Parte Um

              É tão bom ver uma cabeça coroada rolar na guilhotina…

             Uma ida, pena que tenha volta, como tem acontecido por uma dezena de vezes, a Paris, exige três partes de um mesmo corpo: antes, durante e após.

             Antes, tem a preparação, nos livros ou nas  traiçoeiras páginas internéticas, mesmo que o local de pouso seja o mesmo, pela terceira vez.
         Durante, bem, tem a restauração do que tem que ser repetido em Paris, a Place de Voges, par exemple, o sorbet da Ilha São Luís, o sorver no Chez Papa.

             E o depois, bom, é a revolta da volta de uns tempos na Lutécia nascida junto com o Jota Cristo, bem que os dois podiam ter-se casado e dado filhos.
 

                Primeiro, vamos  começar pelo recém-lido livro do do jovem filósofo inzoneiro chamado Lorànt Deutsch

 

                 

         A idéia central deste livro, de uma viagem  pelas estações do metrô, desde o primeiro século até às excrecências arquitetônicas do século XX, não foi cumprida.

         Mas todo livro, mesmo que pior, sempre deixa um gosto de mel, este me deixa na boca as toneladas de sangue que correm pelas ruelas de Paris, ao longo da sua história, na forma de tremendas carnificinas:

         Judeus em 1200, protestantes em 1700, pobres de Paris jogados aos milhares no Rio Sena pela peste, fome ou simplesmente pelos machados afiados das turbas.

        Agora, deste livro, levo duas coisas nesta viagem a Paris.

        Uma, é a tremenda história de a heroína, dizem que santa e virgem,  Joana D’Arc, ser fruto indevido da rainha Isabel da Baviera, casada com o maluquésimo Rei Carlos VI, mas apaixonada pelo irmão dele, o cunhado, o duque Luís de Orleans, simplesmente por ele ser o seguinte:

      “Um belo garanhão pronto a relinchar diante de qualquer mulher”.

      O outro detalhe deste livro de 343 páginas, que acabo de sorver, está na página 332, e vou conferir in loco, na atual place de La Concorde:

      “Em 1789, chamou-se praça da Revolução e aqui erguia-se a sinistra guilhotina (Liberdade, Igualdade e Fraternidade).  A conta foi feita: 1.119 cabeças rolaram nesse lugar e entre elas as de Luís XVI e de Maria Antonieta”.

       Aur revoir.

      Amanhã, volto com mais uma pré-saudação à minha Paris.

      Antes, uma foto doutras idas, com voltas, infelizmente:

 

       O Pensador, no Jardim de Rodin, que sacaneava Camile Claudel mas amava o gordo Balzac, e, debaixo da torre dourada dos Invalides, o túmulo do grande Bonaparte, que se ajoelhava diante de Josephine, não a Baker.

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