Literatura



                           Estava eu, em novembro do ano passado, 2009,  por um noves fora,  nada, pela Rádio Nacional, em Salvador, na minha querida Bahia, eu e mais uns trinta colegas da EBC, num tal dum Congresso sei lá do que de um Controle Público. Foi bom … Rio Vermelho …Pousada Catharina … uma tia-mina com o Cartão Corporativo … e tal …. né?

                          Blá… blá… blá… blá… blá… blá… blá… blá… blá…

                          Pois então … no final … no último dia, sexta, pinta o escândalo do DF … Arruda … lá em novembro de 2009 … daí, corro pro Jorge Hage … CGU … tava lá … pois  Zé … aliás, no sábado, dia seguinte, embarcando, sozinhos,  batemos um papo, no mesmo aviao, cade a porra  da  minhoquinha em cima desta letra … lepitópi contrabandeado, mas do legítimo … fazê o quê, falando que nem petê  …

                          Continuando … me distrai com esta foto com a bonitona que é do Ministério Público, procuradora, sei lá … tesão… tesão… tesão … diria não eu (será?) mas, com certeza, o Raul Seixas, pois ele que seja processado, não eu, por este justificado tesäo – será que eu teria o prazer de por ela ser preso? ai quem me dera…

         

                              E né que hoje, dia 25 de fevereiro de 2010, tantos tentos repassados, a grande CGU anuncia, cá dos píncaros do Planalto Central,  este   seguinte (novembro-dezembro-janeiro-fevereiro-quase águas de março:

                             “Investigação da Controladoria Geral da União encontrou irregularidades na aplicação do dinheiro repassado para obras no Distrito Federal.

                              Muitas das obras de Brasília são feitas com verbas federais.

                              O novo trecho do Metrô, por exemplo, tem dinheiro do Ministério dos Transportes –R$ 40 milhões.

                               Na ponta do lápis, segundo o relatório, o serviço ficou 125% mais caro, um prejuízo de quase R$ 12 milhões. “

                            Moral do papo:

                            1 – Será que ainda posso ter esperança com essa procuradora-geral-gostosona?

                             2 – Será que a CGU poderia ser um pouquinho, só, mais devagar do que a tal da tartaruga?

                             3 – Será que só eu sou ZONZO aqui em Brasília?

                             4 – Enfim, Ibiapina, neste caso, posso falar uma palavrona????

                             Então, me desculpe, minha cara ex-estagiária, mas tenho que gritar:

                            – PORRAAAAAAAAAA………!!!!!!!!


                        Pois Zé… estava eu cá, sob o céu de Brasília, na múltipla escolha de ser governado por um preso ou vendedor de picolé ou cabo da PM do PT ou interventor, na manhã deste domingo, sol de calango, e só mexendo nos meus “ cebolões ” .

                        Pois Zé… daí peguei minha Vitrola (?), 45 rotações, na ponta da agulha, no sovaco o pano de feltro, bem limpo e começo logo a faina:

                       Entrei no Banquete dos Mendigos, do Macalé. Bebi a Gota d’água, da Simone. Babei no What a Wonderfull (naquele tempo) World, do Armstrong.

                      Pois Zé… daí escuto as primas ordens, sempre mui severas, de dona Florzinha.

                     – JOGUE FORA TUDO ISSO E AGORA !!!

                    Antes, na enrolação do meio de campo, estendi-me no coçar minhas melecas e melenas e associar meus cebolões aos meus velhos amigos e novas amigas… sem ofensa, mas sabe como é que é. Domingo de manhã, Brasília, solzinho de calango, caipirinha, carne de sol ao forno, dessalgada no leite ao coentro…

                     Pois Zé … daí, mexi num 33 rotações… tá certo, não é do seu tempo. Que nem a fita da máquina de escrever. Muito menos o papel carbono. Estêncil? Mimeógrafo? Mama’s and Papa’s?

                   Pois Zé … e dona Florzinha, sempre mui digna:

                  – JÁ FALEI PRÁ JOGAR FORA ESSES SEUS “CEBOLÕES”  E AGORA !!!

                   E eu, mui firme, como sempre, só no enrolando (?) :

                  – Não largo meus velhos amigos e minhas novas amigas de jeito nenhum.

                  Pois Zé …  daí,  ouça se  tenho razão que a própria razão desconhece:

                 Jimi, os Pretenders, os Comodores, os Five Jack, os Pigs on the Wing – qué isso, Zé – coisas do Pink. Quem? O Floyd.

                 Mexi ainda no Simon, abraçadinho ao Garfunkel. E com o Pelvis in the Ghetto. E cantei na surdina, enquanto coçava meus “ cebolões” :

                – It’s now ,or never, kiss me, my darling, tomorrow não vou tá a fim…

                 Pois Zé .. daí, pulei pros Titãs ( Jesus não tem dentes no País dos Banguelas). Porra, que porrada. O Arnaldo Antunes ainda era um nem- neim. 

                 Peloamôdideus, genti… Escreva prá dona Florzinha prá ela não me obrigar a uma mau-dade dessa. Eu ter que me livrar dos meus Bolachões é o mesmo que me livrar deste mundo. Enterrar The dark side of the moon, do Pink, nem que fróid. Rita Pavone cantando, em alemão, komm doch wieder mal nach rom (???)

                E o Cat.

                 – Qual?

                 – O Stevens. Cantando The Wind.

                   – JOGA LOGO FORA TUDO ISSO E AGORA !!!

                  E a Tina, Let’s stay together, aí é briga, na certa, São dois prá lá, um prá cá, dona Pimentinha Regina.

                 E o Neil Young? quando conheci a Florzinha, naquela cama de viúva, altos drinks e, na vitrola rolava  o California Sunset…

                 – Pois Zé …

                 – É o que?

                 – Nada, não …

                 Parti pro diálogo, grupo de trabalho, coisa e tal, que nem na rádio petista-ongueira-estatal e tal.

                 Joguei fora o Crosby, o Stills, o Nash, e até o Young. Sem contar o Deep Purple,o New Order, o Zeppelin, os Street Rats, James Brown, The Animals, The Who, Nina Simone, Barry White, Colosseun, Jack Bruce, Billy Paul, Ginger Baker, Stevie Wonder, John and Vangelis,a trilha sonoroa do Sunshine, Frank Zappa, Otis Redding, Carole King, James Taylor…

                Abri mão da Dionne Warwick – menos da faixa A-4, Hey Jude, de jeito nenhum.

                Ray Charles, tudo bem, menos o I can’t stop of loving you… mas não tem diálogo no caso do disco do Dancin’days, lado B, faixa 1 – Macho, Macho Man, Village People, não tô certo, seu Zé?

                  Digo o mesmo com o disco do Santana, 1971, Disco é Cultura, Columbia, lado 1- a Batuka.

                  Tem ainda o lado 2-A – Richie Havens, A Little Help from my friends, se for com o Joe Cooker, então, é briga mesmo.

                  Com o cebolão Let It Be, os quatro beats na capa, acabo sozinho, se for preciso…

                Pretenders, Only You, não abro a mão mesmo!!!

                 El condor Pasa, com Paul Simon, de jeito maneira.

              O discão do Pink Floyd , aquele com a vaca na capa, nem que ela tussa.

                O Queen, A Nifht at the Opera, faixa B-2, Love of my Live, má nem pensá… O Queen, alive, God Save the Queen, ou ele ou ela.

                Tô certo, seu Zé?

              No mesmo lado, Live Magic, Friends Will Be Friends, não tem, mesmo, conversa.

             O Richard Clayderman, tudo bem, só a faixa A-4, Tema de Lara, aí é um assunto muito do pessoal. Primeira namorada da vida lá no interiorrrr…

            Agora, o Calix Bento, do Tavinho, com o old Milton, nem pensar, né seu Zé?

            – E da flor , nasceu Maria, e de Maria, o Salvador, oiá, meu Deus…

           Fé cega – nem, nem, nem :

          –Agora, não pergunto mais prá onde vai a estrada…

        Quase que fui. Só uma coisinha final:

       Onde estiver escrito “ CEBOLÃO ” . . . leia-se “ BOLACHÃO ” , VINIL…

         E me mande logo esta corrente pra frente, Brasil, Brasil, salve a seleção de corruptos incompetentes.

        – Help!!!

        – I need somebody.

          – Qué isso, seu Zé?

           – Nada,nada, nada. Você não soube me amar!

           Moral da  prosa:

           Enquanto isto, eu   continuo por aqui, só  enrolando(?) a minha própria vida.

         – Então, tá.

          – Inté e axé.


                      Ich bereite mich für eine weitere Saison im Mai in Berlin.
                     Daher kann ich diesen Kommentar – in der Tat, das Filmmuseum in Berlin, Marlene Dietrich und heraus kommt Romy Schneider: 
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I am preparing for another season in May in Berlin.
Hence, I get this comment – in fact, the Film Museum in Berlin, Marlene Dietrich and out comes Romy Schneider:
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 Na verdade, depois dos cinquenta, a gente não aguenta contar mais nada.

No caso da Rádio Nacional, o cartaz parou nos 50, mas hoje está nos 74 anos.

Vale o registro porque, noutras vidas, ela já foi tão grande quanto o é, hoje, a TV Globo.

E por mais um detalhe contradizente:

Em 1936, a Rádio Nacional era graaaaannnnnddddeeeee.

Hoje, não.

Em 1936, a Unidos da Tijuca foi campeã do Carnaval do Rio.

Pela primeira vez.

Hoje, ela volta a se-lo (?).

A outra, não.

Por isso, o cartaz tipo memory:

 Pano rápido para este carnaval de 2010.

Diálogo entre dois editores:

Segundo:

  • Acho melhor mudar a chamada desta gravação.

Primeiro: 

  • Qual?

Segundo: 

  • Você escreveu “Detran do DF multa 239 motoristas dirigindo embriagados”.

Primeiro:

        – ???

Segundo:

  • Vou liberar assim, ó:  Detran multa 239 dirigindo alcoolizados”.

Moral:

A mesma manchete na Globo foi assim, ó, mané: DETRAN PEGA 239 DIRIGINDO BÊBADOS.


                               Samba do Crioulo Doido na Esplanada dos Mistérios.

                             Quatro milhões de reais foram retirados do nosso bolso candango direto pro bicheiro de Nilópolis molhar o bico da Beija Flor prá mulata mostrar a riqueza do sertão, no caso, aqui de Brasília, pródiga, multipartidária, uma bela dona cinquentona  assediada por um bando de goianos roceiros vindos da Bahia, Pernambuco, São Paulo e tanto ditos rincões.

                            Na  assumida maior roubada, sambaram   os comprados sambistas do Rio, enquanto os coronéis de araque do cerrado que compraram a bela escola de samba carioca dançam nestes  dias de festa “momesca” na cadeia da PF-Papuda, espécie de    Bangu-Carandiru aqui do DF.

                          O governador, no galho de Arruda, que largou a artista bonita e pegou a ninfa, está licenciado, porque no xilindró, enquanto o vice, Paulo Otávio, genro do JK, finge que é mas está, de fato, de olho naquilo que ainda não é, ou seja, o próximo personagem de um video X-9 qualquer.

                          No mais, resta o temor do PT do mensalão aloprado da cueca ganhar no colo a intervenção. Pode até ser tipo ministro da Defesa.

                           Entonces, duas coisas me chamam a  atenção neste miserável sábado de carnaval aqui na ilha:

                           1 – A letra fatídica do samba enredo da Beija Flor deste ano, a maior roubada, digna de vaia:

                          No coração do Brasil, o afã de quem viu um novo amanhã.  Revolta, insurreições, coroas e brasões.  Batismo num clamor de liberdade! Segue a missão, a caravana em jornada.  Enfim,  a natureza em sua essência revelada, firmando o desejo de realizar. A flor desabrochou nas mãos de JK.                    

                               2 – Aliás, o samba enredo da roubada da Beija Flor começa justamente com os primeiros acordes do Guarani que são usados desde os tempos do popularesco bolivariano ditadorzinho Getúlio Vargas, que adorava nomear  interventor. São os  acordes que fazem a entrada de A VOZ DO BRAZIL, carro-chefe da estatal Agência Nacional-EBN-Radiobrás-EBC-Rádio Nacional.

                        E por que coloco a Rádio Nacional no meio?

                       Porque sempre no meio de qualquer coisa … tem coisa, né? Entáo, lá vai.

                      No tempo de Getúlio, tempos de ouro do rádio no Brasil , a Rádio Nacional usou, no dia 29 de janeiro de 1936, no primeiro programa A VOZ DO BRASIL, tu sabes o que? Uma edição especial com as escolas de samba do Rio. E tem mais, mané sambeiro:

                    O samba enredo da    Estação Primeira da Mangueira, naquela época, tal qual  a Beija Flor de Nilópolis, hoje em dia, mamou uma grana do Estado, bicheiro ou treteiro. Em troca, o especial foi divulgado, na íntegra, pela nossa co-irmã, a Rádio Nacional do Terceiro Reich, dos nazistões-fascistas-hitlerianos, aliás, naquela época, também aliados dos comunistas de Stalin.

                   Moral:

                   Tais vendo como o mundo rola sem ser uma bola?

                   Dica:

                   Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil – Leandro Narloch


A estagiária com olhos de camelo aqui do meu lado na rádio também é editora de um baita zine envolvido com as questões esqueitistas do Distrito Federal e cercanias.

No número três, que saiu agora, tem os roqueiros da banda Body in Flames, da Ceilândia.

Tem o Caos e a Palavra de Ordem.

Tem o tio do skate do DF, que é o Fubá.

Tem o Olho de Águia, em Taguá. Coisa do Ivaldo Cavancanti, fotógrafo de Brasília, com direito a Led Zepelin, Bukowsky, Kerouak , on the road e tudo.

 Então, ide lá, tá, e lê:

 http://doistempomag.com

 Ah… e o blog da parede da estagiária é este:

http://alemdasparedes.blogspot.com/

 


                             Estou neste domingo chuvoso (té que enfim)   limpando meus trecos libertários e dou de cara com um livro que ganhei da amiga Ana Landi quando a gente fez junto, em Sampa, na Bolsa de Valores, o MBA de Derivativos (?). Este livro  não tem nada a ver com economia financeira mas  tem  a ver com tudo noves fora, nada:

 

                            Cássia Eller, a gente se cruzava porque ela é cria de Brasília, Fundação Cultural, Paiolzinho, Escola Parque, e a minha turma era do Nuvem Cigana, Clube do Ócio, POrrETAS, Projeto Cabeças.  Inclusive, este livro, escrito pela Ana Landi, ouviu muita gente que ainda se espalha vivinha por aí (Irlam, Reco, Cristininha,etc).

                            Mas o que me pulou agora nos olhos, folheando rapidinho, foi a página 84, e por isso a Cássia Eller, eu a entrono na  galera dos Fantasmas da Rádio Nacional.

                          Em 1982, conta o livro,  Cássia Eller ganha o concurso de calouros da Rádio Nacional de Brasília, com troféu e tudo, ele está na casa do pai dela, em Fortaleza, quebrado.

                          Daí que o locutor da Rádio Nacional,  mais pro brega,  nada preparado no script, e sem conhecer a garotinha nem o pedaço lítero-marginal-candango,  começa a encher linguiça:

LOC: Você é aqui de Brasília?

CASSIA: Não, eu moro aqui.

LOC: Onde?

ELLER: Em casa. Com meu marido e meus três filhos. Meu marido é caminhoneiro. Beijo prá você, amorzão.

Clique e ouça:

http://www.youtube.com/watch?v=7-jqTN55UZQ

 


                             De volta ao meu recente aniversário.

                           Teve um presente que eu já estava indo trocar, dentro do prazo de validade, que nem a gente faz com pessoas, mas daí resolvi dar um olhar assim distraído que me levou a ser atraído de vez, que nem acontece com gente.

                           Na página 62, da minha idade, leio sobre a “abreviação da possibilidade” de certas pessoas que passam a vida “desossando palavras”e que são responsáveis pelas calçadas entupidas de letras que “caem das meias palavras  que empregam”.

                         O livro presenteado é o seguinte,  chegou logo depois do Bolanos do Arrais, quer dizer, soube que a Rosa e ele compraram, casualmente, na mesma hora e na mesma livraria que promove achados santos.

 

                             Na página 145, eu estanco num parágrafo que me leva direto para  algumas reuniões obrigatórias, aqui na Brazil,  quando existe uma espécie de tácito e mudo acordo entre a companheirada para a gente se comportar exatamente assim, ó:

                           “É bom se manter calado quando se está sob pressão, quando o nada que se diz se enrosca saindo da boca e se enrola como uma cobra em torno do pescoço e sibila como se fosse dar o bote. A gente sabe que a chefia detesta isto, o nada”.


                              Criada no final de 2007, para dar lugar à Empresa Brasileira de Radiodifusão – Radiobrás, que deu lugar à Empresa Brasileira de Comunicação – EBN, que deu lugar à Agência Nacional, a sede da Empresa Brasil de Comunicação -EBC- finalmente apareceu hoje com a placa de identificação, ainda que a antiga, qual fantasma, continue no lusco-fusco da lembrança.

                             A EBC abriga várias empresas, inclusive a mais jovem, que é a TV Brasil, e a mais antiga, que é a Rádio Nacional:

                         Nítidas na parede encardida, continuam as letras, quais fantasmas, indicando a posse anterior que, no cotidiano, toma formas das mais estranhas nas entranhas da vida da comunicação oficial, estatal, governista, partidária do país chamado Brazil:

                        Na parte superior desta foto vê-se o antigo heliporto da Rádio Nacional. Ou seria mais um fantasma atacado pela menopausa histórica?


                        Dia dois de fevereiro, dia de Iemanjá, a deusa do mar.

                      Ainda que, no meu caso, Iemanjá é minha Mãe Iara, a deusa da fonte de água doce onde fui rebatizado, com galho de arruda, no olho d’água, depois de ter tido a cabeça molhada na dita água benta da igreja dos capuchinhos.

                      Tudo isto lá no interior do Paraná, nada de sincretismo religioso da Bahia, para onde acabei depois me mudando, entre o Rio, Porto Alegre e Brasília.

                      E minha Iemanjá, no caso a tia Aline, que sempre foi minha segunda mãe, hoje faz aniversário. Liguei pra Atibaia.

                   – Não tá.

                  Embarcou sozinha, num ônibus, para a Princesa dos Campos Gerais, Paraná, nossa terra de origem.

                  Religuei prá lá.

                 – Parabéns.

                – Sabia, Édio, que não ia me esquecer.

                – A senhora não tem vergonha de largar o marido, os filhos, os netos, e passar o aniversário longe de casa?

               Ouvi então a resposta magistral:

             – Ah, Édio, hoje estou fazendo 75 anos e achei que merecia uns abraços diferentes.

                 Moral:

              Esta é a minha mãe Iemanjá que faz aniversário sempre no dia dois de fevereiro.

               Salve, salve, mãe Iara-Iemanjá.

               Ela diz que sempre me escuta aqui na rádio.


                     A respeito do final do post abaixo e diante da incredulidade de uma jovem, hoje de manhã, quando eu jurei que estava pensando apenas na música.  

                    Faço então questão de transcrever o parágrafo inteiro do capítulo Samba Pa Ti – Santana, do livro que ganhei de presente, o 31 Canções, de Nick Hornby.

                    Aliás, ele aparece numa entrevista ótima, neste domingo, no Serafina, da Folha de São Paulo, com foto junto ao Skate of Mind dele e o título Um Garoto Grande.

                    Mas vamos ao parágrafo tira-dúvida:

                    “ Ela começa devagar, misteriosa e linda, depois fica mais urgente e então … Bem, então se desvanece. ( Aliás, a faixa dura quatro minutos e quarenta e sete segundos; mas antes de ser acusado de estar me exibindo, eu previ que faríamos outras coisas na parte lenta – beijar, tirar a roupa, possivelmente esperar o ônibus para ir para casa depois do cinema -, por isso estava seguro de que poderia ir até o final da música). ”

                  E aí, manezinha, não dá vontade de escutar a música  ?


                       De volta aos presentes e às pessoas passadas no meu aniversário.

                     Estive neste sábado na casa do amigo Chico, que está indo para Gana, por três meses, e fui com a camisa azul e branca que ganhei deles de presente, e lá tive que aturar o “manto sagrado” vascaíno do filho Peter, nascido na Rússia, tocador exímio de bumbo, e, ai meu Deus, é muita informação, por isso, vou me concentrar noutro presente que ganhei, que é este aqui, ó:

                      Daí que fiquei conversando, entre um ceviche peruano da dona Paola e uma cigarilha cubana do don Chico, amigos perfeitos, e fiquei conversando com quem mesmo?

                       Com  Pedro, filho deles,  que vi na maternidade, e com quem fizemos juntos, na Tanzânia, o ônibus a caminho do Seringueti, e mais a namorada dele, que não estava lá na África, mas ontem, aqui, ou melhor, lá, na casa do Chico-Paola, olha só, aqui abro um parêntesis para as estagiárias mocinhas aqui da Rádio Nacional, lembrando que nem só por velhos babões elas são admiradas.

                        Pois então, vamos ao foco do post de hoje?

                       Ficamos conversando, ah, a Juliana, irmã mais nova do Pedro, tipo mulata, outra com quem viajei, ela bem criança, lá na Tanzânia-Zimbabwe-Quênia, e que, pela primeira vez, conhecemos, ontem, sábado, 30-01-2010, aliás, lá no Seringueti, ela fez aniversário de 12 anos e eu fiz uma poesia pra ela, e agora, neste sábado, tá confuso, meu Deus,  ela chega com o primeiro namorado da vida, todo mundo achou que,  e … se chama Eduardo, que nem eu, e … pô, ta difícil falar.

                       É o seguinte.

                      O presente que EU ganhei no MEU aniversário, um dos muitos, e sobre o que estava conversando com o Pedro e a namorada dele, foi justamente este capítulo:

                        Daí eu falei, debaixo destes meus 62 anos, do encanto de ter recebido de presente, pior que não sei de quem, por que misturei tudo, presentes e pessoas, quer dizer, foi melhor ainda, aliás, a camisa azul e branca, mas, continuando, o encanto de ter lido o Nick Hornby ( autor de Alta Fidelidade), no capítulo em questão, comentando qual seria a melhor música para ser ouvida durante o ato em que uma pessoa estivesse perdendo a virgindade.

                        Ele pergunta:

                        –  Seria possível alguém perder a virgindade ao som de “Let’s get in on”, com Marvin Gae, sem cair na risada?

                        O autor, em seguida, diz que perdeu a virgindade ouvindo o lado B (tempo do disco vinil) de Smiler, de Rod Stewart.

                        E perguntei pro jovem casal, sem querer saber qual teria sido a música deles (deveria ter perguntado, a minha foi o Tema de Lara):

                       –  Smiler, sorrindo, seria um bom tema pra se perder a virgindade?

                     Embora eu me lembre de ter acrescentado, ou não, que não tem nada de perder, é uma troca, ou melhor, é um puta adianto na vida.

                     Ah… ainda tem a história do porque eu fiz o meu grande amigo Chico, pai do Peter,  chorar, neste sábado, por causa do meu irmão, Janeck.

                     Mas aí são intimidades.

                     Merecem músicas específicas.

                      Ao som do agogô de Benin.

                      Axé.

                     Mas só pra fechar esta prosa de domingo.

                    Neste MEU presente do MEU aniversário EU achei o seguinte comentário do autor Nick Hornby de como seria bom perder a virgindade ao som de Samba Pa Ti, de Santana:

                    “Ela começa devagar, misteriosa e linda, depois fica mais urgente e então … bem, então  se desvanece.”

 

 


Quem não gosta de ganhar presente?
Pois eu os misturo, no meu aniversário, que nem faço com as pessoas.
E não é que no final dá um caldo danado de bom?
Por exemplo.
Entre os presentes, no caso, misturei dois livros.
O primeiro é este: 

 

Bom, o segundo presente, quer dizer, pessoa passada, foi  este:  

 

 
 

Na mistura dos dois presentes, a gente se encontra com deus.

Mas, afinal, quem é mesmo este cara? 

Um latifundiário que expulsou Adão e Eva? 

Aliás, no velho estilo manu militari, sem dó nem piedade. 

 Duvidas? 

 

 

São pesadas palavras ditas divinas,  fruto de um amargo remorso por ter criado a criaturinha humana. 

 Tremenda falha divina, ao se meter em criar a raça humana,  que é reforçada, neste amargo texto do Saramago:   

 

 


                       Hoje, uma amiga contida e reservada está fazendo 40 anos.

                      Daí que me saiu o seguinte que já lhe mandei.

                      Fulana.

                      1 – Em não tendo sido possível hoje de manhã o abraço físico,

                      2 –  Em tendo visto no BB a Hora da Estrela,

                      3 –  Em estar para ler Clarice Vírgula,

                      4 –  E neste instante sorvendo o conto Estado de Graça …

                      Então, neste teu quarto enta ingresso, desejo que freqüentemente sejas inquilina desse tal estado de graça, não como se estivesse em transe – não há nenhum transe, também é bom que ele demore um pouco, mas não o bastante, para que a graça não desapareça, e porque se sai dele melhor criatura do que se entrou, com o rosto liso, os olhos abertos e pensativos e, embora não se tenha sorrido, é como se o corpo todo viesse de um sorriso suave.

                           Concluindo, com os acréscimos adaptados ao texto original da Clarice Lispector:

                           Um feliz novo enta decimal a fim de que ultrapasses o centésimo.

                           Até o próximo. 


                       Peguei hoje o livro ” Taguatinga-duas décadas de cultura ” , com fotos do Ivaldo Cavalcanti.

                       Foi para escanear umas fotos para a estagiária com olhos de camelo e resmunguenta que nem tia velha.

                      Taguatinga, para quem é de fora, é uma cidade do DF. Sempre teve vida separada de Brasília. Enquanto aqui rolava Cabeças, Grande Circular, Minstéricas … lá acontecia a outra porção do caldeirão cultural.

                     Década de 80. A gente dizia, oi … tenta! (e né que rolava?).

                     E as fotos do Ivaldo mostram Luiz Melodia e Plinio Marcos no Teatro Rola Pedra, os punks na Praça do Relógio, boates London London, Paralelo 15 e Clube dos 200. Mais o Bar do Careca, Botequim Blues, Diretas Já (?), Faculta…

                     Então, pelo serviço, roubei da estagiária esta foto, feita pelo Ivaldo Cavalcanti, do eterno amigo Renato Matos. Ecumênico que só ele, atuava da Asa Sul à Samambaia, quando não estava gerando áureos filhos em Olhos D´Água. 

                        Em legenda à foto, relembro quando a gente cantava junto os versos ao telefone apaixonado:

                        Um telefone é muito pouco quando a gente ama como um louco e mora no Plano Piloto …

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