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  • Liberdade ameaçada

    ” Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim e não dizemos nada. Na segunda noite já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo arranca-nos…

  • Caça aos fumantes de boa vontade

    Esta é uma campanha da CIPA 1, da área administrativa. Não tem nada a ver com a CIPA 2, da área-fim, que continua na briga pelo fim das insalubridades, principalmente a causada pelas ondas magnéticas da radioatvidade, também provocadora de câncer, além de batalhar por um ambiente de trabalho mais sadio, com nova sede e…

  • Sangue na TV Brasil

                 Madrugada de final de agosto para começo de setembro em Brasilha. Ladrão invade TV Brasil, em busca de notícias, pula a janela, acorda o guarda e leva chumbo. Na pressa, larga a caneta, quer dizer, a chave de fenda, avança para o guarda, vê a arma, joga o corpo contra o vidro, causa prejuízo…

  • O babaca do caseiro

                                 Francenildo, o caseiro, agora vivendo de bicos (je vive du béc, diria o velhinho Jô de Taubaté), é o próprio fantasma na imagem dele adentrando o  teatrológico Supremo  Tribunal dito  da Justiça, ao ser colocado pelo advogado, de olho na indenização pela quebra do sigilo da conta bancária (30 moedas, ditas mil, que o soberano…

  • Prima dúvida

        Perguntinha básica antes de passar para a feitura abaixo: – Você prefere ser  anjo torto na vida ou  diabo lindo de morrer?

  • Quase abertura (só dói quando rio)

                         “Companies have their skeletons hidden in the archives of steel, have their childhood wounds” – said (in Brasilia, Nineteen Hours) Eugenio Bucci, past president of EBN – Radiobrás – EBC, to whom he rented his soul for four years, the company that houses The Ghosts of National Radio.                         Leandro Fortes, the farewell in 2004 (EBC Community…

  • Mais abertura (só dói quando rio)

                                                  De ordem deste Sr. Escrevente e na inconformidade doe que afundaram, ao longo dos anos, nessa nossa definhante presença auditiva, sejamos senhoras, senhoritas, cavalheiros e sobrinhos, efetivados ou escorraçados, certos ou desmoralizados, de quatro ou de joelhos, estamos todos convocados para esta Asembléia Geral Extraordinária, a ser realizada no dia 30 de fevereiro,…

  • Zero introdução (só dói quando rio)

                         Fantasmas são justamente aqueles “chiados”  ou “chuviscos” (ler Evangelho 1) de certas lembranças que me atrevo a introduzir, a partir deste momento, mesmo que  na quebrança do código de  insegurança seguida por todos nós servidores desde o suicídio do Velho (ler  Evangelho 2), que teve o Testamento ao Povo Brasileiro (ler  Evangelho 3) censurado, na manhã de…

  • Primeira introdução (só dói quando rio)

                           O palco do desenrolar deste relato de dramas constantes se situa num encontro de fantasmas da Família Nacional (ler Evangelho 5), de madrugada, no ainda hoje encardido e tombado calabouço onde funcionaram os primeiros cinema, rádio e televisão de Brasília (ler Evangelho 6), no começo da W-3 Sul, inaugurado às oito da noite do dia…

  • Segunda introdução (só dói quando rio)

                           Foi memorial a festa de inauguração do agora local deste  nosso encontro de  mortos da vida fodida,    neste pardieiro da Rádio Nacional que até auditório com Orquestra Sinfônica e tudo já teve na História, que agora acaba de ter a parte norte decepada pelo governo do Distrito Federal  para dar lugar à segunda via…

  • Terceira introdução (só dói quando rio)

                             Então façamos o seguinte, camaradas e companheiros aqui reunidos neste pós-vida em memória às centenas de grupos de trabalho, reuniões de equipe, etapas de avaliação e mesmo festinhas de aniversário recheadas de falsidades amplas e gerais, churrascos plantonizados e arrooubos natalinos, não é mesmo Marlene Emilinha?                          Botemos para fora qualquer sentido de ordem que…

  • Quarta introdução (só dói quando rio)

                          – Cala a boca desta levada, Juscelino (ler  Evangelho 19),   senão você também volta a levar porrada,  mesmo que  já tenha passado  por este calabouço da Rádio Nacional,  agora encardido, numa madrugada fria,  travestido de popular, o mulato motorista no lado direito do banco do carro pedido emprestado, cagando de medo dos milicos descobrirem, pois…

  • Quinta introdução (só dói quando rio)

                          Antes de começarmos esta sessão propriamente dita, dispomos aqui de relatos de desconfortos observados por alguns sobrevivos, assim qualificados uma vez que já passaram da fase de sobreviventes mas ainda não fantasmas propriamente ditos e que, devido a essa condição, encontram-se mais suscetíveis a tremores causados por alguma alma penada entre nós postada que continua,…

  • Sexta introdução (só dói quando rio)

                              Outro assunto importante a ser decidido nesta, esperamos, interminável sessão, diz respeito aos procedimentos vingatícios que tomaremos caso o frei Vanildo (ler  Evangelho 26) não volte a ocupar o mesmo espaço deste agora encardido calabouço para oficiar as velhas missas ao vivo pelas ondas potentes, embora curtas, da Rádio Nacional da Amazônia, nos abrindo o espírito dos…

  • Sétima introdução (só dói quando rio)

                         Damos então início de fato  a esta sessão, convocados que fomos por edital nacional , tanto que estamos  aqui presentes,  artistas cariocas – candangos – amazônicos (ler  Evangelho 27), perseguidos na política e na prática,   disponibilizados – dispensados – despedidos – sacaneados – condenados pela deficiência física , sinônimo de excesso de idade calculada através…