Quem mora em Brasília, à cata do ouro, ou não, conhece uma figurinha chata que neste final da seca enche o saco da gente.

Hoje, vésperas de Finados, comemorei a data estraçalhando um casal que entrou no meu quarto, nesta madrugada,  cantando esgarniçadamente.

Estou falando da doida da cigarra.

Ela fica dormindo na seca toda, grudada num pau seco de árvore velha, e acorda no começo da chuva.

Quer dizer. Quem acorda  é a nova criatura que está dentro dela. Que sai faceira para o Novo Mundo.

É sempre assim. Na vida e no trabalho. Uma morre, outra nasce.

Aliás, me dei mal, noutro dia, no email que mandei pra minha chefinha. No final, escrevi:

– Aqui se faz, aqui se paga …

Pra feder de vez, acrescentei:

– Quanto antes, melhor …

Continuando … Tem bicha, então, que acaba de trepar e logo mata o macho. Natureza tem cada coisa. Prefiro o sintético.

Então, neste caso da cigarra, ela uiva, penso eu, por causa da dor do parto. Por isso que tod@ adolescente grita:

– “Parto que nos pariu” .

Mas foi a mãe quem sofreu. Duas vezes. No parto e agora, na partida da filha para um braço qualquer.

Casal de cigarras -Photo by Mamcasz

O grito de uma cigarra chega até aos 120 decibéis. Faz mal pra caralho, quer dizer, pro ouvido, não só dos homens mas, principalmente, dos cachorros, que ficam loucos, nesta época do ano. Começam a uivar que nem lobos e a trepar com qualquer cadela.

Acontece que acabo de saber, com uma ex-amiga veterinária, que me trocou por um viado:

– Mamcasz, você está ficando doido com o grito das cigarras, pelo seguinte. Preste atenção e pare de encher o saco de quem abre este teu blog e vê torto as coisas que são cor-de-rosa.

 Ouço:

– O zumbido ensurdecedor é da cigarra macho trepando com a cigarra fêmea.

Falo:

 – E sempre assim. A fêmea  fica muito da quietinha mas, no além do clitóris, só gostando…

– Por isso que te troquei por um cachorro, seu Mamcasz.

– Ué. Não foi por um viado?

Mas continuando a prosa:

– O escarcéu da cigarra é produzido pela vibração das membranas inferiores do abdômem do macho.

– Tudo bem, minha preta, mas e como é que fica então a orelha da cigarra fêmea com esta gritaria toda do macho?

– Simples, seu Mamcasz. A fêmea tem um membrana especial que se dobra para proteger os tímpanos. Mesmo assim,  tem vezes em que  umas fêmeas chegam a explodir com a gritaria do macho.

– Ah, entendi…

– Entendeu o que, seu Mamcasz?

– Contigo, eu sempre fui que nem mineiro. Silencioso, comendo pelas beiradas, devagarinho … por isso que você me trocou por um cigarro.

Moral:

Tem fêmea, e  conheço de perto, que literalmente explode de gozo. Basta  o macho  dar uns gritos.

Bela historinha para esta véspera de Finados.

Na verdade, acho que deveria ter deixado o casal de cigarra ter terminado a trepada. Só depois, então, te-lo-ia mandado para a lista dos Finados. E então, voltaria a dormir sonhando com uma  anjinha, de asas soltas, vibrando, vindo pra cima de mim, cantando, sorrindo e trepando.

Amém, Jesus.

Deus te ouça.

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