Literatura



     Depois da caminhada pelo eixão, na parte boa de Brasília, abro nesta manhã de domingo o meu grande jornal paulistano, deixou de ser a Folha, que está fazendo 90 anos, já trabalhei nela, tenho a manchete que consegui com ” Abertura Lenta e Gradual”, alguém se lembra disso?

    Vou direto, por estranho que pareça, para a página do horóscopo, na parte dos capricornianos que encostam a bunda na parede, apontam os chifres para a frente, dane-se o mundo que não me chamo Raimundo, mas Eduardo, que no anglo-saxão quer dizer “homem forte e bom”

 

  “Guarde em silêncio tuas agudas observações a respeito das pessoas.

Neste momento, ninguém tem condição de compreendê-las.

Por isso, elas acabam te causando problemas.

Então, guarde em silêncio tuas agudas observações.

Um dia, quem sabe,  tu podes fazer uso delas,  no futuro.”

 

         

          Esta foto tem tudo a ver com meu horóscopo de domingo. Eu a tirei na minha penúltima viagem pelos Estados Unidos. Em Chicago, terra natal do Obama, mas com um crioulo numa situação bem diferente da dele.

        Apesar da figura morar na parte Sul de Chicago, a dita mais violenta, porque a mais pobre, ou seria o diferente, o negão está pedindo esmola no começo da Magnificent Mile, a parte mais chique da cidade que controla, através de sua Bolsa de Valores de Cereais, o preço do alimento no mundo inteiro.

        E o texto do cartaz escrito a carvão diz o seguinte:

 

 I’m J.I.H.

Please help me.

I’m hungry.

 

       Daí que joguei meu horóscopo deste domingo no lixo e continuei lendo o livro que a estagiária Carmem me emprestou, em troca do Direito à Preguiça, que lhe destinei.

     O  livro da iniciante nas lides jornalísticas fala dos segredos do Lao Tsé, apresentados pelo filósofo Sérgio Cortella, que diz o seguinte, já no intróito:

 

“Há, hoje, uma certa “miserabilidade” nas nossas vidas.

 Claro que  não tem nada a ver com a condição financeira.

É que não nos distanciamos do amargo sabor da monotonia repetitiva.

Não rompemos com o eventual conforto dessa miserabilização cotidiana.”

 

 



 

Tô aqui atento no discurso da CNN.

O velho ditador do Egito, Osni Mubarak.

Aliado dos sionistas de Judá e dos luteranos gringos.

Que nem Cleópatra dando descarada pros romanos.

Mais enrolão que o Lula no meio do Mensalão Aloprado.

E o povão só comendo areia pelas narinas.

Enterrem logo o bicho numa das pirâmides.

 

 

Daí que vendo a odalística camaleoa acima, que me raptou, penso:

Primeiro:

Ninguém fala dos ditadores chicano-cubanos?

Matam de fome os opositores a menos (!).

Segundo:

Existe Deus, no lato sensu?

Deus-Alá-Jeová-Shiva-Exu, o escambau.

Tá tudo do lado dos ditadores.

E o povão, ó, só no inferno.

Nesta e na outra vida.

– Por que o céu é só  prá bacana do poder?

Daí, fico  +  puto ainda com  a política babona em rede na TV.

Ainda bem que acaba de cair uma chuvasca aqui em Brasília.

Vou prá minha janela e vejo este retrato da alma.

Não dou graças porque não acredito em mais ninguém.

Só no que vejo:

 

 


Quebrei o espelho

Torci o joelho 

From Leka do Céu

Ouça:

http://www.youtube.com/watch?v=3n5Nbive2Dw 


Se viva estivera, hoje seriam 117 anos.

Só desta passagem terrena.

Porque ela está em outra.

Feliz de quem a sente na pele.

De qualquer forma, ouça abaixo.

 Um bom trabalho radiojornalístico (EBC).

José Carlos de Andrade.

Yara Selva.

Messias Melo.

 Três experts no assunto.

Clique:

http://snd.sc/eUlm3J

 


 Acordo  no banheiro.

Abelha me zoa no sexto andar.

Passa para a luz.

Prefere a minha.

Vem zuando faceira.

Levanto-me mui lento.

Abaixo a tampa do vaso.

Ela pousa desligada.

Tasco a mão aberta do braço direito:

 

P Á ! ! !

 

Mais uma abelha morta na face da Terra.

Mundo imundo mas não me chamo Raimundo.

Todo animal pensa ser gente que nem a gente.

Mas minha felicidade tem um leve porém.

A morta é  abelha zangada, esperta, inteligente.

No último milésimo de segundo

No átimo de tempo ela se vira para mim:

 

MAMCASZ, TU TÁ FERRADO ! ! !

 

Me ferra mesmo:

Alérgico a abelha zangada,

inflamo no ato,

infecciono o tendão,

corro para o socorro meio que pronto,

cortam minha mão.

 

Moral:

 

Amarro caneta big com fita dorex no cotoco do meu braço.

Com ela escrevo esta mensagem:

 

Tác … tác …. tác …

 

Cadê o resto das palavras?

A abelha comeu.

Comeu um ova.

 

Abaixo a censura!!!

 

Perco a mão mas não perco a cabeça.

Inté o próximo post.

Axé.


De volta ao lar, amigos.

Olho vivo, a partir da fama.

Em homenagem a vocês, estou  num arroz carreteiro.

Caipirinha. Farofa. Salada de tomate. Dedo de moça.

Estamos servidos?

Ao meu lado, o novo representante dos funcionários da BBC.

Eu disse dos “funcionários”.

Carlo Barcelo, do Contestado.

Belo sorriso, manus:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/02/tivemos-medo-de-morrer-dizem-jornalistas-detidos-no-egito.html


 Minha última passagem pelo Egito foi a camelo.

 

Até porque eu  sempre fui muito vigiado de perto.

 Afinal, foi uma semana depois do atentado terrorista.

 Tinha matado uma porção de gringos na sombra das pirâmides.

Mas deu para escapar, junto com uns primos,  numa visita paralela.

 Fui então conhecer a maior favela do Oriente Médio.

Fica  num enorme cemitério num subúrbio do Cairo.

Isto mesmo. Um cemitério milenar. Aqueles túmulos suntuosos.

 E o povão miserável passou a morar lá, tipo sem teto e sem terra.

Lógico que isto a imprensa capitalista não vê. Nem a sionista.

Muito menos a nossa tupiniquim. Não vê nem aqui …

Moral:

É justo esta turma da Rocinha do Cairo que ninguém está vendo nesta briga.

Fica parecendo que só tem  os  dois lados brigando.

 Falta é o povo de verdade sair deste cemitério onde ele se esconde à noite.

 

 

وتذكرتي في مصر للسياحة.
كما يجري عن كثب. بعد كل ما كان بعد اسبوع من التفجير الذي قتل عددا من الاجانب في الأهرامات. وبالمثل، لم أستطع الهروب إلى زيارة موازية لأكبر الأحياء الفقيرة في منطقة الشرق الأوسط، في مقبرة ضخمة في احدى ضواحي القاهرة. هذا صحيح.

 

 

My ticket to Egypt was for tourism. Being watched so closely all the time.

After all it was a week after a bombing that had killed several foreigners in the pyramids.

Likewise, I could escape into a parallel visit to the Middle East’s largest slum, in a huge cemetery in a suburb of Cairo.

That’s right. A cemetery. The people becamed miserable go to live there, like homeless and landless.

 Of course it does not see in the capitalist press. Neither in  the zionist. Much less in the tupiniquim.

Your attention, please.

Just this class of poor people of the Rocinha  Favela Egyptian.

This people I am not seeing in the fight from two sides by changing the dictator of the desert.

 

 

(Esta foto foi tirada ontem da janela do Hotel Hilton, no Cairo, Egito,

de onde a imprensa capitalista está sendo expulsa

 pela malta de funcionários pagos do ditador apoiado por Israel e Estados Unidos) 

* * *

Mas como eu comecei dizendo, fui ao Egito a camelo.

Pirâmides. Luxor. Navio pelo Rio Nilo, de Sul a Norte.

Aquela tempestade de areia, 44 graus e eu no déqui.

Deserto de verdade. Oásis de tâmaras. Mesquitas.

Viagem de trem. De camelo. A pé pelo Souk.

* * *

Bem diferente de quando fui a Bagdá, Iraque.

Primeiro, pela lide poética.

Festival Internacional de Poesia de Mirbad.

Fiz meus contatos.

* * *

Depois, a serviço jornalístico.

No meio da besta guerra contra o Irã.

O Iraque financiado pelos Estados Unidos da Morte.

Avião noturno com as janelas fechadas e pouca luz interna.

Os contatos preliminares com os primos.

Das embaixadas daqui e de lá.

A Irmandade (brasileira) árabe.

A conversa do câmbio paralelo.

Os presentinhos e tal.

As fotos escondidas dos canhões em cima dos prédios.

Enfim. Todos os cuidados ainda são poucos.

Não sei quais foram tomados no caso do meu amigo Corban Costa.

Foi apanhado entre o aeroporto de chegada e o hotel.

No táxi do primo policial na primeira barreira.

Ainda bem que a foto dele pode aparecer aqui sorridente.

Merece. Gente Boa. Diria ingênuo. Sem ofensa, tá.

 Axé de volta,mano.

Mais ligado!!!

 

 

Repórteres da EBC são detidos e vendados no Egito e obrigados a voltar para o Brasil

http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=53FCEDFFE94D573CF389AFEC24B52CBD?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3180792


Mais um que se vai. Reynaldo Jardim. Caderno B do JB.

Quem é vivo não sabe mais o que foi isso.

Rádio JB.

Glauber Rocha no Correio Braziliense.

Multimídico era ele:  plástico, poeta e jornalista.

Tudo criado antes do indevido tempo.

Trabalhei com ele.

Depois com o filho.

O Joaquim Jardim da Nacional FM.

A este, quando se foi mandei ver isto.

Agora, vale para os dois:

Amigo(s) Jardim!

Viver é assim mesmo. 

A gente olha para um canteiro e fica com dó  daquela flor que  está tão bela  e hoje  murcha. 

Este é o maior  engano que a gente sempre comete. 

Acontece que a flor,  agora murcha de vida,  acaba de frutificar novas sementes. 

Elas refazem   a viagem daquela flor que, ontem,  uma das sementes, neste nosso Jardim da vida. 

A flor  continuas sendo tu, meu amigo Jardim. 

Por isso, eu não estou triste com a tua passagem.

Até  te convido para escutarmos juntos, em tua homenagem, a música: 

“Let’it be”… 

Jardim,  dê um abraço, por mim, no John Lennon

Continues na tua livre viagem na paz dos Beatles

Diz para ele que sou o teu amigo 

( In memoria do(s) Jardim ) 

Clique:

l)-

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/reynaldo_jardim.html

 2)

http://obaudoedu.blogspot.com/2011/02/morte-de-reynaldo-jardim-comove.html


Ao longo da vida passaram-se pessoas ex-estagiárias.

Elas acontecem para isto mesmo: ir em frente.

Para um, repassei todos os meus vinis.

Para outra, sempre um livro.

Não um qualquer.

Especial.

Uns dos  trechos que foram assinalados pela Karina, onde andarás?

  

“Não tens mulher e, se a tens, vais com ela para a cama

só para provar que és “homem”.

Nem sabes o que é Amor.”

 

 *

 

“Tu não queres ser Águia, Zé Ninguém

e é por isso que és comido pelos abutres.”

 

 

 

“Desejo apenas que não sejas mais

besta de carga como tens sido,

que cales de vez este teu

 milenar cacarejar.”

 

(Wilhelm Reich-1945)

 

 “Cada dia eu levo um tiro

Que sai pela culatra.

Eu não sou ministro,

Eu não sou magnata.

Eu sou do povo,

Eu sou um Zé Ninguém.

(Zé ninguém – Biquini Cavadão)

Clique.Olhe. Ouça:

http://letras.terra.com.br/biquini-cavadao/44611/

P.S.

N.B.

O escambau.

O penúltimo livro que cedi, temporariamente,  a  uma outra estagiária especial é do Charles Bukowski:

“Esta loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo.

Amém.”

E agora, sem ser o último, outra peça carmísticamente rara.

O Elogio ao Ócio. Bertrand Russell. 1935.

“Quero dizer que quatro horas diárias de trabalho deveriam ser suficientes

 para dar às pessoas o direito de satisfazer suas necessidades básicas

 e os confortos elementares da vida.”


Os primeiros dez mil sutiãs a gente não esquece nunca.

E assim, La Nave Va.

10.000 stats.

 

 

 ” As cadelas (lacraias, hipopótomas, gorilas, porcas) ladram.

 A nossa caravana, enquanto isto, passa.  Siempre.

Entonces, ademán proceis, tá?”

(Ibrahim Sued)


Banksy (Thierry Guetta ou Mr. Brainwash).

É um grafiteiro de rua na Inglaterra.

Pode levar o Óscar de melhor documentário.

Pena para os “recicladores” do Grande Rio.

Com o documentário Lixo Extraordinário, do Vick Muniz.

Na verdade, só o lixo é brasileiro.

O dinheiro para o filme, veio da Inglaterra.

Que nem quando Napoleão invade Portugal.

O rei casado com a rainha louca se manda.

Chega ao Rio com todo o lixo político.

Com dinheiro da Inglaterra.

 

 

Sempre que eu viajo pelo mundo tiro fotos de muros pixados.

Aliás, já fui dos…

Tempos do Libelu:

Acalanto provoca Maremoto.

A dita-dura achava que era mensagem.

Nós, poetas marginais, seríamos subvervisos.

Sem direito, hoje, a pensão vitalícia, meu.

Fora da lei ontem, hoje e amanhã.

 

 

As duas pixações acima são do tal Banksy.

Hoje elas valem ouro se saírem de cima do muro.

Quer dizer, ele se deu bem.

Que nem eu, nesta última ida a Paris.

Na Rua da Esperança, Butte aux Cailles.

Encontro duas minas na esquina.

Uma no muro.

Outra assim, só vindo para cima da minha lente.

Por conta da estática, o fogo avoou.

Tenho um galho  em Paris.

Só no peguéti.

Uh-lá-lá!

 

 

 


Quando vejo São Paulo, alguma coisa acontece no meu coração.

É que sempre me lembro dos heróicos bandeirantes.

Com indômita bravura, eles desbravam os sertões.

 

“Na longa caminhada até São Paulo,

os bandeirantes chegam a cortar os braços de alguns índios

 para com eles açoitarem os outros.

Os índios velhos e crianças que não conseguem mais caminhar,

eles matam e dão de comida aos cachorros”

( Padre Pedro Correa, jesuíta )


–  Ninguém vai bater no meu povo, não !!!

Um padre anônimo.

No faroeste de Goyaz.

Ao vivo na Globo.

Corre à porta da igreja.

Destranca os cadeados.

Abre a porta do templo.

Antes de tocar o único sino

Na amena torre qual Cristo

Ele proclama ao rebanho:

–  Ninguém vai bater no meu povo, não !!! 

– Podem entrar!

Entramos.

A cena não é roteiro de cinema não.

É real.

Acontece no  Velho Oeste do Brazil.

 Santo Antônio do Descoberto.

Goyaz.

Entorno do Distrito Federal.

O rebanho obra o dia inteiro em Brasília, a 50 km.

E se aboleta de noite, passada a ponte esburacada.

Fronteira México-Estados Unidos.

Tão  Inferno.

Quão perto do Céu.

Esplanada dos Mistérios.

Praça dos Podres Poderes.

Hoje, o pau quebra.

De um lado o povo.

No meio, a praça.

Do outro, os meganhas goianos  dão porrada.

O prefeito David Leite provoca na rádio comunitária:

É coisa de meia dúzia …

É gasolina de otário.

O secretário de Insegurança de Goyaz, à distância, 150 km, inflama: 

– Isto é desobediência civil!!! 

Melhor que ele leia antes Henry David Thoreau (1849). 

DESOBEDIÊNCIA  CIVIL  JÁ  !!!

http://thoreau.eserver.org/civil.html

P.S.

No final do dia, o padre Marcelo Freitas, este é o nome dele,  do Santuário Santo Antônio, com a negra batina, agora um ser midiático nacional, fala o seguinte ao G1:

 

“Pedi negociação,

 pedi para conversar e dialogar com a polícia.

 Disse que se eles quisessem fazer algum ato,

mesmo que fosse de direito do Estado,

que não fosse dentro do terreno da igreja

 porque eu não dava essa autorização”.

 

Bem no estilo dos falecidos padres dominicanos na época da repressão, dos finados  freis Beto e Leonardo Boff,  dos bispos Evaristo Arns, Helder Camara e outros ex-santos teólogos da libertação. É, não se faz mais PT como antigamente.

Para ver o padre do faroeste brasileiro, clique abaixo:

 http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/01/nunca-tinha-visto-uma-guerra-diz-padre-sobre-conflito-em-cidade-goiana.html


 

A foto acima junta duas cobras e um pau.

Primeiro, a Ponte dos Remédios.

Por conta dos desvios do SUS.

Está no balança mas não cai.

Ponte JK. Bichada. Doente.

Vista da Residência da Presidência.

Alvorada Brasileira no Lago do Paranoá.

Acaba de ser invadida por uma pessoa cidadã.

 

 

Minha Brasília é tirana nos segredos.

Aqui, nunca se sabe ao certo do Nada.

A imprensa oficialmente só se homizia.

Neste caso mesmo  dessa  intrusa visita.

O elemento, em nota oficial da PF- GSI-EBC, seria:

33 anos, separado, mineiro, dono de Pajero.

Universitário.  Mora na Asa Norte.

Funcionário Público.

 

 

Enquanto isto, nós  jornalistas nos calamos nos perguntares:

1 – Poderia ser filho de alguma ex-autoridade?

2 – Poderia ter nome completo?

3 –  Poderia  o carro ter placa?

4 –  Poderia estar morto?

5 – Poderia ser você?

6 – Poderia ser eu?

 

Mais uma e a última sempre é a melhor:

 Poderia  ser algum  ex-morador bêbado?

 

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