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Papo 02 – Eu esqueço minha “grana” em Brasília. Em Berlim, pego de volta?

Part 02 – I forget my “money” in Brasilia. If I’m in Berlin, will I get it back?

FOTO 1 A

Em Brasília, 19 horas. E assim começa o mais antigo programa de rádio do “Brasil Maravilha”. De chegada, sofro um golpe cibernético. Zeram meu Cartão Alimentação. E aí?

Em Berlim, 4 horas da madrugada. Largo a chave dentro do apartamento do Airbnb. Já no elevador, aterrorizo-me. Lá dentro, meu colete com 3 cartões de crédito e os euros. E aqui?

Pois vamos assim para este primo papo reto entre o pensar germânico e o antagônico brazuka-portuga-latino, este famoso pela corrupção que vai do mendigo ao presidente.

In Brasilia, 19 hours. And so begins the oldest radio program of “Brazil Maravilha”. On arrival from Berlin, I suffer a cybernetic blow, here in Brasília. Anybody stoled all my Food Card. What’s up?

In Berlin, 4 o’clock in the morning. Key inside the Airbnb apartment. Already in the elevator, I terrify myself. Inside the flat, now without the keys, my vest with 3 credit cards and two thousand euros. And now?

Well, let’s go to this first, straight talk between the Germanic thinking and the antagonistic zuca-tuga-latino-ladino, this one famous for the corruption that goes from the beggar to the president.

FOTO 2 SUICIDA

Começo pelo relato de Berlim. Minha acompanhante nos últimos 40 anos esquece o colete com três cartões de crédito e débito internacionais, mais 2 mil euros em espécie (legalmente declarados, no conjunto, na saída em Brasília e na entrada na quase Europa, em Lisboa, a caminho de Berlim). A gente, a caminho do aeroporto de Tegel, madrugada, sem tempo de chamar a host do Airbnb, de origem russo-polônica. Desespero? Não. Realidade. Vamos em frente para ver no que vai dar. As chaves tinha sido deixadas dentro do flat, conforme o combinado, em cima da mesa e ao lado de um bilhete carinhoso e um presente tupiniquim ligado à caipirinha.

Continuo pelo relato em Brasília, depois eu volto para Berlim. Uma semana depois, em casa, capital do Brasil, famoso pelo maior caso de corrupção de todo o mundo, não podia dar outra. Vou ao supermercado para as recompras. Ao caixa, a surpresa. Meu Cartão de Alimentação, Green Card, com saldo acima dos R$1.500,00, economizados, estava simplesmente zerado. Desespero? Não. Realidade brasileira. Registro na política online, nas nuvens, e nos sites da Cielo e do Grupogreencard e na puta que pariu. Sorry. Continuo pretensamente calmo. Afinal, estou de volta ao meu Brasil-Brasileiro-Inzoneiro, onde até o troco ínfimo tem que ser conferido no ato.

FOTO 3 BULOW 01

De volta a Berlim. Quer dizer, Lisboa. Por conta da corrida na confusa baldeação da TAP para Brasília, que exige dez minutos em ônibus lotado, dentro do aeroporto, filas alfandeguísticas, longa caminhada por entre as lojas ditas free e, enfim, dez horas depois deste segundo ato, em casa, Brasília, reabrindo o Whatsapp com a seguinte resposta da por mim chamada “máfia russa”, dona do apartamento alugado na capital do Império Germânico, mais luterano que católico e muito menos ladino, ops, latino, vamos à mensagem, literalmente, sobre o acontecido:

“Hallo Eduardo. Ok. No problem. I will take care of it. Don’t worry!”

Algumas horas depois, chega outro Messanger direto ab Berlin to Brasília:

“Hallo, Eduardo. Everything was there: 3 Credit Card, Passcard, a Key and 2000Euros.”

FOTO 4 BULLOW 02

Pois relato então o lado ladino do meu Cartão Alimentação zerado por obra de quem será, tenho os locais das três compras efetuadas, sem a minha senha, sem o meu cartão, apenas com o natural sem-vergonhice que assolada esta Pátria Que me Pariu, vulgo P.Q.P. Por enquanto, a robótica resposta ao fato apresentado:

“O Grupo Green Card agradece pelo seu contato. Faremos o possível para responder o mais rápido possível.” Pois aguardemos. Oremos. O futuro do nosso Brasil, a quem pertence? Sei lá, porra. Enquanto isso, retroco todas as senhas possíveis e impossíveis. De fato, dois dias passados, apenas, depois de uma série de documentos assinados e mandados, a quantia volta para a conta.

Ao caminhar para manter a saúde física, a mental me alerta a cada curva. São trombadinhas, ladrões, hackers, de todos e em todos os níveis. Do pedinte ao mandante judiciário federal, passando pelo Pai de Todos, quem mesmo, onde está Ele?

– Ele está preso, babaca.

FOTO 4 BULLOW 03

Apesar deste lero que se alonga, adendo dois fatos correlatos. O primeiro, na então comunista República Tcheco-Eslováquia, hoje simplesmente Chéquia. Cidade de Kutna Hora. Minha namorada, atual companheira, esquece debaixo do colchão o colete com 2 mil dólares e os cartões de crédito. Já na Áustria, Viena, casa de um ainda amigo, morando agora em Brasília, pois ele telefona para lá e:

– Hallo. Meus amigos esqueceram umas coisas neste hotel.

– Número do quarto, dia da hospedagem, local exato onde foi deixado.

– Room número 38, debaixo do colchão, lado esquerdo de quem estiver deitado.

– Um momento, vamos verificar.

Hallo?

– Pois sim.

– Encontramos. São dois cartões em nome de … e dois mil dólares vivos. Vamos guardar no cofre do hotel. Quando vão vir buscar?

– Primeiro eles vão ter que tirar novos vistos na Embaixada.

– Tschuss.

FOTO 6 B

Segundo, acontecido há alguns meses, numa das voltas a Brasília. Atendo o telefone, uma pessoa me chama de tio, fala o nome do meu sobrinho, que mora nos Estados Unidos, fala igualzinho, não fale para ninguém, estou chegando de surpresa, mas o carro alugado em Belo Horizonte está enguiçado aqui perto de Cristalina e preciso de dinheiro para o mecânico e pode mandar a ordem na conta, espera um pouco, vou passar para o dono da oficina, a bença, tio. Resultado. Caí de pato.

Na sequência, estilo ladino-latino-tupinico-brasílico, embora morador na Capital do Brasília, com profissão respeitada, faço registro na Polícia Civil do DF, online, internet, coisa de Primeiro Mundo. Tudo escrito: nome, cpf, número da conta e banco e agência e cidade onde foi depositada a grana roubada-ludibriada. Depois, pelo telefone do banco Itaú, registro o fato, para pelo menos alertar sobre o grupo que dá golpe a partir da cadeia, usando conta de laranja. Vamos às soluções:

1 – Email da Polícia Civil Online. Lamentamos não dar sequência ao registro porque o depósito foi feito numa agência fora do Distrito Federal (Brasília). Favor comparecer pessoalmente à delegacia mais próxima da sua residência.

Resultado. Fui à primeira delegacia de Brasília, capital do Brasil, no bairro de classe média aprimorada e me acontece o seguinte, em lá chegando. Desculpe, estamos sem Internet. Mas eu quero apenas registrar uma ocorrência. Nada feito. Volte amanhã. Voltei. A Polícia tinha entrado em greve. Foi coisa de uns três anos. Dancei. Pronto.

2 – No pronto atendimento do banco comercial, o maior do Brasil. O senhor aceitou? Lógico que sim, mas fui enganado. Então, nada podemos fazer. Eu sei disso. Estou telefonando apenas para que vocês fiquem de olho nesta conta tal, do fulano de tal, na agência tal, que pertence a uma quadrilha que age de dentro da cadeia. Apenas para que vocês prestem atenção.

– Infelizmente, meu senhor, nada podemos fazer.

FOTO 7 C

Então, encerro. E aí? Berlim ou Brasília? Pode comentar. Sei que em Portugal está tendo golpe por demais com os brazucas exilados pelo aperto econômico. Mas aí não sei porque só passo correndo. Já chega o pau brasil e a cana de açúcar e o ouro e o dinheiro dos escravos que os portugas levaram do nosso Pindorama. Fico hoje por aqui mas depois eu volto com mais Alemanha, 7 – Brasil, 1.

Heil! Tschuss. Inté! Axé!

Não perca o próximo episódio:

03 – Quantas “tias” cuidam de “uma” criança em Berlim? Em Brasília…

03 – How many “aunts” care for “one” child in Berlin? In Brasilia…

FOTO 8 CRIANCA

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Chove lá fora. Cá dentro, qual cabana na montanha nevada. Mais nada? Tudo! Relato:

1- No lendo Balzac. Primo arraso do jornalístico affair.

2 – No tevendo Canal Space, filme de guerra na Georgia-Chechenia-Ucrânia.

3 – Busco no ato e comparo no fato no reler de A Prima Vítima, numa guerra, é a Verdade.

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No filme, a equipe de jornalistas de guerra fora do gabinete.

A- Repórter tipo neutro + cinegrafista de fato repórter .

B – Chove lá fora, cá na Ilha: Georgia=Chechenia=Ucrania=URSS.

Pois no ato me atenho, chove lá fora, Brasília, a dois fatos de vero:

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A – Tempos de meus primórdios de repórter no Rio:

Morte dita comum na Rocinha. Favela no Rio. Nem se imaginava nesta tal de Internet. Em O Globo, o rádio-escuta da Polícia. Ligado no da reportagem na Rural Willys. E a gente chegava no fato, no ato, antes da cana dura. Repórter de um lado, fotógrafo do outro e o motorista nos arredores. Cada qual focado no principal. A manchete. Imagina o ato.

B – Chego em Brasília. Repórter de Gabinete. Palácio do Planalto. Dois minutos para os fotógrafos registrarem a cena secreta do encontro do até hoje falso aberto. Corro pro fotógrafo da Folha, minha nova casa e … nem pensar, cara, aqui tudo é secreto, se eu te falar o que ouvi, tô fodido.

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De volta pro filme, sei lá o nome, tô nem aí, tinha o Andy Garcia e o Val Kimer, sub-aproveitados. Cena do repórter, genocídio filmado, a editora em Atlanta, Georgia, Estados Unidos:

– Nem pensar, cara, tamos transmitindo ao vivo as Olimpíadas. E o Putin acabou de falar. Que a tropa só está se defendendo.

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Moral Final:

Nesta segunda, tenho que me explicar o por causa de que não ouvi a “outra parte” no comparar o nascedouro, o áureo e o terminal estado da Petrobras.

Resposta minha:

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– Chove lá fora, aqui em Brasília, está tudo tão frio.


Sobre o meu encontro hoje com o Tom Waits no metrô de Brasília

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 Sabadão aqui na Ilha, Brasília, sol a pino, oito da matina, coloco um galho de arruda na cueca e vou à luta.

Na meta traçada a ida primária, de metrô, ao Na Hora, tirar a primeira carteira de velho.

Explico-me. Na Hora, serviço público que atendia, tempos idos, de acordo com o termo: Na Hora.

Carteira de Velho. 65 anos (estou com 66). Primeira,  porque, em sendo assim, não paga taxa.

É que nem o primeiro sutiã. Aprendi isso com a avó da mina da Firma:

– Para arranjar um amor na vida, coloque um galho de arruda no sutiã.

Continuando:

Primeiro Ato.

A pé vou aqui de casa, Madame já servida à cama,  até a estação do metrô da 12 Sul, linha direção Central. No guichê:

– Bom Dia.

Nada de volta. Boto uma nota de cinco. A funcionária pública ranzinza, enjoada, menstruada, menopausática, devolve-me o ticket (vale por dois dias) e o troco de três reais (uma nota de dois e duas moedas).

Segundo Ato.

Vou do guichê ao primeiro de uma série de obstáculos na forma de roleta. Ai que saudades de Berlim, onde não existe roleta nem cobrador, só o motorista dizendo:

– Bom Dia!

Terceiro Ato.

Metrô limpo, bonito, cheiroso (sábado sem o cheiro do povo) mas demorado (a cada 20 minutos) até porque fica três minutos parado em cada estação, a ver navios, diria eu na Praça Mauá, no Rio, duas da madrugada.

Quarto Ato.

Chego à Central (Rodoviária do Plano Piloto), passo pelo povo cheirante que dorme à sombra da pilastra depois de mais uma noitada regada a crack barato e incestuoso, noto nas barrigas inchadas das meninas envelhecidas rapidinho por demais nesta vida.

Quinto Ato.

Entro no Na Hora (nos tempos idos, mais limpo e muito mais educado). Na primeira das filas, para pegar a senha, passo pela guardinha do SERVI.

– Bom Dia!

  E ela:

– Aquele guichê ali!

Vou. Penso em Vida de Gado com o Tom Zé.

– Bom Dia!

– Ainda é divorciado? Trouxe a certidão? Trouxe a velha? (a carteira de identidade antiga, soube na hora de quase partir pra porrada porque Madame ainda é uma jovem). Espere ser chamado naquele canto ali, naquela Tv ali, para ser atendido na Sala C.

– Sala Seis? – resolvo perturbar a empáfia do funcionário bem remunerado de Brasília.

– Sala C.

– Seis?

– SEIS!!! não me confunda. SALA C !!!

Sexto Ato.

Não é cesto não, seu analfabeto. Na Hora! Espero quinze minutos, isto porque está relativamente vazio e tenho a senha C751 – Preferencial.

– Plim!Plim! Aparece a senha e a sala:  Seis? Não, cara, é C. Ah. Guichê 72.

Vou, né, que nem gado preferencial. Entro.

– Pode sentar. Cuidado para não cair porque a cadeira está um pouco quebrada.

– Bom Dia!

– Trouxe a certidão de divórcio e a velha?

– Não. Eu vim sozinho. E se não responder meu Bom Dia, te mando à MERDA!!!

– O que é isso meu senhor. Isto é falta de respeito à autoridade. Pode ser preso. Leia o cartaz ali. Não admito, blá-blá-blá.

– Vai te foder, funcionariozinho de merda!!!(penso comigo, bem baixinho).

 Sétimo ato.

Vinte minutos depois de endereço, cpf, que nome é este, e o de tua mãe, termina com ypsolon por que? Nasceu em Ponta Grossa, é? Fotografia. Levante o peito. Feche a boca. Ponha os dez dedos aqui. Por que? Digitais, meu. Ih, teu nome está errado aqui no arquivo. Está Mancasz. E a velha (identidade) aqui está me dizendo Mamcasz. Que nome estranho é este? Polaco… Ah… Pronto, acabou.

– Pego a nova aqui mesmo?

– Ainda não. Continue com a velha!

– Mandam pelo correio, que nem nos tempos antigos,  quando Na Hora era Na Hora?

– Tem que vir buscar aqui.

– Senha, espera de novo e tudo, sem Bom Dia no teu não vai nada não?

– É, polaco. Tudo muda. Para pior. Te pira daqui.

– Bom Dia!

– PRÓXIMO!!!

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Oitavo ato.

Refaço o caminho. Nem dá gosto de partir para um caldo de cana com pastel na Rodoviária do Plano, como fazia em dantanho tempo com a namorada da hora,  alta madrugada de Brasília. De volta ao guichê para novo ticket:

– Bom Dia!

– Quantos?

– Um Bom Dia só está bom para mim.

– PRÓXIMO!!!

Espero vinte minutos pelo próximo metrô. Chega o da Samambaia. Ainda bem. Porque a linha Ceilândia  passa no Condomínio Sol Nascente, a maior FAVELA do Brasil. Pelo IBGE, acaba de ganhar esta posição ao ultrapassar a grande ROCINHA, do Rio. Agora, vamos ao motivo da foto:

Entro. Sento-me. No vagão reservado aos homens de verdade. Aguardo uns minutos. O alto fala:

– Olá,  senhor usuário (?). Bom Dia!!!

– BOM DIA É O CARALHO. SÓ AGORA ME RESPONDE? AINDA POR CIMA PELO ALTO-FALANTE? VAI TE FODER. PEGA ESTE BOM DIA E ENFIA NO…

A reação dos que estavam por perto foi a de no imediato se levantarem à procura de novas cadeiras no vagão ao lado. Até entendo a reação. Eles não sabem a causa. Eles são rebanho. Eles são o povo. Zé Ninguém.

 Melhor ainda. Pelo seguinte. Quando a porta do vagão já ia fechando para a viagem de volta, acontece o seguinte: entra um velho, esbaforido, tipo meio louco e mais um pouco. Penso. Vai sobrar para mim. Não dá outra. Senta ao meu lado:

Good Morning, my dear Polack. How do you in this beatiful sábado de manhã here nesta Ilha de merda?

– Bom dia!!!

E logo após esta automática resposta, olho para o elemento e eis de quem se trata:

– My dear Tom Waits!  What are you doing por aqui, porra, meu. Vem cá. Me dá um beijo na boca.

– Sai para lá, polaco. Kiss outro ess, meu.

Melhor ainda. Tom Waits, em resposta, simplesmente começa a cantar no meu ouvido. Assim, ó:

– Sane, sane, they are all insane. The fireman´s blind. The conductor´s lame.

– Claps hands, polaco. Claps hands.

– Son of bitch!

– O que?

– OK?

– Tá indo para onde, meu caro Tom Waits?

– Going to Ceilândia ( Land of CEI – Centro de Erradicação de Invasões) with a pistol on my jeans.

– De jeito nenhum. Tom Waits. Primeiro vamos descer aqui na 12 Sul. Tomar umas caipirinhas em casa. Tirar Madame da cama. Ela te ama. Escutar todo o teu  RAIN DOGS, ao vivo, de tua boca do Harlem direto para este meu ouvido polaco bahiano. I don’t stay here, meu. I wana to go back to Bahia. 

– Let´s go, polaco.

– Porra, quem diria, cara. Canta outra vez aqui no meu ouvido:

https://www.youtube.com/watch?v=SWJvohfCCdk

Observo ao final:

Este conto pouco louco ou louco pouco conto  ou pouco louco conto, vai para meu grande amigo Flavinho (Flavio Mattos), que (quem) tem a coleção mais completa de Tom Waits do que a minha, com autógrafos e tudo, e também porque estou devendo a entrega a ele de mais um cardápio internacional, este encontrado ao passar numa faixa de pedrestre, na chique Rue de Montaigne, em Paris, neste Natal, e o cartaz lá no asfalto, o tempo suficiente para me abaixar, pegá-lo, que os carros estavam prontos para avançarem para cima dele que, aliviadíssimo da vida me suplica:

– Me leve para o Flavinho!!! (S.V.P.)


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Nossa Senhora de Brasília.
Que em 2014 reine, na certeza soberana,
Sobremesa farta, na mesa e na cama,
Mas sem nos chafurdar em tanta lama.

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Nossa Senhora do Brasília,

Santa dos sobressaltos,

Vos rogamos um presente bem brasileiro:

Que  ressuscitemos,  de  uma  só  vez,

Sem  ser preciso  ser santo nem  suar de medo

Nesta  incerteza de tantos segredos.

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Adicionemos  a  este  nada,  o tudo

Que, noves fora, sonhamos  conceber.

E multipliquemos o zero da fartança,

Dividido pela dúvida agora do ato,

Que espanta, de fato, a esperança.

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Que reine,  na certeza soberana,

Sobremesa farta,

na mesa e na cama,

 Sem nos chafurdar em tanta lama.

Ouça bem, Nossa Senhora de Brasília,

O brado fervoroso do vosso povo:

Que em 2014

Tenhamos a nossa vez.

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São os votos de Mamcasz, Poeta-Zen,

E de sua consorte, Cleide.

Amém.

Para ouvir a mensagem completa, ao som do Hino Nacional,

Clique

https://soundcloud.com/mamcasz/feliz-ano-novo-povo-by-mamcasz

Leia

 https://clubedeautores.com.br/book/156311–BIOGRAFIA_DE_UMA_GREVE#.UsNRdltDvl8


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        “Biografia de uma greve” relata, em 30.627 palavras, os quinze dias de uma árdua parada, em novembro de 2013, sustentada debaixo de chuva e de sol intenso, em Brasília, Rio e São Paulo, por 874 “guerreiros” da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, pressionados por 431 chefes.

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         Escrita pelo velho jornalista Eduardo Mamcasz, autor de vários livros, trabalhador da empresa desde 1980, este registro do cotidiano da greve vai dos piquetes nas portas da empresa aos atos na frente do Palácio do Planalto, e às passeatas pelas ruas centrais das três capitais principais.

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(Photo by Christiane Saú DAgostinho)

          Para os interessados no movimento grevista, este livro desnuda o confronto CUT versus PT e o comportamento ditatorial, nas negociações, por parte de companheiros que, há pouco anos, eram tão agressivos quanto no lado hoje adotado por eles na carapuça patronal capitalista.

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(Photo by Fabio Pozzebom)

         Esta biografia, finalmente, mostra os variados momentos psicológicos, que vão do enfrentamento dos colegas fura-greve ao desânimo diante da intransigência dos gestores estranhos aos quadros efetivos da empresa, culminando na vera catarse do voto final e soberano da assembleia.

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Boa greve, desculpe, ótima leitura.

 Obrigado pela companhia solidária.

Para ler 20 páginas de amostra grátis ou para comprar, clique abaixo:

https://clubedeautores.com.br/book/156311–BIOGRAFIA_DE_UMA_GREVE#.Uquc9FtDvlh_

Photo by Mamcasz 006


Another sunday at Brasilia with in a sunny day.

(Para ser curtido ao som de milongas de Renato Borgheti)

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O título em cima é por causa da rima redundante. Falo do outro, que deveria ter sido. Another Sunday at Brasilia with in a sunny day. Sun-day. Dia do Deus Supremo, o Sol. Vertido para Domus-in-go, Dia do Senhor, Domus, Dom Polaco que vos escreve a respeito de um brilhante caminho do que se torna, no almoço de hoje tardio, um Arroz Carreteiro a la mode do Sul do Brasil.

Antes de passar para os ingredientes e, quiçá a receita dominical, atenho-me ao charque, da banda dianteira, não ressecado mas jamais fresco. Por falar nele, o charque, das bandas do Sul, foi exportado, por meio dos Navios-Ita, que faziam a cabotagem ao longo da costa, exportado para onde?

A Carne-Seca, Jabá, Carne-de-Sol, que se canta em verso e canto Gonzaguianos, na verdade é uma invenção sulista, dos pampas e campos gerais, companhia feminina do peão ao conduzir as boiadas, com tradicionais paradas em Ponta Grossa. Ponta é rebanho e Grossa, bom, é evidente, né?

A mesma coisa, antes de partirmos para os ingredientes (melhor olhar os detalhes da foto, antes). Lembro aqui, nascido em Ponta Grossa, embora polaco-bahiano, que o mesmo acontece com o mate, sempre quente e amargo, legítima invenção dos polacos do Paraná, usurpado pelos gáuchos.

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1 – Charque dianteiro dessalgado à noite, à geladeira, em água profunda, e dele tirados os fiapos de nervos ou pseudo-gorduras, além de cortados em cubos de tamanho interessante aos olhos e à necessidade do peão boiadeiro não ter que usar faca ou garfo, só a mão na farinha de mandioca.

2 –  Arroz, por supuesto, tanto que o manjar tem como substantivo o próprio, casado com o charque, antes tem um caminho que passo a mostrar, tão logo o cereal esteja muito bem lavado, escorrido e secado para que continue assim, livre, leve e solto até a fase pré-endereçamento interno.

3 –  Pinhão cozido e cortado de comprido porque de lado não é coisa de polaco e de cubinho só o charque curtido na Princesa dos Campos Gerais, a capital cívica  do Paraná, este o apelido de Ponta Grossa, terra originária deste escriba polaco-bahiano, tanto que batizado na Igreja e logo depois no Olho d’Água, salve-salve minha mãe Iara-Iemanjá.

“Pinheiro, me dá uma pinha;

Pinha, me dá um pinhão.

Polaco,  me dá um pedaço,

Que te dou me coração.”

(Rima entendível somente pelos iniciados nos pinhais).

4 – Tomate. Aqui, há discrepâncias. Aconselha-se cortá-lo em cubos, do mesmo tamanho dos do charque, e só colocá-lo ao quase final, antes do cheiro verde, tem que ser cebolinha e salsinha e mais nadinha, tá? A cebola e o alho já entraram na fase pós inicial, depois de fritados os cubos de charque ao azeite, ou seja, pego aquele bronze da chama eterna das fogueiras das paixões passageiras.

– Florzinha!  Me traga uma cerveja. Larga esta tua turma. Hoje é domingo. Você é todo meu.

Vou e volto porque Madame hoje está compenetrada no começo da leitura de um livro com 1.077 páginas, chamado HITLER, do Ian Kershaw, o mais completo de todos, primo capítulo se chama Fantasias e Fracassos, comento que não haverá profícuo diálogo aqui em casa por um bom tempo, não sem antes apresentar no copo especial, cristal fino, a cerveja Quilmes, litrão, vindo de Buenos Aires, para onde estamos indo na primavera. E a receita de Arroz à Carreteiro continua.

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5 – Apresentada a cerveja, entra a parte destinada ao polaco-bahiano, na forma da vodka, de boa qualidade, e o limão adrede, subido do açúcar e do gelo fica faltando apenas o agito, dá um tempo que já volto, aliás, hoje, no mercado, comprando o cheiro-verde, passei três minutos me enamorando de um vidrinho de azeite de dendê, que não tem nada a ver com a prosa aqui, mas faz parte do meu eu dos tempos de Berlinque, município de Cacha-Pregos, Ilha de Itaparica, onde fui cidadão nada exemplar.

6 – Último olhar para a foto dos ingredientes, acima, ou para a panela já preparada, com azeite, lusitano,, não baiano, e cubinhos, os terceiros desta receita, de beicon. Olhou? E daí? Percebeu outra interferfência baiana na receita de Arroz à Carreteira do polaco aqui? É o pequeno tipo cálice de porcelana holandesa, nela repousando pimenta dedo de moça, cortada em rodelas finas, mas nunca macerada, em leito de azeite, tem que ser virgem.

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– Florzinha!

Madame levanta os olhos do livro, atenta como sempre e aguarda.

– Posso chamar algumas pessoas queridas para compartilhar este sunny day com a gente?

– Nem pensar!!!

– Pô, Madame, desculpe, Florzinha. Por que?

E ela, firme e serena, forte e amena:

– PORQUE HOJE EU QUERO VOCÊ, POLACO, TODINHO PARA MIM.

 


Os dez melhores cartazes dos Filhos da Revolução do Brasil

        São famosos os cartazes da Revolução Russa, com seus punhos cerrados, foice amestrada e martelo industrial alimentada nas veias abertas na Sibéria. Sem contar os filmes, as poesias e as músicas.

      Pois aqui nos Tristes Trópicos, os bisnetos dessa Revolução Comunista, netos do pré-64, e filhos de 68 empoleirados ora no Poder, voltam às ruas divorciados das classes trabalhadoras da UNE e CUT.

     Em compensação, sobra sabor  de sopro novo no horizonte, donos de centavos que dão um chega para lá nas autoridades vigentes, ex-guerrilheiros, à sombra do sempre  aparato coronelístico-militarista.

The ten best posters of the Sons of the Revolution in Brazil

     Are famous posters of the Russian Revolution, with his fists clenched, sickle and hammer tame industrial fed in open veins in Siberia. Not counting the movies, poetry and songs.

    For here in Tristes Tropiques, the great-grandchildren of this Communist Revolution, the pre-64 grandchildren, and 68 children perched in power now, back to the streets divorced from the working classes and the UNE CUT.

      Instead, plenty of flavor blow again on the horizon, owners cents giving a reach beyond the existing authorities, former guerrillas, the shadow of the ever-militarist coronelístico apparatus.

     Portanto, os pais dos Filhos da Revolução que acontece nas ruas de todo o Brasil, de Norte a Sul, estão de quatro, embasbacados, desnorteados e encastelados atrás de grades hoje bem reforçadas.

      Para mim, no entanto, o melhor de tudo isto é vislumbrar o futuro através dos cartazes não mais impresos em gráficas clandestinas ou mimeógrafos gelatinosos, mas feitos no ato da rua, no repente.

       Eis alguns dos melhores momentos espalhados nesta Primavera Brasileira:

      Therefore, parents of the Sons of the Revolution that happens on the streets all over Brazil, from north to south, are four, dumbfounded, bewildered and entrenched behind bars today and strengthened.

      For me, however, the best of all this is to see the future through posters impresos no more graphic in clandestine or mimeograph gelatinous, but made ​​upon the street, in a sudden.
Here are some of the best moments spread this Brazilian`s Spring:

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There’s so much wrong that does’nt  fit on this poster

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Your son does’nt run out of a fight

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Take the black money of politicians. Do not clean the money of the people.

Brazil 002 by Mamcasz

Your son does’nt run out of a fight

Brazil 004 by Mamcasz

 

When your child will sick,  take him to the football stadium (FIFA)

Brazil 005 by Mamcasz

Brazil 007 by Mamcasz

A people who vote on the thighs takes in the ass.

Brazil 008 by Mamcasz

Who decides the elections in Brazil are not the newspapers, but who cleans the ass with them.

Brazil 009 by Mamcasz

Ô uniformed (police).  You are also explored.

Brazil 010 by Mamcasz

Dilma (president of Brazil – Dilma Roussef), it’s your fault.

Today the class is on the street.

Brazil 006 by Mamcasz

No one party represents me.