dezembro 2010



 

Bom Ano Novo Vida Nova Gente Boa  

 

Eu posso ser ou não ter

ano novo tão bem vida nova

mas se nos nove fora der quase nada

mesmo que  eu naufrague na ilha da virada

continuemos  eu e você  neste meio que periclitante 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                          

Eu posso ser ou não ter

ano novo tão bem  vida nova

mas se nos nove fora der quase nada

mesmo que eu sucumba na praça do embora

enfrentemos  eu e você  os anônimos inoperantes

  

  

Eu posso ser ou não ter

ano novo tão bem vida nova

mas se nos nove fora der quase nada

mesmo que eu desapareça nos becos do sem fim

nos veremos eu e você nas penumbras do esperante

   

 

 

 

 

Eu posso ser ou não ter

ano novo tão bem vida nova

mas se nos nove fora der quase nada

mesmo que eu vire poeira cósmica do infinito

ressuscitemos  eu e você  no saudoso estilo triunfante

   

Eu posso ser ou não ter

ano novo tão bem vida nova

mas se nos nove fora der quase nada

mesmo que eu ascenda  degraus amortecidos

abracemos  eu e você  o você do eu incandescente

 

 

 

 

 

 

 

Eu posso ser ou não ter

ano novo tão bem vida nova

mas se nos nove fora der quase nada

mesmo que eu pise no solo da marciana lua

juremos  eu e você  sorver igual gosto triunfante

 

 

 

m

  

  

 

Eu posso ser ou não ter

ano novo tão bem vida nova

mas se nos nove fora der quase nada

mesmo que eu tenha menos do que  preciso

dividamos eu e você mais do que o  sobretudo

multiplicado do impreciso e adicionado  improviso

  

 

 

  

 

  

Eu +  Eu devemos

bem lá na frente

em dezembro

deste 2011

nos ver

 

 Inté e

axé

 

 

Mamcasz

Zen & Poet

New 2011

 

 

Pense … ainda não está proibido!!!

 

 

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              Adoro Clarice Lispector.

             Hoje, ela estaria fazendo 90 anos aqui ao meu lado.

            Daí, eu  me lembro dela me dizendo ao ouvido naquele érre intervocálico nasalado que me deixava todo teso:

             Eu gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.

              Eu tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

              Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

               –  E daí?  Eu adoro voar!

                Então eu acordo.  Abro os ouvidos. Só para escutar um monte de merda de um  bando de analfabetos funcionais.

                Uma pena que tenham tirado minhas asas.

               – Liga não, ô polaco.

               – Quem taí?

               – É o Noel:

                É tudo João Ninguém

                Não têm ideal na vida

                Além de casa e comida

               Nunca se expôem ao perigo

               Nunca têm um inimigo

              Nunca têm opinião

             Gente. Eu também quero entrar nesta roda com  o meu novo sambinha.

             Diga lá, Oscarzinho:

             Daqui para a frente.

             Vou parar nos cafés para ouvir historinhas

            Coisas da vida

            Que um dia vão ter que mudar.

           ( Do Samba “Tranquilo com a Vida”.  Letra de Oscar Niemeyer, 103 anos ).

           Antes de sair, acabo de me lembrar de uma das minhas primeiras idas de estagiário de jornalismo, no Rio, O Jornal, faz tempo.

           Copacabana Palace, lançamento de disco do gringo Sérgio Mendes.

           Na varanda, lá pelas tantas, olhando o mar, o Jorge Amado, o Oscar Niemeyer e este estagiário embabacado de tudo. Entalado de vez.

           Daí, o Niemeyer se vira para mim e propõe:

           – Tá vendo aquela ilha lá no fundo? Vamos ficar calados, nós três (tinha o Jorge…), só para ouvir o som da água batendo na areia fina que dá uns acordes mais suaves que os das Bachianas do Villa Lobos. E ficamos …

          Moral

         Volto para a redação, Rua do Livramento, Santo Cristo,  todo borrado de felicidade. Levo o meu primeiro furo de reportagem mas quase perco o futuro  porque não tinha nada para escrever. Ficamos os três (eu, Jorge e Oscar) só ouvindo o som que vinha daquela ilha.  Ah… e bebendo uísque.  E ainda contei isso para meu sargentão primeiro chefe de reportagem.       

         Não é a toa que acabo de ler num livro do Celine, Viagem ao Fim da Noite, que o melhor da vida da gente é sempre a reminiscência.

         Inté e Axé!

             


 

Vendo minha alma

Pede-se preço bom

Até porque o corpo

Não é + promoção


Por que tanto cacarejas,  galinha?

Pergunta Constâncio.

Por que não te calas?

Retruca-me Perpétua:

Só porque  o ovo não sai do teu?


Perpétua me pede que lhe rompa o hímem.

É a minha parada.

Desço do ônibus.

Sozinho.

Ela continua.

Virgem.

Do sempre

Constâncio