Je t`aime mas nem tanto, mon amour…

           Se tem coisa que francês mais gosta na vida é comer…

          Comida.

          Tem até a frase:

         A comida é para saciar a alma … nunca, a fome.

         Por isso, a comida de hoje, é a espiritual.

         Nesta undécima volta a Paris, vou rever o muro do je t`aime.

         I Love you, babe,  escrito na pedra em mais de 320 das quatro mil línguas existentes neste mundo surgido na Torre de Babel.

     É eu te amo para tudo que é lado.

     Mas, afinal, tem lugar melhor do mundo do que Paris para dizer je t`aime, mon amour?

    Pode ser no creole de Martinica: a-mi-to-ma-ké-ba-lo-ba-chi.

    Ou então no creole do Haiti: moin-rin-mim-oi.

   Tem o creole da Bahia: tô-na-tua-tá?

    E na língua tonga, aquela do Vinicius de Morais, na tonga da mironga do cabuletê, em que se diz eu te amo assim:

    – O-kou-o-ou-o-fa-la-ki-a-tiu (ou dá ou desce). Saravá!

            O muro je t`aime em questão, em Paris, fica para os lados do Montmartre dos Van Gogh, Picasso, Monet, Modigliani e uma porradésima de gente famosa, depois  virada pó.
Metrô Abesses. 18, como se diz. O mais profundo da capital francesa. Square, ou Quay Jéhan Rictus.

            Oui, ma petite femme, je t`aime, mas nem tanto, tá?

            Bisou!


Me namore que eu te levo para Paris

             Namore moi qu’un jour je vais vous emmener à Paris. Qui n’aime pas se laisser séduire par de telles promesses et beaucoup de rêves taille complète: Promenades sans fin à travers les boulevards de la capitale. Des milliers de baisers devant les petites tables a les petits cafés. Rafraîchir les bords de la Seine les tenant par la main.Demandez au incognito qui nous reflète, côte à côte, le fond dans les objectifs du paysage. En retour, prolonger un goût d’invitation qui est très agréable.

           “Fica comigo que um dia eu te levo a Paris” – quem não gosta de ser seduzida com tais múltiplas promessas e do se completar tamanho sonho: infindos passeios pelos boulevares da capital, trocar beijos vagarosos junto às minúsculas mesas dos repousantes cafés, mãos dadas pelas beiradas refrescantes do Rio Sena, pedir ao incógnito que reflita, lado a lado, aquela paisagem ao fundo nas lentes que, ao regresso, eternizam o sabor de tão prazeiroso convite.

       Après avoir tenu les mains dans les jardins de Monet – restent les mêmes que les peintures, et regarder les détails dans la cuisine avec des tons jaune, ensemble nous irons monter les escaliers en bois que sont usés-faires, et à l”egtage, à côté de la fenêtre de la chambre, en tirant le perfurm des fleurs, lá-bas, je vais t’attirer l’attention sur un détail, que est toujours le même au lit où Monet ressenti l’amour et est tombé endormi rêvant des images qu’un jour il y aura la peinture. C’est alors seulement que j’aurais le courage de te demander:

      – Veux-tu m’épopuser?

      Et allor?

      Depois de passearmos de mãos dadas pelos jardins de Monet – continuam tão iguais às pinturas, e de olharmos os detalhes na cozinha com tons amarelos, subamos juntos as escadas de madeira- quão gastas estão, e no andar de cima, junto à janela do quarto, atraindo o perfume das flores lá embaixo, vou Te chamar a atenção para um detalhe -ainda é a mesma cama onde Monet sentia os amores e adormecia sonhando com os quadros que um dia haveria de pintar. Só então eu teria a coragem de  perguntar :

    –  Você quer casar comigo?

    E aí?


              Parte Um

              É tão bom ver uma cabeça coroada rolar na guilhotina…

             Uma ida, pena que tenha volta, como tem acontecido por uma dezena de vezes, a Paris, exige três partes de um mesmo corpo: antes, durante e após.

             Antes, tem a preparação, nos livros ou nas  traiçoeiras páginas internéticas, mesmo que o local de pouso seja o mesmo, pela terceira vez.
         Durante, bem, tem a restauração do que tem que ser repetido em Paris, a Place de Voges, par exemple, o sorbet da Ilha São Luís, o sorver no Chez Papa.

             E o depois, bom, é a revolta da volta de uns tempos na Lutécia nascida junto com o Jota Cristo, bem que os dois podiam ter-se casado e dado filhos.
 

                Primeiro, vamos  começar pelo recém-lido livro do do jovem filósofo inzoneiro chamado Lorànt Deutsch

 

                 

         A idéia central deste livro, de uma viagem  pelas estações do metrô, desde o primeiro século até às excrecências arquitetônicas do século XX, não foi cumprida.

         Mas todo livro, mesmo que pior, sempre deixa um gosto de mel, este me deixa na boca as toneladas de sangue que correm pelas ruelas de Paris, ao longo da sua história, na forma de tremendas carnificinas:

         Judeus em 1200, protestantes em 1700, pobres de Paris jogados aos milhares no Rio Sena pela peste, fome ou simplesmente pelos machados afiados das turbas.

        Agora, deste livro, levo duas coisas nesta viagem a Paris.

        Uma, é a tremenda história de a heroína, dizem que santa e virgem,  Joana D’Arc, ser fruto indevido da rainha Isabel da Baviera, casada com o maluquésimo Rei Carlos VI, mas apaixonada pelo irmão dele, o cunhado, o duque Luís de Orleans, simplesmente por ele ser o seguinte:

      “Um belo garanhão pronto a relinchar diante de qualquer mulher”.

      O outro detalhe deste livro de 343 páginas, que acabo de sorver, está na página 332, e vou conferir in loco, na atual place de La Concorde:

      “Em 1789, chamou-se praça da Revolução e aqui erguia-se a sinistra guilhotina (Liberdade, Igualdade e Fraternidade).  A conta foi feita: 1.119 cabeças rolaram nesse lugar e entre elas as de Luís XVI e de Maria Antonieta”.

       Aur revoir.

      Amanhã, volto com mais uma pré-saudação à minha Paris.

      Antes, uma foto doutras idas, com voltas, infelizmente:

 

       O Pensador, no Jardim de Rodin, que sacaneava Camile Claudel mas amava o gordo Balzac, e, debaixo da torre dourada dos Invalides, o túmulo do grande Bonaparte, que se ajoelhava diante de Josephine, não a Baker.


Neste domingo acordo virado, vidrado, chapado e revoltado.

Pulo na radiola (?) e tasco The Doors na vitrola (!)

– Father!

– Quié, filho?

– I want kill you!!!

– Mother!

– . . . ?

–  I want you …

Isto em jejum é porrada cerebral.

Tenho que voltar pelo menos para meu baixo astral.

Ouçamos:

http://www.youtube.com/watch?v=QHFK1yKfiGo&feature=related

E me dá uma saudade de Paris.

De quando estive no túmulo de Jim Morrison.

https://mamcasz.wordpress.com/2009/10/07/perdido-no-cemiterio-de-paris-e-morrendo-de-vontade-de-mijar/

Au bientôt, mané.


A bouquet for Columbine

 &

International Women’s Day 

 

  

Para Amarilis – flor orgulhosa:

  

Um beijo em ti, Mulheraça!

Tu mostras os peitos,

Alimentas a Vida

Imensa, na fome

… de Amor. 

 

 

   

Para Anêmona – flor persistente:

  

 Dois beijos em ti, Mulheraça!

Tu suas as ancas,

Geras o fruto

Doído, és chefe

… da Família.  

 

 

Para Prímula – flor jovem:

 

 Três beijos em ti, Mulheraça!

Tu levas um murro,

Devolves sussurro

Na cama,  pétala

… de Flor.

 

 

Para Açucena – flor angustiada:

 

 Mulheraça!

Tu sustentas filho, marido,

 Cachorro, e o papagaio

Ressoa no espelho:

 Ainda és a mulher mais bonita

… do Mundo?

 

 

Para Beladona – flor sincera:

  

Neste teu Dia Internacional,

Mulheraça!

Um Beijo

Do tamanho da tua precisão –

Correto,

Dado e passado,

Presente e futuro.

  

 

Para Tulipa – amor perdido

e

 Para Acácia – amor secreto

  

 

 Do sempre: 

Eduardo Mamcasz

 Poeta Quase-Zen

08/03/2011

  

*****

 

Ouça-me:  

http://snd.sc/hCOnmF

  

*****

 1

To Amaryllis  – a proud flower:

 One kiss, Super Woman! 
You show your breasts,
And aliments the Life,
Immense , in your hunger
… Of Love.

2

To Anemone – a persistent flower:  

Two kisses, Super Woman!
You perspires on hips,
To reap the fruit, 
Hurt, you’re a boss
… Of the Family.

3

To Primrose – a young flower:

Three kisses, Super Woman!
You take a punch,
Devolves whisper
In the bed, petal
… Of Flower.

4

To Azucena – an anguished flower:
 
Super Woman!
You support son, husband,
 Dog, and the parrot
Resonates in the mirror:
 Are you still the most beautiful woman
…Of the World? 

To Belladonna – a honest flower:  
In this your  day,
Super Woman!
A kiss
From the size of your accuracy –
Correct,  
Given past,
Present and future.
Eight of March.
International Women’s Day. 

  To Tulip – a hopeless flower

and

To Acacia – a secret love

 From:

Eduardo Mamcasz
Almost Zen-Poet 

 **** 

Hear me (brazilian language only): 

http://snd.sc/hCOnmF

 

 

 

 


Banksy (Thierry Guetta ou Mr. Brainwash).

É um grafiteiro de rua na Inglaterra.

Pode levar o Óscar de melhor documentário.

Pena para os “recicladores” do Grande Rio.

Com o documentário Lixo Extraordinário, do Vick Muniz.

Na verdade, só o lixo é brasileiro.

O dinheiro para o filme, veio da Inglaterra.

Que nem quando Napoleão invade Portugal.

O rei casado com a rainha louca se manda.

Chega ao Rio com todo o lixo político.

Com dinheiro da Inglaterra.

 

 

Sempre que eu viajo pelo mundo tiro fotos de muros pixados.

Aliás, já fui dos…

Tempos do Libelu:

Acalanto provoca Maremoto.

A dita-dura achava que era mensagem.

Nós, poetas marginais, seríamos subvervisos.

Sem direito, hoje, a pensão vitalícia, meu.

Fora da lei ontem, hoje e amanhã.

 

 

As duas pixações acima são do tal Banksy.

Hoje elas valem ouro se saírem de cima do muro.

Quer dizer, ele se deu bem.

Que nem eu, nesta última ida a Paris.

Na Rua da Esperança, Butte aux Cailles.

Encontro duas minas na esquina.

Uma no muro.

Outra assim, só vindo para cima da minha lente.

Por conta da estática, o fogo avoou.

Tenho um galho  em Paris.

Só no peguéti.

Uh-lá-lá!

 

 

 


Quando cai merda do céu, lá vem a frase do Zé Povinho:

– Com a ajuda de DEUS, eu vou melhoral, melhoral …

É melhor e não faz mal.

Faz sim.

Pela ordem, cumpanheirada.

 

1)      – Em um mês, duas intervenções do Exército Brasileiro no Rio (Alemão-Friburgo).

           Para limpar as  merdas divinas  das autoridades terrenas.

 

2)      – Enquanto isto, onde estava DEUS?

           Em Paris, na cama com o Cabral. Desde 1.500…

 

3)      – Três perguntinhas básicas:

 

a.  DEUS sabia das 700 mortes?  é muito mais do que isso?

 

b.  DEUS sabia que os pobres estavam estuprando a Mãe Natureza?

 

c.  DEUS sabia de tudo?   não fez nada?  por que?  hein?

 

 

 

Este é o meu novo livro de cabeceira.

DEUS – UM DELÍRIO.

De  Richard Dawkins.

Um dos três maiores pensadores da atualidade.

Diz-se que quando uma pessoa tem delírio, é maluco.

Quando  junta  uma porção de malucos, vira religião.

Daí, tem mais é que arranjar um DEUS.

Se católico,  queima  gente na fogueira da Idade Média.

Se muçulmano,   estoura torres gêmeas e muito mais.

Se judio,  estraçalha os palestinos e não os nazistas.

 

Moral duvidosa:

 

– Qual deus jogou merda do céu em cima da região serrana do Rio?

  

 

 

“Deus, ó Deus, onde estás que não respondes.

Em que estrela tu te escondes

Embuçado nos céus?”

( Castro Alves )

 

 “Como pode Deus permitir a morte de centenas,

de milhares de inocentes?”

Voltaire – 1755- após terremoto de Lisboa

 

” Deus tenta rezar, tenta rezar pra quem?

Deus não vê ninguém…”

Lobão – Pobre Deus.

 


“Começo hoje uma viagem incansável para investigar onde mora o eu que há em mim … se é que mora alguém”.

Lobão – 50 anos a mil .

Notre Dame de Passy – Paris – 2011


La Butte aux Cailles – Paris 13


Onde tem Niemeyer, estou lá.

Seja Niterói, Nova Iorque, João Pessoa ou Berlim.

Principalmente Brasília, onde me acomodo e adoro passear de madrugada, depois de alguma noitada em casas amigas.

Pois agora em Paris fui à Place Colonel Fabien.

 Fica  na parte alta de Belleville, subúrbio parisiense que omisia argelinos, indianos, turcos, negros, brasileiros e todos os ladinos do mundo.

Tudo isto para conhecer uma das obras mais antigas do nosso grande Niemeyer.

É a sede do Partido Comunista Francês – PCF.

 Falando sobre esta beleza, no Pariscope (revista semanal que custa 40 cents de euro),  5 au 11 janvier 2011, o designer Matali Crasser diz o seguinte:

“J’adore cet architecte (Oscar Niemeyer) –  très audacieux et il y avait un magnifique savoir-faire.

 Il suffit d’observer les façades et les vitres, la façon dont  elles on été pensées.

Comme souvent avec Niemeyer, il y a quelque chose de simple, d’accessible à tout le monde.”


 Anistia para  Edith Piaf.

Nesta  ida a Paris, vasculho  traços perdidos dessa Edith Piaf.

Sobrevive  aos 20 no trottoir do bas-fond (puta).

Chansonnière da zona.

Chegada à morfina, morre aos 47, magricela, baixinha e feia.

Mas cercada de amantes bonitos, entre eles o Ives Montand.

Ou Marcel Cerdan, campeão de boxe.

Sepulta-se na multidão do cemitério Père Lachaise.

Perto da rua de Belleville, onde nasce.

Ali,  vejo hoje apenas uma porca e parca placa.

Merecedora de uma anistia ampla, geral e irrestrita.

A lesma lerda  no Café Menilmontant.

 A pequena meretriz com voz de Piaf  (pardal) canta:

 Milord, je ne suis qu’une fille du port, qu’une ombre de la rue.

Acá, eu vejo o nada.

 Até a garçonete com cabelo de colibri se espanta com o passado.

Ela  sabe por mim que  Edith Piaf ali ainda marca presença.

Hoje evaporada no devaneio da morfínica modernidade.

Insisto, não desisto e sorvo na bar e na  Place Edith Piaf, Porte de Bagnolet, o último canto do passarinho.

 Hoje completamente esquecida na Paris dos tempos de Sarkozy e Carla Bruni.

 Prefiro minha pequena meretriz solfejando latente no meu ouvido morno:

– Mamcasz! Je me regrette rien, je me fous du passé…

– Pardon, Piaf!

– Não tô nem aí. Tô cagando pro meu passado.

– Edith … olha os modos …

– Phoda-se, mon cheri.

Il faut se méfier des mots

Tem mais é que ter cuidado com as palavras

Phoda-se, meu.


Gente!

Acabo de chegar de  outra viagem a Paris, não vi a posse nem a virada   nem nada.

Amei!

Apeio em  São Paulo, a maior cidade da América Latrina, a caminho de Brasilha e no ato ressinto que tudo está tão diferente, sem as filas em zigue-zague, o aeroporto poeirento, um banheiro com dois vasos sujos para trezentos chegantes, poucos estrangeiros, nada de classe média micha, tanto que sou recepcionado por funcionários públicos da Polícia e da Receita (Federais!), todos lindos, sorridentes e solícitos:

– Bom dia, como vai cidadão, a viagem está boa?

E tudo isto antes mesmo de mostrar meu passaporte diplomático que eu tenho desde criancinha porque sou filho de pai operário, analfabeto e cachaceiro,  no interior do Paraná (com esta localização, de fato, escapo da censura!).

Portanto, cá está mea culpa na foto abaixo tirada em Paris, nesta semana, fica na Rua Oberkampft, entre as bulevares da Republique com a Beleville, que termina na Menilmontant. Tudo uma merda. Bom mesmo é aqui no meu Brasil onde, na volta, não vejo mais mendigos, crianças pedindo esmolas, meninas dando nos postos de gasolina por alguns trocados, gente passando fome, nem nada. Nada, mesmo. E os detratores ainda falam mal da Bahia, phode?

Estou de volta. 

Inté e Axé!

Merci!

 


Lindo

Tão lindo

Tá tudo lindo

Tá tudo tão lindo

Tô tão tudo lindo

Tá todo mundo lindo

Tô  tão gente e  lindo

Tão todos tudo tão lindo

Tão bem que eu tô lindo

Também sempre foi assim tudo aqui tão lindo

Talvez amanhã  até fique no muito  mais  lindo

Até porque estou indo mais uma vez para a minha Paris

Onde tudo é mais lindo ainda do que aqui está tão lindo

Acontece que eu não sei chorar lamenta   Cartola lindo

Por isso estou indo lindo  para me decidir lindo em Paris

Se vou para cá lindo se vou para lá num mais ainda lindo

Num caminho  livre lindo leve lindo solto lindo não findo

De gritar lindo sussurrar lindo esbravejar é lindo no lindo

A verdade é que vou me sentir em Paris muito mais lindo

 

                      Namore moi qu’un jour je vais vous emmener a Paris.

                     Qui n’aime pas se laisser séduire par de telles promesses  et beaucoup de rêves taille complète: Promenades sans fin à travers  les boulevards de la capitale.

                   Des milliers de baisers devant les petites tables a les petits cafés. Rafraîchir les bords de la Seine les tenant par la main.Demandez au incognito qui nous reflète, côte à côte, le fond dans les objectifs du paysage. En retour, prolonger un goût d’invitation qui est très agréable.

                  “Fica comigo que um dia eu te levo a Paris” – quem não gosta de ser seduzida com tais múltiplas promessas e do se completar tamanho sonho: infindos passeios pelos boulevares da capital.

                 Trocar beijos vagarosos junto às minúsculas mesas dos repousantes cafés, mãos dadas pelas beiradas refrescantes do Rio Sena, pedir ao incógnito que reflita, lado a lado, aquela paisagem ao fundo nas lentes que, ao regresso, eternizam o sabor de tão prazeiroso convite.

                   Après avoir tenu les mains dans les jardins de Monet – restent les mêmes que les peintures, et regarder les détails dans la cuisine avec des tons jaune, ensemble nous irons monter les escaliers en bois que sont usés-faires, et à l”egtage, à côté de la fenêtre de la chambre, en tirant le perfurm des fleurs, lá-bas, je vais t’attirer l’attention sur un détail, que est toujours le même au lit où Monet ressenti l’amour et est tombé endormi rêvant des images qu’un jour il y aura la peinture.

                C’est alors seulement que j’aurais le courage de vous demander:

              – Veux-tu m’épouser?

             Depois de passearmos de mãos dadas pelos jardins de Monet – continuam tão iguais às pinturas, e de olharmos os detalhes na cozinha com tons amarelos , subamos juntos as escadas de madeira- quão gastas estão, e no andar de cima, junto à janela do quarto, atraindo o perfume das flores lá embaixo, eu te chamo a atenção para um detalhe – ainda é a mesma cama onde Monet sente os amores e adormece sonhando com os quadros que um dia há de pintar no amarelo.

               Só então eu tenho a coragem de te perguntar :
               – Você quer casar comigo ?

                   O convite é feito há trinta anos e até hoje Madame não me responde.

                  Mesmo assim, calado insisto, não desisto, existo.

                 Por isso, continuamos juntos e sempre voltando a Paris.

                 Quem sabe numa dessas idas …

                Então,  até daqui a uns dez dias.

                Sei lá.

                Este tão lindo aqui já está me cansando.

                Au revoir.

 

 

 


Acabo de pular do muro.

Aproveito que minha fêmea continua sumida em Paris e repasso o contexto da jovem:

Para os estudantes, ir além das paredes é buscar conhecimento empírico.

Além das Paredes é o blog da menina.

Ainda que eu, sei lá, sou mais o pós-real.

Tô falando da  realidade, não deste real de merda, né, mané.

Ô, me desculpe, minha jovem estagiária, sentada aqui ao meu lado, na Rádio Nacional, me socorram, prófis Leandro e Olimpinho.

Eu, Mamcasz, eterno pecador, me confesso (e se confesso, tudo bem, por pior que tenha sido o meu pecado, sempre existe o perdão)  mas, continuando este  dedo de prosa, vai daí que a minha bela jovem estagiária , sentada aqui ao meu lado, há pouquíssimo tempo,  me joga na cara:

“Quando eu era menino, tio Mamcasz, eu falava como menino, via como menino, sentia como menino, discorria como menino mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.”

Concordo, minha jovem donzela, e permita que eu rediga, ao meu modo rude-polaco:

 Quando eu era menina,  tia estagiária, eu falava como fêmea, via como fêmea, sentia como fêmea, discorria como fêmea mas, logo que cheguei a ser fêmea, acabei com as coisas de fêmea.

 E adentro por ora, minha completa estagiária:

 PASSEI A SER MENINO, MENINA !!!

 Portanto, Manezinha, por seres a minha estagiária, com olhão de camelo perdido  no deserto do Saara, espalho teu blog aos ventos deste deserto cultural em que vivemos.

 Moral:

Ide, meu povo:

 http://alemdasparedes.blogspot.com/


Por do sol em Orly, sudoeste de Paris, na volta para a pátria que me pariu. Que nem a letra do samba: Vai, meu irmão, pega este avião e não diga nada...
Por do sol em Orly, sudoeste de Paris, na volta para a pátria que me pariu. Que nem a letra do samba: Vai, meu irmão, pega este avião e não diga nada…

Pois foi assim a minha largada de volta para o meu padrasto emergente do Terceiro Mundo. Nos meus ouvidos, ainda zumbem  a letra e a música de Chico, Toquinho e Vinicius, feita nuns tempos em que vir a Paris era diferente. Voltar, então, nem se fala:

“Vai, meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão de correr assim
Desse frio, mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão. “

E não é que um aventureiro-soldado-politico-polícia, armado ou não, já tomou conta do Rio? Mas avisa lá que mesmo assim tô voltando. Tu sabes do que estou falando, NE, Mané? Ah… falando em Manuel, tive antes que passar por Lisboa, o vôo era da TAP, que está se fudindo com a TAM, cego com perneta, tanto que ninguém sabe quem está comendo quem. Depois explico. Tem lance na Bolsa e tudo.

Tô nessa porque de manhãzinha aporto em BrasILHA, a capital da esperança de 21 milhões de brasileiras e brasileiros que continuam classificados como indigentes abaixo da linha da miséria. Chego às cinco e pouco da madruga desta segunda  e lá pelas oito já estarei no meio dos fantasmas de sempre, falsos vivos ou amortecidos. Tem até a Assembléia dos Empregados da EBC para decidir o dessídio. Ou seria dicido? Parlez vous tupi or not?

Mas em Lisboa, no aeroporto que é mais aeroporto (juro que não entendi esta piada de português), até porque na ala em que estavam confinados mais de 500 brasucas para os vôos TP de Lisboa para Brasília, Rio e São Paulo, em aviões  separados, (La Pinta, La Nina e La Santa Maria) pois, pois, e não é que só havia banheiro único, válido para homem, mulher ou outro aderente, com o detalhe que o gajo pode ver na foto avisando, ói:

MÃOS LIMPAS. COMECE AQUI.

Olhei para os lados, vi as caras de alguns brasucas saudáveis, e juro que,outra vez, não entendi a piada do portuga. Falar nisso, tinha brasuca bicha que faz a vida ilegal em Barcelona, empregada doméstica vindo de Milão, Itália, para Imperatriz, Maranhão, visitar a família (???), pau de arara, quer dizer,pau pra toda obra, ilegal em Londres e que vai visitar a mulher em São Paulo, e até umas meninas, saudáveis mas nem tanto, que faziam a vida em Madri, até que a crise chegou. Tudo com mãos saudáveis, pois, pois, mané. Ah… tinha um pessoal de Brasília….

                    Privada em Lisboa - Photo by Mamcasz

Aeroporto que é mais aeroporto. Pois sim. Você chega de Paris, desce do avião, entra num ônibus lotado, anda uns dez minutos (verdade), espera numa sala que não tem nada, banheiro unisex e tudo. Depois, desce pela sanfona, entra noutro ônibus lotado, anda mais dez minutos, entra no avião, e daí …. pois então, Dom Pedro Cabral, tá esperando o que? liga o motor, solta as amarras e bota a música na caixa:

– Se esta porra não virar, olé, olé, olá!!!

Por um instante, até me esqueci que estou voltando sozinho porque minha fêmea resolveu mesmo ficar em Paris, fazer o que, mulher corajosa, Maria Bonita, filha de pai que caçou o dito Lampião.

Aeroporto de Lisboa - photo by Mamcasz 

Então, te cuida, Brasil, que tô chegando de volta à esta puta pátria que me pariu. Acho que vou treinar tiro à distância pro Rio-16.  Ou corrida em carrinho de supermercado com morto dentro.  Ou mentir em palanque em 2010. A gente chega lá. Quer dizer:

– Se esta porra não virar, olê, olê, olá…

– Pegaram o piloto com a mulher do cobrador…

– Senhores passageiros. Apertem os cintos que estamos entrando abaixo da Linha do Equador.

– Boa noite, mané!

Paris-Brasília - Photo by Mamcasz