Paris



Eu tenho uma amiga em Brasília, très chic, Gloria Machado.

Ela sempre diz para mim:

– Mamcasz, po…., se for para ver pobreza, vá pra p… que p….

Bien Sûr. Então, em homenagem à minha amiga, pardon,Don Fernando.

Taí a foto mais linda que fiz ici a Paris, desta vez:

Place Vendôme. Obelisco construído de 14 mil canhões.

Ministério da Justiça. Do lado direito, Hotel Ritz.

Do lado esquerdo, lojinha Rolex.

No meio, o obelisco.

No outro lado, Chanel, Vuitton, Van Cleef, Prada e escambau.

A pé para pegar o metrô na Concorde, tudo isto, no sinal.

De um lado, o Louvre, antigo palácio de reis.

Do outro, o palácio da minha rainha Bruna.

Quase fui visitar minha filha.

Para azar o caixeiro viajante Sarkozy.

E então, madame Glorita?

Au revoir.


Rapidinho porque preciso flaneus ici a Paris.

Não mais pelo Corcovado, Louvre, Pão de Açúcar, Champs Elysées

Mas, agora, um dia só no Marais.

Outro, em Butte aux Cailles. Ou em Belleville, a sensação nova.

E, muito sobe-desce ladeiras de Santa Teresa, no Rio.

Ou nas zonas ao redor do Pelourinho.

Falo (?) de Montmartre, dos maiores artistas e pintores.

Evitando Place de Ternes e Basílica de Sacre Coeur.

Mas parando em lugares que nem a Place Marcel Aymé.

 

PARIS POR DENTRO DOS MUROS

A história deste monsieur aí em cima é interessante.

 Funcionário classe C, baixo calão, humilhados.

Daí, para se vingar do chefe chato, inventou o seguinte.

 Ele passava por dentro das paredes, por dentro do muros.

Tanto foi verdade que mais de um chefe dele acabou no hospício.

 E virou peça de teatro famosa com o ator Marcel Aymé.

 Ah, o nome do artistão era Dutilleuil.

 Uma pessoa de troisième classe, mas que …

 “adentra o coração como um raio de luz da lua”.


E não é que a internet cá no apartamento em Paris pifou?

 Parece terra de índio, sô.

Chamo o técnico, demora.

Chega reclamando. É tudo merde…

 Para mim, aussi, monsieur.

 Mexe, fuma um cigarrinho mexe, merde!

Mexe mais um pouquinho, merde, mexe mais.

Depois de um monte de merde, não aguentei mais.

Escuta aqui, ô monsieur de merda.

 Merde por merde, deixa eu mexer também.

 – Mais je suis l`especialiste!!!

Especialista o cacete, merde monsieur.

Daí ofereci um cigarrinho brasileiro tipo paraguaio.

Mais um copo de Beaujaulais tinto.

Daí começamos a mexer juntos, merde para cá, merde para lá.

 E não é que a coisa  de repente funcionou? Era apenas um fio, juro pela virgem Santa Joana D`Arc.

– Moi aussi, diz aí pros teus amigos índios.

 – Cala a boca, monsieur de merde!

Era o fio do cabo (TV, telefone e modem) que estava quebrado.

Mas só no furinho do modem.

Daí enrolamos mais uns quatro, matamos mais umas duas garrafas,

 falamos umas mil merdas a mais e …

 – Adieu Monsieur Braziu.

Manda um alô aí pros teus amigos botocudos!

E se foi, ainda bem, que tô atrasado.

 Tenho umas fotos para mandar pros meus amigos tupiniquins.

 – Ô monsieur, volta aqui, cacete, não é botocudo, é tupiniquim, merde.

 E lá vão algumas fotos que eu chamos aqui de

PARIS EM CIMA DO MURO.

 Inté e Axé!!!


Enfim, de volta a Paris, nomesmo apartamento.

Do aeroporto até  a Rue Daguerre, ao som de frevo.

Isso mesmo. Trouxe o cd100 anos de frevo de cadeau para o Jean-Paul.

 A vrai spetacle, monsiuer, me diz ele, com o som no carro pela peripherique.

 – É a mesma coisa que samba?

–  Il est la même chause que le sambá? Esta foi fácil explicar.

Difícil mesmo foi traduzir o subtítulo do CD:

 100 anos de frevo para perder o sapato.

Mas, enfim, 13 horas de viagem, e sou recebido por  Monsieur Joel.

 Um francês negro, avós do Marrocos, tal qual um guia da Rocinha do Riô.

 Então, Paris seis graus, quatro da tarde, saio de leve antes que escureça.

Direto pro Chez Papa, vinho tinto e esta puta salada:

Daí, então, leve caminhada, promenade ou flaneur, ou seja, coçar o saco.

 Nas bancas de jornal, as primeiras fotos do ex-magnífico Muhamar Kadaphi. Nenhuma foto do mutilado de guerra, na sarjeta, ao lado de líderes.

 Nem o Sarkozy, que passava as férias com ele, e muito menos o nosso Lula.

Mas, voltando à minha flanada inicial aqui em Paris, tem a crise financeira. E a pergunta que não quer calar.

Tradução na letra do pé bichado:

 Quem tem que pagar são os banqueiros e não o zé povinho de merde.

Assinado: PCF. Atenção, não confundir com PCBdoB.

Aqui em Paris, os comunistas, não roubam nem comem as criancinhas.

 Mas ainda sonham em dizer que o poder é do povo, meu:

Pois então fui atrás deste tal do povo.

O mesmo que esquartejou o Gadaphi.

 Bárbaros?

Que nada, mané, precisa saber o que o povo francês fez.

 Na Revolução Francesa, botou rei na guilhotina.

E arrancou os outros dos túmulos para cortar em pedaço.

Mas voltando às minhas primeiras horas de Paris.

Encontro de cara, na Rue General Leclerc, na 14, o dito povinho.

 Pintor de rua, de calçada cheia de mijos e merda de cachorros.

Homenageia Salvador Dali, passou por aqui.

Que nem Picasso, Monet e o escambau.

Este, de hoje, avisa.

Antes de pisar na minha obra de arte, me dê um trocado.

 Como dizia o Ibrahim Sued, ademán.

A


Em Paris, ulalá,
chego nesta sexta, 20-10-11, pela undécima vez.

E tem um bar onde o lero é este.

Digo um poema, ganho uma taça de vinho.

L’Atelier du Plateau

Il va falloir payer de votre personne si vous voulez
bénéficier d’un verre gratuit lors de la soirée mensuelle

 Slam de l’Atelier du Plateau,

 « Centre Dramatique National de Quartier »,

en montant sur scène et en
disant un poème ou un texte.

Et pourtant, lá vou eu,
pelo Clube do Ócio,  Nuvem Cigana,  Poetas Marginais,

em nome do povo brasileiro,

 ler meu seguinte poema, em Paris,

ele vale um trago,

longe de mim o aspirar o título de doutor honoris causa.

Mesdames et Messieurs

Pardonnez mois pour mon français

Je suis un  poet zen plus un brèsilien

Pourtant, j`ai le pouvoir de penser:

Au demain, il y a une neuve lutte

Mais aussi la même image

Une neuve lutte perdue

La même image defete

Une neuve lutte perdue dans ma vie

La même image defete dans ma morte

Une neuve lutte perdue dans ma vie periclitante

La même image defete dans ma morte persistante

Une neuve lutte perdue dans ma vie periclitante par l’office

La même image defete dans ma morte persitante par l`orifice

Une neuve lutte perdue dans ma vie periclitante par l`office oral

La même image defete dans ma morte persistante par l`orifice anal

Oui, Mesdames et Messieurs

Au demain

Neuve lutte

Même image

Neuve lutte

Même image

Neuve lutte

Même image

Neuve lutte

Même image

Neuve lutte

Même image

Même merde, mon Dieu

De la vie et de la mort

De la vie perdue

De la morte defete

De la vie perdue dans la fête

De la mort defete dans la bête

De la vie perdue dans la fête de la mort

De la mort defete dans la bête de la vie

Morte, merde, mon Dieu de la vie!

Então, a tout allors, cambada de índio. Tô indo, agora para valer, para minha Paris. Adieu!!!




A Vitória Suprema do Coração.

La Victoire Suprême du Coeur.

           E isto lá é nome que se dê a um restaurante, pardon, a um bistrozinho simpático que fica perto do metrô Chatelet, em Paris sempre tem que ter o M. Tudo acompanhado de um chá com pimenta.

            O nome que se dá a um bistrot em Paris é muito importante e faz parte da história.

            Tem o Patati-Patatá, M – Bastille.

           Tem o Mon Viel Ami, com a velha torta de chocolate.

           E o Ave Maria, M-Belleville, noutro canto da cidade, com o peixe da Amazônia.

            E Le Café que parle?

            La Favela Chic.

          Ou coisa mais solta,  Le Zéro de Conduite, seria Vale Tudo?

     Falar de comer em Paris não é esnobe porque tem para todos os alcances.

      Desde o plat de jour, do meio dia às duas e meia.

     Até o que eu faço, com cinco euros, no As du Falafel, no Marais.  Compro o sanduichão árabe-israelense, na mercearia em frente pego uma meia garrafe de vin rouge, na minha mochila já tem os dois copos, porque Paris nunca se deve fazer sozinho, e vamos a pé, logo ali, na praça mais linda da cidade, a Place de Vosges, num banco junto à fonte, em frente à casa do Vitor Hugo, tudo ainda parece o palácio dos reis, e foi, antes do Louvre e de Versailles, e, bom, deixa a vida me levar, bien sûr, né?

      Que mais?

     Descer no metrô Courvisar, uma estação antes da Place de Italie, subir umas escadinhas morro acima, quer dizer, butte, e justo no Aux Cailles, na segunda quebrada, eis o bistrô catalão Chez Gladinez e a enorme travessa de metal, individual, com um saladão, meu, por menos de 10 euros.

     Se for o caso de algo mais encorpado, um vinho tinto e um filet au montagnard, quente, o molho de queijo borbulhando em cima, mais a cesta de pão crocante, a conversa com os vizinhos, porque é tudo num mesão sempre cheio de gente local, nada de turistas, quiçá, um casal de viajantes, que nem a gente, no más.

    Agora, esta é para fechar o trânsito.

    Em Paris, tem a Grande Mesquite. Estive lá de madrugada, na última Nuite Blanche, quando toda a cidade se abre, noite inteira. Mas estou falando, cá, de uma ida a esta mesquita para desenvolver o seguinte cardápio, tudo bem que esta saiu por 58 euros, veja se não vale a pena:

– Sauna, dez minutos de massagem, ducha, banho turco, descanso na esteira, música árabe, chá de hortelã, sauna, ducha, roupa, restaurante, formule orientale (fileira de mezés), chá de hortelã, doces mil folhas, rendados, melados em Mil e Uma Noites.

       Que mais? Só falta ir. Estas são de outras. Mas a undécima vez está chegando. Afinal, ir a Paris não é que nem ir a Miami, correndo. Tem que ser tudo doucement, doucement ma chérie, certo?


Francês só pensa “naquilo”: comer demorado demorado.

       “Na cozinha francesa, os pratos são feitos para saciar a alma e não a fome”.

       Não sei mais quem escreveu mas que eu li, lá isto eu li, antes da primeira ida à Paris.

       Sou dos tempos da Carta Orange. Agora é Navigo Decouverte, depois explico.

       É que agora estou que nem o francês. Só consigo pensar “naquilo”.

      Ou melhor, nisto, no Chez Papa, o mesmo de sempre, o da 14.

      Da janela, mesma mesinha no canto, olha a rua e, do outro lado, os seguintes:

      Charles Baudelaire e a Dama das Camélias.

     Guy de Maupassant, Samuel Beckett, Man Ray, capitão Richard Dreyfus.

    Numa tumba singela, deitados, mãos dadas, Sartre e Simone.

    Serge Gainsbourg me oferece um ticket do metrô.

   As fãs deixam milhares por causa da canção:

    Le Poinçonneur de Lilas.

    – Madame e monsieur, atenção,  ici votre Salade Boyarde.  Bon Apetit:

http://www.chezpapa.com/index.html

         Mas como estava falando, francês só pensa “naquilo”:

         Comer bem devagar. Divagar. Demorado. Sem pressa,

         Mas tem que ser lento, gradual, sem medo do ápice.

        Até chegar à sobremesa, ao queijo, ao beijo.

       Hora de espraiar um pouco, largar a conversa, olhar.

           Agora, sim, um cigarro e um cafezinho, bien sur.  É de lei.

           Au revoir,meu, que esta vida  é très fragile.

           E vamos que vamos.

          Afinal, ainda nem chegamos a Paris, pela undécima vez.

 Ao fundo, para alongamento deste momento de relax, ouça a música, de 1958,  que ainda leva gente a deixar o ticket do metrô no túmulo do Serge Grinsbourg, no outro lado da rua, no cemitério de Montparnasse.

http://www.youtube.com/watch?v=HsX4M-by5OY


Je t`aime mas nem tanto, mon amour…

           Se tem coisa que francês mais gosta na vida é comer…

          Comida.

          Tem até a frase:

         A comida é para saciar a alma … nunca, a fome.

         Por isso, a comida de hoje, é a espiritual.

         Nesta undécima volta a Paris, vou rever o muro do je t`aime.

         I Love you, babe,  escrito na pedra em mais de 320 das quatro mil línguas existentes neste mundo surgido na Torre de Babel.

     É eu te amo para tudo que é lado.

     Mas, afinal, tem lugar melhor do mundo do que Paris para dizer je t`aime, mon amour?

    Pode ser no creole de Martinica: a-mi-to-ma-ké-ba-lo-ba-chi.

    Ou então no creole do Haiti: moin-rin-mim-oi.

   Tem o creole da Bahia: tô-na-tua-tá?

    E na língua tonga, aquela do Vinicius de Morais, na tonga da mironga do cabuletê, em que se diz eu te amo assim:

    – O-kou-o-ou-o-fa-la-ki-a-tiu (ou dá ou desce). Saravá!

            O muro je t`aime em questão, em Paris, fica para os lados do Montmartre dos Van Gogh, Picasso, Monet, Modigliani e uma porradésima de gente famosa, depois  virada pó.
Metrô Abesses. 18, como se diz. O mais profundo da capital francesa. Square, ou Quay Jéhan Rictus.

            Oui, ma petite femme, je t`aime, mas nem tanto, tá?

            Bisou!


Me namore que eu te levo para Paris

             Namore moi qu’un jour je vais vous emmener à Paris. Qui n’aime pas se laisser séduire par de telles promesses et beaucoup de rêves taille complète: Promenades sans fin à travers les boulevards de la capitale. Des milliers de baisers devant les petites tables a les petits cafés. Rafraîchir les bords de la Seine les tenant par la main.Demandez au incognito qui nous reflète, côte à côte, le fond dans les objectifs du paysage. En retour, prolonger un goût d’invitation qui est très agréable.

           “Fica comigo que um dia eu te levo a Paris” – quem não gosta de ser seduzida com tais múltiplas promessas e do se completar tamanho sonho: infindos passeios pelos boulevares da capital, trocar beijos vagarosos junto às minúsculas mesas dos repousantes cafés, mãos dadas pelas beiradas refrescantes do Rio Sena, pedir ao incógnito que reflita, lado a lado, aquela paisagem ao fundo nas lentes que, ao regresso, eternizam o sabor de tão prazeiroso convite.

       Après avoir tenu les mains dans les jardins de Monet – restent les mêmes que les peintures, et regarder les détails dans la cuisine avec des tons jaune, ensemble nous irons monter les escaliers en bois que sont usés-faires, et à l”egtage, à côté de la fenêtre de la chambre, en tirant le perfurm des fleurs, lá-bas, je vais t’attirer l’attention sur un détail, que est toujours le même au lit où Monet ressenti l’amour et est tombé endormi rêvant des images qu’un jour il y aura la peinture. C’est alors seulement que j’aurais le courage de te demander:

      – Veux-tu m’épopuser?

      Et allor?

      Depois de passearmos de mãos dadas pelos jardins de Monet – continuam tão iguais às pinturas, e de olharmos os detalhes na cozinha com tons amarelos, subamos juntos as escadas de madeira- quão gastas estão, e no andar de cima, junto à janela do quarto, atraindo o perfume das flores lá embaixo, vou Te chamar a atenção para um detalhe -ainda é a mesma cama onde Monet sentia os amores e adormecia sonhando com os quadros que um dia haveria de pintar. Só então eu teria a coragem de  perguntar :

    –  Você quer casar comigo?

    E aí?


              Parte Um

              É tão bom ver uma cabeça coroada rolar na guilhotina…

             Uma ida, pena que tenha volta, como tem acontecido por uma dezena de vezes, a Paris, exige três partes de um mesmo corpo: antes, durante e após.

             Antes, tem a preparação, nos livros ou nas  traiçoeiras páginas internéticas, mesmo que o local de pouso seja o mesmo, pela terceira vez.
         Durante, bem, tem a restauração do que tem que ser repetido em Paris, a Place de Voges, par exemple, o sorbet da Ilha São Luís, o sorver no Chez Papa.

             E o depois, bom, é a revolta da volta de uns tempos na Lutécia nascida junto com o Jota Cristo, bem que os dois podiam ter-se casado e dado filhos.
 

                Primeiro, vamos  começar pelo recém-lido livro do do jovem filósofo inzoneiro chamado Lorànt Deutsch

 

                 

         A idéia central deste livro, de uma viagem  pelas estações do metrô, desde o primeiro século até às excrecências arquitetônicas do século XX, não foi cumprida.

         Mas todo livro, mesmo que pior, sempre deixa um gosto de mel, este me deixa na boca as toneladas de sangue que correm pelas ruelas de Paris, ao longo da sua história, na forma de tremendas carnificinas:

         Judeus em 1200, protestantes em 1700, pobres de Paris jogados aos milhares no Rio Sena pela peste, fome ou simplesmente pelos machados afiados das turbas.

        Agora, deste livro, levo duas coisas nesta viagem a Paris.

        Uma, é a tremenda história de a heroína, dizem que santa e virgem,  Joana D’Arc, ser fruto indevido da rainha Isabel da Baviera, casada com o maluquésimo Rei Carlos VI, mas apaixonada pelo irmão dele, o cunhado, o duque Luís de Orleans, simplesmente por ele ser o seguinte:

      “Um belo garanhão pronto a relinchar diante de qualquer mulher”.

      O outro detalhe deste livro de 343 páginas, que acabo de sorver, está na página 332, e vou conferir in loco, na atual place de La Concorde:

      “Em 1789, chamou-se praça da Revolução e aqui erguia-se a sinistra guilhotina (Liberdade, Igualdade e Fraternidade).  A conta foi feita: 1.119 cabeças rolaram nesse lugar e entre elas as de Luís XVI e de Maria Antonieta”.

       Aur revoir.

      Amanhã, volto com mais uma pré-saudação à minha Paris.

      Antes, uma foto doutras idas, com voltas, infelizmente:

 

       O Pensador, no Jardim de Rodin, que sacaneava Camile Claudel mas amava o gordo Balzac, e, debaixo da torre dourada dos Invalides, o túmulo do grande Bonaparte, que se ajoelhava diante de Josephine, não a Baker.


Sexta, 30, despedida de setembro, 2011, meio-dia em ponto.

Só em Brasília, e num cadinho.

Ao redor do Rei Sol, no espirro de gotículas, forma-se o tal do Halo.

Holístico falo?

Me calo.

Clique abaixo:

http://communaute.lachainemeteo.com/communaute-meteo/meteo-brasilia_bresil/soleil-/photo-le-soleil-et-le-halo-a-brasilia-69909.php


A pesquisar-1:

O primeiro transmissor de ondas de rádio no Brasil,  que se tem notícia,

foi instalado no ano de 1913 por Paul Forman Godley,

 um dos fundadores da ADAMS-MORGAN /PARAGON,

na região Amazônica, a pedido do governo brasileiro.

A pesquisar- 2:

O inventor do rádio,
no mundo, é um padre, gaúcho e brasileiro. Landell de Moura. Nada de Edison,
Marconi ou Philips, Philco, etc e tal.

O padre Landell
inventou, registrou, nos Estados Unidos e no Brasil, em ambos foi taxado de
maluco, três invenções, em 1895:

1 – Caleófano (telefone
sem fio, bá, chê, mas que gaúcho maluco);

2 – Edífono (aparelho
para gravar e reproduzir sons);

3 – Um aparelho que,
segundo ele, permitiria a seguinte doideira:

 Minha invenção pode garantir a comunicação com
qualquer ponto da Terra, por mais afastados que eles estejam um do outro.
Futuramente, meus aparelhos servem até mesmo para as comunicações
interplanetárias
.”

A pesquisar-3:

A primeira estação de rádio no Brasil foi a MEC do Rio, em 1923,

 Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, do Roquete Pinto,

 ou a Rádio Sociedade de Pernambuco, em 1919?

Moral.

De fato, mesmo, é a primeira transmissão de voz à distância, no Brasil.

7 de Setembro de 1922.
Centenário da Independência. Rio de Janeiro.

 Uma antena no morro do Corcovado,
sem o Cristo, e 80 “cornetas”espalhadas pela cidade.

Começou com o discursooficial do então presidente paraibano, do Brasil, Epitácio Pessoa, às turras com os milicos,

porque em maio tinha tido a Revolta dos

 18 do Forte de Copacabana.

Levaram tiro o Siqueira Campos e o Eduardo Gomes,

e também porque colocou um civil,

Pandiá Calógeras, ministro da Guerra,

 nunca antes neste Payz isto tinha acontecido

Mas o lero hoje é a primeira transmissão de rádio no Brasil,

com equipamentos que os gringos
estavam tentando empurrar para nosotros

macaquitos brasilenhos, capital Buenos Aires.

O mais interessante é que não existe qualquer registro em áudio

 desta maior data para o rádio brasileiro.

Por ironia, só existem os registros dos jornais da época,

 no dia seguinte, 8 de setembro.

Repare no linguajar tipo de hoje, Prá Frente Brazil.

Repare também na presença, já naquela época,

da presença da praga do jornalismo brasileiro,

que ataca até hoje, na forma do press-release:

JORNAL DO COMMERCIO, RIO DE JANEIRO: 

“A Rio de Janeiro and São Paulo Telephone Comapny,

de combinação com a Westinghouse Internacional Company

 e a Western Eletric Company,

instalou uma possante estação transmissora

no alto do
Corcovado e outros aparelhos de transmissão e recepção

no recinto da exposição, em São Paulo, Niterói e Petrópolis.

Dessa forma, o discurso inaugural da exposição,

feito pelo Sr. Presidente da República,

foi transmitido pela cidade acima por meio da radiotelefonia.

 À noite, no recinto da exposição,

em frente ao Posto Telefônico Público,

onde se achava instalado um dos aparelhos de transmissão,

foi proporcionado aos visitantes um espetáculo inédito para nós:
daquele local, por intermédio do telefone de alto-falante,

 foi ouvida, por numerosa assistência, toda a ópera O Guarani,

como era cantada no Teatro Municipal.

Nada deixou de apanhar o aparelho de recepção
instalado no Municipal, nem mesmo os aplausos aos artistas

 que cantaram a ópera nacional.

Em São Paulo, Niterói e Petrópolis também foi ouvida

 a obra imortal de Carlos Gomes”

 

JORNAL A NOITE, RIO DE JANEIRO:  

“Um Sucesso de Radiotelephonia e Telephone Auto-falante.

Uma nota sensacional do dia de hontem foi o
serviço de rádio-telephone auto-falante, grande atrativo da Exposição.

O discurso do Sr. Presidente da República,

inaugurando o certamen foi, assim,
ouvido no recinto da Exposição, em Nictheroy, Petropolis e São Paulo,

 graças à instalação de uma possante transmissora

 no Corcovado e de aparelhos de transmissão e recepção,

nos logares acima.

Desse serviço se encarregaram a

 Rio de
Janeiro and São Paulo Telephone Company,

 Westinghouse International Co.

Western Electric Company.

 À noite, no recinto da Exposição, em frente ao posto de Telephone Público, por meio do telephone auto-falante,

a multidão teve uma sensação inédita.

A ópera Guarany, de Carlos Gomes,

que estava sendo cantada no
Theatro Municipal, foi alli, distinctamente ouvida

bem como os applausos aos artistas.

Egual cousa succedeu nas cidades acima”.


The piss and blood from the beggar in Brasilia, Brazil


     

Sabe aquele mendigo que levou porrada que deixou sangue na calçada aqui perto donde trabalho numa área nobre aqui da Ilha?

https://mamcasz.wordpress.com/2011/06/15/brazil2-se-puder-nao-volte/

E hoje estou TÃO feliz, por que?

Porque hoje de manhã eu passo pela mesma calçada onde ele levou tanta porrada, de madrugada, e olha quem eu vejo ali deitado eternamente em berço esplêndido. O próprio mendigo. De volta ao lar, não mais sem teto, tomara que não lhe caia na cabeça. E numa área nobre, cercado pela burguezia dos Colégios Militar, Marista, Sacrossantésimo Coração da Maria, EBC e tal.

 

Só não sei se estou tão ou mais feliz do que o mendigo.

É que ele acaba de dar um show, aqui na porta da TV.

Cantando rock’n’roll, man.

Longa vida ao meu mendigo.


Acordo nesta manhã fria, cá na ilha, no sinal da W3 Sul.

Entre o Pátio Brasil e o Setor Comercial Sul.

É uma passagem intensa de forasteiros.

A maioria vinda além Satélite, porque Entorno.

Como sempre, do meu conforto, eu os observo.

Mas hoje eu fiquei mal com o DEUS deles.

Que as amigas carolas o dizem JUSTO.

Além disso, completo, ele é um GRANDE …

 Explico-me melhor.

No meio dos forasteiros, uma pessoa deficiente.

Mal das duas pernas e do único braço.

Baloiçando sua miséria ao vento seco.

A caminho do subemprego na capital federal.

Um balé da miserabilidade humana.

              Acompanhado de acordes burguezes dissonantes.                                       

                                                                                                               Ao toque do sinal de aviso do quase verde chegando,

O miserável de Dostoiévsky então força o falso passo.

A mãe honesta, cristã, terço dependurado nos peitinhos,

Engrena a marcha, ameaça acelerar; ela tem pressa.

A cria está atrasada para a escola marista.

Olho feio para ela, indico o miserável

Que se contorce na pista para chegar à calçada.

Ela bufa, nervosa, range os dentes cremados.

Não aguento e cuspo na cara da puta cristã:

                                                                                                                      – DEUS É UM CARA MUITO DO INJUSTO !!!

                                                                                                                                            – Blasfemo! Anátema! Judio!

 Deus é justo, caridoso e muito do fiel.

Repilo a coroa que se ejeta do carro e repito:

                                                                                                                   –  DEUS seria JUSTO se tivesse proteseado tuas pernas

naquele miserável ali

e implantado as deformadas dele

neste teu corpicho.

                                                                                                           Moral do lero:

                                                                                                            Graças a Deus, a  tia   exibe um belo par de coxas. 

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