abril 2010




                        

  Há exatos 50 anos passados, neste mesmo local, foi inaugurada a TV Rádio Nacional de Brasilia, pelo presidente JK, o Bossa-Nova, ao lado de ministros, madames, Orquestra Sinfônica e tal. Pois agora, para a festa dos 50 anos com Brasilia, o terreno está  assim, nesta foto tirada neste domingo (11-04-2010). Portanto, a festa da Rádio Nacional e os 50 anos com Brasilia promete …

                        Aliás, falando em passado, noutro dia eu dava conselhos para uma pessoa da turma dos “amarelinhos” da EBC (que estão mudando de cor). O Vilmar queria saber uns detalhes de como se aposentar pelo INSS, eu expliquei e disse que era melhor ele dar um tempo para ver se o Lula liberava o tal projeto extinguindo a “expectativa de vida” que come uma parte da aposentadoria. Ele disse que ia ver. Mas não teve tempo. Morreu neste final de semana, que nem a placa acima.

Reproduzo  algumas mensagem dos amigos do Vilmar:  

” Que nossa empresa possa se unir à dor da Equipe de Operações, mais conhecidos como a equipe de externa, ou ainda os Amarelinhos da Presidência, que neste momento sofrem com a saúde de José Vilmar Ferreira. Um Pai Nosso que cada um de nós rezarmos, pode não ser nada, mas para Deus será o suficiente para montar essa corrente de energia, capaz de fazer milagres e mover montanhas. Como ele mesmo diz, onde dois ou mais estiverem em meu nome ali habitarei, possamos tornar essa passagem viva em nossas vidas. ”

EBC Informa:

Falecimento de José Vilmar Ferreira

 Perdemos hoje o convívio de nosso amigo de todas as horas, o Vilmar. Todos, indistintamente, o admiravam. Foi sempre uma pessoa correta e muito feliz. Em todos esses 30 e poucos anos de convivência, nenhum de seus colegas de trabalho, com certeza, ouviram dele um gesto sequer que pudesse, ainda que de leve, mostrar um comportamento que não fosse de compreensão, alegria e muita paz.

Que Deus na sua infinita misericórdia o acolha neste momento e dê a sua família e amigos o conforto necessário.

Convidamos todos que o conheceram para a despedida de nosso amigo que está marcada para hoje às 16h00, na capela 02, do Cemitério de Taguatinga. O corpo estará sendo velado a partir das 11h00.

Comunicamos que estarão disponíveis um ÔNIBUS na 701 Sul, uma VAN nos prédios da 502N e uma outra VAN na 702N, com saída para o Cemitério prevista às 14h00.

Diretoria de Suporte e Operações

Teresa Cruvinel:

 Junto-me a todos nesta manifestação de pesar pela perda de nosso companheiro Vilmar.

Ficará ele entre os que ajudaram a construir a comunicação pública neste pais.

Wahby Abdel Karim Khalil:

É com pesar que informamos que hoje por volta de 00h foram desligados os aparelhos do Amigo, chefe, companheiro e irmão José Vilmar Ferreira, chefe de operações da Equipe de externa da EBC em Brasilia.

Lincoln Macário:

O nome me soou muito familiar mas só quando soube que se tratava do “Índio” tive a real dimensão da perda. Tanto na minha primeira passagem pela antiga Radiobrás, há 12 anos, como na minha vinda para a EBC, os contatos que tive com o companheiro Vilmar foram marcados pela serenidade e competência. Que o momento de dor seja consolado pela lembrança do seu constante sorriso e tranquilidade.  

Aloisio Orrico:

Vilmar sempre será lembrado pela serenidade e pelo olhar de esperança. Quantas cervejadas, piadas e brincadeiras no final do expediente. Grande figura. Distante sempre estavámos por trabalhar em diretorias distintas, mais aqui acolá falávamos por telefone – Quantos ESCAVS e PRESCAVS da FAB – quando eu o indicava para as inúmeras viagens presidenciais nacionais. DEUS está mais feliz do que nós, porque ganhou uma grande companheiro, um grande sujeito, um grande homem.

Antonio Faya:

Que bom que tive a alegria de ter participado em vários eventos sob o comando do Vilmar, assim posso testemunhar quanto de verdade tem na homenagem tão simples, mas tão bonita e tão justa ao amigo que se foi. Com meus sentimentos sinceros à família e a todos os colegas que, nesta hora que estou escrevendo estas linhas, estão lhe dando o último ADEUS.Vá com Deus.

Roberto Moreira:

Não sei nem o que dizer nesta situação, perder um amigo e companheiro de trabalho de 31 anos de convivbencia é muito dificil, é doloroso demais. Mas Deus esta aqui para nos consolar, termos que seguir em frente, sempre lembrando dos exelentes momentos juntos, que Deus agora console esta familia e Amigos, traga a Paz para Todos.

Jo Almeida:

Meus sentimentos sinceros à família e a todos os colegas. O Vilmar sempre  passou a sua  tranquilidade interior, com muita sabedoria, para a funçao que exerceu como chefe e colega de trabalho. Grande perda para todos.

Maria Auxiliadora Gonçalves Leite:

 Adriana. Como essa grande esposa que sempre foi do Vilmar, quero te agradecer pelas infinitas  vezes que você se privou de sua presença e nos permitiu estar com ele, seja no trabalho, seja em viagens (muitas não é?), em festividades, em encontros só nossos, naquele churrasquinho da RANAC, e em muitas outras ocasiões. Que Deus, na sua infinita bondade, possa consolar os corações de todos vocês, em especial de seus filhinhos, tão pequeninos e tão dependentes do pai. Força querida! Quero que saiba, e que tenha o maior orgulho, é que seu marido foi o “maior e o melhor” chefe que já tive (e acho que muitos pensam isso), nesses 32 anos de Radiobrás/EBC.

  Enilson Neves:

Para quem pautou sua vida com virtudes como paciência, sabedoria, dignidade, honestidade, trabalho e serenidade como Vilmar, toda a milícia celeste o acolhe num único côro : Bem vindo, filho de Deus! Aqui é o seu lugar! Saudades do amigo e um abraço fraterno para a família na certeza de que seram consolados.
 
Aloisio Valério:

Saiba que a sua passagem em nossas vidas não foi em vão. Você deixou a marca da paciencia, da solidariedade, da simplicidade, da tolerancia e, principalmente, da amizade que nunca se acaba.
Peço ao altíssimo que o trate da mesma forma que você tratou seus semelhantes enquanto esteve conosco, perdoe-lhe as faltas e abra-lhe as portas do paraiso. Até breve, amigão.


                            Liga Tripa, Cabeças, Néio Lúcio, Udigrudi, Renato Matos, Garagem, Legião Urbana, Dulcina, Cassia Eller, Grande Circular, Ney Matogrosso, Osvaldo Montenegro.

                            Tudo isto, e muito mais, tem a ver com a Rádio Nacional e os 50 anos com Brasília. Tanto a AM mas, principalmente a Nacional FM que, em épocas passadas, era o reduto de tudo quanto maluco beleza que tinha a melhor da produção musical do pedaço.

                             Tem mais:

                            Renato Vasconcelos, Beirão e Banda Cordel, Mel da Terra, Clube do Choro, Paulo Tovar, Jaime e Beth Ernest Dias, Ministéricas (Claudinha, Mercedes, Leninha), Aloísio Batata, Izaltina, Haroldinho, Gera, Trio Siridó, Tony Botelho, Trem das Cores, Clodo-Climério-Clésio (não era um trio não), Primas e Bordões, etc, etc,etc … e tal.

                           Aliás, no começo da década de 60, o must era mesmo a Orquestra da Rádio Nacional, disputada tanto nos bailes das autoridades no Brasília Palace Hotel quanto nos melhores puteiros da Cidade Livre.

                      Sem contar os programas de auditório, sábados à tarde, no auditório da TV Rádio Nacional, na 701 sul, quando, bem antes do Chacrinha, o então apresentador Meira Filho já dava as buzinadas em cima dos calouros pau-de-arara doidos para virarem candangos.

                     Para ouvir um pouco desta história, clique abaixo no trabalho da “norafilhada” Akemi Nitahara, que nem tinha nascido nos tempos da Rádio Bilg ou Rádio Cabeças:

http://www.radiobras.gov.br/radioagencia/admin/cadastramateria.php?editar=1&ID=107559&tipo=radioagencia

 


                         EBC INFORMA (8 de abril de 2010)

                       ”  Mudança na Diretoria de Jornalismo

                        A jornalista Helena Chagas está deixando a Diretoria de Jornalismo da EBC para assumir outros desafios profissionais. Com sua experiência e capacidade realizadora, Helena deu inestimável contribuição à implantação do jornalismo dos canais públicos da EBC, especialmente na TV Brasil, onde em curtíssimo espaço de tempo estruturou e implantou o telejornal Repórter Brasil, hoje uma vitória da TV pública. Sob a direção de Helena, foram também implantados os programas jornalísticos De Lá para Cá, Caminhos da Reportagem, Três a Um, Paratodos, Nova África e Papo de Mãe. O Observatório da Imprensa, que já existia, foi aprimorado após a criação da TV Pública. Em breve, a Dijor estreará mais um programa, o Cara e Coroa.                  

                     Por tudo isso, em nome da Diretoria-Executiva da EBC, expresso nosso agradecimento à Helena Chagas pela contribuição que deu à implantação do Sistema Público de Comunicação, com votos de mais sucesso e realização em seu caminho profissional. De sua gestão, a EBC recebe ainda como legado uma equipe dedicada e movida pelo espírito público, que dará prosseguimento a tudo o que foi realizado.

                  Responderei, interinamente, pela Diretoria de Jornalismo até que seja escolhido o novo titular.

                  Tereza Cruvinel Diretora-presidente.”

Acréscimo pessoal:

Com isto, está dada a largada. A ninguém poderá ser negada a licença, sem vencimentos, por isonomia, para que funcionári@ da EBC participe de campanha eleitoral, seja de que Partido ou Candidat@ for.

Mais detalhes sobre a saída da ex-diretora, clique abaixo:

https://mamcasz.wordpress.com/2010/04/07/diretora-da-ebc-sai-para-cuidar-de-dilma/


                    Escrito por mim em 2002, no começo da ex-era Lula, num encontro promovido pelos Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas de Brasília:

Acho que temos agora uma Grande Chance de se estabelecer um novo sistema de comunicação Poder-Povo a partir de visões quase que adormecidas.

Ponto Primeiro:

Na produção de programas de Rádio por Jornalistas é preciso esquecer os somente Noticiários, aqueles editados em um minuto e meio e pronto.

O alcance radiofônico, 24 horas por dia, precisa ser melhor entendido, e usado, pela nossa classe de Jornalistas. É só começar pensando uma Rádio como se fosse um Jornal . Tem Internacional. Nacional, Regional, Local , até chegar no Vizinho.

Tem o Segundo Caderno, o entretenimento, com acréscimo do Musical. Tem a Parte de Serviços e, em sendo uma rede Oficial-Nacional, escuta só que campo imenso:Saúde-Educação-Aposentadoria-Cidadania-Campanhas-O povo pergunta(na voz gravada) .O Poder responde. (ao vivo ou não) …”

Extratos do PT

Na ocasião, em 2002, pedi destaque ao que o Progama de Governo colocava na parte destinada à Comunicação:

 “É a formação de uma Rede de Comunicação Alternativo-Comunitária onde será feita a interação Orelhão-Alto Falante-Rádio Comunitária-Rádios do Interior-Internet Banda Larga-Rádio Nacional (Radiobrás).

 Aliás, seria uma coisa totalmente nova, desconhecida no nosso meio. Mas neste ponto, uma ressalva aos “Extratos do PT”:“Utilizar a … Radiobrás … possuidora de uma rede nacional de Tvs e Rádio”.

 A Nacional na UTI  

” Não existe esta “REDE” de Rádio. Melhor seria o escrito algo assim : “Reestruturar o Sistema Nacional de Rádio, a partir da Radiobrás, com a volta dos Escritórios Regionais, com a redescoberta da Rádio Nacional da Amazônia, com a transformação da Rádio Nacional de Brasília em Rádio Nacional do Brasil, com a devida utilização da Internet, fazendo com que ela, em Banda Larga, seja o Elo entre as Rádios Comunitárias que, a partir deste novo momento, serviriam de Repetidoras-Retransmissoras-Interlaçadoras daquilo que acontece nos Grotões esquecidos do nosso Brasil.”

Aproveitei ainda, em 2002, e está no livreto feito em cima do Encontro Sindical:

Alerto apenas para que procurem por uma noção exata da importância da Rádio Nacional – Radiobrás dentro desta nova Rede Pública de Comunicação, sem cair na armadilha da Transição, tipo formamos uma rede imensa, temos a RádioSAT, estamos em tempo real na Internet, etc e tal.

É preciso conhecer a real situação, o potencial abandonado da Nacional da Amazônia, a UTI em que se encontra a Nacional do Rio, a falta de interação Agência Brasil – Radiojornalismo e Radioprodução , a venda-doação sistemática das Retransmissoras, o fechamento da Rádio Brasil ao Exterior, a inexistência de Programação Cultural, a desmotivação dos funcionários…”

 O sumiço do O8OO

 “ A partir desta real constatação, aí sim será possível ressurgirmos para uma Rádio Nacional de verdade, atrelada aos aspectos técnicos modernos da Internet Banda Larga mas sem nunca esquecer a interatividade do Povo-Ouvinte (melhor que seja Povo Falador) que continua dependente do Orelhão, do 0800, da velha carta , da voz dele aparecendo no rádio.

Um grande abraço , embora eu tenha certeza que vocês sabem de muita coisa que acabei de escrever aqui. Acontece que há outros que precisam saber disso tudo também.”

Moral final:

Lendo isto hoje, 2010, parece fantasma, porque continua tudo a lesma lerda. Ou, quiçá, pior ainda.


                        O Plano de Trabalho da EBC para 2010, aprovado pelo Conselho Curador, no sistema de rádio, com oito emissoras, pautou (?) ações estruturantes (?) e de ampliação da oferta de conteúdos, na verdade, serão 18, tais como:

                     “ Deflagração do processo de articulação da Rede Nacional Pública de Rádios entre as oito emissoras da EBC e as demais do campo público; continuação dos investimentos já programados ou ampliados em infraestrutura e equipamento, e criação de três núcleos centrais de produção e gestão de conteúdo através de contratações ou parcerias (Esportes, Radiodramaturgia e Programas Infanto-Juvenis).”


                       A atual diretora de Jornalismo da estatal EBC (Tv Brasil, TV NBR, Agência Brasil, Rádio Nacional, Rádio MEC, etc), Helena Chagas, entra na equipe de jornalistas petistas no comitê de campanha da pré-candidata (?) Dilma Roussef.

                      Ela é filha do velho e renomado jornalista Carlos Chagas, ex-assessor de imprensa do general-presidente Costa e Silva.

                        Antes de vir para a EBC, ela trabalhava no Jornal de Brasília, depois de ter saído da sucursal de O Globo, que ela dirigia, até aquele escândalo do Palocci, aquele caseiro, aquela casa suspeita, enfim, tudo aquilo fez-se passado.

                       O anúncio da saída da Helena Chagas ainda não foi feito oficialmente através do EBC Informa, mas pode ser lido clicando abaixo:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/diretora-da-tv-brasil-reforca-equipe-de-comunicacao-de-dilma/

 Ah… hoje, dia 7 de abril, é dia do Jornalista.

– Quais?

– Sei lá…

– Por que?

– Muito menos…


                        Radios libres y comunitarias (?)  de Europa y America Latina (?) unidas en el Foro de Radios Madrid 2010 articulan una cobertura local (?) e internacional durante la Cumbre de los Pueblos Enlazando Alternativas (dando nós?).

                       Para este efecto si tienes planeado estar presente en Madrid durante la cumbre, deseas colaborar, compartir material, retransmitir, etc, etc e tal, envía un correo  a pablo@noticias.nl para subscribirte a la lista decoordinación. 

http://www.enlazandoalternativas.org/spip.php?article534

 

Invita a otros colegas y radios a participar!!

Entonces, já mandei pra eles este blog dos Fantasmas da Rádio Nacional. Desunidos pero nem tanto.


                      A Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB) tira hoje do papel, no auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na Praia Mauá, o Prêmio Roquette Pinto – I Concurso de Fomento à Produção de Programas Radiofônicos.

                     Traduzindo:

                  É para apoiar a produção independente de obras radiofônicas e estimular a diversidade regional na produção de programas de rádio.

                 Portanto:

                Numa espécie de cotas, projetos que forem mandados de fora do eixo Rio -São Paulo- Brasília- já entram em vantagem na contagem dos pontos. Os escolhidos receberão os recursos financeiros.

                 Na verdade, as inscrições já podiam ser feitas desde o dia primeiro de abril. De verdade.

                Serão selecionados 40 projetos, contendo cada um deles seis horas de conteúdo, distribuídos por todas as regiões brasileiras, nas categorias: rádio-documentário, dramaturgia, programas infanto-juvenis; rádio-arte ou experimentações sonoras.

                    A madrinha do concurso é Carmen Lúcia Roquette Pinto, da família do Pai do Rádio no Brasil.


 

“Fazem tanta falta cavalos brancos soltos em Brasília.

 De noite eles seriam  verdes ao luar”.

 

 

Foto tirada no Eixo Monumental de Brasília, em 2010.

Texto de Clarice Lispector, em 1962:

                     

                        “Só Deus sabe o que acontecerá em Brasília. É que aqui o acaso é abrupto

                       – Brasília é mal-assombrada. É o perfil imóvel de uma coisa.

                       – De minha insônia olho pela janela do hotel às três horas da madrugada. Brasília é a paisagem da insônia. Nunca adormece.

                       – Aqui o ser orgânico não se deteriora. Petrifica-se.

                      – Eu queria ver espalhadas por Brasília quinhentas mil águias do mais negro ônix.

                     – Brasília assexuada.

                   – O Primeiro instante de ver é como certo instante da embriaguez: os pés não tocam a terra.

                  – Como a gente respira fundo em Brasília. Quem respira começa a querer. E querer é que não pode. Não tem. Será que vai ter? É que não estou vendo onde.

                   – Não me espantaria cruzar com árabes na rua. Árabes antigos e mortos.

                    – Aqui morre minha paixão. E ganho uma lucidez que me deixa grandiosa à toa. Sou fabulosa e inútil, sou de ouro puro. E quase mediúnica.

                   – Se há algum crime que a humanidade ainda não cometeu, esse crime novo será aqui inaugurado. E tão pouco secreto, tão bem adequado ao planalto, que ninguém jamais saberá.

                     – Aqui é o lugar certo onde o espaço mais se parece com o tempo.”


                        Hoje, sábado de Hallelluya, o dia é só de Judas, certo ?

                        Por isso, durante a semana, nós, fantasmas unidos na confiança (Rio, Brasília, São Paulo, Tabatinga, São Luís) corremos um abaixo-asinado eletrônico através do qual afixamos nossos Judas (Xis 9) para serem devidamente  malhados na manhã deste sábado (03-abril-2010).

                        A nossa malhação particular, embora de caráter coletivo, tanto está sendo física quanto mentalmente, desde que em uníssono e a partir das dez horas desta manhã, antes, pois,  da  dita ressurreição a que todos nós teremos direito em data ainda que futura do presente.

                       Decidimos também, nesta mesma assembléia, secreta aos alheios e porventura escolhidos para serem sempre malhados, que  todos desonraríamos os eleitos mesmo que não houvesse algo pessoal que  justificasse a malhação, levando-se o prioritário do coletivo de nós.

                       

                       Mas quem é mesmo este  traidor  que, infelizmente, pode ser qualquer um de nós?

                      Estou falando do Cristo: traído, dedurado, vendido, torturado,   pregado vivo numa cruz, ao lado de dois ladrões, sendo um dele mau e o outro, bom… o Dimas permanece no inconsciente latino.

                       Pois Judas, o Iscariotes, é o mesmo que na Santa Ceia está quase junto dele, o Chefão, de quem ganhou um beijo no rosto, a la siciliana, e por um motivo muito do pragmático:

                        Judas é simplesmente o tesoureiro de campanha da turma do Zé da Galiléia. Tanto entendia de multiplicação do dinheiro (alem de peixes e pães), que vendeu o Cristo, por debaixo dos panos (cueca,  sutiã, meia ou túnica) por trinta dinheiros da época (teria sido delação premiada?).  Afinal, Cristo era o maior subversivo caçado pelos ianques romanos invasores da Palestina.

                         Tesoureiro de campanha – pode? –   independente de partido ou inteiro, aloprado ou inzoneiro, panetônico ou cachaceiro, mesmo que na falta de um Cristo, neste caso trocado por qualquer mau ladrão – acontece … –  pois ele te lembra quem,  nos perdidos dias atuais?

                           Por isso, a minha parte estou fazendo, neste momento, na mente uníssona a de um monte de colegas, ou seja, estou desejando, firmemente, do fundo do meu id,  o mal a quem nos faz o mal. Está lá na Bíblia:

                           ” Quem com ferro fere, com ferro será ferido”.

                       Só tem uma coisinha que me deixa com a cabeça perturbada neste negócio de hoje malhar o Judas,  antes que eu me purifique através da ressurreição, ou quiçá sumiço, para passar meus tempos de exílio na Índia, antes de seguir depois,  sempre escondido,  para a Capadócia a fim de me reunir ao mano João, à mãe Maria e à minha amada Madalena, até porque meu pai Zé já tinha ido de verdade.

                       E que coisa é esta?

                      Preste bem atenção neste sermão proibido a garotinhos que o papa alemão diz serem frutos de lorotas. Aliás, por que a malhação hoje é só do Judas? E por que não de Pedro, que traiu Cristo por três vezes e depois saiu dando uma de galo, tanto que virou o primeiro Papa-Chefão, mesmo depois de ter cantado pros meganhas romanos:

                      – Este cara? Nunca vi mais pelado que nem agora, aqui no Getsemani. Faz o que quiser com Ele (Jota Cristo) que não tô nem aí. E aí, Judas, tudo bem contigo? Tem dois paus pra eu aí?

                     Moral do sermão de hoje:

                      Em glorificando, pela malhação, a pessoa que me feriu, durante o ano,  estou mais é endeusando quem, hoje, na falta do outro, retirado da cruz e enterrado (vivo?), está sendo lembrado como um verdadeiro Deus-Rei, representante do Belo Anjo Lucifer (aquele que transporta a luz), que tentou dar um golpe no Paraíso, de onde foi expulso fisicamente mas continuou aprontando através de Eva (a desobediente), Caim (o pistoleiro), Judas (o tesoureiro) e tantos outros defensores do Reino do Mal (o vizinho). A malhação, portanto, é uma homenagem.

                             Então?

                             Já malhaste o teu Judas particular hoje?

                             Cuidado para não ferir a ti mesmo!

                           P.S. Este sermão de hoje foi escrito por uma pessoa que um dia foi chamado de Frei Hélio Maria Ofmcap, ou seja, eu mesmo. Duvidas? Na foto, sou o primeiro da direita:

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