Escrito por mim em 2002, no começo da ex-era Lula, num encontro promovido pelos Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas de Brasília:

Acho que temos agora uma Grande Chance de se estabelecer um novo sistema de comunicação Poder-Povo a partir de visões quase que adormecidas.

Ponto Primeiro:

Na produção de programas de Rádio por Jornalistas é preciso esquecer os somente Noticiários, aqueles editados em um minuto e meio e pronto.

O alcance radiofônico, 24 horas por dia, precisa ser melhor entendido, e usado, pela nossa classe de Jornalistas. É só começar pensando uma Rádio como se fosse um Jornal . Tem Internacional. Nacional, Regional, Local , até chegar no Vizinho.

Tem o Segundo Caderno, o entretenimento, com acréscimo do Musical. Tem a Parte de Serviços e, em sendo uma rede Oficial-Nacional, escuta só que campo imenso:Saúde-Educação-Aposentadoria-Cidadania-Campanhas-O povo pergunta(na voz gravada) .O Poder responde. (ao vivo ou não) …”

Extratos do PT

Na ocasião, em 2002, pedi destaque ao que o Progama de Governo colocava na parte destinada à Comunicação:

 “É a formação de uma Rede de Comunicação Alternativo-Comunitária onde será feita a interação Orelhão-Alto Falante-Rádio Comunitária-Rádios do Interior-Internet Banda Larga-Rádio Nacional (Radiobrás).

 Aliás, seria uma coisa totalmente nova, desconhecida no nosso meio. Mas neste ponto, uma ressalva aos “Extratos do PT”:“Utilizar a … Radiobrás … possuidora de uma rede nacional de Tvs e Rádio”.

 A Nacional na UTI  

” Não existe esta “REDE” de Rádio. Melhor seria o escrito algo assim : “Reestruturar o Sistema Nacional de Rádio, a partir da Radiobrás, com a volta dos Escritórios Regionais, com a redescoberta da Rádio Nacional da Amazônia, com a transformação da Rádio Nacional de Brasília em Rádio Nacional do Brasil, com a devida utilização da Internet, fazendo com que ela, em Banda Larga, seja o Elo entre as Rádios Comunitárias que, a partir deste novo momento, serviriam de Repetidoras-Retransmissoras-Interlaçadoras daquilo que acontece nos Grotões esquecidos do nosso Brasil.”

Aproveitei ainda, em 2002, e está no livreto feito em cima do Encontro Sindical:

Alerto apenas para que procurem por uma noção exata da importância da Rádio Nacional – Radiobrás dentro desta nova Rede Pública de Comunicação, sem cair na armadilha da Transição, tipo formamos uma rede imensa, temos a RádioSAT, estamos em tempo real na Internet, etc e tal.

É preciso conhecer a real situação, o potencial abandonado da Nacional da Amazônia, a UTI em que se encontra a Nacional do Rio, a falta de interação Agência Brasil – Radiojornalismo e Radioprodução , a venda-doação sistemática das Retransmissoras, o fechamento da Rádio Brasil ao Exterior, a inexistência de Programação Cultural, a desmotivação dos funcionários…”

 O sumiço do O8OO

 “ A partir desta real constatação, aí sim será possível ressurgirmos para uma Rádio Nacional de verdade, atrelada aos aspectos técnicos modernos da Internet Banda Larga mas sem nunca esquecer a interatividade do Povo-Ouvinte (melhor que seja Povo Falador) que continua dependente do Orelhão, do 0800, da velha carta , da voz dele aparecendo no rádio.

Um grande abraço , embora eu tenha certeza que vocês sabem de muita coisa que acabei de escrever aqui. Acontece que há outros que precisam saber disso tudo também.”

Moral final:

Lendo isto hoje, 2010, parece fantasma, porque continua tudo a lesma lerda. Ou, quiçá, pior ainda.

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                        O diplomático Sindicato dos Jornalistas do DF do Arruda e da PF está com o surpreendente texto neste último boletim, o NR:
 ” A Comissão de Ética da EBC, encarregada de apurar as denúncias de assédio moral na empresa, anda muito devagar, quase parando. A funcionária Deogracia Lopes Pinto Diniz, por exemplo, fez uma denúncia de assédio moral há mais de um ano e seis meses e até hoje a presidente da Comissão, Mariangela dos Reis Costa, não apresentou parecer conclusivo. Se depender dessa Comissão, a ética vai morrer paralítica. Alô Cruvinel! “
                       Mas justiça seja feita. Nas páginas centrais, as amarelinhas, pagas, no espaço publicitário, tem uma longa entrevista com a presidente da EBC ( a Rádio Nacional, embora não pareça, dela faz parte).  Abaixo, o trecho que aborda (não é aborta) o assédio:
  NR – A segunda comissão cuida do problema do assédio moral.
Tereza – É claro que eu jamais compactuarei com o assédio. Mas é preciso ter cuidado de não confundir cobrança de desempenho, por exemplo, com assédio.
 NR – Espera-se que a comissão tenha bom senso, mas ela já foi constituída?
 Tereza – Trata-se de uma comissão de ética para apurar denúncias. É presidida pela advogada Mariângela dos Reis Costa e tem em sua composição Wania Lúcia da Silva, da Secretaria Executiva, e Mario Marcio Simões, do RH. A tarefa da comissão não é fácil, se há denúncia é preciso apresentar os nomes dos que praticam o assédio e cobrar resultados.
                       Moral:
                       Cipas e Comissão de Funcionários continuam emudecidos.

                       Para saber como o assunto esteve na CIPA anterior, ide até:

                       http://cipa-ebc.blogspot.com/


Leia no Observatório de Imprensa.

Profissão, Jornalista.

Jornalistas numa baita de uma encruzilha.

Eduardo Mamcasz

Diretório Acadêmico

Clique a seguir:

http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=555DAC002


  JORNALISTAS    NA  ENCRUZILHADA

A história da sindicalização dos jornalistas brasileiros começou na década de 30,  século passado,  a reboque das benesses do governo da época, no caso, do então ditador Getúlio Vargas, que concedeu a jornada de cinco horas diárias e tentou, sem êxito, em 1938, criar escolas superiores que permitissem uma profissionalização, com diploma, que só foi alcançado noutra ditadura, esta militar, em 1969, e derrubado agora, em 2009, no final de um governo democrático de viés popular.

 

Muros de Brasília - photo by Mamcasz

A partir de 1950, os jornalistas brasileiros passaram da fase dita de boemia para a sindicalização que acompanhou o processo de industrialização brasileiro, com a transição das Associações de Imprensa regionais para os Sindicatos, embora, no âmbito nacional, a Associação Brasileira de Imprensa -ABI – tenha mantido presença marcante, a partir do golpe de 1964, quando os sindicatos dos jornalistas ganharam juntas interventoras, até decair novamente, em termos de participação nacional, desde o impeachment do primeiro presidente civil eleito depois dos militares.

 

Muros de Brasília - photo by Mamcasz

A reação dos jornalistas brasileiros voltou a acontecer na década de 70, com a retomada dos Sindicatos por nomes de peso, a exemplo do Distrito Federal, onde entrou Castelinho (famoso colunista Carlos Castelo Branco), seguida de lutas enormes contra a censura, pelas Diretas Já para presidente,  de protesto por mortes de jornalistas,  o caso maior foi o de Vladimir Herzog, na prisão política em São Paulo, encerrado este ciclo com a realização de  greves de jornalistas que tinham apagado do imaginário de toda uma geração esta forma de luta de classe, ainda que corporativista.

 

Muros de Brasília - photo by Mamcasz

Finalmente, advindo o processo de transição para a democracia (saída dos militares, chegada do primeiro presidente civil eleito indiretamte – Sarney –  e afastamento do primeiro eleito diretamente – Collor), os jornalistas se encontram agora numa encruzilhada, na fase pós Informática,  perdendo cada vez mais espaço para blogueiros, lobistas, comunitários, ongueiros, assessores e outros estranhos no ninho, o mesmo acontecendo com o sindicalismo e seu envolvimento partidário, não mais político, com   preferência pelo singular  PT – CUT, e se distanciando cada vez mais   do centro da meta da maioria da classe.

 

Muros de Brasília - photo by Mamcasz

Em síntese, a classe dos jornalistas brasileiros está sem rumo, desunida, desinteressada e sem bandeira, perdida diante de investidas como o fim da exigência do diploma ou da malsucedida criação do Conselho de Comunicação Social, sofrendo da ausência de bandeiras comuns de luta e de nomes brilhantes para modernizar o movimento sindicalista do jornalismo brasileiro. 

 Enfim, devido à opção pelo singular e não pela ação pluralística, que envolva a maioria, o sindicalismo brasileiro referente aos jornalistas está nas mãos de meia dúzia que diz representar os interesses de milhares de profissionais que preferem o silêncio dos inocentes.

O que vai sair disso, ninguém sabe, nem quando, e muito menos onde.

 

Muros de Brasília - photo by Mamcasz

Boca no Trombone

 Eduardo Mamcasz

 

( Jornalista profissional sindicalizado desde 1977, primeiro no Rio depois em Brasília,  formado na UFRJ,  com passagens nos jornais O Globo, Folha de São Paulo e EBN-EBC, entre outros. Este texto foi preparado para o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), a pedido, por uma turma duma Faculdade de Comunicação em Brasília, quer dizer, no Distrito Federal, porque na cidade de Taguatinga. )