Brasilia



Deusa Natureza!

Dai-me o tempo de festa – verão –

E do repouso – viram?

Dai-me o tempo das folhas secas,

Galhos tortos, noves-fora,

Recomeçar do quase-nada.

*  * *

Deusa Natureza!

Dai-me o poder de remover torres,

Mares e bobos sonhos :

Ser viril na ternura de um Chico de Assis

No sermão desolado da montanha

De entulhos e bagulhos.

*  * *

Deusa Natureza!

Dai-me o milagre da multiplicação das palavras.

Que elas instiguem nas crianças

O distante reino dos céus,

Reafirmem a decisão de malhar o Judas,

E justifiquem a intenção de crucificar de novo o velho Cristo.

* * *

Deusa Natureza!

Dai-me o entendimento desta minha dupla convivência:

– Qual dos dois – Cristo ou Judas – ocupa

Uma cadeira vazia no bar,

Um vazio na gente?

Nesta idade, pessoa,

Às vezes, sou um mini homem dileto,

Noutras muitas, um super rato discreto.

*  * *

all-by-mamcasz (3)

*  * *

Para me ouvir clique abaixo

http://www.podcast1.com.br/programas.php?codigo_canal=1618&numero_programa=36

* * *

Deusa Natureza!

Dai-me um tempo

Para continuar sendo aquilo ou isto

Judas ou Cristo –

Insisto –

Mesmo que eu durma com o Diabo

E com o Deus, na mesma lama,

Ou que amanheça por entre as Madalenas,

Caifás, Pilatos, Herodes, Marias,

Ou mesmo Dimas, o bom –

Qual era mesmo o nome do mau ladrão?

* * *

Deusa Natureza!

Dai-me a vontade de mesmo no roubo

Na força eu ser bom,

Do começo ao fim.

E depois, ressuscite o santo, de mim

Decantado das cinzas ao vento,

Desde que eu continue, no fundo,

Sendo sempre aquilo ou isto,

Judas ou Cristo.

*  * *

flor by mamcasz

*  * *

Deusa Natureza!

Dai-me a certeza do retorno,

Na forma de pássaro no arco-íris plantado

Para que eu possa cantar para alguém,

Mesmo que somente para mim,

Um retumbante Hallelluya.

* * *

Deusa Natureza!

Dai-me um Ovo de Páscoa

Que na duvidosa placenta de vida

Da gema renasça, por encanto,

Isto ou aquilo.

É o que mais desejo.

Sinceramente, deste teu

Cristo, mesmo que Judas.

Amém!

*  * *

Eduardo Mamcasz, Poeta Quase-Zen.

* * *

Agora, s.v.p, leia meu livro.

Clique no linque abaixo.

https://clubedeautores.com.br/book/142772–Pombal_de_Gente_Inacabada

Feliz Páscoa!

Feliz Páscoa - by Mamcasz (2)


Sábado na matina, sol lindo cá na ilha, fantasio o torresmo com a branquinha, cadê o caldinho, mulata Luanda?

– Polaquinho, minha florzinha. Hora de acordar.  Ir prá rua. Trotar. Emagrecer. Já!!! A não ser que você queira que eu vá, eu mais este corpicho, sem você para Praga em maio. Vá!!!

Madame by Mamcasz

Na prima volta ao redor das duas quadras ditas super, tudo bem. Por ora, aqueço o joelho direito, na hora da pontada do esporão do calcanho esquerdo. Daí, esqueço o aqueço, a cabeça  a rodar, pensamentos nunca sanos. Diminuo o passo. À frente, a jovem manceba. Bom jingado. Ritmo bem ancado. Apesar do colega, também aborrescente, no papo desestruturado. E ela prá ele e eu ali:

– Pois noutro dia eu fui no médico e ele disse que eu estou com alto estrésse.

E eu, sem querer, incontido polaco, replico, em voz alta:

– Auto com  u ou alto com éle?

O futuro pretenso, duvido, não leva jeito, casal de pombinhos, se vira e …

– É alto estrésse com éle, polaco intruso, e você tem o quê com isso?

E vieram para cima de mim, suado, amuado, polaco, ainda bem que, agora, por ora, aquecido o suficiente para apertar o passo. E a manceba, agora atrás de mim:

– Polaco, mostra aqui pro meu rápa capoeira a diferença entre éle e u.

Daí… polaco esquecido, ainda bem que aquecido, do passo  ultrapasso para o trote.

Na subida da entrequadra, diminuo o trote, o casal  pré-estressado distanciado,  escuto o grito advindo do bar do Carioca, que não se chama Manoel, mas Zé, de Zeferino:

– Polaco. Tá correndo da Madame, é? Mariquinha. Se fosse macho vinha aqui pruma branquinha e o torresminho da Luanda.

Em defesa da lídima honra polaquiana, máscula por natureza, aparentemente não mais persequido nem por madame e muito menos pelo capoeirista,  sôfregoeu me desvio  para o lado dos coleguinhas jornalistas, ô subrraça, é assim mesmo que se escreve?

– Sei lá, polaco, sou teu copidésqui por acaso? Bebe a segunda, vai.

– Manda outra. Mais uma pro santo. Péra aí. Tá telefonando prá quem?

– … Madame?

Saio na corrida outra vez. Preciso de um novo suor urgente. Esta modernidade de telefone com imagem instantânea, em movimento, me deixa sempre puto da vida. Sou mais eu na fila do orelhão:

– E aí, morena, vai ligar pro cachorro, vai? Precisando de ficha? Qualquer coisa, é só dizer…

Moral do Lero

Os putos dos coleguinhas jornalistas do bar do Carioca perdem feio a sacanagem que aprontam comigo. Chego em casa, esbaforido, lanhado mas, o mais importante, suado de montão. Madame me recebe:

– Polaquinho. Olha só o que teus amigos pinguços me mandaram.

E eu, todo cabreiro, auto-estressado, com u, porque controlo pelo interesse do momento – que foi?

– Que bunitinho você correndo. Acima do que eu tinha mandado. Era só para trotar. Que gracinha.

Abro aquele riso enorme, mas silencioso, a tempo de ouvir um senão que Madame sempre tem:

– Agora vai tomar banho porque este teu suor está fedendo a cachaça da semana passada. Vai que eu estou, Madame nunca fala “tô”,  preparando uma salada verde.

Aparentando felicidade tamanha, debaixo do chuveiro, ruminando fictícia grama, acho gana para cantar:

– Eu não sou cachorro nãooooooooooooooo…….

homem-by-mamcasz


Eu, coelha figura,

Amestrada nas carreiras  faceiras,

Nas rasteiras do sempre rotineiras,

Aplicadas na gente cá de Brasília é

No lombo do Eu,  coelha?

*

Eu, galinha figura,

Amante digerida nem divertida

Nos instantes insanos do sonho

Toco nessa  desnuda maestrina

Pelo obreiro aclamada de noite

Sugada do  meu suor extraído

Do lombo do Eu, galinha?

*

Eu, réptil figura,

Em meias rasteiras pós-graduada,

Entre as companheiras a mais vil,

Na cobrança, mais desmilinguida,

Aceite o último escarro  cuspido

No lombo do Eu, réptil?

*

Eu, vaca figura,

Doida rainha da boiada alternativa

Nessa esperança doída de vingança

Alimento aos poucos meus venenos

Tão plenos de minúsculas particulas,

Escorridas das  peles dessa escama,

Morena, um requiem a teu mugido

No lombo do Eu, vaca?

*

Por tanto, na figura da inimiga futura,

Pelo menos as vaca, galinha, e coelha,

Espeto por inteiro no fogo do inferno

Num só riso aclamado pelas formigas,

De boca cheia na encruzilhada da vida.

Image

Amém.


Nossa Senhora de Brasília

Que em 2013 reine

 Certeza soberana

 Sobremesa farta

Na mesa e na cama

 Sem nos chafurdar em tanta lama.”

Oscar Niemeyer: Cathedral of Brasília. The sta...

Oscar Niemeyer: Cathedral of Brasília. The statues are works by Alfredo Ceschiatti (Photo credit: Wikipedia)

            Esta poesia eu fiz em 2005.   Foi o Natal do estouro do Mensalão do PT.   Há sete anos, vacas gordas para eles, mando esta mensagem, em toda passagem.

           Que o tempo de vacas magras, que nem na Bíblia, um dia chegue para eles.       

           Será? Leia e escute, ao som do Hino Nacional, clicando no link abaixo. 

https://soundcloud.com/mamcasz/feliz-ano-novo-povo-by-mamcasz

FELIZ ANO NOVO (foto)

Foto tirada na época, no pico das Montanhas Rochosas, no Canadá,

no começo de uma licença de seis meses, na Firma, sem custos para a dita cuja,

e no começo de uma volta ao mundo, no prelo, o livro From Alaska to Jeruisalen.

A íntegra mensagem:

Feliz Ano Novo, Povo.

(Para ler ao som do Hino Nacional)

Nossa Senhora do Brasília,

Santa dos sobressaltos,

Vos rogamos um presente bem brasileiro:

Que  ressuscitemos,  de  uma  só  vez,

Sem  ser preciso  ser santo nem  suar de medo

Nesta  incerteza de tantos segredos.

E adicionemos  a  este  nada,  o tudo

Que, noves fora, sonhamos  conceber.

E multipliquemos o zero da fartança,

Dividido pela dúvida agora do ato,

Que espanta, de fato, a esperança.

Que reine,  na certeza soberana,

Sobremesa farta,

na mesa e na cama,

 Sem nos chafurdar em tanta lama.

Ouça bem, Nossa Senhora de Brasília,

O brado fervoroso do vosso povo:

Tenhamos a nossa vez.

São os votos de Mamcasz, Poeta-Zen,

E de sua consorte, Cleide.

Amém.

https://soundcloud.com/mamcasz/feliz-ano-novo-povo-by-mamcasz

Povo Brasileiro

Povo Brasileiro (Photo credit: Samuel Magalhães)


 Era uma vez o menino cordeiro 

Filho da ovelha bendita Maria

Adotado pelo marceneiro  José.

*

Em berço de palha é embalado

 Na manjedoura de ida vindoura

Ao ponto da falha na vida afiada.

*

Ai que saudades do leito que vai

 E do berço que vem em nome do

Filho dos mil Noéis deste mundo.

 *
Para me ouvir, clique abaixo
 

https://soundcloud.com/#mamcasz/feliz-nova-era-by-mamcasz

Feliz Nova Hera by Mamcasz]

Do então cordeiro não mais bebê

 Na toalha se vê o rapaz tão bonito

Na cabeleira a coroa de espinhos.

*

Bendito Cristo menino que berra: 

 Quero mais ouro, incenso e mirra

Extraídos dos magos reis mágicos.

*

Quero a estrela que seja só minha

 Na manjedoura em que escolherei

Meu tesouro de presente natalino.

*

Quero mesmo uma festa  tri-legal

 Porque sou  filho da ovelha Maria

Pai desconhecido etecétera e tal.

*

Quero firmado no meu testamento

 Que neste dia o mundo me deseje

Até no pensamento um Feliz Natal!

*

Para você também

 Fagulhe o incenso

 Um cheiro de vida.

*

Muito ouro e mirra

 No ano que aí vem

 Na mira de alguém. 

Amém.

*

Feliz  Nova  Era  (2013)

*

Para 2012, clique abaixo

https://mamcasz.com/2011/12/29/happy-new-2012/

Para 2011, clique abaixo

https://mamcasz.com/2010/12/15/2011/

Para 2010, clique abaixo

https://mamcasz.com/2009/12/28/happy-chistmas-proce-throughout-all-the-days-of-2010/

( Eduardo Mamcasz – Poeta Quase Zen )

Natal 04 by Mamcasz

 

There was once a boy lamb

Sheep son of Mary Blessed

Adopted by cabinetmaker Joseph.

*

In cradle of straw is packed

 On the way to come manger.

*

Oh how I miss going to bed

And the cradle that comes in the name of

Son of the thousand Noéis this world.

*

 Von dann nicht mehr Baby Lamm

Das Handtuch den Jungen gesehen, so schön

Haare auf der Dornenkrone.

Selig Christ Kind, das schreit:

*

Wollen mehr Gold, Weihrauch und Myrrhe

Von den Magiern Könige Magie extrahiert.

*

Ich möchte der Star mein eigenes sein

 In der Krippe auf diesem Pick

Meine wertvollen Weihnachtsgeschenk.

Natal 03 by Mamcasz 

 

 Je veux vraiment un parti tri-légal

 Parce que je suis le fils de Marie moutons

Père inconnu et ainsi de suite et ainsi de suite.

*

Je me suis inscrit dans mon testament

 À ce jour, je voudrais que le monde

Même en pensée un Joyeux Noël!

*

Ciebieteż

Kadzidłofagulhe

Zapachżycia Bardzozłotoimirrę.

*

Rok, którynadchodzi

Nawidokkogoś.

*

 

Natal 02 by Mamcasz

 

(mais…)


In addition to traditional defense of northeastern causes many social and economic issues are present in the lyrics of more than five hundred songs Gonzagão that were alive, would be completing one hundred years. Hear my economic respects.

Luiz Gonzaga faz cem anos de rei do baião brasileiro 

Além da tradicional defesa das causas nordestinas, muitos temas sociais e econômicos estão presentes nas letras das mais de quinhentas músicas do Gonzagão que, vivo fosse, estaria completando cem anos. Ouça minha econômica homenagem.

Clique abaixo para ouvir

https://soundcloud.com/#mamcasz/gonzagao-cem-anos-de-vida

Caruaru (Pernambuco), Brasil. São João 2005. Q...

Caruaru (Pernambuco), Brasil. São João 2005. Quadro de Luiz Gonzaga. Caruaru (Pernambuco), Brazil. Luiz Gonzaga. (Photo credit: Wikipedia)

Script completo

TEC/ Vinheta de Abertura

 LOC/ Luiz Gonzaga, o rei do baião, o maior defensor das causas nordestinas, se vivo fosse, estaria completando cem anos de idade neste dia 13 de dezembro, quinta-feira. E o que o Gonzagão tem a ver com este Trocando em Miúdo, que só fala de Economia? Muito. É só procurar pelas letras das mais de quinhentas músicas dele. Vamos nessa?

 TEC/  (Minha vida é viajar por este país – http://letras.mus.br/luiz-gonzaga/82381/ )

 LOC- Distribuição de renda. Todo mundo sabe que o Sul Maravilha tem muito. O Nordeste, pouco, Na letra da música “Bom? Prá uns.” Luíz Gonzaga canta que “ tem gente que vive por viver, e pra não morrer, vive enganando a vida”. E pergunta para o ouvinte:

 TEC/  (Tá tudo bom?Tá tudo bom?Tá tudo bom … prá uns; prá outros,  não. http://letras.mus.br/luiz-gonzaga/1564329/)

 LOC/ E nestes dias em que tem tanta gente hoje chamada de inadimplente, suando para pagar a dívida, juros altos no banco? Principalmente o agricultor. Pois escuta só o Gonzagão na música dele “Eu sou do banco”. Passa o matuto do sertão, com meia dúzia de bois, e o povo pergunta para o bicho na frente. De quem é esta boiada?

 TEC/ ( Eu sou do banco. Banco do Brasil. Banco do Nordeste. Da peste. Em Pernambuco. Bandepe!  http://letras.mus.br/luiz-gonzaga/1565378/ )

 LOC/ Vamos em frente com o Trocando em Miúdo de hoje em homenagem aos cem anos de vida de Gonzagão, que se completam nesta semana. Só falando de economia, pode? Tanto pode que ele canta, por exemplo, uma coisa que hoje está na moda. Como tirar o dinheiro dos royalties da Petrobrás.

TEC/ (Brasil, meu Brasil/Tu vais prosperá tu vais/Vais crescer inda mais/Com a Petrobrás/

http://letras.mus.br/luiz-gonzaga/1561822/ )

 LOC/ E vamu que vamu. Outra coisa que agora está na moda. Economia sustentável. Preservação da natureza e tal. Pois não é que o nosso Gonzagão, há muito tempo, cantava este xote ecológico. Preste atenção.

 TEC/ (E o verde onde é que está ? Poluição comeu/  Nem o Chico Mendes sobreviveu/

http://letras.mus.br/luiz-gonzaga/295406/ )

LOC/ E só para fechar esta prosa animada de hoje. E apressando a cantoria. A melhor música de todas do Gonzagão, melhor ainda do que Asa Branca, pelo menos para mim, e que fala da eterna seca que atinge o povo nordestino, é a obra prima dele. A Triste Partida. Esta é a nossa homenagem pelos cem anos de nascimento de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, nesta semana. É uma música longa, tão longa quanto a seca no Nordeste. Ele começa cantando que setembro passou, quando deveria ter dado a primeira chuva,   e nada. Já tamo em dezembro e o que vai ser de nós…

 TEC/ (Assim fala o pobre/Do seco Nordeste/ Com medo da peste/ Da fome feroz/)
LOC/ Mas noutra esperança, continua Gonzagão na música Triste Partida cantando a seca nordestina, o povo se agarra na   chuvinha no Natal. Nada. O sol veio vermeio. E assim vai, no mesmo verão, até fevereiro e nada.  Apela para março  …

 TEC/ ( Mas nada de chuva/ Tá tudo sem jeito/ Lhe foge do peito/ O resto da fé/)
LOC/ Daí, perdida toda esperança, o nordestino começa a “Triste Partida” de fato em direção ao Sul Maravilha. E este nordestino, antes dele partir para a vida, ele faz o que,  Gonzagão?

 TEC/ ( Vende seu burro/ Jumento e o cavalo/ Inté mesmo o galo/ Venderam também/)
LOC/ E a história continua, cada vez mais triste, isto é economia, do nordestino expulso pela seca a procura de emprego no Sul, onde ele era chamado de nortista. Tem a longa estrada da vida, a chegada, a dor da saudade do agreste, devendo ao patrão, sulista, sofrendo o desprezo de todos, até que Luiz Gonzaga, Gonzagão cem anos de nascimento, dia 13 de dezembro, acaba com esta bordoada:

 TEC/ ( Faz pena o nortista/ Tão forte, tão bravo/ Viver como escravo/ No Norte e no Sul)

 LOC/ Então, tá. Inté e Axé.

TEC/ Vinheta de Encerramento.

English: Statue of Luiz Gonzaga. Campina Grand...

English: Statue of Luiz Gonzaga. Campina Grande (Paraíba), Brazil. Português: Campina Grande (Paraíba), Brasil. Estátua de bronze de Luiz Gonzaga. (Photo credit: Wikipedia)


Oscar Niemeyer Museum (NovoMuseu), Curitiba, B...

Oscar Niemeyer Museum (NovoMuseu), Curitiba, Brazil (Photo credit: Wikipedia)

Comunista, Oscar Niemeyer dizia que a arquitetura dele era para rico. Além dos mais de 500 projetos espalhados pelo mundo,    ele  deixa uma obra social apenas no escrito, onde  lamenta a miséria que o cerca. Confessa que a arquitetura  dele nunca foi  dirigida para os pobres que, no entanto, como consolação proletária, têm a felicidade de sentir a emoção diante da obra criada.

Ouça-me

https://soundcloud.com/#mamcasz/arquitetura-de-niemeyer

Brazilian Congress being washed by rain. Archi...

Brazilian Congress being washed by rain. Architecture by Oscar Niemeyer. (Photo credit: Wikipedia)


Argentina está a um passo do calote

Primeiro a nota da manhã desta sexta-feira (28-11-12) que agita os abutres capitalistas. A agência internacional de classificação de riscos, a Fitch, acaba de rebaixar a nota da vizinha em cinco pontos, de uma só vez. Cai de B para CC. Casualmente, a presidenta brasileira Dilma Roussef está hoje na Argentina. Junto com o assessor Marco Aurélio Garcia. Sugestão: que tal expulsar a Argentina do Mercosul, como fizeram com o Paraguay. Ai, ai, caramba, quer dizer, caracoles.

Traduzindo a conversa, está na bica de acontecer o chamado “Default Técnico”, ou seja, CALOTAÇO, tipo O Último Tango em Buenos Aires. Apesar da turma do deixa disso dizer que isto se deve por causa daquele juiz de New York, o Thomas Griesa, que obriga a Argentina a pagar o que deve, senão… E só para terminar. A Fitch Ratings rebaixou o risco da Argentina pagar a dívida de curto prazo de C para B e a de longo prazo de B para CC, com chances de “default tecnico”, ou seja, Calote, quando daí cai de vez, de CC para DDD, Aí, fucked meu.

O pior é que o socorrista latino de plantão está mal das pernas, em Cuba. Falo da Venezuela e do Hugo Chaves. Então, no lugar de arriba é abajo.

 http://www.ambito.com/noticias/imprimir.asp?id=664889

Estás muy cerca al riesgo de default de Argentina

 En primer lugar señalar la mañana del viernes (12/11/28) saluda a los buitres capitalistas. La agencia internacional calificadora de riesgo, Fitch, sólo rebaja la nota de los vecinos de cinco puntos a la vez. Cai B para CC. Por cierto, el presidente de Brasil, Dilma Rousseff, se encuentra en la Argentina de hoy. Junto con el asesor Marco Aurelio García. Sugerencia: ¿qué hay de expulsar Argentina Mercosur, como lo hicieron con Paraguay. Oh, oh, Dios mío, me refiero a los caracoles.

La traducción de la conversación que está sucediendo en el pico llamado “default técnico”, es decir CALOTAÇO, como El último tango en Buenos Aires. A pesar de la banda ha llegado a decir que debería debido a la juez de Nueva York, Thomas Griesa, que requiere la Argentina para pagar lo que debe, pero … Y así hasta el final. Fitch Ratings rebajó el riesgo de Argentina para pagar deuda a corto plazo de C a B y B a largo plazo para CC, con el riesgo de “default técnico”, por defecto, es decir, con lo que cae de vez en DDD DC , entonces mi jodido.

Lo peor es que el socorrista de guardia América está en mal estado, Cuba. Hablo por Venezuela y Hugo Chávez. Así que en lugar de arriba abajo es.

 Argentina is one step away from default (default)

First note the morning of this friday (11.12.28) shaking the capitalist vultures. The international agency risk rating, Fitch, just downgrade the note in the neighboring five points at once. Cai B to CC. Incidentally, the Brazilian president Dilma Rousseff is in Argentina today. Along with the advisor Marco Aurelio Garcia. Suggestion: how about expel Argentina Mercosur, as they did with Paraguay. Oh, oh, gosh, I mean snails.

Translating the conversation is happening in the spout called “Technical Default”, ie CALOTAÇO, like Last Tango in Buenos Aires. Despite the gang’s come on say it should because of the judge of New York, Thomas Griesa, requiring Argentina to pay what you owe, but … And just to finish. Fitch Ratings downgraded the risk of Argentina to pay short-term debt from C to B and long-term B to CC, with chances of “technical default”, ie default, thereby falls from time to DDD DC , Then my fucked.

The worst is that the Latin rescuer on duty is in bad shape, Cuba. I speak from Venezuela and Hugo Chavez. So instead of arriba abajo is. falls from time to DDD DC , Then my fucked. The worst is that the Latin rescuer on duty is in bad shape, Cuba. I speak from Venezuela and Hugo Chavez. So instead of arriba abajo is.

English: Dilma Rousseff, president of Brazil w...

English: Dilma Rousseff, president of Brazil with Cristina Fernández de Kirchner, president of Argentina during Rousseff’s official state visit to Buenos Aires on January 31, 2011. Português do Brasil: Dilma Rousseff, presidenta do Brasil e Cristina Fernández de Kirchner, presidenta da Argentina durante a visita oficial de Dilma Rousseff a Buenos Aires em 31 de Janeiro de 2011. (Photo credit: Wikipedia)


                      Central Bank of Brazil announces new series of commemorative coins of World Heritage Cities. This time, City Goyaz. Unlike the dissemination of historical currency last year, 2011, this time at the launch, the Central Bank of Brazil placed the author of the verses of poetry, criminally omitted by the Copyright Act, the first time. Cora Coralina, a great Brazilian poet-goiana forgotten. Learn the whole story.

                        Cora Coralina.

                       Eu a conheci, conversei com ela, ao vivo, na Casa da Meia Ponte em Goyaz Velho City. A Patativa do Cerrado. Voz sumida, tal quantas fora do eixo Rio-Sampa, o de sempre. Pois agora, ela faz parte de uma moeda do Banco Central do Brasil. Peso: 27 gramas. Custo: 180 reais. Tiragem inicial (15-11-12) 2 mil e tiragem máxima de 10 mil.Os especialistas vão jogar com ela. Aliás, com ela, não. Com a cidade de Goiás, antiga capital meso-bandeirantes paulista caçadores de “bugres”. Cidade considerada Patrimônio da Humanidade. Desde 10-12-2001. Daí explico melhor. Ano passado, ao anunciar o fato, o Banco Central do Brasil colocou, no projeto de moeda, trecho da poesia da Cora Coralina, mas sem colocar o nome dela. Crime de lesa pátria. Roubo pior que o do mensalão do dito ora condenado. Daí, me rebelei aqui neste mesmo blog. Curta a primeira moeda e o post dantão e já volto.

Saiba exatamente como foi a lambança na prima volta burocrática federal. Clique abaixo.

https://mamcasz.com/2012/03/29/banco-central-do-brasil-rouba-poemas-de-cora-coralina/

E leia agora como foi a reação burócra-oficial na época . Clique de novo no velho.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-03-31/alertado-por-redes-sociais-bc-vai-incluir-nome-de-cora-coralina-em-moeda-comemorativa

                    De volta aos dias de hoje. O Banco Central do Brasil anuncia, solenemente, o lançamento da moeda comemorativa da cida patrimônio de Goiás, para mil  Goiás Velho, linda na noite dos faracocos, Quinta-feira dita santa, quantas não aprontei, meia-noite saem os azuis e os vermelhos à procura do Cristo, eis que surge o Judas, delação premiada, a cidade apagada, às escuras, tochas dos faracocos (Idade Média, meu). Voltando da rápida viagem. Pois bem. Na moeda de agora, o nosso Banco Central do Brasil, pois bem, parabéns, coloca a assinatura da grande Cora Coralina nos versos.

Agora, se tiveres a fim, clique abaixo e saiba a notícia mais atual

http://mail.terra.com.br/105.0trr/reademail.php

id=49910&folder=Inbox&cache=78B6C89C39C97141AD54355E0ABF4E3230B1408A17@SBCDF155.bc

           – Se já comprei a moeda? Que nada. Reservo a poupança para um bolo de arroz no Mercado Municipal, ou quiçá uma pamonha salgada com leve pimenta, doce de jaca da dona Jacira, pé-de-moleque do Dindo. Banco Central? Prefiro o da pracinha, coreto, picolé de coco ralado. Qualé,mané. Só fiz foi chamar a atenção dos burocratas que estavam roubando o conhecimento alheio. Corrupção incontida noturna.

Português: Casa de Cora Coralina - Cidade de G...


                        Entenda porque o governo neste ano deixa de usar a meta cheia no cálculo do superavit fiscal primário, retirando o que deixou de arrecadar, por conta da desoneração de impostos, entre eles o IPI de carro e geladeira, e também o que usou em investimentos.

 

                    Então, dois mais dois, some 45 bilhões de investimentos mais 42 bilhões da desoneração e se tira do cálculo do superávit primário uns 87 bilhões de reais. 

            A conversa é importante porque na LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias, que conduz o Orçamento da União, existe o compromisso do governo federal fechar as contas, em dezembro deste 2012, com um superavit fiscal de 3 ponto 1. 

         Mas daí tem essas mexidas no jeito de calcular as contas. Na verdade, em todos os anos,   o governo todos os anos é autorizado a fazer este tipo de cálculo não cheio para cumprir a meta fiscal.  Só em dois anos o governo aceitou, em nome da crise. Palavra do ministro Mantega.

Para ouvir, clique abaixo 

http://radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2012-11-09/governo-mexe-no-superavit-fiscal-por-causa-do-ipi

 


With the arrival of harsh winter in Paris, the French government put into effect a law that prevents eviction until March 15. It is not to increase the population sleeping on the streets, which today can reach 150 thousand. This is the most cruel face of the Euro Crisis. Learn more.

Governo proíbe despejo em Paris até 15 de março

Com a chegada do inverno rigoroso em Paris, o governo francês põe em vigor a lei que impede despejo até 15 de março. É para não aumentar a população que dorme nas ruas, que hoje pode chegar a 150 mil. Esta é a face mais cruel da Crise do Euro. Saiba mais.

Le gouvernement interdit l’expulsion à Paris jusqu’au 15 Mars

Avec l’arrivée du rude hiver à Paris, le gouvernement français a mis en vigueur une loi qui empêche l’expulsion jusqu’à ce que Mars 15. Il ne s’agit pas d’augmenter la population de dormir dans les rues, qui, aujourd’hui, peuvent atteindre 150 000. C’est le visage le plus cruel de la crise de l’euro. En savoir plus.

Para ouvir, clique abaixo:

http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/galeria/audios/2012/11/governo-frances-proibe-despejo-ate-15-de-marco

 

 Script Completo

Quem não paga aluguel em dia não pode ser despejado até o dia 15 de março do ano que vem. É o que manda a nova lei e vale desde o dia primeiro deste mês de novembro. Tudo por causa da crise financeira que atinge principalmente as camadas mais pobres da população. Mas atenção. Isto vale só para quem mora na chique Paris. Não é aqui para nosso pobre Brasil. Então, vamos nessa?

 …

 Pois esta é a primeira notícia que eu trago dos quinze dias que acabo de passar em Paris, a cidade mais cara da Europa. É a crise do euro. A gente está acostumado a receber as notícias da macroeconomia, das medidas tomadas pelo Banco Central Europeu, da recompra de títulos públicos desvalorizados, da queda dos índices das Bolsas de Valores e tal. Mas ninguém é da verdade do povo, do aumento das famílias, principalmente monoparentais, ou seja, formadas apenas pela mãe e filhos, que dormem nas ruas em Paris. E agora começa o inverno, com madrugadas chuvosas e a temperatura abaixo de zero. E como é que fica este pessoal que vive nas ruas?

 …

 A lei que impede, desde o dia primeiro, o despejo de famílias que não estão conseguindo pagar o aluguel em dia, em Paris, é chamada de Trêve Hivernale, ou seja, Inverno das Trevas. É uma das maneiras achadas pelo governo francês para evitar que aumente o número de famílias dormindo nas ruas. Até porque 118 mil famílias, desde o começo do ano, em Paris, foram despejadas. A maioria faz parte da população de 150 mil pessoas que dormem nas ruas da capital francesa. Acontece que, numa operação de emergência, por causa do inverno rigoroso que está começando, o governo de Paris arrumou 19 mil novas vagas, pagas por ele, em hotéis baratos da perifieria ou em albergues, alguns improvisados. Com estas novas vagas, o total chega hoje a 83.000. Só tem o seguinte. A necessidade é de 150 mil. Dois mais dois, 67 mil pessoas continuam dormindo nas ruas em Paris. Palavra do Samu francês e também da Federação Nacional das Associações de Recolhimento e Reinserção Social da França.

E só para terminar a prosa indigesta de hoje porque amanhã tem mais, trazida diretamente de Paris. E por que isto acontece na cidade mais chique do mundo? Simples. A crise do euro. O desemprego. A queda da renda. Principalmente dos emigrantes dos países em pior situação, como a Grécia, Espanha e Portugal, que imigraram em Paris, que está na fase de contenção de despesas públicas.

Então, tá

 

Inté e Axé.


Economia brasileira cresce abaixo do potencial: 1,2%

                 Who guarantees is the minutes of the Monetary Policy Committee, released early on Friday (18) by the Central Bank of Brazil. It has more in minutes, with 80 paragraphs and ten thousand words: the international crisis worries, inflation is high, pressed for food and drinks, and monetary measures continue for a sufficiently long period of time. Until now, the economy grews just 1.2%, also due to the “domestic demand, driven by moderate expansion of credit and the growth of employment and income, has been the main factor sustaining the activity.”  Ie.   The thing is ugly.

* * *

Brazilian economy grows below from the potential

Ata do Copom, divulgada na manhã desta sexta-feira (18) pelo Banco Central do Brasil. Tem mais na ata, com 80 parágrafos e dez mil palavras: a crise internacional preocupa, a inflação está alta, pressionada por alimentos e bebidas, e as medidas monetárias continuam por um período de tempo suficientemente prolongado. Até agora, a economia cresceu apenas 1,2%, assim mesmo por conta da “demanda doméstica, impulsionada pela expansão moderada do crédito, bem como pelo crescimento do emprego e da renda, tem sido o principal fator de sustentação da atividade”. Ou seja. Ainda que não pareça, a coisa está feia.

Se quiser, leia a ata completa.

Clique abaixo.

http://www.bcb.gov.br/?COPOM170


O Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado pelo Banco Central do Brasil, dá nota quase positiva para o desempenho da economia no primeiro semestre. Mas acende alguns sinais de alerta. Aumento da inadimplência é um deles. O outro, a preocupação com a crise financeira na Europa.

Os técnicos explicam que o relatório está de olho no risco sistêmico, especialmente à sua dinâmica recente e o grau de resiliência a eventuais choques na economia brasileira. Complicado, né? Nem tanto. Traduzindo para o português da esquina.

RESILIÊNCIA é a capacidade de superar obstáculos ou resistir a pressões adversas sem entrar em surto. Pensando na economia. Por exemplo. É o Brasil continuar calmo diante da crise financeira na Europa. Tanto que o relatório do Banco Central, na página 15, lembra o seguinte, do jeito como está escrito:

“Faz-se oportuno ressaltar que o cenário externo continua sendo acompanhado, a fim de evitar que eventual deterioração da crise internacional afete negativamente a economia doméstica.”

 

Direto para o relatório. A inadimplência aumentou, sim senhor, por causa, principalmente, dos financiamentos para compra de carro.Com isso, houve maiores despesas de provisão e redução do lucro líquido. Traduzindo. Os bancos aumentaram a reserva contra calote e com isso diminuiram os lucros. Que mais? Houve elevação de 1,2 pontos percentuais no endividamento das famílias, alcançando 43,4% da renda disponível. Precisa traduzir isto? 43,4 por cento da renda das famílias já estão comprometidas com endividamentos feitos e com dificuldade de serem pagos. Ou seja. Maior estrésse.

Agora me ouça, pessoa:

http://soundcloud.com/mamcasz/economia-quase-passa-no-teste

Link para o relatório completo do BC:

http://www.bcb.gov.br/htms/estabilidade/2012_09/refP.pdf


The calculation is by IPEA, upon the data collected by IBGE. This is the best increase in income of the poorest since 1960. In the last 10 years was 91%. Nevertheless, Brazil still has the twelfth worst inequality in the world. We have the twelfth worst inequality in the world.

Mais pobres aumentam a renda 550% acima dos mais ricos

O cálculo é do Ipea, em cima dos dados coletados pelo IBGE. Este é o melhor aumento de renda dos mais pobres desde 1960. Nos últimos dez anos foi de 91%. Mesmo assim, o Brasil ainda tem a décima segunda pior desigualdade social do mundo.

(Sede do Congresso Nacional do Brasil, em Brasília, na seca de agosto.)

A notícia boa é justamente esta. Enquanto a renda dos dez por cento mais ricos, nos últimos anos, subiu um cadinho só, o dinheiro recebido pelos dez por cento mais pobres, aqueles que ganham menos do que a metade do salário mínimo, por família, pois então, subiu de montão.

Nos últimos dez anos, a renda das pessoas que vivem em famílias chefiadas por analfabetos subiu 88,6 por cento. No caso das famílias chefiadas por pessoas com 12 ou mais anos de estudo, a renda caiu 11,1 por cento. Caiu. E qual o lado positivo disso? Diminui a distância entre pobres e ricos. Por aí. Que mais?

No Nordeste, o mais pobre, a renda subiu 72,8 por cento. No Sudeste, o mais rico, subiu 45,8 por cento. E por vai. A renda cresceu 85,5 por cento nas áreas rurais mais pobres. E 40,5 por cento, ou seja, menos do que a metade, nas chamadas metrópoles, cidades grandes e ricas. Mais uma. A renda dos pardos sobe 85 e meio por cento. A dos brancos,47,6 por cento.

Então me ouça, pessoa.

 http://soundcloud.com/mamcasz/renda-dos-pobres-sobe-550-por


 Brazil has half the population of elderly only

The information that will be half the Brazilian elderly, 40 years from now, this goes for the International Day of Older Persons. It’s in the report “Aging in a more Old Brazil”, World Bank. It points out the changes that will happen in the economy as a whole.

* * * * *

A informação de que metade dos brasileiros será de idosos, daqui a 40 anos, vale para este Dia Internacional da Pessoa Idosa. Está no relatório “Envelhecendo em um Brasil mais Velho”, do Banco Mundial. Aponta as mudanças que vão acontecer na economia como um todo.Daqui a 40 anos, serão menores os gastos, por exemplo, com a infância e juventude.
Ou seja. As pessoinhas na idade escolar vão cair de 50 para 29 por cento. E por que? Simples. Porque os jovens de hoje estão tendo uma fecundidade menor. Verdade. O número de crianças até quatro anos de idade caiu, nos últimos dez anos, de 16 para 13 milhões.
Os filhos de hoje estão tendo menos filhos do que nós pais de ontem. E os velhos que nem eu estão vivendo mais. Que nem a minha sogra. Está com 90 anos, mora sozinha, tem a pensão de viúva e um jovem para cuidar dela. Eu. Perto dos 65 anos de idade.

Então me ouça, pessoa:

http://soundcloud.com/mamcasz/brasil-vai-ter-metade-da

Uma taça de vinho tinto francês, quanto mais velho, melhor, se bem conservado.

(Foto na varanda do apartamento da Rue Daguèrre, em Paris.)

* * *

Com a tua licença!

Hoje é o Dia Internacional da Pessoa Idosa.

Então, dê um sorriso para a velha que trabalha ao teu lado.

Velha companheira,cidadã, colega, amiga de jornada.

Até porque o tempo é um ponto de vista, diz Quintana.

“ Velho é quem tem um dia a mais do que eu ”.

Até porque todos nascem velhos, diz Drumond.

“ Em casas mais velhas do que a velhice “.

Até porque a medida é incerta, diz Cora.

“ Não sei se a vida é curta ou longa demais “.

Até porque estamos todos no mesmo barco, diz Vinicius.

“ Que guarda no seu bojo o eterno ruído do mar batendo “.

Até porque não quero amigos adultos nem chatos, diz Pessoa.

“ Quero-os metade infância, e a outra metade, velhice “.

Com a tua licença!

Aceite este meu sorriso.

Deste velho chato, desde criancinha.

Atenção!

Antes que me digas que velho é a mãe, aviso. Tenho 65 anos de idade. Foram citados, pela ordem, meus poetas preferidos, todos mortos:

Mário Quintana, Carlos Drumond de Andrade, Cora Coralina, Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa.

Inté e Axé. 

« Página anteriorPróxima Página »