outubro 2009



Quem mora em Brasília, à cata do ouro, ou não, conhece uma figurinha chata que neste final da seca enche o saco da gente.

Hoje, vésperas de Finados, comemorei a data estraçalhando um casal que entrou no meu quarto, nesta madrugada,  cantando esgarniçadamente.

Estou falando da doida da cigarra.

Ela fica dormindo na seca toda, grudada num pau seco de árvore velha, e acorda no começo da chuva.

Quer dizer. Quem acorda  é a nova criatura que está dentro dela. Que sai faceira para o Novo Mundo.

É sempre assim. Na vida e no trabalho. Uma morre, outra nasce.

Aliás, me dei mal, noutro dia, no email que mandei pra minha chefinha. No final, escrevi:

– Aqui se faz, aqui se paga …

Pra feder de vez, acrescentei:

– Quanto antes, melhor …

Continuando … Tem bicha, então, que acaba de trepar e logo mata o macho. Natureza tem cada coisa. Prefiro o sintético.

Então, neste caso da cigarra, ela uiva, penso eu, por causa da dor do parto. Por isso que tod@ adolescente grita:

– “Parto que nos pariu” .

Mas foi a mãe quem sofreu. Duas vezes. No parto e agora, na partida da filha para um braço qualquer.

Casal de cigarras -Photo by Mamcasz

O grito de uma cigarra chega até aos 120 decibéis. Faz mal pra caralho, quer dizer, pro ouvido, não só dos homens mas, principalmente, dos cachorros, que ficam loucos, nesta época do ano. Começam a uivar que nem lobos e a trepar com qualquer cadela.

Acontece que acabo de saber, com uma ex-amiga veterinária, que me trocou por um viado:

– Mamcasz, você está ficando doido com o grito das cigarras, pelo seguinte. Preste atenção e pare de encher o saco de quem abre este teu blog e vê torto as coisas que são cor-de-rosa.

 Ouço:

– O zumbido ensurdecedor é da cigarra macho trepando com a cigarra fêmea.

Falo:

 – E sempre assim. A fêmea  fica muito da quietinha mas, no além do clitóris, só gostando…

– Por isso que te troquei por um cachorro, seu Mamcasz.

– Ué. Não foi por um viado?

Mas continuando a prosa:

– O escarcéu da cigarra é produzido pela vibração das membranas inferiores do abdômem do macho.

– Tudo bem, minha preta, mas e como é que fica então a orelha da cigarra fêmea com esta gritaria toda do macho?

– Simples, seu Mamcasz. A fêmea tem um membrana especial que se dobra para proteger os tímpanos. Mesmo assim,  tem vezes em que  umas fêmeas chegam a explodir com a gritaria do macho.

– Ah, entendi…

– Entendeu o que, seu Mamcasz?

– Contigo, eu sempre fui que nem mineiro. Silencioso, comendo pelas beiradas, devagarinho … por isso que você me trocou por um cigarro.

Moral:

Tem fêmea, e  conheço de perto, que literalmente explode de gozo. Basta  o macho  dar uns gritos.

Bela historinha para esta véspera de Finados.

Na verdade, acho que deveria ter deixado o casal de cigarra ter terminado a trepada. Só depois, então, te-lo-ia mandado para a lista dos Finados. E então, voltaria a dormir sonhando com uma  anjinha, de asas soltas, vibrando, vindo pra cima de mim, cantando, sorrindo e trepando.

Amém, Jesus.

Deus te ouça.

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Hoje, 31 de outubro, é dia da bruxa.  Eu quero mais é que ela se foda.

Lá … na América da Morte, não aqui, na América Latrina.

Mas é o seguinte:

Apesar deste meu nome de gringo, alva pele, polaco de nascença, sou tão brasileiro quanto o mais negrinho, embora não tenha uma gota de sangre africano.

Explico:

Fui batizado com galho de arruda, no interior do Paraná,  no olho d’água de Mãe Iara (Iemanjá, no distante mar) e sempre me caguei de medo do Saci Pererê (Curupira, nas Amazônias).

Entonces, hoje, Dia da Bruxa, Halloween, que é uma festa bonita, já estive em mais de uma, lá nos USA (Iu- Es- Ei), mas antes veja esta foto, leia a pergunta, à moda de Glauber Rocha, que entrevistei aqui na Rádio Nacional, trazido pelo Macalé, junto com o Nelson Pereira dos Santos e a minha ex-vizinha em Santa Teresa, no Rio, a Tizuka Iamazaki, os dois saídos do Golbery, que foi o Zé Dirceu do Geisel, é tudo a mesma merda (sorry, estulto) e me arresponda, com coragem:          

 saci perere - reprodução

 

 – Você prefere ser um anjo torto na vida ou um diabo lindo de morrer?

 

Halloween in Utah-USA-Photo by Mamcasz
Dois meninOs em Utah,USA, no Dia das Bruxas-futuros combatentes na Coréia, Vietnã, Iraque, Afganistão, Irã e Amazônia

Assunto:

Pauta – Dia do Saci Pererê

Rádio Nacional

No dia do Saci Pererê, 31 de outubro, o Sacizal dos Pererês realizará, pela segunda vez, um evento em comemoração ao negrinho traquino. Oficinas, brincadeiras, contadores de estórias fantasiados, filmes e muito mais divertirão crianças e adultos. O esforço do Sacizal dos Pererês é para que as lendas e mitos nacionais sejam retomadas nas escolas, festas, brincadeiras, desenhos animados e etc. O Sacizal pretende se unir a outras entidades espalhadas pelo país que lutam pela mesma causa, para que o Dia do Saci (31 de outubro) se torne Lei Federal.
  
Oficinas:
·         Fazendo brinquedos reciclados;

·         Desenho e pintura sobre o folclore;

.         Plantando sementes do cerrado;

.         Minhocário ( ???!!!) .


Lógico que o episódio da loira estuprada coletivamente na Uniban de São Bernardo do Campo, São Paulo, por filhos e filhas da puta de velhos sindicalistas que fizeram história na metalurgia socialista brasileira, foi tratado de maneira machista aqui na Rádio Nacional (Rio, Brasília e Tabatinga).

Óbvio que o assunto nem entrou na modorrenta pauta da Dilma, chupada dos emails mandados em forma de release e trespassados inúmeras vezes. Eu falo é dos comentários partidos de homens e mulheres que se dizem formados, ligados a movimentos sociais, católicas praticantes de amarrar o terço no bico do peito e tudo.

Por justiça, só ouvi uma reação, partida da morena fuqueira. FUCA.  Por isso, a razão do título de hoje:

A puta loira da Uniban. E se fosse negra?

 

Inquisição na Uniban - reprodução do YouTubeOlhando a foto-reprodução acima, eu espero que você não tenha olhado  para a loira mas sim para a cara de cu sujo dos e das que, celular em punho, tentam estuprar a menina do vestido curto que estuda numa casa caça níquel que é esta porção de Uni – diversidade que existe por aí com a finalidade de reforçar a imbecilidade.

Por fim, embora pareça pequeno, o linchamento aconteceu numa cidade do ABC paulista, berço do movimento sindical brasileiro moderno.

Infelizmente, se a gente pesquisar na história da pátria que nos pariu, o nome Universidade Bandeirante de São Paulo, nos leva às entranhas destes heróis paulistas, os bandeirantes, que saíram do Tietê e foram para o interior matando, estuprando, cortando ao meio, tentando escravizar tudo que é figura índia que via pela frente, só porque estava, em princípio, pelada.

Bons tempos os meus quando, na universidade, a gente brigava era mesmo para fumar unzinhos, paquerar à vontade, até surubar, mas sem ficar vidrado, tomar banho de rio todo mundo pelado, topar topless na praia e, de vez quando, até se meter na política, discutir Sartre, Levi-Strauss e os escambaus.

Então, vamos aos fatos:

Primeiro, o relato da moça:

“Eu fiquei 40 minutos no ônibus antes de chegar lá e ninguém fez absolutamente nada. As pessoas olham, é normal, mas ninguém vai sair xingando. Foi eu entrar na faculdade que começou a balbúrdia.”

Agora, veja a puta da Uniban no You Tube:

http://www.youtube.com/watch?v=ejmxrXMyiLc

Finalmente, o instante marqueteiro. Mande sua filhinha para a Uniban. Aproveite que a mensalidade dos cursos agora baixou para até 199 reais ao mês. Vale já a partir do jardim de infância. Lá, o Joãozinho, cinco anos de idade, vai aprender a meter o pau na Joaninha, tua filha,  loira, de quatro.

http://www.uniban.br/

 

 

 

 


Tem vezes em que me pego conversando, carinhosa ou putamente, com uma certa pessoa de quem não tenho notícia há muito tempo, pode até ser  parente. Na hora, eu fico em dúvida se continuo a prosa. É que fico sem saber se ela está viva ou morta. E se estivesse finada, qual o problema?

Pois foi assim que encontrei a página 158, do livro “Saí para dar uma volta…”, do Frederico Mourão (leia o post a seguir), e que diz o seguinte, no capítulo As rosas não falam, mandado por ele de Kunming, na China).

 “Estar tão longe e tão perto ao mesmo tempo, dialogar com pessoas que não encontrava, não sabia da vida,nem sequer onde estavam e se estavam vivos ou mortos, pessoas que se vivêssemos em outro tempo só reencontraríamos pelas ruas por acaso, ou depois de desencarnados no outro plano.”

Depois disso, só me resta aumentar o som da minha cabeça e continuar curtindo o Caetano cantando o Lupicínio:

Felicidade é uma coisa a toa e como é que a gente voa quando começa a viajar…”

Ah… sobre o conversar com finado, continue no blog abaixo e depois comente-me.


Acordo hoje sem sono, três e treze da madrugada, em Brasília, ainda sob o efeito do fuso horário de Paris, vou até o meu cantinho literário e tateio em busca de qualquer escrito.

Pego num livro, que parece qualquer, levo para a sala, faço um cafezinho, abro os olhos e vejo o seguinte: 

Capa de livro

Até aí nada de menos e nem de mais, certo?

O arrepio me começou quando abri a primeira página e tinha uma dedicatória dele, após ter dado entrevista ao programa Espaço Arte, na Rádio Nacional, para a apresentadora Tia Heleninha.

Dedicatoria - photo by Mamcasz

Acontece que a Heleninha me deu  este livro num meio dia qualquer:

– Olha, Mamcasz, você que vive viajando por este mundo, dê uma olhada qualquer noite neste livro que acabei de ganhar. O cara é super interessante.

Até aí nada de mais e nem de menos, certo?

Mas acrescento que eu havia me esquecido do livro e tia Heleninha logo depois morreu, de câncer.

Na época, ela saiu do porão insalubre onde funciona a rádio e saiu pra dar uma volta…

 Inclusive, ela é a primeira no Ofertório deste blog, com o post TIA HELENINHA ESTRAGOU A FESTA:

Acesse, olhe, ouça e me diga o que ela está querendo me falar:

https://mamcasz.wordpress.com/fim/


Ghost in Berlin - Photo by Mamcasz

Ouvido numa Assembléia de Funcionários Públicos Federais aqui em Brasília onde já tô de volta, mano:

Tem rato que vira dono de um pedaço de queijo  e só por isso acha logo que é  gata.

Pois continuo.

Nunca vi de um gato falar que vira rata, mesmo que o seja, no pior sentido da palavra.

Aliás, tem bicha que, antes de ser comido pela gente, sofre todo tipo de discriminacão: rata, porca, galinha, vaca, cadela, pata choca, barata zonza….é tudo xingamento.

Daí, na dita assembléia dos ratos, um gato aliado toma o microfone dos pelegos e começa um lero-lero:

Companheir@as.

Nosso inimigo é a gata e não o rato do ano passado, certo? Por isso eu proponho o seguinte:

Para a gente ficar sabendo quando a gata estiver chegando perto para pular em cima do pobre rato que não consegue mais do que oitenta centavos de aumento no tíquete alimentação, ou seja, nós, proponho a gente colocar um pequeno sino no pescoço da dita gata presidente.

  • Apoiado!!!
  • Apoiado!!!

Daí, um rato velho, rato mesmo, daquele rabujento, mais para macaco velho em galho verde, pede a palavra, o sindicato tenta vetar, porque ele é um rato que destoa o coro dos contentes, mas diante do “ deixa ele falar, porra ”, bom, deixam este velho rato perguntar o seguinte: 

  • Eu quero saber quem vai colocar o sino no pescoço da gata.

O silêncio-votação é tão grande que dá para ouvir até agora o miado-riso vindo dos andares superiores onde acontece o ensaio do coro dos gatos tentando cantar o seguinte:

  •   Au. Au. Au…
  •   Au. Au. Au…

 Pinta o maior  ” ??? ” na Assembléia dos Ratos.

Então, este  velho rato rabubento encerra a fábula cheio de moral: 

  • Seus ratos de merda. Este latido é para vocês pensarem que os gatos estão com medo porque os cachorros apareceram no pedaço. Então, só por isso, pergunto outra vez:

  • Quem de vocês vai colocar o sino no pescoço da gata presidente, hein?

Por do sol em Orly, sudoeste de Paris, na volta para a pátria que me pariu. Que nem a letra do samba: Vai, meu irmão, pega este avião e não diga nada...
Por do sol em Orly, sudoeste de Paris, na volta para a pátria que me pariu. Que nem a letra do samba: Vai, meu irmão, pega este avião e não diga nada…

Pois foi assim a minha largada de volta para o meu padrasto emergente do Terceiro Mundo. Nos meus ouvidos, ainda zumbem  a letra e a música de Chico, Toquinho e Vinicius, feita nuns tempos em que vir a Paris era diferente. Voltar, então, nem se fala:

“Vai, meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão de correr assim
Desse frio, mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão. “

E não é que um aventureiro-soldado-politico-polícia, armado ou não, já tomou conta do Rio? Mas avisa lá que mesmo assim tô voltando. Tu sabes do que estou falando, NE, Mané? Ah… falando em Manuel, tive antes que passar por Lisboa, o vôo era da TAP, que está se fudindo com a TAM, cego com perneta, tanto que ninguém sabe quem está comendo quem. Depois explico. Tem lance na Bolsa e tudo.

Tô nessa porque de manhãzinha aporto em BrasILHA, a capital da esperança de 21 milhões de brasileiras e brasileiros que continuam classificados como indigentes abaixo da linha da miséria. Chego às cinco e pouco da madruga desta segunda  e lá pelas oito já estarei no meio dos fantasmas de sempre, falsos vivos ou amortecidos. Tem até a Assembléia dos Empregados da EBC para decidir o dessídio. Ou seria dicido? Parlez vous tupi or not?

Mas em Lisboa, no aeroporto que é mais aeroporto (juro que não entendi esta piada de português), até porque na ala em que estavam confinados mais de 500 brasucas para os vôos TP de Lisboa para Brasília, Rio e São Paulo, em aviões  separados, (La Pinta, La Nina e La Santa Maria) pois, pois, e não é que só havia banheiro único, válido para homem, mulher ou outro aderente, com o detalhe que o gajo pode ver na foto avisando, ói:

MÃOS LIMPAS. COMECE AQUI.

Olhei para os lados, vi as caras de alguns brasucas saudáveis, e juro que,outra vez, não entendi a piada do portuga. Falar nisso, tinha brasuca bicha que faz a vida ilegal em Barcelona, empregada doméstica vindo de Milão, Itália, para Imperatriz, Maranhão, visitar a família (???), pau de arara, quer dizer,pau pra toda obra, ilegal em Londres e que vai visitar a mulher em São Paulo, e até umas meninas, saudáveis mas nem tanto, que faziam a vida em Madri, até que a crise chegou. Tudo com mãos saudáveis, pois, pois, mané. Ah… tinha um pessoal de Brasília….

                    Privada em Lisboa - Photo by Mamcasz

Aeroporto que é mais aeroporto. Pois sim. Você chega de Paris, desce do avião, entra num ônibus lotado, anda uns dez minutos (verdade), espera numa sala que não tem nada, banheiro unisex e tudo. Depois, desce pela sanfona, entra noutro ônibus lotado, anda mais dez minutos, entra no avião, e daí …. pois então, Dom Pedro Cabral, tá esperando o que? liga o motor, solta as amarras e bota a música na caixa:

– Se esta porra não virar, olé, olé, olá!!!

Por um instante, até me esqueci que estou voltando sozinho porque minha fêmea resolveu mesmo ficar em Paris, fazer o que, mulher corajosa, Maria Bonita, filha de pai que caçou o dito Lampião.

Aeroporto de Lisboa - photo by Mamcasz 

Então, te cuida, Brasil, que tô chegando de volta à esta puta pátria que me pariu. Acho que vou treinar tiro à distância pro Rio-16.  Ou corrida em carrinho de supermercado com morto dentro.  Ou mentir em palanque em 2010. A gente chega lá. Quer dizer:

– Se esta porra não virar, olê, olê, olá…

– Pegaram o piloto com a mulher do cobrador…

– Senhores passageiros. Apertem os cintos que estamos entrando abaixo da Linha do Equador.

– Boa noite, mané!

Paris-Brasília - Photo by Mamcasz

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