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 Minha última passagem pelo Egito foi a camelo.

 

Até porque eu  sempre fui muito vigiado de perto.

 Afinal, foi uma semana depois do atentado terrorista.

 Tinha matado uma porção de gringos na sombra das pirâmides.

Mas deu para escapar, junto com uns primos,  numa visita paralela.

 Fui então conhecer a maior favela do Oriente Médio.

Fica  num enorme cemitério num subúrbio do Cairo.

Isto mesmo. Um cemitério milenar. Aqueles túmulos suntuosos.

 E o povão miserável passou a morar lá, tipo sem teto e sem terra.

Lógico que isto a imprensa capitalista não vê. Nem a sionista.

Muito menos a nossa tupiniquim. Não vê nem aqui …

Moral:

É justo esta turma da Rocinha do Cairo que ninguém está vendo nesta briga.

Fica parecendo que só tem  os  dois lados brigando.

 Falta é o povo de verdade sair deste cemitério onde ele se esconde à noite.

 

 

وتذكرتي في مصر للسياحة.
كما يجري عن كثب. بعد كل ما كان بعد اسبوع من التفجير الذي قتل عددا من الاجانب في الأهرامات. وبالمثل، لم أستطع الهروب إلى زيارة موازية لأكبر الأحياء الفقيرة في منطقة الشرق الأوسط، في مقبرة ضخمة في احدى ضواحي القاهرة. هذا صحيح.

 

 

My ticket to Egypt was for tourism. Being watched so closely all the time.

After all it was a week after a bombing that had killed several foreigners in the pyramids.

Likewise, I could escape into a parallel visit to the Middle East’s largest slum, in a huge cemetery in a suburb of Cairo.

That’s right. A cemetery. The people becamed miserable go to live there, like homeless and landless.

 Of course it does not see in the capitalist press. Neither in  the zionist. Much less in the tupiniquim.

Your attention, please.

Just this class of poor people of the Rocinha  Favela Egyptian.

This people I am not seeing in the fight from two sides by changing the dictator of the desert.

 

 

(Esta foto foi tirada ontem da janela do Hotel Hilton, no Cairo, Egito,

de onde a imprensa capitalista está sendo expulsa

 pela malta de funcionários pagos do ditador apoiado por Israel e Estados Unidos) 

* * *

Mas como eu comecei dizendo, fui ao Egito a camelo.

Pirâmides. Luxor. Navio pelo Rio Nilo, de Sul a Norte.

Aquela tempestade de areia, 44 graus e eu no déqui.

Deserto de verdade. Oásis de tâmaras. Mesquitas.

Viagem de trem. De camelo. A pé pelo Souk.

* * *

Bem diferente de quando fui a Bagdá, Iraque.

Primeiro, pela lide poética.

Festival Internacional de Poesia de Mirbad.

Fiz meus contatos.

* * *

Depois, a serviço jornalístico.

No meio da besta guerra contra o Irã.

O Iraque financiado pelos Estados Unidos da Morte.

Avião noturno com as janelas fechadas e pouca luz interna.

Os contatos preliminares com os primos.

Das embaixadas daqui e de lá.

A Irmandade (brasileira) árabe.

A conversa do câmbio paralelo.

Os presentinhos e tal.

As fotos escondidas dos canhões em cima dos prédios.

Enfim. Todos os cuidados ainda são poucos.

Não sei quais foram tomados no caso do meu amigo Corban Costa.

Foi apanhado entre o aeroporto de chegada e o hotel.

No táxi do primo policial na primeira barreira.

Ainda bem que a foto dele pode aparecer aqui sorridente.

Merece. Gente Boa. Diria ingênuo. Sem ofensa, tá.

 Axé de volta,mano.

Mais ligado!!!

 

 

Repórteres da EBC são detidos e vendados no Egito e obrigados a voltar para o Brasil

http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=53FCEDFFE94D573CF389AFEC24B52CBD?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3180792


Mais um que se vai. Reynaldo Jardim. Caderno B do JB.

Quem é vivo não sabe mais o que foi isso.

Rádio JB.

Glauber Rocha no Correio Braziliense.

Multimídico era ele:  plástico, poeta e jornalista.

Tudo criado antes do indevido tempo.

Trabalhei com ele.

Depois com o filho.

O Joaquim Jardim da Nacional FM.

A este, quando se foi mandei ver isto.

Agora, vale para os dois:

Amigo(s) Jardim!

Viver é assim mesmo. 

A gente olha para um canteiro e fica com dó  daquela flor que  está tão bela  e hoje  murcha. 

Este é o maior  engano que a gente sempre comete. 

Acontece que a flor,  agora murcha de vida,  acaba de frutificar novas sementes. 

Elas refazem   a viagem daquela flor que, ontem,  uma das sementes, neste nosso Jardim da vida. 

A flor  continuas sendo tu, meu amigo Jardim. 

Por isso, eu não estou triste com a tua passagem.

Até  te convido para escutarmos juntos, em tua homenagem, a música: 

“Let’it be”… 

Jardim,  dê um abraço, por mim, no John Lennon

Continues na tua livre viagem na paz dos Beatles

Diz para ele que sou o teu amigo 

( In memoria do(s) Jardim ) 

Clique:

l)-

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/reynaldo_jardim.html

 2)

http://obaudoedu.blogspot.com/2011/02/morte-de-reynaldo-jardim-comove.html


Falência múltipla de órgãos.

E assim se vai mais um amigo antigo.

 Dividíamos cachaça e informações nos tempos da dita-dura.

Generais-presidentes.

Coronéis porta-vozes.

Ele pelo Estado de São Paulo.

Eu, pela Folha de São Paulo.

Setoristas na Presidência da República.

Palácio do Planalto. Brasília e viagens.Muitas.

Agora, incinerado, todo pó, embarca de vez.

Boa Viagem.

Augusto símbolo dos tempos em que repórter, bom…

Ainda era repórter.

Obituário.

Roubado do Cláudio Humberto:

        

                                     Foto roubada do Correio Braziliense.
 
                                    Em homenagem aos tempos em que a gente roubava …
                                    informações dos milicos e tentava publicar nos jornais.
 
                                    Gozado…
                                   O Estadão continua CENSURADO!!!
                                   Até amanhã.

 

 


Banksy (Thierry Guetta ou Mr. Brainwash).

É um grafiteiro de rua na Inglaterra.

Pode levar o Óscar de melhor documentário.

Pena para os “recicladores” do Grande Rio.

Com o documentário Lixo Extraordinário, do Vick Muniz.

Na verdade, só o lixo é brasileiro.

O dinheiro para o filme, veio da Inglaterra.

Que nem quando Napoleão invade Portugal.

O rei casado com a rainha louca se manda.

Chega ao Rio com todo o lixo político.

Com dinheiro da Inglaterra.

 

 

Sempre que eu viajo pelo mundo tiro fotos de muros pixados.

Aliás, já fui dos…

Tempos do Libelu:

Acalanto provoca Maremoto.

A dita-dura achava que era mensagem.

Nós, poetas marginais, seríamos subvervisos.

Sem direito, hoje, a pensão vitalícia, meu.

Fora da lei ontem, hoje e amanhã.

 

 

As duas pixações acima são do tal Banksy.

Hoje elas valem ouro se saírem de cima do muro.

Quer dizer, ele se deu bem.

Que nem eu, nesta última ida a Paris.

Na Rua da Esperança, Butte aux Cailles.

Encontro duas minas na esquina.

Uma no muro.

Outra assim, só vindo para cima da minha lente.

Por conta da estática, o fogo avoou.

Tenho um galho  em Paris.

Só no peguéti.

Uh-lá-lá!

 

 

 


Quando vejo São Paulo, alguma coisa acontece no meu coração.

É que sempre me lembro dos heróicos bandeirantes.

Com indômita bravura, eles desbravam os sertões.

 

“Na longa caminhada até São Paulo,

os bandeirantes chegam a cortar os braços de alguns índios

 para com eles açoitarem os outros.

Os índios velhos e crianças que não conseguem mais caminhar,

eles matam e dão de comida aos cachorros”

( Padre Pedro Correa, jesuíta )


–  Ninguém vai bater no meu povo, não !!!

Um padre anônimo.

No faroeste de Goyaz.

Ao vivo na Globo.

Corre à porta da igreja.

Destranca os cadeados.

Abre a porta do templo.

Antes de tocar o único sino

Na amena torre qual Cristo

Ele proclama ao rebanho:

–  Ninguém vai bater no meu povo, não !!! 

– Podem entrar!

Entramos.

A cena não é roteiro de cinema não.

É real.

Acontece no  Velho Oeste do Brazil.

 Santo Antônio do Descoberto.

Goyaz.

Entorno do Distrito Federal.

O rebanho obra o dia inteiro em Brasília, a 50 km.

E se aboleta de noite, passada a ponte esburacada.

Fronteira México-Estados Unidos.

Tão  Inferno.

Quão perto do Céu.

Esplanada dos Mistérios.

Praça dos Podres Poderes.

Hoje, o pau quebra.

De um lado o povo.

No meio, a praça.

Do outro, os meganhas goianos  dão porrada.

O prefeito David Leite provoca na rádio comunitária:

É coisa de meia dúzia …

É gasolina de otário.

O secretário de Insegurança de Goyaz, à distância, 150 km, inflama: 

– Isto é desobediência civil!!! 

Melhor que ele leia antes Henry David Thoreau (1849). 

DESOBEDIÊNCIA  CIVIL  JÁ  !!!

http://thoreau.eserver.org/civil.html

P.S.

No final do dia, o padre Marcelo Freitas, este é o nome dele,  do Santuário Santo Antônio, com a negra batina, agora um ser midiático nacional, fala o seguinte ao G1:

 

“Pedi negociação,

 pedi para conversar e dialogar com a polícia.

 Disse que se eles quisessem fazer algum ato,

mesmo que fosse de direito do Estado,

que não fosse dentro do terreno da igreja

 porque eu não dava essa autorização”.

 

Bem no estilo dos falecidos padres dominicanos na época da repressão, dos finados  freis Beto e Leonardo Boff,  dos bispos Evaristo Arns, Helder Camara e outros ex-santos teólogos da libertação. É, não se faz mais PT como antigamente.

Para ver o padre do faroeste brasileiro, clique abaixo:

 http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/01/nunca-tinha-visto-uma-guerra-diz-padre-sobre-conflito-em-cidade-goiana.html


 

A foto acima junta duas cobras e um pau.

Primeiro, a Ponte dos Remédios.

Por conta dos desvios do SUS.

Está no balança mas não cai.

Ponte JK. Bichada. Doente.

Vista da Residência da Presidência.

Alvorada Brasileira no Lago do Paranoá.

Acaba de ser invadida por uma pessoa cidadã.

 

 

Minha Brasília é tirana nos segredos.

Aqui, nunca se sabe ao certo do Nada.

A imprensa oficialmente só se homizia.

Neste caso mesmo  dessa  intrusa visita.

O elemento, em nota oficial da PF- GSI-EBC, seria:

33 anos, separado, mineiro, dono de Pajero.

Universitário.  Mora na Asa Norte.

Funcionário Público.

 

 

Enquanto isto, nós  jornalistas nos calamos nos perguntares:

1 – Poderia ser filho de alguma ex-autoridade?

2 – Poderia ter nome completo?

3 –  Poderia  o carro ter placa?

4 –  Poderia estar morto?

5 – Poderia ser você?

6 – Poderia ser eu?

 

Mais uma e a última sempre é a melhor:

 Poderia  ser algum  ex-morador bêbado?

 


Quando cai merda do céu, lá vem a frase do Zé Povinho:

– Com a ajuda de DEUS, eu vou melhoral, melhoral …

É melhor e não faz mal.

Faz sim.

Pela ordem, cumpanheirada.

 

1)      – Em um mês, duas intervenções do Exército Brasileiro no Rio (Alemão-Friburgo).

           Para limpar as  merdas divinas  das autoridades terrenas.

 

2)      – Enquanto isto, onde estava DEUS?

           Em Paris, na cama com o Cabral. Desde 1.500…

 

3)      – Três perguntinhas básicas:

 

a.  DEUS sabia das 700 mortes?  é muito mais do que isso?

 

b.  DEUS sabia que os pobres estavam estuprando a Mãe Natureza?

 

c.  DEUS sabia de tudo?   não fez nada?  por que?  hein?

 

 

 

Este é o meu novo livro de cabeceira.

DEUS – UM DELÍRIO.

De  Richard Dawkins.

Um dos três maiores pensadores da atualidade.

Diz-se que quando uma pessoa tem delírio, é maluco.

Quando  junta  uma porção de malucos, vira religião.

Daí, tem mais é que arranjar um DEUS.

Se católico,  queima  gente na fogueira da Idade Média.

Se muçulmano,   estoura torres gêmeas e muito mais.

Se judio,  estraçalha os palestinos e não os nazistas.

 

Moral duvidosa:

 

– Qual deus jogou merda do céu em cima da região serrana do Rio?

  

 

 

“Deus, ó Deus, onde estás que não respondes.

Em que estrela tu te escondes

Embuçado nos céus?”

( Castro Alves )

 

 “Como pode Deus permitir a morte de centenas,

de milhares de inocentes?”

Voltaire – 1755- após terremoto de Lisboa

 

” Deus tenta rezar, tenta rezar pra quem?

Deus não vê ninguém…”

Lobão – Pobre Deus.

 


Pesquiso na internet como calcular o salário mínimo da classe micha brasileira.

 É para minha  coluna de Economia numa TV tupiniquim.

E encontro esta pérola no blog da GlorinhaMam:

 

“A melhor forma de calcular o valor do salário mínimo

 é virar as costas para este covil de filhas da puta

 e mandar todo mundo prá puta que  pariu.”

 

 Vixe mãe  (virgem?)  santíssima !!!


Neste  11 de 1 de 11, (um indeciso entre dois um), fiz 63 anos.

Destaco o seguinte presente recebido da consorte:

 

 

Já arrebenta no prólogo.

Lobão e Cazuza num velório, de madrugada.

Preparam duas fileiras enormes de cocaína.

Na tampa do caixão fechado do amigo Júlio.

E rezam juntos:

É a hora dos come-quieto nos fazerem de vilões.

 

 

Não se enganem: o melhor ainda está por vir.

Essa promessa eu fiz aos meus amigos.

Ao pé de suas lápides.

Lobão


              Adoro Clarice Lispector.

             Hoje, ela estaria fazendo 90 anos aqui ao meu lado.

            Daí, eu  me lembro dela me dizendo ao ouvido naquele érre intervocálico nasalado que me deixava todo teso:

             Eu gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.

              Eu tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

              Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

               –  E daí?  Eu adoro voar!

                Então eu acordo.  Abro os ouvidos. Só para escutar um monte de merda de um  bando de analfabetos funcionais.

                Uma pena que tenham tirado minhas asas.

               – Liga não, ô polaco.

               – Quem taí?

               – É o Noel:

                É tudo João Ninguém

                Não têm ideal na vida

                Além de casa e comida

               Nunca se expôem ao perigo

               Nunca têm um inimigo

              Nunca têm opinião

             Gente. Eu também quero entrar nesta roda com  o meu novo sambinha.

             Diga lá, Oscarzinho:

             Daqui para a frente.

             Vou parar nos cafés para ouvir historinhas

            Coisas da vida

            Que um dia vão ter que mudar.

           ( Do Samba “Tranquilo com a Vida”.  Letra de Oscar Niemeyer, 103 anos ).

           Antes de sair, acabo de me lembrar de uma das minhas primeiras idas de estagiário de jornalismo, no Rio, O Jornal, faz tempo.

           Copacabana Palace, lançamento de disco do gringo Sérgio Mendes.

           Na varanda, lá pelas tantas, olhando o mar, o Jorge Amado, o Oscar Niemeyer e este estagiário embabacado de tudo. Entalado de vez.

           Daí, o Niemeyer se vira para mim e propõe:

           – Tá vendo aquela ilha lá no fundo? Vamos ficar calados, nós três (tinha o Jorge…), só para ouvir o som da água batendo na areia fina que dá uns acordes mais suaves que os das Bachianas do Villa Lobos. E ficamos …

          Moral

         Volto para a redação, Rua do Livramento, Santo Cristo,  todo borrado de felicidade. Levo o meu primeiro furo de reportagem mas quase perco o futuro  porque não tinha nada para escrever. Ficamos os três (eu, Jorge e Oscar) só ouvindo o som que vinha daquela ilha.  Ah… e bebendo uísque.  E ainda contei isso para meu sargentão primeiro chefe de reportagem.       

         Não é a toa que acabo de ler num livro do Celine, Viagem ao Fim da Noite, que o melhor da vida da gente é sempre a reminiscência.

         Inté e Axé!

             


 

Vendo minha alma

Pede-se preço bom

Até porque o corpo

Não é + promoção


Por que tanto cacarejas,  galinha?

Pergunta Constâncio.

Por que não te calas?

Retruca-me Perpétua:

Só porque  o ovo não sai do teu?


Ufa!

  

                       Consegui escrever 50 mil palavras num mês contando todos os detalhes  do que está tão perto de mim e que eu queria tão longe. Começo, capa e fim. Agora, é partir para a revisão e publicação do livro.

  

  Ground Zero    

 

                    Diante de mim mora um prédio na parte dita nobre desta capital brasileira chamada Rio e  apelidada  A Maravilhosa.

                   Este prédio em frente a meus divagares será aos poucos por mim acabado através destas 50 mil palavras que eu começo a ditar para mim mesmo a partir deste exato momento (oito da noite um dia depois dos Finados de 2010), desde este bureau  de madeira nobre da Amazônia, ipê um dia  flores no meio da floresta.

                  Aqui estou eu instalado  especialmente para este projeto junto à janela do último sexto andar onde jaz minha solidária torre de marfim, posto de observação deste arremedo de vida presente no Pombal de Gente Inacabada,  gigante deitado eternamente em berço  horrendo, é o  Brasil!!!

                 

  Gran Finale

 

                 – Mas meu coronel, olha só que paisagem mais bonita a do Rio. Esqueça os corpos da sua mulher e do narrador boiando  na água espumosa da banheira.   Está chorando, coronel?  Amoleceu?  Pois a partir de agora,  quem manda no final desta nossa longa conversa de cinqüenta mil palavras sou eu, pessoa leitora.  Se eu quiser, acabo com tudo agora mesmo.  É só eu fechar os meus olhos e pronto. Está tudo resolvido.

            – Sua leitora desaforada. Saia agora mesmo deste  meu livro.

            – Seu? Pelo que eu saiba o escritor é o que está na banheira de braços dados com a sua mulher, os dois mortos, mané!

           – Acontece que agora  eu é quem está no comando dito horizontal.  Portanto, circulando. Nem devagar, para não parecer suspeita e nem muito depressa, para não parecer fuga. Entendeu a piada?  E não corra não porque senão eu acabo de atirar.  Por isso,   considere-se morta e este livro terminado.  Positivo, câmbio.

             – Acontece que eu sou a leitora, coronel, e não morro jamais e nem perco a ternura. Devolvo a piada.

            –  Então,  atenção!!! 

            – Feche os olhos!  

            – Dê seu último suspiro! 

           –  Descanse  em paz!

             – Amém, coronel.

             – Silêncio!!!

 

                T H E          E N D 


                         Hoje, Dia dos Finados (02-11-2010), mato este blog  para felicidade de uma porrada de cagüete,  delatora, denunciante,   alcagüete,  dedo-duro, hard-finger, dona  ruela,  fofoqueira,  maria bocona.

                       Mais as  traíra,  X-9, vira-casaca, linguaruda, dedo-de-seta, Judas, soplona, soffiatore, moucharde, moutona, sneak, dobber, supergrass,  boca mole, língua solta, fedepê e   língua de tamanduá.                            

                       Mas antes de enterrar este finado, desejo do fundo da minha mente-coração o seguinte para estas todas fedepês que me atasanam a vida em troca de uns centavos quaisquer na casa delas desalmadas.

                       Que todas apodreçam nas Virgem de Ferro, Roda de Despedaçamento, Máscara de Escárnio, Berço de Judas, Garras de Gato, Bota Espanhola, Cadeira de Bruxa, Esmaga Cabeça, e Quebrador de Joelho.

 

                  Minha quenga ruela, língua solta, traíra, xisnove, sente só o que eu te preparei  neste último post deste finado blog.

                 É tua a escolha entre a manjedoura, onde terás deslocadas as juntas do corpo, ou a ter chumbo derretido jogado nesta tua boca suja.

                Terás ainda que  comer partes de teu corpo  misturados a merda, urina, suor, lágrimas, catarro, pus e sangue desovulado.

                 Portando, minha cara alcagüete, te reservo os seguintes instrumentos:

Roda de despedaçamento    

            Serás amarrada na parte externa porque abaixo da roda há uma bandeja metálica na qual ficam as brasas e à medida que a roda se movimenta em torno do próprio eixo, tu serás queimada. Se preferires, troco as brasas   por agulhas metálicas.

Dama de Ferro    

        Serás ferida  grave mas não mortalmente com espinhos metálicos dispostos na face interna das portas desta espécie de urna funerária testada desde o dia 13 de agosto de 1515.

Berço de Judas    

       Serás sustentada por correntes e colocada “sentada” sobre a ponta da pirâmide  que serão afrouxadas   gradualmente, fazendo com que este teu   pressione e fira  os teus ânus,  vagina e cóccix.  

Garfo     

      Serás presa numa haste metálica, com duas pontas em cada extremidade semelhantes a um garfo,    por uma tira de couro ao teu pescoço  que, ao ser   pressionada, vai   perfurar tua região abaixo do maxilar e acima do tórax.

  Pêra

      Serás introduzida, pelas tuas boca ou vagina, a um instrumento metálico em formato semelhante à fruta pêra que tanto gostas e ele aos será expandindo aos poucos dentro de ti.  

Máscaras    

          Serás obrigada a vir trabalhar com uma máscara de metal que te incomodará mais pela exposição pública do que pelo sofrimento.

Cadeira    

                    Serás sentada pelada numa cadeira coberta por pregos sentindo ainda o calor das brasas colocadas na bandeja na parte inferior.   

Cavalete    

                   Serás   posicionada de modo que tuas costas se apóiem sobre o fio cortante e os braços fiquem presos aos furos da parte superior e os pés  às correntes da outra extremidade.                 Além disto,   através de um funil ou chifre oco introduzido em tua boca de tamanduá, terás que beber   água, com o nariz tampado para impedir o fluxo do ar,   provocando teu sufocamento até quase perto da morte, mas não chegando a tanto porque sou contra a violência.

Esmaga cabeça

                  Serás pressionada pela cabeça neste capacete, através de uma rosca, de encontro a uma base na qual terás teu maxilar encaixado até teres este teu crânio esmagado, deixando fluir tua massa cerebral.

Quebrador de joelhos    

                 Serás pressionada pelos joelhos, progressivamente, até teres esmagadas a carne, músculos e ossos, por placas paralelas de madeira unidas por duas roscas que se encontram a  cones metálicos pontiagudos.

Mesa de evisceração    

                Serás presa sobre a mesa de modo que as tuas mãos e pés fiquem imobilizados, enquanto receberás,  manualmente,  um corte sobre teu abdômen onde  era inserido um pequeno gancho, parecido com um anzol, preso a uma corrente no eixo, para serem extraídos, aos poucos, os teus  órgãos internos.  

Pêndulo    

            Serás amarrada pelos pulsos, com os braços para traz,  por uma corda que se estende até uma roldana e um eixo e que será  puxada violentamente para deslocar teus ombros e provocar diversos ferimentos nas tuas costas e braços.

Potro    

              Serás deitada sobre uma mesa e teus membros serão presos por cordas que serão giradas com uma manivela, por sete vezes, produzindo efeito  torniquete até sentires teus ossos todos esmagados.

 

Atenção!

                     No findamento definitivo deste blog, agradeço piamente os ensinamentos que recebi do padre católico dominicano, Frei Bernardo Guy, sem os quais não estaria apto a aplicar estas torturas em todas as minhas indigestas denunciantes X-9.

Comercial!

                  Se tu tiveres algum desafeto e quiseres aplicar estes instrumentos, podes comprar o “Livro das Sentenças da Inquisição”. É o melhor tratado de torturas de todos os tempos. Melhor ainda se for no original guardado secreto no Vaticano:

 

LIBER SENTENTIARUM INQUISITIONIS

Bernardus Guidonis – 1261 – 1331.

 

Portanto, eis a minha derradeira mensagem neste blog:

  

–  V Ã O     À     M E R D A  !!!

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