Gutten tag, tack and good weekend. At least for me, here in Berlin. Today, Friday, until Monday, even greater weekend. With the right Karneval DER Kulturen. More than a million on the streets of Kreuzberg, migrants – Turks, Slavs, Asians, Latinos and Africans. Show street directly. Onstage Eurasia: tarantella, Polynesian, gipsy, and +. Onstage Farafina: Crazy Boi of Caipora (?) Youruba Drum, Vodoo, Reggae, and +. Onstage Latinauta: mariachi, cannibal roots, salsa, cumbia und manakin (brazilianischer tanz). So until next week. I have more to do. I’m in the fight, mate. First, take a bite. Two bier, a vodka here or there. Hold me otherwise, I fall. Cheers and Axe.

Gutten Tag, cambada e bom fim de semana. Pelo menos para mim, aqui em Berlim. De hoje, sexta, até segunda, inclusive, maior feriadão. Com direito ao KARNEVAL DER KULTUREN. Mais de milhão nas ruas de Kreuzberg, dos migrantes – turcos, eslavos, asiáticos, latinos e africanos. Show de rua direto. No palco Eurasia: tarantella, polinésia, gipsy, e +.  No palco Farafina: Boi da Caipora Doida (?), Youruba Drum, Vodoo, Reggae, e +. No palco Latinauta: mariachi, canibal roots, salsa, cumbia und tangará (brazilianischer tanz). Então, até a semana que vem. Tenho mais o que fazer.   Tô na luta, companheiro. Antes, uma boquinha leve. Duas bier , uma vodka cá outra lá. Me segura se não, eu caio.  Inté e Axé.

Gutten Tag, Tack und gutes Wochenende. Zumindest für mich, hier in Berlin. Heute, Freitag, bis Montag, den noch größeren Wochenende. Mit der richtigen Karneval der Kulturen. Mehr als eine Million auf den Straßen von Kreuzberg, Migranten – Türken, Slawen, Asiaten, Latinos und Afrikanern. Zeige Straße direkt. Auf der Bühne Eurasia: Tarantella, polynesische, Zigeuner, und +. Auf der Bühne Farafina: Crazy Boi von Caipora Youruba Drum, Vodoo, Reggae, und + (?). Auf der Bühne Latinauta: Mariachi-, Kannibalen-Wurzeln, Salsa, Cumbia und manakin (brazilianischer tanz). Also bis nächste Woche. Ich habe mehr zu tun. Ich bin im Kampf, Kumpel. Nehmen Sie sich zuerst einen Bissen. Zwei Bier, ein Wodka hier oder dort. Halte mich sonst falle ich. Cheers und Axt.

 


 

“The day when an enemy bomb fell in Germany, my name will not be more Goering. You can call me Meier. “- Signed: Marshal Herman Goring. Heil Mané!!!

 

“O dia em que uma bomba inimiga cair na Alemanha, meu nome não vai ser mais Goering. Pode me chamar de Meier.”

***

“Der Tag, als ein Feind Bombe in Deutschland fiel, wird mein Name nicht mehr Göring sein. Sie können mich anrufen Meier “- Unterschrift:. Marshal Hermann Göring. Heil!

***

Parte do discurso feito pelo nazistão todo poderoso, chefão da temida Gestapo e da Luftwaffen, Força Aérea da Alemanha, Herman Göring, em setembro de 1939, na academia da Lufwffen, no aeroporto de Berlin-Gatow, hoje Museu ao Ar Livre.

Vamos à tradução. Na verdade, ele falou Ruhr, que é o rio Reno, espécie de fronteira eterna da Alemanha. E por que “Mein Name ist Meier” virou piada tão logo as primeiras bombas aliadas começaram a cair sobre Berlim?

 

Meyer, ou Meier, em alemão, é que nem da Silva, em brasileiro, nome mais do que comum, gente do povo, Zé Ninguém. Daí, com as bombas caindo, o pessoal corfria para os abrigos, tinha que dar o nome na entrada, e todo mundo falava, puto:

– Mein Name ist Meyer!!!

O final, todo mundo sabe, deu no que deu, e estas fotos estão no Luftwaffenmuseum, visitado ontem por mim, num subúrbio de Berlim, justo onde era o aeroporto militar nazista, e onde o marechalzão disse de boca cheia de salsicha:

Meu nome é Zé Ninguém!!!

(Ler Escuta, Zé Ninguém, do William Reich)

Então, tá, Mané.

Acontece que o Göring, ao contrário do Goebels e do Hitler, não deu veneno para a mulher e as filhas e depois um tiro na cabeça.

Ele se entregou, foi a julgamento em Nuremberg.


Aqui em Berlim tem o tal de trem (S),  tram (T),  busão (H), metrô (U), regional (R), quase bala (ICC).

Pode ser de pé, de boa,  de boca, de nada, de camelo, de bote.

É fácil, quer dizer, mais do menos.

Não é rápido, mas pressa a troco de que, mané?

Primeira dicona:

Tem que ser o mais direto possível.

Precisou baldear, o tempo passa, o tempo voa, e nada  dele chegar.

1 – Metrô Linha  U-1, a mais antiga, linha Kudam, a avenida mais capitalista, à Warschauer, a mais riporonga. Maior parte em cima de viaduto de ferro, como a da foto, na estação Nollendorsf, a mais gay, desde 1800.

2 –Linha de ônibus do metrô, por isso o M, que não é U, nem Bus, mas no ponto tem o mesmo H. Na foto, uma das melhores linhas, vai de Grunewald, a floresta chique capitalista, até Hermannplatz, o coração do bairro turco, pobre e migrante. Daí tem o ônibus normal, que não M, pode ter dois andares ou um só, mas dois ou três carros acoplados. Tem ainda o bus turístico, na base de ab (a partir) de 10 euros por dia, com o segundo andar aberto, mas pode ser fechado, se chover.

….

Agora, vamos às tarifas.

É fácil, quer dizer, mais do menos.

Completo.

Tudo muito bem explicadinho.

O diacho é que é detalhado até por demais.

Um exemplo.

Um cachorro é de graça. O segundo, paga.

Mas o cachorro tem que estar acompanhado, lógico.

Geralmente, cachorro de alemão é mais educado ainda do que a dona.

Bicicleta. Carrinho de bebê. Cadeira de rodas. De apoio.

Tudo em seu devido lugar.

Sempre com a carteirinha na mão.

Pode ser diário, semanal, anual ou vitalício.

3 – Bonde, que pode ser de um até quatro carros, é a herança comunista, só existe na parte leste da antiga Berlim da DDR, e foram na maioria reformados para serem mais silenciosos, mas nem tantos. No caso da foto 01, é da linha M-4 porque, a exemplo do ônibus M, este também é da DB linha metrô, ou U. Tem ainda os bondes múltiplos, para os bairros operários distantes.

4 – Vermelho, dois andares, é o sistema “regional”tipo trem mesmo, poucas paradas e vai mais longe do que a região Berlim ABC (saiba depois), alcançando todo o estado de Brandenburgo, onde Berlim está localizada. Na foto, o Regional expresso que vai até o novo aeroporto, que não está pronto de tudo.

5 –  Para uso de turista mais abonados, tem ainda limusine adaptada do antigo Traba, o carro proletário comunista, por isso a piada de que quem usa ele é da Máfia Russa e pode ser encontrado junto ao Portão de Brandenburgo, o lugar mais procurado pelos visitantes e protestantes.

6 –  Outra moda que está começando neste temporada berlinense de turistas (juno) é o aluguel de um carro elétrico, smart, o car 2 go, que pode ser pego e largado em diversos pontos, com cartão de crédito, existindo o mesmo para as bicicletas DB. Tem ainda as bicicletas alternativas.  Tem pistas só para elas, nas pistas, na frente dos ônibus, e no meio dos turistas distraídos que nunca sabem que aquela faixa da calçada com pedras na cor marrom é só para os ciclistas.

7 –  Tem ainda o barco, que pode ser de uso turístico, pelos inúmeros canais e rios, como o público, tem umas linhas no Wansee, o imenso lago junto da floresta, neste caso o cartão de transporte é o mesmo usado nos outros meios (saiba como usar). No caso da foto, é turístico, central, passando por debaixo de outro tipo de trem, o branco, que é ICC, intercity, bem mais rápido, longe e caro.

10 – Paradas. O tipo básico tem banco, mapa, relógio com o tempo para chegada do próximo, propaganda e sempre o H, no caso de bus, podendo ser ele normal, N ou M.  No   caso de metrô, tem U e tem S, duas companhias diferentes, mas do governo, e mesmo ticket.

Mais diconas.

Ah… não tem roleta, não tem cobrador.

Só devedor.

Se for pego pelo fiscal, ele pode  estar até de bermuda, ser bonito mas não se engane.

Ele não está te paquerando.

Do bolso dele sai, rapidinho, o crachá de identificação .

E a maquininha de débito. Tudo na hora.

Mais a vergonha na cara do pessoal fingindo que não está olhando.

Na verdade, multa de apenas 40 euros.

Não aumenta desde 2003.

Que mais?

Ah… tenho cartão  mensal. 53 euros. Mas…

Só vale a partir das dez da manhã.

A não ser em feriados, sábados e domingos.

Mas daí quase não tem transporte. Demora por demais.

Aproveite para bater um papo.

Pegue leve.

E torça para que não tenha uma pedra no meio do caminho.

O trem se imobiliza numa estação. Todo mundo sai. Todo mundo entra.

Menos você.

E o trem sai. Para trás. Volta. Tem uma obra. Tem que ir para o ônibus do DB.

Quem manda não falar alemão.

Tem o N- noturno, Bus na mesma direção da linha do metrô, só dia de semana.

Final de semana. Sexta para sábado e para domingo, tem o N-U.


Domingo, 20 de Maio de 2012.

Berlim, dia lindo, 28 graus,  povo bonito na rua. Então,  faço que nem todo mundo. Pernas pra quem te quero.

Venha comigo.

Primeiro, um passeio pelos Flömarkt, Fleamarkt, Mercado de Pulgas. Tem muito. É tradição.

Saio de casa, Uhlandstrasse, pego o metrô U3, direção Krume Lanke, subo na primeira parada, na Fehrbelliner Platz.

Compro uma boa mochila por dois euros, uma caixinha de som com minirrádio, design inglês, vermelho, por um euro, e daí já vou para a segunda Feira de Ipanema deste domingão. Tá vendo esta estátua de gesso na foto acima? Quatro euros. Firrrrr eurrrô.

Vou em frente, com os lábios vermelhos debaixo do braço. Levo de presente para madame, a minha florzinha.

Pego o Bus 249, direção Zoo, desço na Blissinerstrasse, pego U7, direção Spandau, apeio em Siemensdamm, trodel mais pobre, mas encontro um vidro antigo com licor de chocolate dentro por 1 euro. Outro presente para florzinha.

Vou em frente.

Para o brunch de domingo porque só de pensar dá fome.

Pego o U 7, direção Rudow, passo para o S 41, que roda na direção leste para oeste, é uma espécie de anel da cidade, desço em Frankfurter Allee, onde começa a vistosa avenida stalinista, e sigo o resto a pé.

Chego.

O Café 100 Wasser fica na Rua Simon-Dach, 39, que começa na parte doidona, perto da estação U-S da Warschauer Strasse, onde tem o Trodel WR, tipo Feira do Rolo, Ceilândia-DF, perto de Brasília, e termina no Trodelmarkt da Boxhagenerstrasse, mais para Feira de Ipanema, perto do Rio de Janeiro. Está no bairro de Friedrichshain, que está deixando de ser doidão-hippie e parte para o yuppie mesmo.

O prato acima é apenas o começo do all-can-you-eat: alcachofra, salmão, tomate seco, queijo, alcaparras, tudo muito simples. 10 euros e meio e pronto. Vezes dois e meio dá em real. Mais o café, preto,  para o fraco, quente, à vontade, tudo selfservice, em mesa dentro ou fora, prefiro dentro porque tem mais presença.

Bom. Tenho a tarde toda, sol bonito, nem quatro horas ainda, o dia hoje fica claro até quase dez da noite, tem concerto clássico na catedral francesa, e ainda muito tempo para fazer o melhor em Berlim: bater perna, ou melhor, ver a perna das pessoas, porque vale a pena.

Portanto, entro na campanha

EU RESPEITO CICLISTA … domingo em Berlim:

 

E agora a pergunta que não quer calar. Enquanto isto, onde está a famosa madame? Bom. Noite passada, houve o jogo, em Munique, finalíssima da Copa dos Campeões da Europa, Bayern contra Chelsea.

E madame torcendo, num telão, a favor dos vermelhos (Bayern München) contra os azuis (FC Chelsea), cervejada, multisservida por alemães, um mais lindo do que os outros, diz madame. 

 O resultado de tudo deixou madame hoje acamada, não sei se pela ressaca ou pelo desgosto de não entender nada de futebol. Já tenho um culpado por eu estar sozinho hoje em Berlim vendo as pernas…

 Um tal de Tião (Bastian Schweinsteigen), o mais bonito, depois do goleiro, está vestido de verde por que? Mas né que combina com o cabelo loiro dele? Madame entende tudo de futebol. O amor me cega, né?

E o tal do Tião? Vermelho de vergonha, bebê chorão. Isto sim, sim senhora.

 No segundo tempo da prorrogação, ele me perde um pênalti.

 No final, na cobrança dos pênaltis, no quinto, tudo empatado, e lá vai o Tião alemão e, bom, faz a mesma merda de novo.

 Resultado.

Primeira página nos jornais de toda a Alemanha neste domingão.

 Bem feito para a madame, não entende nada mesmo de futebol,  ora na cama meio adoentada e eu cá na rua, pernas de fora, para que te quero.

 Ah… olha só a pinta do Tião Chorão Alemão. Bastian… Preste atenção no que está escrito na braçadeira dele: RESPECT.  O cacete, meu.

E vou em frente.

A pé até o S-41, de Frankfurtallee até a Heldebergplatz, depois o U 3, direção Nollendorplatz, stop na Spichernstrasse, e a pé, quer dizer, correndo de volta para os braços de madame que, coitada, não entende nada de futebol, por isso, se já tiver melhorado, vamos juntos, logo mais, para o concerto na Francoisische Catedral para o concerto clássico e tal, entreit frei. Melhor do que futebol.

 Abro a porta do prédio, a do elevador, a de casa, no quinto andar e:

– Florzinha!!! cheguei … iu…iu!!!

Silêncio.

– Florzinha  (meu tom muda um pouco).

Silêncio!!!

Em cima da mesa, a cama arrumada, o bilhete, melhor que estivesse em branco:

– Florzinha.

Sabe o Fritz, que ontem torceu pelo Bayern, ao meu lado, lá no parque?

 O que me trazia a cerveja Berliner toda hora.

 Veio me buscar para uma tal de pelada.

 Ele diz que vou aprender tudo sobre  futebol.

É para você não ficar mais chateado comigo.

 Não me espere hoje.

Depende do jogo.

E como foi teu dia?

Beijos… Tchuss, tá?

Moral do lero deste domingão aqui em Berlim:

Né que perdi a vontade de pedalar?

Tchuss…


My program here today in Berlin. Museum of Sugar. Zucker Museum. Free. Path: U9-Strasse Amrumer and M-13 or M-50 (tram-best) stop Amrumer / Seestrasse. From the sugar cane from the sweat of slaves in the Caribbean and Brazil, to the beet sugar, which took Europe from dependence, to which neither the oil today.

Programa de hoje aqui em Berlim. Museu do Acúcar. Zucker Museum. De graça. Caminho: U9-Amrumer Strasse e M-13 ou M-50 (bonde-melhor) stop Amrumer/Seestrasse. Desde o açucar da cana do suor dos escravos no Caribe e no Brasil, até a cana de beterraba, que tirou a Europa da dependência, que nem a to petróleo de hoje em dia. Mas acabo vendo, parece que acabo de entornar, pois vejo  cenas de um canavial em Pernambuco-Alagoas que era, e ainda é, amesma coisa. Ou não?

As bebidas – rum, principalmente – estão presentes na sala dos destilados e nada da nossa cachaça. Esperneio, falo do livro que estou escrevendo “Minha Doce Caipirinha –mulher, açúcar, limão, é tudo uma cachaça só”. Pronto. Vou mandar uns espécimes antigos, através do Museu da Cachaça, Paraíba, Lagoa dos Carros, alô Olguinha, alô Ibiapina. Peço até o apoio dos Brasileiros em Berlim. Aliás, tem lá uma garrafa de cachaça com foto de Pelé, que sempre foi contra, né?

Nestas alturas já estou quase que no gargalo, quer dizer, no gargalho, de gargalhar, tem a ver com a pinga pingando na garganta? Até porque entrar aqui no Museu do Açúcar, Zucker Museum, é uma aventura, rua parada, do l;ado oposto o enorme terreno da Universidade de Medicina, um aviso rápido na porta pesada que precisa ser empurrada com força de macho, ou seja, deixa pro polaco aqui. Subo um andar. Nada. Ninguém. Subo o segundo andar. Toilettle. Oba. Tô quase pingando, nada ver com pinga, ou não? Vou direto. Saio satisfeito, balançando o vazio. Antes, dou uma bicada na cachaça que trago (boa idéia!)na mochila. Saio. Corredor. Eu, paro. Lei o cartaz. WC de homem, só no segundo andar. Foi só o tempo de puxar e fechar o eclair. Balançar, só no pensamento, cortado pelo olhar da matrona que acaba de chegar.

Volto para a exposição, tranquila pessoa, quase zen, esvaziado,  sozinho, pego a folha em inglês, um grupo de estudantes no professor-guia, meio que separada uma fraulein especial, tipo anjo azul, e eu, bem polaco, mais para mineiro, só no soslaio. No despiste, ainda vejo a foto que une, século retrasado, Brasil e Cuba no mesmo canavial de escravidão, podridão, corrupção, mas, em compensação, rum e cachaça, meu, de montão, ih, tô me sentindo meio animado no meio destas fotos todas de alambique e a frauleinzinha, meio de lado da turma, só me sacando.

Moral do lero: Tupi or not To be?

Eu quero mais é que o o açucar se dane, seja ele de beterraba ou de cana. Mais um bicota na minha garrafinha e crio coragem:

– Holla, mein liebn freulien.

– Holla, mein polaquinho.

Pronto. O zucker vira cachaço, pré-passo para cachaça:

– Ein brasilien, poet, jornalist, polaco, e um grande preparador de caipirinha. Vamu nessa?

E né que a Lili Marlene, assim ela se diz, vero Anjo Azul, topa conhecer a doce caipirinha do polaco aqui bom de bola? Agora, pessoa leitora, me dá um tempo, tá,  que depois a gente continua esta prosa. Saca só a foto da Lili.

– Hein?

– Nein, neim, não é contigo, mon amour, é com este bando que fica escutando a nossa conversa.

– Polaquinho, mande eles prá merda.

– Fraulein, mon xuxu, qué isso, sabe que cê tá certa. Vamu nessa?

– Antes, faz beicim, polaquim, faz, só prá mim:

– Fui!

– Vem!

– Hein? 


Só quem conhece o Bertold Brecht sabe da importância dessa visita à atual casa dele em Berlim.

Ainda que meio escondida nos fundos de um restaurante, apesar dos esforços do Literaturforum im Brecht-Haus.

Mas o cara, na verdade, deu muito azar. Fugiu do nazismo para USA. Fugiu do macartismo para DDR. Ainda bem que não viu o falecer comunista.

Também. Quem mandou dizer a Verdade:

“Quem, nos dias de hoje, quiser lutar contra a mentira e a ignorância e escrever a verdade tem de superar ao menos cinco dificuldades:

 

1 – Deve ter coragem de escrever a verdade embora ela se encontre escamoteada em toda parte;

2 – deve ter a inteligência de reconhecer a verdade. embora ela se mostre permanentemente disfarçada;

 3 – deve entender da arte de manejar a verdade como arma;

 4 – deve ter a capacidade de escolher em que mãos a verdade será eficiente; 5 -deve ter a astúcia de divulgar a verdade somente  entre os escolhidos.”

 

Moral do Lero:

Um Prost aos que hão de ressuscitar um dia, quiçá.

Serviço:

Brecht-Haus: melhor mesmo no m1, stopo na Oranienburgtor e subir um cadinho de nada a pépela Chausseestrasse, 125. Ah… antes, entre no cemitério, tumba florida número 4, atual casa do corpo do Brecht e da mulher Helena. Não confundir com o cemitério dos huguenotes, ao lado, tá? Tchuss.


Passeio e uma grande surpresa hoje em Berlim. Bem fora do circuito turístico. Friedrichshagen.  Em termos de Rio, só em termos de distância, corresponde a Quintino. em Sampa, a Itaquera, em Brasília, a Samambaia. Mas o trasporte, meu, nem comparação.

Fomos para uma Fest, trodelmark, mercado de pulgas, de rua, tudo misturado, Feira de Ipanema. Achamos seis copos de cristal para aperitivo por cinco euros. Dois tipo moedor de pimenta e sal, de cristal, grandes, um euro cada. E por aí.

 Mais um wurst da Turíngia. Uma cerveja von fass (chopão). Maior programa. Até música ao vivo. Na hora da nossa passada, uma banda com músicas americanas anos 50. E olha a surpresa. O maestro, ninguém menos do que o Andreas, justamente o nosso landlord, o que aluga o apartamento onde estamos.

 Foi tão de surpresa que ele parou de reger, e também tocar, porque é professor de música em Kopenick, para falar com a gente. Depois, apresentou a mãe, o pai, o vizinho, o cachorro. Muito do feliz. A gente também. Parecia até que a gente estava em casa.

Como diz a minha alemãzinha preferida, a Lili, não a Merkel:

SUPA! (superb, legal, demais).


A pedido de inúmeros amigos de madame Cleide de Oliveira,  minha companheira há trinta anos, volto ao tema sobre os gays de Berlim,  mas hoje de uma maneira séria.

 Pena que não possa colocar os nomes dos amigos porque o preconceito ainda existe e  leva mais de um ou uma colega de trabalho a não assumir  o que de fato é.

* * * * *

The gays from Berlin suffered at the hands of the Nazis and when sent to extermination camps they was chased by polish guards and by the jewish prisoners.

When the war ended, those who were alive were not released, but forced by the Allies to end the winning penalty to which they were condemned by the defeated Nazis.

When they returned to the community, still had to keep quiet because they had changed the reality that, in the 1900s, long before San Francisco and New York, Berlin was a city with free genus until now unseen altogether.

Os gays de Berlim sofreram nas mãos dos nazistas, foram mandados para os campos de extermínio, onde era perseguidos pelos guardas poloneses e pelos prisioneiros judeus.

Quando a guerra acabou, os que estavam vivos  não foram libertados, mas obrigados pelos aliados vencedores a terminar a pena a que foram condenados pelos derrotados nazistas.

 Quando voltaram para a comunidade, ainda tiveram que manter silêncio porque estava mudada a realidade que, nos anos 1900, muito antes de San Francisco e Nova Iorque, fazia de Berlim uma cidade com    liberdade  de gênero até hoje não vista por completo.

Die Homosexuell Berlin in den Händen der Nazis litten, wurden in Vernichtungslager geschickt, wo er von Wachen und von den polnischen jüdischen Gefangenen verfolgt wurde.

Als der Krieg endete, wurden diejenigen, die noch am Leben waren nicht freigegeben, sondern gezwungen durch die Alliierten, den entscheidenden Elfmeter, auf die sie von den besiegten Nazis verurteilt wurden zu beenden.

Als sie an die Gemeinde zurückgegeben, hatte immer noch den Mund zu halten, weil sie die Wirklichkeit, die, in den 1900er Jahren, lange vor San Francisco und New York, war Berlin eine Stadt mit freien Gattung bisher ungesehene völlig verändert hatte.

                             O histórico gay na capital da Germânia dos mil anos.

Já no começo do século passado, anos 1900, Berlim era uma cidade conhecida pela liberalidade quanto ao homossexualismo, muito mais adiantado do que as conquistas que só agora começam a conquistar de fato.

Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram registados pela polícia como homossexuais (as “Listas Rosa” pois eram obrigados a usar a mesma estrela dos judeus, mas cor de rosa).

Eles foram mandados para os campos de concentração, ou extermínio, junto com os judeus, mesmo sendo alemães, a partir dessa estação de trem de Nolendorf, que ainda existe, e uma simples placa triangular registra o fato, mais este símbolo fálico.

O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses “campos da morte” para além de serem tratados de forma extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos pelos outros prisioneiros.

Outro símbolo do poder gay antes da chegada nazista a Berlim é o grande teatro na Praça de Nolemdorf, no bairro de Shonemberg, ainda hoje um reduto gay, e onde era a grande cena das peças de cabaret, de onde veio o filme e a peça, falando do nazismo, o judaísmo e o homossexualismo.

Pois para o público gay, acrescentado mais recentemente também do lado gay feminino, ou lésbico, o cenário preferido, embora se espalhe pela cidade toda, é justamente este histórico pedaço assim delimitado:

Duas paralelas (Motzstrasse e Nolendorfstrasse) entre a Martin-Luherstrasse e a Gleidistrasse, entre as estações de metrô de Nolendorf  de Viktoria-Luise, tudo na parte norte do bairro de Shonenberg, na antiga parte ocidental, não-comunista, portanto, fora do muro de Berlim.

Pois agora apresento minha eterna companheira que me predicou o respeito, entendimento e aceitação a todas as formas de gênero, sejam elas expostas ou reservadas, assumidas ou enrustidas,  masculinas ou femininas. Salve, salve, simpatia de minha vida. Amém.

Photo num café na calçada da Motzstrasse, Shonemberg, Berlim.

 (11-05-2012).

Serviço:

Blu Magazine – para homens gays:

http://www.pww.blu.fm

L-Mag – para mulheres lésbicas:

http://www.I.mag.de

Grande festa anual de gays e lésbicas, final de junho – Christopher Street Day :

http://www.csd-berlin.de

Hostel para gays – só aceita homens:

http://www.gay-hostel.de

Página na internet para encontros gays:

http://www.gayromeo.com


To change the false impression left yesterday, I`m going  today to the Isle of Nicholas, Meadle Age, to eat a einsbein with cachaça, very macho.

Halfway, I`m now stopped by a protest march against blacks screaming Mogadishu, they said, apartheid suffering here in Berlin.

Para mudar a falsa imagem deixada ontem, mudo o programa de hoje e vou até a Ilha de Nicolau, Idade Média, comer um einsbein com cachaça, bem macho.

 No meio do caminho, sou barrado por uma passeata de negros de Mogadício berrando contra, segundo eles, o apartheid que sofrem aqui em Berlim.

(Só para relembrar. Uns anos passados, nos tempos aqui da Alemanha Oriental, a dita comunista, esta Catedral ao fundo não podia ser vista porque tinha o Palácio da República, hoje um gramadão verde na beira do rio. Descobriram, na queda do muro, que o palácio socialista estava bichado, por causa do amianto usado na construção, material comprado do mesmo país africano dos atuais protestantes, então governado por ditadores comunistas corruptos.)

*******

Um den falschen Eindruck zu ändern, ist gestern, habe ich das Programm ändern und gehen heute auf die Isle of Nicholas, mittleres Alter, essen eine einsbein mit Rum, sehr Macho.

Auf halbem Weg dorthin, ich von einem Protestmarsch gegen Schwarze schreiend Mogadischu beendet, sagten sie, Apartheid leiden, hier in Berlin.

A polícia na frente, liberando as ruas, cercando pelos lados, acompanhando pelos fundos os vinte bicho- grilos ongueiros que davam suporte para os trinta neguinhos numa kombi emprestada, com alto falante, e eles na velha toada:

– Companheiros  (em alemão se ouve cológue).  Não aceitem a provocação da polícia. Companheiras, a vida continua!

Enquanto isto, eu fotografando tudo, numa boa, até que uma puliça me aponta a arma. Não tremo, velho companheiro macho que sou. A arma dela? Além da beleza, uma câmara de filmar. Faço pose, beicinho, coço o saco e tal. Daí só escuto um grito da poliçona:

– Polaquinho!!! Você por aqui? Mamzinho, mein querido. Que saudades…

Moral:

Difícil foi explicar a trama para a madame e também para os negos que me pensavam do lado deles, bom companheiro de jornada. E eu, na defesa:

– Gente. Repara no coque do cabelo da loira. E no jeito dela andar. De sorrir para mim. De  me chamar de polaquinho. Nein, neim, neim, mein fraulein. Juro que esta é a primeira vez que eu vejo esta poliça alemã chamada Lili.

– Ah é? E por que ela te chamou de polaquinho?

– Ora, ora. Para os negos eu disse que sou brasileiro. Para ela, que era polaco, bom de fama. Foi ontem, naquele café dos bibas, em Shönemberg.

Final do lero.

Para acabar a confusão, que entrou no microfone da kombi dos negos, foi preciso uma conferência entre polícia, ongueiros e neguinhos, até liberarem o polaquinho e a passeata seguir em frente, sem graça nenhuma. 

– Gigolô! Mein polaquinho!

– Psiu, fraulein. Continua filmando que depois a gente revela.

E assim recupero minha imagem de polaco macho aqui em Berlim.

 Só teve um negócio. Madame, como sempre, deu a última palavra:

– Lá em casa, florzinha, na Pariser Strasse,você não passa esta noite. Vá dormir com esta tua alemã da poliça.

Quem conhece a madame pode confirmar. Quando ela manda, o melhor é obedecer.

– Péra um cadinho só, Lili, que a gente já recomeça otra veiz, tá, mein lieben.

– Faz beicim, polaquim, prá mim…

Tchuss prá vocês.


My day, today, here in Berlin, was only to follow my   madame around the gay piece, since the days of Uncle Adolf, Hitler, at Shönemberg. And this post goes to the major of now Berlin, Klaus Wowereit, assumed gay. He says that this city is poor but very sexy. This is true. And very beautiful.

 O dia hoje cá em Berlim foi de apenas acompanhar madame no pedaço gay, desde os tempos do tio Adolfo, o Hitler, em Shönemberg. Este post é oferecido ao prefeito de Berlim de hoje, Klaus Wowereit, um gay assumido. Ele diz que esta cidade é pobre mas muito sexy. É verdade. E muito bonita.

 Mein Tag, heute, hier in Berlin, war nur zu meiner Frau um den Homosexuell Stück folgen, seit den Tagen von Onkel Adolf, Hitler, an Shönemberg. Und dieser Beitrag geht an den Bürgermeister von Berlin nun, Klaus Wowereit, angenommen Homosexuell. Er sagt, dass diese Stadt sehr arm, aber sexy ist. Dies ist wahr. Aber so schön.

Na condição de um mero simpatizante, segui dona Cleide, mudo, só olhando, primeiro o bar que o casal David-Igor frequentava nos anos 70, então bibas pobres (só tô repetindo). Quem? David Bowie e Iggy Pop, meu.

Depois, madame me conduz pela mão até a casa onde nasceu a diva deles todos deles e delas, porque o pedaço é de gays e lésbicas, muito bonitos por sinal (ih…). Ah. Falo da diva Marlene Dietrich. Que pernas … um anjo, inda que azul.

Marlene Dietrich está enterrrada aqui perto, túmulo florido, simples, mas a coisa mais liiinnnndaaaaa do Universo todo, neste pedaço dos gays em Berlim, quem já viu Cabaret? – coitados, foram quase exterminados, que nem os judeus e os ciganos, pelos nazistas. Sobreviveram. Os bandidos, não. Quer dizer, tem skinheads e neonazistas voltando lá das bandas de Pancow.

 Mas, continuando que acaba de passar por mim um casal germânico musculoso, madame que me aponta, e o que mais me chama atenção são, realmente, os bicipes da dupla, que, anoto, não combinam com a minúscula e chique bolsinha de presente comprado na butique ao lado. Mas, enfim, tudo bem, eles é que estão carregando. E o peso deve estar enoooooorme que resolvem parar para mais um cafezinho. E eu também…

Ah… só para fechar.

Madame me leva de novo pela mão até um bar, vamos lá que é o máximo, diz ela, e se chama Sorgenfrei, tudo dos anos 50, mobília, som ambiente, mesas de fórmica, caixas de som…

Peço de cara  um pedaço de torta daquelas quadriculadas, chocolate e marzipan, ein stuck nugatmarzipan, e engato uma conversa com o musculoso atendente, simpático, sim, bonito, adianta madame, e pergunto para ele, em inglês, o que significa, em alemão, o nome do bar, Sorgen, porque frei eu sei que é de graça, livre, à vontade, só falta então o tal de Sorgen. E a biba, bem sério, me olhando nos olhos:

– Polaco, sorgen é a mesma coisa que salame, salsicha, tá sabendo?

– Num tô não, corto o papo, como a torta, mais gostosa do muuuunnnnddooooooo, numa mesa muito da chiquerrézima, saca só as fotos, mané, e sem qualquer  comentário, tá?

 

And now, minha  madame, a dita florzinha, que me levou pela mão por este pedaço gay chique de Berlim,  dizendo tchuss=beijinhos (mas fazendo beicinho, em alemão).

–  Eu não! Nein!

– Florzinha!!!

Mais detalhes deste incrível bar em:

http://www.sorgenfrei-in-berlin.de/

 

Mais detalhes deste incrível bar em:

http://www.sorgenfrei-in-berlin.de/


Friedrichshain, the Communist side, and Kreuzberg, the capitalist side, both dominated by the victors in Berlin, therefore, were free of judgment at Nuremberg (Siberia, Hiroshima, etc.). Both, however, remain together before and after. But are its days numbered. The invasion of artists gives rise to the bourgeoisie. Join them migrants, Slavs, Turks, Asians, Africans and Latinos. This is Berlin.

Friedrichshain, do lado comunista, e Krfeuzberg, do lado capitalista, os dois na Berlim dominada pelos vencedores que, por isso, ficaram livres do julgamento em Nuremberg (Sibéria, Hiroshima,etc). As duas, no entanto, continuam juntas, antes e depois. Mas estão com os dias contados. A invasão dos artistas dá lugar à burguesia. Juntam-se eles aos migrantes, eslavos, turcos, asiáticos, africanos e latinos. Das  ist Berlin.

Acontece que , em função da invasão burgueza que acontece em Berlin, expulsando os hippies e alienados, primeiro do Norte Kreuzberg, depois de Prezlauemberg, agora de Friedrichsain, amanhã ninguém mais sabe onde, porque nos subúrbios os doidos serão rechaçados, não pelos alemães, mas pelos eternos imigrantes. Mas voltemos às mudanças que acontecem, hoje, no ex-bairro operário pobre comunista, nem todo mundo era proletário:

Um exemplo forte da recuperação do bairro sempre largado para escanteio em Berlim, desde os tempos dos nazistas, depois comunistas, Friedrichshain, é a recuperação que está sendo feito ao redor da Knoorpromenada, uma pequena rua que hoje completa 100 anos, tinha até um mini-portão de Brandeburgo, prédios com fachadas trabalhadas e tudo e que agora, ressurge depois de décadas de cinzas. Ei-lo o que será:


No meio do Grosser Stern (Grande Estrela), cinco caminhos cruzam o Tiergarten de Berlim. No meio do meio, uma estátua chamada de  Goldeslse. Na verdade, é a Coluna da Deusa da Vitória (da Alemanha, então Prússia, no século XIX, contra Dinamarca, Áustria e França).

Ne verdade mesmo, a deusa Vitória foi retirada, em 1938, pelos nazistas do local original, em frente ao Reichstag, para dar espaço ao grande tombo da Germânia.

 Na verdade, verdade, mesmo, a estátual é conhecido em todo mundo como O Anjo. Depois da cena dele sair voando por sobre Berlim no começo do filme do Win Wenders, 1985, Asas do Desejo.

Mas que esta estátua da deusa Vitória, uma Anja Ariana, provoca desejos, lá isto provoca.


Mulheres alemãs querem maridos judeus.

The German people today did not get rid of non-trauma, they were others, but full of complexes, such as unconditional defeat in the last two world wars, Nazi-killing Jews, Communism and Fascism, which divides, even today, in either half of Germany, more capital Berlin. And the German Jews, because Judaism is religion, not citizenship.

Das deutsche Volk heute nicht loswerden Nicht-Trauma, sie waren andere, aber voller Komplexe, wie bedingungslose Niederlage in den letzten zwei Weltkriege, Nazi-Mord an den Juden, Kommunismus und Faschismus, das teilt sich auch heute noch, entweder in halb Deutschland, mehr Hauptstadt Berlin. Und die deutschen Juden, denn das Judentum ist die Religion, nicht Staatsbürgerschaft.

O povo alemão até hoje não se livrou não de traumas, que estes foram de outros, mas de completos complexos, tais como: derrota incondicional nas duas últimas grandes guerras, nazismo-massacre de judeus, e fascismo-comunismo que divide, ainda hoje, nos modos, metade da Alemanha, mais a capital Berlim. E os judeus alemães, porque judaísmo é religião, não cidadania.

Pois hoje vamos aos judeus. Já foram indenizados, não nas vidas, mas nos bens estão de volta. Aqui em Berlim, tem  a grande sinagoga, riquíssima, abóboda externa de ouro, tem os bancos, as universidades, o sistema financeiro, museu da história judáica nos últimos dois mil anos (Kreuzberg), mais a grande área repleta de blocos negros do tamanho da imensidão da tragédia.

Sem contar, ainda, os inúmeros pequenos monumentos, às vezes uma mesa e uma cadeira de aço, ao lado a fatídica mala de partida, ou então a Gleis 17, em Grunewald, apenas os trilhos de onde partiam os trens sem volta para o enorme campo de extermínio, não de concentração, na Polônia, o Auschvitz, embora nada haja a respeito dos ciganos, gays e dissidentes também exterminados.

Mas o que para mim mais me marca aqui em Berlin no doloroso êxodo judio é um monumento situado numa praça particular, na antiga parte comunista, que não é bem visto nem pelos alemães e muito menos pelos judeus e explico:

Block der Frauen, Bloco das Mulheres, Rosenstrasse, na frente de onde era a Gestapo-KGBCIA-SNI. Nos últimos meses da guerra já perdida, Hitler, via Goebbels, resolve terminar de vez com os judeus, porque ainda existiam uns quatro mil, preservados porque eram casados com mulheres alemãs e filhos idem.

Motivo deste monumento não aclamado mas que diz da importância dele para a preservação dos dois mil últimos judeus, cidadãos alemães, casados com mulheres arianas que foram à luta, povo unido, bradaram, greve de fome, e ficou a dúvida nazista: matar ou não matar mulheres alemãs. Diante do fato consumado, a guerra chegando ao fim, salvaram-se todos: as mulheres alemãs e seus maridos judeus.

As fotos do monumento Block der Frauen dizem tudo. Elas sim foram o futuro do presente da Alemanha. E não se fala mais em sionismo, comunismo, fascismo, nazismo, capitalismo e tal.

Sobre este monumento tem o filme da cineasta Maragerette von Trotta, de 2003, chamada As Mulheres de Rosenstrasse, e também o livro Resistante of Heart, de Nathan Stoltzfus. Deste, um trecho só:

“De repente, ouve-se um tiro. Quando o som se esvai, o único som que fica é o silêncio. Pois este foi o dia para mim ficou tão frio que congelou as lágrimas em minha face.”

The End. Or The Begining?


May Day in Berlin. The stick broke in Weding, working-class neighborhood. In Kreuzberg, migrants, the greater show. In Pankow, the neo-Nazis, all calm. The police ended up not having fun.

May Day in Berlin. Der Stock zerbrach in Weding, Arbeiterviertel. In Kreuzberg, Migranten, desto größer ist Show. In Pankow, die Neonazis, die alle ruhig. Die Polizei endete keinen Spaß.

Primeiro de Maio em Berlim.  O pau quebrou no Weding, bairro da classe operária. No Kreuzberg, dos migrantes, maior show. Em Pankow, dos neonazistas, tudo calmo. A polícia acabou não se divertindo.

 No Portão de Brandebourg, principal palco de Berlim, o PDG, tipo  CUT da Europa, fez um comício. Tinha de tudo. Até samba abraçado a saudosos comunistas. Em alemão e logo em seguida, em espanhol, tendo que ouvir:

– Companheiros e companheiras.

De bom que no lugar da cachaça 51, o chope espumoso, as companheiras mais gostosas, enfim, maior visual.

Viva o Primeiro de Maio em Berlim.


May Day here in Berlin. I’m in this, man. Feast for 25 years. In Kreuzberg. Subdivision of the Turks, and other rogues among them are Brazilians. Party that? From when the first Bloody May 1. Since then, it is always the same. In the middle, the Polizei. They say she says she also has to have fun. On the south side, the turcaiada, say, migrants. On the north side, coming from Pankow, skinheads, Nazis. And even if the stick breaks. It comes as a Night of Crystal, but …

Primeiro de Maio cá em Berlim. Tô nessa, meu. Festa de 25 anos. Em Kreuzberg. Bairro dos Turcos, e outros ladinos, entre eles, os brasileiros. Festa de que? De quando houve o primeiro primeiro de maio sangrento.   De lá para cá, é sempre o mesmo. No meio, a Polizei. Dizem que ela diz que também tem que se divertir. Do lado sul, a turcaiada, digo, os migrantes. Do lado norte, vindo de Pankow, os skinhead, os nazistas. E o pau quebra mesmo. Não chega a uma Noite do Cristal, mas…

May Day hier in Berlin. Ich bin in diesem Menschen. Fest für 25 Jahre. In Kreuzberg. Unterteilung der Türken und andere Schurken unter ihnen sind Brasilianer. Partei, dass? Ab wann der erste blutige 1. Mai. Seitdem ist es immer das gleiche. In der Mitte, die Polizei. Man sagt, sie sagt, sie hat auch Spaß zu haben. Auf der Südseite, die turcaiada, sagen wir, Migrantinnen und Migranten. Auf der Nordseite, aus Pankow, Skinheads, Nazis. Und selbst wenn der Stick bricht. Es kommt als Night of Crystal, aber …

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Ah… ainda tem um puta show de música eletro. De adianto, está aí o aviso geral, dado pela polícia. Nada de garrafa quebrada, tá gente? Té parece que adianta. Tô lá e depois eu conto cá, tá? Só inda tô na dúvida se fica no lado dos skins ou dos turcos. Em cima do muro, em Berlin, never. Tchuss…

http://www.youtube.com/watch?v=lXWefm6ygwY&feature=player_embedded#!