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Minha Prece   Pascoalina

Dai-me o tempo de festa – verão –

E do repouso – viram?

Dai-me o tempo das folhas secas,

Galhos tortos, noves-fora,

Recomeçar do quase-nada.

*  

Dai-me o poder  de  remover torres,

Mares e bobos sonhos :

Ser viril na ternura de um Chico de Assis

No sermão desolado da montanha

De entulhos e bagulhos. 

*

Dai-me o milagre da multiplicação das  palavras.

Que elas instiguem nas crianças

O distante reino dos céus,

Reafirmem a decisão de malhar o Judas,

E justifiquem a intenção de crucificar  de novo o velho  Cristo. 

*   

Dai-me o entendimento desta minha dupla convivência:

– Qual dos dois – Cristo ou Judas – ocupa

Uma cadeira vazia no bar,

Um vazio na gente?

Porque  nesta idade, pessoa,

Às vezes,  sou um mini homem dileto,

Noutras muitas, um super rato discreto.

 

Dai-me  um tempo

Para continuar sendo aquilo ou isto

Judas ou Cristo –

Insisto –

Mesmo que eu durma com o Diabo

E com  o Deus,  na mesma lama,

Ou que amanheça por entre as Madalenas,

Caifás, Pilatos, Herodes, Marias,

Ou mesmo Dimas, o bom –

Qual era mesmo o nome do mau ladrão? 

*

Dai-me a vontade de mesmo no roubo

Na força eu ser  bom,

Do começo ao fim.

E depois, ressuscite o santo, de mim

Decantado das cinzas ao vento,

Desde que  eu  continue, no fundo,

Sendo sempre aquilo ou isto,

Judas ou Cristo. 

*

Dai-me a certeza do retorno,

Na forma de pássaro no arco-íris plantado

Para que eu possa cantar para alguém,

Mesmo que somente para mim,

Um retumbante Hallelluya.

*

Dai-me um Ovo de Páscoa

Que na duvidosa placenta de vida

Da gema renasça, por encanto,

Isto ou aquilo.

É o que mais desejo.

Sinceramente, de  teu

Cristo, mesmo que Judas.

Eduardo Mamcasz

Poeta Quase-Zen

 Páscoa – 2012 

Amém!


Today, Saturday Halelluya, is the day of vengeance, hatred overflowed, the lynching of a man called Judas, one of the twelve apostles of Christ beloved, who betrayed him. Judas, in fact, is not the devil, but an angel. Not the sinner but a saint. There is a traitor, then he, the treasurer of the group of fishermen judios subversivs of Nazareth. Happy Easter, St. Jude.

Hoje, Sábado de Hallelluya, é dia da vingança, do ódio extravasado, do linchamento de um cara chamado Judas, um dos doze amados apóstolos do Cristo, a quem traiu. Judas, na verdade, não é o diabo, mas um anjo. Não é o pecador, mas um santo. Não é o traidor, logo ele, o tesoureiro do grupo de pescadores judios subversivos de Nazaré. Boa Páscoa, Santo Judas.

 Heute, Samstag Hallelluya, ist der Tag der Rache, Hass übergelaufen, das Lynchen von einem Mann namens Judas, einer der zwölf Apostel von Christus geliebt, der ihn verriet. Judas in der Tat, ist nicht der Teufel, sondern ein Engel. Nicht der Sünder aber ein Heiliger. Es ist ein Verräter, dann ist er, der Schatzmeister der Gruppe von Fischern Judios subversivs von Nazareth. Frohe Ostern, St. Jude.

 Pintura de Debret, Malhação de Judas,  no Rio Colônia, anos 1800.

 Vestibulum dignissim Hallelluya, dies ultionis, odio inundaverunt et viri lynching vocabatur Iudas unus de duodecim apostolos Christi dilecti, qui et tradidit illum. Iudas enim non diaboli est angelus. Sed non peccat, sanctus. Est proditor ille, arcarius globo piscatores judios subversivi Nazareth. Beatus Pascha, sanctus Jude.

 Leo, Jumamosi Hallelluya, ni siku za adhabu, chuki ukifurika, lynching ya mtu aliyeitwa Yuda, mmoja wa wale kumi na wawili wa Kristo mpendwa, ambaye alimsaliti Yesu. Yuda, kwa kweli, si shetani, lakini malaika. Si mwenye dhambi lakini saint. Kuna msaliti, basi, mweka hazina wa kikundi cha wavuvi judios subversivs wa Nazareti. Furaha ya Pasaka, St Jude.

Judas beijando Cristo na boca para identificar o “elemento” aos meganhas judio-romanos, maior balela. O “cara”, dito Jesus, filho de Maria, casado com outra, a Madalena, cheio de irmãos de vários pais, era conhecido por demais no pedaço, não precisava de beijo coisa nenhuma.

E por que então esta fama de Judeu Maldito na costas só do Judas Iscariotes?

Simples. Quer dizer, agnóstico. Ops. GNÓSTICO. ‘It`s so different, babe. Ou seja, complicado para mentes primárias. Judas é o escolhido por Jesus para que, mesmo às custas da salvação eterna, as profecias sejam cumpridas, ele se desfaça do corpo carregado e voltasse à divindade, depois de passar pela prisão, tortura e morte que nem bandido comum, na cruz.

Portanto, Judas é o escolhido de Cristo. No livro, depois filme, a Última Tentação de Cristo, ouve-se a “conversa”entre criado e criador, tirado, aliás, do Evangelho de Judas, descoberto no deserto:

– A mim coube a parte mais fácil, Judas – diz Cristo – que é a de ser crucificado, mas a ti coube a mais difícil, que é ser o traidor, por isso te confio esta missão, pois és um cara iluminado.

Aliás, o mago Paulo Coelho, antes de trair o Raul Seixas, com ele fez a letra na boca do Judas:

– Se eu não tivesse traído/ morreria cercado de luz/ e o mundo não teria/ a marca da cruz/ e para provar que me amava/ pediu outro gesto de amor/ pediu que o traísse com um beijo / que minha boca então marcou.

Tem mais ainda. O mestre Chico Xavier, no espírito de Humberto de Campos, confirma o fato e completa com o ato reprimendatório:

– Há muitos séculos Cristo está sendo criminosamente vendido no mundo, a grosso e a retalho, por todos os preços e em todos os padrões de ouro amoedado, com a única diferença de que os novos negociadores cristãos não se enforcam depois de vendê-lo.

Pois terminemos então com a malhação do Santo Judas Iscariotes. Costume trazido pelos portugas e seguidos por aborígenes e negros escravos.

 Na verdade, a malhação de Judas vem da Santa Inquisição, da Santa Madre Igreja. Na Idade Média, a maior fonte de pecado, na forma de torturas  inimagináveis. Sem contar os genocídios cometidos pelos Santos Cruzados.

E por que a malhação do boneco de palha que acaba queimado na fogueira?

Simples, meu Santo Mané.

Na Santa Inquisição, quando acontecia de um Santo Herege dar no pé, escapulir, o Santo Padre o Papa, em nome do Santo Cristo, mandava queimar, no lugar do verdadeiro, um boneco de infiel na fogueira. Só para o povo pensar, quer dizer, Zé Povinho não pensa coisa nenhuma, mas, terminando, só para o povinho pensar que Judas na verdade é uma traidor e merece morrer na Santa Fogueira.

Pintura anônima do século XII 

E antes de sair malhando hoje  um desafeto qualquer por aí, veja e ouça a Elegia ao Santos Judas, com Paulo Coelho e Raul Seixas:

http://www.youtube.com/watch?v=zL51SCxMvYQ

Boa Páscoa.