Bãoces, findas as festas vamos aos trabalhos iniciais de 2012.

Tema:

Receita de Franguinha ao Chocolate com Pimenta.

Restrição:

1 – Só pode ser feito por elemento masculino (homem ou mulher), no caso presente, de mim para minha consorte;

2 – Aconselhável que o tempo continue em chuva mansa e o vinho encorpado, tinto mas suave, embora italiano.

3 – Enfim, que os ânimos casalinos estejam ao ponto, nem apaixonantes e muito menos frígidos, apenas tranquilos.

1 – Apalpe suavemente os dois peitos da franguinha e deles separe qualquer cartilagem ou algo parecido com superfície óssea;

2 – Transforme um dedo de moça, amarelo, em minúsculas partículas mas sem que neste processo haja qualquer atrito dolorido;

3 –   Ponha a manteiga para que pegue o ponto natural da temperatura externa hoje amena por conta da chuva cordial que se esvai;

4  –   Ah … nos peitos da franguinha espalhe sal apenas marinho e na porcentagem trinta por cento inferior ao que seria o normal;

5 –   Em seguida, espalhe por sobre os peitos da amada as minúsculas partículas apimentadas e um cálice apenas do suor tinto;

6 –   Reserve, por enquanto apenas para os olhos tornados ávidos, o creme natural de leite sem qualquer tipo de condimento.

Por esta receita ser válida unicamente para qualquer forma de dupla acasalada, que o acompanhamento seja o mais neutro possível:

1 –  Coloque uma porção de arroz normal numa peneira e dele retire toda forma de poeira nele depositado desde seu nascimento;

2 –  Que a hora se encarregue de afastar a água que pela peneira escoa tal qual o som da chuva lá fora acompanhando o nosso interno;

3 –   Portanto, aconselho o seguinte  som ambiente, por ser receita mexicana estilizada: Music From The Motion Picture – Frida!

Na faixa 6, Alcoba Azul, na voz de Lila Downs, reaproximo-me da consorte, primeira taça do Chianti Gentilesco…

Pergunto-lhe da validade do tinto repassado de meus lábios…

Coloco a manteiga no fogo muito brando, nele repouso os peitos da franguinha…

Deixo à vista o creme de leite da mulher amada sem qualquer sinal de entraves…

Repasso o ambiente para a faixa 24, Burn it Blue, na voz de Caetano…

Aí, maninha, é só tomar cuidado para não passar do ponto.

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                      Se tu és daquele que acredita que Krysto se materializou na forma de um bicho menino chamado Jesus, saído divino do ventre humano da Madona, mesmo sabendo que para limpar os pecados do mundo depois de nascido no lixo teria que ser traído, preso, torturado e dependurado vivo numa cruz iluminada pelos séculos vindantes, ao lado de dois ladrões, embora um bom e outro, bem, deveras corrupto, então, neste caso, eu quero mais é que tu tenhas uns Bons Natais  em todos os outros dias de tua vida.

                  Então, ficamos assim, tá?

                 Na tua devida consideração – que ela seja mútua.

                  Bons Natais, hoje e sempre. 

                 Deste mano Mamcasz.

                Inté e axé e boa travessia:

 Desta ponte, chamada de vida, que se trespassa no dia a dia:

Curaçao, Caribe, Antilhas Holandesas, Natal de 2009, ao vivo.


                      Uma semana antes de ir a Curaçao, estive em Salvador da Bahia, a serviço pela Rádio Nacional. Já a conheço de há muito.

                 Desde quando larguei o Globo, no Rio, onde era repórter, para ser simplesmente um hippie em Cacha Pregos, na ilha de Itaparica.

               E nesta última semana em Salvador vi tudo igual, ou pior, inclusive a cena que aqui relatei como o Menino Jesus nasceu na Bahia, no real do quase gente, vestido na placenta, jogado no lixo, o que parece ser comum por lá.

                  Pois agora, passo uma semana no luxo na ilha de Curaçao, no Caribe, hotel Marriot, seis estrelas, marzão limpo, águas azuis claras (é … ainda existe praia sem esgoto nordestino-brasileiro neste mundo).

            Mas, para não perder o costume de cheirar o zé povinho, dei umas voltas pela capital e encontrei algumas verossimilhanças, ainda que sem o medo do assalto num beco apertado ou numa praia escondida e nem de encontrar criança no lixo, que nem no Nordeste.

                Então, aí está o relato do fato, na forma de imagens, que nunca serão que nem estas palavras em movimento.

            Boa olhada:



                        Neste primo encontro e no mote da foto, a estagiária da Rádio Nacional, que bem pode ser você, brinca comigo que meu negócio é o escrito, não o visto, ao que no ato retruco:

                       – Acontece, minha menina, que cada palavra é uma imagem em movimento.

                         Dito o que, assim começa o caminho deste magnífico encontro no remanso caribenho, à sombra do Marriot de Curaçao, na ante-sala do cada dia mais belo crepúsculo, prenúncio do leito bem feito.

                        Tanto que digerimos juntos, por sete dias em que refizemos um novo mundo, os 49 contos de Tennessee Williams, entre eles “Sabbatha e a solidão:

                      “  O melhor que eu tenho a fazer é esfriar minhas veias nas águas salgadas deste mar e depois voltar para você com o corpo fresco e úmido e pedir que me seque com uma das suas toalhas grandes e ásperas, e então tudo vai voltar a ser como era antes … mas como era mesmo antes?  ”

      ” Uma cadeira vazia na praia … um vazio na gente. “

https://mamcasz.wordpress.com/fim/

                     Vou logo adiantando aqui:

                     TIM LOPES, o autor da frase poética abaixo da foto ( no original é: uma cadeira bazia no bar … um vazio na gente ) é um velho amigo com quem iniciei as lides jornalísticas, no Rio de Janeiro, ambos escriturantes em O Globo e dividintes de uma casa num zigue-zague de Santa Teresa que descia direto para a piscina da ACM, ao lado da Sala Cecília Meireles, na boca da Cinelândia, perto da Rua do Riachuelo, onde foi nosso primeiro contato, num consultório urológico, no desenrolar do tratamento de uma precoce gonorréia.

                            `A noite, descíamos juntos até à Gafieira Elite, na Praça da República. Sol claro, ele repórter se fingia operário na construção do metrô, Estação Largo da Carioca. Sua pele escura ajudava. Então, eu repórter passava por ele, minha pele clara realçando o jornalista. Ele me olhava, segurando a marreta, no lugar da caneta, esta manobrava muito melhor. Fingíamos um não conhecer o outro. Neste item, de propósito, eu caprichava no falso desdém. Em casa, no dividir as frutas da feira, ele chiava: 

                         – Pô, polaco – era assim que me chamava .

                        – Que foi?

                        – Não precisava me esnobar  de verdade.

                   No dia 2 de  junho de 2002 , Tim Lopes  desapareceu durante uma reportagem sobre tráfico de drogas, sexo explícito e aliciamento de menores em  bailes funk na Vila Cruzeiro,  Penha. Dias depois,  o veredito :  Tim havia sido condenado pelo “juiz” Elias Maluco a morrer esquartejado a golpes de espada. Durante a sentença, meu amigo e fantasma-mor  levou tiros nos pés que tão bem usava na gafieira Elite, a nossa preferida.

                Amarrado e espancado pela quadrilha, os pedaços do corpo foram queimados dentro de um pneu sem câmara e enterrados no alto da Favela da Grota, em Ramos, dele restando de lembrança apenas alguns resistentes pedaços de ossos e poucos dentes, agora sem a alvez  caraterística que endossava o sorriso que  encantava  minhas meninas concubinas.

                Não à toa o antigo conselho:

                – Polaco, antes de tudo, a gentileza. É disto que elas precisam.

               Ao chegar de viagem pelo sul da África, onde me lembrara dele, por sintonia colorística, a primeira notícia que li, ao abrir, ainda no avião, a notícia tupiniquim, foi a dele, a última, sem direito aos textos que  tanto burilava até encher o saco de tanto pedir opinião para que  fala combinasse com cala e rimasse com vala sem perder o conteúdo da reportagem fina, concisa e elegante.

              Em sua memória, amigo Tim Lopes, vou dar linha à pipa e, porque o vento agora sopra a nosso favor,  faço uma greve nesta minha polaquiana imagem.

                         –  Um beijo no seu coração !

                          Post escrito ( de pós, depois):

              Em 2007, participei, na Rádio Nacional, de uma equipe que teve o projeto patrocinado pela Andi (Associação Nacional dos Direitos da Infância).

              Nome do projeto: PRÊMIO TIM LOPES.

             Depois de executado, acabou reconhecido no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e da Infância.

             Nome do nosso trabalho premiado na Rádio  Nacional:

             ROMPENDO O SILÊNCIO.

             A minha parte, como velho repórter-investigativo a la Tim Lopes, foi fazer, de caminhão, de Manaus-Boa Vista-Venezuela.

             É o caminho de exportação de menores brasileiras que ainda são usadas na prostituição, na Europa.

             E pensar que este post começou numa lua de mel tardia no Merriot de Curaçao.

            Entonces, ouça aqui:

             http://www.podcast1.com.br/programas.php?codigo_canal=1618&numero_programa=22

 

 


Após ouvir com muita atenção a ordem do nosso líder máximo, de que o povo tem mais é que sair da merda, tive também uma grande idéia (51). Pedi uma licença na Rádio Nacional, peguei minha consorte debaixo do braço, e estamos indo passar uma semana no Hotel Marriot de Curaçao, no Caribe. E o resto do povo que continue na merda. Ou seja obediente, que nem eu, e siga a ordem do líder. Então, até a semana. Inté e axé. Boni Bini., ou seja, to saindo da merda.