Foto



Script para o Dia Internacional da Mulher

8 de março de 2012  

Tec/ Vinheta Abertura – Trocando em Miúdo – Eduardo Mamcasz

 Loc/ Oito de março de 1857. Nova Iorque. Operárias entram em greve numa fábrica de tecidos.  

 Loc/ “Nós, mulheres unidas, exigimos: redução  imediata  de dezesseis para dez horas de trabalho  por dia.”

 Loc/ O governo chega. A polícia tranca a fábrica. Tasca fogo.  E queima, vivas, cento e vinte e nove mulheres resistentes.

Clique Abaixo e Ouça 

 http://snd.sc/wieMe3

Tec/ sobe/desce bg tambor africano.

 Loc/ Cento e dezoito anos depois da greve, a ONU decreta: Dia Oito de Março é o Dia Internacional da Mulher.

Tec/sobe/desce  bg coro africano.

 Loc/ E aqui, no nosso Brasil? 1932. A mulher brasileira, finalmente, consegue votar. Um ano depois,  na  Assembléia Nacional Constituinte, o povo elege duzentos e treze deputados … e apenas uma  mulher.

Loc/ Então,  um viva para a paulista Carlota de Queiroz.

Tec/ bg aplausos

Loc/ 1822. A regente interina, Maria Leopoldina, escreve ao imperador e exige:

Loc/  “Amado esposo, Pedro primeiro. Sejas homem: Independência ou Morte!”

Tec/ bg coro africano.

Loc/ Independência ainda distante de milhares de mulheres. Elas recebem menos do que os homens, no mesmo tipo de trabalho. E tem mais. A Organização Internacional do Trabalho informa:

Loc/ A mulher negra recebe vinte e cinco por cento menos do que a mulher branca, no mesmo tipo de trabalho.   Então,  neste Dia Internacional da Mulher, um viva para Anastácia, princesa africana, nascida num navio negreiro e futura escrava no Brasil.

Tec/Sobe/desce bg palmas.

Loc/ Um viva para Aqualtune, filha do rei do Congo, avó de zumbi dos Palmares, a comandante  de dez mil querreiros.

Tec/Sobe/desce bg palmas.

Loc/ Um viva para Francisca, minha rainha, líder da revolução dos negros muçulmanos, em Salvador da Bahia, em 1814.

Tec/Sobe/desce bg palmas.

Loc/  Falta muito para esta data  ser comemorado de verdade.

Loc/ Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão confirma: metade da população brasileira conhece  uma mulher  que já foi … ou está sendo …  espancada pelo companheiro.

Tec/ Trecho do spot chega de calar diante da violência.

Um beijo em ti, Mulheraça!

Tu mostras os peitos

e alimentas a vida

na imensa fome

… de amor. 

* 

Dois beijos em ti, Mulheraça!

Tu suas as ancas,

colhes o feijão do dia,

e em casa és a chefe

… de família.

*

Três beijos em ti, Mulheraça!

Tu levas um murro

e devolves sussurro

no berço onde és pétala

… de flor.

*

Mulheraça!

Tu sustentas filho, marido, cachorro.

Mas Tu te lembras da  imagem

de mulher mais bonita

… do mundo?

Neste teu Dia internacional, Mulheraça,

Um beijo

Do tamanho de tua precisão.

*

( De Brasília, Eduardo Mamcasz,  Poeta Quase-Zen )

 


Começando pela influência do PEA feminino na composição do PIB. Traduzindo. PIB é a soma das riquezas, bens e serviços produzidos.

No Brasil, ano passado, isto saiu agora, pelo IBGE, oficialmente, o PIB é de quatro trilhões e pouco de reais. Pois preste atenção no cálculo do Cedaw, vou falar o nome em brasileiro. Comitê de Eliminação da Discriminação contra as Mulheres.

No Brasil, 40 por cento da População Econômica Ativa, PEA, feminina, são chefes de família. Ou seja, são responsáveis pelo crescimento do PIB. Que é a soma de todas as riquezas, e tal.

Clique e ouça

http://www.radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2012-03-07/mulher-que-trabalha-ganha-poder-de-decis%C3%A3o-e-passa-chefiar-40-por-cento-das-fam%C3%ADl


Semana da Mulher

Eduardo Mamcasz 

Título:

Continua grande a diferença salarial homem-mulher no Brasil

Chamada:

 Segundo o Fórum Econômico Mundial, entre 134 países divulgados, o Brasil ocupa a posição de número 114 entre os que apresentam as piores diferenças salariais entre homens e mulheres. Na média, passa dos 30 por cento.

Ouça:

http://www.radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2012-03-06/pesquisa-confirma-grande-diferen%C3%A7-salarial-homem-e-mulher

 

Script:

Tec/ Vinha Abertura Trocando em Miúdo

Tec/ BG Mulher Rendeira

Loc/ Ontem, a prosa nossa foi da renda da mulher. Hoje, a gente toca na diferença que existe entre ela e o homem. Muito boa para esta Semana Internacional da Mulher. Porque um dia é pouco, já falei. Primeira diferença. Fórum Econômico Mundial. Dos 134 países pesquisados, ocupa a posição de número 114 entre os que apresentam as piores diferenças de salários pagos para homens e para mulheres. Pior para elas, lógico, né?

 Tec/ BG mulher rendeira

Tem mais. Se a prosa ficar em cima do estudo publicado pela Confederação Internacional de Sindicatos, feito com 300 mil mulheres em 24 países, as mulheres trabalhadoras brasileiras apresentam as maiores diferenças de salário com relação aos homens, passando dos 34 por cento. Na Polônia, não chega a dois por cento

Esta diferença passa para 30 por cento se for pelo estudo feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Em 18 países da América Latina pesquisados, a média é de 17,2 por cento. Na Guatemala e Bolívia, homens e mulheres, em princípio, ganham igual.

Tec/ BG mulher rendeira

 Pesquisa do intersindical Dieese revela. Em São Paulo, a cidade mais rica da América Latina, o homem ganha 8 reais e 94 centavos por hora. A mulher, 6 reais e 72 centavo. Já em Salvador, na Bahia, a diferença diminui, mas o homem homem baiano ganha menos do que a mulher paulista. Seis reais e 50 centavos. A mulher baiana, 5 reais e 54 centavos por hora trabalhada fora de casa.

 Tec/ Bg mulher rendeira

 Loc/ A taxa de desemprego da mulheres, na média brasileira, é 62 por cento maior que a dos homens. 7,6 contra 4,7 por cento. No total dos desempregados, 57,6 por cento são mulheres. Mesmo que elas apresentem, em média, dois anos de estudo a mais do que os homens. Acontece que isto não tem adiantado. Quanto maior o nível escolar da mulher, maior a diferença salarial com o homem. Quanto os dois têm curso superior completo, o salário médio inicial do homem é de 3 mil 261 reais e 13 centavos. O da mulher, 1 mil 956 reais e 74 centavos, ou 40 por cento a menos.

Tec/ Bg mulher rendeira

Acontece que a mesma pesquisa do Caged, que é o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego, a situação, no lugar de melhorar, tem piorado. No final do ano 2003, as mulheres recebiam, em média, 91,8 por cento do salário dos homens. No final do ano passado, caiu para 85,3 por cento, ou seja, aumentou a diferença.

 Tec/ Bg mulher rendeira

E só para fechar a prosa de hoje. A mulher é diferente do homem. Começa pelo salário. Mesmo assim, e esta fica para amanhã, ela tem uma participação muito importante na economia brasileira. E não falo só da mulher chefe de família, não. É mais do que isso.

Entáo, tá.

Inté e Axé


MULHER DE RENDA

Eduardo Mamcasz

Título:

Renda da mulher sobe50% a mais do que a do homem

Chamada:

Segundo pesquisa do IBGE, enquanto o rendimento médio doshomens, nos últimos dez anos, aumentou 43,1%, o das mulheres foi de 68,2%, oque significa a injeção de R$693,5 bilhões na economia brasileira.

Clique e Ouça

http://www.radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2012-03-05/em-dez-anos-renda-da-mulher-sobe-50-mais-do-que-do-homem

Script:

Tec/ Vinheta AberturaTrocando em Miúdo

Tec/ BG MulherRendeira – Cida Moreira

Loc/ Na voz de Cida Moreira, a gente começa a prosadesta Semana Internacional da Mulher falando de renda. Eu falei semana. Um diaé pouco. E começo falando de coisa boa. Pesquisa Nacional por Amostra deDomicílio. PNAD do IBGE. Desde o ano de 2002, o rendimento da mulher tem subidobem mais do que a renda do homem. 68,2 contra 43,1 por cento. Ou quase, quase50 por cento a mais.

Tec/ BG … tu me ensina a fazer renda ….

Loc/ Se a gente pegar, nos últimos dez anos, tudo oque as mulheres ganharam, pula dos 400 para os 693 bilhões de reais.   Então,veja bem, a economia brasileira na verdade está precisando cada vez mais doque? De mulher. Isto mesmo. Acertaste. E aqui começa o outro lado da prosa dehoje. Elas tiveram que sair de casa e ir à luta. Inclusive, estão estudandomais do que os homens.

Tec/ BG … olê, mulher rendeira …

Loc/ Pesquisa feita pelo Data Popular comprova queestá faltando é que a mulher da classe D, a pobre,  receba mais do que  940 reais por mês. Na parte de cima dapirâmide social, na classe A, a mais chique, a renda familiar da mulher pulapara 14 mil e 203 reais. No meio, na classe média, a chamada B, a renda é deseis mil e setenta reais. Em compensação, é a mulher da nova classe médiapobre, a C, quem fornece a maior parte da renda bilionária feminina. 47,1 porcento, com renda familiar média de 2 mil e 295 reais mensais.

Tec/ BG … mulher, mulher rendeira, mulher , mulherrendá …

Loc/  Resultadoprático desta prosa de hoje. As mulheres estão indo cada vez mais à luta naeconomia. Escuta esta. Síntese dos Indicadores Sociais, análise das condiçõesde vida da população brasileira. IBGE. Nos últimos dez anos, aumentou oito porcento o número de mulheres que estão deixando para engravidar, ter filhos, sódepois que se aprumar no estudo e arrumar um trabalho de verdade. Em estudos, amédia das mulheres é de dois anos a mais do que a dos homens.

Tec/ BG de passagem

Mais IBGE. Dos 62 milhões de arranjos familiares no Brasil,15,2 por cento são de casais sem filhos. Em Santa Catarina, pula para quase 20por cento. Tem até um nome para isso. Família DINC. Double income no kids. Semfilhos, renda em dobro. Entre os motivos, a prosa de hoje. A inserção da mulherno mercado de trabalho, na economia, na sociedade pós industrial e pós moderna.

Tec/ BG mulher rendeira…

Então, por hoje a gente fica na pesquisa apontando quea mulher, num ambiente de trabalho, ela traz mais produtividade no pedaço eaumenta o lucro da empresa, porque são melhores do que os homens em trabalhosde equipe.

Daí, para a prosa de amanhã, é um pulo só. BancoMundial. Se homens e mulheres tivessem oportunidades iguais no mercado detrabalho, a produtividade da economia, na América Latina, seria 16 por centomaior.

Então, tá.

Amanhã, a prosa é sobre a diferença que existe entrehomem e mulher.

Inté e Axé

Tec/ Vinheta de Encerramento


Brasília, calor da zorra, volto doidão da caminhada.

Dos 20 minutos em diante, é sempre assim, o grelo gralha na grelha.

Né que hoje a briga, outra vez, foi com uma fêmea deveras?

Ela anda, diz que avoa, a meio metro do chão, sem usar vassoura.

– Polaco. Meu macho só gosta de frutinhas adocicadas.

– O meu também, pensa ela que eu caio nessa, mesmo doidão. Pois a minha fêmea aposto que é que nem tu. Adora chupar um sangue.

– Uai, polaquito, como usted adivinhaste? Que gracioso!

– Sai prá lá, sua porra vagaba, vai chupar o cacete do demo.

– Polaquito, que te pasa, amorzito?

– Amorzito o caralho.

E saí correndo da fêmea.

Moral: tás rindo, né? Pois sabes o nome da fêmea? Aedes Egypti.


Campanha da Fraternida 2012

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Mas pode ser de qualquer um, até o ateu.

Larga o mote do samba aí, gente:

” Parece que estamos numa longa fila onde, sempre, não há vagas”

Ouça:

http://www.radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2012-02-22/campanha-da-fraternidade-vai-tratar-da-sa%C3%BAde-p%C3%BAblica


No bloco do eu caladinho, saio na manhã deste domingo para caminhar no Eixão.

Ó néscia pessoa das coisas cá da Ilha, Brasília. Eixão são as sete pistas de asfalto puro que cortam o Plano, de Sul a Norte, por 15 quilômetos. Mas voltando ao meu desértico carnaval a pé no eixão.

– E não me interrompa mais, viste?

Pois então. Aos vinte minutos de caminhada, o pensamento começa a voar que é coisa boa. Daí, passo por uma bonitona e eu rio da cadela. Dela, claro, a potranca, sorry feministas. A cadelinha se mijando de medo de um isopor com os copos de água a um real e o negão sentado ao lado, mudo de todo, eu diria puto da vida.

Daí, já no pensamento solto, libero  à viva voz:

– Você devia arrumar é um cachorrão que nem eu no lugar desta cadelinha tremeliquenta.

– Boa, polaco, gostei, mas por acaso você sabe latir bonitinho assim que nem ela?

– ???

– Vai, late ai para ver se a vale a pena a gente topar uma troca.

Moral 1:

E não é que o polaco aqui latiu? De verdade. Juro pela Graciosa.

Pior foi a reação:

– Isso lá é latido que se preze, polaco? Continue treinando que domingo que vem pode ser que pinte alguma troca. Melhor ainda, se você aprender a latir de verdade, eu dou sem pedir nada em troca.

Explicação: o eixão  fica aberto para os pedestres só nos domingos. Ou feriados … não tem nada a praticar somente uma vez por semana, não.

Moral 2:

Descartei o pedaço de mau caminho, lati feio para a cadela que respondeu muito da convencida, e saí do eixão para as calçadas da entrequadra, na volta para a parte sul que me cabe nesta  ilha.

– Au… Au… Ai…  continuo treinando meu novo latido. E passo pelo mendicante, saco preto dependurado, um lixo, mais o  pedaço de osso a la microfone:

– Então, você quer que eu responda? Pois digo o seguinte. Se uma pessoa é presa, mesmo sem ter feito nada, respondo que ela tem mais é que continuar presa.

– Au… Au… Au…

– Espera aí, dona Bia, deixa eu passar o microfone para um polaco maluco que está passando por mim latindo, quer dizer, tentando latir que nem um cachorro de madame bonita.

– Pergunta o nome dele e diz que está participando aqui do Bia Talk Show, na Rádio SBM, ao vivo.

– Deixa que eu mesmo respondo que ele acaba de levar um fora de uma bonitona ali no eixão. Acontece que este  polaco late mais feio do que a cadela.

– Como é que é? Deixa eu falar com ele.

– Nem pensar, dona Bia, o horário é meu, tá vindo o intervalo comercial, que eu sei, e não tem nada de polaco roubar meu espaço neste tão popular  Talk Show.

– Xô cachorro!  polaco vira-lata!  ladrão de microfone!

É o que eu continuo a ouvir, cada vez mais distante,  enquanto corro em direção ao pedaço de osso  que o mendicante jogou para bem longe. Dele e do Bia Talk Show. Me desculpe mas agora não possa falar mais nada.

Acabo de pegar o osso. Não largo mais. Sou o maior petelho da paróquia.

Saiba mais:

https://mamcasz.wordpress.com/2009/11/20/setenta-por-cento-dos-mendigos-sao-negros/


No meu engatinhar de Jornalismo dantanho, no Rio, no Globo, havia um neguinho gente fina. Tim Lopes. A gente começou junto, dividia a mesma casa e a mesma geladeira, numa casa em Santa Teresa, no final de uma escadaria enorme que dava, na descida, na ACM, Sala Cecília Meireles, Passeio Público e o Rio aos nossos pés.

 Tempos passados, entro num avião, em Paris, a caminho de Brasília, o jornal tupiniquim do do dia anterior na poltrona e nele a porrada no meio do meu estômago: Meu amigo repórter Tim Lopes tinha sido queimado vivo dentro de um pneu lá no morro.

Mais um tempo passado e imagina minha alegria insana quando eu recebi o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo.

Praticamente sexagenário, profissão repórter, fiz o trecho Manaus-Venezuela como ajudante de caminhão, à procura do ainda existente contrabando de meninas e meninos do Brasil para serem cidadãos prostitutos na Europa.

Desta vez, devolvi o murro do estômago do meu eterno amigo repórter Tim Lopes. Toma, Tim. Vou dar a linha à pipa porque o vento está a favor.

Nos meus tempos de estagiário , Rio de Janeiro, morava em Santa Teresa e dividia a casa, e tudo que nela entrasse, com um amigo na mesma condição de iniciante na vida adulta.

Á noite, descíamos juntos até à Gafieira Elite, na Praça da República. Sol claro, ele se fazia operário na construção do metrô, Estação Largo da Carioca. Sua pele escura ajudava.

Então, eu passava por ele, minha pele clara realçando o jornalista do Globo, nosso começo. Ele me olhava, segurando a marreta, no lugar da caneta, esta manobrava muito melhor. Fingíamos um não conhecer o outro.

Em casa, no dividir as frutas da feira , ele chiava : – Pô, polaco – era assim que me chamava . – Que foi? – Não precisava me esnobar parecendo de verdade…

Há um ano, o corpo deste meu querido amigo foi colocado dentro de um pneu. Foi detonado . Queimado. Dos ossos , nem o pó . Do sorriso , que encantava as amigas ( maior trabalho desviá-las, não à toa o conselho: – Polaco, antes de tudo, a gentileza… é disto que elas precisam.) pois é … do sorriso desse meu querido amigo, só lágrimas – quiçá gritos – de dentro de um madito pneu onde foi queimado – quem sabe – vivo.

Em sua memória, amigo Tim Lopes, vou dar linha à pipa e que o vento continue a soprar a nosso favor. Até faço uma greve nesta minha rude e polaca imagem. Um beijo no seu coração. Do mano MAMCASZ – saltando no Tempo.

– Larga o microfone, Polaco !

 – É todo seu, Tim Lopes !

http://www.timlopes.com.br/edatlhetim.htm

https://mamcasz.wordpress.com/mortos/


Gente. Eu sou polaco, estou velho,64, jornalista, devagar das idéias.
Pelo amor de Shiva, me ajudem.
Pergunto-vos, ó nobres camaradas companheiros.
1 – A cara do Boner, ao anunciar que a TV Globo teve licença para gravar os telefones dos PMs bahianos, foi pior de quando ele perdeu a virgem de Fátima.
2 – O general que salvou a vida do Lula, na segurança, agora na chefia da Bahia, afastado porque chorou, mas o Lula não vivia chorando, por que ninguém afastou ele?
3 – De repente, o filho malcriado pelo Sérgio Cabral, grande figura, me aparece, onde estava ele no bondinho da Teresa, na queda do morro da Ilha Grande, e, recentemente, no tchibúm do prédio ao lado do Municipal? Em Paris ou na Bahia? Daí, agora, apressadinho, me vem ele:
“ Ah… estes bombeiros estão enchendo meu saco.” Por aí…
4 – Agora, gente, se segure, senão eu caio. Acabo de ler nossa brava presidentA Dilma, ex-guerrilheira, do braço armado, dizendo, testículamente, e acredito, piamente, no G1 da Globis, o seguinte, estou estarrecido, companheiro, me ajude, cazzo, a entender, relembrando, sou polaco, jornalista velho, 64 anos de idade e 41 de profissão e, portanto, devagar no raciocínio.
Pois a companheira me diz, hoje, no sertão bahiano, o seguinte:
“ … ATOS ILÍCITOS NÃO PODEM SER ANISTIADOS. SE ANISTIAR, VIRA UM PAÍS SEM REGRA.”
Ao longe, bem longe, bota longe, boto meu companheiro Vlad Herzog, TV Cultura, antes de ser ser estrangulado na prisão dos gorilas, perguntando:
– ANISTIA, ENTÃO, NUNCA MAIS?
N.B. (aposto ó néscio, que tu não sabes o que quer dizer nota bene, mas tudo … mal):
Qual foi a pergunta inicial desta prosa?
– Sou, ou não sou, um polaco velho jornalista debilóide que não entende porra nenhuma?
Ipsis Letieri:

“Eu considero que não é possível esse tipo de prática. Vai chegar um momento que vão anistiar antes mesmo de o processo grevista começar. Se houver manifestação, não deve ser condenada. Mas atos ilícitos não podem ser anistiados. Se anistiar, vira um país sem regra. (…) Acho que você tem que respeitar democraticamente. Não concordo com processos de anistia que parecem sancionar o ferimento da legalidade.”

Posso destacar?
ATOS ILICITOS NÃO PODEM SER ANISTIADOS.
Socorro,companheiros


                      Domingo cá na ilha, Brasília, os bandidos confinados no clube no final do Lago Norte.

                       Na semana, começa tudo de novo, nós cá no Plano dito Piloto tendo que dividir o mesmo meio ambiente com os representantes escolhidos porcamente pelo Zé Ninguém (alô, seo Brecht)  de todos os recantos deste nosso varonil Braziu, abençoado por Deus, que bonito por natureza ( alô seo Jorge do Ben), ai, ai, ai, mas que povinho de merda…

                      Mudando de prosa, hoje é domingo, cá em Braxilha (alô, seo Nick Behrrrr), faz tempo que não entro neste blog do Word, que, aliás, participa da luta contra a PIPA na SOPA, ao contrário do Facebook, onde, aliás, (alô, seo Zuckerberg) sacaneia brabo o primeiro sócio, o brasuca xará, Eduardo, vulgo ingênuo Savarin (alô, seo Ben Mezrich, belo livro, Bilionários Acidentais), dá vontade de mandar o Facebook à merda.

                     – Mas cadê o fio da meada, shit, meo, traduz isto, Google menos.

                      Ah. Hoje é domingo, Tô cá na Ilha. Faço o café com leite, leve pão com manteiga de Minas, levo junto o Estadão, consorte já acordada, à cama, faço isto há 30 anos, mesmo em dias brigados (alô, dona Glória), no som ambiente, a rádio online de Berlin, próxima parada, final de abril, som de primeira, anote aí, mané:

 http://www.berliner-rundfunk.de/cgi-bin/WebObjects/brf.woa/cms/1053724/Live-Radio.html

– Porra, polaco, cadê a merda do fio da meada da prosa desta domingo?

– Péra aí, com acento porque se tu fosse frutinha iria eu escrevinhar pêra, certo? Desta, não, é deste, certo. Porque, se eu quisesse mangar com tua sexualidade, inquisitaria: Déste?

– Ih…

Pois volto ao fio da meada.

Acordo.

– Já sabemos, polaco.

– Mijo…

– Ih…

– Faço o café da consorte.

– Avante, polaco!

                  – Na hora que levo o café com leite, pão com manteiga, Estadão, rápido beijo, minha consorte ouve, casualmente, na Berlin Rundfunk, Elvis Presley sussurrando no ouvido dela, sacana, juro:

                – Love me tender, Love me…

                – Bem feito, polaco, continue teu domingo. E a caipirinha?

                Seguinte, minhas e meus, quer dizer, nossa!!!! Cuidada a consorte, armo na sala, sol lindo lá fora, sinto-o momentâneo, armo o que, a minha sexualidade, não, a tábua de passar roupa.

               – Ih. Polaco, não me diga que continuas na condicional.

               Não, não, gente, eu sou firme, decidido, diria até másculo. Mas é que aqui, na home, cada um cuida de si. Cada qual passa sua roupa. Cada qual cuida de uma parte da casa. Cada qual não precisa do outro para as coisas comezinhas. Só para as coisas gostosas…

            – Flor!!! Cala a boca!!! O que é que você está escrevendo aí?

           – Nada, nada, nada!!!

           Pois como estava falando, firmemente, num intervalo da passagem da roupa, gosto das calças sem vinco, difícil acertar o mesmo nas mangas das camisas, principalmente do lado esquerdo, pelo menos, neste domingo é o dia da minha consorte cuidar da comida, um bacalhau manero, e ela lá na cama, amaziada ao Estadão, larga a assinatura da Folha porque esta parece que …

             – Polaco, olha o fio da meada!

             Pois então, veja bem. Minha consorte lá na cama, abraçada ao Estadão, desligo o ar, tem destas frescuras, sim, cá na  Brasilha, abro o janelão, vejo do aeroporto baseado na aérea à Ponte dos Remédios, e resolvo dar uma trégua a mim mesmo.

            – Apoiado, polaco, aposto que foste ao primeiro boteco tomar uns chope e olhar as minas desfilando em direção aos clubes, pensando que só na Prado Junior tem disto, né, cá tem cada duas…

           – Que nada, meo. Coloco, cuidadosamente, as camisas bem passadas nos cabideiros, deixo-as arejar um cadinho e as confino no closet. Só então me liberto. Vou à cozinha.

          – Pô, polaco, hoje não é o dia da consorte?

           – Veja bem. Tem duas horas que ela tá lá na cama, abraçada ao Estadão, um cigarrinho antes e outro depois, renovo o cafezinho, fraco mas doce, mas, péra lá (tá lembrado do pêra e péra?), tadinha, tá na hora da primeira cerveja, na marca dela, gelada mas nem tanto, copo de cristal, vidro é coisa de votante pobre que toma pinga e outras coisas do Lula, coisa de pedinte…

          – Polaco!!!

          – Quié, “pora?” (gostou destas virgulinhas duplas?)

          – Cadê o fio da meada?

          – Ah, sim, vou à cozinha, pego o copo de cristal trazido de perto de Praga, coloco no freezer para dar aquele branquinho, enquanto isto, abro a compota trazida de Paris, nela escrito “Les Véritables Grillons du Périgoud”, adiciono fatias de baguete, manteiga legítima, na Berlin RadioFunk toca “You are so beautiful”, volto manero, cheio de manha, educado, sincero, gentil e amoroso, sorriso nestes meus lábios necessitados de um grande  beijo prolongado neste domingo que começa ensolarado e agora se encaminha para grossas nuvens cá na Ilha, vem cá minha filha, qué isso, sou tua mãe, cadê minha consorte, não é tudo a mesma coisa?

      – Continue, polaco, cadê o fio da meada????

      – Pora, não empate a prosa, meo.

      – Daí chego com a primeira taça de cristal da Boemia, Praga,   com a melhor cerveja da praça, geladinha, a fatia de baguete com manteiga e o véritable grillon de Périgoud, France, já de banho tomado, roupa passada, um perfuminho escamoteado por debaixo da orelha direita, justo a que daqui a um cadinho se encosta na boca ainda caliente da consorte, olha só o que eu te trouxe, flor, amor, candor, candura, ternura, e, no conjunto do ato, a travessa completa, dirijo a ela o desejo inconteste da minha boca na tua boca ( péra lá, pêra, na tua, não, na dela, quer dizer, na minha):

 –  Flor! Que é isso?

 – Que foi, polaco?

– Sai para lá, não se imiscua no minha intimidade.

– Que foi?

– Foi o que, polaco?

– Isto no teu lábio.

– O que?

– Com quem?

– Quando?

– Por que?

– Vá lá e olhe no espelho.

Vou e não volto.

Moral:

 Lá se vai a promessa de um domingão manero com minha consorte olhos de águia.

Tô com a maior brotoeja no meu lábio superior, justo no lado direito, o do perfuminho camuflado.

PURA QUE PARIU!!!!!!


Eu,  pecador, confesso que matei o negro que morreu no hospital de Brasília porque estava sem um talão de cheque e o plano de saúde dele,  o Geap,  dos funcionários públicos federais concursados, não estou falando dos apadrinhados, é uma bosta, mora?

Assinado: Doutor Polaco.

Senhor Juiz! Pare, agora. Jogo meus cabelos de outrora para o lado e acrescento, embora sejam provas que me condenam, mas não posso me calar. Cale, agora, senhor juiz, o cacete!

Semana passada, levei minha sogra, com emergência ortopédica, nos mesmos hospitais, em especial o Unimed de Brasília, onde, a velha gemendo, a atendende me resposta na cara, uma bosta:

– Hoje não tem ortopedista na emergência porque o médico acaba de ligar que não vai vir porra nenhuma porque acordou de ressaca, isto ela me conta depois de uns atracos porque a morena era boa para caralho que, infelizmente, não consegui lhe propiciar no banheiro, por ser tão fétido, e ela tão cheirosa, cara.

Estás rindo, pessoa leitora?

Pois então me arresponda, no ato, no fato, aqui no meu falo, sou o teu calo, fala!

– No caso da minha sogra, joguei a carteira de jornalista, chamo a Globo, o caceto, o caralho a quatro, veio a chefa do plantão, era feriado, nos levam até um médico gagá, atendeu, tudo bem, a sogrinha saiu sorrindo e cantanto “todo mundo tá feliz, ô, ô, ô”. O, o cacete, cambada, tô puto, e daí?

– Onde está a pergunta, polaco?

– Tá aqui, ó, perto do meu saco, nesta ponta obtusa e pronta para te obturar.

Volta a pergunta e termino a prosa:

– Eu matei o negro que morreu no hospital de Brasília, a Ilha, Capital da setxa economia do mundo, só porque não tinha um talão de cheques. Eu livrei minha sogra inventando que sou o Bozó da Globo.

– Pergunta logo, polaco da porra!

– Tá. Me arresponda, tu que está me ouvindo esta prosa. Vai me dizer que tu nunca apelou, numa emergência, para ser atendido? Só tem um negócio, tu, com certeza, não é preto. E completo:

– Fazendo isso, no hospital, na escola, no Detran, no caralho a quatro, tu  também não participou com os hospitais burgueses de Brasíia a assassinarem um preto (na corrida, ou na ética, não disse que era otoridade) só porque ele não tinha, na hora, um talão de cheque? E aí, posso ou não posso, aqui, falar um PUTA QUE OS PARIU?

Moral:

Com meus maiores respeitos e pêsames à família enlutada, clique abaixo:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/01/policia-abre-inquerito-para-apurar-suposta-negligencia-em-atendimento.html


Recém-nascido, tem 64 anos, 11/01/48,

 uma anja mulata trombeta no meu umbigo:

–   Vá, polaco, trampar nesta longa vida!

No ato,  mão no falo, de fato eu me calo:

  1 – Fico mudo, greve branca, até os quatro de idade;

2 – Gargalho só para o cachorro, até os  quinze de maldade;

3 – Amigos, amigos,   inimigos com ódio da minha felicidade.

Então, caio na vida, apeio, aprumo, entorto, vergo,

não quebro, porque me endireito à sombra reta

 da minha anja torta que, matreira, cantarola:

–  E aí, nenein, vida longa, né, mané?

–  Vida boa, anja,  me faz um cafuné?

 

https://mamcasz.wordpress.com/mamcasz/ 


Estou no meio do meu inferno astral.
Decreto-me uns dias de silêncio.
Rompo-o em legítima defesa.
Converso aqui ao lado:
Estive nos túmulos dos  maiores personagens do século XX.
Mahtma Gandhi, na Índia.
Nelson Mandela, na África do Sul.
( Enterrado por 37 anos na cadeia.Continua vivo).
Martin Luther King, em Atlanta, Georgia,
Pois é.
Todos são uns puta santos naquela de não revidar a violência.
Mas confesso.
Nestes dias de inferno astral, confesso que  não resisto.
Assinado.
Polaco Retesado.
Foto na Liberdade, em Birmighan, Alabama, USA.
Onde Luther King começa a caminhada dos negros.
A caminho da presidência. Né, Mr Obama?
Axé.

 

« Página anteriorPróxima Página »