fevereiro 2010



                      Quem é que gosta de um vizinho chato?

                     Pois não é que a nossa Amazônia está tendo agora que aturar, pelas ondas da Rádio Nacional, não a nossa mas a co-irmã da Venezuela, um programa chamado “De repente com Chávez”? 

                    A atração, patrocinada pela 51, não tem data e nem hora certa para entrar no ar porque o mote é justamente o de chegar de surpresa, podendo ser até de madrugada. Ou não…

                       E não é que o príncipe latino dos ongueiros da POA já inaugurou hoje este novo estilo de fazer rádio na América Latrina?

                     – Este é um programa novo. De repente … com Chávez. A guerrilha pelo rádio. Esta é a sua Rádio Nacional (da Venezuela, por supuesto).

                      E continua o pop caudilho para quem tem   que ouvi-lo, inclusive na floresta amazônica do lado de cá, de nosotros macaquitos brasilenhos:

                      “Às vezes estou acordado às 3 da manhã, trabalhando ou revisando papéis, e há pessoas que a essa hora ouvem rádio, escutam música ou estão na estrada. De repente, começamos a cantar com um violão músicas românticas” (?).

                        Chavez ainda faz o Café com o Presidente, ops, quer dizer, o Alô Presidente, que não tem nada a ver com o nosso o Presidente responde.

                       Ou tem?

                      De qualquer forma, a organização Repórteres Sem Fronteiras considera os programas “abusivos” por violarem a liberdade de expressão (?).

                      Garçom, outro gole, faiz favoire!!!


A estagiária com olhos de camelo aqui do meu lado na rádio também é editora de um baita zine envolvido com as questões esqueitistas do Distrito Federal e cercanias.

No número três, que saiu agora, tem os roqueiros da banda Body in Flames, da Ceilândia.

Tem o Caos e a Palavra de Ordem.

Tem o tio do skate do DF, que é o Fubá.

Tem o Olho de Águia, em Taguá. Coisa do Ivaldo Cavancanti, fotógrafo de Brasília, com direito a Led Zepelin, Bukowsky, Kerouak , on the road e tudo.

 Então, ide lá, tá, e lê:

 http://doistempomag.com

 Ah… e o blog da parede da estagiária é este:

http://alemdasparedes.blogspot.com/

 


                             Estou neste domingo chuvoso (té que enfim)   limpando meus trecos libertários e dou de cara com um livro que ganhei da amiga Ana Landi quando a gente fez junto, em Sampa, na Bolsa de Valores, o MBA de Derivativos (?). Este livro  não tem nada a ver com economia financeira mas  tem  a ver com tudo noves fora, nada:

 

                            Cássia Eller, a gente se cruzava porque ela é cria de Brasília, Fundação Cultural, Paiolzinho, Escola Parque, e a minha turma era do Nuvem Cigana, Clube do Ócio, POrrETAS, Projeto Cabeças.  Inclusive, este livro, escrito pela Ana Landi, ouviu muita gente que ainda se espalha vivinha por aí (Irlam, Reco, Cristininha,etc).

                            Mas o que me pulou agora nos olhos, folheando rapidinho, foi a página 84, e por isso a Cássia Eller, eu a entrono na  galera dos Fantasmas da Rádio Nacional.

                          Em 1982, conta o livro,  Cássia Eller ganha o concurso de calouros da Rádio Nacional de Brasília, com troféu e tudo, ele está na casa do pai dela, em Fortaleza, quebrado.

                          Daí que o locutor da Rádio Nacional,  mais pro brega,  nada preparado no script, e sem conhecer a garotinha nem o pedaço lítero-marginal-candango,  começa a encher linguiça:

LOC: Você é aqui de Brasília?

CASSIA: Não, eu moro aqui.

LOC: Onde?

ELLER: Em casa. Com meu marido e meus três filhos. Meu marido é caminhoneiro. Beijo prá você, amorzão.

Clique e ouça:

http://www.youtube.com/watch?v=7-jqTN55UZQ

 


                             De volta ao meu recente aniversário.

                           Teve um presente que eu já estava indo trocar, dentro do prazo de validade, que nem a gente faz com pessoas, mas daí resolvi dar um olhar assim distraído que me levou a ser atraído de vez, que nem acontece com gente.

                           Na página 62, da minha idade, leio sobre a “abreviação da possibilidade” de certas pessoas que passam a vida “desossando palavras”e que são responsáveis pelas calçadas entupidas de letras que “caem das meias palavras  que empregam”.

                         O livro presenteado é o seguinte,  chegou logo depois do Bolanos do Arrais, quer dizer, soube que a Rosa e ele compraram, casualmente, na mesma hora e na mesma livraria que promove achados santos.

 

                             Na página 145, eu estanco num parágrafo que me leva direto para  algumas reuniões obrigatórias, aqui na Brazil,  quando existe uma espécie de tácito e mudo acordo entre a companheirada para a gente se comportar exatamente assim, ó:

                           “É bom se manter calado quando se está sob pressão, quando o nada que se diz se enrosca saindo da boca e se enrola como uma cobra em torno do pescoço e sibila como se fosse dar o bote. A gente sabe que a chefia detesta isto, o nada”.


                      Este post estou blogando no maior cuidado, até porque, este sim, fala de um espaço que deveria ter sido tombado, aqui em frente do prédio sede da EBC, em Brasília, na 712 Norte.

                   Aqui aconteceram fatos marcantes antes que as chefias tomassem conta, embora que no voto, democraticamente, dos espaços da Cipa, Comissão dos Funcionários e Conselho Curador da EBC.

                   Primeiro, um close do que era antes, palco de greve com partipação de fato,  e preste atenção na placa “deficiente” porque tem tudo a ver no que vai vir depois: 

 

                     Pois vejas bem como deveria ser este espaço destinado aos ditos deficientes de fato, físicos, de acordo com as leis de trânsito, ética, ongueira, cristã, macumbista ou seja lá de quem tiver o mínimo de bom senso. Deveria ser assim, livre, leve e solto para quem dele se faça solicitado. Preste atenção no vazio à disposição:

                         Pois mal.

                         Estou eu no cigarrinho matinal quando vejo um carro estacionado na vaga dos ditos deficientes. Resolvemos, eu e mais uns dependentes, esperar pela dona do carro.

                         E olha que quando existia CIPA, Comissão dos Funcionários e representante de verdade no Conselho Curador, a gente ficava de ollho nos ministros e ministras que vinham para o programa Bom Dia Ministro e estacionavam na vaga proibida e a gente ia lé e cutucava pra valer. (Temos fotos, inclusive de candidata).

                         E não é que eis que se achega  uma das minha chefes, carola, cristã, mãe de filhas, dita ética e ongueira, defensora de árvores e cadelas,  e se apossa do carro porcamente estacionado.

                         – Qué isso, F…, logo você que se diz tão ética, cristã, estacionando aí …

                         – Não, Mamcasz, eu avisei pro guarda. É que estou saindo pro curso de Gestão e Planejamento, no Hotel Nacional, com todos os demais gerentes da Rádio Nacional.

                         Moral:

                         Tô fudido na avaliação 300 Graus que tá vindo aí. E se me permites o segundo palavrão, pensei:

                         – Foda-se!

                         E daí me lembrei que estas vagas foram criadas para pessoas deficientes ótimas que nem a Larrise Jansen, competente por demais e que era explorada pela então gerente Márcia Detoni, vinda cheia de pose da fase de free-lanceer da BBC em Londres, colocando como sua assessora adjunta a empregada doméstica dela.

                       Mas a minha amiga Larisse Jansen, a quem não pedi permissão para blogar estas fotos, agora está numa boa, tanto profissionalmente, até mesmo porque as ongueiras de plantão quiseram atraí-la pra EBC, quanto fisicamente,  depois do transplante ósseo a que se submeteu.

                       Seguem abaixo as fotos da Larrissa, a quem as vagas de “deficiente”da EBC foram criadas e espero que a minha chefe ongueira-cristã-ecológica me entenda e crie vergonhe na cara (dela):

 


                              Criada no final de 2007, para dar lugar à Empresa Brasileira de Radiodifusão – Radiobrás, que deu lugar à Empresa Brasileira de Comunicação – EBN, que deu lugar à Agência Nacional, a sede da Empresa Brasil de Comunicação -EBC- finalmente apareceu hoje com a placa de identificação, ainda que a antiga, qual fantasma, continue no lusco-fusco da lembrança.

                             A EBC abriga várias empresas, inclusive a mais jovem, que é a TV Brasil, e a mais antiga, que é a Rádio Nacional:

                         Nítidas na parede encardida, continuam as letras, quais fantasmas, indicando a posse anterior que, no cotidiano, toma formas das mais estranhas nas entranhas da vida da comunicação oficial, estatal, governista, partidária do país chamado Brazil:

                        Na parte superior desta foto vê-se o antigo heliporto da Rádio Nacional. Ou seria mais um fantasma atacado pela menopausa histórica?


  

                            Extraído de um estudo válido quando a gente tinha  Comissão de Empregados e CIPA atuantes.

                           O assediador moral-sexual é uma pessoa “insegura, autoritária e narcisista”, que tem propensão à perversidade e facilidade para manipular quem abaixa a cabeça.

                          A pior forma do assédio moral, ou psicoterrorismo no trabalho, é  o sexual, que se configura quando a “liberdade sexual de outra pessoa é invadida” , com agravante se  a companheira for “molestada, constrangida ou humilhada” por alguém que use do poder hierárquico.

                      Atenção!

                      “O assédio sexual se torna evidente através de piadas jocosas relacionadas ao sexo, cantadas desmascaradas, insinuações vulgares e elogios a detalhes do corpo.”

                      O que fazer:

                    . Resista e anote com detalhes as humilhações sofridas.

                   . Dê visibilidade do fato a pessoas de confiança.

                  . Evite conversas isoladas, sem testemunhas.

                  . Crie coragem e denuncie  à chefia, Comissão de Empregados, Cipa, Sindicato, etc.

                 . Ou melhor ainda. Se não confiar nelas, vá direto à Delegacia da Mulher.


                        Dia dois de fevereiro, dia de Iemanjá, a deusa do mar.

                      Ainda que, no meu caso, Iemanjá é minha Mãe Iara, a deusa da fonte de água doce onde fui rebatizado, com galho de arruda, no olho d’água, depois de ter tido a cabeça molhada na dita água benta da igreja dos capuchinhos.

                      Tudo isto lá no interior do Paraná, nada de sincretismo religioso da Bahia, para onde acabei depois me mudando, entre o Rio, Porto Alegre e Brasília.

                      E minha Iemanjá, no caso a tia Aline, que sempre foi minha segunda mãe, hoje faz aniversário. Liguei pra Atibaia.

                   – Não tá.

                  Embarcou sozinha, num ônibus, para a Princesa dos Campos Gerais, Paraná, nossa terra de origem.

                  Religuei prá lá.

                 – Parabéns.

                – Sabia, Édio, que não ia me esquecer.

                – A senhora não tem vergonha de largar o marido, os filhos, os netos, e passar o aniversário longe de casa?

               Ouvi então a resposta magistral:

             – Ah, Édio, hoje estou fazendo 75 anos e achei que merecia uns abraços diferentes.

                 Moral:

              Esta é a minha mãe Iemanjá que faz aniversário sempre no dia dois de fevereiro.

               Salve, salve, mãe Iara-Iemanjá.

               Ela diz que sempre me escuta aqui na rádio.


                     A respeito do final do post abaixo e diante da incredulidade de uma jovem, hoje de manhã, quando eu jurei que estava pensando apenas na música.  

                    Faço então questão de transcrever o parágrafo inteiro do capítulo Samba Pa Ti – Santana, do livro que ganhei de presente, o 31 Canções, de Nick Hornby.

                    Aliás, ele aparece numa entrevista ótima, neste domingo, no Serafina, da Folha de São Paulo, com foto junto ao Skate of Mind dele e o título Um Garoto Grande.

                    Mas vamos ao parágrafo tira-dúvida:

                    “ Ela começa devagar, misteriosa e linda, depois fica mais urgente e então … Bem, então se desvanece. ( Aliás, a faixa dura quatro minutos e quarenta e sete segundos; mas antes de ser acusado de estar me exibindo, eu previ que faríamos outras coisas na parte lenta – beijar, tirar a roupa, possivelmente esperar o ônibus para ir para casa depois do cinema -, por isso estava seguro de que poderia ir até o final da música). ”

                  E aí, manezinha, não dá vontade de escutar a música  ?

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