Script para o Dia Internacional da Mulher

8 de março de 2012  

Tec/ Vinheta Abertura – Trocando em Miúdo – Eduardo Mamcasz

 Loc/ Oito de março de 1857. Nova Iorque. Operárias entram em greve numa fábrica de tecidos.  

 Loc/ “Nós, mulheres unidas, exigimos: redução  imediata  de dezesseis para dez horas de trabalho  por dia.”

 Loc/ O governo chega. A polícia tranca a fábrica. Tasca fogo.  E queima, vivas, cento e vinte e nove mulheres resistentes.

Clique Abaixo e Ouça 

 http://snd.sc/wieMe3

Tec/ sobe/desce bg tambor africano.

 Loc/ Cento e dezoito anos depois da greve, a ONU decreta: Dia Oito de Março é o Dia Internacional da Mulher.

Tec/sobe/desce  bg coro africano.

 Loc/ E aqui, no nosso Brasil? 1932. A mulher brasileira, finalmente, consegue votar. Um ano depois,  na  Assembléia Nacional Constituinte, o povo elege duzentos e treze deputados … e apenas uma  mulher.

Loc/ Então,  um viva para a paulista Carlota de Queiroz.

Tec/ bg aplausos

Loc/ 1822. A regente interina, Maria Leopoldina, escreve ao imperador e exige:

Loc/  “Amado esposo, Pedro primeiro. Sejas homem: Independência ou Morte!”

Tec/ bg coro africano.

Loc/ Independência ainda distante de milhares de mulheres. Elas recebem menos do que os homens, no mesmo tipo de trabalho. E tem mais. A Organização Internacional do Trabalho informa:

Loc/ A mulher negra recebe vinte e cinco por cento menos do que a mulher branca, no mesmo tipo de trabalho.   Então,  neste Dia Internacional da Mulher, um viva para Anastácia, princesa africana, nascida num navio negreiro e futura escrava no Brasil.

Tec/Sobe/desce bg palmas.

Loc/ Um viva para Aqualtune, filha do rei do Congo, avó de zumbi dos Palmares, a comandante  de dez mil querreiros.

Tec/Sobe/desce bg palmas.

Loc/ Um viva para Francisca, minha rainha, líder da revolução dos negros muçulmanos, em Salvador da Bahia, em 1814.

Tec/Sobe/desce bg palmas.

Loc/  Falta muito para esta data  ser comemorado de verdade.

Loc/ Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão confirma: metade da população brasileira conhece  uma mulher  que já foi … ou está sendo …  espancada pelo companheiro.

Tec/ Trecho do spot chega de calar diante da violência.

Um beijo em ti, Mulheraça!

Tu mostras os peitos

e alimentas a vida

na imensa fome

… de amor. 

* 

Dois beijos em ti, Mulheraça!

Tu suas as ancas,

colhes o feijão do dia,

e em casa és a chefe

… de família.

*

Três beijos em ti, Mulheraça!

Tu levas um murro

e devolves sussurro

no berço onde és pétala

… de flor.

*

Mulheraça!

Tu sustentas filho, marido, cachorro.

Mas Tu te lembras da  imagem

de mulher mais bonita

… do mundo?

Neste teu Dia internacional, Mulheraça,

Um beijo

Do tamanho de tua precisão.

*

( De Brasília, Eduardo Mamcasz,  Poeta Quase-Zen )

 

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Je t`aime mas nem tanto, mon amour…

           Se tem coisa que francês mais gosta na vida é comer…

          Comida.

          Tem até a frase:

         A comida é para saciar a alma … nunca, a fome.

         Por isso, a comida de hoje, é a espiritual.

         Nesta undécima volta a Paris, vou rever o muro do je t`aime.

         I Love you, babe,  escrito na pedra em mais de 320 das quatro mil línguas existentes neste mundo surgido na Torre de Babel.

     É eu te amo para tudo que é lado.

     Mas, afinal, tem lugar melhor do mundo do que Paris para dizer je t`aime, mon amour?

    Pode ser no creole de Martinica: a-mi-to-ma-ké-ba-lo-ba-chi.

    Ou então no creole do Haiti: moin-rin-mim-oi.

   Tem o creole da Bahia: tô-na-tua-tá?

    E na língua tonga, aquela do Vinicius de Morais, na tonga da mironga do cabuletê, em que se diz eu te amo assim:

    – O-kou-o-ou-o-fa-la-ki-a-tiu (ou dá ou desce). Saravá!

            O muro je t`aime em questão, em Paris, fica para os lados do Montmartre dos Van Gogh, Picasso, Monet, Modigliani e uma porradésima de gente famosa, depois  virada pó.
Metrô Abesses. 18, como se diz. O mais profundo da capital francesa. Square, ou Quay Jéhan Rictus.

            Oui, ma petite femme, je t`aime, mas nem tanto, tá?

            Bisou!


ECA 21: cinco milhões de menores no trabalho escravo.

 Vinte e um anos de existência do ECA.

 Estatuto da Criança e do Adolescente.

 Conquistas, avanços, direitos e, principalmente, muita coisa a fazer.

 Ainda.

 Por exemplo, e esta é a nossa prosa.

 Com ECA e tudo, no Brasil, hoje, temos quatro milhões e 800 mil meninas e meninos,

 dos cinco aos 17 anos de idade,

 simplesmente trabalhando para sobreviver.

 Twenty-one years of the ECA.

Statute of Children and Adolescents.

 Achievements, progress, rights, and especially a lot to do.

 Yet. For example, and this is our prose.

With this statute and everything in Brazil today,

 we have four million and 800 thousands girls and boys,

from five to 17 years old, just working to survive.

  Só lembrando que de acordo com a Organização Internacional do Trabalho,

 a Constituição do Brasil e o Estatuto de Proteção da Criança e do Adolescente,

 obrigar uma criança até os 14 anos de idade a trabalhar, é crime.

Acontece que trabalham, abaixo dessa idade,

mais de dois milhões e trezentas mil crianças.

 

 Just remember that according to the International Labour Organization,

Brazil’s Constitution 

and the Statute of the Protection of Children and Adolescents,

 forcing a child under 14 years of age is a criminal act.

But,  from five to nine years of age

are 296 illegal workers,

 Não é a toa que, na mesma pesquisa, ficou apurado que

nessa faixa de idade, dos cinco aos 9 anos,

 quatro milhões e meio de crianças informam que

NÃO frequentam a escola.

 Dos 10 aos 14 anos, temos mais um milhão e 935 mil.

Dos cinco  aos 17, a Bahia tem mais: 617 mil.

Seguido de Minas Gerais, com 578 mil,

Maranhão, 417 mil, e por aí vai.

Se a gente levar em conta a proporção da população entre os cinco e 17 anos,

os campeões negativos em trabalho infantil são os seguintes:

 Tocantins – 15,75 por cento.
Piauí – 15,03 por cento.

Rondônia – 14,93 por cento.

No wonder that, in the same survey,

it was found thatthis age group,

 from five to nine years,

four and a half million childrenreport that they do not attend school.

 From 10 to 14 years, we have over

one million and 935 thousand.

 From five to 17, the Bahia has more: 617 000.
Followed by Minas Gerais, with 578 000,

Maranhão, 417 000, and so on.

 If we take into account the proportion of the population

 between five and 17 years,
the champions negative child labor are:

Tocantins – 15.75 percent.

Piauí – 15.03 percent.

Rondônia – 14.93 percent.

Os dados nos 21 anos de existência do ECA são do IBGE,

 no último PNAD.

IBGE é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.

 Do governo federal.

PNAD é a Pesquisa Nacional por Amostras a Domicílio.

 E os números?

Pois então.

De cinco aos nove anos de idade,

 são 296 mil trabalhadores ilegais,

ganhando sempre menos do que meio salário mínimo.

 Cento e noventa mil deles estão no Nordeste.

 A maior parte é na agricultura, inclusive em trabalhos perigosos.

 * * *

 The data in the 21 years of the ECA are from IBGE, PNAD last.

 IBGE is the Brazilian Institute of Geography and Statistics.

 The federal government.

PNAD is the Brazilian National Sample Household. And the numbers?

  Minas Gerais, com 578 mil,

Maranhão, 417 mil, e por aí vai.

* * *

 Se a gente levar em conta a proporção da população

 entre os cinco e 17 anos,

 os campeões negativos em trabalho infantil são os seguintes:

Tocantins – 15,75 por cento.

 Piauí – 15,03 por cento.

 Rondônia – 14,93 por cento.

* * *

 No wonder that, in the same survey,

it was found that this age group, from five to nine years, four

 and a half million children report that they do not attend school.

 From 10 to 14 years, we have over one million and 935 thousand.

From five to 17, the Bahia has more: 617 000.

Followed by Minas Gerais.

With 578 000, Maranhão, 417 000, and so on.

 If we take into account the proportion of the population between five and 17 years, the champions negative child labor are:

Tocantins – 15.75 percent.

 Piauí – 15.03 percent.

Rondônia – 14.93 percent

 Ah … só para fechar a prosa.

O lero de hoje é sobre o que mesmo?

Estatuto da Criança e do Adolescente.

Hoje, ele completa 21 anos de idade.

Alcança, portanto, a maior idade.

Emancipado, pode trabalhar.

 Então, tá. Inte e axé.

Oh … just to close this talk.

The lero today about what is it?

Statute of Children and Adolescents.

Today he turns 21 years old.

 It reaches, therefore, the largest age.

 Emancipated, can work. So, okay.

Inté and Axé, Mané!

Obs.

Vinhetas de Passagem do disco “Sem Terrinha”, do MST.

Note.

Vignettes of Passage album “Landless children,”

 the MST – Movement of the Landless.

Clique

http://snd.sc/nbKuVR


I`m Brazilian, mana!

Me too.

I’m American, carinha!

Me too.

 

Estamos, de verdade, numa cidadezinha no interior do Estado de  Indiana,
nos Estados Unidos.

CHAMADA BRAZIL.

Isto mesmo.

 Fundada e nominada em 1866,   nos tempos do nosso Dom Pedro II.

Ele era nosso imperador bom, mais viajado do que o Lula.

Eis a prova.

Logo abaixo, a gringa que tirou a minha foto e  eu a roupa dela.

Consegui no velho  papo estilo polaco carioca

  I`m brazilian, me too, papo vai, papo vem,  a gente acabou no motel.

 Of course,mostrei a diferenca do Brazil com Z do Brasil com S.

S de sai de baixo mina vem pra cima.

Mas voltando ao Brazil, com Z, do imperador Dom Pedro II.

Matou o papo do Lula 51 de que, com ele, o Brasil, com S,

 ia ser conhecido no mundo.

Desde 1863 que ele, o Brazil, tem sido.

Pelo menos aqui.

BRAZIL, INDIANA, USA.

Tem prefeitura, carro de policia, igreja, biblioteca,
jornal Brazil Times, correios, o escambau.

Inclusive, my brother do PT,  uma big Tavern para o
ex-presidente do povao passar seus ultimos anos de exilio,

tao logo a classe ascendente fique orfao de vez.

Vamos as fotos que to saindo pruns embalos saturday night

com a minha gringa.

Ela grudou ne mim e diz que vai conhecer a Bahia.

Vamu nessa, neguinha.

What, little mam, are you crazy?


Se viva estivera, hoje seriam 117 anos.

Só desta passagem terrena.

Porque ela está em outra.

Feliz de quem a sente na pele.

De qualquer forma, ouça abaixo.

 Um bom trabalho radiojornalístico (EBC).

José Carlos de Andrade.

Yara Selva.

Messias Melo.

 Três experts no assunto.

Clique:

http://snd.sc/eUlm3J

 


Gente!

Acabo de chegar de  outra viagem a Paris, não vi a posse nem a virada   nem nada.

Amei!

Apeio em  São Paulo, a maior cidade da América Latrina, a caminho de Brasilha e no ato ressinto que tudo está tão diferente, sem as filas em zigue-zague, o aeroporto poeirento, um banheiro com dois vasos sujos para trezentos chegantes, poucos estrangeiros, nada de classe média micha, tanto que sou recepcionado por funcionários públicos da Polícia e da Receita (Federais!), todos lindos, sorridentes e solícitos:

– Bom dia, como vai cidadão, a viagem está boa?

E tudo isto antes mesmo de mostrar meu passaporte diplomático que eu tenho desde criancinha porque sou filho de pai operário, analfabeto e cachaceiro,  no interior do Paraná (com esta localização, de fato, escapo da censura!).

Portanto, cá está mea culpa na foto abaixo tirada em Paris, nesta semana, fica na Rua Oberkampft, entre as bulevares da Republique com a Beleville, que termina na Menilmontant. Tudo uma merda. Bom mesmo é aqui no meu Brasil onde, na volta, não vejo mais mendigos, crianças pedindo esmolas, meninas dando nos postos de gasolina por alguns trocados, gente passando fome, nem nada. Nada, mesmo. E os detratores ainda falam mal da Bahia, phode?

Estou de volta. 

Inté e Axé!

Merci!

 


Existem hoje no Brasil um milhão e duzentos e noventa e quatro mil desocupados. Média nacional de sete por cento.  Isto mesmo. Palavra do IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um órgão do governo  federal.

O maior  número de desocupados está em Salvador, na Bahia, com a média de 12 por cento em cima do pessoal chamado de trabalhador. Do outro lado, com menor número de desocupados no país está Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a média de 4,7 por cento.

Antes de continuar a prosa me permita uma explicação que muda tudo o que estás pensando neste exato momento.

DESOCUPADO, segundo os técnicos do IBGE, não é a pessoa preguiçosa e tal. Pelo contrário.

É a pessoa que se cansou, sim, mas de procurar emprego, porque não acha trabalho de jeito nenhum.

 Então, axé, meu Rei.

Para ouvir o lero, clique abaixo na Rádio Mamcasz:

http://podcast1.com.br/canal.php?codigo_canal=1618