Paris



Sábado na matina, sol lindo cá na ilha, fantasio o torresmo com a branquinha, cadê o caldinho, mulata Luanda?

– Polaquinho, minha florzinha. Hora de acordar.  Ir prá rua. Trotar. Emagrecer. Já!!! A não ser que você queira que eu vá, eu mais este corpicho, sem você para Praga em maio. Vá!!!

Madame by Mamcasz

Na prima volta ao redor das duas quadras ditas super, tudo bem. Por ora, aqueço o joelho direito, na hora da pontada do esporão do calcanho esquerdo. Daí, esqueço o aqueço, a cabeça  a rodar, pensamentos nunca sanos. Diminuo o passo. À frente, a jovem manceba. Bom jingado. Ritmo bem ancado. Apesar do colega, também aborrescente, no papo desestruturado. E ela prá ele e eu ali:

– Pois noutro dia eu fui no médico e ele disse que eu estou com alto estrésse.

E eu, sem querer, incontido polaco, replico, em voz alta:

– Auto com  u ou alto com éle?

O futuro pretenso, duvido, não leva jeito, casal de pombinhos, se vira e …

– É alto estrésse com éle, polaco intruso, e você tem o quê com isso?

E vieram para cima de mim, suado, amuado, polaco, ainda bem que, agora, por ora, aquecido o suficiente para apertar o passo. E a manceba, agora atrás de mim:

– Polaco, mostra aqui pro meu rápa capoeira a diferença entre éle e u.

Daí… polaco esquecido, ainda bem que aquecido, do passo  ultrapasso para o trote.

Na subida da entrequadra, diminuo o trote, o casal  pré-estressado distanciado,  escuto o grito advindo do bar do Carioca, que não se chama Manoel, mas Zé, de Zeferino:

– Polaco. Tá correndo da Madame, é? Mariquinha. Se fosse macho vinha aqui pruma branquinha e o torresminho da Luanda.

Em defesa da lídima honra polaquiana, máscula por natureza, aparentemente não mais persequido nem por madame e muito menos pelo capoeirista,  sôfregoeu me desvio  para o lado dos coleguinhas jornalistas, ô subrraça, é assim mesmo que se escreve?

– Sei lá, polaco, sou teu copidésqui por acaso? Bebe a segunda, vai.

– Manda outra. Mais uma pro santo. Péra aí. Tá telefonando prá quem?

– … Madame?

Saio na corrida outra vez. Preciso de um novo suor urgente. Esta modernidade de telefone com imagem instantânea, em movimento, me deixa sempre puto da vida. Sou mais eu na fila do orelhão:

– E aí, morena, vai ligar pro cachorro, vai? Precisando de ficha? Qualquer coisa, é só dizer…

Moral do Lero

Os putos dos coleguinhas jornalistas do bar do Carioca perdem feio a sacanagem que aprontam comigo. Chego em casa, esbaforido, lanhado mas, o mais importante, suado de montão. Madame me recebe:

– Polaquinho. Olha só o que teus amigos pinguços me mandaram.

E eu, todo cabreiro, auto-estressado, com u, porque controlo pelo interesse do momento – que foi?

– Que bunitinho você correndo. Acima do que eu tinha mandado. Era só para trotar. Que gracinha.

Abro aquele riso enorme, mas silencioso, a tempo de ouvir um senão que Madame sempre tem:

– Agora vai tomar banho porque este teu suor está fedendo a cachaça da semana passada. Vai que eu estou, Madame nunca fala “tô”,  preparando uma salada verde.

Aparentando felicidade tamanha, debaixo do chuveiro, ruminando fictícia grama, acho gana para cantar:

– Eu não sou cachorro nãooooooooooooooo…….

homem-by-mamcasz


Eu, coelha figura,

Amestrada nas carreiras  faceiras,

Nas rasteiras do sempre rotineiras,

Aplicadas na gente cá de Brasília é

No lombo do Eu,  coelha?

*

Eu, galinha figura,

Amante digerida nem divertida

Nos instantes insanos do sonho

Toco nessa  desnuda maestrina

Pelo obreiro aclamada de noite

Sugada do  meu suor extraído

Do lombo do Eu, galinha?

*

Eu, réptil figura,

Em meias rasteiras pós-graduada,

Entre as companheiras a mais vil,

Na cobrança, mais desmilinguida,

Aceite o último escarro  cuspido

No lombo do Eu, réptil?

*

Eu, vaca figura,

Doida rainha da boiada alternativa

Nessa esperança doída de vingança

Alimento aos poucos meus venenos

Tão plenos de minúsculas particulas,

Escorridas das  peles dessa escama,

Morena, um requiem a teu mugido

No lombo do Eu, vaca?

*

Por tanto, na figura da inimiga futura,

Pelo menos as vaca, galinha, e coelha,

Espeto por inteiro no fogo do inferno

Num só riso aclamado pelas formigas,

De boca cheia na encruzilhada da vida.

Image

Amém.


Oscar Niemeyer Museum (NovoMuseu), Curitiba, B...

Oscar Niemeyer Museum (NovoMuseu), Curitiba, Brazil (Photo credit: Wikipedia)

Comunista, Oscar Niemeyer dizia que a arquitetura dele era para rico. Além dos mais de 500 projetos espalhados pelo mundo,    ele  deixa uma obra social apenas no escrito, onde  lamenta a miséria que o cerca. Confessa que a arquitetura  dele nunca foi  dirigida para os pobres que, no entanto, como consolação proletária, têm a felicidade de sentir a emoção diante da obra criada.

Ouça-me

https://soundcloud.com/#mamcasz/arquitetura-de-niemeyer

Brazilian Congress being washed by rain. Archi...

Brazilian Congress being washed by rain. Architecture by Oscar Niemeyer. (Photo credit: Wikipedia)


Brazil has shitty GDP in 2012

             Brazil is expelled from the BRICs. Neither did with Paraguay in Mercosul. All because of our Pibinho of Shit this year 2012. Under one percent, or zero over some thing. No use plant more soybeans or send John Doe mingling consumption. GDP in the quarter of 0.6 makes everyone naked all nude: economists,  experts, financiers, banquists, analysts, and even ministers and last but not least, the King, I mean, the Queen of this Brazil varonil.

           Brasil é expulso do BRICs. Que nem fez com Paraguay no Mercosul.Tudo por conta do nosso Pibinho de Merda neste ano de 2012. Abaixo de um por cento, portanto, zero mais alguma coisinha. Não adianta plantar mais soja nem mandar o Zé Povinho se lambuzar no consumo. PIB de 0.6 no trimestre deixa todo mundo pelado, nuzão: economistas, economicistas, especialistas, financistas, banquistas, analistas, minisros e até o Rei, quer dizer, a Rainha.

        By the end of the year some part of this chess tupiniquim will fall. It is the law of the market. Only thing that remains steady is the “God of Heaven!” In the notes of our real, which are now worth less than the 2.12 dollar of the “decadent capitalist empire.” Okay, loser? Bomfíndi.

       Até o fim do exercício alguma peça desse xadrez tupiniquim vai cair. É da lei do mercado. Única coisa que continua firme é o “Deus do Céu!!!”nas notas de um real, que valem hoje 2,12 menos do que o dólar do “império capitalista decadente”. Certo, mané? Bomfíndi.

Coat of arms of Capitán Mauricio José Troche

Coat of arms of Capitán Mauricio José Troche (Photo credit: Wikipedia)


With the arrival of harsh winter in Paris, the French government put into effect a law that prevents eviction until March 15. It is not to increase the population sleeping on the streets, which today can reach 150 thousand. This is the most cruel face of the Euro Crisis. Learn more.

Governo proíbe despejo em Paris até 15 de março

Com a chegada do inverno rigoroso em Paris, o governo francês põe em vigor a lei que impede despejo até 15 de março. É para não aumentar a população que dorme nas ruas, que hoje pode chegar a 150 mil. Esta é a face mais cruel da Crise do Euro. Saiba mais.

Le gouvernement interdit l’expulsion à Paris jusqu’au 15 Mars

Avec l’arrivée du rude hiver à Paris, le gouvernement français a mis en vigueur une loi qui empêche l’expulsion jusqu’à ce que Mars 15. Il ne s’agit pas d’augmenter la population de dormir dans les rues, qui, aujourd’hui, peuvent atteindre 150 000. C’est le visage le plus cruel de la crise de l’euro. En savoir plus.

Para ouvir, clique abaixo:

http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/galeria/audios/2012/11/governo-frances-proibe-despejo-ate-15-de-marco

 

 Script Completo

Quem não paga aluguel em dia não pode ser despejado até o dia 15 de março do ano que vem. É o que manda a nova lei e vale desde o dia primeiro deste mês de novembro. Tudo por causa da crise financeira que atinge principalmente as camadas mais pobres da população. Mas atenção. Isto vale só para quem mora na chique Paris. Não é aqui para nosso pobre Brasil. Então, vamos nessa?

 …

 Pois esta é a primeira notícia que eu trago dos quinze dias que acabo de passar em Paris, a cidade mais cara da Europa. É a crise do euro. A gente está acostumado a receber as notícias da macroeconomia, das medidas tomadas pelo Banco Central Europeu, da recompra de títulos públicos desvalorizados, da queda dos índices das Bolsas de Valores e tal. Mas ninguém é da verdade do povo, do aumento das famílias, principalmente monoparentais, ou seja, formadas apenas pela mãe e filhos, que dormem nas ruas em Paris. E agora começa o inverno, com madrugadas chuvosas e a temperatura abaixo de zero. E como é que fica este pessoal que vive nas ruas?

 …

 A lei que impede, desde o dia primeiro, o despejo de famílias que não estão conseguindo pagar o aluguel em dia, em Paris, é chamada de Trêve Hivernale, ou seja, Inverno das Trevas. É uma das maneiras achadas pelo governo francês para evitar que aumente o número de famílias dormindo nas ruas. Até porque 118 mil famílias, desde o começo do ano, em Paris, foram despejadas. A maioria faz parte da população de 150 mil pessoas que dormem nas ruas da capital francesa. Acontece que, numa operação de emergência, por causa do inverno rigoroso que está começando, o governo de Paris arrumou 19 mil novas vagas, pagas por ele, em hotéis baratos da perifieria ou em albergues, alguns improvisados. Com estas novas vagas, o total chega hoje a 83.000. Só tem o seguinte. A necessidade é de 150 mil. Dois mais dois, 67 mil pessoas continuam dormindo nas ruas em Paris. Palavra do Samu francês e também da Federação Nacional das Associações de Recolhimento e Reinserção Social da França.

E só para terminar a prosa indigesta de hoje porque amanhã tem mais, trazida diretamente de Paris. E por que isto acontece na cidade mais chique do mundo? Simples. A crise do euro. O desemprego. A queda da renda. Principalmente dos emigrantes dos países em pior situação, como a Grécia, Espanha e Portugal, que imigraram em Paris, que está na fase de contenção de despesas públicas.

Então, tá

 

Inté e Axé.


Crisis of the Euro devalues ​​alms in Paris

It is common here in Paris any beggar come to us and ask “piéces deux”, ie two euros, which is more than five Reias. The normal is you give the two pieces of euro or move on. Ça va. You well. But now the crisis of the Euro is getting ugly. And winter is coming mad. Rain and temperatures below freezing. For those sleeping on the street, called SDF, has ever seen, right? It has to appeal to the discount. This same. It’s true. The beggar sleeping on the street so pretty, beautiful, magnificent Paris, is now putting the photo. SOLDES. Scratching puts 2 and 1 Euro. Discount Alms. It is the strongest manifestation of Capitalism Wild. Vale headline in free newspaper distributed on buses and subways: LES DE DF CHANGENT visage. The Homeless They change the landscape of Paris.

 Crise do Euro desvaloriza esmola em Paris

É comum aqui em Paris qualquer mendigo chegar para a gente e pedir “deux piéces”, ou seja, dois euros, que dá mais do que cinco reias. O normal é você dar as duas peças de euro ou seguir em frente. Ça va. Tu bem. Mas agora a Crise do Euro está pegando feio. E tem o inverno chegando brabo. Chuva e temperatura abaixo de zero. Para quem dorme na rua, o chamado SDF, já viu, né? Tem que apelar para o desconto. Isto mesmo. É verdade. O mendigo que dorme na rua da tão linda, bela, magnfíca Paris, agora está colocando na foto. SOLDES. Risca o 2 e coloca 1 Euro. Desconto na Esmola. É a mais forte manifestação do Capitalismo Selvagem. Vale manchete no jornal gratuito distribuído nos ônibus e metrô: LES DF CHANGENT DE VISAGEM. Os Sem-Teto Mudam a Paisagem de Paris.

Crise de l’euro dévalue l’aumône à Paris

Il est commun ici à Paris un mendiant venu à nous et demander “Deux Pieces”, soit deux euros, soit plus de cinq Reias. La normale est de vous donner les deux pièces de l’euro ou de progresser. Ça va. Vous aussi. Mais aujourd’hui, la crise de l’Euro devient laid. Et l’hiver est à venir fou. La pluie et les températures en dessous de zéro. Pour ceux qui dorment dans la rue, appelée SDF, n’a jamais vu, non? Il doit faire appel à l’escompte. Ce même. C’est vrai. Le mendiant dormait dans la rue si joli, beau, magnifique Paris, est en train de mettre la photo. SOLDES. Gratter met 2 et 1 Euro. L’aumône d’actualisation. Il s’agit de la plus forte manifestation du capitalisme sauvage. Vale titre dans le journal gratuit distribué dans les bus et les métros: LES DE DF visage Changent. Les sans-abri Ils changent le paysage de Paris.

Mais uma para os mendigos Sem-Teto da Crise do Euro aqui em Paris. A partir deste 01 novembro e até 15 de março está proibido a retirada de qualquer pessoa que esteja com o aluguel em atraso. O despejo. É a lei do Trêve Hivernale. O Inverno do Cão. A ministra da Habitação da França já garantiu que 19 mil novos lugares serão garantidos para os Sem-Teto. Hotéis baratos na periferia, albergues e tal. Com os outros já existentes, serão 82.890, só em Paris. Beleza. Que nada. A necessidade atual é de 150 mil lugares para os Sem-Teto.

Então, ao lado do Liberté-Fraternité-Equalité, está de volta a camiseta socialista com “Un toit c’est un droit”, ou seja, uma teto é um direito de qualquer um, seja ele presidente socialista ou mendigo capitalista. Ou então, partir logo para uma Revolução Francesa para espantar este Trêve Hivernale que está começando em Paris. Mas pelo que se vê nas ruas, o povo aqui é igual ao daí, mendigo sossegado, e até me faz lembrar a música cantada pelo Zé Ramalho:

– Ê, ê, vida de gado, povo marcado … povo feliz!!!

 Levantamento do SAMU social de Paris garante que o número de Sem-Teto neste Inverno do Cão em Paris aumentou muito por causa da Crise do Euro mais forte em países como a Grécia, Espanha, Portugal e outros que migraram para o sonho de Paris, onde a taxa de desemprego subiu para 11,7 por cento. Pelo levantamento, muitos dos mendigos-desempregados-desalojados-SDF de Paris são famílias monoparentais, ou seja, mulheres e filhos dormindo na rua. Como diria o poeta filósofo polaco, está na hora de chamar a Madame Guilhotina de volta.

http://www.directmatin.fr/france/2012-11-01/treve-hivernale-suspension-des-expulsions-199069


The Crisis of the Euro is in the Eye of the Poor

       First sign of the Euro Crisis here in Paris. Increased the number of beggars. Beggars. Les Misérables by Victor Hugo are back. The whole. And now ask for the most expensive of nerve, deux pièces, monsieur, or two euros, gives five dollars. I answer that this is what they live for day, 17 million Brazilians miserable, sorry, those living in miserable condition, below the extreme poverty line, it is best to read it?

 La crise de l’euro est dans l’oeil du pauvre

      Premier signe de la crise de l’euro, ici à Paris. Augmentation du nombre de mendiants. Mendiants. Les Misérables de Victor Hugo sont de retour. L’ensemble. Et maintenant demander le plus cher de nerf, Deux pièces, monsieur, ou de deux euros, donne cinq dollars. Je réponds que c’est ce qu’ils vivent pour le jour, 17 millions de Brésiliens misérable, désolé, ceux qui vivent dans des conditions misérables, en dessous du seuil d’extrême pauvreté, il est préférable de le lire?

     Primeiro sinal da Crise do Euro aqui em Paris. Aumentou o número de mendigos. Pedintes. Os miseráveis de Vitor Hugo estão de volta. A toda. E agora pedem, na maior cara-de-pau, deux pièces, monsieur, ou seja, dois euros, dá cinco reais. Respondo que é com isso que vivem, por dia, os 17 milhões de miseráveis brasileiros, desculpe, os que vivem na condição de miserabilidade, abaixo da linha da pobreza extrema, fica melhor ler assim?

     Mas cadê a Crise do Euro se os restaurantes estão cheios? Pois é, mané, é tudo igual no mundo todo. Inclusive a reação. O jornal satírico francês Sinemensuel (o jornal que faz mal mas tudo bem) traz a seguinte charge. Três milhões de desempregados. E o porco capitalista aconselhando: Tem mais é que esterelizar todo mundo. Senão, isto não acaba nunca. Bem nazista.

      Tem mais Crise do Euro que não aparece no noticiário internacional copiado da CNN ou das oficialescas TV France, BBC ou DeutchWelle. É o seguinte. É só pegar os anúncios dos jornais distribuídos de graça nos pontos de ônibus e de metrô. Entre eles o Metro, Direct Matin, Connexions e outros. Dê um pulo nos anúncios. Em várias páginas, tem este sintoma mais forte da Crise do Euro no olho do Zé Ninguém, o  Zé Povinho, que só fede e não cheira.

     Pois preste atenção a quantas anda o termômetro da atual crise dita financeira na grande Europa. Anúncios e mais anúncios de compra de ouro nas mais diversas formas: bijoux, lingotes, ou até mesmo, sinta só a crise, DENTES, isto mesmo, meu, pièces dentaires. Ainda avisam que a retirada do dente é de graça. Juro!!!

Ici photo crise ouro

    Outro ponto grave da Crise do Euro que a gente sente mais  ardido no olho do povo aqui em Paris. Virou comum se encontrar nos bares um novo cartaz avisando o famoso Fiado nem para Viado, quer dizer, esta casa não aceita mais qualquer tipo de cheque. Isto porque estamos de saco cheio de tanto cheque borrachudo, ou seja, nombreux impayéis. Merci pela compreensão, etecétera e tal, mas vá comer noutro quintal. Mais ou menos isso.

Zé Povinho, caricature of a Portuguese working...

Zé Povinho, caricature of a Portuguese working class man of the 19th century (Photo credit: Wikipedia)

    Mais uma e fecho este post da Crise do Euro, diferente da Crise do Braziu, onde os pobres estao um cadinho melhor, mesmo que à custa da esmola oficial. Aqui em Paris, está diferente. Os ricos, bom, continuam iguais. Já os pobres, estão indo para as ruas, não para protestar, mas para dormir debaixo das marquizes , pedir esmola, não fazer nada, deixar a vida se esvair numa região dita de países muito desenvolvidos.

   Outro detalhe inmportante nos classificados dos jornalecos que os pobres costumam ler, porque de graça. O que tem de anúncio de pretos-negros-africanos se dizendo de marabous, ou seja, mágicos, feiticeiros, adivinhadores, enroladores, prometendo mudar a tua vida já no segundo encontro, está por demais. Tipo: Monsieur Karamba Grand Marabou. Consiga de volta a riqueza perdida, o emprego, o trabalho sumido, qualquer problema financeiro, mesmo que grave, eu resolvo. Monsieur Ibrahim Medium: résultats suprenants em 3 jours. E por aí vai a Crise do Euro.

     Mais uma Crise do Euro no Olho do Povo. Nunca antes havia visto isto neste país. Hoje é comum nos cartazes de video nos ônibus e nos metrôs o aviso mandando a gente, e não a polícia, que mania mais feia de nós latrinos, ops, ladinos, ops, LATINOS. Atention aux pickpocket. Se parle. Pique-Poquê. Trombadinha. No alto auto-falante, a autoridade manda a gente ficar de olho no bolso e na bolsa. E nas estações tipo Copacabana, cheia de turistas, o aviso é multilingual. Até português e japonês e outras que parece a minha, polaco.


Gente.

A partir de hoje, estou em Paris.

Pas de economie, tá?

Me acompanhem em

http://aveparis.wordpress.com/\

Au revoir


Before the arrival of Dom João VI in Brazil, our money’s worth by weight of the PATACA. Then, it was changing its name and value. Cruzado, new cross, cruise, cruise real and ultimately unlike the beginning, in the plural becomes more reais and not réis.

Dos réis aos reais, a história do dinheiro brasileiro

Antes do Brasil ser descoberto, a moeda de troca se chamava escambo. Depois, com a chegada dos colonizadores europeus, veio a pataca. Depois dos anos 1.700, com Dom João VI chega o primeiro banco. Daí vieram os réis e o real. Com a chega da República, mil réis passam a valer um cruzeiro. Em 1964, cassam o centavo. Volta em 67, junto com o cruzeiro novo. Depois, vira Cruzado. Cruzado Novo. Cruzeiro. Cruzeiro real e, finalmente, valendo até hoje, o nosso real. E o próximo?

(Foto da pataca, que ainda vale em Macao, hoje China)  

Ao contrário dos Estados Unidos, onde o dólar é dólar desde o começo, aqui no Brasil a moeda circulante, ou seja, a representação do dinheiro, em papel ou moeda, além de ter mudado de cara uma porção de vezes também perdeu o valor de vez.

Antes da chegada do rei que fugiu de Portugal e veio para o Brasil, que vira Vice-Reino, a moeda aqui era na forma do peso. Quer dizer, o patacão valia pelo peso de ouro que ele carregava. Simples. Depois,começa a complicar.

Pois então. Chega o rei, funda o primeiro banco,chamado do Brasil que, aliás, quebra de vez quando a família volta para Portugal levando todo o ouro que estava nele guardado, garantindo a moeda que, casualmente, se chamava real, por causa do rei, e um conto dava mil réis. Hoje se fala mil reais, né?

O ouro roubado do Banco do Brasil era o que garantia a quantidade de moeda, ou dinheiro, emitido, regra que vale até hoje quando, por exemplo, circula dinheiro que, somado, corresponde a 80 por cento do nosso PIB, produto interno bruto, soma das riquezas produzidas. Sem o ouro, o Banco do Brasil, o primeiro, fechou.

Português: Cédula de 500 mil réis, emitida pel...

Português: Cédula de 500 mil réis, emitida pela Casa da Moeda entre 1836-1931. Acervo do Museu Paulista. (Photo credit: Wikipedia)

Mas voltando o rumo da prosa para o assunto de hoje. Dinheiro. Em 1942, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, acaba o tal do conto de réis. O real. Mil réis deixam de valer um conto e passam a valer um cruzeiro. Foi então criada a figura do centavo. Em 1964, como falei, acaba o centavo.

Três anos depois, volta o coitado do centavo. Mas cai o valor outra vez. Mil cruzeiros passam a valer um cruzeiro novo. Três anos depois, 1970, nova confusão. Volta o centavo. Volta o cruzeiro. Vamos em frente que a confusão ainda não acabou.

1986. Mil cruzeiros passam a valer um cruzado. Ou seja. Um milhão cai para mil. 1989. Nova desvalorização. Mil cruzados valem um cruzado novo. Ano seguinte muda o nome de cruzado para cruzeiro. 1993. Mais uma queda. Mil cruzeiros passam a valer apenas um cruzeiro real.

Ufa… e finalmente chega o real dos dias de hoje. 1.994. Desta vez a pancada é maior. 2.750 cruzeiros passa a valer quanto? UM REAL. Aliás, este real merece uma prosa especial só para ele.

Então me ouça, pessoa. 

http://soundcloud.com/mamcasz/brasil-vai-dos-r-is-aos-reais

Português: Cédula de mil réis, emitida pela Ca...

Português: Cédula de mil réis, emitida pela Casa da Moeda no Período Imperial. Acervo do Museu Paulista. (Photo credit: Wikipedia


Aprenda a falar francês à moda lusitana.

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– Por que hoje é sábado, Vinicius de Moraes,  hein?

Madame dorme pós o lapin a la mode de Montmartre.

Culpa do italiano Chianti.

– Pode me chamar de Gentilesco, bela!

Detesto estes carcamanos! Tão convincentes… e por conta deste episódio revelo  o seguinte incidente que nunca será domesticado:

– Vocês acabam de me entristecer neste sábado.

Esquivo-me então do lar nesta  tarde sombreada, aqui  é Brasilha.

O elevador stop no 6. Entro. Nova parada. No 3. Neta e avô.

– Boa tarde. Lindo dia. Estou indo para a catequese no Cor Jesu.

Terminal.

Descemos juntos. E a prima mulher desta tarde sombreada me desperta:

– Qual seu nome?

– Mamcasz.

– Mamcasz. Meu nome é Madalena. Este aqui é meu avô Joaquim.  Me escute!

E saimos conversando naturalmente, por que hoje  é sábado, Vinicius, hein? No intermezzo das quadras 200 para as 400, isto é Brasília, só não digo a Asa, o avô, meio que incomodado com a naturalidade do mútuo conversar, iniciada no elevador, pega na mão da neta:

– Nossa, que mão fria!

E ela, no ato, pega na minha e:

– Mamcasz, você me acha fria?

Diante do tremelique contido do avô, eu jogo o lero de que fui seminarista (ah, é?), militar (que posto?), perguntadeira tua neta, vai ser que nem eu, jornalista (nem pensar!!!) e continuamos os três, de mãos dadas, quem sou eu para tornar desfeito o sonho ora feito de uma menina de mãos dadas com dois homens belos (é…), bom incentivo na vida longa (dela…).

– Então tchau, Mamcasz. Eu vou para minha catequese.

E fico eu, ela sabia, tínhamos trocado as falas, na mercearia de nível, espanhola, produtos finos, apropriados para esta tarde sombreada, por que hoje é sábado, Vinicius, hein, por que?

– Ah … pergunto eu, olho de olho na neta do avô militar, meu vizinho.

– Qual tua idade?

– Cinco anos, por que?  mas me diga uma coisa, Mamcasz, quem é este Vinicius?

– É meu amigo, o Moraes de Ipanema, estou escutando a poesia dele aqui, fique com ele :

– Coisa antiga este walkman, mas por você, e pelo teu amigo Vinicius, eu aceito. Tchau.

http://www.youtube.com/watch?gl=BR&v=jpfymRLaPaA

Pois bem. Continuemos, eu e a tua pessoa leitora, embora não de mão dadas. Não te conheço…

 E assim zonzo,  pelos dois fatos que acabo de narrar, é vero, juro pelo Cor do Jesu da menina, entro na mercearia espanhola de produtos finos, tipo endivas e tal. Escolho a mexirica, daquele bem miúda. Porção de pistache. Duas endivas, por supuesto. Caqui chocolate. Couve-flor.

 Dobro a esquina para a prateleira do presunto de Parma. À frente, outra mulher.  Opa… Vislumbro-lhe o cabelo a la Janis Joplin. Sinto um leve torpor no cabelinho da minha nuca. Bom sinal. Sem olhar, retorno a meu destino. Acontece que a saída está bloqueada por mais uma mulher,   algo desorientada, sinto-a não madura,  que nem a outra, mas, juro, longe de mim ter fixado o meu id na retina dela. Na verdade, me desoriento, ainda não refeito da pretérita presente pequena menina elevatória do repente.

– Deixa eu ver – converso comigo mesmo, aparentando solidão.  Pão árabe. Esta pequena boina, minúscula, exige o hamus. Cadê o hortelã?

– Ali, senhor.

– Alá!

Redobro na esquina da outra gôndola. Aprecio o cheiro árabe. Absorvo o momento. Sou pela retaguarda da mente, dita cabeça, envolvido por duas mãos que, juro pelo Coração de Jesus da menina do elevador, já as envolvi outrora para que não caísse, numa madrugada, entre os trilhos de Santa Teresa, no Rio, nos tempos em que Kurosawa nos levava a fazer Dodeskadém. Amém.

– Mamcasz!

– Oi – reconheço a voz do elevador.E retruco:  Não foi para a catequese?

– Ainda vou. Queria te perguntar uma coisa. Se Jesus era filho de Maria, ele era neto de quem?

– Ana e Joaquim. Por que?

– Maria era a mãe de Jesus. Quem era o pai?

– José, por que?

– Então, quer dizer que Jesus nasceu da…

– Menina. Pergunte isto lá para o padre.

– É freira, Mamcasz, seu bobo.

– Melhor ainda. Mulher conhece estas coisas de fazer filho, nem que seja Jesus.

– Mamcasz.

– Quié?

– Quem é esta garota, parecendo as cantadas no sábado pelo teu amigo Vinicius, lá na praia de Ipanema, que está tampando os teus olhos com as mãos rodeadas de pintas tão bonitas?

– Ah. É uma amiga que eu tenho faz mais de 40 anos, desde os tempos do Rio de Janeiro,  continua lindo.

– E por que você passou por ela sem falar nada? Vocês estão brigados?

– Nunca na vida!

– E esta outra moça do lado, nossa, Mamcasz, você está mais procurado do que o Vinicius, né?

– É …  esta moça é a filha desta minha amiga desde o tempo em que ela nem pensava na filha.

– Você não pensava em mim, mãe?

– Minha neta, vamos embora.

– Não sou neta. Sou filha.

– Pois eu sou avô.

– E eu sou neta.

– Eu sou filha!!!

E eu:

– Por que hoje é sábado, hein, Vinicius?

Cada qual segue então seu destino na vida. Pamela Nunes, mulher de Elvis, com a filha, para Pirinópolis, Goyaz, Brazil.

A neta, não a filha, com o avô, para a catequese para saber como nasceu Jesus da barriga…

E eu, de volta aos sonhos de madame, pois ela inda dorme.

Adentro o dito sacrosanto lar. Ou seria sacrossanto? ou sacro-santo? Coloco na vitrola o  Elvis Presley, só de músicas religiosas. Volume respeitoso. Tripla homenagem:

À neta – na ida à catequese, na Cor Jesu.

 À  filha – muito desenchavida na vida, por sinal.

 À mãe – amiga unida nesta longa estrada da vida. 

– Quem, Mamcasz?

– É qual, menina. Qual a música.

– Qual de nós você escolhe?

– Stand by me.

http://www.youtube.com/watch?v=jNjq54fgkhU

Moral do lero deste sábado sombreado cá na Ilha, Asa Sul, Brasília.

Madame acorda, livre dos braços do italiano Chianti.

– Que música é esta?

– Depois eu te conto.

– Foi adonde:

– Lugar nenhum. Fiquei aqui no Facebook.

– Você e este teu Face. Tem que sair. Falar com gente…

E lá foi ela, cafezinho e cigarrinho para o quarto da Sky.

Tempo!

– Florzinha. Corre aqui…

Pronto. Emergência. Acelero-me, na medida do possível.

Na TV, o especial “Where you’re strange”.

Cena 1:

I have a dream. Corta! M.L.King. Som do tiro.

Cena 2:

Nos vemos em Chicago. Corta! J.F. Kennedy. Som do tiro.

Enquanto isto, ao fundo,  Jim Morrison canta:

This is the End. Father.I want kill you. Mother…

https://mamcasz.com/2011/07/17/this-is-the-end-my-beautiful-friend/

– Corta!!! Corta!!! Corta!!!

– Qué isso, Florzinha. Cê tá tão esquisito. Só por que hoje é sábado, hein?

Cena 3

Jim Morrison. Som do tiro.

Cena 4

Cemitério Père Lachaise. Paris. Túmulo dele. Já fui. Aliás, acabo de marcar minha próxima viagem.

Paris.

Era para ser Praga. República Checa. Começo a pesquisa pelo Google. Praga. Resposta:

– Praga de baiano!

Mudo para Paris. Respeito é bom e gozo. Olha só no que está dando.

De qualquer forma, o studio, Place de Ternes, me espera.

 Au revoir. A bientot e coisa e tal. Axé!

Moral do Lero.

1 – Sempre tome cuidado ao ficar perto de uma mulher.

2 – Independente da idade: seja Madalena (5 anos), Maria (25 anos), Ana (45 anos), Madame (uma flor) ou até mesmo eu, Jesus (65 anos).

3 – Por que mesmo hoje é sábado, hei, seu Vinicius?

Mesmo assim, dedico esta música à minha amiga, que era a cara da Joplin, belo sábado, ainda que tenha me comportado meio esquisito.  O que vai pensar a filha dela? Aliás, amiga, tua filha….

http://www.youtube.com/watch?v=WIt3bbqMbHE


Aqui em Berlim tem o tal de trem (S),  tram (T),  busão (H), metrô (U), regional (R), quase bala (ICC).

Pode ser de pé, de boa,  de boca, de nada, de camelo, de bote.

É fácil, quer dizer, mais do menos.

Não é rápido, mas pressa a troco de que, mané?

Primeira dicona:

Tem que ser o mais direto possível.

Precisou baldear, o tempo passa, o tempo voa, e nada  dele chegar.

1 – Metrô Linha  U-1, a mais antiga, linha Kudam, a avenida mais capitalista, à Warschauer, a mais riporonga. Maior parte em cima de viaduto de ferro, como a da foto, na estação Nollendorsf, a mais gay, desde 1800.

2 –Linha de ônibus do metrô, por isso o M, que não é U, nem Bus, mas no ponto tem o mesmo H. Na foto, uma das melhores linhas, vai de Grunewald, a floresta chique capitalista, até Hermannplatz, o coração do bairro turco, pobre e migrante. Daí tem o ônibus normal, que não M, pode ter dois andares ou um só, mas dois ou três carros acoplados. Tem ainda o bus turístico, na base de ab (a partir) de 10 euros por dia, com o segundo andar aberto, mas pode ser fechado, se chover.

….

Agora, vamos às tarifas.

É fácil, quer dizer, mais do menos.

Completo.

Tudo muito bem explicadinho.

O diacho é que é detalhado até por demais.

Um exemplo.

Um cachorro é de graça. O segundo, paga.

Mas o cachorro tem que estar acompanhado, lógico.

Geralmente, cachorro de alemão é mais educado ainda do que a dona.

Bicicleta. Carrinho de bebê. Cadeira de rodas. De apoio.

Tudo em seu devido lugar.

Sempre com a carteirinha na mão.

Pode ser diário, semanal, anual ou vitalício.

3 – Bonde, que pode ser de um até quatro carros, é a herança comunista, só existe na parte leste da antiga Berlim da DDR, e foram na maioria reformados para serem mais silenciosos, mas nem tantos. No caso da foto 01, é da linha M-4 porque, a exemplo do ônibus M, este também é da DB linha metrô, ou U. Tem ainda os bondes múltiplos, para os bairros operários distantes.

4 – Vermelho, dois andares, é o sistema “regional”tipo trem mesmo, poucas paradas e vai mais longe do que a região Berlim ABC (saiba depois), alcançando todo o estado de Brandenburgo, onde Berlim está localizada. Na foto, o Regional expresso que vai até o novo aeroporto, que não está pronto de tudo.

5 –  Para uso de turista mais abonados, tem ainda limusine adaptada do antigo Traba, o carro proletário comunista, por isso a piada de que quem usa ele é da Máfia Russa e pode ser encontrado junto ao Portão de Brandenburgo, o lugar mais procurado pelos visitantes e protestantes.

6 –  Outra moda que está começando neste temporada berlinense de turistas (juno) é o aluguel de um carro elétrico, smart, o car 2 go, que pode ser pego e largado em diversos pontos, com cartão de crédito, existindo o mesmo para as bicicletas DB. Tem ainda as bicicletas alternativas.  Tem pistas só para elas, nas pistas, na frente dos ônibus, e no meio dos turistas distraídos que nunca sabem que aquela faixa da calçada com pedras na cor marrom é só para os ciclistas.

7 –  Tem ainda o barco, que pode ser de uso turístico, pelos inúmeros canais e rios, como o público, tem umas linhas no Wansee, o imenso lago junto da floresta, neste caso o cartão de transporte é o mesmo usado nos outros meios (saiba como usar). No caso da foto, é turístico, central, passando por debaixo de outro tipo de trem, o branco, que é ICC, intercity, bem mais rápido, longe e caro.

10 – Paradas. O tipo básico tem banco, mapa, relógio com o tempo para chegada do próximo, propaganda e sempre o H, no caso de bus, podendo ser ele normal, N ou M.  No   caso de metrô, tem U e tem S, duas companhias diferentes, mas do governo, e mesmo ticket.

Mais diconas.

Ah… não tem roleta, não tem cobrador.

Só devedor.

Se for pego pelo fiscal, ele pode  estar até de bermuda, ser bonito mas não se engane.

Ele não está te paquerando.

Do bolso dele sai, rapidinho, o crachá de identificação .

E a maquininha de débito. Tudo na hora.

Mais a vergonha na cara do pessoal fingindo que não está olhando.

Na verdade, multa de apenas 40 euros.

Não aumenta desde 2003.

Que mais?

Ah… tenho cartão  mensal. 53 euros. Mas…

Só vale a partir das dez da manhã.

A não ser em feriados, sábados e domingos.

Mas daí quase não tem transporte. Demora por demais.

Aproveite para bater um papo.

Pegue leve.

E torça para que não tenha uma pedra no meio do caminho.

O trem se imobiliza numa estação. Todo mundo sai. Todo mundo entra.

Menos você.

E o trem sai. Para trás. Volta. Tem uma obra. Tem que ir para o ônibus do DB.

Quem manda não falar alemão.

Tem o N- noturno, Bus na mesma direção da linha do metrô, só dia de semana.

Final de semana. Sexta para sábado e para domingo, tem o N-U.


S


Still here in Berlin, the city divided by the wall. On the one hand, cool. The other, the united people – black migrants, slavs, arabs, rogues, turks and, well, the old East German communist.

The wall, I think, has not been dropped, while the pictures and facts. Wall that divided even before. On the one hand, the bureaucracy. From another, the proletariat.

Companheiros e Companheiras. Camaradas.

Continuo aqui em Berlim, a cidade dividida pelo muro. De um lado, os bacanas. Do outro, o povo unido – migrantes negros, eslavos, árabes, ladinos, turcos e, bom, alemães do antigo leste comunista. Muro que, penso eu, ainda não foi derrubado, apesar das fotos e dos fatos.

Muro que dividia mesmo antes. De um lado, a burocracia. Do outro, o proletariado.

Doch hier in Berlin, die Stadt durch die Mauer geteilt. Auf der einen Seite, cool. Das andere, das vereinigte Volk – schwarz Migranten, Slawen, Araber, Schurken, Türken und, na ja, die alte DDR-kommunistisch. Wand, denke ich, wurde nicht fallen gelassen, während die Bilder und Fakten.
Mauer, die noch vor geteilt. Auf der einen Seite, die Bürokratie. Von einem anderen, das Proletariat.

Acabo de voltar de dois lugares marcantes no lado leste, comunista, de Berlim. Primeiro, a ponte na Rua Bornholmer (Bornholmerstrasse).

 Foi o primeiro pedaço de muro de Berlim derrubado pelo povo que abriu a fronteira no grito.

Ao contrário da propaganda capitalista, não foi no Brandburgtor não (Portão de Brandeburgo).

 Foi no lado de Wedding, um bairro que até hoje permanece pobre, operário, trabalhdor, enfim, o mesmo proletário de merda de sempre.

Agora, a outra parte da visita na Berlim do Leste ainda desconhecida. É um pedaço de terra, chamado Majakowskiring, tipo península do ministros, na minha Brasília. Aliás, foi construída no mesmo espírito dos mesmos comunistas, na década de 60. De um lado do mesmo muro, o povo.

 Do outro, o poder, os ministros, os governantes, os burocratas mais abastados. Aqui em Berlim, os comunas deram o nome ao pedaço em homenagem ao poeta que adoro, porque da parte da mãe sou Makowski. Mamcasz vem do pai, polaco do sul, quer dizer, do norte da Hungria, meio cigano. E Maiakowsky é o grande poeta russo a serviço do Poder, dizendo-se defensor do Proletariado.

Então, siga nas fotos como vivia o poder na Alemanha comunista, do Leste, DDR. Escondida do povo que não à toa insistia em pular o muro, mesmo que sendo morto a tiros pelos guardas nas torres-guaritas.

Enquanto isto, os companheiros e companheiras ainda vivem nas mordomias, auxílio-moradia, pensão perpétua, empregos camaradas, sem contar os dólares nas cuecas para alimentar os mensaleiros do todo sempre.

Com vocês, a península do ministros em Brasília, quer dizer, o quarteirão Maiakowsky, na Berlim Oriental, a Comunista:

 

Na mansão do número 28, morava o construtor do Muro de Berlim, o Walter Ulbricht. Na do número 58, o último presidente da DDR, o Wilhelm Pieck. Na dacha vizinha, outro fantasma do Apparatchiks. Todos com direito a todas as mordomias, algumas jamais conseguidas pelo Zé Ninguém, o povo do Proletariat. Coisas tipo telefone, carro, televisão, então, nem pensar. E ainda ouço o fantasma do Vladimir Majakowski declamar a todo vapor:

“E eu, sem casa e sem teto, com as mãos metidas nos bolsos rasgados, vago assombrado.”

“Eu, somente com os edifícios,converso.  Somente os canos respondem.  Os tetos como orelhas espichando suas lucarnas aguardam as palavras que eu lhes deito.”

 (Minha Universidade-V.Maiakowsky)

“Tudo que quiserdes eu farei de graça: esfregar, lavar, escovar, flanar, montar guarda. Posso, se vos agradar, servir-vos de porteiro.  Há, entre vós, bastante porteiros?”

(Dedução- V.Maiakowsky).

 

“Ressuscita-me para que ninguém mais tenha que sacrificar-se por uma casa, um buraco.”


My day, today, here in Berlin, was only to follow my   madame around the gay piece, since the days of Uncle Adolf, Hitler, at Shönemberg. And this post goes to the major of now Berlin, Klaus Wowereit, assumed gay. He says that this city is poor but very sexy. This is true. And very beautiful.

 O dia hoje cá em Berlim foi de apenas acompanhar madame no pedaço gay, desde os tempos do tio Adolfo, o Hitler, em Shönemberg. Este post é oferecido ao prefeito de Berlim de hoje, Klaus Wowereit, um gay assumido. Ele diz que esta cidade é pobre mas muito sexy. É verdade. E muito bonita.

 Mein Tag, heute, hier in Berlin, war nur zu meiner Frau um den Homosexuell Stück folgen, seit den Tagen von Onkel Adolf, Hitler, an Shönemberg. Und dieser Beitrag geht an den Bürgermeister von Berlin nun, Klaus Wowereit, angenommen Homosexuell. Er sagt, dass diese Stadt sehr arm, aber sexy ist. Dies ist wahr. Aber so schön.

Na condição de um mero simpatizante, segui dona Cleide, mudo, só olhando, primeiro o bar que o casal David-Igor frequentava nos anos 70, então bibas pobres (só tô repetindo). Quem? David Bowie e Iggy Pop, meu.

Depois, madame me conduz pela mão até a casa onde nasceu a diva deles todos deles e delas, porque o pedaço é de gays e lésbicas, muito bonitos por sinal (ih…). Ah. Falo da diva Marlene Dietrich. Que pernas … um anjo, inda que azul.

Marlene Dietrich está enterrrada aqui perto, túmulo florido, simples, mas a coisa mais liiinnnndaaaaa do Universo todo, neste pedaço dos gays em Berlim, quem já viu Cabaret? – coitados, foram quase exterminados, que nem os judeus e os ciganos, pelos nazistas. Sobreviveram. Os bandidos, não. Quer dizer, tem skinheads e neonazistas voltando lá das bandas de Pancow.

 Mas, continuando que acaba de passar por mim um casal germânico musculoso, madame que me aponta, e o que mais me chama atenção são, realmente, os bicipes da dupla, que, anoto, não combinam com a minúscula e chique bolsinha de presente comprado na butique ao lado. Mas, enfim, tudo bem, eles é que estão carregando. E o peso deve estar enoooooorme que resolvem parar para mais um cafezinho. E eu também…

Ah… só para fechar.

Madame me leva de novo pela mão até um bar, vamos lá que é o máximo, diz ela, e se chama Sorgenfrei, tudo dos anos 50, mobília, som ambiente, mesas de fórmica, caixas de som…

Peço de cara  um pedaço de torta daquelas quadriculadas, chocolate e marzipan, ein stuck nugatmarzipan, e engato uma conversa com o musculoso atendente, simpático, sim, bonito, adianta madame, e pergunto para ele, em inglês, o que significa, em alemão, o nome do bar, Sorgen, porque frei eu sei que é de graça, livre, à vontade, só falta então o tal de Sorgen. E a biba, bem sério, me olhando nos olhos:

– Polaco, sorgen é a mesma coisa que salame, salsicha, tá sabendo?

– Num tô não, corto o papo, como a torta, mais gostosa do muuuunnnnddooooooo, numa mesa muito da chiquerrézima, saca só as fotos, mané, e sem qualquer  comentário, tá?

 

And now, minha  madame, a dita florzinha, que me levou pela mão por este pedaço gay chique de Berlim,  dizendo tchuss=beijinhos (mas fazendo beicinho, em alemão).

–  Eu não! Nein!

– Florzinha!!!

Mais detalhes deste incrível bar em:

http://www.sorgenfrei-in-berlin.de/

 

Mais detalhes deste incrível bar em:

http://www.sorgenfrei-in-berlin.de/

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