Quatro prosas miúdas, a partir de hoje,

de como o pobre gasta a renda que não tem.

Quando falo de pobre, não é o remediado, muito menos a nova classe média C.

É o lascado, entre a baixíssima e a pequeno-média renda.

Ah… ficam de fora, como acontece com toda estatística,

os localizados abaixo da linha da pobreza.

São os miseráveis.

Os que sobrevivem na miserabilidade.

( Foto tirada por mim no bairro classe A do Batel em Curitiba, Paraná, Brasil)

Primeira parte da pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos – Febrabran – em cima de como o pobre gasta a pseudo renda nos chamados ciclos da vida – batizado, casamento e funeral.

A pesquisa  constata que  a população situada entre a baixíssima e a média renda, em casos de emergência, como doença grave na familia, procura mecanismos financeiros que vão do parente ao agiota. Só nisto, lá se vão 40% do quase tudo.

Então me ouça, pessoa.

http://soundcloud.com/mamcasz/ciclo-da-vida-01-pobre-gasta

Esta série específica  que repasso a partir de hoje eu acabo de aprender no curso intensivo Sistema Financeiro Nacional, que fiz na Confederação Nacional das Instituições Financeiras com a Federação Brasileira dos Bancos  (CNF-Febraban), com o professor Ricardo Escolá. Tem ainda, lógico, muito do MBA de Derivativos, na FIA, em bolsa de estudo para jornalistas de economia da BMF-Bovespa. Mais a vida…

Siga a série nos posts abaixo


Batizado, casamento e morte, chamados de eventos do ciclo de vida, exigem dos mais pobres um gasto extra equivalente a 30% da renda familiar, segundo pesquisa da Federação Brasileira dos Bancos.

Casamento

Uma coisa interessante apurada na pesquisa é que a turma de renda baixíssima costuma se planejar financeiramente,  na forma de poupança, no caso de casamento, tipo a preparação do velho enxoval da noiva. No caso da turma de baixa renda, entre um e três salários mínimos na família, em caso de casamento, além da poupança, também se costuma à mesma ajuda dos parentes na hora da festa. Já no nova classe média C, aparece um elemento novo, que é o empréstimo bancário, o começo do endividamento, aí valendo até para a lua de mel.

Nascimento

Pronto. Casamento realizado, dívida para pagar, e vem o que? O primeiro filho. Aí, independente da renda familiar, o que vale mesmo é uma mistura de poupança e crediário. No caso do pessoal de baixíssima renda, tem mais um elemento. Comprar fiado para pagar as despesas com a festa de batisado. E passando logo para outro ciclo de vida, que é a morte, as despesas com o funeral e o enterro, que nunca sai barato. Como é que fica?

(Foto tirada por mim no Eixo Monumental de Brasília, capital com maior IDH do Brasil)

Morte

Bom. De acordo com a pesquisa sobre microfinanças nas famílias de menor renda, nos casos de morte o pessoal se vira da seguinte maneira. Os de baixissima renda apelam, em primeiro lugar, para a famosa lista de ajuda na vizinhança. Depois, uma coisa que vale para os três tipos de renda, a eterna ajuda dos parentes. No caso só do pessoal de baixa renda, aparecem as figuras do agiota e do financiamento direto na funerária.

Enterro Classe C

 E o pessoal um pouquinho melhor de vida, que os técnicos chamam de médio baixa renda, ou nova classe média C. O que ele faz em caso de morte na família?Para arranjar os 30 por cento repentinos a serem gastos com o enterro, a nova classe média usa dos seguintes instrumentos financeiros de emergência e pela ordem: parentes, financiamento na funerária, empréstimo no primeiro cartão de crédito e a abertura da linha de crédito no banco, sempre com as taxas de juros, me desculpe o ouvinte, pela hora da morte.

Então me ouça, pessoa.

http://soundcloud.com/mamcasz/ciclo-da-vida-02-pobre-gasta

Inté e axé.


                Primeiro, a ânsia de ter o que não tinha. Agora, a ganância de ter o que não é mais do ser. O que? Classe média, baixa, pronta para ser, de novo, simplesmente pobre, mas sem a dignidade. Por que? O povo, oras, por ora   está inadimplente, a um passo do calote amplo, geral e específico.

             Portanto, a ti, Zé Ninguém, povo no processo de êxodo da classe média C- quem não se lembra do conceito de notas escolares, do A ao E- ofereço esta canção feita pela minha amiga Janis Joplin, acompanhada da minha versão free, tipo polaco-feliniana:

* * * * *

Meu Deus,  quando é que tu vais me dar  uma Mercedes Benz, hein?

Meus amigos dirigem Porsches. Preciso compensar.

Afinal, eu suei a vida toda.

Meu Deus, quando é que tu vais me dar  uma Mercedes Benz,hein?

O Fantástico está estático tentando me achar.

Meu Deus, quando é que tu vais me dar uma TV plana,hein ?

Eu espero pela entrega a cada dia, sim,  até às três … da madrugada.

Meu Deus, quando é que tu vais me dar uma TV plana,hein?

Meu Deus, quando é que tu vais me dar uma noite chique no outro lado desta minha cidade pobre? 

Conto contigo, Meu Deus,  mas não me desaponte, viste?

Dê-me uma prova, Meu Deus, que tu me amas, mesmo na cama:

Pague a próxima rodada desta cana.

Então, Meu Deus, quando é que tu vais me dar uma noitada no outro  lado chique desta minha cidade pobre?

Everybody now, amig@s do Facebook:

Meu Deus, quando vais mudar este meu look,

Sorry.

My Lord,  quando é que tu vais me dar  uma Mercedes Benz, hein?

Todos meus amigos dirigem Porsches. Preciso compensar.

Suei a vida toda.

Meu Deus, quando é que tu vais me dar  uma Mercedes Benz,hein?

P.S.

E não me venhas com Bolsa Família, tá?

It`s all not right now.

É isso aí.

Inté e Axé.

Assinado:
Pós Janis Joplin.

http://www.youtube.com/watch?v=ORGaACYbAk0&feature=fvwrel