agosto 2011



Está acontecendo um grande movimento no Facebook no Brasil.

Tem gente fechando os olhos para não  parecer com a Primavera Árabe.

É o Egito, Tunísia, Líbia, Síria e Israel no Caminho das Indias.

Falo do Movimento NAS RUAS.

Dia 7 de setembro.

 Dia da Independência (de quem?), às duas da tarde.

Está ficando mais acirrado ainda com esta foto.

Deputada Jaqueline Abduzida.

Filha de Joaquim Roriz, Arruda e Luís Estevao.

 Alguns títulos postados na replicagem no Facebook:

Alessandro Oliveira:

E aí, alguém confortável?

Teresa Barbosa:

 Uma imagem vale mais.

Amanda Kesia:

Quero só ver se o povo do meu Brasil  vai organizar caravana.

Convocação Geral. 14 horas do dia 7-9-11.

Marcha contra a Corrupção e a Impunidade.

Estão convocados os cervejeiros, craqueiros, beatas,
vadias, margaridas, sem teto, sem rumo, sem prumo e sem
 vergonha.

Ufa, cansei de marchar.

Então, vale o protesto do sofá, não pode ter dono, nem alvo.

No Brasil todo, dia 7, dito da Pátria que nos pariu.

Nas  14 horas, donde estiver, diga um palavrão:

1. 2. 3. 4.  Cinco mil!

 Queremos que esta turma vá para a

 puta que pariu!

Pronto, depois de velho, volto a cantar.

“Que país é este que junta milhões numa marcha gay,

outros milhões numa marcha evangélica,

 muitas centenas numa marcha a favor da maconha,

mas que não se mobiliza contra a corrupção?”

********

Projetar Brasília para os políticos que vocês colocam lá é como criar um lindo vaso de flores para vocês usarem como pinico.

Brasília nunca deveria tersido projetada

em forma de avião e sim de camburão.” 

 ( Oscar Niemeyer, 103 anos de idade.)


Éramos uma turma porreta fazendo Dodescaden.

Nos trilhos dos bondes de Santa Teresa, no Rio de Janeiro.

Agitando na redação de O Globo.

Queimando a pele em Saquarema.

Aprontando umas e outras, no Lamas.

Ou em sórdidos botequins destinados a jornalistas.

Acontece a turma a cada tempo diminui,  a olhos vistos.

O mais recente.

Meu querido Riomar.

Por Jorge Oliveira

Portugal. É madrugada aqui no Estoril. Ah, madrugada!, por que não eis eterna? A sensação de deixá-la me decepciona, porque você leva os garçons, fecha os botequins, assusta as mariposas, anuncia as manchetes e nos deixa na lama, na mais perdida lama dos seus apaixonados, minha querida madrugada!

Choro, choro muito. E vou chorar, berrar, gritar até tentar encontrar a razão racional do desaparecimento, do sumiço… da dor. Ando trôpego na madrugada pelas calçadas portuguesas das ruas do Estoril, depois de beber a morte do da “Da Fronteira”, o meu querido amigo Riomar Trindade, cantar as suas músicas prediletas, soltar o grito de guerra dos indignados e revoltados e ouvir palavras meeiras de consolo dos amigos portugueses.

É madrugada no Lamas, na Marques de Abrantes. Dentro do bar, as portas de ferro que se fecham, fecham também a madrugada e nos deixa inconsoláveis. Oh, madrugada, nossa companheira, por que você nos abandona tão cedo, ingrata madrugada!

O Fernando, gerente, impaciente, espera pela saída do último freguês, quando à mesa, o Riomar, sempre o Riomar! (desculpe o exagero das exclamações), grita: “Maia, a saideira, porra”. À mesa, o Moacyr, eu, Monteiro, Rosa, Pipoca, Alencar, Auler, Severo, Pauletti, Álvaro, Suely, Fátima, Guida, Ancelmo, Totti, Mandin, etc. etc. também defendem o último uísque.

E a saideira, meio a contragosto do Maia, é servida, porque o gaúcho da fronteira, que chegou ao Rio no início da década de 1970, se posicionava feroz e determinado. De vez em quando até perdia uma briga, mas voltava para o campo de batalha sempre para ganhar , era um vencedor.

Riomar Trindade foi tragado pela intolerância, pelo desrespeito patronal. Morreu de angústia, de desespero, de tédio, e frustração. Há dias, numa conversa por telefone, ele me revelara que fora demitido da EBC sem direito de defesa. E estava magoado: “Foi sumário, ninguém sequer me ouviu. Apenas me mandaram embora. E agora? Na minha idade, tu sabes da dificuldade que é arrumar emprego”. Esta é, sem exagero, a causa mortis do Riomar: o desemprego, a ingratidão.

Trindade, com quem dividi apartamento muito tempo no Rio, trabalhou comigo na JCV, em Brasília. Quando deixou o Correio Braziliense, ficou na empresa durante um tempo degravando os depoimentos do meu filme Perdão, Mister Fiel. Terminou o trabalho exemplarmente. De lá pra cá, nos vimos pouco, até ele voltar para o Rio, onde foi morar num apartamento em Copacabana, única propriedade de uma indenização trabalhista.

Volto a chorar…

O sentimento de dor é de acabar agora esse artigo. Tento me ajeitar, me aprumar, respiro fundo, procuro o desfecho de tudo isso, mas resisto: quero muito escrever sobre o meu querido amigo. É difícil, as lágrimas descem com muita velocidade, uma cachoeira…preciso parar.

É madrugada no céu. Alguém quebra a rotina e anuncia aos berros a chegada de um visitante. Oh, madrugada, você novamente, não percebes que a tua beleza imparcial, neutra (não és noite nem dia!) contamina os nossos corações boêmios?

A porta do céu se abre e os anjos anunciam:

– Por favor, entre Riomar, a casa é tua”.

Riomar Trindade, matreiro, polêmico, desconfiado, segue a passos lentos pelo corredor iluminado, vigiando o ambiente com os olhos verdes esbugalhados, para sua nova moradia eterna, quando o guardião do céu, um velho barbudo, parecido com Deus, estanca à sua passagem e pergunta.

  • Filho, o que estás carregando nesta pequena sacola?

  • A madrugada, Deus!


Este samba, vai para os detratores e delatores desta Ilha, Brasília.

Aos que a dizem Seca e Árida, quiçá inté  Áspera.

Só se for na Esplanada dos Mistérios.

Ou na Praça dos Podres Poderes.

Onde eu moro, parte sulina: 

 


Pois é assim, seca braba no cerrado, agosto cá na Ilha.

Por que então não pegar um barco.

Uma da madrugada, mais nada:

Som de primeira e bebida.

Na ida e na volta.

Da lua.

 


Para me ouvir clique abaixo:

 http://snd.sc/nV3jzt

 

A massa de renda da mulher   cresceu 68 por cento.

A renda dos homens,  43 por cento.

E a mulher que teve melhor ganho nestes anos foi

 justo a que subiu para a  nova classe média C. 
 

 

Marcha das Margaridas.

Não se trata da flor, mas de dona Margarida Alves,

 assassinada pelos usineiros de Alagoas, em  83.

 De lá para cá,    algumas vitórias:

Foi reconhecida a profissão de trabalhadora rural.

Ela não precisa mais se registrar na Previdência Social como doméstica.

Outra vitória conseguida pelas margaridas : o acesso à terra.

Elas conseguiram a titulação da terra em nome dos dois que formam o casal,

 independente do gênero.

Na primeira marcha, em 2000, elas eram

contra a fome, a pobreza e a violência.

Hoje, 2011, as margaridas querem:

  autonomia, igualdade e … liberdade.

Então, tá.

Inté e um axé a todas as margaridas.

Ah… textos de Cora Coralina, tá? Aquilo que era Margarida do Campo.


Neste  seco domingo  do cerrado, pego minha velha sogra.

– Velha é a tua mulher,  já disse.

E a convido para uma passeiozinho básico pela Ilha.

Começamos pelo Templo da Paz LBV:  cristal, fonte e energia.

– E tem anja  embuchada meu genro?

Repassamos para a Toca do Indio.

Subimos e descemos a rampa.

Exposição Séculos Indígenas no Brasil.

Quadro do Ailton Krenak.

– Que coisa meu genro, feito por índio, num foi?

E seguimos juntos pela grama ressecada de agosto.

– Escreva aí, Mamcasz meu genro, de braços dados!

Só me largou na hora de sentar ao lado de dona Sara K.

De Oliveira, que nem a bela raça toda dela.

– Mas olha só o rendado da blusa da moça, meu genro.

Toca em frente, entra aí na Fonte dos Namorados.

– No meu tempo, ela era iluminada, colorida e musicada.

Dava até gosto namorar na Brasília azul do Miguelão.

Toca para o  Palácio da Alvorada.

 Entra antes na Feira da Torre, viste?

Jaz na frente da casa da dama dona Dilma:

– Mas ô molé  mal encarada esta bicha, num é meu genro?

Andamos na grama na beira do Lago Sul.

Almoçamos comida mineira na Vila Planalto.

Foi a única hora que não consegui ver a minha sogra.

O prato dela estava acima dos meus olhos de tão cheio.

E daí então voltamos para casa, qual o que, mané.

Te assunte, meu genro,  para a Exposição na Caixa Cultural:

Memórias Perdidas.

Escreva aí, meu genro:

– Uma bênção.

Escreva a senhora.

– Donde?

Aí no livro de presença.

Ói ela escrevendo:

– Uma bença!!!

Moral do Lero

Sabe esta sogra velha aí na foto?

– Velha é a tua mulher, já disse.

Pois ela tem 88 anos de idade. Nasceu em 1922.

Está de volta a Brasília.

Prá quê?

Prá começar vida nova ao lado deste genro.

E dá uma risada.

Ufa! de volta para minha casa amena.

 Meia hora depois a hóspede arremata:

– Pois num tá na hora de ir prá Qermesse do Buda?

Apaguei no sono…

Ô raça.

Se não bastasse a filha, tem a sogra.

As duas querem me matar.

Socorro!

 


Eu, galã, ofereço meus préstimos neste Dia dos Pais.

Sou carinhoso com a mãe e com a criança.

Em especial neste festivo domingo.

Preparo o lanche da filha.

A sobremesa da tia.

A janta da patroa.

Cobro pouco.

Pelo muito.

Use-me.


   

Tá rindo, é, moleca necessitada e carente de um afago paterno?

 Mas o lero de hoje se deve a um fato deveras ocorrido.

 Colega aqui no trabalho da tarde na produtora.

 Tem filho num colégio de freiras marocas.

 Ela acabara de ouvir o seguinte:

 “ Domingo é o Dia dos Pais e tem festa na escola.

 Notamos que o teu filho não teu pai, onde anda?

 Mas o filho tem pai, onde está ele, com a outra.

 E você deixou ele escapar, agora arranje um e já.”

 Moral da prosa rasa:

 Por duas horas, no domingo, estou Pai de Aluguel.

 Aproveito para mandar a Noiva de Gesus à merda.


Minha sogra velha está de volta.

 – Velha é a tua mulher!

Oitenta e oito anos de bateção de perna.

De volta para este genro que ela adora.

– De onde você tirou isso?

Com ele, quer dizer, eu,  ela começa uma vida nova.

Vamos   passear no domingão  na Esplanada dos Mistérios.

– Escreva aí. De braços dados.

Museu da República.

E ela:

– Nova ou Velha?

Exposição: Terra Brasilis.

Na subida da rampa, ela me puxa o cotovelo:

– Esse cara não tem onde dormir não?

E eu:

Tem toda a Esplanada só para ele.

E ela:

– Ah… deitado eternamente em berço esplêndido:

 

https://mamcasz.wordpress.com/2011/08/03/gente-hoje-eu-estou-tao-feliz/


Passo a tarde plantando grama na casa nova da minha sogra velha.

Ela está chegando de volta neste sábado na flor da idade.

Oitenta e oito anos.

Diz que quer recomeçar a vida  ao lado deste vosso genro.

Mas como estava falando, estava eu, hoje, plantando grama.

Desde Caminha que, em se plantando, todo mundo dá.

E né que estou de volta ao meu ninho na parte sul desta Ilha.

Pronto para começar minha sexta na maior.

Caipirinha no capricho ancestral.

Limão em quatro um pedaço para cada ponto cardeal.

As pontas, que amargam, vão pro santo.

Enfia no … seo Mamcasz, grita Exu.

Tá certo Ele, mas não enfio Eu.

E por que tô puto?

Recomeçando.

Passo a tarde plantando grama.

Sol candango de 30 graus e secura de 20.

E chego cá no meu ninho na parte sulista da Ilha.

Conforto do Faceorkut e o escambau.

Só para ver esta puta provocação.

No meu tempo de Santa Teresa, no Rio, no ato diria:

Um caminhão é bão.

Bão praquê?

Prá encher de mulata e ir pros ensaios.

Só tem um porém que me estraga esta noite de sexta.

Esta porra do caminhão da Mecedez-Benz não tem carroceria.

– E daí?

Daí, meu, que vou levar as mulatas donde?

– No colo, véi.

Moral:

Caiu a ficha.

 Vai um gole aí da minha famosa caipirinha?

– Topo.

– És mulata?

– ???

– Nem imitando beicinho …

– Ide!

– Pronde?

– Quer mesmo ouvir, manezinho?

– Lógico …  vou pronde?

– Prá puta qui pariu !!!


Lindo

Tão lindo

Tá tudo lindo

Tá tudo tão lindo

Tô tão tudo lindo

Tá todo mundo lindo

Tô tão gente e lindo

Tão todos tudo tão lindo

Tão bem que eu tô lindo

Também sempre foi assim tudo aqui tão lindo

                  Talvez amanhã até fique no muito mais lindo…                                         


Muito do interessante.

 Quando jovens, Estela, Vanda, Patrícia e Luiza

morriam de medo de gorila.

 Hoje, mais velhas, ainda morrem do mesmo medo.

 Não é a toa que los latrinoamericanos nos chamam de

 Los Macaquitos Brasileños…


The piss and blood from the beggar in Brasilia, Brazil


     

Sabe aquele mendigo que levou porrada que deixou sangue na calçada aqui perto donde trabalho numa área nobre aqui da Ilha?

https://mamcasz.wordpress.com/2011/06/15/brazil2-se-puder-nao-volte/

E hoje estou TÃO feliz, por que?

Porque hoje de manhã eu passo pela mesma calçada onde ele levou tanta porrada, de madrugada, e olha quem eu vejo ali deitado eternamente em berço esplêndido. O próprio mendigo. De volta ao lar, não mais sem teto, tomara que não lhe caia na cabeça. E numa área nobre, cercado pela burguezia dos Colégios Militar, Marista, Sacrossantésimo Coração da Maria, EBC e tal.

 

Só não sei se estou tão ou mais feliz do que o mendigo.

É que ele acaba de dar um show, aqui na porta da TV.

Cantando rock’n’roll, man.

Longa vida ao meu mendigo.