Literatura



Quando cai merda do céu, lá vem a frase do Zé Povinho:

– Com a ajuda de DEUS, eu vou melhoral, melhoral …

É melhor e não faz mal.

Faz sim.

Pela ordem, cumpanheirada.

 

1)      – Em um mês, duas intervenções do Exército Brasileiro no Rio (Alemão-Friburgo).

           Para limpar as  merdas divinas  das autoridades terrenas.

 

2)      – Enquanto isto, onde estava DEUS?

           Em Paris, na cama com o Cabral. Desde 1.500…

 

3)      – Três perguntinhas básicas:

 

a.  DEUS sabia das 700 mortes?  é muito mais do que isso?

 

b.  DEUS sabia que os pobres estavam estuprando a Mãe Natureza?

 

c.  DEUS sabia de tudo?   não fez nada?  por que?  hein?

 

 

 

Este é o meu novo livro de cabeceira.

DEUS – UM DELÍRIO.

De  Richard Dawkins.

Um dos três maiores pensadores da atualidade.

Diz-se que quando uma pessoa tem delírio, é maluco.

Quando  junta  uma porção de malucos, vira religião.

Daí, tem mais é que arranjar um DEUS.

Se católico,  queima  gente na fogueira da Idade Média.

Se muçulmano,   estoura torres gêmeas e muito mais.

Se judio,  estraçalha os palestinos e não os nazistas.

 

Moral duvidosa:

 

– Qual deus jogou merda do céu em cima da região serrana do Rio?

  

 

 

“Deus, ó Deus, onde estás que não respondes.

Em que estrela tu te escondes

Embuçado nos céus?”

( Castro Alves )

 

 “Como pode Deus permitir a morte de centenas,

de milhares de inocentes?”

Voltaire – 1755- após terremoto de Lisboa

 

” Deus tenta rezar, tenta rezar pra quem?

Deus não vê ninguém…”

Lobão – Pobre Deus.

 


“Começo hoje uma viagem incansável para investigar onde mora o eu que há em mim … se é que mora alguém”.

Lobão – 50 anos a mil .

Notre Dame de Passy – Paris – 2011


La Butte aux Cailles – Paris 13


Neste  11 de 1 de 11, (um indeciso entre dois um), fiz 63 anos.

Destaco o seguinte presente recebido da consorte:

 

 

Já arrebenta no prólogo.

Lobão e Cazuza num velório, de madrugada.

Preparam duas fileiras enormes de cocaína.

Na tampa do caixão fechado do amigo Júlio.

E rezam juntos:

É a hora dos come-quieto nos fazerem de vilões.

 

 

Não se enganem: o melhor ainda está por vir.

Essa promessa eu fiz aos meus amigos.

Ao pé de suas lápides.

Lobão


Onde tem Niemeyer, estou lá.

Seja Niterói, Nova Iorque, João Pessoa ou Berlim.

Principalmente Brasília, onde me acomodo e adoro passear de madrugada, depois de alguma noitada em casas amigas.

Pois agora em Paris fui à Place Colonel Fabien.

 Fica  na parte alta de Belleville, subúrbio parisiense que omisia argelinos, indianos, turcos, negros, brasileiros e todos os ladinos do mundo.

Tudo isto para conhecer uma das obras mais antigas do nosso grande Niemeyer.

É a sede do Partido Comunista Francês – PCF.

 Falando sobre esta beleza, no Pariscope (revista semanal que custa 40 cents de euro),  5 au 11 janvier 2011, o designer Matali Crasser diz o seguinte:

“J’adore cet architecte (Oscar Niemeyer) –  très audacieux et il y avait un magnifique savoir-faire.

 Il suffit d’observer les façades et les vitres, la façon dont  elles on été pensées.

Comme souvent avec Niemeyer, il y a quelque chose de simple, d’accessible à tout le monde.”


 Anistia para  Edith Piaf.

Nesta  ida a Paris, vasculho  traços perdidos dessa Edith Piaf.

Sobrevive  aos 20 no trottoir do bas-fond (puta).

Chansonnière da zona.

Chegada à morfina, morre aos 47, magricela, baixinha e feia.

Mas cercada de amantes bonitos, entre eles o Ives Montand.

Ou Marcel Cerdan, campeão de boxe.

Sepulta-se na multidão do cemitério Père Lachaise.

Perto da rua de Belleville, onde nasce.

Ali,  vejo hoje apenas uma porca e parca placa.

Merecedora de uma anistia ampla, geral e irrestrita.

A lesma lerda  no Café Menilmontant.

 A pequena meretriz com voz de Piaf  (pardal) canta:

 Milord, je ne suis qu’une fille du port, qu’une ombre de la rue.

Acá, eu vejo o nada.

 Até a garçonete com cabelo de colibri se espanta com o passado.

Ela  sabe por mim que  Edith Piaf ali ainda marca presença.

Hoje evaporada no devaneio da morfínica modernidade.

Insisto, não desisto e sorvo na bar e na  Place Edith Piaf, Porte de Bagnolet, o último canto do passarinho.

 Hoje completamente esquecida na Paris dos tempos de Sarkozy e Carla Bruni.

 Prefiro minha pequena meretriz solfejando latente no meu ouvido morno:

– Mamcasz! Je me regrette rien, je me fous du passé…

– Pardon, Piaf!

– Não tô nem aí. Tô cagando pro meu passado.

– Edith … olha os modos …

– Phoda-se, mon cheri.

Il faut se méfier des mots

Tem mais é que ter cuidado com as palavras

Phoda-se, meu.


Gente!

Acabo de chegar de  outra viagem a Paris, não vi a posse nem a virada   nem nada.

Amei!

Apeio em  São Paulo, a maior cidade da América Latrina, a caminho de Brasilha e no ato ressinto que tudo está tão diferente, sem as filas em zigue-zague, o aeroporto poeirento, um banheiro com dois vasos sujos para trezentos chegantes, poucos estrangeiros, nada de classe média micha, tanto que sou recepcionado por funcionários públicos da Polícia e da Receita (Federais!), todos lindos, sorridentes e solícitos:

– Bom dia, como vai cidadão, a viagem está boa?

E tudo isto antes mesmo de mostrar meu passaporte diplomático que eu tenho desde criancinha porque sou filho de pai operário, analfabeto e cachaceiro,  no interior do Paraná (com esta localização, de fato, escapo da censura!).

Portanto, cá está mea culpa na foto abaixo tirada em Paris, nesta semana, fica na Rua Oberkampft, entre as bulevares da Republique com a Beleville, que termina na Menilmontant. Tudo uma merda. Bom mesmo é aqui no meu Brasil onde, na volta, não vejo mais mendigos, crianças pedindo esmolas, meninas dando nos postos de gasolina por alguns trocados, gente passando fome, nem nada. Nada, mesmo. E os detratores ainda falam mal da Bahia, phode?

Estou de volta. 

Inté e Axé!

Merci!

 


              Adoro Clarice Lispector.

             Hoje, ela estaria fazendo 90 anos aqui ao meu lado.

            Daí, eu  me lembro dela me dizendo ao ouvido naquele érre intervocálico nasalado que me deixava todo teso:

             Eu gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.

              Eu tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

              Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

               –  E daí?  Eu adoro voar!

                Então eu acordo.  Abro os ouvidos. Só para escutar um monte de merda de um  bando de analfabetos funcionais.

                Uma pena que tenham tirado minhas asas.

               – Liga não, ô polaco.

               – Quem taí?

               – É o Noel:

                É tudo João Ninguém

                Não têm ideal na vida

                Além de casa e comida

               Nunca se expôem ao perigo

               Nunca têm um inimigo

              Nunca têm opinião

             Gente. Eu também quero entrar nesta roda com  o meu novo sambinha.

             Diga lá, Oscarzinho:

             Daqui para a frente.

             Vou parar nos cafés para ouvir historinhas

            Coisas da vida

            Que um dia vão ter que mudar.

           ( Do Samba “Tranquilo com a Vida”.  Letra de Oscar Niemeyer, 103 anos ).

           Antes de sair, acabo de me lembrar de uma das minhas primeiras idas de estagiário de jornalismo, no Rio, O Jornal, faz tempo.

           Copacabana Palace, lançamento de disco do gringo Sérgio Mendes.

           Na varanda, lá pelas tantas, olhando o mar, o Jorge Amado, o Oscar Niemeyer e este estagiário embabacado de tudo. Entalado de vez.

           Daí, o Niemeyer se vira para mim e propõe:

           – Tá vendo aquela ilha lá no fundo? Vamos ficar calados, nós três (tinha o Jorge…), só para ouvir o som da água batendo na areia fina que dá uns acordes mais suaves que os das Bachianas do Villa Lobos. E ficamos …

          Moral

         Volto para a redação, Rua do Livramento, Santo Cristo,  todo borrado de felicidade. Levo o meu primeiro furo de reportagem mas quase perco o futuro  porque não tinha nada para escrever. Ficamos os três (eu, Jorge e Oscar) só ouvindo o som que vinha daquela ilha.  Ah… e bebendo uísque.  E ainda contei isso para meu sargentão primeiro chefe de reportagem.       

         Não é a toa que acabo de ler num livro do Celine, Viagem ao Fim da Noite, que o melhor da vida da gente é sempre a reminiscência.

         Inté e Axé!

             


 

Vendo minha alma

Pede-se preço bom

Até porque o corpo

Não é + promoção


Por que tanto cacarejas,  galinha?

Pergunta Constâncio.

Por que não te calas?

Retruca-me Perpétua:

Só porque  o ovo não sai do teu?


Perpétua me pede que lhe rompa o hímem.

É a minha parada.

Desço do ônibus.

Sozinho.

Ela continua.

Virgem.

Do sempre

Constâncio



Ufa!

  

                       Consegui escrever 50 mil palavras num mês contando todos os detalhes  do que está tão perto de mim e que eu queria tão longe. Começo, capa e fim. Agora, é partir para a revisão e publicação do livro.

  

  Ground Zero    

 

                    Diante de mim mora um prédio na parte dita nobre desta capital brasileira chamada Rio e  apelidada  A Maravilhosa.

                   Este prédio em frente a meus divagares será aos poucos por mim acabado através destas 50 mil palavras que eu começo a ditar para mim mesmo a partir deste exato momento (oito da noite um dia depois dos Finados de 2010), desde este bureau  de madeira nobre da Amazônia, ipê um dia  flores no meio da floresta.

                  Aqui estou eu instalado  especialmente para este projeto junto à janela do último sexto andar onde jaz minha solidária torre de marfim, posto de observação deste arremedo de vida presente no Pombal de Gente Inacabada,  gigante deitado eternamente em berço  horrendo, é o  Brasil!!!

                 

  Gran Finale

 

                 – Mas meu coronel, olha só que paisagem mais bonita a do Rio. Esqueça os corpos da sua mulher e do narrador boiando  na água espumosa da banheira.   Está chorando, coronel?  Amoleceu?  Pois a partir de agora,  quem manda no final desta nossa longa conversa de cinqüenta mil palavras sou eu, pessoa leitora.  Se eu quiser, acabo com tudo agora mesmo.  É só eu fechar os meus olhos e pronto. Está tudo resolvido.

            – Sua leitora desaforada. Saia agora mesmo deste  meu livro.

            – Seu? Pelo que eu saiba o escritor é o que está na banheira de braços dados com a sua mulher, os dois mortos, mané!

           – Acontece que agora  eu é quem está no comando dito horizontal.  Portanto, circulando. Nem devagar, para não parecer suspeita e nem muito depressa, para não parecer fuga. Entendeu a piada?  E não corra não porque senão eu acabo de atirar.  Por isso,   considere-se morta e este livro terminado.  Positivo, câmbio.

             – Acontece que eu sou a leitora, coronel, e não morro jamais e nem perco a ternura. Devolvo a piada.

            –  Então,  atenção!!! 

            – Feche os olhos!  

            – Dê seu último suspiro! 

           –  Descanse  em paz!

             – Amém, coronel.

             – Silêncio!!!

 

                T H E          E N D 


                        Estou fora até o final do mês  por conta de um projeto global do qual participo, pelo Office of Letters and Light, de Nova Iorque, que é o National Novel Writing Month.

                        Já estou em ação intensa na escrita de 50 mil palavras entre os dias 1 e 30 deste novembro de 2010.

                       Neste futuro livro,  esparramo em detalhes o que foram  gotículas aqui neste blog em um ano e meio de vida.

  O título está definitivo:

Pigeonhole of unfinished people

Em tupiniquim: 

POMBAL   DE   GENTE   INACABADA  

                           Portanto, aos analfabetos funcionais aqui digo um Até Logo, suas urubuas pessoas, citando Louis-Ferdinand Céline, que me foi induzido pelo amigo niilista Daniel Costa, no livro Viagem ao Fim da Noite, onde ele constata:

 “ À medida que se permanece num lugar, as coisas e as pessoas perdem a compostura,  apodrecem e começam a feder de propósito para você.”  

Inté e Axé. 

http://www.nanowrimo.org/eng/user/758194


                         Hoje, Dia dos Finados (02-11-2010), mato este blog  para felicidade de uma porrada de cagüete,  delatora, denunciante,   alcagüete,  dedo-duro, hard-finger, dona  ruela,  fofoqueira,  maria bocona.

                       Mais as  traíra,  X-9, vira-casaca, linguaruda, dedo-de-seta, Judas, soplona, soffiatore, moucharde, moutona, sneak, dobber, supergrass,  boca mole, língua solta, fedepê e   língua de tamanduá.                            

                       Mas antes de enterrar este finado, desejo do fundo da minha mente-coração o seguinte para estas todas fedepês que me atasanam a vida em troca de uns centavos quaisquer na casa delas desalmadas.

                       Que todas apodreçam nas Virgem de Ferro, Roda de Despedaçamento, Máscara de Escárnio, Berço de Judas, Garras de Gato, Bota Espanhola, Cadeira de Bruxa, Esmaga Cabeça, e Quebrador de Joelho.

 

                  Minha quenga ruela, língua solta, traíra, xisnove, sente só o que eu te preparei  neste último post deste finado blog.

                 É tua a escolha entre a manjedoura, onde terás deslocadas as juntas do corpo, ou a ter chumbo derretido jogado nesta tua boca suja.

                Terás ainda que  comer partes de teu corpo  misturados a merda, urina, suor, lágrimas, catarro, pus e sangue desovulado.

                 Portando, minha cara alcagüete, te reservo os seguintes instrumentos:

Roda de despedaçamento    

            Serás amarrada na parte externa porque abaixo da roda há uma bandeja metálica na qual ficam as brasas e à medida que a roda se movimenta em torno do próprio eixo, tu serás queimada. Se preferires, troco as brasas   por agulhas metálicas.

Dama de Ferro    

        Serás ferida  grave mas não mortalmente com espinhos metálicos dispostos na face interna das portas desta espécie de urna funerária testada desde o dia 13 de agosto de 1515.

Berço de Judas    

       Serás sustentada por correntes e colocada “sentada” sobre a ponta da pirâmide  que serão afrouxadas   gradualmente, fazendo com que este teu   pressione e fira  os teus ânus,  vagina e cóccix.  

Garfo     

      Serás presa numa haste metálica, com duas pontas em cada extremidade semelhantes a um garfo,    por uma tira de couro ao teu pescoço  que, ao ser   pressionada, vai   perfurar tua região abaixo do maxilar e acima do tórax.

  Pêra

      Serás introduzida, pelas tuas boca ou vagina, a um instrumento metálico em formato semelhante à fruta pêra que tanto gostas e ele aos será expandindo aos poucos dentro de ti.  

Máscaras    

          Serás obrigada a vir trabalhar com uma máscara de metal que te incomodará mais pela exposição pública do que pelo sofrimento.

Cadeira    

                    Serás sentada pelada numa cadeira coberta por pregos sentindo ainda o calor das brasas colocadas na bandeja na parte inferior.   

Cavalete    

                   Serás   posicionada de modo que tuas costas se apóiem sobre o fio cortante e os braços fiquem presos aos furos da parte superior e os pés  às correntes da outra extremidade.                 Além disto,   através de um funil ou chifre oco introduzido em tua boca de tamanduá, terás que beber   água, com o nariz tampado para impedir o fluxo do ar,   provocando teu sufocamento até quase perto da morte, mas não chegando a tanto porque sou contra a violência.

Esmaga cabeça

                  Serás pressionada pela cabeça neste capacete, através de uma rosca, de encontro a uma base na qual terás teu maxilar encaixado até teres este teu crânio esmagado, deixando fluir tua massa cerebral.

Quebrador de joelhos    

                 Serás pressionada pelos joelhos, progressivamente, até teres esmagadas a carne, músculos e ossos, por placas paralelas de madeira unidas por duas roscas que se encontram a  cones metálicos pontiagudos.

Mesa de evisceração    

                Serás presa sobre a mesa de modo que as tuas mãos e pés fiquem imobilizados, enquanto receberás,  manualmente,  um corte sobre teu abdômen onde  era inserido um pequeno gancho, parecido com um anzol, preso a uma corrente no eixo, para serem extraídos, aos poucos, os teus  órgãos internos.  

Pêndulo    

            Serás amarrada pelos pulsos, com os braços para traz,  por uma corda que se estende até uma roldana e um eixo e que será  puxada violentamente para deslocar teus ombros e provocar diversos ferimentos nas tuas costas e braços.

Potro    

              Serás deitada sobre uma mesa e teus membros serão presos por cordas que serão giradas com uma manivela, por sete vezes, produzindo efeito  torniquete até sentires teus ossos todos esmagados.

 

Atenção!

                     No findamento definitivo deste blog, agradeço piamente os ensinamentos que recebi do padre católico dominicano, Frei Bernardo Guy, sem os quais não estaria apto a aplicar estas torturas em todas as minhas indigestas denunciantes X-9.

Comercial!

                  Se tu tiveres algum desafeto e quiseres aplicar estes instrumentos, podes comprar o “Livro das Sentenças da Inquisição”. É o melhor tratado de torturas de todos os tempos. Melhor ainda se for no original guardado secreto no Vaticano:

 

LIBER SENTENTIARUM INQUISITIONIS

Bernardus Guidonis – 1261 – 1331.

 

Portanto, eis a minha derradeira mensagem neste blog:

  

–  V Ã O     À     M E R D A  !!!

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