Mensalão tinha proteção automática da retaguarda

Os comitês de Prevenção e Lavagem de Dinheiro e o de Automação da Retaguarda, usados no “Mensalão”, ou Ação Penal 470, dificultam a condenação dos acusados nas denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (2005 e 2012), que enfrentam agora o julgamento final no Supremo Tribunal Federal. Entenda como funcionava o esquema, nesta primeira parte da série “Contas abertas do Mensalão”.

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http://radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2012-08-06/mensal%C3%A3o-tinha-prote%C3%A7%C3%A3o-autom%C3%A1tica-da-retaguarda

 

A conversa miúda desta semana, 500 palavras por dia, é sobre uma coisa que está na boca do povo. É o famoso mensalão que, depois de sete anos da primeira denúncia, agora depende dos onze juízes do Supremo Tribunal. Cabe a eles decidir, a partir das provas, quem são os culpados, até porque a existência do mensalão já foi aceita. Se algum indiciado for considerado culpado, o STF decide quantos anos de cadeia cada um leva. Vamos nessa?

 

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Antes de começar esta prosa melindrosa, alerto que apenas traduzo nesta rádio o falado, investigado, comprovado, denunciado e relatado nas denúncias da Procuradoria-Geral da República, aceitas e acolhidas pelo juiz-relator do STF, baseadas nos inquéritos da Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, Banco Central do Brasil e na CPI dos Correios. Por isso, nesta série, eu me concentro em trocar em miúdo o tantão de dinheiro público que foi desviado, evadido, roubado, lavado, enfim, corruptado. Só tem um porém. Ninguém sabe ao certo o quanto, mas pelo pouco que ficou provado, é muito.

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O dinheiro roubado pelo Mensalão e as palavras quadrilha, organização criminosa e maior esquema de corrupção já praticado, estão nas duas denúncias. Foram apresentadas, primeiro em 2005, pelo então procurador-chefe da República, Antonio Fernando Barros Silva. Agora, agosto de 2012, o atual procurador-chefe da República do Brasil, Roberto Gurgel, no começo do julgamento final, no Supremo Tribunal, confirma de novo o que ele chama de dinâmica delituosa e sacamenta. Fica assim confirmada a existência da quadrilha. O mais atrevido caso de corrupção e desvio de recursos no Brasil. Por isso, ele pede que o STF mande para a cadeia 36 dos 40 réus.

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Adianto a prosa desta semana. Divididos em três grupos – político, operacional e financeiro – participaram políticos da maioria dos partidos,e, especial da base do governo Lula, a partir de 2003, através de bancos e instituições financeiras, mentores, operadores e receptadores. Para fugir das provas, caso fossem apanhados e assim dificultar a condenação, havia duas jogadas de mestre. Primeiro, a automação da retaguarda. Isso mesmo. Noutro dia, troco isto em miúdo. Depois, um tal de Comitê de Prevenção e Lavagem de Dinheiro.

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 Apesar de ninguém saber ao certo quanto foi roubado, desculpe, desviado criminosamente, existem algumas provas cabais. Por exemplo. Oitenta mil notas fiscais falsas. Três delas da empresa DNA de Marcos Valério para o Banco do Brasil-Visanet-CBMF. Valor: 64 milhões e 754 mil reais. Repetindo. 64 milhões e 754 mil reais. Outra nota fiscal falsa. Para a Eletronorte. Doze milhões. Mais uma. Desvio de 55 milhões de reais pelos bancos Rural e BMG. Mais. Repasse mensal, daí o apelido Mensalão, para partidos políticos da base. Mais. Um milhão de dólares pagos no exterior, através de doleiros, para a empresa de Duda Mendonça, pela campanha eleitoral. Mais. Desvio de 37 milhões e 663 mil reais por conta de um tal de Bônus de Volume. Que é isso? Calma. Isto é Economia. Amanhã, eu continuo. Tem muito mais

Então, tá

Inté e Axé

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