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 Foi só eu pensar neste Natal (Joyeux Noël) em Paris, por conta da premente necessidade de recuperação das horas paradas na frente do pensamento, eis que recomeço a receber mensagens do além oceano Atlântico:

 –  Bonjour monsieur Mamcasz.

–  Bom dia!

– Je suis Alexandre, votre chauffeur a Paris, qui remplace Jean-Paul. Enchanté de faire votre connaissance.

 Se não fora pelos camembert,  beaujolais e baguetes, tem ainda o jeito carismático do falar. Eu estou encantado de poder vos conhecer. De faire votre connaissance. Eis um dos muitos motivos que me levam a passar  outro Noël de novo em Paris, mon amour. E a forma como se despedem no escrito:

 – A très bientôt. Bien cordialement, viste, meu rei?

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 Pelo citado, referência merecida ao Monsieur Jean-Paul. Nosso chauffeur antigo em Paris. Na primeira vez, levei a ele o Cd Duplo 100 anos de Frevo no Brésil. Noutra vez, um CD do Borguetinho.  E chega a resposta, depois da apresentação do novo motorista porque ele, Jean-Paul agora está aposentando: “Une autre vie commence pour moi et mon épouse… maintenant cést le repos, les voyages, la détente.” E me devolve o amigo parisiense anos já passados:

 Je ne vous oublie pas, j’ai beaucoup aimé votre gentillesse, votre contact humain, j’écoute souvent les CDs de musique traditionelle brésiliene que vous mávez offert. Je vous remercie pour votre grande amabilité.

 – Qué isso, mon cheri amigo Jean Paul. Se estiver em Paris, vamos tomar aquele vinho juntos. Eu, vous, votre épouse e, bien sûr, notre Madame.

 – Bien cordialement mesmo…

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Onde ficarei, pardon, ficaremos, moi e Madame, neste Natal, em Paris? Uma única exigência. Perto da Rue Daguerre por conta da passage de pedestres, da loja de vinhos, do ponto dos frutos do mar, da bagueterie na porta de casa, do pequeno mercado, do fromage. Ah. Em cima de uma estação de metrô, aliás, uma das 380 que existem a partir de 1.900. A casa de sempre não está mais à disposição alheia. Portanto, a mais próxima aparece pelo Airbnb. Um dia antes da ida:

– Vous arrivez demain, mon petit Manzinho! J’imagine que vous avez deja l’adresse et ma….

E Madame France, a dona, com minha ficha em Praga e Buenos Aires, também replica:

 – Bonjour.

– Bom dia, madame. Na saída, posso ficar até seis da tarde, por causa do avião?

– Monsieur Mamcasz.

– Sou eu.

– Je vous fais confiance et pas de check out. Vous n’ aurez qu’à laisser les clefs dans l’appartement et claquer la porte em partant. Je ne serai em France à partir du 27.

– Pour moi, tudo bem, Madames.

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Pois então. Tem vários lados esta moeda. Primo pela confiança. Mútua. Depois, pela dó que dá em fechar a porta em despedida. Um bilhetinho e uma lembrança, do Brasil, em cima da mesa. A casa mais limpa de quando chegamos. Foi isto que escreveu depois a menina hospedeira em Praga.

E, finalmente, a saudades que dá, a caminho do Charles de Gaule, com o mesmo chauffeur. A lembrança dos códigos que abrem a porta da rua, do jardim e do prédio. O número do telefone. O código de acesso à Internet. Banda larga de verdade. Ah. E o de antes, quer dizer, de agora, porque estou no quase saindo daqui para Paris. 

 – Alguma coisa aqui do Brasil, fique à vontade.

 A resposta de Madame France, um bijous:

 – Je veux bien que vous nous apportiez du soleil et un peu de chaleur!

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 Por sinal, no áudio agora me encanta Monsieur Rufus Wainwright, em Complainte de la Butte, cantando isso:

– Petite mendigotte… Je sens ta menotte… Qui cherche ma main

Só falta o discípulo de Leonard Cohen me dizer:

– Bon voyage, Monsieur Mamcasz et Madame aussi.

http://musica.com.br/artistas/rufus-wainwright/m/complainte-de-la-butte-2/letra.html

https://clubedeautores.com.br/book/156311–BIOGRAFIA_DE_UMA_GREVE#.UrRCx_RDtuo

 

 

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        “Biografia de uma greve” relata, em 30.627 palavras, os quinze dias de uma árdua parada, em novembro de 2013, sustentada debaixo de chuva e de sol intenso, em Brasília, Rio e São Paulo, por 874 “guerreiros” da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, pressionados por 431 chefes.

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         Escrita pelo velho jornalista Eduardo Mamcasz, autor de vários livros, trabalhador da empresa desde 1980, este registro do cotidiano da greve vai dos piquetes nas portas da empresa aos atos na frente do Palácio do Planalto, e às passeatas pelas ruas centrais das três capitais principais.

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(Photo by Christiane Saú DAgostinho)

          Para os interessados no movimento grevista, este livro desnuda o confronto CUT versus PT e o comportamento ditatorial, nas negociações, por parte de companheiros que, há pouco anos, eram tão agressivos quanto no lado hoje adotado por eles na carapuça patronal capitalista.

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(Photo by Fabio Pozzebom)

         Esta biografia, finalmente, mostra os variados momentos psicológicos, que vão do enfrentamento dos colegas fura-greve ao desânimo diante da intransigência dos gestores estranhos aos quadros efetivos da empresa, culminando na vera catarse do voto final e soberano da assembleia.

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Boa greve, desculpe, ótima leitura.

 Obrigado pela companhia solidária.

Para ler 20 páginas de amostra grátis ou para comprar, clique abaixo:

https://clubedeautores.com.br/book/156311–BIOGRAFIA_DE_UMA_GREVE#.Uquc9FtDvlh_

Photo by Mamcasz 006


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Na sede, em Brasília, a greve começou assim:

http://www.youtube.com/watch?v=3N9c_I3eG5k

Por uma nova EBC

com amanhãs de

mesma luta

nova imagem

mesma luta renhida

nova imagem refeita

mesma luta renhida no tempo

nova imagem refeita no espaço

mesma luta renhida no tempo da vida

nova imagem refeita no espaço da sorte

mesma luta

nova garra

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 mesma luta

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mesma luta

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mesma luta 

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mesma luta 

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Video by Felipe Leite Costa – EBC NA Esplanada

https://www.facebook.com/photo.php?v=677858578893521&set=o.194059373945685&type=2&theater

EBC-Empresa Brasil de Comunicação.

É quem as BBC (Inglaterra), RFI (França), RTE (Espanha) ou Deuch Well (Alemanha).

Para uns, são empresas públicas. Para outros, governistas.

 Há casos em que se tornam partidárias.

De qualquer forma, são  financiadas pelo Estado, ou seja, pelo Povo, chamado de Público.

 

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GREVE DA EBC 2013.

Ultrapassando os dez dias.

Participação efetiva do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Assistência de São Luís (Maranhão) e Tabatinga (Amazonas).

 Quase dois mil empregados concursados, dos 20 aos 70 anos de idade, com 1 a 40 anos de casa.

 Estão de fora, alegando questões ditas jurídicas e não de consciência, 409 gestores.

 A maioria absoluta, o que importa, na greve geral.

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Pare. Olhe. Agora, veja e escute as Vozes da Greve.

1 – Nosso Canto de Guerra:

http://www.youtube.com/watch?v=x7L9KusnRgE

 2 – Quem quer continuar a greve?

http://www.youtube.com/watch?v=tP8prSOKXVc

3 – Mais alguém?

http://www.youtube.com/watch?v=UvZ_VkIHGPg

Sindicatos do Rio

http://www.youtube.com/watch?v=lUT8FgTZKQg

Deputado Chico Alencar

http://www.youtube.com/watch?v=LKjsseBEnEQ

EBC RIO

http://www.youtube.com/watch?v=PckcTasbT7E

EBC SÃO PAULO

http://www.youtube.com/watch?v=-T3sB4juiek

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Nós  que levamos a EBC nas costas, no dia a dia, recebemos inúmeros apoios externos pela nossa greve, legítima, mas levada ao TST- Tribunal Superior do Trabalho – pela parte dita patronal, embora a empresa seja pública.

Vamos a alguns dos muitos apoios dados.

 Iniciando pelo CIMI – Conselho Indigenista Missionário.

Velho parceiro principalmente na Radio Nacional da  Amazonia.

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MST – Movimento dos Sem Terra

CUT – Central Única dos Trabalhadores

MCT – Movimento das Camponesas Trabalhadoras

Escute a lider catarina campesina Rosane Bertotti-

http://www.youtube.com/watch?v=02f0977n3t0

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Mais apoios para a Greve da EBC 2013

Deputada Érica Kokay. Deputado Padre Ton. Senador Eduardo Suplicy.

 CSP Conlutas e Sindicato dos Petroleiros. PSOL. ABGLT.

 Deputada Leci Brandão, filha artística de Cartola.

 http://www.youtube.com/watch?v=iasUdLfIDxI

Leonard

o Sakamoto

http://www.youtube.com/watch?v=5i0aVFngMxE&feature=youtu.be

Deputado Adriano Diogo

https://www.youtube.com/watch?v=S4LZ28i29t8

Ator Murilo Grassi

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=UwAvENlamOA

Jornalista Tim Vickery, correspondente da BBC no Rio:

https://www.youtube.com/watch?v=0wPe63Iz2do

Penúltima atualizada

CUT
FUP (Federação Única dos Petroleiros)
FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação)
Frente pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Fale-Rio)
LutaFenaj!
Oposição cutista dos radialistas de SP
FNP (Federação Nacional dos Petroleiros)
MST
SENGE (Sindicato dos Engenheiros)
AMARC (Associação Mundial de Rádios Comunitárias
CSP Conlutas RJ
ONG Olhar Animal
CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
Barão de Itararé

Erika Kokay (PT-DF)
Ivan Valente (Psol-SP)
Chico Alencar (Psol-RJ)
Markus Sokol (Membro Direção Nacional do PT)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Jean Willys (Psol-RJ)
Carlos Gianazzi (Psol-SP)
Paulo Teixeira (PT-SP)
Jorge Bittar (PT-RJ)
Leci Brandão (PC do B -SP)
Adriano Diogo (PT-SP)
Padre Ton (PT- RO)
Rapper Gog
Leonardo Sakamoto (ONG Repórter Brasil)
Latuff

Moral do lero todo.

Esta ODE À GREVE DA EBC 2013 rejunta  uma diferença  de quase meio século.

 De um lado, eu, jornalista, 65 anos de idade e 32 anos de casa. Pós em Economia Derivativa.

 Do outro, Christiane Saú D´Agostinho, RH, 25 anos de idade e 2 de casa. Pós em Gestão Pública.

 Esta é a grande vitória desta greve.

 Aproximou as pessoas divididas pela Avenida do Povo.

Isto gestor nenhum tinha conseguido.

 Por isso,  esta ode é a base do para breve documentário.

A  EBC  PAROU !!! 

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Imagem de gestos de luta

Imagem de gestos de luta (Photo credit: Wikipedia)


Buenas.

Llegamos a las 44 semanas,  20.562 visitas e  500 posts.

Tuvimos momentos de ternura, tiernos y tensos.

Paris, Curitiba, San Francisco, Salvador, Chicago, Porto Alegre e Berlin.

¿Yo?

El tren de la vida que ha ido, arriba y abajo,  yo en él.

¿ Ido?

Hay tantos fantasmas  en este corto período de tiempo:

Heleninha, Jardín, Tim Lopes, Nonato, Gaierski, Jonas, Osman, Arraes …

Tantos que ahora se me cayó la pregunta-pepino:

– Mañana, ¿quién habrá lágrimas?

– Amanhã, para quem serão as lágrimas?

Bãoces.

Chegamos ao final de 44 semanas, 20.562 visitas e 500 posts.

Tivemos momentos de ternura, ternos e tensos.

Estivemos em Paris, Curitiba, San Francisco, Salvador da Bahia, Chicago,
Porto Alegre, Berlim e até Garanhuns.

Do Eu?

O trem da vida de ida, subida e descida, sempre eu nele.

Do Ido?

São tantos os fantasmas neste  curto espaço de tempo:

Tia Heleninha, Joaquim Jardim, Tim Lopes, Antonio Arrais, Adriano Gaierski …

 

Momento mais tenso,  dia mais acessado.

4 de agosto de 2010.

Motivo esguio, sombrio, melífluo, subalterno, podre:

Dia do preparo da fogueira, da Inquisição, das Bruxas.

O Verbo quase levado ao Calabouço.

 Cala a Boca!

Nesta pausa dos 500,

aplico uma despedida especial.

Dedicada à colega Teresa Cruvinel.

Minha presidente neste período.

Aqui na produtora onde trabalho, na parte da tarde.

Impossibilitado de ditar o dito real lugar.

And so. Let`s Go.

One, Two and Três!

* * *

Illustrious Cruvinel.

Considering that we have met earlier,  professionally terms;

Considering that I never had to  ask you a personal favor;

Considering we’ve had our differences when I was in the Labour`s Commission;

Considering that I have accomplished the first strike in this public company;

Considering that the pressure I had  forced to removal  the Radio from the  unhealthy basement;

Considering that I was taken forced to  the Ethics Commission where we reached a mutual agreement;

Considering that you had  errors in sparse areas but successes in general;

And so, under the law, I order:

We’ll continue friends, respecting each other, and grateful.

Good Journey to you with your family, journalism, in life.

Sign and give faith.

MAMCASZ (Eduardo).

Brasilia, 11/11/01

Note:

Fresh from Paris, bien sur, au revoir, a bientôt, okay?

Preclara Cruvinel.

Considerando que nos conhecemos anteriormente e profissionalmente;
Considerando que nunca precisei, de fato, te pedir um favor pessoal;

Considerando que tivemos nossas diferenças quando estive na Comissão dos Funcionários;

 Considerando que conseguimos realizar a primeira greve na empresa;

Considerando que forçamos na pressão para a boa retirada do Rádio do Porão insalubre;

Considerando que fui levado atá à Comissão de Ética onde se chegou a um acordo mútuo;

Considerando que houve erros em setores esparsos e acertos no geral;

Determino que:

Continuaremos amigos, respeitando-nos mutuamente, e agradecidos.
E pelo que conheço, no passado, tenho certeza que houve amadurecimento da sua parte.

Boa Jornada, na família, no jornalismos, enfim, na vida.

Assino e dou fé.

MAMCASZ (Eduardo).

Brasília, 01-11-11

Observação: Recém-chegado de Paris, bien sûr, au revoir e a bientôt, tá?

Acontece que, inda bem, a vida continua.

Prumas, o ódio transmutado na vingança lenta.

Noutras, o amor contido no ímpeto da paixão.

Tal qual neste meu copo de vinho por uma poesia.

Bela simbiose num bar em Paris.

Palavras sorvidas aos goles soltos ao relento do vento.

Aqui traduzidas pela amiga Adriana Chaumier.

Professora de escola fundamental em Boujeval.

Mesdames et Messieurs

Pardonnez -moi pour mon français

Je suis un poète zen mais un brésilien

Pourtant, j`ai le pouvoir de penser:

Demain, il y a une nouvelle lutte

Mais aussi la même image

Une nouvelle lutte perdue

La même image de fête

Une nouvelle lutte perdue dans ma vie

La même image de fête dans ma mort

Une nouvelle lutte perdue
dans ma vie qui périclite

La même image de fête dans
ma mort persistante

Une nouvelle lutte perdue
dans ma vie qui périclite par l’office

La même image de fête dans
ma mort persistante par l`orifice

Une nouvelle lutte perdue
dans ma vie qui périclite par l`office oral

La même image de fête dans
ma mort persistante par l`orifice anal

Oui, Mesdames et Messieurs

Demain

Nouvelle lutte

Même image

Nouvelle lutte

Même image

Nouvelle lutte

Même image

Même merde, mon Dieu

De la vie et de la mort

De la vie perdue

De la mort de fête

De la vie perdue dans la fête

De la mort de fête dans la bête

De la vie perdue dans la
fête de la mort

De la mort de fête dans la
bête de la vie

Mort de merde mon Dieu!!!

Merde!   Merde!!   Merde!!!

 

 Mandado pelo amigo Joedson Alves via Orkut:

” Amigo Eduardo, você foi um dos grandes aprendizados que ganhei na minha estadia em Brasília. Se eu tivesse meios patrocinava seu site para que você pudesse repassar toda essa grandeza que tem dentro de você, como pessoa e o brilhante jornalista que você é.  Os nossos jovens ganhariam muito e nosso país também, é uma pena que as instituições privadas e públicas não enxergam que o jornalista mais velho é igual a vinho, quanto mais velho, melhor. No novo modelo de comunicação, se o governo estimulasse esse incentivo, a comunicação através da Internet e You Tube, haveria uma grande guinada em relação à tal ditadura da comunicação no Brasil, com esse olhar ela deixaria no mais breve tempo possível de ser uma ditadura no Brasil. Temos centenas e milhares de profissionais da imagem e do texto precisando de uma patrocínio para dar uma virada de mesa, aqui no Brasil, com um novo formato de comunicação. Para isso acontecer, talentos como você precisam ter o reconhecimento e essa valorizaçao passa por esse patrocínio. Essa é minha luta. BSB 07-11-2011.”

http://facebook.com/eduardo.mamcasz

mamcasz@gmail.com


 Estão abertas até o dia 7 de agosto as inscrições

 para o primeiro concurso público na EBC.

 São 391 vagas nos níveis médio e superior.

Mais 146 vagas para o time dos reservas.

 Em sete áreas de jornalismo, técnico, gestor.

Para jornalista, salário inicial igual ao do soldado PM do DF.

Para o jornalista especial, quase seizão.

Pode aumentar, a depender dos títulos.

50% de prorrogação.

40% de produtividade.

? % de confiança.

? % de cessão.

Boa sorte, pessoas.

 Que a minha acabou.

Ide lá:

http://www.cespe.unb.br/NoticiasHTML/LerNoticia.asp?IdNoticia=600


Abro meu gemaíl e olha só o que recebo:

Acontece que este meu grande e velho amigo, Antonio Arraes, morreu.

Em setembro de 2010.

Tem até um post especial para ele.

Saudades …

Ou será que não?

https://mamcasz.wordpress.com/2010/09/15/meu-amigo-sempre-foi-um-chato-morreu/


Ele parecia que estava sempre de mau … humor.    

 Talvez porque não bebia.    

  Deixava que o copo cheio ficasse olhando para ele.               

 Mesmo que fosse uma boa cachaça.   

 Talvez porque adorasse um jazz.    

 E eu, amigo antigo, sou do blues, de um alambique, da destilada.               

 Mas a gente sempre se entendia.  

 Falávamos  na linguagem dos livros de que ele tanto gostava.

Desde quando a gente era setorista no Palácio do Planalto, ele pelo O Globo, eu pela Folha de São Paulo, sucursais de Brasília.         

  Até que a gente, na segunda, discutiu:             

 – Arraes, se não me trouxer esta cachaça especial que tu ganhaste de presente, e que vale uma grana, é melhor não falar mais comigo.       

 Nesta terça, ontem, ele me trouxe a bela Seleta de Salinas,  que  ele havia me hipotecado desde meu aniversário, em janeiro, em minha casa.        

  Ainda brinquei:                

 – Está fechada, com selo e tudo?                

 Foi uma provocação (a última de centenas) porque ele nunca aceitou garrafa de cerveja trazida à mesa  pelo garçom sem ser aberta  na frente dele.               

 E por que este lero-lero todo?  

Pelo seguinte.     

Acabo de receber o telefonema.                

O Arraes morreu.                

 O corpo está sendo guardado.      

 Logo mais, vira cinzas, nada mais.         

Ah. No teu velório, hoje à tarde, sequei,  com outros amigos e amigas, a garrafa da linda cachaça.        

O copinho sujo, só para te chatear, passou de boca em boca, enquanto contávamos piadas mais ou menos leves.        

Então, seu Arraes (Antonio Roberto Arraes).    

Continues um chato, tá?     

Principalmente com este pessoal que foi antes da gente.               

 Um abraço neles.               

 Do teu amigo, o outro (chato) ainda vivo,               

 Mamcasz                

          

                                                                         

Leia:            

http://agenciabrasil.ebc.com.br/home?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=2&p_p_col_count=3&_56_groupId=19523&_56_articleId=1042896    

     

From Cruvinel:    

” Todos nós, da EBC, fomos tomados pela tristeza e pelo espanto  esta manhã, com a notícia de que Antonio Arrais morrera durante a noite, vítima de um infarto fulminante.  Como muitos de nós, conheci  Antonio Arrais há mais de 20 anos atrás, e com ele convivi  em muitas oportunidades,  desde quando éramos repórteres de política de O Globo, no final do regime militar, até os dias de hoje, quando presido a EBC que, pela incorporação da Radiobrás,  passou a ter entre seus quadros jornalistas como Arrais, dedicados à profissão e à causa da comunicação pública.
Em minha gestão, convoquei-o para ajudar na implantação da área de comunicação social, na qual ele acumulou experiência quando serviu à Procuradoria Geral da República, cedido pela Radiobrás.  Arrais prontamente atendeu, e quando outra necessidade surgiu, na Agência Brasil, com a saída de uma editora, valemo-nos também dele para suprir a lacuna. 
Posso dizer, em nome de todos os colegas da EBC, que Antonio Arrais foi um cidadão de seu tempo e um jornalista exemplar, pautado pela verdade e o interesse público no ato de informar.
Fiquemos todos com seu exemplo, compartilhando nossa dor com Thelma, sua mulher, com os filhos Leonardo, Daniela, Marcelo e Rodrigo e todos os amigos, pedindo a Deus que nos dê força e resignação para atravessar este momento. “
Tereza Cruvinel
Diretora-presidente
 (EBC)

*** 

Casos do Arrais
From Wilson Ibiapina (direto do velório)
“Como repórter correu o Brasil e o exterior fazendo coberturas, acompanhando presidentes. No velório, Roberto Stefanelli lembou a viagem que fizeram a Mato Grosso, acompanhando o presidente Figueiredo. Beto pela Folha e Arrais pelo Globo. Depois de um dia corrido de cobertura chegam exaustos ao hotel, pedem a conta e a nota fiscal, exigida pela tesouraria do jornal na hora de prestar contas dos gastos da viagem. Em nome de quem? Tira em nome de O Globo, diz Arrais. Já estavam voando de volta a Brasília quando Arrais resolve conferir as notas fiscais. Tudo OK, perfeito, só um porém. A nota mais alta, fornecida pelo hotel, estava em nome de Hugo Lobo, no lugar de O Globo. Fazer o que com aquele funcionário do hotel que não compreendeu suas palavras?
Rejane Limaverde, que morou no apartamento dele quando chegou do Ceará, lembra que ele era cheio de mania. Por exemplo: mesmo atacado pela gota não abria mão de um pedaço de carne no almoço. No restaurante Beirute tem um prato batizado de Filé do Arrais. Outra mania: detestava quando alguém pegava no copo em que estava bebendo. Mandava trocar na hora. Um dia, tirou as lentes de contato e colocou num copo com água. Segundo ele, para não ressecar. Era época de baixa umidade do ar, como agora. E cochilou o suficiente para o Emerson de Souza esconder o copo com as lentes e colocar outro no lugar . Ao despertar, flagrou o Emerson simulando que estava bebendo a água. Arrais, já irritado, gritou desesperado “cuidado com as lentes no copo” . Quando descobriu a brincadeira do colega ficou mais zangado.
Apesar de ser metódico e mau humorado era muito querido pelos amigos que se divertiam com o seu jeito de ser. Apaixonado por livros e CDs, era fã da voz de Gal Costa. Dizia que se ela gravasse um “reclame” da Coca-cola, ele comprava.
Sua última promessa foi paga na manhã em que morreu. Levou para o colega Mamcasz a garrafa de cachaça velha que havia prometido. Mamcasz ainda brincou: -Está fechada, com selo e tudo? A provocação tinha sentido. Arrais nunca aceitou garrafa de cerveja trazida à mesa aberta pelo garçom sem ser na frente dele .
Na noite daquela mesma terça dia 14, em casa, ao lado da mulher Thelma, foi traído pelo coração, que resolveu parar bem na hora do jantar. Deixou além da viúva, quatro filhos.: Marcelo, Rodrigo, Leonardo e Daniela. O corpo cremado, vira cinza. Suas histórias, como na literatura de cordel vão passar de boca-em- boca. Vão se espalhar mantendo viva a sua memória. Um jornalista “tolerância zero” que gostava de música, da família, de comer carne, dos amigos, de livros, da vida.”

http://conversapiaba.blogspot.com/2010/09/o-adeus-antonio-arrais.html