Literatura



Lógico que o episódio da loira estuprada coletivamente na Uniban de São Bernardo do Campo, São Paulo, por filhos e filhas da puta de velhos sindicalistas que fizeram história na metalurgia socialista brasileira, foi tratado de maneira machista aqui na Rádio Nacional (Rio, Brasília e Tabatinga).

Óbvio que o assunto nem entrou na modorrenta pauta da Dilma, chupada dos emails mandados em forma de release e trespassados inúmeras vezes. Eu falo é dos comentários partidos de homens e mulheres que se dizem formados, ligados a movimentos sociais, católicas praticantes de amarrar o terço no bico do peito e tudo.

Por justiça, só ouvi uma reação, partida da morena fuqueira. FUCA.  Por isso, a razão do título de hoje:

A puta loira da Uniban. E se fosse negra?

 

Inquisição na Uniban - reprodução do YouTubeOlhando a foto-reprodução acima, eu espero que você não tenha olhado  para a loira mas sim para a cara de cu sujo dos e das que, celular em punho, tentam estuprar a menina do vestido curto que estuda numa casa caça níquel que é esta porção de Uni – diversidade que existe por aí com a finalidade de reforçar a imbecilidade.

Por fim, embora pareça pequeno, o linchamento aconteceu numa cidade do ABC paulista, berço do movimento sindical brasileiro moderno.

Infelizmente, se a gente pesquisar na história da pátria que nos pariu, o nome Universidade Bandeirante de São Paulo, nos leva às entranhas destes heróis paulistas, os bandeirantes, que saíram do Tietê e foram para o interior matando, estuprando, cortando ao meio, tentando escravizar tudo que é figura índia que via pela frente, só porque estava, em princípio, pelada.

Bons tempos os meus quando, na universidade, a gente brigava era mesmo para fumar unzinhos, paquerar à vontade, até surubar, mas sem ficar vidrado, tomar banho de rio todo mundo pelado, topar topless na praia e, de vez quando, até se meter na política, discutir Sartre, Levi-Strauss e os escambaus.

Então, vamos aos fatos:

Primeiro, o relato da moça:

“Eu fiquei 40 minutos no ônibus antes de chegar lá e ninguém fez absolutamente nada. As pessoas olham, é normal, mas ninguém vai sair xingando. Foi eu entrar na faculdade que começou a balbúrdia.”

Agora, veja a puta da Uniban no You Tube:

http://www.youtube.com/watch?v=ejmxrXMyiLc

Finalmente, o instante marqueteiro. Mande sua filhinha para a Uniban. Aproveite que a mensalidade dos cursos agora baixou para até 199 reais ao mês. Vale já a partir do jardim de infância. Lá, o Joãozinho, cinco anos de idade, vai aprender a meter o pau na Joaninha, tua filha,  loira, de quatro.

http://www.uniban.br/

 

 

 

 


Tem vezes em que me pego conversando, carinhosa ou putamente, com uma certa pessoa de quem não tenho notícia há muito tempo, pode até ser  parente. Na hora, eu fico em dúvida se continuo a prosa. É que fico sem saber se ela está viva ou morta. E se estivesse finada, qual o problema?

Pois foi assim que encontrei a página 158, do livro “Saí para dar uma volta…”, do Frederico Mourão (leia o post a seguir), e que diz o seguinte, no capítulo As rosas não falam, mandado por ele de Kunming, na China).

 “Estar tão longe e tão perto ao mesmo tempo, dialogar com pessoas que não encontrava, não sabia da vida,nem sequer onde estavam e se estavam vivos ou mortos, pessoas que se vivêssemos em outro tempo só reencontraríamos pelas ruas por acaso, ou depois de desencarnados no outro plano.”

Depois disso, só me resta aumentar o som da minha cabeça e continuar curtindo o Caetano cantando o Lupicínio:

Felicidade é uma coisa a toa e como é que a gente voa quando começa a viajar…”

Ah… sobre o conversar com finado, continue no blog abaixo e depois comente-me.


Acordo hoje sem sono, três e treze da madrugada, em Brasília, ainda sob o efeito do fuso horário de Paris, vou até o meu cantinho literário e tateio em busca de qualquer escrito.

Pego num livro, que parece qualquer, levo para a sala, faço um cafezinho, abro os olhos e vejo o seguinte: 

Capa de livro

Até aí nada de menos e nem de mais, certo?

O arrepio me começou quando abri a primeira página e tinha uma dedicatória dele, após ter dado entrevista ao programa Espaço Arte, na Rádio Nacional, para a apresentadora Tia Heleninha.

Dedicatoria - photo by Mamcasz

Acontece que a Heleninha me deu  este livro num meio dia qualquer:

– Olha, Mamcasz, você que vive viajando por este mundo, dê uma olhada qualquer noite neste livro que acabei de ganhar. O cara é super interessante.

Até aí nada de mais e nem de menos, certo?

Mas acrescento que eu havia me esquecido do livro e tia Heleninha logo depois morreu, de câncer.

Na época, ela saiu do porão insalubre onde funciona a rádio e saiu pra dar uma volta…

 Inclusive, ela é a primeira no Ofertório deste blog, com o post TIA HELENINHA ESTRAGOU A FESTA:

Acesse, olhe, ouça e me diga o que ela está querendo me falar:

https://mamcasz.wordpress.com/fim/


In God we trust ( será? )

September Eleven - Fire - Edited by Mamcasz

 Eleven of September 2001. In Brasilia, eleven in the morning. We were finishing the program to make Revista Brasil . I, Eduardo MAMCASZ – Rádio Nacional da Amazônia, VALTER Lima and Andhrea Tavares – Rádio Nacional de Brasília, José Carlos CATALDI – Radio Nacional of Rio de Janeiro; Alvaro BUFARAH – branch of Sao Paulo, Lucia Norcio – Curitiba, Sergio Oliveira – Maceió, Silva Diniz – Maranhão, Sandala Barros – Amapá, and others. The interval for the National Informa, executive producer Cleide de Oliveira, the coffee to smoking, when you could still smoke inside, looking at the TV draws our attention. Look at, guys. An airplane has just hit the Twin Towers in New York. And left to get more information.

Onze  de setembro de 2001. Em Brasília, onze da manhã. A gente estava terminando de apresentar o programa Revista Brasil. Eu, Eduardo Mamcasz –  Rádio Nacional da Amazônia; Valter Lima e Andhrea Tavares – Rádio Nacional de Brasília; José Carlos Cataldi –  Rádio Nacional do Rio de Janeiro; Alvaro Bufarah – sucursal de São Paulo; Lucia Norcio – Curitiba; Sergio Oliveira – Maceió; Silva Diniz – Maranhão; Sândala Barros – Amapá,  e outros. No intervalo para o Nacional Informa, a produtora-executiva Cleide de Oliveira, no cafezinho ao cigarro, quando ainda se podia fumar inside, olhando para a TV, chama a nossa atenção. Olha só. Um avião acaba de bater nas Torres Gêmeas de Nova Iorque. E partiu para pegar mais informações.

 September Eleven - Airplane - Edited by Mamcasz

What seemed to be a simple news for so large Revista Brazil, on the radio network and a bunch of stations all over Brazil, ended up being one of the most historic radio reports have made throughout the existence of the living-dead ghost-arising-exceeded. The team continued to live up to eleven at night. That night, he had neither the traditional program The Voice of Brazil, through a special permit achieved by then president of Radiobras-EBC, the old radio journalist Carlos Zarur. I remember that the National Information noon and little, in my turn, suddenly, with an eye on the TV images (CNN), I stop talking and change the image for audio:

– And attention. The Twin Towers have just fallen. That’s right, folks. I’m seeing here, live. The Twin Towers of New York, from this moment, no longer exist. Gone. Collapsed. There is only a cloud of dust. Over.

O que parecia ser mais uma simples notícia para o  Revista Brasil, em rede nacional de uma porrada de emissoras em todo o Brasil, acabou sendo uma das mais históricas coberturas de rádio já feitas em toda a existência dos vivos-mortos-fantasmas-advindos-ultrapassados. A equipe continuou ao vivo até onze da noite. Naquela noite, não teve nem  o tradicional programa A Voz do Brasil, por meio de uma autorização especial conseguida pelo então presidente da Radiobras-EBC, o velho radialista Carlos Zarur. Me lembro que no Nacional Informa do meio dia e pouco, na minha vez, de improviso, de olho nas imagens da TV (CNN), eu interrompo a fala e mudo a imagem para áudio:

– E atenção. As Torres Gêmeas acabam de cair. É isto mesmo, gente. Estou vendo aqui, ao vivo. As Torres Gêmeas de Nova Iorque, a partir deste instante, não existem mais. Sumiram. Desmoronaram. Só resta uma nuvem de poeira. Acabou.

September Eleven - The End - Edited by Mamcasz

And with the fact made, the team  has become a bridge that has not happened since World War II where he was my father, I do not even born, back in Italy, passing messages through the National Radio for my mother-in Paraná awaiting the return of the groom where I would leave and six brothers, all Polish-Brazilians. But this difference emotional? Easy. Again, in the fall of the World Trade Center, the same tactic used by the National Radio during World War II. The producer took the first and great action. Secured with Embratel exclusive lines from Brazil to the United States because, at that time, everything was bottled.

Just to finish my personal memories of that September .11 to 2001. The team of the National Radio began to receive, from all over Brazil, calls from listeners who had relatives there and in New York who were not able to speak, much less learn from them. ” With the phone here, the more there, and the bridge of Embratel, we put a lot of people live, with great emotion, crying and even had a news because it was a window in a building near where he narrated to us, live all that was watching the Twin Towers in New York. Until the Consulate of Brazil in New York, began to use our bridge to join Brazil.

E com o fato feito, a equipe passa a fazer uma ponte que não acontecia desde a Segunda Guerra Mundial onde estava meu pai, eu nem nascido, lá na Itália, passando recados através da Rádio Nacional para a minha futura mãe, no Paraná aguardando o retorno do noivo de onde sairia eu e mais seis irmãos, todos polaco-brasileiros. Mas por que este desvio emocional? Fácil. Repetimos, na queda do World Trade Center, a mesma tática usada pela Rádio Nacional durante a Segunda Guerra. A produtora tomou a primeira e grande providência. Garantiu com a Embratel linhas exclusivas do Brasil para os Estados Unidos porque, naquela hora, estava tudo engarrafado.

Só para terminar minhas lembranças pessoais daquele September,11-2001. A equipe da Rádio Nacional começou a receber, de todo o Brasil, telefonemas de ouvintes que tinham parentes lá em Nova Iorque e com quem não estavam conseguindo falar e muito menos saber notícias deles. Com o telefone daqui, mais o de lá, e a ponte da Embratel, colocamos muita gente, ao vivo, com muita emoção, choradeira e até notícia porque teve um que estava numa janela num prédio perto de onde narrou para a gente, ao vivo, tudo o que estava vendo das Torres Gêmeas de Nova Iorque. Até o Consulado do Brasil, em Nova Iorque, passou a usar a nossa ponte  para unir brasileiros.

Berlin West East - Photo by Mamcasz Moral:

 This historic coverage of Radio Nacional (Rio-Brasilia-Amazon), 11 September 2001, eleven in the morning to eleven at night, was quickly forgotten in the mold of any public office in Brazil, and that team, who did not die and today is here as a ghost (Silva Diniz, for example, with whom I shared an always pay off – strong liquor cassava – in my trips to St. Louis).

Moral:

Esta histórica cobertura da Rádio Nacional ( Rio-Brasília-Amazônia ) ,   11 de Setembro de 2001, das onze da manhã às onze da noite, foi rapidamente esquecida, aos moldes de toda repartição pública brasileira, e daquela equipe,  quem não morreu  hoje está aqui presente como fantasma ( Silva Diniz, por exemplo, com quem eu sempre dividia uma quitira – cachaça forte de mandioca – nas minhas idas a  São Luiz). 

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