julho 2014



Ele separa o Brasil dos privilegiados dos despossuídos.

Coluna de rádio “Trocando em Miúdo”.

Eduardo Mamcasz.

Chamada:

Este paraibano-pernambucano, que morreu na semana passada, em seus 16 livros de poesia, romances e peças de teatro, mostra a importância da luta do sertanejo nordestino pela dura sobrevivência na parte do Brasil mais pobre.

suassuna samba

Para ouvir, clique:

http://radioagencianacional.ebc.com.br/cultura/audio/2014-07/obra-de-ariano-suassuna-mostra-desigualdade-social-do-pais

Script:

Vinheta de Abertura

Muito se falou e escreveu sobre o grande escritor brasileiro, Ariano Suassuna, que morreu semana passada. Separo na prosa de hoje alguns pontos econômicos das peças mamulengas e repentistas que ele escreveu ao longo da vida. No livro mais famoso, o Auto da Compadecida, ele lembra que o Brasil, na verdade, é dois países distintos de fato. O país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

BG voz Suassuna: “Hoje está melhor, mas quando eu era jovem, o povo brasileiro tinha uma opinião muito ruim de si próprio.”

Já no livro o Rico Avarento, ele conta a história do coronel que emprega Tirateima, um rapaz humilde que o vê negar até comida aos pobres e mendigos. Até que um dia o coronel avarento recebe a visita do chefe do inferno que informa. Todo mendigo a quem o coronel negou comida na verdade era Cristo testando a bondade, quer dizer, sua maldade. O pior é que o coronel nordestino conseguiu domar os cães do inferno, e tentou comprar a entrada no céu, e ficou no meio do caminho, o purgatório.

BG voz Suassuna: “Eu vim aqui hoje dizer um bocado de coisas pro senhor que não vai gostar. Então eu disse: não diga. Você mesmo sabe que eu não vou gostar.”

O melhor da parte social de Ariano Suassuna, acho que está mesmo no discurso feito por ele na posse na Academia Brasileira de Letras. Sertanejo nascido no interior da Paraíba, mas tendo vivido a maior parte da vida no Recife, ele lembra que a maneira de se vestir, meio do sertão, indica ser ele um escritor pertencente a um país pobre e convocado por uma sociedade injusta. É a tal da diferença de classes. Tanto que ele homenageia o que chama de Brasil real, o dos arraiais do sertão e as favelas das cidades. E arremata:

Quase tudo o que possuímos é trabalho da nossa gente rude e boa, forte e sadia, que vive no vasto e desafogado ambiente saneado pelo sopro ardente das secas.

BG voz Suassuna: “Havia um desprezo generalizado pelo Brasil. Os próprios brasileiros tinham um complexo de inferioridade.”

Ele aproveita então para atacar os parasitas das cidades que vivem de bolso vazio, tristes e enfezados, “vencidos da vida”, porque temem o sol e desamam a terra quente e fecunda, onde dormem tesouros perenes, reservados aos que mourejam com brio e coragem.

BG voz Suassuna: “Eu tenho uma admiração enorme pelo nosso país e pelo nosso povo.”

Antes de morrer, Ariano Suassuna, e aqui fica esta pequena homenagem, ainda declama:

suassuna velorio

BG voz Suassuna: “Eu não pretendo morrer não. É uma coisa que não está na minha pretensão. Agora, eu não sei se a morte aceita a minha teoria.”

É muito difícil vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

Então, tá.

Inté e Axé.

Vinheta de Encerramento

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1 –  Acesso, com senha, New York Times. Recebo uma oferta. Pesquisa ampla nos arquivos, por um mês, de graça. No Credit Card.

nyt

2 – Ao mesmo tempo, atendo o celular. Uma voz malemolente de carioca desperto com o fim da Copa tenta me convencer a ter acesso aos arquivos do Globo Online. E joga conversa fora da bacia.         

       nyt glogo                                                                                                       

E eu:

– Tô sabendo aonde o mano quer chegar.

E ele:

– Nada disso, deixa eu terminar que você vai entender. Só para conferir. Seu endereço é mesmo …

E eu:

– VTNC, Asa Oeste, Brasília.

E ele:

– Aí não tem nome de rua, né? Sua data de nascimento é mesmo…

E eu:

– 12 de junho de 1984.

E ele:

– Bem novo… Pois então, por apenas R$1,90, no primeiro mês, acesso ilimitado “grátis”.

E eu:

– De graça por 1 e 90, cara?

E ele:

– A partir daí, por seis meses, 14 e 90 no lugar de 19 e 90.

E eu:

– Só assim vou poder acessar minhas reportagens dos tempos em que trabalhei em O Globo, no Rio, de onde saí, puto da vida, para ser hippie em Cacha-Pregos.

E o fdp:

– Não falei? Olha o lucro.

Moral: se fora esperto, diria:

– Pois me mande as datas que a gente manda o link desses arquivos de cortesia.

Depois de uns dez minutos, dei trela, sempre avisando, ele cria coragem:

– Se tiver duvidando, vamos acessar juntos a internet em

http://www.oglobodigital.com.br

Depois de uns dez minutos, dei trela, sempre avisando, ele cria coragem:

– Se tiver duvidando, vamos acessar juntos a internet em

– Agora, não dá porque a internet está caindo a toda hora desde que a Copa acabou.

– Então, vamos fazer o seguinte. Preciso apenas de um número, da sua conta no banco, ou do cartão de crédito, tudo seguro, apenasmente para…

Interrompo o carioca do Globo Online e retruco, peremptório:

– Apenas, digo eu. VTNC!!!

E desliguei, suavemente, para não quebrar meus aparelhos.

Mais um detalhe: ao mesmo tempo, um hacker estava me zapeando e fez um TED pelo BB, no valor de R$3.400,00, que consegui reverter a tempo. Com nome, CPF, número da conta, banco e tudo. Jones Paraiso Ribeiro, Cidade Ocidental, Goiás, CPF 135.702.376-64. Conferiu na pesquisa que fiz na Receita Federal.

É… a Copa se foi.

Bom findi.

A novela continua no próximo capítulo com as providências tomadas para bloquear a conta no Banco do Brasil (por telefone, fechado das 23 às 7 horas). Bloquiei o que pude pela internet. E né que o FDP do hacker tentou, por telefone, desbloquear, às quatro horas da madrugada.

E eu:

– Esta p… não fica fechada para atendimento das 23 às 7 horas da manhã?

Depois eu conto. Agora, estou curtindo os arquivos do New York Times:

http://www.nytimes.com/interactive/2014/07/15/world/middleeast/toll-israel-gaza-conflict.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&version=HpHeadline&module=a-lede-package-region&region=lede-package&WT.nav=lede-package&_r=0