Na sexta, postei “ A puta loira da Uniban. E se fosse negra?”

                      Aliás, no plantão de Finados, alertei três colegas,  mulheres,  jornalistas,  diplomadas,  que falavam mal da estudante que foi com vestido curto para a aula na Uniban.

                     Diziam, eufóricas, em uníssono:

                      – Uma puta mesmo.

                    Daí eu tive que, meio assim deseducadamente,   lembrar que ela tinha ido de ônibus, 40 minutos em pé, sem qualquer problema, antes de chegar à faculdade de merda, a UNIBAMBI.

                    Então, completei:

                    – Vocês mulheres devem tomar mais cuidado quando atacam uma mulher deste jeito. Parece até que estão defendendo os bandeirantes (homens e mulheres) que partiram pro estupro coletivo.

                      – Não, Mamcasz, qué isso.

                     Moral.

                     Uma das três, concursada nova,  jornalista iniciante, já desanimada da vida, apesar de jovem,  é formada nesta tal de Uniban.

                    Mas, prosseguindo.

                   No post de sexta, 30 de outubro, lá pelas tantas falei, e repito  aqui pras meninas da Rádio Nacional que defendem o estupro moral da menina da Uniban:

                    ” Bons tempos os meus quando, na universidade, a gente brigava era mesmo para fumar unzinhos, paquerar à vontade, até surubar, mas sem ficar vidrado, tomar banho de rio todo mundo pelado, topar topless na praia e, de vez quando, até se meter na política, discutir Sartre, Levi-Strauss e os escambaus. “

                      Pois não é que no sábado o diabo do Claude Lévi-Strauss morreu, aos cem anos de idade? Parece até fantasma …

                      Em 1934, ele passou três anos no Brasil, viajando e dando aulas na USP (atenção, eu disse USP, não disse UNIBAMBI).

                      No meu tempo de universitário, na ECO-UFRJ, no Rio, nos fundos do Pinel, na Praia Vermelha, o máximo era fumar unzinho, agarrar umas minas mas sem grudar, ter barba largada mas sem ser petista que nem existia, o lance mesmo era ser Libelú (???) e levar no sovaco um velho livro do Lévi-Strauss chamado “Tristes Trópicos”.

                     tristes tropicos - capa 

                    Então, em homenagem aos Strauss e escambaus, aconselho ao estulto aí  ler este trecho do livro Tristes Trópicos pensando nos energúmen@s da UNIBAMBI que detestam mulher bonita de vestido curto.
                    Assim falou Lévi-Strauss sobre a nudez das brasileiras nhambiquaras:

                   ” Povos que vivem completamente nus não ignoram o que chamamos de pudor: deslocam seu limite. Entre os índios do Brasil,   este parece se situar não entre um grau e outro de exposição do corpo, mas, de preferência, entre a tranquilidade e a agitação”  .   

                      Puta que pariu.

                      Está na página 270 na edição da Companhia das Letras.
                      E só pra fechar o caixão do Lévi-Strauss de vez,  escute este trecho de uma antiga canção, também intitulada Tristes Trópicos, com letra e música do grande negro Itamar Assumpção (quem? porra, dá licença, mano!):

” O trópico tropica

Emaranhado no trambique

A treta frutifica

E tritura todo o pique

A trapaça trina e troa

E extrapola cada dique. “

                       Outra vez:

                      Puta que pariu. 
 

https://mamcasz.wordpress.com/2009/10/30/a-puta-loira-da-uniban-e-se-fosse-negra/


 Deixa eu sumir no tempo porque os desencarnados antigos estão enchendo meu saco dizendo que eu só falo deles na Rádio Nacional de hoje.

Clube dos Fantasmas.

Este é o nome do programa na Rádio Nacional, década de trinta (antigo assim tá bom?).

Lamartine Babo, Noel Rosa, Almirante, João de Barro.

Pô, fantasmas deste naipe, tudo junto, aí é covardia.

Aliás, Lalá, o Rei do Carnaval, com O Teu Cabelo Não Nega, em 1941 ganhou o prêmio do pior trocadilho do ano. Foi quando disse a respeito de alguns artistas da Rádio Nacional:

“A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um …

Uns desejam ir ao céu … 

já que só atuam no éter … “

Éter, naquela época, é o exctasy de hoje.

Aliás, era tanto éter que os Irmãos Padilha, de Pernambuco, ganharam, na Justiça, o direito de serem parceiros da música do cabelo da nega, que tinha sido mandada por eles com o nome de Mulata. Daí, o seu Lalá mudou o nome. Da música e do autor.

Coisas da Rádio Nacional.

 ” Mulata

Tens um sabor

Bem do Brasil

Tens a alma cor de anil

Mulata, mulatinha, meu amor

Fui nomeado teu tenente interventor.”

 Quer saber mais?

Volte pra escola, estulto.

Fuja da UNIBAMBI.

Vá pra USP:

 http://www.radio.usp.br/programa.php?id=37&edicao=090405