janeiro 2010



                       De volta aos presentes e às pessoas passadas no meu aniversário.

                     Estive neste sábado na casa do amigo Chico, que está indo para Gana, por três meses, e fui com a camisa azul e branca que ganhei deles de presente, e lá tive que aturar o “manto sagrado” vascaíno do filho Peter, nascido na Rússia, tocador exímio de bumbo, e, ai meu Deus, é muita informação, por isso, vou me concentrar noutro presente que ganhei, que é este aqui, ó:

                      Daí que fiquei conversando, entre um ceviche peruano da dona Paola e uma cigarilha cubana do don Chico, amigos perfeitos, e fiquei conversando com quem mesmo?

                       Com  Pedro, filho deles,  que vi na maternidade, e com quem fizemos juntos, na Tanzânia, o ônibus a caminho do Seringueti, e mais a namorada dele, que não estava lá na África, mas ontem, aqui, ou melhor, lá, na casa do Chico-Paola, olha só, aqui abro um parêntesis para as estagiárias mocinhas aqui da Rádio Nacional, lembrando que nem só por velhos babões elas são admiradas.

                        Pois então, vamos ao foco do post de hoje?

                       Ficamos conversando, ah, a Juliana, irmã mais nova do Pedro, tipo mulata, outra com quem viajei, ela bem criança, lá na Tanzânia-Zimbabwe-Quênia, e que, pela primeira vez, conhecemos, ontem, sábado, 30-01-2010, aliás, lá no Seringueti, ela fez aniversário de 12 anos e eu fiz uma poesia pra ela, e agora, neste sábado, tá confuso, meu Deus,  ela chega com o primeiro namorado da vida, todo mundo achou que,  e … se chama Eduardo, que nem eu, e … pô, ta difícil falar.

                       É o seguinte.

                      O presente que EU ganhei no MEU aniversário, um dos muitos, e sobre o que estava conversando com o Pedro e a namorada dele, foi justamente este capítulo:

                        Daí eu falei, debaixo destes meus 62 anos, do encanto de ter recebido de presente, pior que não sei de quem, por que misturei tudo, presentes e pessoas, quer dizer, foi melhor ainda, aliás, a camisa azul e branca, mas, continuando, o encanto de ter lido o Nick Hornby ( autor de Alta Fidelidade), no capítulo em questão, comentando qual seria a melhor música para ser ouvida durante o ato em que uma pessoa estivesse perdendo a virgindade.

                        Ele pergunta:

                        –  Seria possível alguém perder a virgindade ao som de “Let’s get in on”, com Marvin Gae, sem cair na risada?

                        O autor, em seguida, diz que perdeu a virgindade ouvindo o lado B (tempo do disco vinil) de Smiler, de Rod Stewart.

                        E perguntei pro jovem casal, sem querer saber qual teria sido a música deles (deveria ter perguntado, a minha foi o Tema de Lara):

                       –  Smiler, sorrindo, seria um bom tema pra se perder a virgindade?

                     Embora eu me lembre de ter acrescentado, ou não, que não tem nada de perder, é uma troca, ou melhor, é um puta adianto na vida.

                     Ah… ainda tem a história do porque eu fiz o meu grande amigo Chico, pai do Peter,  chorar, neste sábado, por causa do meu irmão, Janeck.

                     Mas aí são intimidades.

                     Merecem músicas específicas.

                      Ao som do agogô de Benin.

                      Axé.

                     Mas só pra fechar esta prosa de domingo.

                    Neste MEU presente do MEU aniversário EU achei o seguinte comentário do autor Nick Hornby de como seria bom perder a virgindade ao som de Samba Pa Ti, de Santana:

                    “Ela começa devagar, misteriosa e linda, depois fica mais urgente e então … bem, então  se desvanece.”

 

 


Quem não gosta de ganhar presente?
Pois eu os misturo, no meu aniversário, que nem faço com as pessoas.
E não é que no final dá um caldo danado de bom?
Por exemplo.
Entre os presentes, no caso, misturei dois livros.
O primeiro é este: 

 

Bom, o segundo presente, quer dizer, pessoa passada, foi  este:  

 

 
 

Na mistura dos dois presentes, a gente se encontra com deus.

Mas, afinal, quem é mesmo este cara? 

Um latifundiário que expulsou Adão e Eva? 

Aliás, no velho estilo manu militari, sem dó nem piedade. 

 Duvidas? 

 

 

São pesadas palavras ditas divinas,  fruto de um amargo remorso por ter criado a criaturinha humana. 

 Tremenda falha divina, ao se meter em criar a raça humana,  que é reforçada, neste amargo texto do Saramago:   

 

 


                      Acabo de ler o que aconteceu debaixo de minhas vistas cansadas, no ambiente da rádio. Respondi o seguinte, confesso que meio constrangido:

                     Preclara estagiária do cabelo de colibri. Perfeitas estas tuas observações e olha que compartilhamos o mesmo espaço laboral (?) e nossa abissal diferença de idade, o que não me impede de admirar a forma com que te exprimes por escrito, decretando o dito pelo dito mesmo.

                     Embora eu compreenda o teu pesadelo diante de babões enfadonhos, gostaria de, por causa deles, não ser preciso trocar eventuais elogios por atitude agressiva que permitam a gente levar começos de conversa inteligente, dentro do possível naquele ambiente deveras abaixo do mínimo.

                     De qualquer forma, quando estive na CIPA e na Comissão dos Funcionários, sempre lutei contra uma forma de insalubridade que considero a pior, que é o assédio moral, aí incluídos alguns dos teus corretos desabafos.

                    Deste teu colega que nem te nota (?) mas que te usarei agora no CtrlC + Ctrl V.

                   Mamcasz

                  Agora, vamos ao texto integral do justo desabafo. O endereço dela é o seguinte:

                  http://lunnadispersi.blogspot.com/2010/01/o-mal-pressagio-do-elogio.html#comment-form

                


                       Ministério Público, Polícia Civil e Conselho de Medicina investigam morte de jornalista em Brasília durante lipoescultura.

                      Perfeito.

                     Foi mudado o delegado.

                     O médico disse que está doente e não pode depor.

                     A imprensa deita e rola.

                    Acontece que, vindo da rádio para casa, na W3 Sul, altura da 11 ( só quem é aqui da ilha entende estes códigos ) vejo e revejo este big cartaz colado numa casa perto de onde funciona uma “sauna chique”.

                  Quer dizer.

                 Ou só eu estou vendo o rei nu ou então somos um bando de imbecis à procura do protótipo de beleza custe o que custar, mesmo que a vida.

                  É muito anúncio escarrado de lipo bioplástica, tumescente, comum, invasiva, escultura, fracionada, aspirativa, hidro, úmida, light e tantas outras.

                Então, faça que nem eu, veja e reveja os termos expressos no muro:

 


                       Hoje, uma amiga contida e reservada está fazendo 40 anos.

                      Daí que me saiu o seguinte que já lhe mandei.

                      Fulana.

                      1 – Em não tendo sido possível hoje de manhã o abraço físico,

                      2 –  Em tendo visto no BB a Hora da Estrela,

                      3 –  Em estar para ler Clarice Vírgula,

                      4 –  E neste instante sorvendo o conto Estado de Graça …

                      Então, neste teu quarto enta ingresso, desejo que freqüentemente sejas inquilina desse tal estado de graça, não como se estivesse em transe – não há nenhum transe, também é bom que ele demore um pouco, mas não o bastante, para que a graça não desapareça, e porque se sai dele melhor criatura do que se entrou, com o rosto liso, os olhos abertos e pensativos e, embora não se tenha sorrido, é como se o corpo todo viesse de um sorriso suave.

                           Concluindo, com os acréscimos adaptados ao texto original da Clarice Lispector:

                           Um feliz novo enta decimal a fim de que ultrapasses o centésimo.

                           Até o próximo. 


                       Peguei hoje o livro ” Taguatinga-duas décadas de cultura ” , com fotos do Ivaldo Cavalcanti.

                       Foi para escanear umas fotos para a estagiária com olhos de camelo e resmunguenta que nem tia velha.

                      Taguatinga, para quem é de fora, é uma cidade do DF. Sempre teve vida separada de Brasília. Enquanto aqui rolava Cabeças, Grande Circular, Minstéricas … lá acontecia a outra porção do caldeirão cultural.

                     Década de 80. A gente dizia, oi … tenta! (e né que rolava?).

                     E as fotos do Ivaldo mostram Luiz Melodia e Plinio Marcos no Teatro Rola Pedra, os punks na Praça do Relógio, boates London London, Paralelo 15 e Clube dos 200. Mais o Bar do Careca, Botequim Blues, Diretas Já (?), Faculta…

                     Então, pelo serviço, roubei da estagiária esta foto, feita pelo Ivaldo Cavalcanti, do eterno amigo Renato Matos. Ecumênico que só ele, atuava da Asa Sul à Samambaia, quando não estava gerando áureos filhos em Olhos D´Água. 

                        Em legenda à foto, relembro quando a gente cantava junto os versos ao telefone apaixonado:

                        Um telefone é muito pouco quando a gente ama como um louco e mora no Plano Piloto …


                        Domingão sereno em Brasília, deixo meu irmão no aeroporto, depois de uma semana de hóspede dependente, e volto pra minha doce caipirinha.

                         De chegada, a notícia da morte da mãe de uma amiga  ex- Rádio Nacional que hoje vive no Canadá e veio correndo para a passagem.

                         Fui até o Campo da Esperança, procurei por uma das capelas, dei um abraço forte na amiga e, na saída, capela ao lado, eis que um amigo antigo, Ariosto Teixeira, gaúcho dos tempos em que o último sinal de vida, na Asa Norte, era o Bar do Poeta, na 408, e a gente morava na 416…

                        Pois então.

                        O Ariosto Teixeira, 56 anos, estava deitado eternamente no caixão exposto ao centro.

                        Poeta conjunto, dos ditos tempos da Poesia Marginal, permanece dele, de físico mesmo, o poema criado nas estranhas entranhas:

 

” Às vezes você se pergunta

Olhando o rosto no espelho

Se o reflexo é verdadeiro

Ou se a verdade é o corpo

Parado no meio do banheiro

 

Você acha que sabe bem o que é

Você acha que sabe bem o que quer

Você acha que sabe quem você é

 

Mas você sente medo

Medo de não ser você no espelho

Medo de ser mero reflexo

Do outro que consigo parece

 

Você não tem medo de sexo

Você gosta de sexo

Você sonha com sexo

Você procura fazer muito sexo

 

Sexo à distância

Sem beijo sem fluido

Higiênico e sem lirismo

Seguro como sexo com prostituta

Você de frente ela de costas

Ela por cima de costas

Você por baixo de costas deitado

 

É que você tem medo

Do ataque de um vírus complexo

Medo de gravidez

Medo de se apaixonar irremediavelmente

Medo de perder o controle

Medo de assumir o controle

Medo de que tudo enfim faça nexo

 

Você acende e apaga o cigarro

Com medo de pegar câncer de pulmão

Medo de apagar a luz

Medo de acender a luz

Medo de desligar o alarme

Medo de abrir o portão

Medo de ladrão policial pivete

Medo de colisão

De atropelamento

De ataque do coração

 

Medo de padre

Da certeza cristã absoluta

Da democracia liberal

Da esquerda latina

Medo da nova direita francesa

Medo do presidente americano

Medo da falta de medo do terrorista muçulmano

Medo de ser fragmentado por um raio da Al Qaeda

 

Medo da China capitalista

De milho transgênico

De buraco negro

De carne vermelha

Medo da falta de limite da física quântica

Do aquecimento global

Da inteligência artificial

De velocidade acima do permitido

De remédio de quinta geração

Da globalização

Do fim da globalização

Da falta de sentido

 

Medo de que Deus provavelmente não exista

De não haver outra vida

Você tem medo de ficar sozinho

Sem ninguém nem final feliz

 

Ah mas você confia no amor

O terno e doce amor

Do homem pela mulher

Do homem por outro homem

Da mulher por outra mulher

Do homem pelos animais

Da humanidade pela natureza

Você confia no amor das criancinhas

 

Você pensa nessas coisas

E por um instante

Acha que nada está perdido

Que o amor salvará o mundo

O amor romântico como no cinema

Como em um soneto de Shakespeare

Apesar da podridão no reino terrestre

 

Mas quanto tempo dura o amor

Antes de se dissolver em tédio

15 minutos uma tarde inteira uma noitada?

 

Você odeia sentir isso assim tão sentimentalmente

Mas é impossível ser de outro modo

É preciso agarrar-se a algo

Não ter medo de que o vazio

Tenha se espalhado em todos os quadrantes

 

O fato indiscutível é que você tem medo

Medo muito medo

De ficar vivo durante o inverno nuclear

 

Você principalmente tem medo

Do que um dia vai fazer

Quando ao anoitecer

O seu rosto tiver desaparecido do espelho do banheiro. “

                                   Buenas, tchê!!!

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