outubro 2009



            Bãoces, madames e monsieurs, chegou a hora de voltar e ainda não encontrei minha amada fêmea porque ela continua escondida ici em Paris.
            Melhor para ela que se livre de uma terra cheia de mendigos, assaltantes, prostitutas, corruptos de marca maior e onde as índias andam peladas em Copacabana. 
            Ou não seria isso, porque,  o que se sabe, pelo menos aqui em Paris, é que já começaram os ensaios para as Olimpíadas de 2016, principalmente na modalidade de TIRO À DISTÂNCIA.
           Estás puto com este tipo de referência? E se eu falasse que entregam  presunto no carrinho do supermercado dos Macacos, estaria eu inventando tamanha barbárie?
            Aliás, não é assim que los hermanos latinoamericanos sempre chamaram a nosotros brasilenhos?
           –  Somos, ou não somos, os eternos “macaquitos”?
            Tô puto porque estou voltando e ainda por cima tenho que passar hoje à noite por Lisboa, a nossa mãe, por isso somos filhos da mãe lusa mixigenada ao pai africano, Jesus aos beijos com Judas.
           Deu no que deu.
           Ah …  nesta segunda, lundi, estarei na Assembléia dos Fantasmas da Rádio Nacional, em Brasília, na 702 Norte, quando a massa púbere decidirá se aceita, agora ou depois, a proposta patronal de aumento de apenas 4,2 por cento, por dois anos, e vai ser assim, quer queiramos ou não.
           Mas antes de fechar as portas do apartamento aqui na Rue Daguerre, Montparnasse, tenho mais é que mostrar  os cartazes da minha amada que espalhei por toda Paris na vã esperança de que ela volte, pelo menos para mim, não para esta puta pátria que nos pariu.
          Ao fundo, o amado dela, o Napoleão, qual Josefina ela posa, e mais perto, o Pensador do Rodin.
         Então, macaquit@, avisa lá que eu vô, bota água no feijão, avisa a mulata da empregada, coisas deste clichê, certo?
        Mas antes de descer em Brasília, eu falo mais uma vez, mas  de Lisboa, por onde vou passar logo mais.
        Agora, atenção, se alguém vislumbrar minha amada em Paris, diz pra ela que não volte, fico no sacrifício, porque as coisas no Brasil continuam um imenso Maranhão, certo?

Cleide em Paris - photo by Mamcasz

Namore moi qu’un jour je vais vous emmener à Paris. Qui n’aime pas se laisser séduire par de telles promesses et beaucoup de rêves taille complète: Promenades sans fin à travers les boulevards de la capitale.

Des milliers de baisers devant les petites tables a les petits cafés. Rafraîchir les bords de la Seine les tenant par la main.Demandez au incognito qui nous reflète, côte à côte, le fond dans les objectifs du paysage. En retour, prolonger un goût d’invitation qui est très agréable.

Après avoir tenu les mains dans les jardins de Monet – restent les mêmes que les peintures, et regarder les détails dans la cuisine avec des tons jaune, ensemble nous irons monter les escaliers en bois que sont usés-faires, et à l”egtage, à côté de la fenêtre de la chambre, en tirant le perfurm des fleurs, lá-bas, je vais t’attirer l’attention sur un détail, que est toujours le même au lit où Monet ressenti l’amour et est tombé endormi rêvant des images qu’un jour il y aura la peinture.

C’est alors seulement que j’aurais le courage de vous demander:

– Veux-tu m’épopuser?

“Fica comigo que um dia eu te levo a Paris” – quem não gosta de ser seduzida com tais múltiplas promessas e do se completar tamanho sonho: infindos passeios pelos boulevares da capital, trocar beijos vagarosos junto às minúsculas mesas dos repousantes cafés, mãos dadas pelas beiradas refrescantes do Rio Sena, pedir ao incógnito que reflita, lado a lado, aquela paisagem ao fundo nas lentes que, ao regresso, eternizam o sabor de tão prazeiroso convite

Depois de passearmos de mãos dadas pelos jardins de Monet – continuam tão iguais às pinturas, e de olharmos os detalhes na cozinha com tons amarelos , subamos juntos as escadas de madeira- quão gastas estão, e no andar de cima, junto à janela do quarto, atraindo o perfume das flores lá embaixo, vou te chamar a atenção para um detalhe -ainda é a mesma cama onde Monet sentia os amores e adormecia sonhando com os quadros que um dia haveria de pintar.

Só então eu teria a coragem de Te perguntar :


– Você quer casar comigo ?


os pretos de paris 13- photo by mamcaszNa Fundação Cartier Bresson, Metrô Denfer, está tendo uma exposição, com direito a debate e tudo, sobre a Arte das Ruas, ou seja, as famosas pixações que são amadas ou odiadas.

Em Montmartre, Metrô Abesses, na Paris 18, tem o LE MUR DES JE T’AIME, ou seja, I LOVE YOU … THE WALL, ou EU TE AMO, TÁ?  Neste sábado, teve até uma solenidade em que mais de cem casais assinaram um documento, reconhecido pela Prefeitura, declarando amor mútuo e eterno.

Por isso, junto com o hip-hop dos negros, que está com tudo em Paris, vão aí algumas artes vivas nas ruas:

muro je t'aime - photo by mamcasz

 Este muro do EU TE AMO foi uma iniciativa do músico Frederic Baron, em 1992, e já tem mais de mil frases de JE T’AIME, escritas em 300 línguas e dialetos praticados nesta enorme Torre de Babel reinante no Planeta Terra. 

os pretos de paris 16- photo by mamcasz

 

arte na rua de paris - photo by mamcaszos pretos de paris 17- photo by mamcasz

arte na rua de paris 2 - photo by mamcasz


 

os pretos de paris 19- photo by mamcasz

Estava eu hoje a flanar pela Rue de Monge, ici em Paris, quando de repente encontro um pacote de livros jogados cuidadosamente perto de uma lata de lixo. Peguei dois. Um, sobre a Internet Underground que se diz ser  o “guide du bizarre e de la contre-culture”. O outro, o que aparece na parte de cima da foto, é do Jacques Sapir e se chama “Os Buracos Negros da Economia”, ou seja, “Les Trous Noirs de la Science Économique”. Este livro eu estudei em 2008 em São Paulo quando fiz o MBA de Derivativos na BMF-BOVESPA-FIA-USP, um pouco antes da crise mundial antecipada pelo velho professor Simeão, de Macroeconomia, com a seguinte advertência marota: “Nunca  se esqueça, Mamcasz,  que tudo que sobe … desce. É da Natureza.”photo by mamcasz 

Este livro é interessante porque defende uma economia anárquica, com reajuste instantâneo de preços, que a produção seja sempre decrescente para estimular a concorrência, e que, portanto, os agentes econômicos ajam de uma maneira automática. É neste ponto que o autor Jacques Sapir ataca com força os graduados do Planejamento que sonham com o impossível equilíbrio geral e se acham donos de um poder que conhece tudo, onisciente, e que por isso usam da mão invisível. Ele termina com esta frase porrada:

 “La main invisible devient le poing d’acier d’un despote.”

“A mão invisível se transforma num punho de aço de um ditador”.

Outro ponto presente no livro dos Buracos Negros da Economia, que achei jogado na Rue de Monge, aqui em Paris, defende que assunto econômico é assunto político e nunca tecnocrata. Pois foi isso mesmo que ouvi do vice-presidente do Brasil, José Alencar, e que está reservado para o necrológio dele na Rádio Nacional. Surpresa? Pois todo jornal, web, rádio, TV do Brasil está com o dele pronto. C’est la vie,  amig@. Quer dizer, a morte. Mas o Zé, depois de um trecho cantando Caymi, ataca os juros altos praticados no Brasil,dizendo o seguinte:

 “Eu sempre disse que a taxa básica de juros no Brasil não devia nunca ser decidida pelos economistas porque este é um assunto estritamente político.

Orra, meu. Este lixo parisiense foi três chic. Agora, deixa eu continuar procurando pela minha mulher que está sumida ici a Paris.

Quem quiser ler o artigo do Jacques Sapir sobre a atual crise mundial, acesse aqui:

http://www.marianne2.fr/La-crise-un-an-et-toutes-ses-dents-1-3_a182098.html

Au revoir.


 

os pretos de paris 15- photo by mamcasz

Paris tem preto pra caramba. Nem sempre numa boa. Tem os degredados das ditaduras corruptas africanas. Mas pouca gente sabe que quando Napoleão, o imperador Bonaparte, que hoje dorme no palácio dos Invalides, vendeu o estado de Louisiana aos Estados Unidos, mais de 50 mil escravos, então libertos, vieram direto aqui para Paris, para escapar da horda branco-azeda que daria na Guerra Civil Americana.

os pretos de paris 0 - photo by mamcasz

Depois, foi a fase dos artistas negros do jazz  que quando em decadência fugiram para Paris, porque aqui eles teriam um bar, mesmo que sujo, para tocar, em troca de um quarto imundo mas com direito a algumas fileiras de cocaína regada a uma bebida forte qualquer, mesmo que o rum, menos o vinho que é bebida de branco, sem contar o adicional de uma loireba, que sempre aparecia para esquentar os ossos do preto cansado.

os pretos de paris 22 photo by mamcasz

Não a toa que todo dia, ici a Paris, eu sempre escuto a Rádio FM Saint Paul, que só toca jazz negro, dia e noite, sem parar, da melhor qualidade, meu.

Por isso, hoje, AOS PRETOS DE PARIS, a homenagem é aos artistas de fato. Em 1948, ano do meu nascimento, Baldwin se mudou para Paris, onde se juntou a um grupo de escritores e artistas negros, que incluiu Chester Himes, Richard Wright e Ollie Harrington. E principalmente a minha nega maior: Josephine Baker.


os pretos de paris 20- photo by mamcasz

No Jardim de Luxemburgo, sede do Senado da França (liberdade, igualdade e fraternité) tem o monumento aos pretos libertos, na forma de uma corrente quebrada.

Pois bem. Quase ao lado dele, tem um operário, um negro, bien sûr, fazendo a limpeza, poeira de pedra ao vento, ele sem qualquer proteção das vias respiratórias ali tão históricas.

Na placa, a grande informação, aliás, duas:

1 – No dia 4 de fevereiro de 1795 houve a primeira declaração de abolição da escravidão nas colônias francesas.

2 – No dia 10 de maio de 2006 (isto mesmo, madames e monsieurs, 10 de maio de 2006, houve a primeira comemoração de fato, em Paris, pela libertação dos escravos.

Então, para ir finalizando esta passagem pela Cidade Luz, vamos a algumas sequências do aqui chamado AOS PRETOS DE PARIS:

os pretos de paris 8- photo by mamcaszos pretos de paris - photo by mamcasz


 Como dizia aquele jovem senador por Brasília, amigo daquele jovem senador pelas Alagoas: Droga, tô fora. Falando nisso, tá chegando a hora de voltar praquela droga cheia de bostinhas. Mas antes vou visitar de novo a Rádio Nacional aqui da França. Trezentos e tantos estúdios, um para cada dialeto que se fale neste mundão. Tem até brasileiro:paris df 020


Em Paris, é preciso ficar atento e forte. Antenado em tudo que é gratuit. Para isso, fique de olho nos postes, nas bancas, nas portas das igrejas, nos papéis por cima de que os mendigos dormem e principalmente nestas que são a bíblia para quem achar o que fazer em Paris sem pagar nada:

– Pariscope, sai toda quarta-feira, nas bancas, custa vinte centavos de euro. Quase no final, tem os concertos de graça, dia a dia, durante toda a semana.

– A Nous Paris. É a revista do metrô. Pode ser encontrada toda segunda-feira nos enormes corredores das estações, gares e birôs. Foi nela que achei a festa na garagem de ônibus que vai ser desativada.

– Além dessas, tem o Gogo, Lygo, e tantos Gos que podem ser achados durante as festas e concertos porque uma chose chama a outra de coisa louca.

Au revoir.

revista nous photo by mamcaszrevista lylorevista pariscope photo by mamcasz

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