janeiro 2011



Ao longo da vida passaram-se pessoas ex-estagiárias.

Elas acontecem para isto mesmo: ir em frente.

Para um, repassei todos os meus vinis.

Para outra, sempre um livro.

Não um qualquer.

Especial.

Uns dos  trechos que foram assinalados pela Karina, onde andarás?

  

“Não tens mulher e, se a tens, vais com ela para a cama

só para provar que és “homem”.

Nem sabes o que é Amor.”

 

 *

 

“Tu não queres ser Águia, Zé Ninguém

e é por isso que és comido pelos abutres.”

 

 

 

“Desejo apenas que não sejas mais

besta de carga como tens sido,

que cales de vez este teu

 milenar cacarejar.”

 

(Wilhelm Reich-1945)

 

 “Cada dia eu levo um tiro

Que sai pela culatra.

Eu não sou ministro,

Eu não sou magnata.

Eu sou do povo,

Eu sou um Zé Ninguém.

(Zé ninguém – Biquini Cavadão)

Clique.Olhe. Ouça:

http://letras.terra.com.br/biquini-cavadao/44611/

P.S.

N.B.

O escambau.

O penúltimo livro que cedi, temporariamente,  a  uma outra estagiária especial é do Charles Bukowski:

“Esta loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo.

Amém.”

E agora, sem ser o último, outra peça carmísticamente rara.

O Elogio ao Ócio. Bertrand Russell. 1935.

“Quero dizer que quatro horas diárias de trabalho deveriam ser suficientes

 para dar às pessoas o direito de satisfazer suas necessidades básicas

 e os confortos elementares da vida.”


Os primeiros dez mil sutiãs a gente não esquece nunca.

E assim, La Nave Va.

10.000 stats.

 

 

 ” As cadelas (lacraias, hipopótomas, gorilas, porcas) ladram.

 A nossa caravana, enquanto isto, passa.  Siempre.

Entonces, ademán proceis, tá?”

(Ibrahim Sued)


Banksy (Thierry Guetta ou Mr. Brainwash).

É um grafiteiro de rua na Inglaterra.

Pode levar o Óscar de melhor documentário.

Pena para os “recicladores” do Grande Rio.

Com o documentário Lixo Extraordinário, do Vick Muniz.

Na verdade, só o lixo é brasileiro.

O dinheiro para o filme, veio da Inglaterra.

Que nem quando Napoleão invade Portugal.

O rei casado com a rainha louca se manda.

Chega ao Rio com todo o lixo político.

Com dinheiro da Inglaterra.

 

 

Sempre que eu viajo pelo mundo tiro fotos de muros pixados.

Aliás, já fui dos…

Tempos do Libelu:

Acalanto provoca Maremoto.

A dita-dura achava que era mensagem.

Nós, poetas marginais, seríamos subvervisos.

Sem direito, hoje, a pensão vitalícia, meu.

Fora da lei ontem, hoje e amanhã.

 

 

As duas pixações acima são do tal Banksy.

Hoje elas valem ouro se saírem de cima do muro.

Quer dizer, ele se deu bem.

Que nem eu, nesta última ida a Paris.

Na Rua da Esperança, Butte aux Cailles.

Encontro duas minas na esquina.

Uma no muro.

Outra assim, só vindo para cima da minha lente.

Por conta da estática, o fogo avoou.

Tenho um galho  em Paris.

Só no peguéti.

Uh-lá-lá!

 

 

 


Quando vejo São Paulo, alguma coisa acontece no meu coração.

É que sempre me lembro dos heróicos bandeirantes.

Com indômita bravura, eles desbravam os sertões.

 

“Na longa caminhada até São Paulo,

os bandeirantes chegam a cortar os braços de alguns índios

 para com eles açoitarem os outros.

Os índios velhos e crianças que não conseguem mais caminhar,

eles matam e dão de comida aos cachorros”

( Padre Pedro Correa, jesuíta )


–  Ninguém vai bater no meu povo, não !!!

Um padre anônimo.

No faroeste de Goyaz.

Ao vivo na Globo.

Corre à porta da igreja.

Destranca os cadeados.

Abre a porta do templo.

Antes de tocar o único sino

Na amena torre qual Cristo

Ele proclama ao rebanho:

–  Ninguém vai bater no meu povo, não !!! 

– Podem entrar!

Entramos.

A cena não é roteiro de cinema não.

É real.

Acontece no  Velho Oeste do Brazil.

 Santo Antônio do Descoberto.

Goyaz.

Entorno do Distrito Federal.

O rebanho obra o dia inteiro em Brasília, a 50 km.

E se aboleta de noite, passada a ponte esburacada.

Fronteira México-Estados Unidos.

Tão  Inferno.

Quão perto do Céu.

Esplanada dos Mistérios.

Praça dos Podres Poderes.

Hoje, o pau quebra.

De um lado o povo.

No meio, a praça.

Do outro, os meganhas goianos  dão porrada.

O prefeito David Leite provoca na rádio comunitária:

É coisa de meia dúzia …

É gasolina de otário.

O secretário de Insegurança de Goyaz, à distância, 150 km, inflama: 

– Isto é desobediência civil!!! 

Melhor que ele leia antes Henry David Thoreau (1849). 

DESOBEDIÊNCIA  CIVIL  JÁ  !!!

http://thoreau.eserver.org/civil.html

P.S.

No final do dia, o padre Marcelo Freitas, este é o nome dele,  do Santuário Santo Antônio, com a negra batina, agora um ser midiático nacional, fala o seguinte ao G1:

 

“Pedi negociação,

 pedi para conversar e dialogar com a polícia.

 Disse que se eles quisessem fazer algum ato,

mesmo que fosse de direito do Estado,

que não fosse dentro do terreno da igreja

 porque eu não dava essa autorização”.

 

Bem no estilo dos falecidos padres dominicanos na época da repressão, dos finados  freis Beto e Leonardo Boff,  dos bispos Evaristo Arns, Helder Camara e outros ex-santos teólogos da libertação. É, não se faz mais PT como antigamente.

Para ver o padre do faroeste brasileiro, clique abaixo:

 http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/01/nunca-tinha-visto-uma-guerra-diz-padre-sobre-conflito-em-cidade-goiana.html


 

A foto acima junta duas cobras e um pau.

Primeiro, a Ponte dos Remédios.

Por conta dos desvios do SUS.

Está no balança mas não cai.

Ponte JK. Bichada. Doente.

Vista da Residência da Presidência.

Alvorada Brasileira no Lago do Paranoá.

Acaba de ser invadida por uma pessoa cidadã.

 

 

Minha Brasília é tirana nos segredos.

Aqui, nunca se sabe ao certo do Nada.

A imprensa oficialmente só se homizia.

Neste caso mesmo  dessa  intrusa visita.

O elemento, em nota oficial da PF- GSI-EBC, seria:

33 anos, separado, mineiro, dono de Pajero.

Universitário.  Mora na Asa Norte.

Funcionário Público.

 

 

Enquanto isto, nós  jornalistas nos calamos nos perguntares:

1 – Poderia ser filho de alguma ex-autoridade?

2 – Poderia ter nome completo?

3 –  Poderia  o carro ter placa?

4 –  Poderia estar morto?

5 – Poderia ser você?

6 – Poderia ser eu?

 

Mais uma e a última sempre é a melhor:

 Poderia  ser algum  ex-morador bêbado?

 


Quando cai merda do céu, lá vem a frase do Zé Povinho:

– Com a ajuda de DEUS, eu vou melhoral, melhoral …

É melhor e não faz mal.

Faz sim.

Pela ordem, cumpanheirada.

 

1)      – Em um mês, duas intervenções do Exército Brasileiro no Rio (Alemão-Friburgo).

           Para limpar as  merdas divinas  das autoridades terrenas.

 

2)      – Enquanto isto, onde estava DEUS?

           Em Paris, na cama com o Cabral. Desde 1.500…

 

3)      – Três perguntinhas básicas:

 

a.  DEUS sabia das 700 mortes?  é muito mais do que isso?

 

b.  DEUS sabia que os pobres estavam estuprando a Mãe Natureza?

 

c.  DEUS sabia de tudo?   não fez nada?  por que?  hein?

 

 

 

Este é o meu novo livro de cabeceira.

DEUS – UM DELÍRIO.

De  Richard Dawkins.

Um dos três maiores pensadores da atualidade.

Diz-se que quando uma pessoa tem delírio, é maluco.

Quando  junta  uma porção de malucos, vira religião.

Daí, tem mais é que arranjar um DEUS.

Se católico,  queima  gente na fogueira da Idade Média.

Se muçulmano,   estoura torres gêmeas e muito mais.

Se judio,  estraçalha os palestinos e não os nazistas.

 

Moral duvidosa:

 

– Qual deus jogou merda do céu em cima da região serrana do Rio?

  

 

 

“Deus, ó Deus, onde estás que não respondes.

Em que estrela tu te escondes

Embuçado nos céus?”

( Castro Alves )

 

 “Como pode Deus permitir a morte de centenas,

de milhares de inocentes?”

Voltaire – 1755- após terremoto de Lisboa

 

” Deus tenta rezar, tenta rezar pra quem?

Deus não vê ninguém…”

Lobão – Pobre Deus.

 

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