholischen Brand in Coventry berichtet wurde, wo Prostituierte, nicht Juden, verbrannt wurden gut in Brasilien, nicht nur mit Juden aus Recife. Und die Tatsache, Bericht, Juni 1553:

     “Ein am christlichen Lagerfeuer geborenes Baby wurde in das harte, brennende Holz zurückgeworfen.”

     1 – Estou relendo cá, para tentar entender este cataclismo, a biografia citada pelo jornal Bolha de São Paulo, escrita pelo gringo Peter Longerich, 801 páginas, tudo sobre on grande marqueteiro, imitado cá por golpistas lulistas ou militaristas. Com isso, deixo de lado, no momentâneo, a biografia do Shakespeare, 505 páginas, escrita por Park Honan, justo na página 26, do relatado numa fogueira católica em Coventry onde prostestantes, não judeus, estavam sendo queimados, aliás, isto aconteceu tão bem no Brasil, não só com judeus do Recife. E o fato, relato, junho de 1553:

       “Um bebê nascido na fogueira cristã foi lançado de volta no meio da lenha dura e ardente.”

      2 – Pergunto-te: pelo fato de eu cá, polaco tupínico, estar lendo, no momento atual, a biografia do marqueteiro Goebbels, ao som do socialista Wagner, também me arrisco, por denúncia de alguém de ti leitor, ser jogado de volta, pois já o fui por vezes diversas (hallo EBC), repito e repilo: corro risco de ser jogado na fogueira, mané socialista de merda? Hein?

     3 – Destaco na biografia do marqueteiro Goebbels, mesmo que no arrisco, o escrito no diário pessoal dele quando Hitler e Stalin fizeram o acordo de irmãos de sangue do qual, no dia seguinte, resultou a invasão, pelos dois sacanas, da minha Polônia, polaco que sou no sangue. O Goebbles, tipo o marqueteiro baiano do Lula, apenas escreveu:

      – A cavalo dado não se olha os dentes!!!

       No arriscando minha pele, cito mais capítulos do diário secreto do Goebbles que, aliás, foi o único fiel ao chefe, o sacana Adolfo. Só ele, mais nenhum, matou-se no Dia Final. Ele, a mulher, e os cinco filhos. Já o restante dos companheiros, deu no pé. Alguns capítulos, para uso diverso, de acordo com o teu pendor, colega cá do Face:

        20 – “Só existe um pecado – a covardia” – página 414.

       23 – “Educação do povo para a firmeza política” – página 466.

       26 – “Certo ceticismo se apoderou das massas” – página 530:

     “Devemos conversar com qualquer um que queira conversar conosco. Mas em breve estaremos numa encruzilhada. Dias depois, Hitler disse que desejava muito entrar em contato como Papa que, por sua vez, já havia sinalizado disposição neste sentido, pois temia a expansão do comunismo por todo a Europa” . (págin 563).

      E quanto ao Wagner, preso junto com Marx, antes do nascer do Nazismo, ambos socialistas, citado pelo agonizante sistema Globo como “ao som da música nazista”, agora não falo, pois estou morrendo de medo de ser jogado na fogueira pelos aqui colegas esquerditas. Apenas, cito que neste exato momento a ópera toca na Marcha Nupcial no trecho abrasileirado para:

   – Com quem será, com quem será, com quem será que o Lula vai ….

goebles 3

Foi?

Eu fui.

Inté e Axé!


 

(The mild prose of this Polish sympathetic to the solitary dove at 18 minutes this Friday at Gleisdreick station waiting for the U 9 subway line Krume Lanke here in Berlin).

(Prosa amena deste polaco solidário com a pomba solitária aos 18 minutos desta sexta-feira na estação Gleisdreick na espera do metrô linha U 9 direção Krume Lanke aqui em Berlim).

(Die milde Prosa dieses Polens, die mit der einsamen Taube sympathisiert, wartet an diesem Freitag um 18 Minuten am Bahnhof Gleisdreick auf die U-Bahnlinie 9, Krume Lanke, hier in Berlin).

pomba berlim 01

a pomba

rôla rôta

gira …

róla na róta reta

e acoxa na cocha

arreta …

se achega no metro

da linha do metrô

segura …

vem cá pombinha

meto o medo e ela

cochila …

minha cocha se amarra

na tua coxa

a corda!!!

gôsto de colcha nova

no cinto da noiva

assinta …

gósto da iminente

cochia assoprada

no cio …

fio!!!

polaco homófono!!!

giro!!!

fia!!!

pomba rôla

gira!!!

pomba berlim 02

– this is the end mein beautiful pombinha …

– heil, polaco baiano!

– já fui!

– volte !

– Que foi?

– cê mesqueceu?

– se me alembre.

– antes abata estas abelhas que no agora nos perscrutam.

– ah … tô me lembrando …

– do que?

– minha pombinha intelecta cheia do cio.

– quer que eu gire?

– ok.

pomba berlim 03

(e você aí, pessoa abelhuda, está esperando o que para desligar?)


Mão Cheia: Miro no Muro e Murro o Burro

Mão Vazia: 30 Ânus de Revolução Pacífica

Mão Boba: Muro Persiste na Cabeça, Mano.

Mão Vazia: Muro é Coisa de:

(a) Comunista – em Berlim;

(b) Nazista – enfim;

(c)Israel – na Palestina;

(d) USA – no México;

(e) África de Mandela – no Moçambique;

(f) Você – no seu Vizinho:

(g) Você – na sua Cabeça.

miro no muro e murro no burro by mamcasz

Für diesen Montag (19.11.04) beginnen die mehr als 200 Partys für die 30 Jahre des Mauerfalls. 160 km kommunistische Dummheit. Gemeinsam gewonnen vom heutigen Heiligen, dem polnischen Papst Woityla, und dem kapitalistischen Künstler Reagan. In der CIA gedeckt. Die Peth Smith Show in der Getsemani Lutheran Church lässt es sich nicht entgehen. Ich bin als Polin registriert. Ich habe auf den bahianischen Ursprung verzichtet. Knochen im Weg. Ich erinnere mich, dass ich 1989, im Herbst, hier durchging. Im Anschluss, glücklicher Hund, Madame. Ich kann immer noch in der Dose.

Pois nesta segunda (04/nov/19) começam as mais de 200 festas pelos 30 anos da Queda do Murro-Muro de Berlim. 160 Km de imbecilidade comunista. Vencida em conjunto pelo hoje santo, o papa polaco Woityla, e o capitalista artista Reagan. Acasalados na CIA. O show da Peth Smith, na igreja luterana do Getsemani, não perco mesmo. Estou resgistrado como polaco. Abdiquei da origem baiana. Ossos no caminho. Lembrando que em 1989, na queda, eu estava de passagem por aqui. Seguindo, cachorro feliz, a Madame. Ainda lato na lata.

For this Monday (04 / Nov / 19) the more than 200 parties begin for the 30 years of the Fall of the Berlin Wall. 160 km of communist imbecility. Jointly won by today’s saint, Polish Pope Woityla, and capitalist artist Reagan. Mated in the CIA. The Peth Smith show at the Getsemani Lutheran Church doesn’t miss it. I am registered as a Polish. I abdicated the Bahian origin. Bones in the way. Remembering that in 1989, in the fall, I was passing through here. Following, happy dog, Madame. I still can in the can.

miro 2

The parties take place here in Berlin from 4 to 9 of this bluish November. I will report, pure, I swear. From 10 am to 10 pm, all free-mouthed, in seven of the main atriums of what was once a socialist horror theater. Another chapter of my rising book, the Berlin Stund Null (Year Zero). Title of this cuticle-liked entertainer:

BERLIN WALL STILL PERSISTS ON THE GERMAN HEAD.

As festas acontecem, aqui em Berlim, de 4 a 9 deste novembro azulado. Darei relato,puro, juro. Das 10 da manhã às 10 da noite, tudo free-boca livre, em sete dos principais átrios daquele que foi um teatro de horror socialista. Mais um capítulo do meu livro em ascenção, o Berlin Stund Null (Ano Zero). Título deste entretítulo curtido na cutícula:

O MURO DE BERLIM AINDA PERSISTE NA CABEÇA DOS ALEMÃES.

Die Partys finden vom 4. bis 9. November in Berlin statt. Ich werde berichten, rein, ich schwöre. Von 10 bis 22 Uhr, alle mit freiem Mund, in sieben der Hauptatrien des ehemals sozialistischen Horror-Theaters. Ein weiteres Kapitel meines aufstrebenden Buches, der Berliner Stund Null. Titel dieses nagelneuen Entertainers:

BERLINER MAUER LEIDET NOCH AUF DEUTSCHEM KOPF.

murro burro by mamcasz

Fui.

Então, tá.

Inté e Axé.

Tschuss.

 

https://mauerfall30.berlin/

 

 

 


Ele separa o Brasil dos privilegiados dos despossuídos.

Coluna de rádio “Trocando em Miúdo”.

Eduardo Mamcasz.

Chamada:

Este paraibano-pernambucano, que morreu na semana passada, em seus 16 livros de poesia, romances e peças de teatro, mostra a importância da luta do sertanejo nordestino pela dura sobrevivência na parte do Brasil mais pobre.

suassuna samba

Para ouvir, clique:

http://radioagencianacional.ebc.com.br/cultura/audio/2014-07/obra-de-ariano-suassuna-mostra-desigualdade-social-do-pais

Script:

Vinheta de Abertura

Muito se falou e escreveu sobre o grande escritor brasileiro, Ariano Suassuna, que morreu semana passada. Separo na prosa de hoje alguns pontos econômicos das peças mamulengas e repentistas que ele escreveu ao longo da vida. No livro mais famoso, o Auto da Compadecida, ele lembra que o Brasil, na verdade, é dois países distintos de fato. O país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

BG voz Suassuna: “Hoje está melhor, mas quando eu era jovem, o povo brasileiro tinha uma opinião muito ruim de si próprio.”

Já no livro o Rico Avarento, ele conta a história do coronel que emprega Tirateima, um rapaz humilde que o vê negar até comida aos pobres e mendigos. Até que um dia o coronel avarento recebe a visita do chefe do inferno que informa. Todo mendigo a quem o coronel negou comida na verdade era Cristo testando a bondade, quer dizer, sua maldade. O pior é que o coronel nordestino conseguiu domar os cães do inferno, e tentou comprar a entrada no céu, e ficou no meio do caminho, o purgatório.

BG voz Suassuna: “Eu vim aqui hoje dizer um bocado de coisas pro senhor que não vai gostar. Então eu disse: não diga. Você mesmo sabe que eu não vou gostar.”

O melhor da parte social de Ariano Suassuna, acho que está mesmo no discurso feito por ele na posse na Academia Brasileira de Letras. Sertanejo nascido no interior da Paraíba, mas tendo vivido a maior parte da vida no Recife, ele lembra que a maneira de se vestir, meio do sertão, indica ser ele um escritor pertencente a um país pobre e convocado por uma sociedade injusta. É a tal da diferença de classes. Tanto que ele homenageia o que chama de Brasil real, o dos arraiais do sertão e as favelas das cidades. E arremata:

Quase tudo o que possuímos é trabalho da nossa gente rude e boa, forte e sadia, que vive no vasto e desafogado ambiente saneado pelo sopro ardente das secas.

BG voz Suassuna: “Havia um desprezo generalizado pelo Brasil. Os próprios brasileiros tinham um complexo de inferioridade.”

Ele aproveita então para atacar os parasitas das cidades que vivem de bolso vazio, tristes e enfezados, “vencidos da vida”, porque temem o sol e desamam a terra quente e fecunda, onde dormem tesouros perenes, reservados aos que mourejam com brio e coragem.

BG voz Suassuna: “Eu tenho uma admiração enorme pelo nosso país e pelo nosso povo.”

Antes de morrer, Ariano Suassuna, e aqui fica esta pequena homenagem, ainda declama:

suassuna velorio

BG voz Suassuna: “Eu não pretendo morrer não. É uma coisa que não está na minha pretensão. Agora, eu não sei se a morte aceita a minha teoria.”

É muito difícil vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

Então, tá.

Inté e Axé.

Vinheta de Encerramento


1 –  Acesso, com senha, New York Times. Recebo uma oferta. Pesquisa ampla nos arquivos, por um mês, de graça. No Credit Card.

nyt

2 – Ao mesmo tempo, atendo o celular. Uma voz malemolente de carioca desperto com o fim da Copa tenta me convencer a ter acesso aos arquivos do Globo Online. E joga conversa fora da bacia.         

       nyt glogo                                                                                                       

E eu:

– Tô sabendo aonde o mano quer chegar.

E ele:

– Nada disso, deixa eu terminar que você vai entender. Só para conferir. Seu endereço é mesmo …

E eu:

– VTNC, Asa Oeste, Brasília.

E ele:

– Aí não tem nome de rua, né? Sua data de nascimento é mesmo…

E eu:

– 12 de junho de 1984.

E ele:

– Bem novo… Pois então, por apenas R$1,90, no primeiro mês, acesso ilimitado “grátis”.

E eu:

– De graça por 1 e 90, cara?

E ele:

– A partir daí, por seis meses, 14 e 90 no lugar de 19 e 90.

E eu:

– Só assim vou poder acessar minhas reportagens dos tempos em que trabalhei em O Globo, no Rio, de onde saí, puto da vida, para ser hippie em Cacha-Pregos.

E o fdp:

– Não falei? Olha o lucro.

Moral: se fora esperto, diria:

– Pois me mande as datas que a gente manda o link desses arquivos de cortesia.

Depois de uns dez minutos, dei trela, sempre avisando, ele cria coragem:

– Se tiver duvidando, vamos acessar juntos a internet em

http://www.oglobodigital.com.br

Depois de uns dez minutos, dei trela, sempre avisando, ele cria coragem:

– Se tiver duvidando, vamos acessar juntos a internet em

– Agora, não dá porque a internet está caindo a toda hora desde que a Copa acabou.

– Então, vamos fazer o seguinte. Preciso apenas de um número, da sua conta no banco, ou do cartão de crédito, tudo seguro, apenasmente para…

Interrompo o carioca do Globo Online e retruco, peremptório:

– Apenas, digo eu. VTNC!!!

E desliguei, suavemente, para não quebrar meus aparelhos.

Mais um detalhe: ao mesmo tempo, um hacker estava me zapeando e fez um TED pelo BB, no valor de R$3.400,00, que consegui reverter a tempo. Com nome, CPF, número da conta, banco e tudo. Jones Paraiso Ribeiro, Cidade Ocidental, Goiás, CPF 135.702.376-64. Conferiu na pesquisa que fiz na Receita Federal.

É… a Copa se foi.

Bom findi.

A novela continua no próximo capítulo com as providências tomadas para bloquear a conta no Banco do Brasil (por telefone, fechado das 23 às 7 horas). Bloquiei o que pude pela internet. E né que o FDP do hacker tentou, por telefone, desbloquear, às quatro horas da madrugada.

E eu:

– Esta p… não fica fechada para atendimento das 23 às 7 horas da manhã?

Depois eu conto. Agora, estou curtindo os arquivos do New York Times:

http://www.nytimes.com/interactive/2014/07/15/world/middleeast/toll-israel-gaza-conflict.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&version=HpHeadline&module=a-lede-package-region&region=lede-package&WT.nav=lede-package&_r=0

 


I root for Germany. The owner of the apartment where I always stay in Berlin, root for Brazil. In Firm where I obro, in the afternoon, in Brasilia, I put the flag of Germany, lonely, in the sea of ​​green-yellow flags. Enough to skewed glances, top, side and bottom of obtuse minds. Lack of education is that. What?

Copa do Mundo no Brasil – Falta geral de Educação.

Eu torço pela Alemanha. O dono do apartamento onde eu sempre fico em Berlin, torce pelo Brasil. Na Firma onde eu Obro, na parte da tarde, em Brasília, eu coloco a bandeira da Alemanha, solitária, no mar de bandeirolas verde-amarelas. O suficiente para olhares enviesados, de cima, do lado e de baixo das mentes obtusas. Falta de Educação é isso. Que mais?

Weltmeisterschaft in Brasilien – Allgemeines Mangel an Bildung.

Ich verwurzeln für Deutschland. Der Eigentümer der Wohnung, wo ich immer in Berlin, Wurzel bleiben für Brasilien. In Unternehmen, wo ich Obro, am Nachmittag, in Brasilia, habe ich die Flagge von Deutschland, einsam, im Meer der grün-gelben Fahnen. Genug, um schiefe Blicke, oben, seitlich und unten stumpfen Köpfen. Mangelnde Bildung ist, dass. Was?

Confiança mútua. Entro no apartamento, na Uhlandstrasse, em Berlim. Pago o acertado. Sem qualquer tipo de caução-depósito-garantia. É no antigo fio do bigode. Educação é isso.

Ao final de mais uma estadia, deixo o apartamento mais limpo do que encontrei, tarefa, aliás, difícil. Coloco as chaves em cima da mesa, escrevo um bilhete amigável, retribuo o mimo de boas-vindas, e me saio de volta para as terras tupiniquins. Educação é isto.

Capítulo I. Isto é Educação.

Alemanha goleia Portugal. Mando para o Friedrich o seguinte e-mail:

Hallo Nerjes.

Zunächst herzlichen Glückwunsch an das große Spiel Deutschland gegen Portugal. Wir sahen in der Botschaft hier in Deutschland brasilien hoffe, nicht nur Deutschland und Brasilien im Finale des World Cup. Danke für den Aufenthalt in der Uhlandstraße, es war alles sehr gut. Bis zum nächsten.

Olá Nerjes.

Em primeiro lugar, parabéns pelo ótimo jogo da Alemanha contra Portugal.Vimos na Embaixada da Alemanha, aqui em Brasília. Só esperamos não ter Alemanha e Brasil na final desta Copa do Mundo. Obrigado pela estadia na Uhlandstrasse, Berlin, foi tudo muito bom. Até a próxima. Eduardo Mamcasz

Capítulo II – Isto é Educação.

Brasil passa às quartas de final ao vencer, nos pênaltis, o  Chile. Recebo do Friedrich o seguinte e-mail:

Hallo Mamcasz.

Herzlichen Glückwunsch zum Einzug ins Viertelfinale. Das ja echt ein Krimi. Ich war über die Stärke der Bolovianer überrascht. Lassen wir das Sommermärchen weitergehen. Ihnen noch einen schönen Sonntag und Ihrer Mannschaft viel Erfolg. Mit freundlichem Gruss. Friedrich Nerjes.

Parabéns às quartas-de-final. Isso sim foi realmente um thriller. Fiquei até surpreso com a força bolivariana do Chile. Continuemos neste conto de fadas de Verão. Tenha um bom domingo e sua equipe brasileira todo o sucesso nesta Copa do Mundo Com os mais amigáveis cumprimentos

Capítulo Final. Isto sim  é falta de Educação.

Pois vamos aos fatos antes do Apito Final.

Copa do Mundo no Brasil. Falta geral de Educação nos barracos, escolas,  ruas,  estádios e nas cabeças torcedoras.

Marmanjas pessoas usando o  espaço de cadeirantes-cativos.

Toneladas de lixo jogado nas ruas,  praias, arquibancadas, bares e lares.

Prostituição de montão no chamado turismo sexual.

Exclusão social. Desvio de verbas oficiais para a a construção de estádios-arenas-fantasmas.

Uso político-eleitoral deslavado sem levar qualquer cartão amarelo-vermelho.

Chega, né?

 

Brazil versu Germany by Mamcasz

Se quiser, vamos para os pênaltis.


Nature Goddess!

Give me the time to party – summer –

And to stand – just saw it.

Give me the time for falling leaves

Crooked branches, nine-out

And so, to start the almost-nothing.

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me o tempo de festa – verão –

E do repouso – viram?

Dai-me o tempo das folhas secas,

Galhos tortos, noves-fora,

Recomeçar do quase-nada. 

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Listen Me Escute:

https://soundcloud.com/mamcasz/minha-prece-pascoalina

Deusa Natureza!

Dai-me o poder  de  remover torres,

Mares e bobos sonhos :

Ser viril na ternura de um Chico de Assis

No sermão desolado da montanha

De entulhos e bagulhos.

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me o milagre da multiplicação das  palavras.

Que elas instiguem nas crianças

O distante reino dos céus,

Reafirmem a decisão de malhar o Judas,

E justifiquem a intenção de crucificar  de novo o velho  Cristo.

ovo de pascoa by mamcasz

Deusa Natureza!

Dai-me o entendimento desta minha dupla convivência:

– Qual dos dois – Cristo ou Judas – ocupa

Uma cadeira vazia no bar,

Um vazio na gente?

Nesta idade, pessoa,

Às vezes,  sou um mini homem dileto,

Noutras muitas, um super rato discreto.

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me  um tempo

Para continuar sendo aquilo ou isto

Judas ou Cristo –

Insisto –

Mesmo que eu durma com o Diabo

E com  o Deus,  na mesma lama,

Ou que amanheça por entre as Madalenas,

Caifás, Pilatos, Herodes, Marias,

Ou mesmo Dimas, o bom –

Qual era mesmo o nome do mau ladrão?

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Naturaleza Diosa!

Dame la voluntad de en el robo

Yo sea bueno,

De principio a fin.

Y luego me resucita el santo de mí

Decantado de las cenizas al viento,

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me a vontade de mesmo no roubo

Na força eu ser  bom,

Do começo ao fim.

E depois, ressuscite o santo, de mim

Decantado das cinzas ao vento,

Desde que  eu  continue, no fundo,

Sendo sempre aquilo ou isto,

Judas ou Cristo.

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me a certeza do retorno,

Na forma de pássaro no arco-íris plantado

Para que eu possa cantar para alguém,

Mesmo que somente para mim,

Um retumbante Hallelluya. 

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me um Ovo de Páscoa

Que na duvidosa placenta de vida

Da gema renasça, por encanto,

Isto ou aquilo.

É o que mais desejo.

Sinceramente, deste  teu

Cristo, mesmo que Judas.

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Eduardo Mamcasz, 

Poeta Quase-Zen.

 Boa Páscoa.

Amém.

Clique e me ouça, tá?

https://soundcloud.com/mamcasz/minha-prece-pascoalina


 

 

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Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes and Valdir Pires tell where they were on March 31, 1964. The day that the Brazilian military staged a coup, overthrew the president, arrested thousands of people, with many of them tortured and even killed. This is a historical evidence of an era that is still alive in Brazil´s memory, albeit sad, 50 years after.

Golpe de 1964 – O Brasil Interrompido

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes e Valdir Pires contam onde estavam no dia 31 de março de 1964. O dia em que os militares brasileiros deram um golpe, derrubaram o presidente, prenderam milhares de pessoas, com várias delas torturadas e até assassinadas. São testemunhos históricos de uma época que continua viva na memória brasileira, ainda que triste, 50 anos depois.

Clique abaixo para escutar na íntegra:

https://soundcloud.com/mamcasz/golpe-de-64-o-brasil

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Foto de Gervásio Batista
(1968-atriz Vaja Orico ajoelhada na frente do comboio militar).

Coup d´Etat – Brésil arrêté

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes et Valdir Pires disent où ils étaient le 31 Mars, 1964. Le jour où l’armée brésilienne a organisé un coup d’Etat, a renversé le président, arrêté des milliers de personnes, beaucoup d’entre eux torturé et même tué. Sont des preuves historiques d’une époque qui est encore vivant au Brésil, quoique triste, 50 ans après la mémoire. La radio-document dans la langue originale, le portugais au Brésil.

Tec/ Vinheta Abertura Trocando em Miúdo

Loc- 1964. É sucesso. Minissaia. Jovem Guarda. Ligas Camponesas. O Fino da Bossa. Reformas de Base. Gordini e Moustang. E Rua Augusta, na voz de Roni Cord (*músico da Jovem Guarda).

Tec/ Trecho música Rua Augusta.

https://www.youtube.com/watch?v=OByqAxGeW84&feature=kp

Loc/ 31 de março. Madrugada. O governador de Minas Gerais (*Magalhães Pinto) começa três operaçoes simultâneas: Silêncio, nas Comunicações. Gaiola, para as autoridades. E Popeye, deslocamento de tropas.

Tec/ Slogan da música Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones.

https://www.youtube.com/watch?v=OByqAxGeW84&feature=kp

Colpo di Stato – Brasile Arrestato

Gilberto Gil, Frei Beto, Charf, Aldo Arantes e Valdir Pires dire dove si trovavano il 31 marzo 1964. Il giorno in cui l’esercito brasiliano ha organizzato un colpo di stato, ha rovesciato il presidente, ha arrestato migliaia di persone, con molti di loro torturati e persino uccisi. Sono prove storiche di un’epoca che è ancora vivo in Brasile, anche se triste, 50 anni dopo memoria. La radio-documento è in lingua originale, portoghese in Brasile.

Loc/ Primeiro de abril. Madrugada. Forças Armadas dominam a situação. Exigem a renúncia do presidente. (*João Goulart).

Tec/ Bg

Loc/ Dois de baril. Madrugada. O Congresso Nacional decide. O Brasil está sem presidente. Começa a ditadura.

Tec/ Trecho música Bob Marley na versão “Não chore mais”, com o Gil: (Amigos presos, amigos sumidos assim… pra nunca mais).

http://letras.mus.br/gilberto-gil/46223/

Loc/ Cidadão Gilberto Gil. Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Gilberto Gil: Tinha uns dois ou três dias, a gente sabia, principalmente nós, estudantes que tinham militância direta nos Centros Acadêmicos e tal. Porque nós nos mantínhamos muito informados. Estava todo mundo ligado nas rádios, nas agências de noticias. As redações dos jornais estavam ligadas direto com as lideranças estudantis e tal. Então, eu me lembro que na noite anterior eu tinha estado na casa da minha noiva Belinha…

Amigos presos, amigos sumidos assim…

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Cidadão Frei Beto. Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Frei Beto: No dia primeiro de abril de 64 eu me encontrava num Congresso Latinoamericano de Estudantes, em Belém do Pará. Quando se soube do golpe, o congresso se desfez. Cada um de nós procurou retornar a seu lugar de origem. Eu não consegui embarcar imediatamente de volta para o Rio de Janeiro, onde eu morava. Fui me esconder na casa do arcebispo de Belém. Depois, na casa de um representante da Ação Católica. Eu pertencia à Ação Católica (*Comunidade Eclesial de Base e Juventude Estudantil Católica). Eu não tive medo. Eu tive preocupação pelas poucas notícias que chegavam a Belém, dando conta que no Rio, São Paulo e Belo Horizonte havia movimentação de tropas, havia prisão, havia torturas, havia mortes…

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/pagina/frei-betto.html

Tec/ Bg música amigos sumidos assim….pra nunca mais…

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 Cidadã Clara Charf (* casada com o guerrilheiro Carlos Marighela, morto em 1969 pelos militares).

Onde a senhora estava no dia 31 de março?

Voz Clara Charf: Como a gente sentia o clima de golpe, o Marighela e eu resolvemos sair do apartamento onde a gente morava. A gente morava no Flamengo (*bairro na cidade do Rio de Janeiro). Pegamos uma mala com algumas peças de roupa e saimos. E você sabe que a gente saiu pela escada e a policia subiu pelo elevador. E aí invadiu o apartamento. Fizeram toda a destruição. Não nos prenderam naquele momento. Um mês e nove dias depois do golpe, eles atiraram no Marighela. O Marighela entrou num cinema, para se proteger, eles entraram no cinema, deram um tiro nele, quase mataram ele ali, na hora. Ele reagiu, foi preso. Eu tive que passar para a clandestinidade completa. Logo depois cassaram meus direitos políticos, como eu te disse antes. Nós passamos a viver absolutamente perseguidos. Este era o clima daquela época, né. Muitas mulheres e muitos homens começaram a se organizar para resistir, porque era humilhante, era vergonhoso, era criminoso o que estava acontecendo no país sem você reagir.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

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 Cidadão Aldo Arantes (*presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE, na foto, o do centro).

Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Aldo Arantes: Eu estava nas galerias do Congresso Nacional e me lembro que gritei veementemente contra o golpe. Gritei das galerias do Congresso Nacional – golpe, golpe! Naquela época me lembro que alguns parlamentares, entre outros, Almino Afonso e Plinio Arruda Sampaio, articularam com a Segurança para que eu não fosse preso. Eu consegui sair, fui para o interior de Goias (* Região Centro-Oeste do Brasil). Fiquei um bom tempo. Aí, por volta de junho ou julho fui, juntamente com o Betinho, para o Uruguai.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Loc/ Madrugada. O Congresso Nacional decide. O Brasil está sem presidente. Começa a ditadura. Cidadão Valdir Pires (* Quando deu este depoimento, era ministro da Defesa, no governo do presidente Lula. Em 1964, era Consultor-Geral da República. Fugiu junto com o Chefe da Casa Civil, Darci Ribeiro). Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Valdir Pires: Nós fomos para o aeroporto as quatro da manhã. Três e meia para quatro horas, conduzidos pelo Rubens Paiva (* Então deputado federal, foi preso e assassinado pelos militares numa sessão de tortura e até hoje os restos mortais dele não foram encontrados).

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Continua Valdir Pires: Ele (Rubens Paiva) tinha inclusive já selecionado uma moita onde nós nos deitaríamos, durante a madrugada, para o dia amanhecer. Quando o dia amanhecesse, o avião obteria licença para fazer uma viagem até Anapolis (* cidade de Goiás perto de Brasília). Era um teco-teco de lona. Uma vez que seria autorizado para ir, como foi, para Anapolis, nós fomos na direção do Mato Grosso, na fronteira com a Bolivia. Lá nós chegamos, descemos no campo e lá ficamos aguardando outro avião, que levaria combustível para a continuação da viagem ate São Borja (* Cidade no interior do Rio Grande do Sul, onde já estava o presidente João Goulart, fugindo para o vizinho Uruguai). Mas este avião não chegou e como ele não chegou, nós nos dispersamos. E nós dormimos ali, na fronteira da Bolivia com o Mato Grosso.

Golpe de 64 – Brasilien gestoppt

Gilberto Gil, Frei Beto, Charf, Aldo Arantes und Valdir Pires sagen, wo sie am 31. März 1964 waren. Der Tag, der die brasilianische Militär putschte, stürzte der Präsident, Tausende von Menschen verhaftet, viele von ihnen gefoltert und sogar getötet. Sind historische Beweise von einer Zeit, die noch am Leben ist in Brasilien, wenn auch traurig, 50 Jahre nach Speicher. Das Radio-Dokument ist in der Originalsprache, Portugiesisch in Brasilien.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Loc/ Golpe de 64. O Brasil interrompido.

Tec/ Bg música tatatá-tá-tá, imitando rajada de metralhadora.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Tec/ Vinheta “É da sua conta!”

Tec/ Bg música tatatá-tá-tá, imitando rajada de metralhadora.

Loc/ Madrugada. O governador de Minas Gerais (*Magalhães Pinto) começa três operações simulâneas: Silêncio, nas Comunicações. Gaiola, para as autoridades. E Popeye, deslocamento de tropas.

Tec/ Vinheta “Trocando em miudo.”

Loc/ Forças Armadas dominam a situação. Exigem a renúncia do presidente. (*João Goulart).

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim… pra nunca mais…”

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I’m not crazy … it’s little

If I shot part ot the whole

Of this heart of mine

Brainless.

I’m not little … it`s crazy

If I pop the kernels

Of this heart of mine

Jumbled.

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I’m not crazy … it’s either

If I try to shoot at the middle

Of this heart of mine

Rested.

I’m not crazy … it’s meager

If I start at the very core

Of this heart of mine

Pregnant.

I’m not this … neither I try

To extract anything from my mind

Of this heart of mine.

(All of this just leave from me. Well well.  Without shot I don’t put cuffs on dominant point. No intimacy with  comma, exclamation or interrogation. Much less in the attached reticents. Point for me is only one. It’s like a shot in my heart. A singleand ready . This is the end, my beautiful frien. Just a point.)

https://mamcasz.com/2010/09/10/sept-11-in-god-we-trust-sera/

http://wp.me/pBsZ2-1Kr


Dia Internacional da Mulher

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 One kiss, Super Woman! 
You show your breasts,
And aliments the Life,
Immense , in your hunger
… of Love.

Um beijo em ti, Mulheraça!

Tu mostras os peitos

E alimentas a vida

Nesta tua imensa fome

… de amor.

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Two kisses, Super Woman!
You perspires on hips,
To reap the fruit, 
Hurt, you’re a boss
… of the Family.

Dois beijos em ti, Mulheraça!

Tu suas as ancas,

Colhes o feijão do dia,

Nesta tua casa onde  és a chefe

… da família

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Three kisses, Super Woman!
You take a punch,
Devolves whisper
In the bed, petal

 … of Flower.

Três beijos em ti, Mulheraça!

Tu levas um murro

Devolves sussurro

Neste teu berço onde eras uma pétala

… de flor.

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Moral

Super Woman!
You support son, husband,
 Dog and the parrot
Resonates in the mirror:
 Are you still the most beautiful woman
…of the World? 

Mulheraça!

Tu sustentas filho, marido,

Cachorro e papagaio.

Mas Tu te lembras da imagem no espelho

Desta você mulher mais bonita

… do mundo?

And so…


In this your  day,
 Super Woman!
 A kiss
 From the size of your accuracy -
 Correct,
 Given past,
 Present and future.

Então…

Neste teu Dia internacional, Mulheraça,

Aquele beijo do tamanho

Da tua precisão.

From Eduardo Mamcasz (Poet and Zen)

Bariloche by G.Dutra

A caminho da Patagônia

Agora, me ouça, Mulheraça:

http://www.radiotube.org.br/audio-3480J58J3SmiQ

Veja tão bem:

Em 2010

As minas de atitude

https://mamcasz.com/2010/03/08/dia-da-mulher-as-minas-de-atitude/

Pra não dizer que não falo de flores

https://mamcasz.com/2010/03/07/dia-da-mulher-pra-nao-dizer-que-nao-falo-de-flores/

Em 2011

Mensagem às mulheres de boa fé

https://mamcasz.com/2011/03/06/mensagem-as-mulheres-de-boa-fe/

Em 2012

Bom Dia, Mulheraça.

https://mamcasz.com/2012/03/07/bom-dia-internacional-mulheraca/ 

Especial para você, Mulher Negra: 

http://radios.ebc.com.br/em-conta/edicao/2014-03/em-conta-homenageia-mulher-negra

 And now, a big kiss for you, my Florzinha

madame no saara 2 by mamcasz

Cleide de Oliveira, minha mulher,
brincando de criança no deserto do Saara.

Bom Dia!


Sobre o meu encontro hoje com o Tom Waits no metrô de Brasília

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 Sabadão aqui na Ilha, Brasília, sol a pino, oito da matina, coloco um galho de arruda na cueca e vou à luta.

Na meta traçada a ida primária, de metrô, ao Na Hora, tirar a primeira carteira de velho.

Explico-me. Na Hora, serviço público que atendia, tempos idos, de acordo com o termo: Na Hora.

Carteira de Velho. 65 anos (estou com 66). Primeira,  porque, em sendo assim, não paga taxa.

É que nem o primeiro sutiã. Aprendi isso com a avó da mina da Firma:

– Para arranjar um amor na vida, coloque um galho de arruda no sutiã.

Continuando:

Primeiro Ato.

A pé vou aqui de casa, Madame já servida à cama,  até a estação do metrô da 12 Sul, linha direção Central. No guichê:

– Bom Dia.

Nada de volta. Boto uma nota de cinco. A funcionária pública ranzinza, enjoada, menstruada, menopausática, devolve-me o ticket (vale por dois dias) e o troco de três reais (uma nota de dois e duas moedas).

Segundo Ato.

Vou do guichê ao primeiro de uma série de obstáculos na forma de roleta. Ai que saudades de Berlim, onde não existe roleta nem cobrador, só o motorista dizendo:

– Bom Dia!

Terceiro Ato.

Metrô limpo, bonito, cheiroso (sábado sem o cheiro do povo) mas demorado (a cada 20 minutos) até porque fica três minutos parado em cada estação, a ver navios, diria eu na Praça Mauá, no Rio, duas da madrugada.

Quarto Ato.

Chego à Central (Rodoviária do Plano Piloto), passo pelo povo cheirante que dorme à sombra da pilastra depois de mais uma noitada regada a crack barato e incestuoso, noto nas barrigas inchadas das meninas envelhecidas rapidinho por demais nesta vida.

Quinto Ato.

Entro no Na Hora (nos tempos idos, mais limpo e muito mais educado). Na primeira das filas, para pegar a senha, passo pela guardinha do SERVI.

– Bom Dia!

  E ela:

– Aquele guichê ali!

Vou. Penso em Vida de Gado com o Tom Zé.

– Bom Dia!

– Ainda é divorciado? Trouxe a certidão? Trouxe a velha? (a carteira de identidade antiga, soube na hora de quase partir pra porrada porque Madame ainda é uma jovem). Espere ser chamado naquele canto ali, naquela Tv ali, para ser atendido na Sala C.

– Sala Seis? – resolvo perturbar a empáfia do funcionário bem remunerado de Brasília.

– Sala C.

– Seis?

– SEIS!!! não me confunda. SALA C !!!

Sexto Ato.

Não é cesto não, seu analfabeto. Na Hora! Espero quinze minutos, isto porque está relativamente vazio e tenho a senha C751 – Preferencial.

– Plim!Plim! Aparece a senha e a sala:  Seis? Não, cara, é C. Ah. Guichê 72.

Vou, né, que nem gado preferencial. Entro.

– Pode sentar. Cuidado para não cair porque a cadeira está um pouco quebrada.

– Bom Dia!

– Trouxe a certidão de divórcio e a velha?

– Não. Eu vim sozinho. E se não responder meu Bom Dia, te mando à MERDA!!!

– O que é isso meu senhor. Isto é falta de respeito à autoridade. Pode ser preso. Leia o cartaz ali. Não admito, blá-blá-blá.

– Vai te foder, funcionariozinho de merda!!!(penso comigo, bem baixinho).

 Sétimo ato.

Vinte minutos depois de endereço, cpf, que nome é este, e o de tua mãe, termina com ypsolon por que? Nasceu em Ponta Grossa, é? Fotografia. Levante o peito. Feche a boca. Ponha os dez dedos aqui. Por que? Digitais, meu. Ih, teu nome está errado aqui no arquivo. Está Mancasz. E a velha (identidade) aqui está me dizendo Mamcasz. Que nome estranho é este? Polaco… Ah… Pronto, acabou.

– Pego a nova aqui mesmo?

– Ainda não. Continue com a velha!

– Mandam pelo correio, que nem nos tempos antigos,  quando Na Hora era Na Hora?

– Tem que vir buscar aqui.

– Senha, espera de novo e tudo, sem Bom Dia no teu não vai nada não?

– É, polaco. Tudo muda. Para pior. Te pira daqui.

– Bom Dia!

– PRÓXIMO!!!

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Oitavo ato.

Refaço o caminho. Nem dá gosto de partir para um caldo de cana com pastel na Rodoviária do Plano, como fazia em dantanho tempo com a namorada da hora,  alta madrugada de Brasília. De volta ao guichê para novo ticket:

– Bom Dia!

– Quantos?

– Um Bom Dia só está bom para mim.

– PRÓXIMO!!!

Espero vinte minutos pelo próximo metrô. Chega o da Samambaia. Ainda bem. Porque a linha Ceilândia  passa no Condomínio Sol Nascente, a maior FAVELA do Brasil. Pelo IBGE, acaba de ganhar esta posição ao ultrapassar a grande ROCINHA, do Rio. Agora, vamos ao motivo da foto:

Entro. Sento-me. No vagão reservado aos homens de verdade. Aguardo uns minutos. O alto fala:

– Olá,  senhor usuário (?). Bom Dia!!!

– BOM DIA É O CARALHO. SÓ AGORA ME RESPONDE? AINDA POR CIMA PELO ALTO-FALANTE? VAI TE FODER. PEGA ESTE BOM DIA E ENFIA NO…

A reação dos que estavam por perto foi a de no imediato se levantarem à procura de novas cadeiras no vagão ao lado. Até entendo a reação. Eles não sabem a causa. Eles são rebanho. Eles são o povo. Zé Ninguém.

 Melhor ainda. Pelo seguinte. Quando a porta do vagão já ia fechando para a viagem de volta, acontece o seguinte: entra um velho, esbaforido, tipo meio louco e mais um pouco. Penso. Vai sobrar para mim. Não dá outra. Senta ao meu lado:

Good Morning, my dear Polack. How do you in this beatiful sábado de manhã here nesta Ilha de merda?

– Bom dia!!!

E logo após esta automática resposta, olho para o elemento e eis de quem se trata:

– My dear Tom Waits!  What are you doing por aqui, porra, meu. Vem cá. Me dá um beijo na boca.

– Sai para lá, polaco. Kiss outro ess, meu.

Melhor ainda. Tom Waits, em resposta, simplesmente começa a cantar no meu ouvido. Assim, ó:

– Sane, sane, they are all insane. The fireman´s blind. The conductor´s lame.

– Claps hands, polaco. Claps hands.

– Son of bitch!

– O que?

– OK?

– Tá indo para onde, meu caro Tom Waits?

– Going to Ceilândia ( Land of CEI – Centro de Erradicação de Invasões) with a pistol on my jeans.

– De jeito nenhum. Tom Waits. Primeiro vamos descer aqui na 12 Sul. Tomar umas caipirinhas em casa. Tirar Madame da cama. Ela te ama. Escutar todo o teu  RAIN DOGS, ao vivo, de tua boca do Harlem direto para este meu ouvido polaco bahiano. I don’t stay here, meu. I wana to go back to Bahia. 

– Let´s go, polaco.

– Porra, quem diria, cara. Canta outra vez aqui no meu ouvido:

https://www.youtube.com/watch?v=SWJvohfCCdk

Observo ao final:

Este conto pouco louco ou louco pouco conto  ou pouco louco conto, vai para meu grande amigo Flavinho (Flavio Mattos), que (quem) tem a coleção mais completa de Tom Waits do que a minha, com autógrafos e tudo, e também porque estou devendo a entrega a ele de mais um cardápio internacional, este encontrado ao passar numa faixa de pedrestre, na chique Rue de Montaigne, em Paris, neste Natal, e o cartaz lá no asfalto, o tempo suficiente para me abaixar, pegá-lo, que os carros estavam prontos para avançarem para cima dele que, aliviadíssimo da vida me suplica:

– Me leve para o Flavinho!!! (S.V.P.)


Minha homenagem  aos 460 anos da cidade de São Paulo e a todas as pessoas amigas que estão dentro dela.

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Eu chegado, via Congonhas, Brasília no bilhete, quinta feriado, converso na janelica do pré-acertado, tem cartão de crédito, bandeira dois, destino Vila Madalena, 39 reais.

– Por onde o senhor deseja ir ?

No invisível, escuto o samba paulista “somos quase vizinhos , fazemos o mesmo caminho, vem me dê sua mão”, de Fica mais um pouco  amor, do italiano Adoniran Barbosa. Por mim, senhor chofer de vampiresca classe, desde Dom Cristóvão, (1) que cobra acima do ético do menino que, virá a saber no meio do rio, quase se afogando, devido ao peso da tarifa, ser o próprio Deus.

– Vamos por onde, meu senhor polaco, orra,  mas o cara fala, meu!

Traio minha condição sisuda de ser. Pela casa do Carvalho, chegue à Vila Madalena, Heitor Penteado com Pompéia, no Fran’s Café. Aliás, senhor matador da minha noiva Iracema (2), na hora da conta, preste atenção ao lado esquerdo, pouco abaixo do seu adormecido arremedo, onde tem dois livros de Buckowsky (3). Aconselho-os para suas horas de folga, no coçar do físico, de volta ao Morro do Piolho (4), ao rememorar a exploração deste portador de visual da Vila do Progréssio (5).

Belo começo de semana enclausurado no Anhembi numa tal de XI Unctad (6) ( um o que?) dois, cara, quer dizer, muito mais, seis mil burocras, includo presicas e ongueiros . Encontro uma comitiva de dois, do Reino do Lesotho. Converso de quando passei naquela negra montanha, incruada em território branco e africano. Lembro do tropeçar à beira do despenhadeiro por conta dos acenos que me fazem, não as mariposas de Jaçanã (7), mas dezoito inocentes pés de maconha, já do óleo liberados e nem tão secos para serem desprezados.

– Mas onde é que estamos mesmo, meu senhor?

– Sei lá, seu “Mânforo” (8). Eu vivo de passagem, pago na vida sempre adiantado, o tempo está bom, a capital melhor sem o paulistano, lá embaixo na praia, domingo a revoada do milhão e meio no maior orgulho gay do mundo (9). É. São Paulo não consegue parar. Vila Madalena. No buraco tem o beco estreito e as muralhitas de azuleijo que espantam os grafiti . Que pena Adoniran , no lugar do composto, tivesse pichado os vazios das malocas. Ao observar os tatus (10), ele teria no certo, no samba do Arnesto, inserto o “domingo nóis fumu no azur” (11). E obrado na torcida excluída de pardos paulistanos que adentram a estação da Sé (12). Tomo coragem e parlo:

– Meu nome é Rubinato (13).

– Carma, Iracema, o chofé não tem curpa. Paciência! Paciência! (14)

Olha o breque !

Abstenho-me de personagens nesse paulistano passar, até do anfitrião. Relatos factuais ameaçam futura permanência nas retas escadarias por onde escorregam ratos disformes e ladrõezinhos alimentadores da boca a meio caminho do Sumarezinho à grande Madalena. Pena sejam tão céleres. São ratos que dividem com tatus de credos e cores disformes o mesmo quedar ao metrô que, cá para nós, funciona de maneira mais limpa do que a forma com que foi construído.

De volta ao relato de minha passeada paulistana. Paraíso (15) , bate a vontade de desviar de linha para uma visita à amiga minha da Santa Cecília (16). Não a santa rainha dos músicos. A padroeira dos gays. Qual nada. Deságuo no Tietê, o maior terminal … que mania … o bandeirante não viu o dos mexicanos. Tento o guichê para Valinhos, onde mora o amigo Charutinho (17). Penso em subir a Bragança e visitar tia Aline em Atibaia. Ou passar na Casa da Sogra (18). Vence a sina : o suor danado no desarvorado Parque do Anhembi.

Cena terminal no Tietê :

– NÃO dê esmola !

– NÃO seja camelô pós linha branca !

– NÃO coma pizza requentada!

– NÃO pegue táxi fora do ponto !

Em protesto à retidão paulistana, promovo o curvilíneo :

SIM !

Dou um real à caiçara invalidada pelo herói bandeirante.

SIM !

Compro cadarço à porta do elevador que desce para a Cruzeiro do Sul e nele dependuro meu crachá da ONU (19).

SIM !

No Shopping Estação, como pizza fria com café preto.

SIM !

Aceno ao táxi acabado de ser passageiro. Entro correndo. Tem recibo. Um pulo até o Anhembi, pela Olavo Fontoura, hoje menos policiada. Faça a ronda no balão e quebre no farol perto das biroscas.  Pronto, cheguemo, diria mestre Adoniran. No retorno da noite, pelas dez, a carona no ônibus da TV Nacional. Passada a ponte para Bom Retiro, apeio no intento de rever Armênia(20). De gravata e roupa de gringo , ultrapasso a passarela sobreterrânrea. Dobro à direita na rampa. Visualizo personagens do Abrigo dos Vagabundos (21). De costas, não me sentem. Falta-me a iluminação. Acelero pela lateral. Passo. Enxergam-me na quebrada à esquerda.

– Ô doutor !

Respiro em terra firme, pequena praça, o corredor obscuro formado pelas bancas de camelôs completamente arriadas. A distância se agrava. É relativa em momentos tensos. Ao longe reluz a claridade do acesso à estação que me seduz.

– Um real pra gente !

De soslaio, mais dois passos em frente, sem sacolejar:

– Tá mal. Tô sem nenhum !

– Se o doutor não tem um real, então quem vai ter neste País.

Embarafustado pela roleta-catraca do metrô, enfio o bilhete de 10, pisca-me de volta o cinco, subo a escada rolante e aguardo o trem Jabaquara-Paraíso-Madalena. Penso. Vou convidar para o mesmo trajeto as personas reunidas no Anhembi. Imagino o trio real da passarela numa task-force de commodities, comércio justo, dumping, progresso auto-sustentável, fair-trade e até o Gil (22)na defesa da necessidade da retomada do caminho da possibilidade de uma utopia.

– Não recrama, João, a chuva só levou a tua cama (23).

Cuido do retorno a Brasília servido de típicas lembranças paulistanas: famosos potes do alto da Moóca (24), marmita do tradicional arroz com feijão e um torresmo à milaneza (25) e outra cadeira lá na Praça da Bandeira (26). Arrumo tempo e passo na casa do Nicola, no Bixiga, na rua Majó (27). Converso com o Joca na Saudosa Maloca na Rua Aurora (28). Sinto que lindo , Eugênia, é o viaduto de Santa Ifigênia (29) e rebeijo a mariposa na Rua dos Gusmões (30). Sim. Não posso ficar nem mais um minuto com você(31). Na pressa da hora acertada retorno ao começo deste relato no espaço clamado Congonhas. A última rodada no metrô, do Tietê a São Judas, o mais perto do aeroporto. Só alguns quarteirões. Nem sete reais. Pois vou. Estou apeado na rua diante do único táxi do ponto. A felinesca chofer garante que emagreceu 37 quilos. Tem codinome. Pafunça (32). Pede tempo para botar o cadeado no telefone. Abre o porta-bagagem. Não entra mais nada. A cara dela.

– Deixa eu pagar antes o corte do cabelo do meu filho. É no caminho.

Ele tem 16 anos. Dez reais. Onde já se viu. O pai dele é taxista. Ganha bem. A gente é separado. O juiz mandou ele pagar 600 reais

de pensão. Até hoje não pagou. Alô, meu filho. Já estou voltando. A gente divide um comercial. Arranjei advogada conhecida . Vai cobrar 900. Acontece que ainda gosto dele. Encontrei outro.Um amor de pessoa.Quer filhos. Alô, amor, hoje não vai dar. Já operei. Penso até operar de novo. Dá uma pena dele. Mas não vai dar certo. Gostomesmo é do pai do menino. Tô com uma pena de cobrar a pensão na justiça. Não é para mim. É para o filho. Gosto dos dois. Quer dizer. Dos três…

Chegamos. Dezenove reais e trinta centavos. Deve ter cobrado por palavra. Dou vinte. A história valeu. Sincera. De gorjeta canto

para ela o trecho final do samba Maria Rosa, do Adoniran Barbosa. Ouçamos juntos. Alô, meu marido. Não. Que cobrar coisa nenhuma. Injustiça é eu estar longe de você. Eu é que te devo. Um beijo, meu moreno! Taxímetro desligado, revira-se para o meu lado, estou no banco da frente, muito l-e-n-t-a-m-e-n-t-e, e proclama: Canta, meu branco !

O carnaval passou.

Levou minha rosa.

Levou minha esperança.

Levou o amor criança.

Levou minha alegria.

Levou a fantasia.

Só deixou uma lembrança.

Constato, no ato de me livrar dos sobejos da saliva – em troca da pena fica a serena sensação do lábio mordido – que ainda me sobram três horas pro vagar antes do embarque imprevisto. Traço meu pedaço na área do estresosso Congonhas. Confiro que, no perímetro interno do terminal, cerveja em lata sai a quatro reais. Ultrapasso a avenida pela passarela. Lá vem outro causo. Dobro à direita. Disputo a calçada esburacada, estreita e conturbada. Paulistas me insistem que Brasília não presta porque não tem calçada. Prossigamos. Após a passada pelo pardieiro, dormida a 15 reais, três horas, é só subir a escada a la penumbresca, estaco diante uns cocos verdes fincados numa estaca na esquina em frente ao posto de gasolina. Um real e meio, guardanapo, pastéis de bauru na hora, includo a massa. O sonar contínuo dos motores. Suportável seria não fora a gripe e os bilionésimos de miligranas de fuligem a perturbar minhas narinas, pois as tenho ao par. Sento-me ao banquinho de plástico branco e limpo. Faço justiça no acréscimo do informar.

Sorvo vagarosamente, no opósito do ritmo intenso do trânsito tão ao gosto do paulistanesco folclore de pisar nos freios para aumentar os quilômetros do engarrafamento. Aspiro a segunda tragada do líquido ao gosto de beira -mar. Preparo-me para a terceira. Aproxima-se um típico ancião, bonezinho xadrez, cabelos branquíssimos nas laterais, o próprio italianinho que me parece, no ato, chamar-se Arnesto (33).

Muito íntimo :

– Hy mister, can you give to me your beautiful hair?

Vero…

– Fôra eu gringo, meu siciliano, não estaria aqui tomando água de coco pós uma rápida esprimidinha ali na esquina. Está premo na questão de traduzir agora mermo. Esprimidinha é um copo de cachaça barata com meio limão esprimido em cima. Custa setenta centavos. Tomei duas.

– Sou polaco!

– Polish o catzo. O senhor é suiço. Não adianta negar. E eu quero o seu cabelo de presente. Now!

Vero…

Não apresso o passo, pois não debando, e nem exagero o devagar. Longe de mim o escalpo na quarta maior cidade do mundo. Atravesso de volta a passarela. À procura da compostura. Reassumo minha dita personalidade gringa. Subo à francesa a escada encaracolada do saguão central de Congonhas. E me dirijo à Sala Vip do Cartão de Crédito. Opto pelo chá misto Momento de Acordar.

Ingredientes : folha de chá-mate, casca de laranja doce, casca de limão, casca de canela e funcho.

Acesso-me à Internet. Uso os quinze minutos a que tenho direito de fama para fazer este relato do fato. Com permisso, vou ficando por aqui. O tempo expira. Nada me inspira. Por fim, expirro. É a gripe.

– Nunca vi gringo suiço escrever deste jeito.

– Nem eu.

Saio, calmamente, direção portão 3. Finalmente, o quase embarque de volta à minha ilha.

– Polish!

– Ih! lá vem o italiano.

– See you latter, friend!

– Me too, Arnesto.

Ao fundo, no falante paulistano, Adoniran me debocha:

– No ortro dia , encontremo co Arnesto, que pediu descurpa, mas nóis num aceitemo.

Sem pisar nos breques, acrescentei pra Matilde (34) :

– Nóis vai mais vorta!

RODAMÃO (é que nem rodapé)

(1)- São Cristóvão.

Diz a lenda que São Cristóvão fez promessa de carregar pessoas de uma margem à outra de um rio, porque não tinha ponte nem barco. Um dia, uma criança pede que a atravesse. Seu Cristóvão coloca- a nos ombros e entra na correnteza. A certo ponto, estranha o peso fora do comum da criança .”Você parece estar carregando o mundo!” A criança lhe responde: “Erraste de pouco. Carregas aquele que fez o mundo.” Por isso, é invocado padroeiro dos motoristas que transportam pessoas pela cidade.

(2)- Iracema.

Nasce de uma notícia de jornal, em 1956. Mulher atropelada na Avenida São João. De fato, foi na Consolação. Letra e música de

Adoniran Barbosa :

“ Você travessou na contramão a São João / vem um carro e te pega / e te pincha no chão/ Você foi pra assistença….”

(3) – Charles Bukowsky.

Autor da beat generation. Dois livros presentes na Livraria do Frans’s Café da Vila Madalena. 1 -Tales of Ordinary Madness (Erections,Ejaculations, Exibitions and General Tales of Ordinary Madness).

2-Play the Piano Drunk / Like a Percussion Instrument / Until the Fingers / Begin to Bleed a Bit.

(4) – Morro do Piolho.

Bairro da Liberdade, Rua Tamandaré. Tudo fictício. Aparece em Histórias das Malocas,1955. Radiocontos de Oswaldo Molles. Adoniran é o desocupado malandro, morador do Morro do Piolho, pronto para mais uma viagem pelo mundo dos humildes.Certa vez, decide fazer uma eleição . A urna é roubada. Noutra, os moradores procuram emprego. Todos de uma vez. Só encontram um. Para ocupar essa vaga, escolhem Charutinho, o mais preguiçoso e vadio da turma.

(5) – Vila Progréssio.

“Progréssio/ Progréssio/ Eu sempre escuitei falá “ – dizia uma das músicas do Adoniran. Era a vila chique dos brancos, a Vila Progréssio. O edifício arto é o encurvado Copan. O café da manhã é no TIB.

(6) – XI Unctad –

Décima-Primeira Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, de 11 a 18 de Junho de 2004, no Anhembi, São Paulo, junto com o Forum da Sociedade Civil.

(7) – As Mariposas.

Música composta em 1955 por Adoniran Barbosa em que o autor faz um jogo de palavras entre as voltas das mariposas-mulheres da vida em torno das lâmpadas-homens:

“ Eu sou a lâmpida / E as mulher são as mariposa/ Que fica dando vorta em vorta de mim.”

Jaçanã, presente na música Trem das Onze, antiga Guapira, aberta em 1913, para ir ao Asilo dos Inválidos, ramal de Guarulhos, Estrada de Ferro da Cantareira.

(8)- Mânforo.

Jogo de palavras com Cristófaro que, em greco-latino, quer dizer aquele que transporta o Cristo, ou seja, Cristóvão. No caso, aquele que leva o Mam, apelido do autor, ou melhor , aquele que transporta o relato do fato.

(9)- Parada Gay.

São Paulo, Brazil, Jun. 13 (UPI) — More than 1 million people marched in Sao Paulo s gay pride parade Sunday, breaking the world record for such an event. Acording to police estimates 1.1 million people flowed through the city s main thoroughfare — Paulista Avenue — waving rainbow flags and signs celebrating the 8th edition of the parade.

(10)-Tatus.

Os que vivem, trabalham ou usam o metrô.

(11)- Azur.

A linha 1- azul do metrô de São Paulo, a Norte-Sul, ligando Tucuruvi a Jabaquara. Adoniram compôs Uma simples margarida (samba do metrô). E no Samba do Arnesto, ele canta “nós num semo tatu”.

(12)- Sé.

Centro histórico da capital paulista, a praça e a catedral. É o centro nervoso , único ponto de cruzamento das linhas Norte-Sul e Leste- Oeste do metrô. Por ela passam vertentes e tendências do urbano e do suburbano.

(13) – João Rubinato é o nome de batismo de Adoniran Barbosa.

(14)- Iracema.

Parte final da música Iracema, quando a letra é declamada.

(15) – Paraíso.

Estação do metrô conde cruzam a linha 2- verde, Ana Rosa-Vila Madalena, com a 1.

(16) – Santa Cecília.

Outra estação de metro, na linha 3- vermelha que cruza, na estação da Sé, com a linha azul.

(17) – Charutinho.

Valinhos, no interior paulista, porque foi onde nasceu Adoniran. No programa escrito por Osvaldo Moles, História das Malocas. Adoniran faz um personagem . Chama-se Charutinho,nome do presidente do Corintians, na época.Um trecho, de 1955:

“Maloca onde a riqueza é um pedaço de fome/ é um pacote de gemido/ Maloca…/ onde eu cresci de teimoso que sô/ Mais esburacada que tamborim de escola de samba em Quarta-feira de Cinzas/ Onde a gente enfia a mão no armário e encontra o céu/ Onde o chuveiro é o buraco da goteira.”

(18) – Casa da Sogra.

Rádio Record, 1941, Osvaldo Molles fazia o programa Casa da Sogra. Ele foi o parceiro da vida toda do Adoniran Barbosa. Em 1964, desgostoso, preferiu se matar. Foi mulher…

19) – Crachá da ONU.

Para poder entrar no Anhembi, só com o crachá fornecido pela ONU que, por desorganização, estava sem o dependurador, daí a

necessidade do cadarço. No caso, cor abórbora, o par custou um real.

(20)- Armênia.

Estação do Metrô, linha 1 , entre Tiradentes e Tietê. Junto à igreja ortodoxa da comunidade dos armênios.

(21)- Abrigo dos Vagabundos.

Numa das músicas Adoniran oferece sua maloca aos “vagabundos, que não têm onde dormir”. E coloca o título Abrigo de Vagabundos. Foi em 1959, no começo de uma nova maloca (favela, invasão) na Mooca.

(22)- Gil.

Ministro da Cultura, Gilberto Gil. Na reunião da Unctad, foi eleito pelos jornalistas presidente do MSL – Movimento dos sem Lead.

Significa que não se aproveita nada do que ele fala, na hora de escrever a reportagem. Não existe um começo. Meu compadre Turiba é o assessor dele.

(23) – Não recrama…

Outro trecho do personagem no programa de rádio História das Malocas. Foi depois de uma enchente que levou toda a maloca-favela embora. No caso do João, ele havia perdido só a cama. Este João, na verdade, seria ele mesmo, nascido João Rubinato.

(24)- Potes da Mooca.

Na música Abrigo de Vagabundos tem o trecho“Eu arranjei o meu dinheiro/ trabalhando o ano inteiro/ numa cerâmica/ fabricando potes/ no alto da Mooca”. Meu anfitrião foi criado no pedaço e ainda se lembra.

(25)- Torresmo à milaneza.

Nome da música composta por Adoniran, em 1979, em parceria com Carlinhos Vergueiro, onde diz:

“E você, Beleza,/ o que é que você troxe?/ Arroz com feijão / E um torresmo à milanesa / Da minha Tereza”.

(26) -Praça da Bandeira.

Letra do samba de Adoniran, composto em 1974, Vide verso meu endereço, quando diz que “ O dinheiro que você me deu,/ comprei cadeira / lá na Praça da Bandeira.”

(27)- Nicola e Rua Majó.

Aparecem no Samba do Bixiga, composto junto com Nicola Caporrino:

“Domingo nóis fumo  num samba no Bixiga

Na Rua Majó, na casa do Nicola.

Mezza notte o’clock, saiu uma baita duma briga

Era só pizza que avoava, junto com as brajola.”

(28)- Saudosa Maloca.

“Se o sinhô não tá lembrado/dá licença de contá/que aqui onde agora está/esse edirfiço arto /era uma casa véia /um palacete assobradado” A casa fica na Rua Aurora. Cine Áurea, O Joca, na verdade, se chama Mário, mas afinal, Mário não rima com maloca.

(29)- Santa Ifigênia.

O Viaduto, inaugurado em 1913, liga o Mosteiro de São Bento à Basílica de Nossa Senhora da Conceição, a “igreja dos sinos quebrados”, porque nunca toca na hora certa. No samba do Adorinaran:”Venha ver, Eugênia/como ficou bonito/ o viaduto de Santa Ifigênia. Está tão lindo que eu acho, ninguém vai morar embaixo”.

(30)- Rua dos Gusmões.

Um dos sambas mais escondidos de Adoniran:

“Por ela sou capaz, de atravessar, a Rua dos Gusmões, lendo Ali Babá, e os 40 ladrões…”.

(31)- Trem das Onze.

Famoso trem que, na verdade, não existe. O último sai às 20h30m.

(32)- Pafunça.

Uma das desconhecidas musas de Adoniran. Resta na letra :

“O teu coração sem amor se esfriou,/ se desligou,/até parece, Pafunça,/ aqueles elevador,/que está escrito/ “num fununcia /e a gente sobe a pé! /é pra me judiar, Pafunça, / nem meu nome tu pronunça.”

(33)-Arnesto.

Virou nome de samba de Adoniran. “O Arnesto nus convidô / prum samba ele mora no Brás/ nóis fumo não encuntremo ninguém.”

(34)-Matilde.

A mulher de Adoniran. Mathilde de Lutiis. Casou em 1942 e com ela viveu 40 anos. O primeiro casamento foi com Olga Rodrigues, com quem teve a única filha, Maria Helena, criada pelos tios.Matilde aguentava tudo. Mas brigava quando ele chegava de madrugada. Daí surgiu o samba: “Joga a chave, meu bem/ aqui fora tá muito ruim”.

“AGORA NÓIS VAI MERMO E NÓIS NUM VORTA MAIS”.

Eduardo Mamcasz

São Paulo – SP – Brasil – 25/Jan/2014

Original em:

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=10632&cat=Contos&vinda=S


Zero hora deste dia 11 de 1 (1+1+1=3).

Eu me completo 66 (6+6=12=3+3+3+3).

Então somos 5 vezes 3 igual a 15 (1+5=6=3+3).

Já somos sete três (7 vezes 3 = 21 = 2+1 = 3).

Juntos, passamos a oito vezes 3 = 24 (2+4=6=3+3).

Ultrapassamos então dez três de uma vez.

Igual a 33 ( 3+3=6).

Pronto.

Neste dia eu faço 66 anos de ida.

Sexagenário e meio.

O futuro, sei lá.

O passado, foi este – uma bola.

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Inté e Axé!

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