Berlin



Eu não tenho uma gotinha de sangue africano, mesmo sendo tão brasileiro quanto um cafuzo, por ter sangue polaco nas veias, mas é claro que os neguinhos da África do Sul, com todo respeito aos chicanos, mereciam ter ganho, por três a um, o primeiro jogo desta Copa do Mundo de Futebol.

Então, estou aqui procurando o texto de quando fiz uma viagem pelo Sul da África, na base da carona, para postar aqui.

Enquanto isto, tem esta foto aqui de Berlim, com anúncio na porta dizendo que a peruca é do mais legítimo, e valorizado, cabelo brasileiro que no Brasil todo mundo chama de pixaínho e só se lembra dele na hora de mamar numa bela cota de universidade.



Fica para os lados da Karl Marx Allee, a avenida do velho que antes se chamava Stalin.

Tudo do lado ex-comunista que começa, aos poucos, virar capitalista.

E né que encontrei um tal de Piu Paulista?


Nestes 40 dias em Berlim, poucas vezes encontrei brasileiros, graças a Deus.

Até porque nas andanças pelo mundo, a não ser que sejam amigos, evito dar a saber que sou brasileiro.

É só ouvir uma voz mais alta, folgada, em brasileiro, que me calo e observo.

Até porque assim, fico do lado e escuto cada besteira que não tem tamanho.

Mas tirei estas fotos da presença tupiniquim por aqui em Berlim:


Uma das boas surpresas que tive aqui em Berlim foi a passagem pelo bar Soulcat (Reichenbergerstrasse 73), no X-berg (Bus 29 stop Ohlauer).

Foi a noite da Balkan Swing com o grupo Cyclown Circus.

Demais (so much).

Batemos um papo e seguem as fotos.

To listen (ouvir) clique abaixo:

http://www.podcast1.com.br/canais/canal1618/Lady_be_Good.mp3

 

Tem ainda o facebook deles:

http://myspace.com/cyclowns


O lugar é assim meio que um antro hippie no meio do mato em San Francisco, California, nos anos 60.

Na verdade, é na beira do rio Spree, no centro de Berlin, no meio de um bosque, numa área invadida.

E para sustentar o argumento de que eles merecem o mesmo tratamento dado aos capitalistas que ganharam dinheiro público para construir prédios para a burguesia numa área que deveria ter continuado pública, bem…

Entremos  para mais um show de jazz, dos bons,  no Open Air Bühne Lohmühlestrasse.

É só escolher uma das cadeiras velhas, sofás rasgados e empoeirados ou, pegar uma cerveja e ir ficando por ali, que é tudo de graça mesmo.

Uma bela tarde de domingo ensolarado:

 Visite então:

htpp://www.jazzkeller69.de

 


E então chega o tão esperado Carnaval de Berlim.

Tudo bem que não tem tanto pecado que nem o nosso carnaval tropicano.

É uma mistura de quermesse, quatro palcos para shows (Eurásia, África, Latinauta e Turcaiada).

 Todo mundo bebendo até cair mas, mesmo malucão, jogando o lixo no lixo, ninguém assaltando ninguém, o metrô funcionando na maior.

 Fica meio difícil para um tupiniquim entender.

E não é que a bebida mais vendida é a nossa caipirinha?


E no dia do Carnaval em Berlim, com mais de um milhão de participantes, de sexta a segunda-feira, tudo feriado, teve o dia das igrejas abertas, só para sacanear os pecadores.

No caso, uma boa música de Shubert, quarteto de violinos, na igreja de São Nicolau, em Spandau, construída a partir do ano de 1238 (isto mesmo):


Outro show de graça em Berlin foi na velha Neukoln, na Karl Marx Strasse (é a rua onde o velho nasceu). Foi no  Café Hofperle, comida boa e barata, dos antigos, lustre e tudo e tinha este pessoal tocando só música de filme. Valeu:


Café Lagari, pros lados de Neukohln, que é o novo lado iupe-ex hippie-alternativo-cultural de Berlim. Teve um encontro de músicos, meio que de improviso, mas valeu a pena:


Mais um show de graça foi no Hochschule für Musik (escola de música), na boca do metrô Steglitz,  um bairro ainda chique deixado pelos invasores norte-americanos que, ao contrário dos soviéticos, não comeram os tijolos com os dentes. 

No meio dos alunos, tinha o professor Thomas Offermann que, quando soube que eu era brasileiro, disse “encantado” e eu respondi “obrigado”até porque, olha só que beleza de aluna, a Veronika Grüter, que toca uma senhora gitarre (violão):

 


Outro lugar lindo para ir em show de graça é no Schlot, um velho conjunto totalmente recuperado e, numa das partes, servindo de Escola de Jazz. No domingo em que fomos, eintritt frei, tinha apresentação dos neukomer, ou seja, dos alunos que estavam se formando em jazz:


Outro lugar com show de graça é o Fabish, que fica na boca do metrô Rosenthaler, no Mitte, primeira parte recuperada no estrago deixado pelos comunistas.

Os donos antigos, na verdade herdeiros ainda dos avós judeus incinerados pelo tio Adolfo, voltaram com todo o capitalismo em cima, recuperaram o prédio, que era uma fábrica, e virou o bar supermoderno, mais um hotel e um hostel.

No bar, tem livros nas estantes para você ficar lendo, sentado em sofás, e até um aparelho de som moderno para ouvir músicas superselecionadas.

 


O bar Catsoul, escondido numa ruela escura do Kreuzberg, antigo reduto dos maluquetes do lado capitalista, atraiu a gente desde a primeira vez.

Até porque quase na porta passa o Bus 29, dois andares, que leva a gente de volta para casa, até duas e meia da manhã, do outro lado da cidade, na Wilmesdorf.

Num dos shows, pequeno, quase que de improviso, chope a dois euros, teve este trio ótimo.

É o Shower Singers com o show Singalong Country.

Até batemos um ótimo papo, em inglês:


Esta vai para meu sobrinho que está acompanhando este relato e que está para ser pai para depois começar a viajar pelo mundo porque tudo é possível, tudo no seu devido tempo. Um abraço pra família:

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