janeiro 2010




Hoje, estou fazendo 62 anos.

Então, vou fazer que nem o Mário Quintana.

Vou seguir em frente …

“jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.”


                        Antes de postar neste blog, lembro que a imagem acima é de um anúncio antigo, de pasta de dente, para o programa feito pelo Mário Lago na Rádio Nacional.

                        Com isso, penso que me livro das mocréias de todos os tempos, desde as Dalvas até as Marlenes.

                       Então, começo:

                       Para entrar na Rádio Nacional, a pessoa universitária de jornalismo tem que fazer uma prova, ainda que fajuta, organizada por um falso Departamento de Recursos Humanos.

                       Daí, passa a ser estagiário mas antes tem que passar por uma entrevista com a gerente que vai definir qual o perfil do futuro jornalista e onde ele poderia aprender mais, em princípio, meio e aí começa o fim.

                       Acontece que depois o pobre do estagiário cai na mão de um editor que não é formado em jornalismo, não tem a menor noção do que seja notícia, mesmo que desviada para o dito público ou que, pior ainda, vem com aquele papo de jornalismo adbuzido e coisa e tal.

                      Para produzir abobrinha, melhor seria que se convocasse universitário de agrononomia, nunca de jornalismo, para a Rádio Nacional onde, aliás, a pseudo ajuda de custo é inferior.

                     Não é a toa que quando, como agora, acontece uma tentativa de revoada de estagiárias, no que apelidei, candidamente, de estresse pós-adolescência, as coordenadoras tremem.

                    Digo isto em homenagem ao ex-estagiário Guilherme Fontes (veja o post dele nos comentários ao lado), que simplesmente não voltou da semana de folga do Ano Novo, Vida Nova.

                    Senti saudades dos meus tempos de faculdade quando, estagiário, brigava para aumentar o “massmedia”(?) que a cada ano eu só vejo ir pro brejo de uma vez por todas. Até que um dia não aguentei e fui ser hippie na Bahia. Infelizmente, tive uma recaída e voltei prá vida.

                  Prá terminar.

                 E quando uma estagiária resolve falar da exposição de Clarice Lispector, que está no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, sugerindo uma impossível pauta? Recomendo porque a vi no Museu de Língua Portuguesa, em São Paulo, durante meu MBA.

                  Moral:

                  – Por que você não vai ali no ponto de ônibus com este velho gravador-cassete (?) e grava uns personagens para esta matéria sobre menstruação canina antecipada?

                 Falta apenas uma coisinha:  permitir que a  estagiária possa também definir  o perfil da coordenadora antes de aceitar os seis meses de sufoco na Rádio Nacional onde a pauta principal do dia pode ser até a importância da meleca (?) ou a repimboca da parafuseta (?).

                 Para incentivar a revoada das estagiárias eu ligo agora este ventilador ultíssimo modelo ainda em uso cotidiano e tomara que ele espante as tias mocréias e os recém-concursados já passados de velhos.

                 Axé!

                 Respire, expire e, caso continues por aqui, não aspires nada na vida, tá?


                        Esta vale para o blog abaixo.  Por isso, é depois do escrito. É o seguinte:

                        O nome do diretorzão da Rádio Nacional que passou a noite no Palácio do Catete e soube do tiro no peito do presidente Vargas atráves do Benjamin que desceu a escada gritando que nem um louco era o Victor Costa.

                      Ele telefonou pro Heron Domingues (Repórter Esso) e acertou a divulgação de alguns “pormenores” que seriam lidos no ar, às oito e meia da manhã, quinze minutos depois de ouvido o tiro.

                      Às 09h15m, era lida a primeira versão da carta deixada por Getúlio antes de se matar. Foi levada por um “estafeta” (?), do Catete à Praça Mauá. Esta carta terminava assim:

                    “ Este povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém.”

                   Daí pra frente, a Rádio Nacional, que sempre foi governista, puxou a corrente do povo contra a imprensa que vinha atacando Getúlio. E foi um tal de quebrar jornal, rádio, TV não, porque a Tupi ainda não tinha passado a coroa para a Globo.

                   O primeiro jornal a ser quebrado pelo povinho insuflado pela Rádio Nacional foi a Tribuna da Imprensa que, por azar, tinha amanhecido nas bancas com a seguinte manchete:

SOMOS  UM  POVO  HONESTO  GOVERNADO  POR  LADRÕES.

Clique abaixo para ouvir

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                      É um negócio doido como o zé povinho gosta de chorar com a dor dos outros.

                      Com todo respeito, já acharam até a miss tragédia da Ilha Grande, que não é Angra dos Reis.

                      E, de repente, ninguém mais lembra que tem pobre morrendo nas enchentes dos subúrbios do Rio e da Baixada Fluminense.

                    Pois foi isto que eu disse pras mocréias que, nesta manhã, aqui na Rádio Nacional, interromperam o nada que estavam não-fazendo pelo som aumentado da TV (na Globo, lógico), no repeteco (já vi umas dez vezes) da entrevista com os pais, amigos, colegas e vizinhos da menina.

                   Só não vi ninguém procurando pautar ou ir à luta para o rescaldo da tragédia em Angra-Pavuna, até porque não ouvi, nem na rádio e nem na mídia, nada sobre a prisão dos responsáveis por liberar construção em área de risco, como fica se a usina nuclear der xabú (?) e tal.

                    Em cima disso me lembrei de mais um capítulo da nossa Rádio Nacional.

                    Eu disse que o fim dela começou com a ação dos X-9 no Golpe Militar de 64.

                   Daí, fui corrigido.

                   Me alertaram que, de fato, a queda começou com a praga largada pelo presidente Getúlio Vargas pouco antes de dar um tiro no peito (dele). Deu maior manchete e o zé povinho, que estava contra, ficou a favor e saiu quebrando rádios e jornais.

                      A famosa carta do Getúlio Vargas, dizem que foi lida na Rádio Nacional com umas certas mudanças, feitas pelo diretor que estava de plantão no Palácio do Catete (Planalto-Alvorada da época), para garantir o emprego, e  que anotou num pedaço de papel e mandou entregar direto para ser lida no Repórter Esso (Jornal Nacional daquele tempo), provocando então a mudança de lado do zé povinho tupiniquim.

                    Aliás, numa crônica atual, o poeta Ferreira Gular, nos conta: 

                 “ Às 8h20 da manhã, pelo rádio do bar, o Repórter Esso, que se dizia testemunha ocular da história, noticiou : “o presidente Getúlio Vargas acaba de se suicidar-se com um tiro no coração.” Fez-se silêncio até que um sujeito gritou: “MATARAM O VELHINHO!”. Subitamente revoltados, todos passaram a bradar contra o golpista Lacerda”.

               Então, para terminar esta conversa sobre as mocréias de hoje sofrendo com a dor da família da menina morta na Ilha Grande, clique abaixo para ouvir o Repórter Esso com a manchete do dia: 

 MATARAM O VELHINHO!!!

 http://www.podcast1.com.br/canais/canal1618/MORTE_GETULIO.mp3


 

POST BLOKIADO PELA PF DO PT

PT SAUDAÇÕES


                        Estava eu conversando um assunto rotineiro de falação do óbvio que está acontecendo  aqui na Rádio Nacional quando o colega me faz um sinal discreto e muda de assunto ao se aproximar de uma pessoa que faz de tudo para se parecer querida.
                     – Cuidado que ela é uma X-9.
                    X-9? Pois fui à pesquisa. No fato, trata-se do  Secret Agent X-9, um personagem de histórias em quadrinhos criado em 1934 por Dashiell Hammett (autor de The Maltese Falcon) e pelo desenhista Alex Raymond (famoso autor de Flash Gordon) e que chegou ao Brasil na década de 40 e viveu até 96.
                        Só com isso fiquei nas nuvens sobre o motivo da colega citada em questão ser uma X-9 e do porque diante da aproximação dela se deva mudar de assunto sem que ela perceba.
                      Pois perguntei diretamente (não a ela porque contesto mas não sou burro e sim ao dito colega de mútua confiança):

                    – O que é X-9?
                       Resposta presente no dicionário:
                       X9 é uma pessoa colega cagueta, dedo-duro, traira …

 

                     Daí que pesquei na hora a letra do rap do Cidinho e Doca chamada Fogo no X-9:

“ Por isso
Fogo no X-9
Da cabeça aos pés
Pega o álcool e o isqueiro
(Quero ouvir geral)
Fogo no X-9
Bonde da Vintém
É paz, amor e muita fé. “

                        E pensar que o fim da nossa Rádio Nacional começou em 1964 quando, no Rio, uns colegas X-9 entregaram pros milicos da ditadura então neném uma porção de funcionários gente-fina, do faxineiro até o artista-mor, o Mário Lago. Isto não aparece na Comissão da Verdade.


Charles Bukowsky.

 Conheço este cara desde que eu era libelu na Eco do Rio, atrás do Pinel, na Praia Vermelha.

É da beat generation.

Da geração norte-americana doidona on the road.

Quando eu apresentava a Barka Kultural, na Tv Nacional, na década de oitenta , que na seguinte virou Café Cultural, na Rádio Nacional, bem, tinha um poema do Bukowsky que eu sempre usava.

Agora, saiu uma versão nova, na L&PM Editora, mas eu prefiro a minha, antiga, que sorveu muito do suor do meu sovaco contestador, ainda que marginal.

Por isso, repasso aqui, hoje, neste primeiro dia de uma nova década.

Que ela seja diferente.

Pelo menos . . .

E não mais uma década que chega na lesma lerda de sempre.

Aliás, neste reveillon, levei uma discussão com amigos, sobre o:

VOTO NULO VEM AÍ.

Pá! Pá! Isto é qui é . . .

Ah… estou assim meio zonzo assim porque estou aqui num plantão remelento, na Rádio Nacional, por entre os fantasmas que ainda insistem rondar este prédio encardido.

Por exemplo.

Luís, o grande jornalista que virou mendigo e dormia na calçada aqui em frente, ao lado da esposa, a Inácia (gozado, juntando os dois dá Luís Inácio).

Augusto, o nobre símbolo de outro grande repórter, não aguentou o tranco da vida e virou mendigo em Natal.

Juro!

Tem outros mais.

Dos antigos e dos novos.

Todos eles estão aqui, ao meu lado, agora, dia primeiro de 2010, na Rádio Nacional, lendo junto este poema do velho Bukowsky, que repasso na maior calma deste mundo.

Neste 2010, tem um pássaro azul querendo sair do meu peito

 

 “  Eu tenho um pássaro azul em meu peito

querendo sair

mas eu sou duro demais com ele

e digo:

fica quieto aí que eu não deixo ninguém saber …
 

Eu tenho um pássaro azul em meu peito

querendo sair

mas eu jogo uísque em cima dele

e vomito a fumaça do meu cigarro

para que as putas e os rapazes dos bares

jamais fiquem sabendo que ele

está aqui dentro . . .

Eu tenho um pássaro azul em meu peito

querendo sair

mas sou duro demais com ele,

eu digo:

fica quieto aí

você quer acabar comigo ?

 

Eu tenho um pássaro azul em meu peito

querendo sair

mas eu sou bastante esperto,

sinto a pressão e deixo que ele saia

em algumas noites somente

quando todos estão dormindo

depois o coloco de volta em seu lugar

mas ele ainda canta um pouquinho

lá dentro

por isso eu não deixo que ele morra

completamente

o pássaro azul em meu peito

e nós dormimos juntos

neste nosso pacto secreto

e isto é bom o suficiente para

fazer um homem

chorar,

mas eu não choro,

e você ? ”

 

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