Alemanha



Ego and Madame we have built delightful friendships over half a century of shared life, Here in Berlin, Germany, where we have spent half of our lives – Spring and Autumn. In Winter and Summer, we continue in Brasília, Brazil. These two capitals are very similar in the details, despite the 700-year difference in existence. Of course, we have endless walks around the world, this featured in our book ‘From Alaska to Jerusalem.

                 Ego e Madame construímos deliciosas amizades em meio século de convivência compartilhada Aqui em  Berlim, Alemanha, onde passamos a metade de nossas vidas – Primavera e Outono.  No Inverno e no Verão,  continuamos em Brasília, Brasil. Essas duas capitais são muito semelhantes, nos detalhes, apesar dos 700 anos de  diferença  no existir . Lógico que temos caminhadas infindas pelo mundo, presente no livro “From Alaska to Jerusalen”.

Unser Berlin Gut Musikante

        Ego und Madame haben im Laufe eines halben Jahrhunderts gemeinsamer Zeit köstliche Freundschaften aufgebaut. Hier in Berlin, Deutschland, wo wir die Hälfte unseres Lebens verbringen – Frühling und Herbst. Im Winter und Sommer sind wir weiterhin in Brasília, Brasilien. Diese beiden Hauptstädte sind sich in den Details sehr ähnlich, trotz der 700 Jahre Unterschied in ihrer Existenz. Natürlich haben wir endlose Spaziergänge um die Welt gemacht, festgehalten im Buch “From Alaska to Jerusalem”.

       Unsere große brasilianische Umarmung an die Freundschaften hier in Berlin, aber aus der ganzen Welt, verbunden durch Tanz, Rock & Blues und gedankliche Übereinstimmung.  

     Nosso grande abraço  brasileiro às  amizades Aqui em Berlim, mas que são do mundo todo,  interligadas pela dança,  Rock & Blues e identificação de pensamento. 

      Zuerst die Frauen. Ehrung, ja. Von den Sängerinnen bis zu denen, die unseren reservierten Tisch teilen, der immer voll ist, unabhängig von der Herkunft.

       Primeiro, as femininas. Homenagem, sim, às cantantes, ou não, que dividem nossa reservada mesa, sempre lotada, independente da origem. Copio  a descrição de um kneipe, bar, do livro “Berlin, ah Berlin” do Rolf Schneider:

       “A clientela é predominantemente masculina. Quando as mulheres estão presentes, elas têm o ar de pássaros coloridos”.

Our big Brazilian hug to friends here in Berlin, but from all over the world, connected by dance, Rock & Blues, and shared ways of thinking .

First, the women. Tribute, yes. From the singers to those who share our reserved table, always full, regardless of background.

     Then we will show the male musician friend – German, Mozambican, Spanish, Italian, from São Paulo, Tunisian, Chilean, Ethiopian,  Chinese, Japanese, Polish, Belarusian or Bulgarian or Russian…

So, our first shout-outs are to Angela, Eva, Kath, Ada, Kyra, Ziska, Zara, Fredericka, Martina, among so many others with whom we shared lively conversations without even asking their names, it wasn’t even necessary:

     Então, nossos primeiros alôs são para Angela, Eva, Kath, Ada, Kyra, Ziska, Zara,  Fredericka, Martina entre outras tantas com quem dividimos conversas sonoras sem nem pedir o nome, nem era preciso:

     Also, unsere ersten Rufe gelten Angela, Eva, Kath, Ada, Kyra, Ziska, Zara, Fredericka, Martina und vielen anderen, mit denen wir klangvolle Gespräche teilen, ohne nach dem Namen zu fragen, es war auch nicht nötig:

Antes dos cantantes masculinos, detalhemos os locais onde acontecem os fatos musicantes. Como diz um ditado local, cada cruzamento de rua em Berlim tem quatro esquinas com cinco bares,  reserved for the venues and live music with free entry, only contributing coins into the performers hats for the night.


   Here it is also worth remembering the places that simply disappeared from the map, due to reasons linked to the end of the Covid Pandemic, when everyone was closed for more than a year. In one of them, there used to be live music every night of the week.
Now, silence.

    Aqui vale ainda a memória para os locais que simplesmente sumiram do mapa, por motivos  ligados ao final da Pandemia da Covid, quando todos passaram mais de um  ano totalmente fechados. Num deles, antes, tinha música ao vivo todas as noites da semana. Agora, o silêncio...

     There are other stories,   like when, for example, in the middle of the show the death of Queen Elizabeth is announced by musician at Urbaneck. And he finish with long live to the King. In another bar, Sandamann, the music played on the night of Pope Francis’ passing. On the wall, this message:

      Tem outras histórias  por exemplo, quando no meio da música, no Urbaneck,  é anunciada a morte da Rainha Elizabeth. E  o músico completa com um Viva o Rei. No Urbaneck,  a música acontece na noite do falecimento   do papa Francisco. Na parede, esta mensagem:

And now, this is NOT the END.

My Berlin Musician

Part 2

Masculino Cantante

   Then, in part two, we show the male musician friends – German, Mozambican, Spanish, Italian, from São Paulo, Tunisian, Chilean, foreigner, Chinese, Japanese, Polish, Belarusian or Russian or Bulgarien…

   Então, aquele abraço para os músicos amigos em Berlim, todos com uma profissão paralela: o médico aposentado, o cientista conhecido, o professor de crianças, o fotógrafo, o designer, o engenheiro químico, o bancário, enfim o musicante de Berlim.

    Also, eine Umarmung für die Musikerfreunde in Berlin, alle mit einem Nebenerwerb: der pensionierte Arzt, der bekannte Wissenschaftler, der Kinderlehrer, der Fotograf, der Designer, der Chemieingenieur, der Banker, kurz gesagt der Musiker aus Berlin.

   So, a big hug to the musician friends in Berlin, all with a side profession: the retired doctor, the well-known scientist, the children’s teacher, the photographer, the designer, the chemical engineer, the banker—basically, the musicians of Berlin.    Entre tantos outros: Tim, Mauro, Leo, Carlos, Andreas, Helmut, Tarek, Julian, Edo, Ed, Tob, Heinz, Julius, Maxi, Dimitry, Nico, Rachid, Oskar, Jakob, Tonkata, Tamrat, Jerry, Alex, Aria . . .

Un abrazo para los músicos amigos en Berlín, todos con una profesión paralela: el médico jubilado, el científico conocido, el profesor de niños, el fotógrafo, el diseñador, el ingeniero químico, el banquero, en fin, el músico de Berlín.

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Então, vamos terminando por aqui porque Brasília nos espera para voltar depois para Berlim. Certo, fotógrafa e fotografada Fredericke?

    And now, ladies and men, femininos und masculinas, dank, thanks (think about), obrigado e inté .

BIG AXÉ FROM YOUR POLACK BAYANU.


Sou anal…pha…beto…

She’s my good friend. He is always good with me. That is. Not always. In winter, for example, it survives parched, disappeared, slept, deflowered, disfigured and deformed. Poor.It turns out that when spring arrives, it transforms. Today, for example, it dawned reflowered, greenish, beautiful, refreshed, resplendent in the Dawn of the same Spring. This is my friend tree from Berlin.

Ela é minha boa amiga. Está sempre de bem comigo. Quer dizer. Nem sempre. No inverno, por exemplo, ela sobrevive ressecada, sumida, dormida, deflorada, desfigurada e deformada. Coitada. Acontece que quando chega a Primavera, ela se transforma. Hoje, por exemplo, ela amanheceu reflorada, esverdeada, linda, remoçada, resplandecente na Alvorada de uma outra mesma Primavera.Esta é a minha árvore amiga de Berlim.

Amiga Boa. Sempre De Bem. Comigo.

Não Se Ressecada. Sumida. Dormida.

Deflorada. Desfigurada. Deformada.

Hibernada.

Se Reflorada. Esverdeada. Linda.

Remoçada. Ela Resplandece Toda.

Outra Alvorada. Mesma Primavera.

She’s my good friend. He is always good with me. That is. Not always. In winter, for example, it survives parched, disappeared, slept, deflowered, disfigured and deformed. Poor.
It turns out that when spring arrives, it transforms. Today, for example, it dawned reflowered, greenish, beautiful, refreshed, resplendent in the Dawn of the same Spring.
This is my friend tree from Berlin.

Ela é minha boa amiga. Está sempre de bem comigo. Quer dizer. Nem sempre. No inverno, por exemplo, ela sobrevive ressecada, sumida, dormida, deflorada, desfigurada e deformada. Coitada.Acontece que quando chega a Primavera, ela se transforma. Hoje, por exemplo, ela amanheceu reflorada, esverdeada, linda, remoçada, resplandecente na Alvorada de uma outra mesma Primavera.

Esta é a minha árvore amiga de Berlim.

Amiga Boa. Sempre De Bem. Comigo.

Não Se Ressecada. Sumida. Dormida.

Deflorada. Desfigurada. Deformada.

Hibernada.

Se Reflorada. Esverdeada. Linda.

Remoçada. Ela Resplandece Toda.

Outra Alvorada. Mesma Primavera.

Esta É A Minha Árvore Amiga Aqui de Berlim.

After a long winter of recollection, My Friend Tree of Berlin turns to Light at the arrival of spring. Vale Ouro, I, here at the Window, pray for Her, my Flower. So good to see, now that she Resurrects, her pudendal parts exposed, without shame, especially in the details of her thighs and busts in the radiance of the grass. It happens, I know very well, that even when splendid, it never forgets the Bad Past Past, perhaps Future, never desired I already detail.

Depois de um longo Inverno recolhida, Minha Árvore Amiga de Berlim vira Luz na chegada da Primavera. Vale Ouro, Eu, aqui da Janela, oro por Ela, minha Flor. Tão bom ver, agora que ela Ressuscita, suas partes pudendas à mostra, sem pudor, em especial nos detalhes das coxas e dos bustos no resplendor da relva. Acontece, sei muito bem, que mesmo ora esplêndida, ela nunca se esquece do Péssimo Passado Repassado, quiçá Futuro, jamais desejado. Já detalho.

Infante Nascente Da Semente Em Solo Bombardeado.

Com Sinais Tão Presentes No Ventre Potente do Tempo.

Estuprada Pelas Bombas Ditas Aliadas Vindas do Oeste.

Em Seguida, Tão Carcomida Pelos Camaradas do Leste.

Apesar De Tudo, Minha Árvore Amiga, Aqui de Berlim,

Continua Resplandecente Bem Preparada Para o Futuro.

My Friend Tree of Berlin is actually born from a seed abandoned in the soil harshly bombed, day and night, so much so that it still shows signs so present in the impotent womb of the time passed since the birth so frightened. In fact, my friend is the result of a rape provoked, together, by the so-called allied bombs coming from the West and by the endless eating of the comrades in the East. But in spite of all this, My Friendly Tree continues, Here in Berlin, past Hell, arrival of Spring, much of the resplendent and prepared for the uncertainties of the Future. Summer. We will see.

Minha Árvore Amiga de Berlim na verdade ela é nascida de uma semente abandonada no solo duramente bombardeado, dia e noite, tanto que ela ainda apresenta sinais tão presentes no ventre impotente do tempo passado desde o parto tão assustado. Na verdade, minha amiga é fruto de um estupro provocado, em conjunto, pelas bombas ditas aliadas vindas do Oeste e pelas carcomidas infindas dos Camaradas do Leste. Mas apesar disso tudo, Minha Árvore Amiga continua, Aqui em Berlim, passado o Inferno, chegada a Primavera, muito da resplandecente e preparada para as incertezas do Futuro. Verão.


In this post-70 Phase of Departure, Ego and Madame we have spent half the time in Berlin (1,824 years of life), the other in Brasilia (64 years of existence). Doing what exactly for three months of early spring and another 90 days of early autumn in this Berlin Year Zero? Simple.

Ego e Madame ultrapassamos, nesta Fase da Ida pós os 70, metade do tempo em Berlim (1.824 anos de vida), a outra em Brasília (64 anos de existir). Fazendo exatamente o que, durante três meses, do começo da Primavera, e outros 90 dias, do início do Outono, nesta Berlim Ano Zero? Simples.

De dia, depende do quase nada do tudo. Afinal, Amorosa Madame e Bronco Polaco conhecemos Aqui Berlim desde quando existia o Muro Imbecil e a cidade era controlada pelas Três Forças (França não conta) que a deixaram de quatro entre escombros da Mente e do Ego nunca desnazificados.

E de noite? Bom, aí temos milhares de acordes rock-bluestônicos para sentir. Sempre foi assim. Escurece, esta capital acorda, ao contrário de Brasília, que dorme “deitada eternamente em berço esplêndido.”

Mas vamos ao relato da Berlim das Mil e Uma Noites de Música. Nossa! Sempre num bairro diferenciado, passando do suábio para o turco para o africano para o latino para o eslavo parando no blues.

Kommen wir aber zum Berliner Bericht über Tausendundeine Nacht der Musik. Beeindruckend! Immer in einem anderen Viertel, von schwäbisch über türkisch bis afrikanisch bis lateinamerikanisch bis slawisch, mit Halt beim Blues.

Nosso calendário diário noturno

Segunda-feira

Sandmann

At the beginning of the week, whether we are staying in Berlin, it is a sacred night at the Sandmann. Abre às sete da noite, e não tem hora para fechar, mas a música, por causa da vizinhança otomana, perto da prefeitura de Neukoln, tem que parar exatamente à meia-noite, o que acontece com Wellcome, cantada pela banda convidada junto com o bando que participa do jam session, a cada vez uma surpresa.

Terça-feira

Art Stalker

Night going near the Charlottembourg S station, unfortunately with a dangerous walking passage because of the homeless encampment, like Cracolândia in São Paulo. Abriga, não o debaixo da linha do trem, mas agora falando do Stalker, recolhe os músicos da chamada família Rickenbacker’s, antigo local com música ao vivo, todas as noites, h-a 40 anos, sem falhar, quer dizer, fechou de vez na Pandemia da Covid. Acontece que os músicos, eles ainda sobrevivem nas noites de Berlim, quiçá por mais de Mil Anos. Originários, nesta Babel Berlinística, de variados pontos do Universo, em especial, Austrália, Bulgária, Itália, Moçambique, Chile, Brasil, Bielorússia, Escócia, Polônia, Japão, China, Rússia e tantas tontas origens.

A título de boa lembrança, uma foto do finito Ricken dos bons tempos.

Agora, quarta-feira de noite em Berlim.

São tantas as emoções, sorry, as opções.

Quarta-feira à noite, na Berlim do Blues/Rock/Jazz, tem a escolha do Zum Bohmischen Dorf, com cerveja checa da boa mais a música dos manos búlgaro Anton e italiano Pandolfino, entre outros. Like the other bars mentioned here, in addition to the bathroom with the walls all graffitied, for or against, there is also a sign warning beware of pickpockets. Verdade, sim, mas vale a pena. O que? Bater carteira? Não! A música, a cerveja, as pessoas, a noite.

Outra boa opção para a noite de quarta-feira, em Berlim, falando de blues, saindo agora do turco Neukoln para o suábio Prenzlauer, no lado ainda parecendo comunista, fica no Clube 23, dentro de enorme ex-fábrica de cerveja, agora Kultur Braueri. A música, feita para dançar, sempre começa às 18 horas, para sair do trabalho e se esbaldar até as 22 horas, e, depois, procurar outras coisas no agradável bairro belamente gentrificado pelos alemães da Suábia, que expulsaram os hippies inavasores de prédios quando o Muro de Berlim foi derrubado e a região era terra de ninguém. Wer es wagte, über den Zaun zu springen, wurde von der DDR-Kommune auf der Stelle erschossen. Aber nicht heute. Olha só a festa:

Na quarta, no Zosh do Mitte, tem música boa, nessa noite sempre com Blues Jazz autênticode New Orleans – USA.

Mas vamos em frente que a semana ainda não acabou.

Logo abaixo, a noite especial, toda quinta-feira, no Bierhaus Urban

Noite especial, quinta-feira, em Berlim, e isto feito por nós há mais de 15 anos, é no bar aberto dia e noite, desde 1987, dos tempos dos gringos no pedaço, no bairro de Kreuzberg, na Urban com Graeffe, strasse, lógico. No comando tranquilo e presencial amigável, os chamamos de Líbio pai e Líbio filho. A cada quarta-feira tem uma banda convidada e depois o jam session com os músicos presentes, numa mistura desinteressada. Inclusive a platéia muda a cada semana. Muda nada. Todo mundo grita ao mesmo tempo junto com a cerveja boa e barata. Que nem no Sandamann, já sabe. Stop the music, open the door, let the air circulate but we can stay in the room, all night, if that’s the case. Melhor ainda, tem um ponto de ônibus na porta, o M41.

Sexta-feira de noite em Berlim Musical

Para variar, são tantas as opções

Fim de semana, já viu.

Metrô a noite toda.

Primeira ida:

Eine weitere Bar, die die ganze Nacht über geöffnet ist, seit den Tagen der Amerikaner, die das Viertel beherrschten, nachdem sie Leipzig mit Brandbomben zerstört hatten, ist die Otto Schruppke Albertine Bierkneipe.Outro bar aberto a noite inteira, desde os tempos dos norte-americanos, que mandavam no pedaço, depois de terem dizimado Leipzig com as bombas incendiárias, é o Otto Schruppke Albertine Bierkneipe. Fica no bairro de Steglitz, perto da prefeitura onde o presidente João Kennedy, antes de ser morto em Dallas, falou o seguinte aos comunistas do outro lado do Muro: Ich ein Berliner. A frase virou piada porque Berliner era a salsicha famosa servida até hoje em todo quiosque de rua, tipo a do cachorro quente. Não a toa, no Otto, tem uma salinha onde você pode pegar, de graça, um pratinho com a “berliner” + fatia de pão eslavo + pepino azedo + meio ovo cozinho com uma pitada de caviar preto. Ah. Quase ia esquecendo. Sexta-feira sim, outra não, tem música ao vivo, com jam session e tudo, e o sonzão indo direto até depois da uma da madrugada. E nós lá, claro. Numa das paredes do bar, estilo antigo, tem esta placa dizendo:

Haste kumma ab gross ob klein,

bei Schruppke biste nich allein!

Ou seja:

Não importa quão grande ou pequeno você seja,

aqui no Schruppke você nunca está sozinho.

Outra escolha para blues sexta-feira em Berlim.

Speiches Rock und Blueskenipe

Sábado Blues em Berlim

No sábado, das 10h11m às 11h10m, da manhã, ainda sonolentos, não abrimos mão da feira semanal na Praça Wittenfeld. Fica perto da praça Nollendorf, região famosa, nos anos 20, século 20, por ser o habitat do mundo gay alemão, até que os nazistas, falsos machões, chegaram, mesmo que alguns deles, da SA, também o fossem. Es liegt in der Nähe des Nollendorfer Platzes, einer Region, die in den 20er und 20. Jahrhunderten als Lebensraum der deutschen Schwulenwelt berühmt war, bis die Nazis, falsche Machos, kamen, auch wenn einige von ihnen, von der SA, auch als Nazis berühmt waren. Estou falando da Wittenfledplataz por dois motivos: primo, pelas compras, tipo acelga fresca mais o aspargo na época de abril mais o amendoim assado no doce crocante mais o pão turco mais o capuccino para, juntos, Polaco e Madame, ela ao cigarro, sentados na pracinha, ouvirmos o mesmo músico mesma bicicleta mesma guitarra mesma doçura de sempre vendo as crianças bem pequenas aprendendo a dançar e a colocar, sorrindo, a moeda de gorjeta na capa da guitarra. Um sonho. Daí, de volta para casa porque depois do almoço depois da dorminhocada tem mais uma ida noturna à Berlim Musical.

Outro bar ótimo para ouvir blues-rock em Berlim, pena que um sábado sim outro não, fica no bairro de Shonemberg, quase colado ao agora prédio condenado porque ameaçado de cair, tanto que o metrô, nesta estação de Eberswald, passa a 05 km por hora, por via das dúvidas. Mas o bar é o Rotte Beete. Gente mais refinada, música somente das 20 às 22 horas. Cerveja checa ótima e barata. Biscoitinho salgado de brinde. Ambiente decorado à moda intelecto-lenilista mas sem ser stalinista. When there’s not there, because it’s in Spiche or in Carnova or in Negril or wherever but there’s always another blues bar in Berlin, there is.

E no domingo?

Bom. No domingo, a gente descansa mas somente depois do brunch all-can-you-eat, no Sidney, atendido pela Fátima. Brunch no domingo era um costume antigo em Berlim, sumido depois da Covid e pela alta dos preços. Tudo isto, menos o apreço que continua o mesmo.No caso presente, ele está de volta. Pena que não os outros, tipo o 100wasser, fechado, um dos então vários no riporongo Waschauer.

– Que mais?

– Amanhã é segunda-feira, dia de blues …

– Já sei. Chega, Polaco. Três meses é pouco em Berlim.

-Tem +.

– Ok?

Posso citar quase todos todas tod@s os as @s músicos de blues com quem nos ligamos nestes últimos pelo menos 20 anos aqui em Berlim? Podemos?

Thank you very much with our tribute to the following friendships:

Muito obrigado com nossa homenagem para as seguintes amizades:

Vielen Dank mit unserer Hommage an folgende Freundschaften:

Adam. Alex. Andreas. AngelaC. AngelaS. Anastasia. Andres. Arya. BJ Stole. Ed. Eva. Carlos. David. Dimi. Heinz. Helmut. Igor. Jakob. Julian. Jurgen. Khaled. Leo. Lucas, Mauro. Matthias Max. Nico. Olaf. Peter Ralf. Reinhard. Roland. Richard. Salah. Steve, Tim. Tonkata. Tob. Tono. Tom. T. Tobias. Thomas. Ziska. .Etc. Etc. #Happy Dog Brown #The Midnight Shakers #Sandmann #Bierhaus Urban #Rote Beete – Bar #Otto Schruppke Altnerliner Bierkneipe #Speiches Rock und Blueskenipe #Art Stalker #Middle Seat Blues e muito mais.

Und jetzt die Hommage an die Musikbars, genau wie die, die sonntags den berühmten All-can-you-eat-Brunch servierten. Eine, die unsere gute Erinnerung verdient, vor allem, weil er vor etwa 20 Jahren starb, war die alternative Bar mit guten Musikern, Soulcat. Es war in der Reichembergstraße, in der Nähe des U Skalitzer, und des heutigen Cracolento Görlitzer Parks. Damals nein, mehr Ruhe. Der Bus 29 fuhr fast vor der Tür vorbei, auf einer dunklen Straße, unvorstellbar im heutigen Berlin. Hallo, SOULCAT. Sehnsucht. Tolle Erinnerungen. Tschuss.

E agora, a homenagem aos bares de música, igual aos que serviam o famoso brunch all-can-you-eat aos domingos. Um que merece a nossa boa lembrança, até porque morreu tem uns 20 anos, era o bar alternativo, com bons músicos, o Soulcat. Ficava na Reichembergstrasse, perto do U Skalitzer, e do agora cracolento Gorlitzer Park. Na época, não, maior tranquilidade. O Bus 29 passava quase na porta, numa rua escurinha, inimaginável nos dias de Berlim de hoje. Hallo, SOULCAT. Saudade. Grandes lembranças. Tschuss.

And now, the homage to music bars, just like the ones that served the famous all-can-you-eat brunch on Sundays. One that deserves our good memory, especially because he died about 20 years ago, was the alternative bar, with good musicians, Soulcat. It was on Reichembergstrasse, near the U Skalitzer, and the now cracolento Gorlitzer Park. At the time, no, greater tranquility. Bus 29 passed almost at the door, on a dark street, unimaginable in today’s Berlin. Hallo, SOULCAT. Longing. Great memories.

And now, para acabar, mesmo, prosa musicante-berlinística de hoje, acho, a gente não pode se esquecer das centenas de músicos e bandas que se apresentam nos festivais de rua, principalmente nos dias mais calientes. Por exemplo: este num parque em Steglitz. Vale como tschuss:


O povo rondando nas ruas de Berlim

Libera a dele não mais tão longa vida.

Ele conversa somente com ele mesmo.

Talvez rememore o passado posto.

Por que este tudo no futuro,

Nunca no presente já no nada?

Die Menschen, die durch die Straßen Berlins streifen

Es befreit sein nicht mehr so langes Leben.

Er spricht nur mit sich selbst.

Vielleicht wird es an die Vergangenheit erinnern.

Warum das alles in der Zukunft,

Nie in der Gegenwart schon im Nichts?

The people prowling the streets of Berlin

It releases his no longer so long life.

He talks only to himself.

Perhaps it will recall the past.

Why this all in the future,

Never in the present already in nothingness?

– Sir. Você pensa em ajudar alguém próximo?

Por que não Eu?

Por que?

Denken Sie daran, jemandem zu helfen, der Ihnen nahe steht?

Warum nicht ich?

Warum?

– Sir. Do you want help someone around you?

Why not me?

Why, Sir?

Viver nas ruas aqui em Berlim é tão diferente

Mesmo que o espaço sempre seja o mesmo

Para mim ou para você, gente.

-Das Leben auf der Straße hier in Berlin ist so anders

Auch wenn der Raum immer derselbe ist

Für mich oder für euch, Leute.

Living on the streets here in Berlin is so different

Even though the space is always the same

For me or for you, folks.

Alô, cidadão de rua!

Quié?

Hallo, obdachloser Bürger!

Was?

Hallo, street citoyen!

What?

Alô, cidadão de rua!

Quié?

Você quer falar algo?

Hallo, obdachloser Bürger!

Was?

Möchtest du etwas sag?

Hello, homeless citizen!

What?

Do you want to say something?

Sim.

Ya.

Yes.

Fale.

Sich unterhalten.

Talk.

– O senhor quer dormir aqui na rua comigo, Sir?

Wollen Sie hier auf der Straße mit mir schlafen, Sir?

– Do you want sleep with me in these street, Sir?

O que?

Was?

What?

O senhor quer dormir aqui na rua comigo, Sir?

– Do you want sleep with me in these street, Sir?

O que?

Was?…

What?

O senhor quer dormir aqui na rua comigo, Sir?

Wollen Sie hier auf der Straße mit mir schlafen, Sir?

– Do you want sleep with me in these street, Sir?

Uai?

Warum?

Why?

– Minha vida não está mais viva. Eu estou morto, Sir.

– Mein Leben lebt nicht mehr. Ich bin tot, Sir.

– My life is no more live. I’m dead, Sir.

E daí?

Na und?

And so?

– Já agora … Eu preciso…

– Übrigens… Ich muss…

– Just now … I need …

O que?

Was?…

What?

– Eu preciso, agora mesmo, fazer minha última caminhada por Berlim.

– Ich muss jetzt meinen letzten Spaziergang durch Berlin machen.

I need, just now, make my last crossroad around this your Berlin.

Você, de um lado, e eu, do outro lado. No mesmo caminho

Du auf der einen Seite und ich auf der anderen Seite. Auf dem gleichen Weg

You and Me side by side on the same way.

Então, Sir, vamos nessa Crossroad around Berlim?

Also, Sir, wollen wir auf dieser Kreuzung um Berlin herumfahren?

And So, Sir, let’s Crossroad around Berlin?

NÃO!!! NEIN!!! NO!!!

Foda-se, mendigo.

Fick dich, du Bettler.

– Fuck you, poor.


Estou bem mais velho. Bem vestido, quase branco. No meio de gente parecendo conhecida num tipo Clube de Imprensa. No meio do mato. Saio para pegar o ônibus próximo de gente estranha. É noite. Muitos parados mas de um lado de estrada que me dá a sensação de nunca ter sido o meu. Não tenho certeza:

– Boa noite. Você sabe se por aqui passa o ônibus …

– Por aqui não passa nenhum ônibus.

– Então é o do lado de lá. Será que consigo chegar sem ser atropelado ou assaltado?

– Assaltado, não, atropelado, sim. Mas o senhor está indo para onde?

– …

– Onde?

– O que?

– Para onde o senhor está indo?

– …

– Para onde?

– Não sei!!!

Na sequência, só sei que estou descendo da boléia de um caminhão, onde estão as mesmas pessoas que, no meio do mato, escuro, na beira da rodovia, e que não esperavam um ônibus, que nem eu, mas o caminhão de transporte de gado humano, porque trabalhavam nos clubes dos brancos,

– Pronto, senhor.

– Por que vocês estão me abandonando aqui?

– Pelo contrário. O senhor está sendo deixado na porta de um clube bacana, viu? E vimos até que o senhor tem uma carteira de identidade, e, uma porção de dinheiro.

– Vocês estão precisando de algum?

– Precisando, sim, estamos, mas o senhor continue com ele porque também pode precisar.

– Dinheiro serve para que? Ele vai me fazer lembrar de quem eu sou?

– Olha lá na portaria. Tem um casal, vestido de branco, esperando pelo senhor. Pode ir.

– Obrigado.

– Não tem de que. Mas quem são vocês?

– Nós somos ninguém.

Na portaria do clube muito mais bacana do que o outro, eu me lembro porque acho que faz pouco tempo, foi antes de eu pegar o ônibus, um grande circular, que me trouxe até aqui, mas agora, alguém pode me dizer que clube é este, todo iluminado?

– Boa noite, senhor. Seja bem-vindo.

– Mas onde estou?

– O senhor é quem sabe.

– E esta anciã bonita ao seu lado?

– O senhor é quem sabe.

– Ela não tem nome não?

– O senhor é quem sabe.

– Vamos parar com esta conversa mole. Quero entrar. Está aqui a minha identidade.

– Muito bem. Deixa eu ver. Quer dizer, a senhora é quem deve ver para ter certeza.

Pausa porque a senhora, 1m60, fofinha mas parecendo durona, agora toda trêmula, nem imagino os motivos, bem, ela me diz tentando ser firme e decidida:

– Vamos entrar. Cuidado com o degrau. Olhe para a frente.

– A senhora de repente está me lembrando alguém…

– Quem?

– Ih. Acabo de esquecer. Mas eu, eu sei quem eu sou. Eu…

– Eu sei.

Neste momento, a linda senhorinha, ao lado do senhor vestido de branco, porteiro do clube bacana com certeza não parece ser, bom, ela começou a soluçar, mas de forma muito contida. Então eu, para consolar a criaturinha que eu nunca tinha visto na vida mas estava na minha vista, pois então, meu primeiro impulso foi declamar um poesia para ela, mas qual, esqueci todas. Por isso, só falei, o mais agradável possível:

– A senhora é uma florzinha!

Para que. Agora que, além de não lembrar quem sou eu, o que estou fazendo neste clube bacana, tanta gente vestida de branco, a senhorinha, depois de ter sido chamada, elegantemente, por mim, de florzinha, ela simplesmente desmaiou e ia caindo nos braços do, ouvi ela dizendo, doutor. De repente, nem imagino mais nada, apesar da minha idade avançada, nem me lembro se um dia já fui, como se diz, jovem, daí eu cheguei antes do doutor, a tempo de receber a lindinha senhorinha nos meus braços e dizer isso, estou lembrando porque está acontecendo agora:

– Pode deixar que eu cuido de você, minha florzinha!

No mesmo instante, vejo dois jovens, vestidos de branco – que clube bacana mais esquisito – e o doutor me dizendo “vamos entrando, meu senhor, precisamos conversar”. Só tive tempo de dizer, à chegada dos dois jovens com a maca, a ponto de nela colocar a desmaiada senhorinha, murmurar eu o seguinte, bem suave e perto do ouvido da cabritinha:

– Pode deixar que eu levo a florzinha no meu colo!!!

Já dentro do salão do clube bacana, rodeado de gente vestida de branco, coloco a senhorinha, com o maior cuidado, no lindo sofá, aproximo-me do ouvido dela e sussurro:

– Boa noite, florzinha. Agora, preciso ir.

Então o doutor se aproxima de mim e começa tipo dar ordens:

– O senhor pensa que vai para onde?

– Não tenho a menor idéia.

– Então fique mais um pouco aqui com a gente. Precisamos conversar.

– Chega de conversa só no presente sem passado e nem futuro. Boa noite para todos.

Daí fui me virando a caminho da porta para seguir para a portaria para cair de novo na vida mas de repente me lembro de uma coisa e pergunto:

– O senhor pode me dizer onde fica o ponto de ônibus mais perto?

– Pergunte para a senhorinha psicóloga que o senhor chamou de florzinha!

– Mas ela está dormindo…

– Pois acabou de acordar.

– Dona senhorinha florzinha mais simpática de toda Berlim!

– Que é!!!

– A senhora pode me mostrar onde fica o ponto de ônibus mais perto?

– Posso!

– Sabia…

A senhorinha levanta-se, penso que muito rápida para quem acabou de desmaiar, na sequência me pega pela mão, deixar eu falar logo antes que me eu esqueça, ih, esqueci, ah, ela me leva por um longo corredor:

– Mas eu cheguei pelo outro lado.

– Acontece que o teu ponto fica por aqui. Está começando a lembrar, é?

– Estou, sim.

– De que?

– Da poesia que eu queria declamar quando a senhora caiu nos meus braços.

– Então fale logo!!!

– Eu não sou louco. É pouco.

– Chega!!!

– Então, tá. Mas onde eu estou mesmo? Em Brasília?

– Não. Você está em Berlim.

– Sozinho?

– Não. Comigo.

– Mas quem é você?

– Eu sou a tua Florzinha. Agora chega. Vá dormir.

– Tá. Tschuss. E a conversa?

– Amanhã a gente tem muita coisa para conversar.

– Tá bom. Boa noite.

– Boa noite.

– A senhora pode me colocar no ponto de ônibus?

– NÃO!!!

Pronto. Estou dormindo de novo e sonhando que estou num clube, de noite, vestido todo de branco. Amanhã eu conto. Quer dizer, se eu acordar e me lembrar de quem sou eu.

– Boa noite!

– Boa noite, doutora. A senhora…

– BOA NOITE!!!

Pronto. Estou dormindo. De repente, acordo. Estranhamente, a doutora senhorinha continua a meu lado. E eu:

– A senhora pode me arrumar, “corendo tudo”, um lápis e um papel?

– Para que?

– Acabo de lembrar da poesia que fiz para você.

– NÃO!!!

– Então eu falo.

– Não escuto.

– Digo assim mesmo:

“Eu não sou louco … é pouco

Se tiro parte do todo

Deste meu coração

Desmiolado.

Eu não sou louco … é tanto

Se tento o tiro no centro

Deste meu coração

Descansado.”

Das ist mein Ende

Este é o meu Fim

This is the End


Parece Coisa de Doido mas é verdade. Nesta Mal Dita Sexta-Feira dita Santa, da Paixão, pela Lei Oficial, Medieval, Alemã, ainda em vigor, é proibido Dançar, Aqui em Berlim. Juro-Vos, Vós! Esta é a Minha Voz. (Traduza-me, se for capaz, IA do Google).

Tem mais, Cara Caro. Cara Cara, tão + bem. Claro, Cara Clara. Nesta Cesta, ops, Sexta, Mal Dita Santa, tão bem é proibido, cá em Berlim, qualquer tipo de música, mesmo que sacra, se, atente-se ao detalhe, no Ambiente Local estiver sendo servido bebida, vale até o Santo Vinho da Missa. Não tem papo nem papa na prosa que se reste muda.

Não é a toa que, nas Igrejas, agora não mais nos Bares da Vida ou nos Lares, nesta Sexta Mal Dita Santa, até o Sacrário, onde diz-se que dorme o Corpo do Chrysto, está aberto, o Corpo Sumido, o Espírito, dito Santo, qual Pedro, ou Judas. O Filho, futuro Deus, desaparece no pós da Descida da Cruz, ainda bem que Carregado pelas Duas Minhas Mais Santas Mulheres da Vida: Maria e Madalena. Por isso, defendo, assim, sim, que sejam, nesta Mal Dita Santa Sexta, que sejam, repito, cobertas as Estátuas das Santas e os Corpos das Libertinas, em todos os Indistintos Lares-Lupanares, a começar pelas Igrejas.

Isso não é tudo, eventos esportivos públicos também são proibidos, por lei, aqui em Berlim, bem assim, nesta Mal Dita Sexta Santa, se forem acompanhados de música ou outro entretenimento, tipo, digamos, aquelas Madalenas rebolando ao Som do Hino Nacional.A origem da lei, para esta Mal Dita Sexta Santa, nesta Luterânica Berlim, vem da própria Páscoa. Aqui, na Alemanha, na Sexta, é a Morte. Esquecem a traição judáica (de Judas, pô), na Quinta. E da Ressureisção, mal contada, no Sábado de Hallelluya. Mas aqui, em Berlim, a festa maior, com feriado e tudo, é na Segunda depois do Domingo de Páscoa. Uai? É o Renascimento do Jota Crhysto, por tanto e não por menos, um dia para ser alegre para todos os Nós, e, principalmente, para o Mundo das Bem Ditas Madalenas da Vida.

Nota Bene. Ainda Bem, Sô:

A restrição de Bebidas, Comidas, Danças, Marias Joanas e Tais, de acordo com a Lei Vigente aqui em Berlim, para esta, e todas as outras, Mal Ditas Sextas Santas, só vale das 04:00 da Madrugada até as 21:00 da Noite. Daí, então, no Lar, no Bar, na Zona, é uma Festa Só. Falando nisto, com licença, tenho um lero da minha Infância, no Paraná, na Comunidade Polaca-Russa-Ucraína da Vila Marina de Ponta Grossa. Veja-me. Leia-me. Ouça-me. Bem…

No meu tempo de piá, na bosta do Sul Maravilha, família pobre de polacos, no bairro sem água-esgoto-calçada na Princesa dos Campos Gerais-Paraná-Brasil, pois bem, nesta Mal Dita Sexta Santa, a gente tinha um costume oficial, até a Polícia branca aceitava. Seguinte: A gente, menores ou adolescentes, apenas se polaquinhos, podíamos, nesse dia-noite, cometer pequenos adultérios na lei, tipo roubar ovos nos galinheiros, assustar cachorros ou, melhor ainda, beijar as minas alemãs porque, no caso das italianinhas, pintava, como sempre, mais coisitas e tais, hoje sem inportância mas, na época, bem das significantes.

Então, portanto, ou, por tanto, ou, por tudo, ou, por nada…

BOA PÁSCOA, MANEZINH@!!!

Hallo IA do Google. Translate, pô. Tá?

Inté e Axé Proceis tudo.


Minha Doce Batata Doce Mais Doce do Mundo

Papo Sério. Não Sou Doido Não. Quase Nunca. Seguinte:

Ernstes Gespräch. Nein, ich bin nie verrückt. Weiter:

– Sempre pego um pedaço da batata (nunca da perna mas sempre da doce), corto o pedaço da ponta, coloco num pires com água e ali, ela e eu, vivemos em União Estável pelo menos por Uns Dois Meses, ou Mais, ou Menos, depende, está me Seguindo, ou Você Nunca Se Separou Do Antes Tudo Depois Nada? Pois então?

– I always take a piece of the potato (never the leg but always the sweet one), cut the piece from the point, put it in a saucer with water and there, she and I, we live in a Stable Union, at least for a couple of months, or more, or Less, it depends, are you following me, or have you never separated yourself from Before Everything After Nothing? So?

– Volta para a Batata, Polaco!

– Doce!!!

– Parece que agora Amarga, não é mesmo?

– Sim! Tempo de Vida Passada, agora no Presente, sem Futuro, a Minha Batata Doce Mais Doce do Mundo. Ela chega ao Quase Fim do Mim. Suspira. Mal Respira. Sem coragem de Dizer Adeus. Nem Eu e Nem Ela, por tanto, e por menos, Nem Nós Dois. Da Minha Parte, Apenas Ouço o Susurro, Dela:

– Polaquinho!

– Quié, minha Docinha?

– Estou indo.

– Poxa! Não tem como Ficar?

– Não!!!

– Sim!!!

– A Gente se Revê, Meu Polaquinho Mais Doce do Mundo!

– Sem pressa, Minha Batata Doce Mais Doce do Mundo!

P.S. (Post Scriptum) ou N.B (Nota Bene):

In der letzten Abschreckung flüstert ihre Oberlippe ruhig und ohne Schmerzen in mein Unterohr:

No derradeiro destertor, na boa, sem dor, O Lábio Superior Dela Sussurra No Meu Ouvido Inferior:

W ostatnim odstraszającym, spokojnie, bez bólu, Jej górna warga szepcze do mojego dolnego ucha:

In the last deterrent, calmly, without pain, Her Upper Lip Whispers In My Lower Ear:

– Obrigado, Polaquinho!

– Uai?

– Graças a Você, Eu Não Fui Comida!!! Adeus!

– Então, tá. Inté e Axé.


Winter in Berlin

Suddenly, although with a fixed date, the green turns yellow, becomes black, in short, it reaches white supremacy, in the form of ice, snow, the culmination of the four seasons through which every person – you and I – passes through this foolish life of ours. Or not? Of course. Winter Talk.

No repente, embora com data marcada, o verde fica amarelo, torna-se negro, enfim, chega à supremacia branca, na forma do gelo, da neve, o ápice das quatro estações pelas quais toda pessoa – eu e você – passamos por esta nossa tola vida toda. Ou não? Claro que sim. Conversa de Inverno.

O Verde na esperança da pessoa criança passa para o Amarelo do adolescente sonhador, sem notar já está no adulto Negro da batalha até chegamos – eu e você – ao Branco da senitude, dos cabelos aos pelos, bem assim, agora estamos no senil, no servil, não mais a mil no covil.

Inferno, sim, na forma de espirro na tua nuca no transporte, do colocar o monte de roupa para tirar tudo no metrô ou no bar, da saudade da grama verde do parque acolhendo teu corpo pelado ao sol, mas eu e você agora somos o branco que resvala suave do céu ao solo. O gelo.

Verdammt, ja, in Form von Niesen in den Nacken im Transport, dem Anziehen des Kleiderstapels, um in der U-Bahn oder an der Bar alles auszuziehen, der Sehnsucht nach dem grünen Gras im Park, das deinen nackten Körper in der Sonne willkommen heißt, aber du und ich sind jetzt das Weiß, das sanft vom Himmel auf den Boden gleitet. Die ice.

Now, in this infernal farewell, if for us Latins who, like goats, we are afraid of any splash, or phenomenal for the Germanic hermanos, they revel in the whiteness of the whole present within the reach of every child, young, adult and old, dog or not.

Na hora estamos – eu e você – de darmos um tempo por aqui, passarmos ao relento, ao descanso no repouso de um pouco do tanto retirado da memória do verde-amarelo-preto, até a chegada da Prima Vera na beleza do Outono sem contar o agito do Verão, Viram? Outros virão, sim.

Nun, in diesem höllischen Abschied, wenn wir Lateiner, die wir uns wie Ziegen vor jedem Spritzer fürchten, oder phänomenal für die germanischen Hermanos, schwelgen sie in der Weißheit der ganzen Gegenwart, die jedem Kind, jung, erwachsen und alt, Hund oder nicht, zugänglich ist.

Agora, nesta despedida infernal, se para nosotros latinos que, qual cabrito temos medo de qualquer respingo, ou então fenomenal para os hermanos germânicos, eles se esbaldam na brancura do todo presente ao alcance de cada criança, jovem, adulto e velho, cachorro ou não.

Portanto, nesta despedida para o repouso invernal, aqui em Berlim, capital do Império Germânico, comecemos pelas imagens de todas as pessoas nunca tolas mas andando à toa, tanto que deixam mensagem apócrifas na neve caída, agora gelo que recobre os carros parados.

Antes do repouso internético neste inverno nunca inferno, destaco a advertência de cada árvore, ela sabe passar do verde ao amarelo ao preto ao branco, tudo isto numa mesma vida, embora intercalada. Um grande viva a cada árvore que existe dentro de mim e de você.

Continuemos neste repouso recatado com a promessa de voltarmos junto com as flores da próxima Primavera, andando pelas mesmas letras de agora, revendo as mesmas pessoas árvores e caminhando juntos nesta longa estrada da Vida, quer dizer, rua ou avenida.

So you and I now say you and I, goodbye between now and next year, in another season, because in the meantime we are no longer here or there, but only there. Therefore, our …

On the way back. A great Axé.

Então – eu e você – agora dizemos – você e eu – um adeus daqui até o ano que vem, noutra estação, porque, enquanto isto, não estamos mais aqui, nem ali, mas unicamente por aí. Por isso, o nosso …

Inté a volta. Um grande Axé.

Więc ty i ja mówimy teraz ty i ja, żegnaj się od teraz do przyszłego roku, w innym sezonie, ponieważ w międzyczasie nie jesteśmy już ani tu, ani tam, ale tylko tam.


De Vagar à Noite em Berlim

Berlim é uma cidade acordada. Bares funcionam 24 horas por dia. Clubes abertos direto de sexta a segunda. Sempre tem gente na rua. Parece o Rio, Brasil, de antes. Hora de trabalho, menos para os que vivem na praia, no Rio, ou num bar, em Berlim. E o principal: músicos em ação por todos os lados-tipos-ritmos. Insisto. Berlim soa um som, não importa o tom. Seja no bar, no clube ou até mesmo no parque, sempre tem um. Então, vaguemos juntos, de noite, pela nossa Berlim que nós -“Madame & Polaco”- conhecemos desde antes da queda do Muro.

Berlin is an awake city. Bars are open 24 hours a day. There are always people on the street. It looks like Rio, Brazil, from before. Working hours, except for those who live on the beach in Rio or in a bar in Berlin.

Antes, a homenagem remota, porque ainda nos tempos do Muro de Berlim, a lembrança do David Bowie na cidade, em 1976, onde criou o álbum “Heroes”, a partir da visão de duas pessoas se beijando amorosamente encostados no Muro. Junto dele, nos dois anos e meio, o Iggy Pop. Esse, criou a melhor música dele, “The Passenger”, inspirada nas viagens, agora sem as drogas, que os dois faziam, quase anônimos, nos metrôs e trens da então Berlim Ocidental. Pronto. De volta aos músicos destes dias de Guerra, 2023, neste “De Vagar à Noite em Berlim”:

Before, the remote tribute, because still in the times of the Berlin Wall, the memory of David Bowie in the city, in 1976, where he created the album “Heroes”, from the vision of two people kissing lovingly leaning against the Wall. Together with him, for two and a half years, Iggy Pop:

Antes que Berlim escureça, quando fica melhor do que no claro do dia, vale a pena duas citações de músicos de rua, na forma do fotografado, enquanto vivido, nas ruas do bairro de Schonenberg, onde o Bowie viveu e o Kennedy falou que era um Berliner, sem saber que isto é a salsicha local. Bom. Primeiro, na festa na rua Akazien. No palco, no rock pesado, devidamente fardada, a banda da Polícia. Na platéia, primeiro plano, os dois tipo Skinhead. Depois, o músico que toda todo sábado, na Winterfeldplatz, na feira semanal.

Justin McConville

E o papo pro ar no vagar de noite em Berlim? E os bares? E os músicos que com o tempo se tornaram amigos desta dupla “Madame & Polaco”? Levou tempo até a gente saber os nomes verdadeiros, dar aquele abraço, principalmente no primeiro reencontro depois da Pandemia, esta relatada no nosso livro “A Berlim do Pandemônio”. Para efeito de complemento, segue o site, sempre com as primeiras 30 páginas grátis, lógico que no linguajar “portuga-brasílico-tupiniquim”

People. And the chatter in the air at night in Berlin? What about bars? And what about the musicians who over time became friends with this duo “Madame&Polaco”? It took time for us to know the real names, to give that hug, especially in the first reunion after the Pandemic, which is reported in our book “The Berlin of Pandemonium”.

A BERLIM DO PANDEMÔNIO, por EDUARDO MAMCASZ & CLEIDE DE OLIVEIRA – Clube de Autores

Ih. Cadê a pausa para a colocação do interrogativo? Vamos em frente. São muitas paradas, começando por um dos bares que ficam abertos 24 horas por dia, onde toda quinta-feira tem o encontro do pessoal do Blues & Rock, sempre até o último segundo da meia-noite. Estamos destacando, inclusive pelo direito à Reserviet, do nosso Bierhaus Urbaneck, na rua Urban com a Graefe:

There are many stops, starting with one of the bars that are open 24 hours a day, where every Thursday there is a meeting of the Blues & Rock people, always until the last second of midnight:

https://bierhausurban.de

Pois aí está na foto nossa primeira amizade musical criada aqui em Berlim, depois de muitos encontros por inúmeros locais cantados pela banda dele, a Happy Dog Brown. Estamos falando do #TimKutschfreund a quem seguimos onde quer que ele se apresente, seja na Kultur, em Lichetenfeld, ou nos seguintes bares noturno-musicais que valem a pena aqui logo serem citados.

https://sandmann-berlim.de

Outra parada muito especial é no velho Sandmann, perto do U Rathaus Neukolln, principalmente nas noitadas de blues de segunda-feira, uma novidade a cada vez, jamais premeditada pelo eterno Helmut, ele merece a foto ao cantar, todo mundo junto, a música Welcome, no encerramento obrigatório, por causa dos moradores vizinhos, sempre segundos antes do meio da noite.

Back to Wandering in the Berlin Night. We met another bar, this one on the side of Pankow, an audience still today of the working-class type of the late DDR – communist Germany. Com ele, passamos a conhecer muitos bons músicos que se apresentaram ao longo das últimas quatro décadas, sempre presente esta dupla “Madame&Polaco”. Estamos falando do “Speiches Rock & Blueskneipe”, na rua Raumer. Na foto, Carlos, from Moçambique-Berlim.

Carlos Delanane

Outro bar, este pelos lados de Steglitz, também aberto 24 horas por dia, com música ao vivo de vez em quando, é o Otto Schruppke, na rua Feurig, com gente bem diferente dos outros, mais locais. It’s the kind of the days of the Yankees who ruled this part of Berlin for more than 40 years. Our well-known musicians perform there from time to time.

Lógico que há muito mais bares com blues e rocks e jazz por esta Berlim sempre acordada. Tipo ainda por conhecer, como Yorchschloesschen, Terzo Mundo, Alt Stalker e tantos quantos. Os mais antigos, tipo Celtic Cottag, Acud, Soul Cat, Zosh e Zum Hecht. Outros meio escondidos, tipo o “Zum bohmischen Dor”, na rua Sander, onde é melhor chegar depois das dez da noite, principalmente nas noitadas musicais de quarta-feira. As fotos confirmam a presença do nosso amigo músico búlgaro, o Anto, ou Tonkata, ou sei lá o nome mesmo dele:

Anton Tonkata

Não podemos ainda esquecer do bar de música mais antigo, dos tempos dos americanos, na Bundesallee, desde os tempos dos norte-americanos, com música ao vivo todas as noites, sem cobrar ingresso, na maior. Quer dizer. Depois da Pandemia, acabou, fechou, finito. Ainda temos algumas fotos das antigas, agora que o Rickenbacker’s Music Inn virou um CD de lembranças:

Em compensação, temos descobertas novas, de outros tipos, mais locais, comportados, músicas de vez em quando, sem perder o espírito berlinense, tipo o “Rote Beete” (beterraba vermelha), na rua com uma decoração especial e cerveja checa de primeira no bem barato.

https://rotebeete.com

E os músicos que se tornaram amigos desta dupla “Madame & Polaco”? Before the first handshake – hug, in the Germanic style, takes even longer – Wir nannten sie beide, natürlich nur unter uns, mit Spitznamen wie Iuri, Ciganinho, Bráulio, Bonitona und so weiter. Na verdade, segue a lista, com a devida foto, dos mais próximos, hoje em dia, todos músicos amantes do blues, de forma amadora ou sonhadora do profissional do ramo, quem sabe uma noite dessas isto aconteça, tomada, vale o esforço deles e delas. São tantos e tantas. Entre eles e elas, Iuri, Angela, Carlos, Tom, Tim, Eva&Ed, Anto, Dimitri, Heinz, Andres, Lucas, Salah, Helmut, Leo, Kat, Julian, Kyria ..

Tob Chuey

Angela Cory

Ziska

Julian

Tom

Maria Eva & Ed Badelt

Kyra

Heinz Glass

Leo

Tim – Happy Dog Brown

Dimitry

Então, licença, tá. Continuemos, devagar, neste vagar pela noite de Berlim.

Tchau. Do widzenia. Bye. Auf Wiedersehen. Au revoir.

ATENÇÃO!

Todas as fotos são de minha autoria e podem ser usadas livremente.

All photos are for free use. If you want, put this:

Se for da sua vontade, pode citar assim:

Photo by Mamcasz


Perto de casa, aqui mesmo na quadra, tem três mercados. Um, mais caro, muito usado no cartão corporativo nos tempos de Lula-Dilma. Outro, tão caro, mas com produtos bons.  E, enfim, o mercado mais pobre, da turma das 400 – quem é de Brasília, sabe o que é isso. Bem no estilo carioca do subúrbio. Para mim, que já morei em Bonsucesso e na Tijuca, é o melhor dos três. É onde estamos agora.

Ao final das compras, na verdade quase nada, é mais pelo encontro, não tem mais sacola de plástico, cada qual com a sua bolsa debaixo do braço, na fila do caixa dos acima dos se senta – não, obrigado, senta você – chega o velho empregado que ajuda a embalar. Chega cantando, todo alegre. Cantando o que? Pois aqui começa a nossa prosa:

 

– Conheço esta música, meu amigo.

– É Cartola.

– Não.

Depois de várias jogadas, a fila da velhice, no mercado estilo subúrbio do Rio, afinal, os prédios de três andares, sem elevadores, nas 400, foram destinados aos empregados tipo ascensorista, faxineiro, contínuo e outros nobres obreiros que fizeram Brasília, mas sem direito a morar nos prédios das 100, 200 e 300 – todos com seis andares e oito elevadores, cada um.

– Bom, polaco, volte à prosa na fila dos velhos.

– Seguinte, gente. Ele está cantando uma música da Maria Bethânia.

Para que. Foi uma farra danada por parte dos velhos, senhoras e até duas senhoritas na fila porque são arrimo das avós presentes, alquebradas mas coerentes.

– Polaco sem vergonha. Conta outra.

– Posso falar?

– Um minuto!

– Nosso amigo aqui, auxiliar do mercado, gente fina, está cantando a música Loucura, do mestre gaúcho Lupicínio Rodrigues. A mesma música que eu estava ouvindo em casa, antes de escapar de Madame só para me encontrar com vocês aqui, e depois ali no botequim, pois então, a mesma música estava sendo cantada pela baiana Maria Bethânia.

Pronto. Recebo no ato o abraço da velhinha mais próxima, o sorriso da neta, e o reconhecimento do resto. A gerente, novinha, moreninha, a gracinha de nós velhos, só olhando, sorrindo, ela tem duas filhas pequenas, todos demos lembranças:

– Os tios não acham que está na hora de andar um pouco por aí?

– Sim, senhora!!!

 

No lado de fora, a conversa sobre Lupicínio Rodrigues continua, com a participação até do auxiliar do mercado, conhecido de todos, ajuda no carrinho até o apartamento das mais necessitadas e tudo. Pois todos trocamos informações, tais como:

1 – Discos completos só com músicas do mestre Lupicínio. Tem um da Adriana Calcanhoto, com 17 músicas. Outro com o Noite Ilustrada. Com Ayrton Montarroyos. Com o Roberto Menescal. A peça de teatro Vingança – o Musical, só com músicas do mestre dos pampas. Sem contar o disco Grandes Compositores – Lupicínio – Soft Orchestra.

– Chega, gente. Preciso ir.

– Ih. É mesmo.

– Tá com medo da Madame, Polaco? Volta …

– Ih. Esta música eu adoro na voz da Gal. Maior “Felicidade”, esta na voz do Caetano.

– Eu gosto da música do Lupicínio “Se acaso você chegasse”, na voz da Elza.

– Nervos de aço!

– Êpa, meu. Esta é do Paulinho da Viola.

– É o que você pensa, carioca vice de São Januário. Pois Nervos de Aço é do Lupicínio.

Foi assim. Até que cada velho, ou jovem senhora – somos educados – foi saindo, devagar, por suposto, mas todos cantando, cada qual a sua música predileta do grande Lupicínio.

Chego em casa, desta vez sem parar no boteco, mais do que atrasado, sabe como é…

– Estava onde, polaquinho?

– Agora não posso falar.

– Por causa de que?

– Alexia!!!

– Sim, meu polaco.

– Toque tudo do Lupicínio Rodrigues.

“Se acaso você chegasse no meu chateaux


Encontrasse aquela mulher que você gostou.


Será que tinha coragem de trocar nossa amizade


Por ela, que já lhe abandonou?”

– Alexia!!!

– Quié?

– Muda!!!

E Madame:

– Acho bom!

Em Brasília, 08h54m desde 01/02/23. Ah. Este post vai para meu amigo de Alegrete, o gaúcho escritor e viajante, o Marçal Alves Leite. Com o adendo, velho gremista:

– A penúltima faixa do disco “Loucura”, da Adriana Calcanhoto, só com músicas do Lupi, pois então, a penúltima é justamente o Hino do Grêmio, escrito justo pelo Lupicínio Rodrigues.

Até a pé nós iremos

Para o que der e vier

Mas o certo é que estaremos com o Grêmio

Onde ele estiver.”

Então tá, né.

Inté e Axé!!!


Já está nas bancas de jornais (?) nosso novo livro. A Berlim do Pandemônio também pode ser lida no formato e-book (?) nas principais distribuidoras, em todo o mundo. Ou encomendado para impressão. Assim, economizamos papel. Outra coisa: as trinta primeiras páginas podem ser lidas, totalmente de graça. Basta clicar no link (?) abaixo, do Clube de Autores. Que mais? A Sinopse do livro, a original, adiantamos aqui:

Um grito no pé da orelha

Nosso diário íntimo nesta Berlim do Pandemônio foi escrito pela dupla de risco Polaco & Madame, por termos mais de 70 anos de Ida, aliás, bem vivida.

Ele mostra o que acontece com a gente nos meses de março, abril e maio do ano do Rato, 2020, enquanto confinados em Berlim.

Continua nos meses de setembro, outubro e novembro do ano do Tigre, 2022, na mesma Berlim, agora na condição de libertos.

O espaço do tempo (junho de 2020 a setembro de 2022) passado em Brasília, totalmente presos, preferimos deixar no modo silencioso. De fato, ainda continuamos na  insegurança e inquietude em cima do infindo porvir cheio de pânico e incerto medo, certo?

 Justo Berlim porque é nosso pouso rotineiro nos últimos tempos, na verdade desde antes da queda do famoso Muro que dividiu, por mais de meio século, esta capital do Ano Zero, assim chamada por causa da quantidade de vezes históricas em que caiu de quatro, completamos agora, com a volta, na procura dos bares e amizades, algumas desfeitas na insistência do Pandemônio.

O reencontro, depois de dois anos passados reclusos, em Brasília, dos amigos nos mesmos bares que ficaram fechados por quase 800 dias,  em Berlim, isto não tem preço, e  isto procuramos descrever exatamente como aconteceu, repassado no mesmo dia ao manuscrito, aqui para esta Berlim do Pandemônio.

Que esta nova leitura sirva de comparo de comportamento na batalha adotado pelos arianos, lá, e por nós, ladinos, cá. Eduardo Mamcasz & Cleide de Oliveira, somos sobreviventes em união instável desde 1980. Já passamos por mil e um riscos. Alguns exemplos:

1 – No começo do namoro, há mais de 40 anos,  despencamos de carro na cachoeira do rio das Almas, interior de Goiás, numa madrugada de lua cheia. Sim.

2 – Quando explode a usina nuclear de Chernobyl, esta dupla de risco estava a poucos quilômetros da fumaça que se espalhava pela Europa Ocidental.

3 – No então lento trem, de longa distância, no interior da China, compartilhando os beliches no imenso vagão, éramos os únicos brancos, justo no dia em que  o piloto do avião espião ianque derruba o avião chinês, e por isso o agente comunista nos confunde, exigindo uma forma de contar rápido, para os demais passageiros, que somos brasileiros. Aí, mudou.

4 – A pé, meia noite, na travessia da ponte fronteiriça entre a Guatemala – chegamos de ônibus – e o México,  passamos pelos guardas ávidos por uns dólares, até pegarmos o lotação lotado para o centro da cidade indescritível.

 5 – Passamos sete meses longe de Brasília, no vagar sem destino, Do Alasca a Jerusalém – rendeu uma série de livros – pena que o tempo voa rápido, sempre no sentido da volta.

6 – No rio Ganges, na Índia, na mesma canoa, vemos o guia beber a água com as mãos, enquanto um cadáver, amarrado nos bambus da derradeira jangada, sem condições de pagar a cremação, passa por entre nossos dedos incrédulos na mente.

7 – Lógico que contamos com momentos incríveis na lembrança, tal comer poeira, de carro, no interior do Alasca ou, na então Leningrado, Rússia, dezembro, andar a pé por cima da água do mar, por conta dos 20 graus Celsius negativos.

Então, siga o nosso relato, por vezes mórbido e cruento, desses Dias de Ira em que relatamos a nossa insegurança e inquietude do por vir.

No ano do Rato, 2020, fomos a Berlim em março e voltamos a Brasília em junho, fazendo tudo na hora errada, até porque voltamos do Piso, lá, ao Pico, aqui.

No ano do Tigre, 2022, voltamos para Berlim, na fase de liberação coletiva, depois de dois anos, parecidos com séculos, morrendo de medo de sermos dois entre os quase 700 mil mortos pela Covid no Brasil.

Boa leitura a todos os nós confinados, ditos libertos, que enfrentamos o mesmo vírus lazarento, morfético, filho da puta, dito no início nascido dos morcegos lá na China,  e que na verdade matou, de verdade, milhões ao redor do mundo. Pior. Ainda continua matando, mas sem a mesma intensidade. É o que todos esperamos, mas sem uma certeza total.

Portanto, nós somos uns privilegiados e temos direito ao grito retido desde dezembro de 2019, hoje explodido:

– E S T A M O S V I V O S ! ! !

Pois agora, se quiser ler as primeiras trinta páginas do livro A Berlim do Pandemônio, de graça, ou encomendar o mesmo, modelo e-book, ou mesmo impresso, clique abaixo:

https://clubedeautores.com.br/livro/a-berlim-do-pandemonio


Em 2020, Ano do Rato, ficamos presos em Berlim, no pique da Corona-China. Voltamos para o Brasil num vôo de emergência. Agora, 2022, Ano do Tigre, estamos de volta. Berlim continua a mesma? Não. Tem mais gente dormindo na rua. Por isso o título: DO INFERNO AO INVERNO EM BERLIM. VERÃO. Então nos siga nesta continuação do nosso livro “Diário Pandemônico – Berlim Ano Zero.”

Pandemie-Tagebuch – Berlin Jahr Null.

Im Jahr 2020, dem Jahr der Ratte, waren wir in Berlin gefangen, im Hecht von Corona-China. Wir kehrten mit einem Notflug nach Brasilien zurück. Jetzt, 2022, Jahr des Tigers, sind wir zurück. Ist Berlin immer noch dasselbe? Nein. Es gibt mehr Menschen, die auf der Straße schlafen. Also der Titel: FROM HELL TO WINTER IN BERLIN. Dann folgen Sie uns in dieser Fortsetzung unseres Buches “Pandemie-Tagebuch – Berlin Jahr Null”.

From Hell (Inferno) to Winter (Inverno) in Berlim.

In 2020, Year of the Rat, we were trapped in Berlin, in the pike of Corona-China. We returned to Brazil on an emergency flight. Now, 2022, Year of the Tiger, we’re back. Is Berlin still the same? No. There are more people sleeping on the street. So the title: FROM HELL TO WINTER IN BERLIN. SUMMER. Then follow us in this continuation of our book “Pandemic Diary – Berlin Year Zero.”

Velho polaco baiano, estou agora de novo em Berlim (2022 – Ano do Tigre). Primeiro Mundo? Mais ou Menos. More or Not. (+ or -). Ôxe. Traduza-me, Gúgui. pro Alemão, tá? Volto acá depois de dois anos. Na última, saio abatido (2020 – Ano do Rato), depois de três meses preso no pico da então “Coronachina do Morcego”. No ora, cada reencontro é um abraço caloroso. Coisa rara no espírito germânico. Você? Vivo? Ya! Sim! Yes! Nossa! Uau! Outro abraço. Quem diria.

Mas tem as ausências, tipo a “Bonitona”, o “ Mãozinha”, ainda bem que ontem, no Sandman, encontro a “Russinha”, no antes bela na guitarra do rock e hoje cadente. Pergunto: E aí? E ela: sabe como é. E eu: Não pense no hoje. Espere o Amanhã. To morrow. Não morre. E completo: Posso te abraçar? Ela praticamente desmaia em meu abraço. Ao lado, o “Ciganinho”, dez anos em Berlim, vindo do interior, do lado ocidental, nos olha. Ele ressurge aos poucos. Prepara novo disco. Para quando? Ano que vem, 2023, no Verão. Agora, Inverno. E eu: Inferno. E ele: Posso usar isto no próximo disco que estamos preparando? Lógico. Dank. Imagina, meu. Mas usar o que meu caro Tim K?

DO INFERNO AO INVERNO EM BERLIM. VERÃO!

Gente. People. Cara. Mina. O que eu quero, mas não começo, na dúvida, a falar aqui, agora, não é nada disto, mas o que acontece na saída do Sandman, noitada de toda segunda, aliás, quando a gente ressuscita, na chegada, dois anos purgando o fechamento, filho do dono, no balcão, só falta largar tudo e vir nos abraçar.

– Vocês? Vivos?

– And you???

Quando o pai dele chega, o Helmut, fala no ouvido:

– Vai lá e abraça este casal brasileiro de volta.

– Vivo?

Ora. Revividos. Por pelo menos mais três meses. A prima cerva é por nossa conta. O preço subiu. Sabe como é. A Corona. Outro abraço. E a vida continua. Nós, na mesma mesa de antes. Mas o que eu quero mesmo falar aqui neste reblogado é o seguinte:

Estamos de saída, rua escura, perto do meio da noite, Neukolln, bairro tido turco, a caminho do metrô, linha não considerada segura, por conta dos usuários, nem todos migrados, verdade se diga. Após o tapume da obra, no quase escuro, escadaria abaixo, frio medido na garganta, encontro-me com na re-volta, ao contrário, pois no antes, acá em Berlim, sempre me entendi com as crianças. Agora, entendido estou com as velhas sobrevividas. Pois este é o fato. Volto pois ao início do dito deste Ano do Tigre (2022), nem tanto, ainda não redimido do Ano do Rato (2020). Pois recito o havido nesta meia-noite acá em Berlim dos sempre quase Mil e Um Anos:

Na descida da escada, no meio de jovens pseudo-hippies-nerds-punks-etc&tais, ladeio-me a uma senhora, velha, decaída, sim, mendiga da noite e da rua. Ela tenta cada degrau abaixo, apoiada no carrinho cheio de coisas catadas no lixo, viu, Berlim não é Primeiro Mundo. Lógico que eu estaco, encosto, olho nos olhos, ofereço ajuda para a descida da velha mendiga alemã, ela, lógico, não entende meu brasileiro nem eu o germânico dela. Quer dizer. Na hora, em dois gestos, tudo fica claro. A mendiga alemã (no gestual):

– Pode deixar, polaquinho. Eu consigo descer sozinha. Obrigada, tá.

E eu, polaco baiano:

– Tudo bem, mina. Pense no Amanhã. Não no Ontem, muito menos no Hoje. To Morrow.

Eu fui. Ela veio, bem no lentamente. Lá na frente, na espera do metrô, mais demorado no começo da madrugada gria, eu sentado ao lado da Ma Dame, a quem conto o Corrido, de repente passa pela gente a Querida Velha Mendiga Alemã. Ao lado dela, o carrinho com os achados no lixo, que também serve de muleta. Pois agora confesso a minha emoção nesta volta a Berlim, depois de dois anos daqui saído no Pique da Covid.

Concluo:

Ao passar por mim, agora sentado, a Velha Senhora Mendiga Alemã, aqui em Berlim, 2022, Ano do Tigre, pós Pandemia, ela elegantemente me faz um sinal, com a mão direita, livre da bengala, que entendo de imediato como de Amizade, Agradecimento, Reconhecimento, sei lá o que mais. Nobre, a velha senhora mendiga berlinense alemã se volta para mim e sussurra:

  • Cuide bem de Madame porque aqui é muito perigososo para gente de bem que nem você.

O turco, o indiano, a ucraína, o sírio, o africano e os representantes das 190 nacionalidades perambulante em Berlim, eles continuam indiferentes, bem germânicos. Postados ao longo da estação, eles não percebem. Ou fingem. Eu só sei de uma coisa. Nesta noite, ela, a velha senhora moradora de rua neste Inferno de Berlim, com certeza, vai dormir sonhando comigo. Espero que minha ação a aqueça de alguma forma. Porque está frio. No Corpo e na Alma.

Inté e Axé. Tschuss, né.


Re-volta Voadora Final em

Quatro Atos Pandemônicos

Março / Abril / Maio

Ano Fatídico de 2020

Eis que me aproximo do final de que mesmo não tenho a menor idéia. Em março deste fatídico 2020, três dias depois da chegada da dupla de risco Polaco & Madame em Berlim, é decretada a situação da Calamidade Pública Mundial – Pandemia. O que parecia uma quarentena de 14 dias na verdade ainda não tem prazo para a luz reaparecer na saída deste túnel que deixa de quatro poderosos, em crescimento e principalmente os mais pobres. Por isso, a principal recomendação se transforma na piada mais sarcástica impossível:

Estamos todos no mesmo barco

1 barquinho

Não, pessoa. Uns estão na jangada. Outros no iate. Muitos na canoa furada. Classe média isolada. Classe médica no sufoco. Pior ainda a situação dos serviçais lixeiros, bombeiros, motoqueiros, baderneiros, brasileiros. Aliás, adianto meu primeiro contato nesta revolta à Pátria que me Pariu, depois de uma insólita viagem intercontinental que perdura 36 horas. Na portaria do prédio onde coabito em Brasília, bairro classe B, ao pegar as chaves e as correspondências, ouço a seguinte recomendação da gentil porteira:

– Fique em casa, seu Mamcasz.

– Você tão bem, menina.

-EU NÃO POSSO!

Pois levo a primeira porrada nesta re-volta à Terra Brasilis. A viagem começa no despertar às seis da manhã na casa em Berlim. Às dez, avião levanta vôo no Aeroporto de Tegel, que está sendo fechado de vez. Aliás, o embarque é feito no Terminal C, numa espécie de terreno baldio, tal a situação de presente desolação.

Na prima parada desta re-volta, no aeroporto de Frankfurt, a São Paulo da Alemanha, o contato esquecido com a turba brasileira, manifestada pela forma inconsequente de agir sem respeitar a distância e, o pior de tudo, uns dez sem a máscara de uso obrigatório nas dez horas de espera em antevisão do vir.

2 frankfurt

Na sequência, a manada tupiniquim a um espirro do estouro, o embarque interrompido por diversas vezes para relembrar que a chamada era por grupo escrito no bilhete individual, até que o 777 da Latam alça vôo para onde mesmo?

Nas três primeiras horas da re-volta voadora é servido aos passageiros do infortúnio apenas uma garrafinha de água mineral e um página de papel para ser preenchida â mão para quem desembarcar na espinhosa Madrid.

Espanha por causa de que?

Eu comprei Sampa, cara.

O pouso da Latam em solo espanhol foi o mais fantasmagórico por que já passei nesta minha vida ambulante, acontecido perto da meia noite, as luzes internas apagadas, um aviso rápido de estamos descendo, de repente o baque no solo, a corrida, o freio, stop.

– Atenção para quem fica aqui em Madrid. O desembarque é somente pela porta traseira. Os restantes passem para seus novos lugares.

Nos 90 minutos em que ficamos a bordo, os seguidores da re-volta voadora, a desorganização latâmica chega o auge quando descobrimos que, a partir dali, até São Paulo, os assentos são outros, mais para a traseira do avião. Isso mesmo.

Não fica por aqui, não. A novela vampiresca da re-volta pela Latam continua. Ao descobrir os novos assentos na traseira do avião, no pico desta Coronavirus, encontramos tudo sujo, deixado assim por espanholados saídos.

Resultado. Garrafas usadas, guardanapos sujos, papéis riscados, ou seja, sujeira mental e física dos ditos passageiros é jogada no corredor do avião e, pior ainda, lá resta porque o pessoal da limpeza era mais sujo do que tudo.

– Aeromoça!

De quem é esta máscara usada aqui no meu asssento?

3 mascara

Resultado. Gastamos a nossa provisão de álcool gel para limpar cada centímetro possível do espaço que seria compartilhado nas próximas 10 horas até porque desembarcar não é possível e muito menos desejado nessas alturas.

A re-volta voadora continua

Finalmente, depois do longo desconfortável vôo noturno, o pouso em Guarulhos, pertinho da capital do poderoso, em número de mortos e contaminados, São Paulo. A passagem tranquila pela Polícia Federal.

Nada de parada na Receita Federal. Muito menos na vistoria alimentícia da Agricultura. O principal: ninguém para fazer o teste da pressão, da febre, enfim, pelo menos perguntar peloss sintomas presentes.

Tudo normal. Estamos de volta à Pátria que nos Pariu. Ah. Não se distancie porque a viagem não termina aqui não. Tem mais. A sequência final, uma hora a mais, até a capital desta Terra Brasilis, ainda vai acontecer.

Para tanto, esperemos outras seis horas num ambiente desolador, vazio, com gente sem noção, atestado solenemente pelo balde de lixo, a água pingada do teto e a placa de advertência pandemônica ao incauto:

Cuidado

Piso escorregadio

Goteira

4 placa

Pronto. São exatas 36 horas contadas desde o despertar em Berlim até o abrir as portas de casa em Brasília. Com direito a doses de desconfiança e desconforto e, ao final, um agradecimento sincero aos céus que nos acudam.

No normal, o retorno pela TAP teria durado apenas 14 horas, via Lisboa, direto para Brasília, transforma-se n um voucher que, se usado, terá valor insignificante, isto se a empresa aérea continuar rodando até sei lá quando.

Brasília teu cenário

era uma beleza

que se foi

A exemplo de toda boa novela, esta nossa aventura arriscada, por suposto, mas controlada na medida do imposto possível, termina bem, graças a quem, não sei, só sei que ainda há dias de tensão na atenção dos sintomas típicos.

Na chegada ao aeroporto JK, Brasília, o velho amigo nos aguarda, que nem sempre, com o nosso carro todo cheiroso, ausentes desta vez os abraços e até mesmo a carona até a empresa onde 85 colegas dele estão despedidos.

Ainda no espírito da novela que acaba bem, mas não para todos, passamos, no caminho, Asa Sul, bairro classe B, no supermercado idem, nome afrancesado, para as provisões primeiras desta necessária reclusão por 14 dias.

5 compras

Verdade se diga que o não acontecido na longa revoada para casa, na entrada do mercado, a simpática atendente mede nossa temperatura com o devido aparelho higienizado, que nem os carrinhos o foram, tudo nos 34 normais.

À frente da gente, um senhor idoso se demora na conversa com a moça do mercado medidora da temperatura alheia e, na nossa vez, ela comenta:

– Ele vem aqui toda manhã medir a temperatura do corpo dele porque diz que continua com medo porque há pouco tempo foi operado do coração. Na verdade, ele está bem e acho que está precisando mesmo é de conversar.

Na sequência, com as necessidades anotadas no caderno, fomos ao enchimmento dos dois carrinhos de compra, seguindo o caminho apontado pelas faixas novas no chão limpo e detedizado, os funcionários com máscaras e luvas.

Primeira impressão, quer dizer, segunda, porque a primeira mesmo foi sentir uma cidade fantasma no caminho do aeroporto até o final da Asa Sul, pelo Eixão, que saudades destes termos, então vamos à segunda evidência.

No mercado, começo da manhã, muito do vazio, noto a presença de duplas que constato serem funcionários de empresas novatas de entrega de mercadorias em casa, eles notadamente desconhecedores de certos produtos grã-finos.

– Caraca. Você viu só o preço desta peça de presunto da Espanha? Conhece?

– Véi. Presunto eu só conheço meu tio que morreu anteontem desta Coroa.

– E este pedido aqui?

– Nunca comi.

Na continuidade das nossas compras antes de chegar de vez em casa para o confinamento possível. No pedaço destinado aos legumese e às frutas tropicais, recolho o limão verde para a caipirinha que vai ter feijoada, por isso as laranjas.

– Éca. Isto só pode ser o tal do virus sinótico. Que coisa.

– Que foi, Polaco?

No meio das laranjas amarelas aparentemente sadias encontro algumas visivelmente atacadas e derrubadas pelo mais nojento e embolorado mofo. Pego, com cuidado, meia dúzia das piores, coloca em cima das uvas, e fotografo.

6 limao

Enfim, home sweet hoje, amanhã e até sei lá quando tenho a impressão que a coisa está estourando tal qual o previsto pelo idealizador desta Guerra Fria que sai de dentro de casa, pula para a mente doentia e invade as ruas para o que der e vier.

Adendo final:

Primo, o agradecimento permanente a todas as pessoas queridas que nos desejam uma boa ida de Berlim, uma boa chegada em Brasília, enfim, com sinceros pedidos de cuidados que continuam necessários e, com certeza, dúvidas a respeito desta re-volta num momento tão delicado para o povo brasileiro como um todo.

Adendo final:

A partir de agora entro em Quinzena de Silêncio.

Cumpro promessa feita à protetora dos polacos, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Matka Boska Częstochowsca – Mãe Preta de Częstochowsca.

Obrigado por ter trazido esta dupla de risco  de volta a esta Pátria que nos Pariu.

Continuamos sub tuum praesidium – sob tua proteção.

Entro agora no Silêncio.

Amém.

matka boska

 


Fase pós-pandemônica (13)

Em 24/05/2020

Quase fim

Do mim?

nytimes1

Domingo aqui em Berlim, amanhecer nublado, pingos convincentes de chuva, contagem dos cinco dias finais para o retorno ao atual pico mundial deste sino-virótico-pandemônico demônio, ou seja, minha Terra Brasilis.

Pois acordo tranquilo porque, no aparente, confirmado o vôo Berlim-Frankfurt, na quinta, 28, pela Lufthansa e depois, idem und ibidem, pela Latam, de Frankfurt até Guarulhos e depois até Brasília, a capital da Esperança (!?). TAP kaput.

Eis que adendo no meio internético, wifi esperta, e me caio de novo no real do que não devo jamais me afastar, não mais aquele receio de sempre no ontem – será que o avião vai cair – agora, sim – será que eu vou morrer?

Enquanto nós coleguinhas da dita imprensa exaltamos nas manchetes tupiniquins o número de palavrões ditos em voz alta, minha atenção é ativada para um merecedor de prêmio mundial de comunicação ativa. Existe?

Falo, desculpe, parlo da manchete deste domingo (24/maio/2020) do jornal gringo New York Times, um primor, se me permite um comentário deste repórter desde o longínquo dia 07/07/1977, atesta meu registro na ABI.

Primo, a manchete do NYT, ainda que prefira a sub-manchete e já o digo a causa, ó nobre editor da prima página que, na banca carioca de jornais levaria a imensas discussões mais imediatas do que este futuro Wifi.

Adianto que no Brasil tivemos primeiro as primordiais manchetes do Jornal da Tarde, estive no último ano de O Jornal, do Rio, e depois nas magníficas sacadas no botequim no meio do mato do Correio Braziliense. Lembra?

Antes que me derrame nas lembranças dos mancheteiros brasukas que se foram deste Planeta Terra, nem deveriam mesmo ter continado, menos eu que morro de medo mas não do fato, vamos já à pré- premiada manchete do NYT:

U.S DEATHS NEAR 100,000, AN INCALCULABLE LOSS

(Mortes pelo coronavirus chegam aos 100 mil – uma perda incalculável)

Antes, adendo que sou mais a sub-manchete, parecendo insignificante, na prima e já premiada página frontal do jornalão ianque New York Times que “apenas” coloca os nomes dos MORTOS-FALECIDOS-IDOS-PASSADOS:

OS MORTOS PELO CORONAVIRUS

NÃO SÃO APENAS NOMES NUMA LISTA.

ELES SOMOS NÓS.

Com licença. Não aguento. Puta que pariu, viu?

Antes da foto, repriso o que já de manhã aqui em Berlim, quiçá quase igual em Nova Iorque, ainda madrugada no Brasil com as manchetes dos jornais tupiniquins repetindo as cenas porno-realísticas tipo “boquinha” na garrafa.

Junto à foto do NYT que aqui repito, na minha página do Facebook coloco o seguinte texto representativo da minha depressão, por que não?

Os mortos pelo CoronaVirus são NOMES. Chega de NÚMEROS. Estatísticas. Projeções. Picos e achatamentos. Foram vidas. Fora virus. Ide. Viu. Sem palavrão.

Agora, apague tudo o que acabo de escrever. Fique apenas com a sub-manchete deste domingo, 24/maio/2020, do jornal New York Times. Traduzo mas acho ela que devia de fato ser a Big Manchete:

OS MORTOS PELO CORONAVIRUS

NÃO SÃO NOMES NUMA LISTA.

ELES SOMOS NÓS.

Então adendo:

FOMOS.

Inté!

nytimes


Berlim Ano Zero – Diário da Pandemia

Fase virótica pós-pandemônica (11)

 

Não que Eu – POLACO, CONFESSE!!! – seja chegado. Aliás, juro que nunca o fui, jamais, never nem ever, em absoluto. Quer dizer. Cherei, cheirei, xeirei, ser rei, ser gay, sei, que seja, não fui. Mais. Sempre tem um mas.

Acho-me nesta fase dita pós-pandemônica-virótica-sino, sim, sei que ainda não posso comemorar nem abraçar apertado a mina no pós-cruzar de olhares pseudo-fortuitos, com força, com brio polônico, ao realçar suspeito.

Estamos – Polaco & Madame, a dupla de risco – “Aqui em Berlim”, neste maldito trimestre com a coleira, desculpe, pulseira, não, tornozeleira mental a bisbilhotar cada sonho, remorso, enduvidada situação e tal.

Sorry. Preciso de um gole. De água? Não. Aqui, ela é muito calcárea. Estamos tão perto da vodka. Ai que saudades da minha avó polaca. Com raiz forte. Ah. Sorry por causa do quê? É que os sinos da igreja estão tocando. Sério.

morte

– Eduardinho!

– Quié, vó Sofia?

– Menino, você está tão estranho. E que coisas são essas com as folhas tão esquisitas que, só de olhar, está me dando uma zonzeira, doideira. Fale!!!

– Falar o que, vó polaca?

– Sei lá. Nem estava te escutando mesmo.

Mesmo assim, falo. Calo. Exalo. .

Eduardinho. É falo de falar ou falo deste teu negócio ainda tão pequeno?

– Vó. A mãe está aí por perto neste céu?

– Não. Está passeando com um anjo. Você conhece bem a Lola.

Então, falo agora. Estou aqui em Berlim, com Madame ao lado, no jeito de me olhar muito do parecido com o da avó, durona mas alegre, exigente em tudo, por isso mesmo eu nunca posso me descuidar. Mas agora eu falo o que sinto. Falo.

– O que?

– Nada!!!

Conta tudo!!!

– Para falar a verdade, vó da parte de mãe, EU POLACO CONFESSO que só dei uns golinhos, mas não traguei não.

Acontece que estou vendo aqui de cima você cercado de garrafas de vodka – me dê um gole – cervejas – outro gole – suco sei lá de que – não quero – mais uns biscoitos – de chocolate, é Eduardinho, não parece não. Me passe uns com estes galhos verdes esquisitos. Que folha é esta, meu neto? E você, está esquisito assim por causa de que mesmo? Falando enrolado. Ainda que você desde criança só o cachorro entendia o que você estava falando. Mas hoje você está mais esquisito, menino.

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– Vó. EU POLACO CONFESSO. Comecei pela tal Cannabis, de quem nunca ouvi falar dela processada com Absinto. Ms não tô sentindo nada. Até agora.

Mas já sentiu.

– O que, vozinha.

– Vozinha uma ova, Eduardinho. E fale que nem polaco. Que vozinha mais fraca.

– Falo.

– Pare com esta sacanagem, meu netinho. Você vai ser padre um dia. Continue.

– Depois, dei um beijão de boca na Maria Joana e tomamos juntos um gole da Vodka. Mesma coisa. Sentindo nada. Daí, a mesma folha verde no vinho. Nadinha.

Eduardinho!

– Quié, vozinha Sofia.

– Pois eu bebi uns goles deste negócio que você me passou e estou sentindo uma porção de coisas, sim, menino.

– O que, vozinha?

– Não vou te falar. Você está muito menino para isso. Me passe outro biscoito de chocolate. Mas que gosto diferente, né? Que mais?

– Quero.

– Eu falei “que” e não “quer”.

– O que?

– Eduardinho. Você esta me deixando doidona.

– Maluca.

– Eduardinho meu netinho polaquinho queridinho. Maluca eu?

– Eu que não, vozinha, mas lembra quando a senhora só para me sacanear, antes de oferecer aquele prato gostoso, sempre fui guloso, me perguntava antes.

– O que?

– Eduardinho. Antes de pegar este prato me responda antes.

– O que, vó.

– Caso você estivesse morrendo de fome, morrendo mesmo, não de virus que ainda vai chegar um dia, mas caso você estivesse morrendo, mesmo, de fome, e tivesse que escolher uma dessas três comidas, qual você ia escolher?

– Quais?

– Ranho, cuspe ou bosta?

– Ai, vó, vou vomitar.

– É. Mas você sempre escolhia uma para não perder a gostosura da vovó.

– Qual.

– Falo.

– Não, vó. Agora, não. Tem gente abelhuda escutando nossa conversa.

fachada fechada predio berlim

Polaquinho me conte mais uma história daí em Berlim, pensa que não estou cuidando de vocês aqui de cima?

– Então eu … falo!

– Polaquinho. Assim não vai ser padre. Vai virar jornalista. Vai sim.

Vó. Fomos noutro dia, fugindo da prisão domiciliar pandemônica, no Rokão Pesadão do Cross Club. Uma fumaceira que Madame quase chama os bombeiros. E eu:

– Florzinha. Fica na sua. Na muda. De boa.

E Madame ficou, meu netinho?

– Nada, vozinha. Ela é que nem a senhora. Só faz o que ela quer. E não deixa fazer o que eu quero.

– Está muito certa a Cleide. Chama ela.

– Não chamo.

– Chama. Olha que eu falo.

– Deixa que eu falo com meu falo, vó.

Enfiim, fim da prosa serena e amena entre um netinho e a vozinha nestes tempos de solitária Pandemia Virótica.

– Eduardinho. Não me engane. Você não confessou porra nenhuma. Fale!!!

Falo. Eu de fato bebi tudo mas não traguei nada.

– Que mais, meu netinho que não vai ser padre um dia. Não vai mesmo.

– Não tô sentindo nada mesmo, vozinha.

– Nem eu, netinho.

morte01

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