Brasilia



         Então, vamos lá. A partir de hoje (15/jan/19), no Brasil, eu posso ter quatro armas, certo? E daí? Arma, eu sempre tive a minha. Uma metralhadora. Com ela eu já matei, feri – de raspão ou mais profundo, aleijei – de leve ou para a vida, tanto no ataque quanto na defesa.

      Preste atenção nesta minha prosa, ô camarada, companheiro, colega, amigo, comparsa, pessoa,  até porque por um senão te varro, com uma rajada, da face deste ambiente dito terreno, nunca ameno, a menos que estejas com colete à prova de quatro armas legalizadas.

           Pois exibo a minha munição preferida que nunca me falhou nestes 71 anos de vida, devido, quiçá, ao meu estilo de arapuca, tramóia, armadilha, cilada, engodo, embuste, campana e baldroca pelas quais sempre te faço cair na rede mesmo que não sejas peixe, pequeno ou graúdo.

          Estou portanto pouco me lixando com este decreto permitindo o uso pessoal de armas porque, repito na maior cara de pau, sempre tive a minha, uma metralhadora, atiro na sequência uma rajada para cima de tua pessoa só pelo gosto de sentires o gozo desta minha tão amada munição.

          As balas que eu costumo usar são formadas por letras – inconstantes consoantes que, sozinhas, não valem coisa nenhuma, precisam do alento das vogais que, por sua vez, dependem dos símbolos e, todos juntos, em ordem unida, pedem o socorro do meu dedo no gatilho. Aperto.

            Miro no A, finjo no E, minto no I, atiro no O e, morres no U. Isto na primeira arma, uma pistola no formato de caneta compacta. Na segunda, formo palavras à toa na multidão no formato de coquetel de letrinhas. Minha terceira arma legal dispara frases, conexas ou desconexas, que tal?

        De volta à minha arma de estimação, legalizada, a velha metralhadora, com ela mesmo que grites no paredão, de olhos vendados, ouvirás o zumbido rasgado das rajadas de parágrafos, páginas e capítulos que podem te matar no ato, com fato confessado ou inventado, a dor é igual.

       Pronto. Está dado o aviso. Estou me lixando de montão com este decreto bolsonariano permitindo que eu cidadão tenha até quatro armas nas minhas duas mãos. Sou mais a minha metralhadora que sempre atirou letrinhas, muitas delas mortais, ricocheteadas até dentro do teu coração.

       – Mas eu sou analfabeto, polaco, tua metralhadora e nada é tudo  para mim.

          Miro. Respiro. Prendo o ar dentro de mim. Penso. Repenso. Calculo a distância entre o meu gatilho e o teu suspiro. Destravo. Aperto o gatilho até o primo passo. Decido. Disparo um só ponto no centro da tua cabecinha. Este ponto tiro de cima da letra-vogal dita do i. É teu o Fim.

(Photo Namastê by Mamcasz).

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Chove lá fora. Cá dentro, qual cabana na montanha nevada. Mais nada? Tudo! Relato:

1- No lendo Balzac. Primo arraso do jornalístico affair.

2 – No tevendo Canal Space, filme de guerra na Georgia-Chechenia-Ucrânia.

3 – Busco no ato e comparo no fato no reler de A Prima Vítima, numa guerra, é a Verdade.

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No filme, a equipe de jornalistas de guerra fora do gabinete.

A- Repórter tipo neutro + cinegrafista de fato repórter .

B – Chove lá fora, cá na Ilha: Georgia=Chechenia=Ucrania=URSS.

Pois no ato me atenho, chove lá fora, Brasília, a dois fatos de vero:

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A – Tempos de meus primórdios de repórter no Rio:

Morte dita comum na Rocinha. Favela no Rio. Nem se imaginava nesta tal de Internet. Em O Globo, o rádio-escuta da Polícia. Ligado no da reportagem na Rural Willys. E a gente chegava no fato, no ato, antes da cana dura. Repórter de um lado, fotógrafo do outro e o motorista nos arredores. Cada qual focado no principal. A manchete. Imagina o ato.

B – Chego em Brasília. Repórter de Gabinete. Palácio do Planalto. Dois minutos para os fotógrafos registrarem a cena secreta do encontro do até hoje falso aberto. Corro pro fotógrafo da Folha, minha nova casa e … nem pensar, cara, aqui tudo é secreto, se eu te falar o que ouvi, tô fodido.

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De volta pro filme, sei lá o nome, tô nem aí, tinha o Andy Garcia e o Val Kimer, sub-aproveitados. Cena do repórter, genocídio filmado, a editora em Atlanta, Georgia, Estados Unidos:

– Nem pensar, cara, tamos transmitindo ao vivo as Olimpíadas. E o Putin acabou de falar. Que a tropa só está se defendendo.

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Moral Final:

Nesta segunda, tenho que me explicar o por causa de que não ouvi a “outra parte” no comparar o nascedouro, o áureo e o terminal estado da Petrobras.

Resposta minha:

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– Chove lá fora, aqui em Brasília, está tudo tão frio.


                  September 7 – Independence Day of Brazil

Full moon, beginning of the hot night, across the Eixão – the freeway along Brasilia, South to North. At the brazilian modern capital city – today is day of the Parada Gay – LGBT.                    

Sete de Setembro – O Grito das Excluídas de Brasília, Brazil.

Para fechar o Dia da Pátria que me Pariu, no Eixão da Ilha, Lua Cheia, a Décima-Sétima Parada das Pessoas Cidadãs de Brasília, Satélites, Cidades do Entorno mais as Visitantes Casuais da Esplanada.

Le Cri du Peuple Exclus

Septembre, 7 – Jour de l’Indépendance du Brésil

Pleine lune, début de la nuit chaude, à travers de le Eixão – l’auto-route au long de Brasilia, du Sud au Nord, la capitale moderne brésilienne .

 Aujourd’hui, c’est le jour de la Parada Gay – LGBT

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eduardo

Para escutar o programa todo, clique abaixo:

 

http://radios.ebc.com.br/em-conta/edicao/2014-08/em-conta-homenageia-eduardo-campos

Esta história ainda nem começou.

 


Ele separa o Brasil dos privilegiados dos despossuídos.

Coluna de rádio “Trocando em Miúdo”.

Eduardo Mamcasz.

Chamada:

Este paraibano-pernambucano, que morreu na semana passada, em seus 16 livros de poesia, romances e peças de teatro, mostra a importância da luta do sertanejo nordestino pela dura sobrevivência na parte do Brasil mais pobre.

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Para ouvir, clique:

http://radioagencianacional.ebc.com.br/cultura/audio/2014-07/obra-de-ariano-suassuna-mostra-desigualdade-social-do-pais

Script:

Vinheta de Abertura

Muito se falou e escreveu sobre o grande escritor brasileiro, Ariano Suassuna, que morreu semana passada. Separo na prosa de hoje alguns pontos econômicos das peças mamulengas e repentistas que ele escreveu ao longo da vida. No livro mais famoso, o Auto da Compadecida, ele lembra que o Brasil, na verdade, é dois países distintos de fato. O país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

BG voz Suassuna: “Hoje está melhor, mas quando eu era jovem, o povo brasileiro tinha uma opinião muito ruim de si próprio.”

Já no livro o Rico Avarento, ele conta a história do coronel que emprega Tirateima, um rapaz humilde que o vê negar até comida aos pobres e mendigos. Até que um dia o coronel avarento recebe a visita do chefe do inferno que informa. Todo mendigo a quem o coronel negou comida na verdade era Cristo testando a bondade, quer dizer, sua maldade. O pior é que o coronel nordestino conseguiu domar os cães do inferno, e tentou comprar a entrada no céu, e ficou no meio do caminho, o purgatório.

BG voz Suassuna: “Eu vim aqui hoje dizer um bocado de coisas pro senhor que não vai gostar. Então eu disse: não diga. Você mesmo sabe que eu não vou gostar.”

O melhor da parte social de Ariano Suassuna, acho que está mesmo no discurso feito por ele na posse na Academia Brasileira de Letras. Sertanejo nascido no interior da Paraíba, mas tendo vivido a maior parte da vida no Recife, ele lembra que a maneira de se vestir, meio do sertão, indica ser ele um escritor pertencente a um país pobre e convocado por uma sociedade injusta. É a tal da diferença de classes. Tanto que ele homenageia o que chama de Brasil real, o dos arraiais do sertão e as favelas das cidades. E arremata:

Quase tudo o que possuímos é trabalho da nossa gente rude e boa, forte e sadia, que vive no vasto e desafogado ambiente saneado pelo sopro ardente das secas.

BG voz Suassuna: “Havia um desprezo generalizado pelo Brasil. Os próprios brasileiros tinham um complexo de inferioridade.”

Ele aproveita então para atacar os parasitas das cidades que vivem de bolso vazio, tristes e enfezados, “vencidos da vida”, porque temem o sol e desamam a terra quente e fecunda, onde dormem tesouros perenes, reservados aos que mourejam com brio e coragem.

BG voz Suassuna: “Eu tenho uma admiração enorme pelo nosso país e pelo nosso povo.”

Antes de morrer, Ariano Suassuna, e aqui fica esta pequena homenagem, ainda declama:

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BG voz Suassuna: “Eu não pretendo morrer não. É uma coisa que não está na minha pretensão. Agora, eu não sei se a morte aceita a minha teoria.”

É muito difícil vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

Então, tá.

Inté e Axé.

Vinheta de Encerramento


I root for Germany. The owner of the apartment where I always stay in Berlin, root for Brazil. In Firm where I obro, in the afternoon, in Brasilia, I put the flag of Germany, lonely, in the sea of ​​green-yellow flags. Enough to skewed glances, top, side and bottom of obtuse minds. Lack of education is that. What?

Copa do Mundo no Brasil – Falta geral de Educação.

Eu torço pela Alemanha. O dono do apartamento onde eu sempre fico em Berlin, torce pelo Brasil. Na Firma onde eu Obro, na parte da tarde, em Brasília, eu coloco a bandeira da Alemanha, solitária, no mar de bandeirolas verde-amarelas. O suficiente para olhares enviesados, de cima, do lado e de baixo das mentes obtusas. Falta de Educação é isso. Que mais?

Weltmeisterschaft in Brasilien – Allgemeines Mangel an Bildung.

Ich verwurzeln für Deutschland. Der Eigentümer der Wohnung, wo ich immer in Berlin, Wurzel bleiben für Brasilien. In Unternehmen, wo ich Obro, am Nachmittag, in Brasilia, habe ich die Flagge von Deutschland, einsam, im Meer der grün-gelben Fahnen. Genug, um schiefe Blicke, oben, seitlich und unten stumpfen Köpfen. Mangelnde Bildung ist, dass. Was?

Confiança mútua. Entro no apartamento, na Uhlandstrasse, em Berlim. Pago o acertado. Sem qualquer tipo de caução-depósito-garantia. É no antigo fio do bigode. Educação é isso.

Ao final de mais uma estadia, deixo o apartamento mais limpo do que encontrei, tarefa, aliás, difícil. Coloco as chaves em cima da mesa, escrevo um bilhete amigável, retribuo o mimo de boas-vindas, e me saio de volta para as terras tupiniquins. Educação é isto.

Capítulo I. Isto é Educação.

Alemanha goleia Portugal. Mando para o Friedrich o seguinte e-mail:

Hallo Nerjes.

Zunächst herzlichen Glückwunsch an das große Spiel Deutschland gegen Portugal. Wir sahen in der Botschaft hier in Deutschland brasilien hoffe, nicht nur Deutschland und Brasilien im Finale des World Cup. Danke für den Aufenthalt in der Uhlandstraße, es war alles sehr gut. Bis zum nächsten.

Olá Nerjes.

Em primeiro lugar, parabéns pelo ótimo jogo da Alemanha contra Portugal.Vimos na Embaixada da Alemanha, aqui em Brasília. Só esperamos não ter Alemanha e Brasil na final desta Copa do Mundo. Obrigado pela estadia na Uhlandstrasse, Berlin, foi tudo muito bom. Até a próxima. Eduardo Mamcasz

Capítulo II – Isto é Educação.

Brasil passa às quartas de final ao vencer, nos pênaltis, o  Chile. Recebo do Friedrich o seguinte e-mail:

Hallo Mamcasz.

Herzlichen Glückwunsch zum Einzug ins Viertelfinale. Das ja echt ein Krimi. Ich war über die Stärke der Bolovianer überrascht. Lassen wir das Sommermärchen weitergehen. Ihnen noch einen schönen Sonntag und Ihrer Mannschaft viel Erfolg. Mit freundlichem Gruss. Friedrich Nerjes.

Parabéns às quartas-de-final. Isso sim foi realmente um thriller. Fiquei até surpreso com a força bolivariana do Chile. Continuemos neste conto de fadas de Verão. Tenha um bom domingo e sua equipe brasileira todo o sucesso nesta Copa do Mundo Com os mais amigáveis cumprimentos

Capítulo Final. Isto sim  é falta de Educação.

Pois vamos aos fatos antes do Apito Final.

Copa do Mundo no Brasil. Falta geral de Educação nos barracos, escolas,  ruas,  estádios e nas cabeças torcedoras.

Marmanjas pessoas usando o  espaço de cadeirantes-cativos.

Toneladas de lixo jogado nas ruas,  praias, arquibancadas, bares e lares.

Prostituição de montão no chamado turismo sexual.

Exclusão social. Desvio de verbas oficiais para a a construção de estádios-arenas-fantasmas.

Uso político-eleitoral deslavado sem levar qualquer cartão amarelo-vermelho.

Chega, né?

 

Brazil versu Germany by Mamcasz

Se quiser, vamos para os pênaltis.


Nature Goddess!

Give me the time to party – summer –

And to stand – just saw it.

Give me the time for falling leaves

Crooked branches, nine-out

And so, to start the almost-nothing.

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me o tempo de festa – verão –

E do repouso – viram?

Dai-me o tempo das folhas secas,

Galhos tortos, noves-fora,

Recomeçar do quase-nada. 

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Listen Me Escute:

https://soundcloud.com/mamcasz/minha-prece-pascoalina

Deusa Natureza!

Dai-me o poder  de  remover torres,

Mares e bobos sonhos :

Ser viril na ternura de um Chico de Assis

No sermão desolado da montanha

De entulhos e bagulhos.

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me o milagre da multiplicação das  palavras.

Que elas instiguem nas crianças

O distante reino dos céus,

Reafirmem a decisão de malhar o Judas,

E justifiquem a intenção de crucificar  de novo o velho  Cristo.

ovo de pascoa by mamcasz

Deusa Natureza!

Dai-me o entendimento desta minha dupla convivência:

– Qual dos dois – Cristo ou Judas – ocupa

Uma cadeira vazia no bar,

Um vazio na gente?

Nesta idade, pessoa,

Às vezes,  sou um mini homem dileto,

Noutras muitas, um super rato discreto.

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me  um tempo

Para continuar sendo aquilo ou isto

Judas ou Cristo –

Insisto –

Mesmo que eu durma com o Diabo

E com  o Deus,  na mesma lama,

Ou que amanheça por entre as Madalenas,

Caifás, Pilatos, Herodes, Marias,

Ou mesmo Dimas, o bom –

Qual era mesmo o nome do mau ladrão?

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Naturaleza Diosa!

Dame la voluntad de en el robo

Yo sea bueno,

De principio a fin.

Y luego me resucita el santo de mí

Decantado de las cenizas al viento,

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me a vontade de mesmo no roubo

Na força eu ser  bom,

Do começo ao fim.

E depois, ressuscite o santo, de mim

Decantado das cinzas ao vento,

Desde que  eu  continue, no fundo,

Sendo sempre aquilo ou isto,

Judas ou Cristo.

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me a certeza do retorno,

Na forma de pássaro no arco-íris plantado

Para que eu possa cantar para alguém,

Mesmo que somente para mim,

Um retumbante Hallelluya. 

* * * * *

Deusa Natureza!

Dai-me um Ovo de Páscoa

Que na duvidosa placenta de vida

Da gema renasça, por encanto,

Isto ou aquilo.

É o que mais desejo.

Sinceramente, deste  teu

Cristo, mesmo que Judas.

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Eduardo Mamcasz, 

Poeta Quase-Zen.

 Boa Páscoa.

Amém.

Clique e me ouça, tá?

https://soundcloud.com/mamcasz/minha-prece-pascoalina

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