março 2013



Deusa Natureza!

Dai-me o tempo de festa – verão –

E do repouso – viram?

Dai-me o tempo das folhas secas,

Galhos tortos, noves-fora,

Recomeçar do quase-nada.

*  * *

Deusa Natureza!

Dai-me o poder de remover torres,

Mares e bobos sonhos :

Ser viril na ternura de um Chico de Assis

No sermão desolado da montanha

De entulhos e bagulhos.

*  * *

Deusa Natureza!

Dai-me o milagre da multiplicação das palavras.

Que elas instiguem nas crianças

O distante reino dos céus,

Reafirmem a decisão de malhar o Judas,

E justifiquem a intenção de crucificar de novo o velho Cristo.

* * *

Deusa Natureza!

Dai-me o entendimento desta minha dupla convivência:

– Qual dos dois – Cristo ou Judas – ocupa

Uma cadeira vazia no bar,

Um vazio na gente?

Nesta idade, pessoa,

Às vezes, sou um mini homem dileto,

Noutras muitas, um super rato discreto.

*  * *

all-by-mamcasz (3)

*  * *

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Deusa Natureza!

Dai-me um tempo

Para continuar sendo aquilo ou isto

Judas ou Cristo –

Insisto –

Mesmo que eu durma com o Diabo

E com o Deus, na mesma lama,

Ou que amanheça por entre as Madalenas,

Caifás, Pilatos, Herodes, Marias,

Ou mesmo Dimas, o bom –

Qual era mesmo o nome do mau ladrão?

* * *

Deusa Natureza!

Dai-me a vontade de mesmo no roubo

Na força eu ser bom,

Do começo ao fim.

E depois, ressuscite o santo, de mim

Decantado das cinzas ao vento,

Desde que eu continue, no fundo,

Sendo sempre aquilo ou isto,

Judas ou Cristo.

*  * *

flor by mamcasz

*  * *

Deusa Natureza!

Dai-me a certeza do retorno,

Na forma de pássaro no arco-íris plantado

Para que eu possa cantar para alguém,

Mesmo que somente para mim,

Um retumbante Hallelluya.

* * *

Deusa Natureza!

Dai-me um Ovo de Páscoa

Que na duvidosa placenta de vida

Da gema renasça, por encanto,

Isto ou aquilo.

É o que mais desejo.

Sinceramente, deste teu

Cristo, mesmo que Judas.

Amém!

*  * *

Eduardo Mamcasz, Poeta Quase-Zen.

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Feliz Páscoa!

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Sábado na matina, sol lindo cá na ilha, fantasio o torresmo com a branquinha, cadê o caldinho, mulata Luanda?

– Polaquinho, minha florzinha. Hora de acordar.  Ir prá rua. Trotar. Emagrecer. Já!!! A não ser que você queira que eu vá, eu mais este corpicho, sem você para Praga em maio. Vá!!!

Madame by Mamcasz

Na prima volta ao redor das duas quadras ditas super, tudo bem. Por ora, aqueço o joelho direito, na hora da pontada do esporão do calcanho esquerdo. Daí, esqueço o aqueço, a cabeça  a rodar, pensamentos nunca sanos. Diminuo o passo. À frente, a jovem manceba. Bom jingado. Ritmo bem ancado. Apesar do colega, também aborrescente, no papo desestruturado. E ela prá ele e eu ali:

– Pois noutro dia eu fui no médico e ele disse que eu estou com alto estrésse.

E eu, sem querer, incontido polaco, replico, em voz alta:

– Auto com  u ou alto com éle?

O futuro pretenso, duvido, não leva jeito, casal de pombinhos, se vira e …

– É alto estrésse com éle, polaco intruso, e você tem o quê com isso?

E vieram para cima de mim, suado, amuado, polaco, ainda bem que, agora, por ora, aquecido o suficiente para apertar o passo. E a manceba, agora atrás de mim:

– Polaco, mostra aqui pro meu rápa capoeira a diferença entre éle e u.

Daí… polaco esquecido, ainda bem que aquecido, do passo  ultrapasso para o trote.

Na subida da entrequadra, diminuo o trote, o casal  pré-estressado distanciado,  escuto o grito advindo do bar do Carioca, que não se chama Manoel, mas Zé, de Zeferino:

– Polaco. Tá correndo da Madame, é? Mariquinha. Se fosse macho vinha aqui pruma branquinha e o torresminho da Luanda.

Em defesa da lídima honra polaquiana, máscula por natureza, aparentemente não mais persequido nem por madame e muito menos pelo capoeirista,  sôfregoeu me desvio  para o lado dos coleguinhas jornalistas, ô subrraça, é assim mesmo que se escreve?

– Sei lá, polaco, sou teu copidésqui por acaso? Bebe a segunda, vai.

– Manda outra. Mais uma pro santo. Péra aí. Tá telefonando prá quem?

– … Madame?

Saio na corrida outra vez. Preciso de um novo suor urgente. Esta modernidade de telefone com imagem instantânea, em movimento, me deixa sempre puto da vida. Sou mais eu na fila do orelhão:

– E aí, morena, vai ligar pro cachorro, vai? Precisando de ficha? Qualquer coisa, é só dizer…

Moral do Lero

Os putos dos coleguinhas jornalistas do bar do Carioca perdem feio a sacanagem que aprontam comigo. Chego em casa, esbaforido, lanhado mas, o mais importante, suado de montão. Madame me recebe:

– Polaquinho. Olha só o que teus amigos pinguços me mandaram.

E eu, todo cabreiro, auto-estressado, com u, porque controlo pelo interesse do momento – que foi?

– Que bunitinho você correndo. Acima do que eu tinha mandado. Era só para trotar. Que gracinha.

Abro aquele riso enorme, mas silencioso, a tempo de ouvir um senão que Madame sempre tem:

– Agora vai tomar banho porque este teu suor está fedendo a cachaça da semana passada. Vai que eu estou, Madame nunca fala “tô”,  preparando uma salada verde.

Aparentando felicidade tamanha, debaixo do chuveiro, ruminando fictícia grama, acho gana para cantar:

– Eu não sou cachorro nãooooooooooooooo…….

homem-by-mamcasz