Enfim, de volta a Paris, nomesmo apartamento.

Do aeroporto até  a Rue Daguerre, ao som de frevo.

Isso mesmo. Trouxe o cd100 anos de frevo de cadeau para o Jean-Paul.

 A vrai spetacle, monsiuer, me diz ele, com o som no carro pela peripherique.

 – É a mesma coisa que samba?

–  Il est la même chause que le sambá? Esta foi fácil explicar.

Difícil mesmo foi traduzir o subtítulo do CD:

 100 anos de frevo para perder o sapato.

Mas, enfim, 13 horas de viagem, e sou recebido por  Monsieur Joel.

 Um francês negro, avós do Marrocos, tal qual um guia da Rocinha do Riô.

 Então, Paris seis graus, quatro da tarde, saio de leve antes que escureça.

Direto pro Chez Papa, vinho tinto e esta puta salada:

Daí, então, leve caminhada, promenade ou flaneur, ou seja, coçar o saco.

 Nas bancas de jornal, as primeiras fotos do ex-magnífico Muhamar Kadaphi. Nenhuma foto do mutilado de guerra, na sarjeta, ao lado de líderes.

 Nem o Sarkozy, que passava as férias com ele, e muito menos o nosso Lula.

Mas, voltando à minha flanada inicial aqui em Paris, tem a crise financeira. E a pergunta que não quer calar.

Tradução na letra do pé bichado:

 Quem tem que pagar são os banqueiros e não o zé povinho de merde.

Assinado: PCF. Atenção, não confundir com PCBdoB.

Aqui em Paris, os comunistas, não roubam nem comem as criancinhas.

 Mas ainda sonham em dizer que o poder é do povo, meu:

Pois então fui atrás deste tal do povo.

O mesmo que esquartejou o Gadaphi.

 Bárbaros?

Que nada, mané, precisa saber o que o povo francês fez.

 Na Revolução Francesa, botou rei na guilhotina.

E arrancou os outros dos túmulos para cortar em pedaço.

Mas voltando às minhas primeiras horas de Paris.

Encontro de cara, na Rue General Leclerc, na 14, o dito povinho.

 Pintor de rua, de calçada cheia de mijos e merda de cachorros.

Homenageia Salvador Dali, passou por aqui.

Que nem Picasso, Monet e o escambau.

Este, de hoje, avisa.

Antes de pisar na minha obra de arte, me dê um trocado.

 Como dizia o Ibrahim Sued, ademán.

A

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