Sindicatos



Heil Nazi! Are the German people guilty?

Heil Nazi! Sind die Deutschen schuldig?

De volta à série, in loco, do projeto “Berlin Stund Null (Berlim Ano Zero)”, o eterno recomeço do Nada, que não se inicia em 1950, como preposto, numa forma de apagar o complexo de culpa coletiva pela barbárie nazista.

Back in a new series, in loco, for the Berlin Stund Null project (Berlin Year Zero), the eternal restart of Nothing, which does not start in 1950, as a preposition, in a way to erase the collective guilt complex for Nazi barbarism .

Zurück in einer neuen Serie, in loco, für das Berliner Stund-Null-Projekt, den ewigen Neustart von Nothing, der 1950 nicht als Präposition beginnt, um den kollektiven Schuldkomplex für die Nazi-Barbarei zu beseitigen .

Nur als Einleitung, indem man hinzufügt, dass in dieser neuen Reihe neben der Beteiligung des deutschen Volkes am Kollektiv zwei wichtige und miteinander verbundene Aspekte des Kollektivs in das Unbehagen der Nazis eingefügt werden, das übrigens nukleare Reaktionen hervorrief, falsch?

Apenas como intróito, adendo que nesta nova série se inserem duas vertentes importantes, e interligadas, em cima da participação do povo alemão, no coletivo, no incômodo nazista que, por sinal, provocou reações nucleares, errado?

Just as an introduction, adding that in this new series two important and interconnected aspects are inserted, on top of the participation of the German people, in the collective, in the Nazi discomfort that, by the way, provoked nuclear reactions, wrong?

nazicoletivo foto 1

Ponto 1. Resistência alemã ao nazismo. Houve? Da parte dos judeus, não. Da parte dos comunistas alemães, sim. Da parte dos militares germânicos, sim. Milhares foram executados.

Point 1. German resistance to Nazism. There was? On the part of the Jews, no. On the part of the German communists, yes. On the part of the German military, yes. Thousands were executed.

Punkt 1. Deutscher Widerstand gegen den Nationalsozialismus. War da Seitens der Juden, nein. Seitens der deutschen Kommunisten ja. Seitens des deutschen Militärs ja. Tausende wurden hingerichtet.

Punkt 2. Kollektive Schuld der Deutschen, für die Nazis gestimmt zu haben, teilgenommen, gekämpft, kurz gesagt, ich habe die genozidalen Bedingungen akzeptiert. Einschließlich der nationalsozialistischen Beteiligung christlicher Kirchen – lutherisch und katholisch. Das deutsche Volk hat einen Schuldkomplex, ja.

Point 2. Collective guilt of the Germans for having voted for the Nazis, participated, fought, in short, I accepted the genocidal terms. Including the Nazi participation of Christian churches – Lutheran and Catholic. The German people have a guilt complex, yes.

Ponto 2. Culpa coletiva dos alemães por terem votado nos nazistas, participado, lutado, enfim, aceito os termos genocidas. Includo a participação nazista das igrejas cristãs – luteranas e católicas. O povo alemão tem um complexo de culpa, sim.

nazicoletivo foto 2

Apenas para aquecimento desta nova série, libero um trecho do panfleto II do pequeno grupo estudantil, fichado como “Rosa Branca”, pela Gestapo, antes de ser guilhotinada:

“ Nosso povo alemão continua a dormir seu sono indiferente e estúpido … ninguém pode ser absolvido: cada indivíduo é culpado, culpado, culpado!!! ”

Just to warm up this new series, I release an excerpt from pamphlet II of the small student group, registered as “Rosa Branca”, by Gestapo, before being guillotined:

“Our German people continue to sleep their indifferent and stupid sleep… no one can be absolved: each individual is guilty, guilty, guilty !!! “

Um diese neue Serie aufzuwärmen, veröffentliche ich einen Auszug aus der Broschüre II der kleinen Studentengruppe, die von der Gestapo als „Rosa Branca“ registriert wurde, bevor ich guillotiniert werde:

„Unser deutsches Volk schläft weiterhin gleichgültig und dumm… niemand kann freigesprochen werden: Jeder Einzelne ist schuldig, schuldig, schuldig !!! “.

nazicoletivo foto 3

Tem ainda o Eric Voegelin no livro “Hitler e os Alemães”. Vale a pena destacar, na Parte 1, página 89, “a frouxidão alemã para com os ex-nazistas”. No que seus herdeiros não souberam perdoar, na mesma dimensão, meio século depois, os comunas da Stasi.

“O problema não são os nazistas mas os alemães…”

There is also Eric Voegelin in the book “Hitler and the Germans”. It is worth highlighting, in Part 1, page 89, “the German laxity towards ex-Nazis”. In what his heirs did not know how to forgive, in the same dimension, half a century later, the fascists of Stasi.

“The problem is not the Nazis but the Germans …”

Es gibt auch Eric Voegelin in dem Buch “Hitler und die Deutschen”. In Teil 1, Seite 89, ist die deutsche Nachlässigkeit gegenüber Ex-Nazis hervorzuheben. In dem, was seine Erben nicht wussten, wie sie ein halbes Jahrhundert später in derselben Dimension den Faschisten von Stasi vergeben konnten.

“Das Problem sind nicht die Nazis, sondern die Deutschen …”

nazicoletivo foto 4

Aguardo tua companhia a partir desta  semana de março de 2020, direto de Berlim.

Heil Hell!!! Inté e Axé!!!


      In diesem Beitrag geht es um das Durcheinander, das aufgrund der internen, aber wohlverdienten Sabotage des brasilianischen Kulturministers geschehen ist, die am Vortag vom Präsidenten des Yankee-Trumpisten Tupiniquim gelobt wurde. Der Angeklagte verwendete einen Satz des großen Sauerkraut-Vermarkters José Goebbels zum Klang des Dramatikers, Schriftstellers, Komponisten und ewigen Richard Wagner, der von der dekadenten brasilianischen Presse als Nazi verwechselt wurde. Ergebnis: Der besagte brasilianische Kulturminister wurde auf Ersuchen von Juden, Kommunisten, Rechten und dem deutschen Botschafter in Brasilien vom Feld gewiesen. Vamu lá.

goebles 1

         Este post diz respeito do imbroglio acontecido a partir de sabotagem interna, mas merecida, do ministro da Cultura do Brasil, elogiado um dia antes pelo ianque trumpista presidente tupiniquim. O defenestrado usou uma frase do grande marqueteiro chucrute José Goebbels, ao som do dramaturgo-escritor-compositor-eterno Richard Wagner, confundido como nazista pela decadente inprensa brasileira. Resultado: o dito ministro da Cultura do Brasil foi expulso de campo a pedido de judeus, comunistas, direitistas and, ora vejam só, do embaixador alemão em Brasília. Vamu lá.

     This post is about the imbroglio that happened due to the internal but well-deserved sabotage of the Minister of Culture of Brazil, praised the day before by the Yankee Trumpist Tupiniquim president. The defendant used a phrase from the great sauerkraut marketer José Goebbels, to the sound of the playwright-writer-composer-eternal Richard Wagner, mistaken as a Nazi by the decadent Brazilian press. Result: the said Minister of Culture of Brazil was expelled from the field at the request of Jews, communists, right-wingers and, you see, the German ambassador in Brasilia. Vamu there (?).

goebles 2

         1 – Ich lese hier noch einmal, um zu versuchen, diese Katastrophe zu verstehen, die von der Zeitung Bolha de São Paulo zitierte Biographie, geschrieben vom Gringo Peter Longerich, 801 Seiten, alles über den großen Vermarkter, der hier von portugiesischen oder militaristischen Betrügern imitiert wurde. Damit lasse ich für den Moment die Shakespeare-Biografie, 505 Seiten, geschrieben von Park Honan, rechts auf Seite 26, von dem, was bei einem katholischen Brand in Coventry berichtet wurde, wo Prostituierte, nicht Juden, verbrannt wurden gut in Brasilien, nicht nur mit Juden aus Recife. Und die Tatsache, Bericht, Juni 1553:

     “Ein am christlichen Lagerfeuer geborenes Baby wurde in das harte, brennende Holz zurückgeworfen.”

     1 – Estou relendo cá, para tentar entender este cataclismo, a biografia citada pelo jornal Bolha de São Paulo, escrita pelo gringo Peter Longerich, 801 páginas, tudo sobre on grande marqueteiro, imitado cá por golpistas lulistas ou militaristas. Com isso, deixo de lado, no momentâneo, a biografia do Shakespeare, 505 páginas, escrita por Park Honan, justo na página 26, do relatado numa fogueira católica em Coventry onde prostestantes, não judeus, estavam sendo queimados, aliás, isto aconteceu tão bem no Brasil, não só com judeus do Recife. E o fato, relato, junho de 1553:

       “Um bebê nascido na fogueira cristã foi lançado de volta no meio da lenha dura e ardente.”

      2 – Pergunto-te: pelo fato de eu cá, polaco tupínico, estar lendo, no momento atual, a biografia do marqueteiro Goebbels, ao som do socialista Wagner, também me arrisco, por denúncia de alguém de ti leitor, ser jogado de volta, pois já o fui por vezes diversas (hallo EBC), repito e repilo: corro risco de ser jogado na fogueira, mané socialista de merda? Hein?

     3 – Destaco na biografia do marqueteiro Goebbels, mesmo que no arrisco, o escrito no diário pessoal dele quando Hitler e Stalin fizeram o acordo de irmãos de sangue do qual, no dia seguinte, resultou a invasão, pelos dois sacanas, da minha Polônia, polaco que sou no sangue. O Goebbles, tipo o marqueteiro baiano do Lula, apenas escreveu:

      – A cavalo dado não se olha os dentes!!!

       No arriscando minha pele, cito mais capítulos do diário secreto do Goebbles que, aliás, foi o único fiel ao chefe, o sacana Adolfo. Só ele, mais nenhum, matou-se no Dia Final. Ele, a mulher, e os cinco filhos. Já o restante dos companheiros, deu no pé. Alguns capítulos, para uso diverso, de acordo com o teu pendor, colega cá do Face:

        20 – “Só existe um pecado – a covardia” – página 414.

       23 – “Educação do povo para a firmeza política” – página 466.

       26 – “Certo ceticismo se apoderou das massas” – página 530:

     “Devemos conversar com qualquer um que queira conversar conosco. Mas em breve estaremos numa encruzilhada. Dias depois, Hitler disse que desejava muito entrar em contato como Papa que, por sua vez, já havia sinalizado disposição neste sentido, pois temia a expansão do comunismo por todo a Europa” . (págin 563).

      E quanto ao Wagner, preso junto com Marx, antes do nascer do Nazismo, ambos socialistas, citado pelo agonizante sistema Globo como “ao som da música nazista”, agora não falo, pois estou morrendo de medo de ser jogado na fogueira pelos aqui colegas esquerditas. Apenas, cito que neste exato momento a ópera toca na Marcha Nupcial no trecho abrasileirado para:

   – Com quem será, com quem será, com quem será que o Lula vai ….

goebles 3

Foi?

Eu fui.

Inté e Axé!


Ainda no ritmo do brilhante Berlin Festival of Lights. Em princípio, pela Liberdade dita conseguida com a Queda do Muro, que se foi há 30 anos.

Pois a prosa agora, ora, tem com o tão vergonhosa para o orgulho alemão, que foi o sonho dos Mil e Um Anos, que duraram 13, do maluco Hitler.

No meio do Festival de Luzes, superinteressante e altamente criativo, passou desapercebido um monumento parcamente iluminado, no lado oposto da rua e do buraco onde o Nazista Mor, dizem, deu-se o tiro final e exigiu, antes, que fosse queimado. Ele e a Eva.

georg elzer2

Falo do homenageado esquecido neste Festival de Luzes. Veja nas fotos o dito momumento para o Georg Elzer. E que foi mesmo que este cara fez?

Detalho. Em 1939, no começo do pesadelo nazista, numa cervejaria em Munique, numa October Festa, o Georg simplesmente explodiu uma bomba para matar o Hitler.

Acrescento. Matou. Não o maluco Hitler, mas outros bêbados, porque o rei nazista saiu um pouco antes, como sempre costumou fazer e, com isso, escapou de vários.

E o Georg Elzer do monumento porcamente iluminado em Berlim no meio da Festa toda? Foi preso, tentando entrar na neutra Suiça, levado para uma cadeia, torturado e tal.

georg elzer3

Finalizo. O azarado Georg Elzer foi torturado por anos para que dissesse quem mais tinha participado do atentado e, se houve, ele nunca falou nada.

Até que em abril de 1945, a guerra já perdida de vez, sem saída, o Georg Elzer foi simplesmente degolado na cadeia. Uma queima de arquivo, como aconteceu com outros.

Pois olhe então o parco monumento ao cara que primeiro tentou matar o Hitler.

Fui. Antes que el , o rei nazista, volte. Tem súditos, por sinal, ressuscitando.

Tschuss.

georg elzer1


         Então, vamos lá. A partir de hoje (15/jan/19), no Brasil, eu posso ter quatro armas, certo? E daí? Arma, eu sempre tive a minha. Uma metralhadora. Com ela eu já matei, feri – de raspão ou mais profundo, aleijei – de leve ou para a vida, tanto no ataque quanto na defesa.

      Preste atenção nesta minha prosa, ô camarada, companheiro, colega, amigo, comparsa, pessoa,  até porque por um senão te varro, com uma rajada, da face deste ambiente dito terreno, nunca ameno, a menos que estejas com colete à prova de quatro armas legalizadas.

           Pois exibo a minha munição preferida que nunca me falhou nestes 71 anos de vida, devido, quiçá, ao meu estilo de arapuca, tramóia, armadilha, cilada, engodo, embuste, campana e baldroca pelas quais sempre te faço cair na rede mesmo que não sejas peixe, pequeno ou graúdo.

          Estou portanto pouco me lixando com este decreto permitindo o uso pessoal de armas porque, repito na maior cara de pau, sempre tive a minha, uma metralhadora, atiro na sequência uma rajada para cima de tua pessoa só pelo gosto de sentires o gozo desta minha tão amada munição.

          As balas que eu costumo usar são formadas por letras – inconstantes consoantes que, sozinhas, não valem coisa nenhuma, precisam do alento das vogais que, por sua vez, dependem dos símbolos e, todos juntos, em ordem unida, pedem o socorro do meu dedo no gatilho. Aperto.

            Miro no A, finjo no E, minto no I, atiro no O e, morres no U. Isto na primeira arma, uma pistola no formato de caneta compacta. Na segunda, formo palavras à toa na multidão no formato de coquetel de letrinhas. Minha terceira arma legal dispara frases, conexas ou desconexas, que tal?

        De volta à minha arma de estimação, legalizada, a velha metralhadora, com ela mesmo que grites no paredão, de olhos vendados, ouvirás o zumbido rasgado das rajadas de parágrafos, páginas e capítulos que podem te matar no ato, com fato confessado ou inventado, a dor é igual.

       Pronto. Está dado o aviso. Estou me lixando de montão com este decreto bolsonariano permitindo que eu cidadão tenha até quatro armas nas minhas duas mãos. Sou mais a minha metralhadora que sempre atirou letrinhas, muitas delas mortais, ricocheteadas até dentro do teu coração.

       – Mas eu sou analfabeto, polaco, tua metralhadora e nada é tudo  para mim.

          Miro. Respiro. Prendo o ar dentro de mim. Penso. Repenso. Calculo a distância entre o meu gatilho e o teu suspiro. Destravo. Aperto o gatilho até o primo passo. Decido. Disparo um só ponto no centro da tua cabecinha. Este ponto tiro de cima da letra-vogal dita do i. É teu o Fim.

(Photo Namastê by Mamcasz).

IMG_20190113_114633896


Image

Ihre Hitler in meinem Berlin

Agora, falando coisa com coisa. Desde os tempos do Muro de Berlim que eu visito esta cidade vencedora, derrotada, dividida e agora, novamente, vitoriosa. Ao longo do tempo, as mentes que pela cidade rodam numa alta qualidade de vida, mudam de conceito.

De eterno sobrevive a solida obediencia germanica. A mesma obediencia cega que levou o povo a aplaudir um maluco, entao Salvador da Patria expoliada depois da Primeira Guerra Mundial.

Acontece que Adolf Hitler, nome e suastica proibidas por lei de serem expostas no sentido da propaganda, continua vivo.

Esta a primeira diferenca notada por mim ao longo dos tempos e das viagens a esta Berlim eternamente verde.

Image

Berlim permaneceu dividida em quatro pedacos na ultima metade de seculo. Sinais que ainda perduram e se esvaem aos poucos. Sovieticos, Americanos, Ingleses e Franceses.

Os franceses, estes, alias, olhados de soslaio porque, por exemplo, na famosa Ponte Aerea dos Aliados para salvar Berlim do cerco sovietico, bom, os franceses, ditos aliados, participaram com nenhum aviao porque, disseram, estavam todos eles sendo usados para matar vietcongs na Hindochina, de onde, a exemplo dos gringos, depois, foram escorracados, antes.

Image

Minhas conversas com Hitler em Berlim

Base principal do livro que estou terminando, esta viagem a Berlim faz parte dele, na verdade dele fazem parte tres series. Pela ordem historica: Parte I – A Alemanha Derrota. Parte II – A Alemanha Dividida. Parte III – A Alemanha Vitoriosa.

Importante, portanto, estas minhas conversas com o Adolf Hitler. Afinal, ele foi de fato o lider do povo germanico, alemao, teutonico. E se fizeram precisos os encontros com ele, nos dias de hoje, em que estariam os nazistas de volta, tais quais os comunistas.

Ponto Um. Hitler era adorado pelo povo. Tal qual qualquer dos outros salvadores dos tempos de ontem, hoje ou depois do amanha. Hitler, Stalin, Mao ou qualquer um dos caudilhos latino-americanos ou ditadores africanos.   Todos eles possuem o marqueteiro Goebels e se merecem. Este, o fato.

SONY DSC

E onde estaria a Alemanha derrotada? O tema pode ser visto de maneiras diferentes, dependendo das cartas guardadas nas mangas nos museus dos ditos aliados, ou invasores.

Tem o Museu Russo-Germanico, que nao fala dos estupros dos soldados sovieticos e nem do sistatico assinato em massa, nos campos de concentracao na Siberia, dos nazistas que nao conseguiram escapar a tempo para o lado ocidental onde, muitos, foram inclusive promovidos a governantes.

Tem o Museu dos Aliados, dos Estados Unidos, onde a visao se difere. A mesma coisa nos museus da Stasi, da DDR e tal.

Mas, a pergunta continua calada. Alemanha derrotada, por que?

Exemplo maior. O bunker onde Hitler se matou e o corpo dele, junto com o de Eva, mais Goering e Goebels, foram queimados, hoje representa apenas um terreno baldio, servido de reles estacionamento. Tudo para esquecer de vez do Hitler.

????????A verdade. O povo continua visitando o local, onde existe uma placa com as informacoes basicas do fato. Assim parece que teria se finado o lider do movimento nacional-socialista alemao. Nem tanto.

Continuando na pesquisa que nesta viagem rendeu muito mais do que nas outras pelo seguinte. Nota-se uma diferenca. Existem mais imagens de Hitler e da suastica nos dias da Alemanha de hoje.

Na rua Wilhlem, que foi o centro do poder nazista.

Na exposicao sobre o socialismo 1930-1945, que apreciei numa exposicao dentro do Ministerio do Trabalho e Acao Social, no mesmo predio ocupado pela turma do Goebels, o maior marqueteiros da historia, ainda hoje copiado por todos os governos.

O mesmo Hitler pode ser visto hoje na exposicao, no lado externo do atual Ministerio das Financas, predio enorme, 2 mil salas, o mesmo deixado intacto pelo poderoso ministro da Aeronautica, o Goering.

Nos museus todos – Historico, Russo, Aliado, DDR e tal. No antigo capitalista Story of Berlin, na Kudam, feito pelos ocidentais, na epoca do Muro de Berlim. Ou entao no Museu enorme, ao ar livre, num dos campos de aviacao deixados pelos nazistas e ocupados pelos aliados ate que um dia o muro caiu e a Alemanha volta a ser uma.

???????????????????????????????

Pois entao, pronto para a redacao final, parte I, do livro A Alemanha Derrotada, das minhas conversas com Hitler, nesta minha enesima viagem a Berlim, percebo o seguinte, tomando cuidado nas palavras:

Da Historia Nazista, em Berlim, ressuscita mais coisas do que o massacre dos Judeus.

Agora, tem momumentos para os Ciganos tambem massacrados.

Os gays, alemaes ou nao.

E nota-se, a partir de um tempo, na nova Alemanha, numa limpeza de mente e do enorme complexo de culpa do povo inteiro, um novo entender.

Alemaes tambem foram massacrados pelos nazistas e aos milhares.

Pouco se fala no Museu da Eutanasia. Mais de cem mil alemaes, doentes ou incapacitados, fisicos e mentais, forma simplesmente mortos pelos doutores medicos que continuaram, depois da guerra, clinicando normalmente. Aos familiares dos eutaniasados, o reconhecimento ainda nao chegou.

Tem ainda as centenas de alemaes que foram fuzilados ou degolados porque atentarm contra o sistema nazista. De generais a estudantes. Da Rosa Branca ao General Staunberg. Estao sendo relembrados dentro do processo historico de revisao nazista.

Sem contar as centenas de campos de trabalho forcado, para alemaes ou nao, alguns deles sendo recuperados para efeitos de preservacao historica.

Enfim. Tudo isto, e mais um pouco, conversei neste minha viagem a Berlim, com o Adolfo Hitler.

Presente inclusive nos cartazes de rua. Nazistas no Congresso Europeu. Nazismo dos jovens das periferias do lado norte da cidade. Contra a nova leva de imigrantes. Principalmente de negros fugidos da Africa.

E assim, La Nave Nazista navega de novo.

????????

 

 


 

 

Image

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes and Valdir Pires tell where they were on March 31, 1964. The day that the Brazilian military staged a coup, overthrew the president, arrested thousands of people, with many of them tortured and even killed. This is a historical evidence of an era that is still alive in Brazil´s memory, albeit sad, 50 years after.

Golpe de 1964 – O Brasil Interrompido

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes e Valdir Pires contam onde estavam no dia 31 de março de 1964. O dia em que os militares brasileiros deram um golpe, derrubaram o presidente, prenderam milhares de pessoas, com várias delas torturadas e até assassinadas. São testemunhos históricos de uma época que continua viva na memória brasileira, ainda que triste, 50 anos depois.

Clique abaixo para escutar na íntegra:

https://soundcloud.com/mamcasz/golpe-de-64-o-brasil

Image

Foto de Gervásio Batista
(1968-atriz Vaja Orico ajoelhada na frente do comboio militar).

Coup d´Etat – Brésil arrêté

Gilberto Gil, Frei Beto, Clara Charf, Aldo Arantes et Valdir Pires disent où ils étaient le 31 Mars, 1964. Le jour où l’armée brésilienne a organisé un coup d’Etat, a renversé le président, arrêté des milliers de personnes, beaucoup d’entre eux torturé et même tué. Sont des preuves historiques d’une époque qui est encore vivant au Brésil, quoique triste, 50 ans après la mémoire. La radio-document dans la langue originale, le portugais au Brésil.

Tec/ Vinheta Abertura Trocando em Miúdo

Loc- 1964. É sucesso. Minissaia. Jovem Guarda. Ligas Camponesas. O Fino da Bossa. Reformas de Base. Gordini e Moustang. E Rua Augusta, na voz de Roni Cord (*músico da Jovem Guarda).

Tec/ Trecho música Rua Augusta.

https://www.youtube.com/watch?v=OByqAxGeW84&feature=kp

Loc/ 31 de março. Madrugada. O governador de Minas Gerais (*Magalhães Pinto) começa três operaçoes simultâneas: Silêncio, nas Comunicações. Gaiola, para as autoridades. E Popeye, deslocamento de tropas.

Tec/ Slogan da música Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones.

https://www.youtube.com/watch?v=OByqAxGeW84&feature=kp

Colpo di Stato – Brasile Arrestato

Gilberto Gil, Frei Beto, Charf, Aldo Arantes e Valdir Pires dire dove si trovavano il 31 marzo 1964. Il giorno in cui l’esercito brasiliano ha organizzato un colpo di stato, ha rovesciato il presidente, ha arrestato migliaia di persone, con molti di loro torturati e persino uccisi. Sono prove storiche di un’epoca che è ancora vivo in Brasile, anche se triste, 50 anni dopo memoria. La radio-documento è in lingua originale, portoghese in Brasile.

Loc/ Primeiro de abril. Madrugada. Forças Armadas dominam a situação. Exigem a renúncia do presidente. (*João Goulart).

Tec/ Bg

Loc/ Dois de baril. Madrugada. O Congresso Nacional decide. O Brasil está sem presidente. Começa a ditadura.

Tec/ Trecho música Bob Marley na versão “Não chore mais”, com o Gil: (Amigos presos, amigos sumidos assim… pra nunca mais).

http://letras.mus.br/gilberto-gil/46223/

Loc/ Cidadão Gilberto Gil. Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Gilberto Gil: Tinha uns dois ou três dias, a gente sabia, principalmente nós, estudantes que tinham militância direta nos Centros Acadêmicos e tal. Porque nós nos mantínhamos muito informados. Estava todo mundo ligado nas rádios, nas agências de noticias. As redações dos jornais estavam ligadas direto com as lideranças estudantis e tal. Então, eu me lembro que na noite anterior eu tinha estado na casa da minha noiva Belinha…

Amigos presos, amigos sumidos assim…

Image

Cidadão Frei Beto. Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Frei Beto: No dia primeiro de abril de 64 eu me encontrava num Congresso Latinoamericano de Estudantes, em Belém do Pará. Quando se soube do golpe, o congresso se desfez. Cada um de nós procurou retornar a seu lugar de origem. Eu não consegui embarcar imediatamente de volta para o Rio de Janeiro, onde eu morava. Fui me esconder na casa do arcebispo de Belém. Depois, na casa de um representante da Ação Católica. Eu pertencia à Ação Católica (*Comunidade Eclesial de Base e Juventude Estudantil Católica). Eu não tive medo. Eu tive preocupação pelas poucas notícias que chegavam a Belém, dando conta que no Rio, São Paulo e Belo Horizonte havia movimentação de tropas, havia prisão, havia torturas, havia mortes…

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/pagina/frei-betto.html

Tec/ Bg música amigos sumidos assim….pra nunca mais…

Image

 Cidadã Clara Charf (* casada com o guerrilheiro Carlos Marighela, morto em 1969 pelos militares).

Onde a senhora estava no dia 31 de março?

Voz Clara Charf: Como a gente sentia o clima de golpe, o Marighela e eu resolvemos sair do apartamento onde a gente morava. A gente morava no Flamengo (*bairro na cidade do Rio de Janeiro). Pegamos uma mala com algumas peças de roupa e saimos. E você sabe que a gente saiu pela escada e a policia subiu pelo elevador. E aí invadiu o apartamento. Fizeram toda a destruição. Não nos prenderam naquele momento. Um mês e nove dias depois do golpe, eles atiraram no Marighela. O Marighela entrou num cinema, para se proteger, eles entraram no cinema, deram um tiro nele, quase mataram ele ali, na hora. Ele reagiu, foi preso. Eu tive que passar para a clandestinidade completa. Logo depois cassaram meus direitos políticos, como eu te disse antes. Nós passamos a viver absolutamente perseguidos. Este era o clima daquela época, né. Muitas mulheres e muitos homens começaram a se organizar para resistir, porque era humilhante, era vergonhoso, era criminoso o que estava acontecendo no país sem você reagir.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Image

 Cidadão Aldo Arantes (*presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE, na foto, o do centro).

Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Aldo Arantes: Eu estava nas galerias do Congresso Nacional e me lembro que gritei veementemente contra o golpe. Gritei das galerias do Congresso Nacional – golpe, golpe! Naquela época me lembro que alguns parlamentares, entre outros, Almino Afonso e Plinio Arruda Sampaio, articularam com a Segurança para que eu não fosse preso. Eu consegui sair, fui para o interior de Goias (* Região Centro-Oeste do Brasil). Fiquei um bom tempo. Aí, por volta de junho ou julho fui, juntamente com o Betinho, para o Uruguai.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Loc/ Madrugada. O Congresso Nacional decide. O Brasil está sem presidente. Começa a ditadura. Cidadão Valdir Pires (* Quando deu este depoimento, era ministro da Defesa, no governo do presidente Lula. Em 1964, era Consultor-Geral da República. Fugiu junto com o Chefe da Casa Civil, Darci Ribeiro). Onde o senhor estava no dia 31 de março?

Voz Valdir Pires: Nós fomos para o aeroporto as quatro da manhã. Três e meia para quatro horas, conduzidos pelo Rubens Paiva (* Então deputado federal, foi preso e assassinado pelos militares numa sessão de tortura e até hoje os restos mortais dele não foram encontrados).

Image

Continua Valdir Pires: Ele (Rubens Paiva) tinha inclusive já selecionado uma moita onde nós nos deitaríamos, durante a madrugada, para o dia amanhecer. Quando o dia amanhecesse, o avião obteria licença para fazer uma viagem até Anapolis (* cidade de Goiás perto de Brasília). Era um teco-teco de lona. Uma vez que seria autorizado para ir, como foi, para Anapolis, nós fomos na direção do Mato Grosso, na fronteira com a Bolivia. Lá nós chegamos, descemos no campo e lá ficamos aguardando outro avião, que levaria combustível para a continuação da viagem ate São Borja (* Cidade no interior do Rio Grande do Sul, onde já estava o presidente João Goulart, fugindo para o vizinho Uruguai). Mas este avião não chegou e como ele não chegou, nós nos dispersamos. E nós dormimos ali, na fronteira da Bolivia com o Mato Grosso.

Golpe de 64 – Brasilien gestoppt

Gilberto Gil, Frei Beto, Charf, Aldo Arantes und Valdir Pires sagen, wo sie am 31. März 1964 waren. Der Tag, der die brasilianische Militär putschte, stürzte der Präsident, Tausende von Menschen verhaftet, viele von ihnen gefoltert und sogar getötet. Sind historische Beweise von einer Zeit, die noch am Leben ist in Brasilien, wenn auch traurig, 50 Jahre nach Speicher. Das Radio-Dokument ist in der Originalsprache, Portugiesisch in Brasilien.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Loc/ Golpe de 64. O Brasil interrompido.

Tec/ Bg música tatatá-tá-tá, imitando rajada de metralhadora.

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim…”

Tec/ Vinheta “É da sua conta!”

Tec/ Bg música tatatá-tá-tá, imitando rajada de metralhadora.

Loc/ Madrugada. O governador de Minas Gerais (*Magalhães Pinto) começa três operações simulâneas: Silêncio, nas Comunicações. Gaiola, para as autoridades. E Popeye, deslocamento de tropas.

Tec/ Vinheta “Trocando em miudo.”

Loc/ Forças Armadas dominam a situação. Exigem a renúncia do presidente. (*João Goulart).

Tec/ Bg música “amigos presos, amigos sumidos assim… pra nunca mais…”

Image


Minha homenagem  aos 460 anos da cidade de São Paulo e a todas as pessoas amigas que estão dentro dela.

Image

Eu chegado, via Congonhas, Brasília no bilhete, quinta feriado, converso na janelica do pré-acertado, tem cartão de crédito, bandeira dois, destino Vila Madalena, 39 reais.

– Por onde o senhor deseja ir ?

No invisível, escuto o samba paulista “somos quase vizinhos , fazemos o mesmo caminho, vem me dê sua mão”, de Fica mais um pouco  amor, do italiano Adoniran Barbosa. Por mim, senhor chofer de vampiresca classe, desde Dom Cristóvão, (1) que cobra acima do ético do menino que, virá a saber no meio do rio, quase se afogando, devido ao peso da tarifa, ser o próprio Deus.

– Vamos por onde, meu senhor polaco, orra,  mas o cara fala, meu!

Traio minha condição sisuda de ser. Pela casa do Carvalho, chegue à Vila Madalena, Heitor Penteado com Pompéia, no Fran’s Café. Aliás, senhor matador da minha noiva Iracema (2), na hora da conta, preste atenção ao lado esquerdo, pouco abaixo do seu adormecido arremedo, onde tem dois livros de Buckowsky (3). Aconselho-os para suas horas de folga, no coçar do físico, de volta ao Morro do Piolho (4), ao rememorar a exploração deste portador de visual da Vila do Progréssio (5).

Belo começo de semana enclausurado no Anhembi numa tal de XI Unctad (6) ( um o que?) dois, cara, quer dizer, muito mais, seis mil burocras, includo presicas e ongueiros . Encontro uma comitiva de dois, do Reino do Lesotho. Converso de quando passei naquela negra montanha, incruada em território branco e africano. Lembro do tropeçar à beira do despenhadeiro por conta dos acenos que me fazem, não as mariposas de Jaçanã (7), mas dezoito inocentes pés de maconha, já do óleo liberados e nem tão secos para serem desprezados.

– Mas onde é que estamos mesmo, meu senhor?

– Sei lá, seu “Mânforo” (8). Eu vivo de passagem, pago na vida sempre adiantado, o tempo está bom, a capital melhor sem o paulistano, lá embaixo na praia, domingo a revoada do milhão e meio no maior orgulho gay do mundo (9). É. São Paulo não consegue parar. Vila Madalena. No buraco tem o beco estreito e as muralhitas de azuleijo que espantam os grafiti . Que pena Adoniran , no lugar do composto, tivesse pichado os vazios das malocas. Ao observar os tatus (10), ele teria no certo, no samba do Arnesto, inserto o “domingo nóis fumu no azur” (11). E obrado na torcida excluída de pardos paulistanos que adentram a estação da Sé (12). Tomo coragem e parlo:

– Meu nome é Rubinato (13).

– Carma, Iracema, o chofé não tem curpa. Paciência! Paciência! (14)

Olha o breque !

Abstenho-me de personagens nesse paulistano passar, até do anfitrião. Relatos factuais ameaçam futura permanência nas retas escadarias por onde escorregam ratos disformes e ladrõezinhos alimentadores da boca a meio caminho do Sumarezinho à grande Madalena. Pena sejam tão céleres. São ratos que dividem com tatus de credos e cores disformes o mesmo quedar ao metrô que, cá para nós, funciona de maneira mais limpa do que a forma com que foi construído.

De volta ao relato de minha passeada paulistana. Paraíso (15) , bate a vontade de desviar de linha para uma visita à amiga minha da Santa Cecília (16). Não a santa rainha dos músicos. A padroeira dos gays. Qual nada. Deságuo no Tietê, o maior terminal … que mania … o bandeirante não viu o dos mexicanos. Tento o guichê para Valinhos, onde mora o amigo Charutinho (17). Penso em subir a Bragança e visitar tia Aline em Atibaia. Ou passar na Casa da Sogra (18). Vence a sina : o suor danado no desarvorado Parque do Anhembi.

Cena terminal no Tietê :

– NÃO dê esmola !

– NÃO seja camelô pós linha branca !

– NÃO coma pizza requentada!

– NÃO pegue táxi fora do ponto !

Em protesto à retidão paulistana, promovo o curvilíneo :

SIM !

Dou um real à caiçara invalidada pelo herói bandeirante.

SIM !

Compro cadarço à porta do elevador que desce para a Cruzeiro do Sul e nele dependuro meu crachá da ONU (19).

SIM !

No Shopping Estação, como pizza fria com café preto.

SIM !

Aceno ao táxi acabado de ser passageiro. Entro correndo. Tem recibo. Um pulo até o Anhembi, pela Olavo Fontoura, hoje menos policiada. Faça a ronda no balão e quebre no farol perto das biroscas.  Pronto, cheguemo, diria mestre Adoniran. No retorno da noite, pelas dez, a carona no ônibus da TV Nacional. Passada a ponte para Bom Retiro, apeio no intento de rever Armênia(20). De gravata e roupa de gringo , ultrapasso a passarela sobreterrânrea. Dobro à direita na rampa. Visualizo personagens do Abrigo dos Vagabundos (21). De costas, não me sentem. Falta-me a iluminação. Acelero pela lateral. Passo. Enxergam-me na quebrada à esquerda.

– Ô doutor !

Respiro em terra firme, pequena praça, o corredor obscuro formado pelas bancas de camelôs completamente arriadas. A distância se agrava. É relativa em momentos tensos. Ao longe reluz a claridade do acesso à estação que me seduz.

– Um real pra gente !

De soslaio, mais dois passos em frente, sem sacolejar:

– Tá mal. Tô sem nenhum !

– Se o doutor não tem um real, então quem vai ter neste País.

Embarafustado pela roleta-catraca do metrô, enfio o bilhete de 10, pisca-me de volta o cinco, subo a escada rolante e aguardo o trem Jabaquara-Paraíso-Madalena. Penso. Vou convidar para o mesmo trajeto as personas reunidas no Anhembi. Imagino o trio real da passarela numa task-force de commodities, comércio justo, dumping, progresso auto-sustentável, fair-trade e até o Gil (22)na defesa da necessidade da retomada do caminho da possibilidade de uma utopia.

– Não recrama, João, a chuva só levou a tua cama (23).

Cuido do retorno a Brasília servido de típicas lembranças paulistanas: famosos potes do alto da Moóca (24), marmita do tradicional arroz com feijão e um torresmo à milaneza (25) e outra cadeira lá na Praça da Bandeira (26). Arrumo tempo e passo na casa do Nicola, no Bixiga, na rua Majó (27). Converso com o Joca na Saudosa Maloca na Rua Aurora (28). Sinto que lindo , Eugênia, é o viaduto de Santa Ifigênia (29) e rebeijo a mariposa na Rua dos Gusmões (30). Sim. Não posso ficar nem mais um minuto com você(31). Na pressa da hora acertada retorno ao começo deste relato no espaço clamado Congonhas. A última rodada no metrô, do Tietê a São Judas, o mais perto do aeroporto. Só alguns quarteirões. Nem sete reais. Pois vou. Estou apeado na rua diante do único táxi do ponto. A felinesca chofer garante que emagreceu 37 quilos. Tem codinome. Pafunça (32). Pede tempo para botar o cadeado no telefone. Abre o porta-bagagem. Não entra mais nada. A cara dela.

– Deixa eu pagar antes o corte do cabelo do meu filho. É no caminho.

Ele tem 16 anos. Dez reais. Onde já se viu. O pai dele é taxista. Ganha bem. A gente é separado. O juiz mandou ele pagar 600 reais

de pensão. Até hoje não pagou. Alô, meu filho. Já estou voltando. A gente divide um comercial. Arranjei advogada conhecida . Vai cobrar 900. Acontece que ainda gosto dele. Encontrei outro.Um amor de pessoa.Quer filhos. Alô, amor, hoje não vai dar. Já operei. Penso até operar de novo. Dá uma pena dele. Mas não vai dar certo. Gostomesmo é do pai do menino. Tô com uma pena de cobrar a pensão na justiça. Não é para mim. É para o filho. Gosto dos dois. Quer dizer. Dos três…

Chegamos. Dezenove reais e trinta centavos. Deve ter cobrado por palavra. Dou vinte. A história valeu. Sincera. De gorjeta canto

para ela o trecho final do samba Maria Rosa, do Adoniran Barbosa. Ouçamos juntos. Alô, meu marido. Não. Que cobrar coisa nenhuma. Injustiça é eu estar longe de você. Eu é que te devo. Um beijo, meu moreno! Taxímetro desligado, revira-se para o meu lado, estou no banco da frente, muito l-e-n-t-a-m-e-n-t-e, e proclama: Canta, meu branco !

O carnaval passou.

Levou minha rosa.

Levou minha esperança.

Levou o amor criança.

Levou minha alegria.

Levou a fantasia.

Só deixou uma lembrança.

Constato, no ato de me livrar dos sobejos da saliva – em troca da pena fica a serena sensação do lábio mordido – que ainda me sobram três horas pro vagar antes do embarque imprevisto. Traço meu pedaço na área do estresosso Congonhas. Confiro que, no perímetro interno do terminal, cerveja em lata sai a quatro reais. Ultrapasso a avenida pela passarela. Lá vem outro causo. Dobro à direita. Disputo a calçada esburacada, estreita e conturbada. Paulistas me insistem que Brasília não presta porque não tem calçada. Prossigamos. Após a passada pelo pardieiro, dormida a 15 reais, três horas, é só subir a escada a la penumbresca, estaco diante uns cocos verdes fincados numa estaca na esquina em frente ao posto de gasolina. Um real e meio, guardanapo, pastéis de bauru na hora, includo a massa. O sonar contínuo dos motores. Suportável seria não fora a gripe e os bilionésimos de miligranas de fuligem a perturbar minhas narinas, pois as tenho ao par. Sento-me ao banquinho de plástico branco e limpo. Faço justiça no acréscimo do informar.

Sorvo vagarosamente, no opósito do ritmo intenso do trânsito tão ao gosto do paulistanesco folclore de pisar nos freios para aumentar os quilômetros do engarrafamento. Aspiro a segunda tragada do líquido ao gosto de beira -mar. Preparo-me para a terceira. Aproxima-se um típico ancião, bonezinho xadrez, cabelos branquíssimos nas laterais, o próprio italianinho que me parece, no ato, chamar-se Arnesto (33).

Muito íntimo :

– Hy mister, can you give to me your beautiful hair?

Vero…

– Fôra eu gringo, meu siciliano, não estaria aqui tomando água de coco pós uma rápida esprimidinha ali na esquina. Está premo na questão de traduzir agora mermo. Esprimidinha é um copo de cachaça barata com meio limão esprimido em cima. Custa setenta centavos. Tomei duas.

– Sou polaco!

– Polish o catzo. O senhor é suiço. Não adianta negar. E eu quero o seu cabelo de presente. Now!

Vero…

Não apresso o passo, pois não debando, e nem exagero o devagar. Longe de mim o escalpo na quarta maior cidade do mundo. Atravesso de volta a passarela. À procura da compostura. Reassumo minha dita personalidade gringa. Subo à francesa a escada encaracolada do saguão central de Congonhas. E me dirijo à Sala Vip do Cartão de Crédito. Opto pelo chá misto Momento de Acordar.

Ingredientes : folha de chá-mate, casca de laranja doce, casca de limão, casca de canela e funcho.

Acesso-me à Internet. Uso os quinze minutos a que tenho direito de fama para fazer este relato do fato. Com permisso, vou ficando por aqui. O tempo expira. Nada me inspira. Por fim, expirro. É a gripe.

– Nunca vi gringo suiço escrever deste jeito.

– Nem eu.

Saio, calmamente, direção portão 3. Finalmente, o quase embarque de volta à minha ilha.

– Polish!

– Ih! lá vem o italiano.

– See you latter, friend!

– Me too, Arnesto.

Ao fundo, no falante paulistano, Adoniran me debocha:

– No ortro dia , encontremo co Arnesto, que pediu descurpa, mas nóis num aceitemo.

Sem pisar nos breques, acrescentei pra Matilde (34) :

– Nóis vai mais vorta!

RODAMÃO (é que nem rodapé)

(1)- São Cristóvão.

Diz a lenda que São Cristóvão fez promessa de carregar pessoas de uma margem à outra de um rio, porque não tinha ponte nem barco. Um dia, uma criança pede que a atravesse. Seu Cristóvão coloca- a nos ombros e entra na correnteza. A certo ponto, estranha o peso fora do comum da criança .”Você parece estar carregando o mundo!” A criança lhe responde: “Erraste de pouco. Carregas aquele que fez o mundo.” Por isso, é invocado padroeiro dos motoristas que transportam pessoas pela cidade.

(2)- Iracema.

Nasce de uma notícia de jornal, em 1956. Mulher atropelada na Avenida São João. De fato, foi na Consolação. Letra e música de

Adoniran Barbosa :

“ Você travessou na contramão a São João / vem um carro e te pega / e te pincha no chão/ Você foi pra assistença….”

(3) – Charles Bukowsky.

Autor da beat generation. Dois livros presentes na Livraria do Frans’s Café da Vila Madalena. 1 -Tales of Ordinary Madness (Erections,Ejaculations, Exibitions and General Tales of Ordinary Madness).

2-Play the Piano Drunk / Like a Percussion Instrument / Until the Fingers / Begin to Bleed a Bit.

(4) – Morro do Piolho.

Bairro da Liberdade, Rua Tamandaré. Tudo fictício. Aparece em Histórias das Malocas,1955. Radiocontos de Oswaldo Molles. Adoniran é o desocupado malandro, morador do Morro do Piolho, pronto para mais uma viagem pelo mundo dos humildes.Certa vez, decide fazer uma eleição . A urna é roubada. Noutra, os moradores procuram emprego. Todos de uma vez. Só encontram um. Para ocupar essa vaga, escolhem Charutinho, o mais preguiçoso e vadio da turma.

(5) – Vila Progréssio.

“Progréssio/ Progréssio/ Eu sempre escuitei falá “ – dizia uma das músicas do Adoniran. Era a vila chique dos brancos, a Vila Progréssio. O edifício arto é o encurvado Copan. O café da manhã é no TIB.

(6) – XI Unctad –

Décima-Primeira Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, de 11 a 18 de Junho de 2004, no Anhembi, São Paulo, junto com o Forum da Sociedade Civil.

(7) – As Mariposas.

Música composta em 1955 por Adoniran Barbosa em que o autor faz um jogo de palavras entre as voltas das mariposas-mulheres da vida em torno das lâmpadas-homens:

“ Eu sou a lâmpida / E as mulher são as mariposa/ Que fica dando vorta em vorta de mim.”

Jaçanã, presente na música Trem das Onze, antiga Guapira, aberta em 1913, para ir ao Asilo dos Inválidos, ramal de Guarulhos, Estrada de Ferro da Cantareira.

(8)- Mânforo.

Jogo de palavras com Cristófaro que, em greco-latino, quer dizer aquele que transporta o Cristo, ou seja, Cristóvão. No caso, aquele que leva o Mam, apelido do autor, ou melhor , aquele que transporta o relato do fato.

(9)- Parada Gay.

São Paulo, Brazil, Jun. 13 (UPI) — More than 1 million people marched in Sao Paulo s gay pride parade Sunday, breaking the world record for such an event. Acording to police estimates 1.1 million people flowed through the city s main thoroughfare — Paulista Avenue — waving rainbow flags and signs celebrating the 8th edition of the parade.

(10)-Tatus.

Os que vivem, trabalham ou usam o metrô.

(11)- Azur.

A linha 1- azul do metrô de São Paulo, a Norte-Sul, ligando Tucuruvi a Jabaquara. Adoniram compôs Uma simples margarida (samba do metrô). E no Samba do Arnesto, ele canta “nós num semo tatu”.

(12)- Sé.

Centro histórico da capital paulista, a praça e a catedral. É o centro nervoso , único ponto de cruzamento das linhas Norte-Sul e Leste- Oeste do metrô. Por ela passam vertentes e tendências do urbano e do suburbano.

(13) – João Rubinato é o nome de batismo de Adoniran Barbosa.

(14)- Iracema.

Parte final da música Iracema, quando a letra é declamada.

(15) – Paraíso.

Estação do metrô conde cruzam a linha 2- verde, Ana Rosa-Vila Madalena, com a 1.

(16) – Santa Cecília.

Outra estação de metro, na linha 3- vermelha que cruza, na estação da Sé, com a linha azul.

(17) – Charutinho.

Valinhos, no interior paulista, porque foi onde nasceu Adoniran. No programa escrito por Osvaldo Moles, História das Malocas. Adoniran faz um personagem . Chama-se Charutinho,nome do presidente do Corintians, na época.Um trecho, de 1955:

“Maloca onde a riqueza é um pedaço de fome/ é um pacote de gemido/ Maloca…/ onde eu cresci de teimoso que sô/ Mais esburacada que tamborim de escola de samba em Quarta-feira de Cinzas/ Onde a gente enfia a mão no armário e encontra o céu/ Onde o chuveiro é o buraco da goteira.”

(18) – Casa da Sogra.

Rádio Record, 1941, Osvaldo Molles fazia o programa Casa da Sogra. Ele foi o parceiro da vida toda do Adoniran Barbosa. Em 1964, desgostoso, preferiu se matar. Foi mulher…

19) – Crachá da ONU.

Para poder entrar no Anhembi, só com o crachá fornecido pela ONU que, por desorganização, estava sem o dependurador, daí a

necessidade do cadarço. No caso, cor abórbora, o par custou um real.

(20)- Armênia.

Estação do Metrô, linha 1 , entre Tiradentes e Tietê. Junto à igreja ortodoxa da comunidade dos armênios.

(21)- Abrigo dos Vagabundos.

Numa das músicas Adoniran oferece sua maloca aos “vagabundos, que não têm onde dormir”. E coloca o título Abrigo de Vagabundos. Foi em 1959, no começo de uma nova maloca (favela, invasão) na Mooca.

(22)- Gil.

Ministro da Cultura, Gilberto Gil. Na reunião da Unctad, foi eleito pelos jornalistas presidente do MSL – Movimento dos sem Lead.

Significa que não se aproveita nada do que ele fala, na hora de escrever a reportagem. Não existe um começo. Meu compadre Turiba é o assessor dele.

(23) – Não recrama…

Outro trecho do personagem no programa de rádio História das Malocas. Foi depois de uma enchente que levou toda a maloca-favela embora. No caso do João, ele havia perdido só a cama. Este João, na verdade, seria ele mesmo, nascido João Rubinato.

(24)- Potes da Mooca.

Na música Abrigo de Vagabundos tem o trecho“Eu arranjei o meu dinheiro/ trabalhando o ano inteiro/ numa cerâmica/ fabricando potes/ no alto da Mooca”. Meu anfitrião foi criado no pedaço e ainda se lembra.

(25)- Torresmo à milaneza.

Nome da música composta por Adoniran, em 1979, em parceria com Carlinhos Vergueiro, onde diz:

“E você, Beleza,/ o que é que você troxe?/ Arroz com feijão / E um torresmo à milanesa / Da minha Tereza”.

(26) -Praça da Bandeira.

Letra do samba de Adoniran, composto em 1974, Vide verso meu endereço, quando diz que “ O dinheiro que você me deu,/ comprei cadeira / lá na Praça da Bandeira.”

(27)- Nicola e Rua Majó.

Aparecem no Samba do Bixiga, composto junto com Nicola Caporrino:

“Domingo nóis fumo  num samba no Bixiga

Na Rua Majó, na casa do Nicola.

Mezza notte o’clock, saiu uma baita duma briga

Era só pizza que avoava, junto com as brajola.”

(28)- Saudosa Maloca.

“Se o sinhô não tá lembrado/dá licença de contá/que aqui onde agora está/esse edirfiço arto /era uma casa véia /um palacete assobradado” A casa fica na Rua Aurora. Cine Áurea, O Joca, na verdade, se chama Mário, mas afinal, Mário não rima com maloca.

(29)- Santa Ifigênia.

O Viaduto, inaugurado em 1913, liga o Mosteiro de São Bento à Basílica de Nossa Senhora da Conceição, a “igreja dos sinos quebrados”, porque nunca toca na hora certa. No samba do Adorinaran:”Venha ver, Eugênia/como ficou bonito/ o viaduto de Santa Ifigênia. Está tão lindo que eu acho, ninguém vai morar embaixo”.

(30)- Rua dos Gusmões.

Um dos sambas mais escondidos de Adoniran:

“Por ela sou capaz, de atravessar, a Rua dos Gusmões, lendo Ali Babá, e os 40 ladrões…”.

(31)- Trem das Onze.

Famoso trem que, na verdade, não existe. O último sai às 20h30m.

(32)- Pafunça.

Uma das desconhecidas musas de Adoniran. Resta na letra :

“O teu coração sem amor se esfriou,/ se desligou,/até parece, Pafunça,/ aqueles elevador,/que está escrito/ “num fununcia /e a gente sobe a pé! /é pra me judiar, Pafunça, / nem meu nome tu pronunça.”

(33)-Arnesto.

Virou nome de samba de Adoniran. “O Arnesto nus convidô / prum samba ele mora no Brás/ nóis fumo não encuntremo ninguém.”

(34)-Matilde.

A mulher de Adoniran. Mathilde de Lutiis. Casou em 1942 e com ela viveu 40 anos. O primeiro casamento foi com Olga Rodrigues, com quem teve a única filha, Maria Helena, criada pelos tios.Matilde aguentava tudo. Mas brigava quando ele chegava de madrugada. Daí surgiu o samba: “Joga a chave, meu bem/ aqui fora tá muito ruim”.

“AGORA NÓIS VAI MERMO E NÓIS NUM VORTA MAIS”.

Eduardo Mamcasz

São Paulo – SP – Brasil – 25/Jan/2014

Original em:

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=10632&cat=Contos&vinda=S

Próxima Página »