Popular Economy



O que seria de nós reclusos sem os serviçais

( O mais recente capítulo do livro em gestação

Diário da Pandemia em Berlim )

Da varanda da cela desta cadeia pandemônica ora em Berlim, primeiro no primo andar, agora no sétimo céu, acompanho de cá lá no chão a classe operária que um dia iria ao paraíso  que, enquanto aqui neste inferno virótico, trabalha de cara aberta, sem manter distância mútua, no afã, entre outros, de catar o lixo nosso de antes, no depois e, principalmente, enquanto dure esta quarentena que se alonga no incerto.

Tem ainda os meio próximos, os serviçais da faxina geodetetizante da nossa moradia coletiva mas selecionada. Junto com eles, chegam o carteiro, o entregador de marmita, e para quem não ousa o êxito  as compras do mercado  nesta fase de tudo online, só quero ver como vai ser quando esta sociedade voltar a ficar offline, offemprego, offescola, offquasetudo da vida.

Falei aqui noutro dia do acompanhamento que fiz, desde o primeiro andar, ao fazer o café, quando no prédio do outro lado da rua, sempre às 06h45m, saía uma mulher de meia idade com a função de retirar para a frente da rua quatro conteiners de lixo, de cores diferentes. Quinze minutos depois chega o caminhão de lixo, cada dia de uma cor diferente, afinal somos uma sociedade toda reciclada.

Tem ainda, igual aqui em frente, mas neste caso mais do alto, os laboriantes do leste europeu trazidos para comerem poeira suja de cimento misturada ao asfalto e ferragens das obras do metrô que garantem ser de essencial urgência para os que não se aventuram nem a pegar um vento à janela, vai que o coroa chinês adentra o sacrossanto lar transformado em creche, asilo ou como se diz, home office.

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                 Was wurde aus uns Gefangenen ohne die Diener werden?

Pois acordo hoje e olho para o parque em frente, que começa a ficar verde primaveril, e onde a classe média pseudo-encarcerada a domicílio pode deitar na grama e ensolarar suas ancas durante um certo tempo, ou então dar vazão ao tratamento dos amados cachorros ou fingir que se pratica algum tipo de exercício com as crianças aqui não mimadas e loucas para voltar ao convívio social das escolas.

O cenário da servidão a serviço dos que temem o coronavirus, parecendo que aos serviçais ela não alcança, nesta manhã começa pelo trator que apara o gramado, o caminhão que recolhe as folhas, o romeno que passa o aspirador nas quinas da calçada, enfim, até os expiradores de água, diversos, no afã de deixarem tudo limpo e cheiroso porque logo mais chegam os humanos e os caninos enfurnados nas celas.

Deixo então para o final o propósito desta ata, espero que não a final, afinal ninguém sabe  nosso sino destino, para contar um episódio genuinamente alemão. No silêncio, chegam dois caminhões. Dois motoristas. Um com o enorme guindaste. Atrelado ao outro, uma pequena máquina. Aguardemos. Já descrevo este ato que, com certeza, é de extrema importância para a sociedade, diria essencial. Detalho.

O motorista do primeiro caminhão sobe na cadeira na base do guindaste e ele mesmo aciona o controle e vai subindo até o meio da árvore verde e frondosa e começa, já com a motoserra acionada, a cortar cada galho maior do que o outro. Na calçada, o motorista do outro carro pega os galhos, inclusive os troncos, coloca na máquina que tritura tudo e joga na carroceria devidamente protegida pela coberta. Viva a sociedade reciclada. Fuck the virus.

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Que deviendrions-nous prisonniers sans les serviteurs

Daqui de cima, superior, de longe, protegido,  não vejo em nem um e nem outro qualquer sinal de mascarado, enluvarado e tal, mas estão bem arrumados. Ao final dos cortes e da trituração, avança o melhor jeito alemão de trabalhar, mesmo que no meio de uma pandemia virótica desalmada apenas para alguns setores. O segundo motorista pega um rastelo, recolhe as folhas caídas na calçada, e depois varre tudo.

Ao final, o primeiro motorista, que havia subido, já está ao chão e recolhe a escada, a serra, o guindaste, os cones de trânsito que desviaram os carros de uma das duas pistas. O outro motorista aproveita para limpar as peças usadas, bem como a carroceria traseira e guardar o rastelo, a vassoura, o aspirador e, enfim, pergunto aqui de longe, de cima, superior:

  • Você não se preocupa  com este tal Sino-Corona-Virus19? 

Enquanto os serviçais continuam a vida dita essencial para a sociedade melhor situada, independente dos riscos que pegar ou não o coronavirus, morrer ou não, acontece agora, lá no Centro dito Mitte, o encontro nacional, online, lógico, da Chanceler Angela Merkel e todos os governadores da Alemanha. Baseados nos conselhos da Ciência Moderna, bem protegidos, resolveram prolongar o isolamento social.

– Mais ainda?

Pois então deixemos os serviçais trabalharem em paz, lógico que não me esqueço dos médicos, enfermeiras, motoristas de ambulâncias, faxineiros de hospitais, pegadores de teste, fornecedores de máscaras, policiais e até os guardinhas que vigiam a sociedade protegida para que no parque em frente da minha cela domiciliar  não se achegue por demais e tome seu sol nas ancas à vontade. Pelados, sim; sem máscara, jamais. Heil!

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                     ¿Qué sería de nosotros prisioneros sin los sirvientes? 

Adiantando alguns pontos que começam a valer depois do acordo feito entre os governos federal e estaduais da Alemanha e anunciados agora há pouco:

– A partir de segunda, 19 de abril, podem abrir lojas de até 800 metros quadrados de área.

– A partir de 4 de maio, algumas coisas a mais são permitidas, tipo salão de cabeleireiro e, principalmente, a volta gradual às escolas.

– Até 30 de agosto,  nada de grandes eventos tipo shows e até mesmo jogos de futebol.

– Continua proibido, só Deus sabe até quando, os cultos em igrejas, mesquitas, sinagogas e outros do mesmo teor.

– A mesma coisa, tudo fechado, para os bares, restaurantes, teatros, óperas, cinemas e discotecas.

Tudo isso, como acaba de dizer a Angela Merkel, bem tipo dona de casa, porque a Crise do Coronavirus, na Alemanha, alcança apenas um “frágil sucesso interino.” Ou seja, nada de se encostar um no outro, embora o povo alemão seja mesmo do tipo arredio. E continuar na rua, trabalhando, independente da condição, só mesmo os serviçais desta sociedade devidamente protegida. Ela. Eles, não.

Pronto. Terminado o relato de hoje neste Diário da Pandemia em Berlim. Normalmente, eu sei como começa e não tenho idéia de como termina este relato que tem sido diário, desde 11 de março de 2020, quando aqui cheguei para três meses legais de permanência, aliás,  como esta dupla de risco, Polaco & Madame, tem feito há muito tempo e mais ainda quando deixou de ser serviçal pública da comunicação.

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Inté.

Axé.

Tschuss.

https://www.morgenpost.de/vermischtes/article228910311/Coronavirus-RKI-Fallzahlen-Deutschland-Merkel-Corona-Kontaktsperre-Massnahmen.html


#berlin #berlim #brasilia #brazil #brasil #corrupção #futebol

Papo 02 – Eu esqueço minha “grana” em Brasília. Em Berlim, pego de volta?

Part 02 – I forget my “money” in Brasilia. If I’m in Berlin, will I get it back?

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Em Brasília, 19 horas. E assim começa o mais antigo programa de rádio do “Brasil Maravilha”. De chegada, sofro um golpe cibernético. Zeram meu Cartão Alimentação. E aí?

Em Berlim, 4 horas da madrugada. Largo a chave dentro do apartamento do Airbnb. Já no elevador, aterrorizo-me. Lá dentro, meu colete com 3 cartões de crédito e os euros. E aqui?

Pois vamos assim para este primo papo reto entre o pensar germânico e o antagônico brazuka-portuga-latino, este famoso pela corrupção que vai do mendigo ao presidente.

In Brasilia, 19 hours. And so begins the oldest radio program of “Brazil Maravilha”. On arrival from Berlin, I suffer a cybernetic blow, here in Brasília. Anybody stoled all my Food Card. What’s up?

In Berlin, 4 o’clock in the morning. Key inside the Airbnb apartment. Already in the elevator, I terrify myself. Inside the flat, now without the keys, my vest with 3 credit cards and two thousand euros. And now?

Well, let’s go to this first, straight talk between the Germanic thinking and the antagonistic zuca-tuga-latino-ladino, this one famous for the corruption that goes from the beggar to the president.

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Começo pelo relato de Berlim. Minha acompanhante nos últimos 40 anos esquece o colete com três cartões de crédito e débito internacionais, mais 2 mil euros em espécie (legalmente declarados, no conjunto, na saída em Brasília e na entrada na quase Europa, em Lisboa, a caminho de Berlim). A gente, a caminho do aeroporto de Tegel, madrugada, sem tempo de chamar a host do Airbnb, de origem russo-polônica. Desespero? Não. Realidade. Vamos em frente para ver no que vai dar. As chaves tinha sido deixadas dentro do flat, conforme o combinado, em cima da mesa e ao lado de um bilhete carinhoso e um presente tupiniquim ligado à caipirinha.

Continuo pelo relato em Brasília, depois eu volto para Berlim. Uma semana depois, em casa, capital do Brasil, famoso pelo maior caso de corrupção de todo o mundo, não podia dar outra. Vou ao supermercado para as recompras. Ao caixa, a surpresa. Meu Cartão de Alimentação, Green Card, com saldo acima dos R$1.500,00, economizados, estava simplesmente zerado. Desespero? Não. Realidade brasileira. Registro na política online, nas nuvens, e nos sites da Cielo e do Grupogreencard e na puta que pariu. Sorry. Continuo pretensamente calmo. Afinal, estou de volta ao meu Brasil-Brasileiro-Inzoneiro, onde até o troco ínfimo tem que ser conferido no ato.

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De volta a Berlim. Quer dizer, Lisboa. Por conta da corrida na confusa baldeação da TAP para Brasília, que exige dez minutos em ônibus lotado, dentro do aeroporto, filas alfandeguísticas, longa caminhada por entre as lojas ditas free e, enfim, dez horas depois deste segundo ato, em casa, Brasília, reabrindo o Whatsapp com a seguinte resposta da por mim chamada “máfia russa”, dona do apartamento alugado na capital do Império Germânico, mais luterano que católico e muito menos ladino, ops, latino, vamos à mensagem, literalmente, sobre o acontecido:

“Hallo Eduardo. Ok. No problem. I will take care of it. Don’t worry!”

Algumas horas depois, chega outro Messanger direto ab Berlin to Brasília:

“Hallo, Eduardo. Everything was there: 3 Credit Card, Passcard, a Key and 2000Euros.”

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Pois relato então o lado ladino do meu Cartão Alimentação zerado por obra de quem será, tenho os locais das três compras efetuadas, sem a minha senha, sem o meu cartão, apenas com o natural sem-vergonhice que assolada esta Pátria Que me Pariu, vulgo P.Q.P. Por enquanto, a robótica resposta ao fato apresentado:

“O Grupo Green Card agradece pelo seu contato. Faremos o possível para responder o mais rápido possível.” Pois aguardemos. Oremos. O futuro do nosso Brasil, a quem pertence? Sei lá, porra. Enquanto isso, retroco todas as senhas possíveis e impossíveis. De fato, dois dias passados, apenas, depois de uma série de documentos assinados e mandados, a quantia volta para a conta.

Ao caminhar para manter a saúde física, a mental me alerta a cada curva. São trombadinhas, ladrões, hackers, de todos e em todos os níveis. Do pedinte ao mandante judiciário federal, passando pelo Pai de Todos, quem mesmo, onde está Ele?

– Ele está preso, babaca.

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Apesar deste lero que se alonga, adendo dois fatos correlatos. O primeiro, na então comunista República Tcheco-Eslováquia, hoje simplesmente Chéquia. Cidade de Kutna Hora. Minha namorada, atual companheira, esquece debaixo do colchão o colete com 2 mil dólares e os cartões de crédito. Já na Áustria, Viena, casa de um ainda amigo, morando agora em Brasília, pois ele telefona para lá e:

– Hallo. Meus amigos esqueceram umas coisas neste hotel.

– Número do quarto, dia da hospedagem, local exato onde foi deixado.

– Room número 38, debaixo do colchão, lado esquerdo de quem estiver deitado.

– Um momento, vamos verificar.

Hallo?

– Pois sim.

– Encontramos. São dois cartões em nome de … e dois mil dólares vivos. Vamos guardar no cofre do hotel. Quando vão vir buscar?

– Primeiro eles vão ter que tirar novos vistos na Embaixada.

– Tschuss.

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Segundo, acontecido há alguns meses, numa das voltas a Brasília. Atendo o telefone, uma pessoa me chama de tio, fala o nome do meu sobrinho, que mora nos Estados Unidos, fala igualzinho, não fale para ninguém, estou chegando de surpresa, mas o carro alugado em Belo Horizonte está enguiçado aqui perto de Cristalina e preciso de dinheiro para o mecânico e pode mandar a ordem na conta, espera um pouco, vou passar para o dono da oficina, a bença, tio. Resultado. Caí de pato.

Na sequência, estilo ladino-latino-tupinico-brasílico, embora morador na Capital do Brasília, com profissão respeitada, faço registro na Polícia Civil do DF, online, internet, coisa de Primeiro Mundo. Tudo escrito: nome, cpf, número da conta e banco e agência e cidade onde foi depositada a grana roubada-ludibriada. Depois, pelo telefone do banco Itaú, registro o fato, para pelo menos alertar sobre o grupo que dá golpe a partir da cadeia, usando conta de laranja. Vamos às soluções:

1 – Email da Polícia Civil Online. Lamentamos não dar sequência ao registro porque o depósito foi feito numa agência fora do Distrito Federal (Brasília). Favor comparecer pessoalmente à delegacia mais próxima da sua residência.

Resultado. Fui à primeira delegacia de Brasília, capital do Brasil, no bairro de classe média aprimorada e me acontece o seguinte, em lá chegando. Desculpe, estamos sem Internet. Mas eu quero apenas registrar uma ocorrência. Nada feito. Volte amanhã. Voltei. A Polícia tinha entrado em greve. Foi coisa de uns três anos. Dancei. Pronto.

2 – No pronto atendimento do banco comercial, o maior do Brasil. O senhor aceitou? Lógico que sim, mas fui enganado. Então, nada podemos fazer. Eu sei disso. Estou telefonando apenas para que vocês fiquem de olho nesta conta tal, do fulano de tal, na agência tal, que pertence a uma quadrilha que age de dentro da cadeia. Apenas para que vocês prestem atenção.

– Infelizmente, meu senhor, nada podemos fazer.

FOTO 7 C

Então, encerro. E aí? Berlim ou Brasília? Pode comentar. Sei que em Portugal está tendo golpe por demais com os brazucas exilados pelo aperto econômico. Mas aí não sei porque só passo correndo. Já chega o pau brasil e a cana de açúcar e o ouro e o dinheiro dos escravos que os portugas levaram do nosso Pindorama. Fico hoje por aqui mas depois eu volto com mais Alemanha, 7 – Brasil, 1.

Heil! Tschuss. Inté! Axé!

Não perca o próximo episódio:

03 – Quantas “tias” cuidam de “uma” criança em Berlim? Em Brasília…

03 – How many “aunts” care for “one” child in Berlin? In Brasilia…

FOTO 8 CRIANCA


         Então, vamos lá. A partir de hoje (15/jan/19), no Brasil, eu posso ter quatro armas, certo? E daí? Arma, eu sempre tive a minha. Uma metralhadora. Com ela eu já matei, feri – de raspão ou mais profundo, aleijei – de leve ou para a vida, tanto no ataque quanto na defesa.

      Preste atenção nesta minha prosa, ô camarada, companheiro, colega, amigo, comparsa, pessoa,  até porque por um senão te varro, com uma rajada, da face deste ambiente dito terreno, nunca ameno, a menos que estejas com colete à prova de quatro armas legalizadas.

           Pois exibo a minha munição preferida que nunca me falhou nestes 71 anos de vida, devido, quiçá, ao meu estilo de arapuca, tramóia, armadilha, cilada, engodo, embuste, campana e baldroca pelas quais sempre te faço cair na rede mesmo que não sejas peixe, pequeno ou graúdo.

          Estou portanto pouco me lixando com este decreto permitindo o uso pessoal de armas porque, repito na maior cara de pau, sempre tive a minha, uma metralhadora, atiro na sequência uma rajada para cima de tua pessoa só pelo gosto de sentires o gozo desta minha tão amada munição.

          As balas que eu costumo usar são formadas por letras – inconstantes consoantes que, sozinhas, não valem coisa nenhuma, precisam do alento das vogais que, por sua vez, dependem dos símbolos e, todos juntos, em ordem unida, pedem o socorro do meu dedo no gatilho. Aperto.

            Miro no A, finjo no E, minto no I, atiro no O e, morres no U. Isto na primeira arma, uma pistola no formato de caneta compacta. Na segunda, formo palavras à toa na multidão no formato de coquetel de letrinhas. Minha terceira arma legal dispara frases, conexas ou desconexas, que tal?

        De volta à minha arma de estimação, legalizada, a velha metralhadora, com ela mesmo que grites no paredão, de olhos vendados, ouvirás o zumbido rasgado das rajadas de parágrafos, páginas e capítulos que podem te matar no ato, com fato confessado ou inventado, a dor é igual.

       Pronto. Está dado o aviso. Estou me lixando de montão com este decreto bolsonariano permitindo que eu cidadão tenha até quatro armas nas minhas duas mãos. Sou mais a minha metralhadora que sempre atirou letrinhas, muitas delas mortais, ricocheteadas até dentro do teu coração.

       – Mas eu sou analfabeto, polaco, tua metralhadora e nada é tudo  para mim.

          Miro. Respiro. Prendo o ar dentro de mim. Penso. Repenso. Calculo a distância entre o meu gatilho e o teu suspiro. Destravo. Aperto o gatilho até o primo passo. Decido. Disparo um só ponto no centro da tua cabecinha. Este ponto tiro de cima da letra-vogal dita do i. É teu o Fim.

(Photo Namastê by Mamcasz).

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paris monnaie by mamcasz

Voila my 15 “seconds” of international fame. The name of this polish from Ponta Grossa, unpaved street, no sewage or treated water wholesale piá of worms, killed by constant hunger thin polenta, just out on the sign of the Mint in Paris. It’s nothing, it’s nothing, but it is almost everything. I just sinned by pride hunger for fame. Sic transit gloria mundi, do whatever. A bientôt, brown tupiniquim tribe. Au revoir.

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Voilá meus 15 “segundos” de fama internacional. O nome deste polaco de Ponta Grossa, da rua sem calçamento, sem esgoto nem água tratada, piá atacado de verminose, da fome matado pela constante polenta rala, acaba de sair no letreiro da Casa da Moeda em Paris. Não é nada, não é nada, mas é quase tudo. Acabo de pecar pela soberba fome de fama. Sic transit gloria mundi, fazer o que. A bientôt, parda tribo tupiniquim. Au revoir.

paris monnaie 03 by mamcasz

Voila mon 15 “second” de renommée internationale. Le nom de cette polonaise de Ponta Grossa, rue non pavée, ni réseau d’égout ou d’eau traitée Piá gros de vers, tué par la faim polenta fine constante, vient de sortir sur le signe de la Monnaie de Paris. Ce n’est rien, ce n’est rien, mais c’est à peu près tout. Je viens de péché par orgueil faim de gloire. Sic transit gloria mundi, faire autre chose. A bientôt, tribu de Tupiniquim brun. Au revoir.

http://youtu.be/B_JIK8rYERo


1 –  Acesso, com senha, New York Times. Recebo uma oferta. Pesquisa ampla nos arquivos, por um mês, de graça. No Credit Card.

nyt

2 – Ao mesmo tempo, atendo o celular. Uma voz malemolente de carioca desperto com o fim da Copa tenta me convencer a ter acesso aos arquivos do Globo Online. E joga conversa fora da bacia.         

       nyt glogo                                                                                                       

E eu:

– Tô sabendo aonde o mano quer chegar.

E ele:

– Nada disso, deixa eu terminar que você vai entender. Só para conferir. Seu endereço é mesmo …

E eu:

– VTNC, Asa Oeste, Brasília.

E ele:

– Aí não tem nome de rua, né? Sua data de nascimento é mesmo…

E eu:

– 12 de junho de 1984.

E ele:

– Bem novo… Pois então, por apenas R$1,90, no primeiro mês, acesso ilimitado “grátis”.

E eu:

– De graça por 1 e 90, cara?

E ele:

– A partir daí, por seis meses, 14 e 90 no lugar de 19 e 90.

E eu:

– Só assim vou poder acessar minhas reportagens dos tempos em que trabalhei em O Globo, no Rio, de onde saí, puto da vida, para ser hippie em Cacha-Pregos.

E o fdp:

– Não falei? Olha o lucro.

Moral: se fora esperto, diria:

– Pois me mande as datas que a gente manda o link desses arquivos de cortesia.

Depois de uns dez minutos, dei trela, sempre avisando, ele cria coragem:

– Se tiver duvidando, vamos acessar juntos a internet em

http://www.oglobodigital.com.br

Depois de uns dez minutos, dei trela, sempre avisando, ele cria coragem:

– Se tiver duvidando, vamos acessar juntos a internet em

– Agora, não dá porque a internet está caindo a toda hora desde que a Copa acabou.

– Então, vamos fazer o seguinte. Preciso apenas de um número, da sua conta no banco, ou do cartão de crédito, tudo seguro, apenasmente para…

Interrompo o carioca do Globo Online e retruco, peremptório:

– Apenas, digo eu. VTNC!!!

E desliguei, suavemente, para não quebrar meus aparelhos.

Mais um detalhe: ao mesmo tempo, um hacker estava me zapeando e fez um TED pelo BB, no valor de R$3.400,00, que consegui reverter a tempo. Com nome, CPF, número da conta, banco e tudo. Jones Paraiso Ribeiro, Cidade Ocidental, Goiás, CPF 135.702.376-64. Conferiu na pesquisa que fiz na Receita Federal.

É… a Copa se foi.

Bom findi.

A novela continua no próximo capítulo com as providências tomadas para bloquear a conta no Banco do Brasil (por telefone, fechado das 23 às 7 horas). Bloquiei o que pude pela internet. E né que o FDP do hacker tentou, por telefone, desbloquear, às quatro horas da madrugada.

E eu:

– Esta p… não fica fechada para atendimento das 23 às 7 horas da manhã?

Depois eu conto. Agora, estou curtindo os arquivos do New York Times:

http://www.nytimes.com/interactive/2014/07/15/world/middleeast/toll-israel-gaza-conflict.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&version=HpHeadline&module=a-lede-package-region&region=lede-package&WT.nav=lede-package&_r=0

 


 

 

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Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes and Valdir Pires tell where they were on March 31, 1964. The day that the Brazilian military staged a coup, overthrew the president, arrested thousands of people, with many of them tortured and even killed. This is a historical evidence of an era that is still alive in Brazil´s memory, albeit sad, 50 years after.

Golpe de 1964 – O Brasil Interrompido

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes e Valdir Pires contam onde estavam no dia 31 de março de 1964. O dia em que os militares brasileiros deram um golpe, derrubaram o presidente, prenderam milhares de pessoas, com várias delas torturadas e até assassinadas. São testemunhos históricos de uma época que continua viva na memória brasileira, ainda que triste, 50 anos depois.

Clique abaixo para escutar na íntegra:

https://soundcloud.com/mamcasz/golpe-de-64-o-brasil

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Foto de Gervásio Batista
(1968-atriz Vaja Orico ajoelhada na frente do comboio militar).

Coup d´Etat – Brésil arrêté

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes et Valdir Pires disent où ils étaient le 31 Mars, 1964. Le jour où l’armée brésilienne a organisé un coup d’Etat, a renversé le président, arrêté des milliers de personnes, beaucoup d’entre eux torturé et même tué. Sont des preuves historiques d’une époque qui est encore vivant au Brésil, quoique triste, 50 ans après la mémoire. La radio-document dans la langue originale, le portugais au Brésil.

Tec/ Vinheta Abertura Trocando em Miúdo

Loc- 1964. É sucesso. Minissaia. Jovem Guarda. Ligas Camponesas. O Fino da Bossa. Reformas de Base. Gordini e Moustang. E Rua Augusta, na voz de Roni Cord (*músico da Jovem Guarda).

Tec/ Trecho música Rua Augusta.

https://www.youtube.com/watch?v=OByqAxGeW84&feature=kp

Loc/ 31 de março. Madrugada. O governador de Minas Gerais (*Magalhães Pinto) começa três operaçoes simultâneas: Silêncio, nas Comunicações. Gaiola, para as autoridades. E Popeye, deslocamento de tropas.

Tec/ Slogan da música Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones.

https://www.youtube.com/watch?v=OByqAxGeW84&feature=kp

Colpo di Stato – Brasile Arrestato

Gilberto Gil, Frei Beto, Charf, Aldo Arantes e Valdir Pires dire dove si trovavano il 31 marzo 1964. Il giorno in cui l’esercito brasiliano ha organizzato un colpo di stato, ha rovesciato il presidente, ha arrestato migliaia di persone, con molti di loro torturati e persino uccisi. Sono prove storiche di un’epoca che è ancora vivo in Brasile, anche se triste, 50 anni dopo memoria. La radio-documento è in lingua originale, portoghese in Brasile.

Loc/ Primeiro de abril. Madrugada. Forças Armadas dominam a situação. Exigem a renúncia do presidente. (*João Goulart).

Tec/ Bg

Loc/ Dois de baril. Madrugada. O Congresso Nacional decide. O Brasil está sem presidente. Começa a ditadura.

Tec/ Trecho música Bob Marley na versão “Não chore mais”, com o Gil: (Amigos presos, amigos sumidos assim… pra nunca mais).

http://letras.mus.br/gilberto-gil/46223/

Loc/ Cidadão Gilberto Gil. Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Gilberto Gil: Tinha uns dois ou três dias, a gente sabia, principalmente nós, estudantes que tinham militância direta nos Centros Acadêmicos e tal. Porque nós nos mantínhamos muito informados. Estava todo mundo ligado nas rádios, nas agências de noticias. As redações dos jornais estavam ligadas direto com as lideranças estudantis e tal. Então, eu me lembro que na noite anterior eu tinha estado na casa da minha noiva Belinha…

Amigos presos, amigos sumidos assim…

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Cidadão Frei Beto. Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Frei Beto: No dia primeiro de abril de 64 eu me encontrava num Congresso Latinoamericano de Estudantes, em Belém do Pará. Quando se soube do golpe, o congresso se desfez. Cada um de nós procurou retornar a seu lugar de origem. Eu não consegui embarcar imediatamente de volta para o Rio de Janeiro, onde eu morava. Fui me esconder na casa do arcebispo de Belém. Depois, na casa de um representante da Ação Católica. Eu pertencia à Ação Católica (*Comunidade Eclesial de Base e Juventude Estudantil Católica). Eu não tive medo. Eu tive preocupação pelas poucas notícias que chegavam a Belém, dando conta que no Rio, São Paulo e Belo Horizonte havia movimentação de tropas, havia prisão, havia torturas, havia mortes…

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/pagina/frei-betto.html

Tec/ Bg música amigos sumidos assim….pra nunca mais…

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 Cidadã Clara Charf (* casada com o guerrilheiro Carlos Marighela, morto em 1969 pelos militares).

Onde a senhora estava no dia 31 de março?

Voz Clara Charf: Como a gente sentia o clima de golpe, o Marighela e eu resolvemos sair do apartamento onde a gente morava. A gente morava no Flamengo (*bairro na cidade do Rio de Janeiro). Pegamos uma mala com algumas peças de roupa e saimos. E você sabe que a gente saiu pela escada e a policia subiu pelo elevador. E aí invadiu o apartamento. Fizeram toda a destruição. Não nos prenderam naquele momento. Um mês e nove dias depois do golpe, eles atiraram no Marighela. O Marighela entrou num cinema, para se proteger, eles entraram no cinema, deram um tiro nele, quase mataram ele ali, na hora. Ele reagiu, foi preso. Eu tive que passar para a clandestinidade completa. Logo depois cassaram meus direitos políticos, como eu te disse antes. Nós passamos a viver absolutamente perseguidos. Este era o clima daquela época, né. Muitas mulheres e muitos homens começaram a se organizar para resistir, porque era humilhante, era vergonhoso, era criminoso o que estava acontecendo no país sem você reagir.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

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 Cidadão Aldo Arantes (*presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE, na foto, o do centro).

Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Aldo Arantes: Eu estava nas galerias do Congresso Nacional e me lembro que gritei veementemente contra o golpe. Gritei das galerias do Congresso Nacional – golpe, golpe! Naquela época me lembro que alguns parlamentares, entre outros, Almino Afonso e Plinio Arruda Sampaio, articularam com a Segurança para que eu não fosse preso. Eu consegui sair, fui para o interior de Goias (* Região Centro-Oeste do Brasil). Fiquei um bom tempo. Aí, por volta de junho ou julho fui, juntamente com o Betinho, para o Uruguai.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Loc/ Madrugada. O Congresso Nacional decide. O Brasil está sem presidente. Começa a ditadura. Cidadão Valdir Pires (* Quando deu este depoimento, era ministro da Defesa, no governo do presidente Lula. Em 1964, era Consultor-Geral da República. Fugiu junto com o Chefe da Casa Civil, Darci Ribeiro). Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Valdir Pires: Nós fomos para o aeroporto as quatro da manhã. Três e meia para quatro horas, conduzidos pelo Rubens Paiva (* Então deputado federal, foi preso e assassinado pelos militares numa sessão de tortura e até hoje os restos mortais dele não foram encontrados).

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Continua Valdir Pires: Ele (Rubens Paiva) tinha inclusive já selecionado uma moita onde nós nos deitaríamos, durante a madrugada, para o dia amanhecer. Quando o dia amanhecesse, o avião obteria licença para fazer uma viagem até Anapolis (* cidade de Goiás perto de Brasília). Era um teco-teco de lona. Uma vez que seria autorizado para ir, como foi, para Anapolis, nós fomos na direção do Mato Grosso, na fronteira com a Bolivia. Lá nós chegamos, descemos no campo e lá ficamos aguardando outro avião, que levaria combustível para a continuação da viagem ate São Borja (* Cidade no interior do Rio Grande do Sul, onde já estava o presidente João Goulart, fugindo para o vizinho Uruguai). Mas este avião não chegou e como ele não chegou, nós nos dispersamos. E nós dormimos ali, na fronteira da Bolivia com o Mato Grosso.

Golpe de 64 – Brasilien gestoppt

Gilberto Gil, Frei Beto, Charf, Aldo Arantes und Valdir Pires sagen, wo sie am 31. März 1964 waren. Der Tag, der die brasilianische Militär putschte, stürzte der Präsident, Tausende von Menschen verhaftet, viele von ihnen gefoltert und sogar getötet. Sind historische Beweise von einer Zeit, die noch am Leben ist in Brasilien, wenn auch traurig, 50 Jahre nach Speicher. Das Radio-Dokument ist in der Originalsprache, Portugiesisch in Brasilien.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Loc/ Golpe de 64. O Brasil interrompido.

Tec/ Bg música tatatá-tá-tá, imitando rajada de metralhadora.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Tec/ Vinheta “É da sua conta!”

Tec/ Bg música tatatá-tá-tá, imitando rajada de metralhadora.

Loc/ Madrugada. O governador de Minas Gerais (*Magalhães Pinto) começa três operações simulâneas: Silêncio, nas Comunicações. Gaiola, para as autoridades. E Popeye, deslocamento de tropas.

Tec/ Vinheta “Trocando em miudo.”

Loc/ Forças Armadas dominam a situação. Exigem a renúncia do presidente. (*João Goulart).

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim… pra nunca mais…”

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        “Biografia de uma greve” relata, em 30.627 palavras, os quinze dias de uma árdua parada, em novembro de 2013, sustentada debaixo de chuva e de sol intenso, em Brasília, Rio e São Paulo, por 874 “guerreiros” da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, pressionados por 431 chefes.

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         Escrita pelo velho jornalista Eduardo Mamcasz, autor de vários livros, trabalhador da empresa desde 1980, este registro do cotidiano da greve vai dos piquetes nas portas da empresa aos atos na frente do Palácio do Planalto, e às passeatas pelas ruas centrais das três capitais principais.

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(Photo by Christiane Saú DAgostinho)

          Para os interessados no movimento grevista, este livro desnuda o confronto CUT versus PT e o comportamento ditatorial, nas negociações, por parte de companheiros que, há pouco anos, eram tão agressivos quanto no lado hoje adotado por eles na carapuça patronal capitalista.

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(Photo by Fabio Pozzebom)

         Esta biografia, finalmente, mostra os variados momentos psicológicos, que vão do enfrentamento dos colegas fura-greve ao desânimo diante da intransigência dos gestores estranhos aos quadros efetivos da empresa, culminando na vera catarse do voto final e soberano da assembleia.

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Boa greve, desculpe, ótima leitura.

 Obrigado pela companhia solidária.

Para ler 20 páginas de amostra grátis ou para comprar, clique abaixo:

https://clubedeautores.com.br/book/156311–BIOGRAFIA_DE_UMA_GREVE#.Uquc9FtDvlh_

Photo by Mamcasz 006

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